Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

22 fev

Prefeito afastado em razão de denúncias de assédio sexual, Cristovão Tormin é uma figura tenebrosa que precisa ser removida com urgência da política em Goiás

Poucas figuras da política em Goiás são ou foram tão tenebrosas quanto Cristovão Tormin, um ex-vereador e ex-deputado estadual que acabou obtendo aval popular para se transformar em prefeito de Luziânia por dois mandatos, o segundo do qual mediante uma incompreensível decisão da Justiça Eleitoral, que legitimou o registro da sua candidatura mesmo diante de ilegalidades brutais e vitimou o ex-deputado Marcelo Melo, assim privado da chance que sempre perseguiu para administrar a sua cidade e possivelmente o faria sem o vexame protagonizado pelo atual prefeito – ou ex, como no momento, se Deus quiser.

Tormin teve uma passagem apagadíssima pela Assembleia, onde estrelou o baixo clero e só votava mediante compensações fisiológicas e 24 horas por dia de olho em cargos, nada mais. Mesmo assim, iludiu o eleitorado luzianense, ao mesmo tempo em que desenvolvia uma trajetória em que não tinha fidelidade a ninguém e chegava a apoiar três candidatos a governador ao mesmo tempo, como na eleição de 2011, quando serviu a Marconi Perillo, Iris Rezende e Vanderlan Cardoso, conforme o lugar e a ocasião.

Pior que um ser miúdo na política, tornou-se desprezível e próximo de um mostro ao tentar compensar suas limitações pessoais pressionando sexualmente humildes funcionárias da prefeitura, que demoraram, mas finalmente tiveram coragem para denunciá-lo. São mais de 20, número suficiente para atestar a horrenda veracidade dos atos desse ogro. Merece cumprimentos o trabalho do Ministério Público Estadual ao desmascarar essa autêntica farsa da política em Goiás e colocar Cristovão Tormin no rumo do lugar que merece há tempos, ou seja, a cadeia. Ele não é nada mais que um criminoso milagrosamente investido em um cargo público de relevância, o que talvez prove que Pelé, décadas atrás, tinha e continua tendo razão ao dizer que o povo brasileiro não sabe votar – mesmo porque, quando foi eleito prefeito pela população de Luziânia, já era tudo o que é hoje.

Em tempo: tenebrosa, segundo o dicionário, significa o mesmo que pavorosa, sombria, escura, aflita, aterradora, medonha, obscura, tétrica. Como se vê, definições perfeita para esse infeliz ser humano.

31 jan

Apesar de serem um fenômeno natural, periódico e previsível desde que o mundo é mundo, chuvas pegaram Adib Elias com as calças nas mãos e levaram a destruição à Catalão

Ficou ruim, mas muito ruim, para o prefeito Adib Elias o que aconteceu em Catalão há poucos dias e apenas repete a rotina das fortes chuvas que caem na cidade entre o fim de um ano e o início de outro, por todo o sempre – o que deveria ter levado as autoridades municipais a adotar medidas de precaução, que, inclusive, foram recomendadas pelo Ministério Público, mas 100% ignoradas pela prefeitura, em uma omissão que resultou em prejuízos monumentais para a população e por pouco não levou a mortes (que, em anos anteriores, já ocorreram).

Adib recebeu todos os avisos possíveis. O primeiro, claro, decorre da tradição de tempestades que levam a inundações periódicas em Catalão e destroem a infraestrutura urbana da cidade – a propósito, péssima, com obras equivocadas como a canalização com piso e paredes de concreto do ribeirão Pirapitinga – o que, em vez de resolver, agravou a incidência de enchentes ao esparramar o excesso de águas por toda a cidade e não apenas ao longo do seu leito. Como não aprendeu com o erro, a prefeitura, no ano passado, artificializou o restante do Pirapitiga que passa pela cidade, criando uma monstruosidade, ou seja, um curso d’água que flui inteiramente por um estreito canal pavimentado. Em países europeus, um projeto absurdo como esse seria motivo para a deposição do prefeito.

Outra advertência veio de uma ação protocolada na Justiça pelo Ministério Público, que corretamente exigia da prefeitura a confecção de um plano municipal de drenagem urbana, além da implantação de uma fiscalização eficaz e efetiva das represas existentes dentro dos limites cidade. Em vez de obedecer, o que Adib fez? Deu-se ao trabalho de entrar com um recurso no Superior Tribunal de Justiça, para fugir da obrigação. O promotor Roni Alvacir Vargas, da Promotoria de Defesa do Meio Ambiente em Catalão, autor da ação, afirma que se a prefeitura tivesse atendido aos pedidos, os estragos causados durante a forte chuva da semana passada não teriam ocorrido. Catalão tem 14 grandes represas dentro da cidade, muitas em sequência, o que facilita eventuais acidentes e rompimentos. Pior: todas irregulares. É cegueira deliberada não enxergar esse potencial para desastre, como parece ser o caso, em especial em uma região que registro histórico de trombas d’água.

Mas não foi só. Adib ignorou ainda outro aviso: o precedente aberto com o estouro de uma represa em Pontalina, que o deveria ter levado a deflagrar um imediato monitoramento das barragens em posição de risco, em especial as urbanas. Não o fez, dormiu no ponto e agora se desdobra em justificativas esfarrapadas que não fazem jus à inteligência e capacidade administrativa que sempre demonstrou como chefe do Executivo catalano. Sua imagem de bom gestor, em ano eleitoral, em que depende da renovação do seu mandato para ter um futuro na política estadual, foi arrastada para o brejo. Afinal, como explicar, com Adib perto de 12 anos mandando em Catalão, uma prefeitura que não fez nada para prevenir nem muito menos adotou cuidados mínimos – e legalmente obrigatórios – para evitar ou ao menos diminuir os danos das pesadas chuvas que eternamente caem sobre a cidade?

30 jan

Candidatura de Vanderlan a prefeito de Goiânia é um erro porque ele não precisa mais de exposição a qualquer preço e estaria se reapresentando ao eleitorado sem ter justificado o mandato de senador

O senador Vanderlan Cardoso tem um defeito de origem que é gravíssimo em política: ele é solitário, isto é, não tem e não busca aliados, bancando a sua carreira apenas com os seus próprios recursos e não como expressão de uma vontade social ou representação de um segmento expressivo da sociedade. Vá lá: sozinho, ele já foi longe demais, chegando a um mandato de senador que não foi produto de posições que porventura tenha defendido ou interesses coletivos que tenha assumido, mas resultado de uma conjuntura em que os candidatos concorrentes – principalmente Marconi Perillo e Lúcia Vânia – encontravam-se debilitados por ocorrências policiais e por uma fadiga na exposição ao público.

Por conta própria, ou seja, em razão dos seus méritos, sejam quais forem, Vanderlan não seria senador. Em uma eleição com candidatos convencionalmente estruturados, ele provavelmente não teria ganho. É preciso uma dose cavalar de humildade para admitir essa verdade e é bem possível que o senador, alçado ao paraíso em vida da mais alta câmara legislativa do país, onde a história transcorre à frente de cada um dos seus integrantes, não a tem e dificilmente a terá. Daí, a ideia que meteu em sua cabeça de disputar a eleição para prefeito de Goiânia antes de mostrar serviço no Senado, imaginando-se talvez senhor da vontade do eleitorado e uma liderança estadual que ainda não é.

É um risco grande que ele vai correr, a não ser que esteja buscando apenas estrelar o noticiário sobre a dança das candidaturas – algo de que ele, para se manter em evidência, não tem a menor necessidade. O que Vanderlan precisa, na verdade, é justificar o mandato que as urnas outorgaram a ele, até agora cumprido em brancas nuvens. OK, há uma emenda orçamentária para um hospital, outra acolá para uma prefeitura e mais algumas desse tipo, o mesmo modelo que acabou custando a reeleição a Lúcia Vânia  – aquela acreditou na hipótese de passar pelo Senado sem se posicionar sobre os grandes temas do Estado e do país, apenas distribuindo benesses para as suas bases, como uma espécie de despachante de luxo dos municípios em Brasília. Deu no que deu, ou seja, em uma derrota eleitoral que ela credita à companhia tóxica de Marconi Perillo na chapa do PSDB, porém construída unicamente por ela e por mais ninguém.

Mais grave, para Vanderlan, é que ele não tem projeto para Goiânia. Enfrentou Iris Rezende em 2016 sem tê-lo e acha que bateu na trave, perdendo por pouco. Mas não foi assim. Na capital, acabaram-se os tempos de vitórias esmagadoras, em 1º turno. A expectativa é agora de eleições apertadas, porque o maior colégio eleitoral do Estado é bem informado e dotado de espírito crítico, o que explicará, depois de acontecida, a recondução de Iris – ele, fisicamente, encarnação de um programa de governo que neste ano, fundamentando por uma administração excepcional em todos os sentidos, será muito melhor que o do pleito passado e tecnicamente imbatível, quanto mais por quem, tendo recebido a chance de um valiosíssimo mandato senatorial, ainda não deixou claro que os votos recebidos valeram a pena para quem os deu.

De resto, é o que se disse nas linhas iniciais deste post: um empresário que está na política, não um político em definitivo, Vanderlan não tem sequer o mínimo, ou seja, um partido para respaldar o seu nome em Goiânia, já que sempre preferiu o desempenho individual à formação de de alianças ou grupos. Ele sempre foi alguém que aproveitou oportunidades, como a de 2018, beneficiando-se de momentos e conjunturas que não estarão disponíveis na eleição deste ano em Goiânia, quando estruturas partidárias e sociais terão peso elevado, inclusive quanto ao principal elemento da campanha, que é o horário de propaganda pelo rádio e televisão. Vanderlan vai gastar a maior parte das suas energias e do seu tempo respondendo às críticas dos adversários de que não honrou sua passagem pelo Senado e só tem as mãos vazias para apresentar. Em vez de acrescentar estofo e dar peso à sua presença no cenário político, isso pode diminuir o seu tamanho e comprometer o seu futuro.

29 jan

“Fico” de Jânio Darrot é a maior derrota política de Marconi em toda a sua carreira, ao ser obrigado a abrir mão do controle sobre o PSDB e da escolha de candidatos em Goiânia, nos municípios e em 2022

Derrota eleitoral, todo mundo sabe que o ex-governador Marconi Perillo tomou uma monumental em 2018. Mas, politicamente falando, em nunca perdeu uma parada dentro do seu partido, o PSDB, que em 20 anos de poder em Goiás sempre foi submisso às suas decisões e orientações. Atenção, leitora e leitor: isso mudou. Marconi não manda mais no PSDB. Ao se ajoelhar ao prefeito de Trindade Jânio Darrot, para suplicar que continuasse no comando estadual da legenda e evitasse uma implosão de proporções imprevisíveis, ele engoliu uma situação que nunca viveu antes, em toda a sua carreira pública.

O “fico” de Jânio Darrot tem consequências trágicas para Marconi. Ele foi obrigado a aceitar um compromisso que dá ao presidente tucano uma autonomia que nunca nenhum dos seus antecessores teve antes. Jânio Darrot ficou livre para encaminhar o partido como bem entender, embora seja claro que ele, formalmente, irá comunicar ao ex-governador todas as suas resoluções, ouvindo-o como a um conselheiro e não como um mandatário. A primeira consequência desse novo cenário interno dentro do PSDB é a candidatura do deputado estadual Talles Barreto a prefeito de Goiânia, que Marconi, em princípio, vetaria – diante das críticas que o parlamentar tem feito ao seu estilo de fazer política, que Talles Barreto responsabiliza pela massacrante derrota em 2018.

Na sequência, o candidato a governador do PSDB em 2022, se a sigla chegar a ter um, será o próprio Jânio Darrot. Desde já. Marconi perdeu as condições de influir sobre essa definição e de, atendendo aos seus interesses de sobrevivência pessoal e política, deixar em aberto a indicação até a véspera do pleito, o que evidentemente manteria o seu nome na crista do noticiário e seria favorável ao seu esforço para continuar como um líder ferido, mas que poderia voltar a qualquer momento, em vez de ser considerado precocemente como uma carta fora do baralho.

Jânio Darrot é um bom candidato para 2022. Como o governador Ronaldo Caiado, exibe ficha limpa e uma conduta ética irrepreensível desde que deixou o mundo dos negócios, onde foi bem sucedido, para ingressar no terreno pantanoso da política. Currículo para postular o Palácio das Esmeraldas ele tem, embora representando um partido manchado pelas denúncias de corrupção e por uma gestão do governo do Estado que hoje é colocada em xeque, a exemplo do que disse o presidente da Assembleia Lissauer Vieira, ao lembrar que o PSDB vendia Goiás como “um lugar onde tudo era maravilhoso”, bastando perder uma eleição para mostrar que não era bem assim. Marconi perdeu feio em 2018 e agora perdeu de novo com Jânio Darrot.

22 jan

Ao contrário do que os próprios colegas de partido estão dizendo, Jânio Darrot saiu fortalecido do confronto que teve com Marconi e passou a ser saída para que o PSDB tenha um futuro em Goiás

Houve, sim, um embate entre o prefeito de Trindade Jânio Darrot e o ex-governador Marconi Perillo, conforme apontou com propriedade o jornalista Divino Olávio em sua coluna no Diário Central. Em resumo, depois de nove meses no cargo, o presidente estadual do PSDB percebeu que estava fazendo papel de fantoche, que não passava de uma rainha da Inglaterra tomando decisões que Marconi cancelava pelas suas costas e que, politicamente, já tinha chegado a um patamar em que o seu nome – limpo como o do governador Ronaldo Caiado – já tinha se tornado maior que o próprio partido. Com base nesse feedback e também interesseiramente de olho na possibilidade de ser o candidato a governador tucano em 2022, Jânio Darrot fez a sua jogada.

Ameaçou renunciar e colocou uma espada no peito de Marconi. O ex-governador vinha fazendo o que sempre fez: agia por trás para resolver assuntos partidários conforme a sua conveniência, sem sequer se dar ao trabalho de avisar previamente quem quer que fosse. Quem conhece o tucano-mor de Goiás sabe que ele é assim mesmo e que nunca se comportou de outro modo nos 20 anos de poder absoluto que teve em Goiás. Aliados, para Marconi, não são pessoas com suas idiossincrasias, mas peças do tabuleiro político a serem movimentadas ao seu bel-prazer.

Mas isso, claro, nos bons tempos de governo, quando a fartura de benesses e a capacidade de influir sobre verbas enormes conferiam uma autoridade ilimitatada. A rebelião de Jânio Darrot acabou sendo a primeira contestação real que Marconi enfrentou, em toda a sua vida, quanto a sua liderança política – e logo vinda de um amigo indiscutivelmente leal. Bem, leal, mas não submisso e disposto a pagar o preço da própria desmoralização para defender e fortalecer um líder ferido pelas denúncias de corrupção e pela surra que tomou nas urnas. Nesse sentido, Jânio Darrot foi frio: nada, na sua carreira pregressa de submissão a Marconi, indicou algum dia o gesto de repetinamente colocar o ex-governador contra a parede e pressioná-lo com sucesso a abandonar a proatividade com que interferia na condução do seu grupo político.

Feitas as contas, Jânio Darrot conseguiu um salvo-conduto para presidir o PSDB que tem desdobramentos automáticos na candidatura a governador da legenda em 2022. Não que isso seja difícil: não há nomes disponíveis, muito menos o de Marconi ou do seu ex-vice Zé Eliton, reduzidos a pó de traque pelas ações e investigações policiais que os levaram, no caso de um, à prisão por 24 horas, e, no de outro, a um pedido de detenção que não foi aceito pelo juiz do caso. Jânio Darrot venceu a parada. Logo Jânio, uma figura suave, que não articula de modo agressivo  e não é de antagonismos, tanto que, como presidente do PSDB, nunca se sentiu bem no mister de crítico do governador Ronaldo Caiado, obrigado a assinar notas em defesa de Marconi que chegavam prontas e sem direito à mudança de uma vírgula.

O resultado desse imbróglio é um só: Jânio Darrot saiu imune a intromissões de Marconi ou de qualquer outro ao atuar como presidente do PSDB, de agora em diante. Ele passou a existir a partir do momento em que deixou de dizer sim e entoou um não. Como é um nome isento de denúncias e das tão comuns e disseminadas acusações de falcatruas que sujam grande parte dos tucanos em Goiás, despontou e se solidificou como opção para o futuro do partido em Goiás, talvez a única. Se conseguir se estadualizar, pode ter condições de enfrentar a reeleição de Caiado em 2022, pelo menos com alguma dignidade mesmo em razão do currículo pôdre do partido que representará. Ao contrário do que dizem tucanos como Jardel Sebba, que com alguma cor-de-cotovelo condenou o fica-não-fica na presidência do partido, ele cresceu. Quem diria: Jânio Darrot é, agora, é a saída para a sobrevivência do PSDB goiano.

21 jan

Conselho Deliberativo que os empresários querem obrigar o governo a implantar no novo programa de incentivos fiscais, o ProGoiás, corresponde a designar a raposa para cuidar do galinheiro

O governo do Estado enfrenta, no momento, uma queda de braço com os grandes empresários instalados em Goiás, representados por entidades classistas como a Fieg ou a Adial, em torno da necessidade de reformulação da política de incentivos fiscais – que doou bilhões a um grupo seleto de industriais através de descontos e isenções de ICMS que não existem em nenhuma outra parte do Brasil.

Perseverante, e duro, diga-se de passagem, o governador Ronaldo Caiado tem conseguido vitórias significativas nesse campo, com a ajuda da CPI dos Incentivos Fiscais, na Assembleia, responsável pelo trabalho de desmitificar a conversa fiada da geração de empregos e de estímulo ao desenvolvimento econômico que deveria ser, mas não acontece na prática, a justificativa para a distribuição de privilégios tributários nos últimos 20 anos. Caiado conseguiu romper o elo histórico que ligava governo e empresariado. Melhor: quebrou a vinculação que subordinava o poder estadual aos interesses de uma classe formada por apenas 534 grandes empresas, mas que, juntas, retêm em seus cofres anualmente em torno de R$ 8 a 10 bilhões de reais que deveriam recolher aos cofres estaduais, a título de tributos que todo o restante dos agentes econômicos paga, porém não eles.

Ressalte-se que se trata de gente despreparada e sem compromisso com o conjunto da população. Fieg e Adial, em mais de um ano de debate sobre os incentivos fiscais, nunca conseguiram alinhar um único argumento consistente a favor da manutenção das regalias tributárias que os governos de Marconi Perillo distribuiram a torto e a direito em Goiás. Protagonizaram, na verdade,um grande vexame, recorrendo a mentiras e a dados que não correspondem à realidade, desmentidos inclusive cientificamente, como se viu no caso dos estudos do Instituto Mauro Borges, nos quais de provou que não existe correção entre incentivos fiscais, empregos e crescimento da economia goiana.

Pois bem: malandramente, o que querem agora os nossos capitães de indústria, depois de perder todas as batalhas em que se empenharam em 2019? Que o novo programa de incentivos fiscais, proposto pelo governador Ronaldo Caiado, o ProGoiás, que organiza a bagunça herdada das gestões anteriores na área fiscal, inclua um “conselho deliberativo” para decidir sobre a concessão dos benefícios, no qual os seus prepostos ocupem uma parcela majoritária das cadeiras. Só que isso, leitora e leitor, na sabedoria popular, é o mesmo que designar à raposa a administração do galinheiro.

Este blog afirma e prova: no caso dos fracassados e falidos Produzir e Fomentar, esquemas corrompidos de incentivos fiscais que Caiado herdou dos seus antecessores, multiplicaram-se as irregularidades praticadas pelos seus “conselhos deliberativos”, nos quais se assentavam representantes do empresariado, gerando denúncias por improbidade do Ministério Público Estadual em busca do ressarcimento dos prejuízos causados por concessões ilegais de benesses quanto ao ICMS, autorizada pelas Comissões Executivas de ambos os programas – nas quais estavam listados indicados de entidades classistas, como é o caso do réu Edward Portilho, representante da Adial em um “conselho deliberativo” do Produzir que participou da liberação de vantagens para uma gráfica, em detrimento dos cofres públicos e afrontando a lei.

Não, o governo Caiado não pode concordar com a prorrogação desse tipo de abuso. Ética e moralmente, empresários não devem participar dos processos de concessão de incentivos fiscais, dos quais são beneficiários – e a razão é essa mesma: como um favorecido pode opinar a respeito das vantagens que vai ou não levar? Não tem sentido. Trata-se de um assunto que só responde a critérios técnicos, legais e nada mais. Está passando da hora de ensinar aos capitalistas goianos que pagar impostos é um dever que eles devem cumprir e não uma injustiça ou um sacrifício impostos a eles. Quem não concordar, que se mude de Goiás.

20 jan

Coreografia tucana: Jânio Darrot recebe Marconi às 19hs em seu apartamento no setor Bueno para ouvir que terá autonomia como presidente do partido e responder que aceita continuar

O prefeito de Trindade e presidente estadual do PSDB Jânio Darrot recebe o ex-governador Marconi Perilo em seu apartamento no setor Bueno logo mais às 19hs, quando, em resumo, ouvirá que terá autonomia no comando do partido e responderá que, sim, aceitar permanecer na função.

Essa é a expectativa entre os quadros tucanos de maior peso, muito embora representando, para Jânio Darrot, uma jogada de alto risco, caso permaneça na presidência do partido, já que o voluntarismo e o estilo de Marconi, ao longo dos seus 20 anos de poder, deixam claro que o ex-governador não é de ficar à beira da estrada vendo a caravana passar.

Jânio Darrot anunciou que se afastaria da direção estadual do PSDB depois de ser desautorizado em articulações que desenvolveu por conta própria para a definição de candidaturas nos municípios. A difícil situação financeira do partido, que está com os repasses do fundo partidário suspensos por irregularidades cometidas na época em que Giuseppe Vecci ocupou a presidência, também influenciou na decisão.

19 jan

Segredo da reeleição certa de Iris é simples: goianiense não quer invencionices, mas a certeza de que a rotina de uma cidade limpa e com crescimento organizado está garantida

Mais de 20 pré-candidatos a prefeito de Goiânia, com exceção de Iris Rezende e Vanderlan Cardoso, estão em uma corrida desesperada por espaços na mídia, repetindo as mais estapafúrdias  invencionices a título de seus supostos projetos e abusando da palavra modernidade – que a maioria deles não sabe o que significa, mas imagina que é o que o eleitor deseja, embora não consiga dizer como nem explicar o por quê. Acontece que, ao contrário de toda essa perda de tempo e balbúrdia política sem sentido, está cada vez mais evidente que a expectativa dos moradores da capital parece ser simplesmente pela garantia da rotina de uma cidade limpa, bem administrada e com o seu crescimento organizado  – exatamente como ocorre sob Iris no Paço Municipal.

Já se disse neste blog que o panorama da próxima eleição em Goiânia pode ser definido como o velho cacique peemedebista de um lado e um deserto de nomes e ideias de outro. Nem mesmo Vanderlan, talvez a candidatura de maior penetração entre a população depois de Iris, consegue preencher esse vazio. O senador está prestes a fechar o 1º ano do seu mandato na mais alta Câmara Legislativa do país e tem pouco a apresentar na sua prestação de contas – o que só não o prejudica mais eleitoralmente porque cidadãs e cidadãos não têm noção do que é o Senado e para que serve, daí não existir maiores cobranças sobre o desempenho de Vanderlan e o que faz ou deixa de fazer em Brasília.

A hora é mesmo de Iris, que desenvolve com tranquilidade e amadurecimento a melhor administração da sua vida. Somados todos os seus pretensos adversários, não se extrai uma única ideia interessante ou de algum modo valiosa para o maior centro urbano do Estado. Infelizmente, só bobagens, que revelam a cabeça oca de todos os pré-postulantes e sua monumental falta de imaginação e ausência de preparo, sem exceções. E não se esqueçam de que Iris ainda tem oito ou nove meses na prefeitura, tempo que ele vai multiplicar com o dinamismo que passou a imprimir à sua gestão de pouco mais de um ano para cá. Cada dia, face ao volume de obras e às soluções que não param de chegar para os desafios do dia a dia dos goianienses, vale por três ou quatro.

Que Iris se reeleja, pelo bem de todos em Goiânia.

14 jan

Juiz que cassou liminar obtida por Cláudio Meirelles (que imprudentemente suspendia decisões da Assembleia) é exemplo que mostra a lucidez que às vezes falta ao Judiciário brasileiro

Foi uma bela decisão. Daqueles que fazem reacender a crença no Poder Judiciário brasileiro como um instrumento da Democracia, do Estado de Direito e da cidadania, capaz de projetar em suas decisões não apenas o império das leis, mas também o bem comum e os interesses da coletividade. Ao revogar a liminar concedida por um colega a pedido do deputado Cláudio Meirelles, que suspendia a vigência de leis da maior importância para Goiás aprovadas pela Assembleia em razão de um detalhe insignificante, qual seja a falta de assinatura do próprio parlamentar (1º secretário do Legislativo), o juiz Maurício Porfírio Rosa(foto acima) honrou as suas funções judicantes e deu uma lição para o Brasil.

O despacho do dr. Maurício Porfírio Rosa é de uma objetividade como poucas vezes se viu, a começar pelo reconhecimento de que não cabe à Justiça ficar interferindo em decisões soberanas dos deputados estaduais, que constituem um Poder autônomo. É verdade. Como é que juízes de 1ª instância podem se arvorar em censores das resoluções superiores de um Poder Constitucional? Não tem cabimento. E ainda mais, ressaltou o juiz, tendo como justificativa “a ausência de uma assinatura que não gera nenhum prejuízo para o autógrafo de lei, tratando-se de procedimento meramente formal previsto no Regimento Interno da Casa”.

A liminar revogada suspendia a aprovação das matérias relacionadas ao Fundo de Proteção Social do Estado de Goiás (Protege) e as mudanças nos Estatutos do Servidor e do Magistério, todas diretamente relacionadas com a busca da estabilidade fiscal do Estado e ao fim da sua crise financeira, o que quer dizer: objetivos não do governador Ronaldo Caiado ou da maioria dos parlamentares, mas de todos os sete milhões de goianas e goianos. Elas foram obtidas pelo deputado Cláudio Meirelles, não para colaborar com a sociedade, mas para atender à ganância de empresários, à perpetuação dos privilégios do funcionalismo e à sua vontade de fazer oposição a qualquer preço a Caiado.

Graças a um juiz consciente do seu compromisso de fazer cumprir a lei e sábio na fundamentação das suas resoluções, as leis mais importantes da história recente de Goiás estão a um passo de se transformar em realidade (ainda falta uma liminar, essa de um sindicato de servidores, a ser cassada). Um brinde, respeitoso, ao dr. Maurício Porfírio Rosa.

11 jan

Superedição de fim-de-semana de O Popular é um fiasco que apenas antecipa a sua morte precoce e mostra que os seus profissionais são incapazes para fazer um jornal à altura de Goiás

Neste sábado, 11 de janeiro, circulou mais uma superedição de O Popular, nome faustoso que o supostamente veículo de comunicação mais importante do Estado arrumou para disfarçar a humilhante decisão de não mais circular aos domingos, por resultar apenas em prejuízos e sem nenhuma compensação empresarial. Quem leu percebeu que não existe nada de “super” e que a edição é mais uma da triste rotina de decadência que o jornal da família Câmara vem cumprindo há anos, deixando de evidenciar capacidade de reação e de estar à altura de Goiás. O que foi entregue ao público não pode ser definido com outra palavra senão… uma porcaria, que se reporta até a notícias sobre previsões futurológicas, algo sem o menor cabimento e totalmente desprovido de seriedade.

A desculpa de que a imprensa em papel está morrendo, vítima da internet e das redes sociais, não é válida para O Popular. Vejam, leitora e leitor, o exemplo da Folha de S. Paulo, que evolui sem parar e mostra vigor para sobreviver em um mundo dominado pela velocidade dos meios midiáticos online. A Folha de S, Paulo vem aumentando o seu espaço e prestígio junto à opinião pública, tanto fortalecendo o seu conteúdo como inovando quanto aos seus aspectos formais. Exatamente o contrário do que acontece com O Popular e, de resto, com os seus congêneres Diário da Manhã e O Hoje, que não passam de simulacros ou modelos vencidos de jornalismo em formato impresso.

Mas a culpa por esse estado de coisas, se, em grande parte, tem a ver com a ausência de visão dos donos desses veículos, é também dos jornalistas que os produzem. Inventou-se em Goiás um modelo de noticiário diário que despreza o feecback intelectual e se limita à construção de um texto nem sempre claro e quase sempre pobre. O Popular foi mais longe ainda: adotou a omissão como regra, escondida atrás de uma neutralidade que não vale um tostão furado. Isso ficou claro quando, durante dois meses, o projeto de reforma da previdência dos funcionários estaduais tramitou na Assembleia como um dos movimentos mais importantes da história administrativa e econômica do Estado, sem que o jornal pelo menos minimamente manifestasse o seu ponto de vista – tudo isso com a conivência da redação de O Popular, que não foi orientada para evitar se posicionar pelos escalões superiores da empresa, se escafedendo infelizmente por conta própria. Isso está claro.

Que a imprensa em papel vai morrer um dia, não muito distante, é algo óbvio. Mas, em Goiás, isso está ocorrendo de forma prematura. A ridícula superedição de fim de semana O Popular é a maior evidência desse óbito anunciado.

10 jan

Jânio Darrot, que é um homem de bem, nunca deveria ter aceitado a presidência estadual do PSDB, para a qual foi chamado por Marconi para fazer o papel de fantoche de uma verdadeira “máfia”

Deu no que deu e não poderia dar em outra: o mega empresário e prefeito de Trindade Jânio Darrot acabou desistindo da presidência estadual do PSDB, função a que foi guindado – como registrou este blog logo quando ele foi anunciado e vocês, leitora e leitor, podem conferir aquiaqui – por obra e graça do ex-governador Marconi Perillo. Não há a menor dúvida de que o tucano-mor de Goiás pensou estar designando para o seu partido um homem da sua estrita confiança, que não ofereceria nenhum risco para o rigoroso controle de que não abre mão de exercer sobre a legenda, inteiramente subordinada aos seus interesses pessoais, entre os quais manter as portas fechadas a qualquer tipo de reciclagem ou renovação.

Deu boró. E deu porque Jânio Darrot é um homem de bem, decente e honesto e jamais se encaixaria no papel de marionete à frente de uma verdadeira “máfia”, que é a realidade do PSDB hoje em Goiás, pelo menos quanto a panelinha que controla a sigla, sob a liderança de Marconi. Jânio Darrot demorou seis meses para descobrir que estava sendo usado, que não era presidente de fato e que as decisões que contavam estavam sendo tomadas pelo ex-governador, na surdina, sem sequer a deferência de contar a ele, antes. Se aceitasse, o prefeito de Trindade não passaria de uma minhoca política ou partidária, a serviço de um grupo que perdeu a sintonia com os interesses das goianas e dos goianos e tem hoje uma folha policial/judicial que é exemplo, negativo, para o Brasil.

Jânio Darrot é um ponto fora da curva do PSDB estadual. Tem um currículo parecido com o do governador Ronaldo Caiado: nunca foi envolvido em escândalos, mesmo prestes a completar dois mandatos como prefeito de Trindade sem jamais ter sido questionado quanto a qualquer ato administrativo. A única nódoa na sua biografia é o fato de ser filiado a uma legenda que, ele está aprendendo a duras penas, assemelha-se mais a uma “cosa nostra” estadual. É o caso de repetir o conselho do então deputado Roberto Jefferson ao ministro da Casa Civil José Dirceu: “Sai daí, Zé”. Ou seja: “Sai daí, Jânio. Você não é um deles”.

Jânio Darrot, saiu, mas, por enquanto, só da presidência. Deveria sair do partido.

09 jan

Iris é candidato, nunca deixou de ser, e sua presença na eleição pode ser definida como ele e todo o seu peso de um lado e um deserto de nomes e ideias de outro

Depois de um vaivém em que momentaneamente confundiu a mídia política com a ilusão de que não seria candidato à reeleição, o prefeito Iris Rezende recolocou as coisas no lugar e o fez como tem feito em todos os pleitos que disputou até hoje: não tem nenhuma pretensão pessoal, mas, como a sua vida é dedicada a servir ao povo, não poderá se furtar a uma nova convocação para manter Goiânia nos trilhos em que ele mesmo colocou a administração da cidade. Em resumo, como notou o editor Euler Belém, do Jornal Opção, o único que soube interpretar as declarações do velho cacique emedebista, “Iris é mais candidato do que nunca”.

E essa é uma constatação ruim para a legião de políticos, de inúmeros partidos, a maioria de baixo calado, que resolveu se apresentar como alternativa para a prefeitura da capital. Virou brincadeira: qualquer um se acha no direito de lançar a sua postulação, gente sem eira nem beira como Major Araújo, Romário Policarpo, Virmondes Cruvinel, Rafael Gouveia, Alexandre Magalhães, Eduardo Prado e mais alguns que deveriam se bastar por já ter chegado onde chegaram, mas não têm nenhum pejo para se apresentar como possibilidade para o lugar de Iris. Só o Diário da Manhã, em uma reportagem nesta quinta, 9 de dezembro, cita 14 desses infelizes, cuja soma política e técnica, caso possível, não alcançaria sequer 10% do potencial embutido na recandidatura, benéfica e indispensável para Goiânia, de Iris. Anotem aí: política é um campo de atividade onde a seriedade é indispensável, mas nenhum desses pré-candidatos está mostrando a mínima noção dessa verdade.

Iris, como se sabe, faz da atual a melhor administração da sua vida. E também da vida das e dos goianienses. Dá arrepios e até vontade de chorar a cogitação de que ele poderia, devido à idade, que não faz nenhuma diferença, não concorrer e abrir espaço para um desses doidivanas. Sim, é o que são, com suas propostas de cidade digital, obras planejadas, mais programas sociais e um amontoado de invencionices a mais (tem até um fazendo media training para a campanha), todas denotando nada mais que pobreza de imaginação diante do acerto e da força da gestão ora em andamento no Paço Municipal, algo que nunca se viu antes. Podem descansar, leitoras e leitores: Iris é candidato. Melhor ainda: será prefeito de Goiânia por mais quatro anos.

08 jan

Sem convicções, a não ser gozar do mandato para proveito pessoal e da família, deputado Humberto Teófilo quis fazer média com o funcionalismo que não representa e pagou o preço da desmoralização

O deputado estadual “delegado” Humberto Teófilo faz hoje em Goiás o triste papel de cachorro que caiu do caminhão de mudança e não sabe que rumo tomar. Perdido, esforça-se para justificar e dar grandeza aos votos que proferiu na Assembleia contra os projetos reformistas do governador Ronaldo Caiado que alteraram as regras da previdência dos servidores e dos estatutos do funcionalismo e do magistério, colocando fim a privilégios históricos e abrindo caminho para a superação da crise fiscal do Estado – com prejuízos para pequenos segmentos, mas benefícios para o imenso contingente de sete milhões de goianas e goianos.

É deplorável, na política, quando alguém tenta representar um papel no qual não cabe. Humberto Teófilo foi eleito acidentalmente, sem bases representativas, e provavelmente não voltará à Assembleia depois do pleito de 2022. Trabalhando como delegado de polícia em Inhumas, polarizou fortemente com os políticos locais, como o ex-deputado José Essado, e o deputado Lucas Calil, atraindo 10 mil votosao pegar carona no fenômeno Jair Bolsonaro – disputou pelo PSL, na época o partido do atual presidente – e com isso garantindo um mandato em que nem ele mesmo acreditava. Na Assembleia, é assim mesmo: toda legislatura inclui parlamentares guindados graças a fenômenos momentâneos e localizados, como é o caso desse deputado, que se extinguem no exercício de apenas um mandato.

Mas, ao votar contra as reformas, ele cometeu o equívoco de achar que poderia tapear o governador Ronaldo Caiado, fazendo média com o funcionalismo – do qual está longe de seralgum tipo de liderança – e posar de mocinho para a mídia, o que o levou a fazer discursos desconexos (não sabe se expressar bem) com apelo a palavras e frases radicais. Só que levou um susto: Caiado reagiu com uma firmeza que os seus antecessores nunca exibiram, exonerando todos os aliados que Humberto Teófilo havia fisiologicamente indicado para o governo, entre os quais, descobriu-se, havia até um irmão, nomeado para uma cargo de direção na Secretaria de Esportes & Lazer. Sim, leitora e leitor, ele usou o mandato para privilegiar seus parentes, desmentindo as alegações dele próprio de que seria um representante da “nova política” (marketing que o ajudou a se eleger).

Sem saber como reagir, o delegado acabou remetido para um limbo: está hoje rejeitado tanto pela base governista como pela oposição, que, nas palavras do deputado tucano Talles Barreto, comparou a sua autenticidade política e ideológica a uma nota de R$ 3 reais – metáfora de um acerto como poucas vezes se viu antes. Malandramente, dá declarações dizendo-se admirador de Caiado e disposto a continuar votando a favor do governo, na esperança de reabrir as portas que levam às páginas do Diário Oficial. Não percebe, por falta de conteúdo intelectual para isso, que está apenas prolongando o vexame que protagonizou ao assumir posições para as quais não tinha preparo para defender ou sustentar. Pode apostar, leitor: se Caiado quiser, basta estalar os dedos e Humberto Teófilo estará onde receber ordens para estar.

05 jan

Primeiro domingo de 2020 marca o fim do jornal diário em Goiás – em papel – e antecipa para breve a sua extinção definitiva

Este domingo, 5 de janeiro, é o primeiro depois de décadas em que nenhum jornal diário estará circulando em Goiás: O Popular cedeu aos tempos e resolveu acompanhar o Diário da Manhã e O Hoje na ideia esdrúxula de fazer uma edição aos sábados que também vale para o dia seguinte, ou seja, uma edição de fim de semana.

Se as notícias publicadas hoje já o são envelhecidas, já que foram exaustivamente divulgadas pelos meios online ontem, imaginem o que vai acontecer com o que O Popular chama desesperadamente de superedição de domingo, a ser fechada na sexta…

Trata-se de um malabarismo nem um pouco convincente, mas infelizmente inevitável na tentativa de baixar custos e driblar a baixa tiragem. Com isso, os três jornais de importância do Estado passam a ser oferecidos às leitoras e aos leitores durante seis a cada sete dias, deixando, formalmente, a condição de diários. É cansativo repetir que há uma crise mundial a destruir, aos poucos, a imprensa em papel, motivada pelo crescimento da internet e agravada com a chegada das redes sociais – fatores que comprometeram o futuro dos veículos tradicionais de comunicação com letras impressas. E podem apostar: quem sobrou não vai durar muito tempo.

Assim caminha a humanidade.

04 jan

“Cientistas políticos” ouvidos por O Popular propõem submissão do Estado a empresários e servidores e dizem que, para deslanchar como governador, Caiado precisa deixar de ser Caiado

A jornalista Fabiana Pulcineli tem uma antiga obsessão por governantes que deixaram o poder e são alvo da indispensável revisão histórica sobre o que fizeram, especialmente quanto aos erros. Foi assim que ela condenou Marconi Perillo quando assumiu o poder após a gestão de Alcides Rodrigues e passou meses e meses falando mal do seu antecessor. O que ela dizia de Marconi é o mesmo que fala agora sobre o governador Ronaldo Caiado, a quem acusa de se preocupar excessivamente com o passado e a quem nega o direito de expor a situação de calamidade financeira e administrativa que herdou – o que seria revanchismo, palavra que a dona repórter não usa, mas conceitua sem a menor hesitação.

Sendo apaixonada pela hipótese, que expôs com clareza em uma “palestra” há poucos dias no escritório do advogado Dyogo Crosara, Fabiana Pulcineli foi atrás dos fundamentos que poderiam justificá-la: arrebanhou dois “cientistas políticos”, Robert Inácio, da UFG, e Itami Campos, da UniEvangélica, para fornecder argumentos à tese de que Caiado deveria parar de criticar as administrações anteriores e se concentrar em “deslanchar” o seu governo. O resultado foi uma matéria ridícula na edição de estreia de O Popular que, aos sábados, valerá também para os domingos – mais um passo largo rumo ao inevitável fim do jornalismo em papel em Goiás.

A primeira pergunta que se faz, ao começar a ler os despautérios alinhados no texto, é simples: por que denunciar a corrupção e os graves equívocos dos governos que se foram seria um erro ou uma atitude a abandonar? Por quê? Ao contrário, mais correto é dizer que se trata de uma obrigação e de um dever de qualquer governante. Ou Fabiana Pulcineli e seus especialistas estariam postulando que Caiado varra o lixo para debaixo do tapete, cometendo, assim, um grave crime de responsabilidade ou então escondendo a verdade da população? Será que esse conselho é válido também para o Tribunal de Contas do Estado e para o Ministério Público? Ou para a Polícia Civil também?

Não tem cabimento. Onde essa jornalista e esses professores estão com a cabeça? E um jornal, tido como o mais importante do Estado, que assume em manchete essa besteira? Mas tem mais. Essa trinca – veículo, repórter e “cientistas políticos” – propõe ainda que Caiado deixe de lado o que minimizam como “acusações” e se preocupe em fazer o seu governo “deslanchar”. Isso depois que o governador venceu ações no Supremo Tribunal Federal aliviando a difícil situação financeira que encontrou ao assumir, aprovou reformas que nunca antes foram tentadas em Goiás, colocou um ponto final no mandonismo dos grandes empresários sobre o governo, viabilizou privatizações, extinguiu privilégios e, como demonstra outra jornalista Cileide Alves, em seu artigo na mesma edição de O Popular, alcançou conquistas importantíssimas para a população na área de segurança. Como assim, “deslanchar”?

Por fim, quem lê o estapafúrdio cartapácio de Fabiana Pulcineli e os conselhos dos seus acadêmicos só pode chegar a uma conclusão: Caiado, se quiser ser um bom governador, precisa deixar imediatamente… de ser Caiado. Deveria renunciars às suas convicções, “ouvir” os maiores capitães da indústria em Goiás e o funcionalismo – e é de se duvidar que queiram abrir mão de um mínimo que seja das regalias de que desfrutavam -, engolir calado tudo de errado e absurdo que foi imposto a ele quando assumiu o governo de Goiás e, de cabeça baixa, seguir em frente carregando silenciosamente nas costas o pesado fardo que recebeu. Não fazer o que está fazendo, ou seja, fixar a marca anticorrupção que é a sua companhia por uma vida inteira e, na frente administrativa, procurar o fim do modelo de desequilíbrio entre receita e despesa dos últimos 20 anos, enfrentando os interesses corporativistas e de minorias não comprometidas com o conjunto da sociedade. Isso não é possível. Não ouça, governador, os palpites destrambelhados de Fabianha Pulcineli e dos supostos “cientistas políticos” que ela arrumou para sustentar o equívoco em que ela acredita, cuja única consequência seria a destruição do Estado.