Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt e convidados sobre política, cultura e economia

15 dez

Urnas mostraram para a Assembleia que o caminho é renovação, moralização e responsabilidade – o contrário do que a Casa fez nos últimos anos, continua fazendo, mas não pode mais insistir em fazer

O caminho seguido pela Assembleia Legislativa, nos últimos anos, precisa ser mudado, para acompanhar os novos tempos da política no Brasil e principalmente ser coerente com a mensagem embutida no resultado das últimas eleições.

 

Não dá mais para continuar com emendas jabutis, tramitação oculta ou a toque de caixa de matérias importantes, funcionários fantasmas, festival de viagens internacionais e outras práticas que sujaram a ficha do Poder e ainda são utilizadas – vide o exemplo, há poucos dias, da licença prêmio para os juízes, aprovada mediante inserção quase que secreta de uma emenda em projeto de lei que nada tinha a ver com o assunto.

 

O acordo sinalizado para a sustentação da candidatura do deputado Álvaro Guimarães a próximo presidente do Legislativo também vai na contramão do que a sociedade espera. A manutenção de um número excessivo de diretorias, para abrigar ex-deputados, não faz o menor sentido e isso tanto é verdade que um grupo expressivo de parlamentares já se posicionou publicamente contra o prolongamento dessa situação, defendendo a tese, correta, de que é preciso “zerar” a Assembleia a partir do ano que vem, eliminando os feudos e privilégios enquistados dentro da sua estrutura.

 

Candidato detentor da preferência do governador eleito Ronaldo Caiado, que venceu apregoando um processo de mudança em Goiás, Álvaro Guimarães precisa mostrar consciência de que compreende o seu papel histórico, corresponder às expectativas em torno do seu nome e fugir da repetição de comportamentos nocivos que foram a tônica do Parlamento goiano nos últimos anos.

 

O problema é que, até agora, Álvaro não disse nada.

14 dez

Família, o verdadeiro núcleo duro de Caiado, vai ser problema para o novo governo porque inevitavelmente leva a distorções quando o poder é compartilhado por mulher, filha e genro

Quem rememorar a campanha de Ronaldo Caiado ao governo do Estado vai se fixar na profusão de imagens, nas redes sociais, que o mostram ao lado da mulher, Gracinha, e principalmente da filha Anna Vitória e do seu marido Alexandre Hsiung. Há mais filhos e filhas, mas esses três, presentes em todos os momentos e etapas da jornada eleitoral, parecem constituir o verdadeiro núcleo duro deliberativo do novo governador.

 

Com a sua família estreitamente ao lado, Caiado venceu a eleição(veja foto acima, com Anna Vitória e Gracinha, em um dos debates da campanha, que Caiado publicou em suas redes sociais com a legenda: “Com elas ao meu lado, fica fácil encarar qualquer desafio”), em uma situação igual à de Jair Bolsonaro e seus três filhos – que constituem a sua verdadeira base pessoal, uma espécie de primeiríssimo círculo de poder. Nos dois casos – Caiado e Bolsonaro – só depois é que vem, digamos assim, o resto.

 

Mas família, historicamente, é sempre mais problema que solução. O estreitamento íntimo e emocional de relações acaba levando a uma visão distorcida da realidade, em que não só fatores racionais são levados em conta, mas também a carga das ligações estabelecidas em função dos laços de parentesco e da convivência privada. Imagine, por exemplo, leitora e leitor, se Anna Vitória assumir a Casa Civil do governo Caiado, que é a vontade e aspiração que tem: qual do secretariado e das relações do poder falaria a verdade para ela, prevendo que instante depois o próprio governador saberia de tudo? E o que pensar de um governador influenciado pelas opiniões do seu círculo doméstico, cujas extensões estariam agindo – pelo menos para a maioria das pessoas – em seu nome?

 

Isso não funciona. A experiência anterior que Goiás tem é a de Iris Rezende, um governante que trouxe a família para o governo, através do irmão, da mulher e das filhas e genros. Não dá certo. Pode servir para a prefeitura de Goiânia, mas não para o governo do Estado e tem a ver com as três derrotas que ele sofreu para Marconi Perillo.

 

É um desafio a mais para Caiado.

14 dez

Cristiane Schmidt, nova secretária da Fazenda, repete as expectativas que Ana Carla também tinha ao assumir o cargo para ser “ministra” estadual da economia e formular políticas públicas para o Estado

A economista Ana Carla Abrão Costa veio para a Secretaria da Fazenda, no início do quarto governo de Marconi Perillo, com entrevistas bombásticas em que falava como uma espécie de “ministra” estadual – pronta para agir como uma formuladora de políticas públicas, quando, em Goiás, a pasta funciona na verdade como uma controladora de fluxo de caixa, sem nenhum poder além dessa rotina.

 

Ela deu com os burros d’água. Queria deixar um “legado” e tentou inclusive implantar uma Lei de Responsabilidade Fiscal, cujo texto chegou a remeter para a Assembleia Legislativa, onde foi enterrado. Arriscou-se também a mexer com o vespeiro dos incentivos fiscais, cortou regalias de empresas beneficiadas que não cumpriam com as contrapartidas e quebrou a cara. Depois de dois anos de sofrimento, foi embora levando a sua passagem por Goiás como uma mancha a esconder no seu currículo.

 

De certa forma, a economista carioca Cristiane Schmidt (o nome é imperialmente maior, mas é assim que ela é conhecida), anunciada pelo governador eleito Ronaldo Caiado para a sua Sefaz, reproduz as expectativas iniciais de Ana Carla. Tem talentos e conhecimentos que, para Goiás, passam da medida, pelo menos em relação ao cargo que ganhou. E uma primeira declaração que deu, após se encontrar com Caiado em São Paulo, mostra que também está iludida quanto as possibilidades que vai ter para resolver o desafio que enfrentará aqui no Estado.

 

Ela falou em “gestão comprometida com o social”, capaz de “oferecer melhor serviços públicos ao cidadão”. A intenção é boa, mas isso não tem nada a ver com o que um secretário da Fazenda faz em Goiás. O erro está imaginar que o titular da Sefaz pode ir além de arrecadar e repassar recursos para os demais setores do governo. Não vai. É muito diferente, por exemplo, de um secretário de Segurança, que, sim, introduz estratégias e mecanismos de ação que vão do micro ao macro diante das competências da sua área de trabalho.

 

O pesado perfil acadêmico de Cristiane Schmidt a credencia, com tranquilidade, para altos cargos no governo federal e até Ministérios. Mas está muito acima do que é necessário para ser a titular da Sefaz em Goiás. É um desperdício. E um problema…

14 dez

Secretariado montado por Caiado aponta para governo técnico, de alto nível , que pode corrigir rapidamente o descalabro herdado do Tempo Novo e trazer uma revolução administrativa para Goiás

Goste-se ou não da ausência de definições de Ronaldo Caiado sobre o que será o seu governo e da preferência que ele está mostrando por nomes de fora do Estado para a sua equipe em detrimento de quadros autenticamente goianos, o fato é que os primeiros secretários anunciados apontam para uma direção: o novo governador quer liderar uma gestão técnica, de alto nível, para corrigir em tempo recorde o descalabro que vai receber do Tempo Novo e promover uma revolução administrativa em Goiás.

 

É claro que o caminho adotado por Caiado traz mais preocupações do que certezas e caracteriza uma aposta de alto risco. É a primeira vez, desde a redemocratização, que o governo do Estado será estruturado com o mínimo de influência política possível, poder que o governador eleito recebeu da sua extraordinária votação – mais de 60% do eleitorado – e da confirmação da sua vitória logo no 1º turno. Não há ninguém, no momento, capaz de oferecer qualquer contestação a ele ou exercitar algum tipo de pressão. O que vai se saber, a partir de janeiro, é se essa experiência, inédita, pode dar certo e levar um mandato que foi constituído politicamente ao sucesso por vias que desprezam a política, pelo menos a tradicional.

 

Os desafios para Caiado serão enormes. Vai dar gosto assistir ao espetáculo que vem aí .

13 dez

Duas operações policiais se desenvolvem em Goiás nesta quinta, uma do Ministério Público Estadual (na área da Codego) e outra do MP Federal (sobre corrupção no Ministério do Trabalho)

Duas operações policiais têm andamento na manhã desta quinta em Goiás: uma, do Ministério Público Estadual, investiga fraudes praticadas pela Codego na construção do anel viário do DAIA, em Anápólis, sob o nome de Operação Propinoduto, e outra, comandada pelo Ministério Público Federal, dá seguimento à chamada Operação Registro Espúrio, que apura fraudes e desvios relacionados a registros sindicais, de responsabilidade do Ministério do Trabalho.

 

A primeira operação a respeito da Codego deu-se na semana passada e prendeu o ex-presidente da Agetop Jayme Rincón e o ex-presidente do órgão, Júlio Vaz. Os dois, vencido o prazo da detenção temporária, foram soltos.

 

No Caso da Operação Registro Espúrio, ela envolve o deputado federal Jovair Arantes e parentes próximos. Ainda não foram divulgadas maiores informações, mas como as investigações desta quinta tiveram autorização do ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin e isso só ocorre em casos em que há fôro privilegiado em questão, é de supor que Jovair continua como alvo. Em Goiânia, a Polícia Federal executa mandados de busca e apreensão em endereços por enquanto não revelados.

13 dez

Novo secretário de Segurança, Rodnei Miranda começa bem ao fazer o que o próprio Caiado recusou-se, mostra pressa nas decisões para a sua área e transmite uma sinalização positiva para a sociedade

Em matéria de segurança pública, todos os especialistas concordam com um fato: o que vale, para a população, é a sensação de que está segura e não os índices de criminalidade, uma vez que sempre haverá violência e transgressão da lei, seja qual for o nível de estruturação do aparelho policial ou da redução das desigualdades sociais.

 

É o sentimento que importa, portanto. E, nesse particular, o delegado federal aposentado Rodnei Miranda(foto acima, de Fábio Lima, publicada em O Popular), secretário de Segurança indicado pelo governador eleito Ronaldo Caiado, parece um expert. Mais até que o próprio Caiado, ele já ocupou espaço inédito desde que teve o nome anunciado, acelerando decisões como o preenchimento da estrutura de comando da Polícia Militar e sinalizando com clareza sobre medidas para aumentar a presença nas ruas e até adiantando definições sobre o cumprimento das promessas de aumentos salariais feitas por Caiado na campanha.

 

É o que alguém que é confirmado em um cargo público de importância deve fazer, assim que sai a notícia. É também o que o governador eleito recusou-se a fazer até agora, alegando que não tem pressa – quando, sim, deveria ter. Rodnei Miranda começou bem.

13 dez

Montadoras instaladas em Goiás mantêm pressão sobre Caiado: em O Popular desta quinta, voltam a falar em mudança para outros Estados se houver cortes nos incentivos fiscais – e, embora pequenos, já houve

O governador eleito Ronaldo Caiado continua sob pressão das montadoras instaladas em Goiás – basicamente quatro, a Mitsubishi, a Suzuki, a John Deere e a Caoa Chery – para recuar nos cortes que, mesmo pequenos, serão aplicados aos incentivos fiscais que as beneficiam, a partir de abril do ano que vem.

 

Desde 2011, quando se iniciou o 3º governo de Marconi Perillo, que essas empresas deixaram de pagar ICMS e ainda continuaram privilegiadas pelos créditos de ICMS, referente a matérias primas adquiridas e a vantagens outorgadas, que elas, como não pagam nenhum imposto estadual, podem negociar no mercado e acrescentar lucros extras ao seu faturamento.

 

Em O Popular, nesta quinta, uma matéria sobre o assunto insiste na tese de que as montadoras poderão abandonar Goiás. “Há receio no mercado de que ocorra uma retirada de investimentos previstos para o Estado”, ameaça a matéria. Como complemento, informa que a Adial, entidade classista que representa as 600 empresas incentivadas e, mais especialmente ainda, fala em nome de um grupo VIP dentre elas que conta com maiores benesses ainda, também não ficou satisfeita com o projeto, já transformado em lei, que reinstituiu os benefícios tributários, com ligeiros aumentos e praticamente mantendo o status quo do ICMS em Goiás. Caiado concordou com a lei, que foi sancionada pelo governador Zé Eliton na sua sorridente presença, esta semana, no Palácio das Esmeraldas.

 

O recuo do governador eleito, que anteriormente chegou a falar em um corte linear de 50% para todos os incentivos, depois abaixou para 30% e finalmente aprovou uma solução paliativa, é atribuído ao receio de iniciar a sua gestão em meio a especulações sobre fuga de empresas do Estado, redução de empregos e perda de competitividade.

13 dez

Balanço do Refis de Zé Eliton e Caiado fala em entrada de R$ 767 milhões, sendo R$ 176,6 à vista e o resto parcelado. Sobre quanto disso foi quitado com títulos podres do ICMS, nenhuma informação

A coluna Giro, em O Popular, foi o meio escolhido pela Secretaria Estadual da Fazenda para prestar informações sobre a arrecadação referente ao Refis, programa de anistia de dívidas de ICMS baixado pelo governador Zé Eliton, com a concordância do seu sucessor Ronaldo Caiado.

 

Esse Refis, prática habitual dos governos do Tempo Novo que premia os maus pagadores de impostos e pune os empresários que cumprem suas obrigações tributárias em dia, foi um dos mais criticados de todos os tempos. Entre os absurdos que trouxe, um foi a cláusula que permite a quitação de débitos com a Sefaz através de créditos de ICMS, sim, aqueles títulos que as empresas beneficiadas com regalias fiscais podem emitir e vender a outras que têm contas a acertar com o Fisco.

 

Nesse sentido, o balanço da publicado na coluna Giro é incompleto – e muito. Não há nenhum dado sobre o que foi acertado com esses títulos podres, conforme os define o senador eleito e empresário Vanderlan Cardoso, crítico desse tipo de operação. Para que se tenha uma ideia, uma grande empresa devedora de ICMS chegou a consultar a Sefaz sobre o pagamento de atrasados no valor de R$ 250 milhões, dos quais, conforme permissão expressa da lei do Refis, 60% poderiam ser quitados com créditos comprados no mercado. O que aconteceu com essa proposta?

 

A questão dos impostos estaduais em Goiás transformou-se em uma caixa preta. O que está dentro, ninguém sabe. E o governo que vem aí parece que não está disposto a escancarar o seu conteúdo.

12 dez

Enquanto a renúncia fiscal em Goiás vai a R$ 10 bilhões/ano, o governo federal só abre mão de R$ 2 bilhões/ano com o programa de apoio à mais importante indústria do Brasil, a automobilística

Os incentivos fiscais concedidos a torto e a direito durante os 20 anos do Tempo Novo em Goiás resultaram em uma renúncia fiscal de valor aproximado a R$ 10 bilhões de reais, a cada ano, o governo federal acaba de instituir o programa Rota 2030, de apoio à mais importante indústria do país, a automobilística, que prevê um desconto no pagamento de impostos federais limitado a no máximo R$ 2 bilhões por ano. E, mesmo assim, mediante uma série de exigências, entre as quais a mais importante é a da apropriação de inovações tecnológicas, sem as quais os incentivos não serão concedidos.

 

Goiás, no plano tributário, virou terra de ninguém. Nunca foi feita uma auditoria capaz de comprovar se as 600 empresas beneficiadas estariam cumprindo com as suas contrapartidas. A justifica para o carnaval de regalias fiscais concedidas sem planejamento e sem estratégia econômica a um grupo VIP de indústrias instaladas em solo goiano é somente que geram empregos. E ponto final. Segundo o senador eleito Vanderlan Cardoso, empresário que tem incentivos fiscais, mas não integrante do grupo privilegiado, só essa desculpa não é suficiente. “Para contribuir com Goiás, as empresas têm que gerar emprego e pagar ICMS”, diz ele.

 

A comparação entre o que o governo do Estado dá de graça em matéria de incentivos e as concessões do governo federal no caso da indústria automobilística é constrangedora. As 10 maiores empresas do setor possuem valor de mercado muito maior que as 600 empresas que atuam em Goiás, reunidas. Mas não levam mais que no máximo R$ 2 bilhões/ano em benefícios tributários. É um absurdo, portanto, que, aqui, a renúncia fiscal por conta de favores fiscais vá a R$ 10 bilhões/ano.

12 dez

Assembleia hesita sobre aprovação do nome de Raquel Teixeira para o Conselho Estadual de Educação, onde ela quer montar um núcleo de resistência ao governo Caiado

Continua dormindo nos escaninhos da Assembleia o pedido de autorização para que o governador Zé Eliton proceda à nomeação da ex-secretária de Educação e candidata derrotada a vice-governador Raquel Teixeira para uma vaga no Conselho Estadual de Educação. Igualmente, aguarda aprovação dos deputados idêntica solicitação para que o ex-chefe de gabinete de Zé Eliton, o radialista Charlle Antônio, seja entronizado conselheiro da Agência Goiana de Regulação, com o que, antes do fim do governo, também pode ser nomeado seu presidente.

 

Ambas os nomes representam, no fundo, uma espécie de imposição ao governador eleito Ronaldo Caiado, que seria obrigado a engolir adversários políticos em postos estratégicos da sua administração. O caso de Raquel Teixeira, contudo, é muito grave. Ela acredita que tem nos professores estaduais uma forte base política – embora o seu acréscimo à chapa de Zé Eliton aparentemente nada tenha somado. E tem a estrutura da Secretaria de Educação toda infiltrada – portanto, com grandes interesses a defender, entre os quais a preservação do “legado” do Ideb, quer dizer, evitar que as boas colocações de Goiás no ranking nacional dos ensino fundamental e médio sejam desmontadas pelas acusações de fraudes que levaram a essa suposta avaliação positiva.

 

O atual Conselho Estadual de Educação, formado por 24 membros, é fortemente influenciado por Raquel Teixeira, que conduziu a maioria das nomeações dos seus integrantes(veja o quadro acima, elaborado para este blog por um dos integrantes do CEE). Sua jurisdição vai muito além da rede estadual de ensino, abrangendo também as redes municipais, as escolas particulares e faculdades. Uma vez lá dentro, a ex-secretária não teria dificuldades em se eleger para a presidência e a partir daí criar um bunker de resistência às políticas de Caiado para a Educação.

 

Convenientemente, nem Zé Eliton nem Raquel Teixeira comentaram publicamente a indicação dela para o CEE, que foi encaminhada há dois meses para a Assembleia sem sequer ser noticiada na imprensa. O assunto está sendo tratado com discrição máxima, para evitar reações e provavelmente não teria chamado atenção se não tivesse havido a superveniência da indicação de Charlle Antonio para a AGR. É um jogo pesado, de amplos desdobramentos no futuro. Que Caiado precisa jogar.

12 dez

Mais duas bombas fiscais para explodir no colo de Caiado: o aumento retroativo a 2016 para o Poder Judiciário e um programa de bônus sem critérios para os professores da rede estadual

Além da reinstituição, sem grandes mudanças, dos incentivos fiscais e de um programa de anistia de dívidas de ICMS que aceita papeis podres para pagar débitos com a Secretaria da Fazenda, o governador eleito Ronaldo Caiado vai receber no colo mais duas bombas financeiras: uma, o aumento de 10% anuais retroativo a 2016 para o pessoal do Poder Judiciário, que já está na Assembleia para votação, e outra a renovação de um programa de bônus para os professores da rede estadual, este aprovado pelo Legislativo e sancionado pelo governador Zé Eliton debaixo da maior reserva.

 

No caso do aumento do Judiciário, o rombo, para o governo Caiado, poderá ultrapassar R$ 400 milhões de reais em atrasados e um valor superior a R$ 30 milhões de janeiro em diante. Como sempre acontece nesses, os números divulgados não possuem nenhuma comprovação e provavelmente serão muito maiores.

 

Quanto ao Programa Reconhecer, ele já existia, mas precisava ser renovado – em junho, para ser pago em agosto. Só que o governador Zé Eliton não se mexeu. Agora, no apagar das luzes do seu mandato tampão, sob orientação da ex-secretária da Educação Raquel Teixeira, que quer deixar um “legado” para o magistério estadual, mandou sem alarde o projeto de reimplantação do programa para a Assembleia, mas com apenas duas páginas (o anterior tinha mais de quatro), simplificando e omitindo critérios (por exemplo, se o professor registrasse faltas, em qualquer hipótese, ficaria excluído). Na sua versão anterior, o Reconhecer custava em torno de 14 milhões por vez, mas agora, sem nenhuma exigência, deve ultrapassar o dobro com facilidade.

 

Caiado, para quem vai a conta, ou concordou ou não disse nada.

12 dez

O que intriga, no secretariado anunciado por Caiado, é como os que virão de fora vão pagar mudança, aluguel, condomínio, IPTU, alimentação e mais despesas um salário líquido de apenas R$ 14,9 mil

Parece certo que mais da metade do secretariado do governador eleito Ronaldo Caiado, pelo menos no 1º escalão, virá de fora do Estado: dos nove nomes anunciados nesta semana, cinco são de outras regiões do país – Cristiane Alkmin Junqueira Schmidt, para a Fazenda; Rodney Rocha Miranda, Segurança; Ismael Alexandrino Júnior, Saúde; Adriano Rocha Lima, Desenvolvimento e Inovação; e Ricardo Soavinski, Saneago.

 

Todos eles, com exceção do presidente da Saneago, assumirão cargos remunerados com R$ 20 mil reais brutos por mês, que, aplicados os devidos descontos, inclusive Imposto de Renda, renderão um salário líquido de apenas – em relação á importância da função – R$ 14,9 mil mensais. No caso do presidente da Saneago, as coisas são um pouco diferentes: como se trata de uma estatal, livre do controle centralizado da administração estadual, ele recebe R$ 54 mil mensais brutos, que, com os descontos, caem para R$ 31 mil por mês.

 

Os secretários de Estado que virão de fora, portanto, enfrentarão um desafio financeiro pessoal, ou seja, terão que se virar com pouco dinheiro para cobrir as suas despesas de mudança, instalação e manutenção das suas residências em Goiás. Barato, isso não é. Como explicar que tenham aceitado uma proposta de trabalho tão ruim? O secretário de Segurança é delegado aposentado da Polícia Federal e terá melhores condições que os seus colegas, mas o salário a que faz jus é um direito que ele adquiriu ao longo da sua carreira profissional, não uma vantagem ou um sacrifício que tenha que oferecer a seu empregador a partir de 1º de janeiro. Quanto aos demais, mesmo no caso do privilegiado presidente da Saneago, aparentemente não se sabe de nenhum trunfo que tenham para a vida nova que aceitaram juntamente com o convite para o secretariado de Caiado.

 

Nos governos de Marconi Perillo, secretários que vinham de fora recebiam ajuda extraordinária, seja através de mecanismos como a nomeação para conselhos de estatais, que dá direito a jetons, seja mediante ajustes não republicanos. Além disso, viajavam de volta para os seus Estados de origens, para visitar a família ou conferir negócios particulares, por conta do governo do Estado, inclusive com diárias. De resto, carro, combustível, telefonia e outras mordomias por conta dos cofres públicos acabam ajudando a minimizar os custos da transferência para Goiás.

 

E no caso de Caiado, como isso será resolvido?

11 dez

Legião estrangeira de Caiado terá na Secretaria da Fazenda a economista carioca Cristiane Alkmin Junqueira Schmidt, hoje conselheira do CADE, indicada pelo ministro da Fazenda Paulo Guedes

A jornalista Fabiana Pulcineli revelou há pouco, em O Popular que a economista carioca Cristiane Alkmin Junqueira Schmidt(foto) será secretária da Fazenda do governo Ronaldo Caiado. Atualmente, ela integra o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV), integrando o grupo de economista que gira na órbita do novo ministro da Fazenda, Paulo Guedes – que assumirá com o governo Jair Bolosonaro.

 

Com essa decisão, que afasta as especulações em torno da volta do empresário e marqueteiro Jorcelino Braga para a Sefaz (mas ainda não descarta a sua agregação ao secretariado, em outro posto), Caiado confirma a supremacia absoluta de nomes de fora na sua equipe de auxiliares.

 

Veja um resumo do currículo de Cristiane Alkmin Junqueira Schmidt:

 

Cristiane Alkmin Junqueira Schmidt tem mestrado e doutorado em ciências econômicas pela Escola de Pós Graduação em Economia da Fundação Getúlio Vargas (EPGE/FGV/RJ). É professora de micro e macro para vários MBAs da FGV/RJ e de managerial economics para o MBA de Manchester Business School. É parecerista da Revista de Direito Administrativo (RDA), editada pela FGV Direito Rio, organizadora e uma das autoras do compêndio de quatro livros intitulado Questões Anpec e consultora para empresas nacionais e organismos internacionais, como o Banco Mundial, através da Davanti Consultoria e Treinamento Econômico. No Brasil, foi secretária-adjunta da Seae/MF, gerente-geral de assuntos coorporativos da Embratel, representante da área internacional do Ibre/FGV e diretora do departamento econômico do Family Office do Grupo Libra. Já no exterior, trabalhou como gerente estratégica da Cementos Progreso e diretora executiva da ONG Pacunam, ambos na Guatemala, foi diretora do departamento econômico da Compañia de Comércio e Exportaciõn, em Porto Rico e diretora adjunta da Autoridade de desenvolvimento Local, também em Porto Rico. Além disso, lecionou na América Central em escolas de prestígio regional, como a Universidad Francisco Marroquín.

11 dez

Ministério Público Federal foge do padrão, não pede prisão preventiva e Jayme Rincón e Júlio Vaz são soltos após vencimento da ordem de detenção temporária

Ao contrário do que costuma rotineiramente fazer, o Ministério Público Federal não pediu a conversão da prisão temporária em prisão preventiva do ex-presidente da Agetop Jayme Rincón e do ex-presidente da Codego Júlio Vaz, além do casal de funcionários estaduais Marcio Gomes Borges e a mulher dele Meire Cristina Rodrigues e eles, vencido o prazo na noite desta segunda-feira, já estão soltos.

 

Os quatro foram recolhidos ao cárcere da Polícia Federal em Goiânia no curso das investigações da Operação Confraria, desdobramento da Operação CAsh Delivery, esta por sua vez derivada da Operação Lava Jato. Eles são acusados de desvios de recursos na esfera da Codego e tiveram bens móveis e imóveis sequestrados, em valor estimado em mais de R$ 10 milhões de reais.

 

Segundo o MPF, as apurações prosseguem e têm como alvo principal o ex-governador Marconi Perillo, considerado como “chefe maior de uma organização criminosa que atua dentro do governo do Estado”.

10 dez

Alinhamento de Iso Moreira, o segundo decano da Assembleia e também caiadista de primeira hora, ao grupo que quer “zerar” a Casa, coloca a antes tranquila eleição de Álvaro Guimarães em risco total

O deputado Álvaro Guimarães, aposta até há poucos dias segura para a vaga de próximo presidente da Assembleia Legislativa, pode colocar as barbas de molho.

 

Seu colega Iso Moreira(foto), também do DEM, como ele, também decano da nova Assembleia, também caiadista de primeira hora, resolveu engrossar o nascente movimento entre os 41 parlamentares estaduais que propõe “zerar”o Poder a partir da próxima Legislatura, com a eliminação dos espaços hoje ocupados pelo grupo do ex-governador Marconi Perillo e aliados que ocuparam a presidência da Casa.

 

Álvaro Guimarães escorregou ao deixar vazar um acordo com as bancadas do PSDB, PTB e MDB para a indicação de nomes de futuros ex-deputados para diretorias da Assembleia. O PTB indicou Marlúcio Pereira. O MDB sugeriu Waguinho Siqueira. Mas o PSDB complicou a manobra ao encaminhar os nomes de Francisco Oliveira e Eliane Pinheiro, marconistas roxos que perderam a eleição, mas são considerados símbolos extremados do Tempo Novo que morreu.

 

Deputados como Major Araújo, Amauri Ribeiro, Pastor Jeferson. Dr. Antônio e Chico KGL reagiram. Mas foi o apoio que receberam de Iso Moreira que engrossou o movimento, correspondendo a passar o seguinte recado: “Ganhamos a eleição para governador. Fizsemos maioria na Assembleia. E mesmo assim vamos deixar que o Poder continue servindo ao ex-governador Marconi Perillo e seus aliados?”.

 

Complicou para Álvaro Guimarães. Seu principal eleitor, o governador eleito Ronaldo Caiado, não se manifestou, mas ninguém tem dúvidas sobre a sua opinião. Entre Álvaro e Iso, Caiado com certeza fica com os dois em pé de igualdade. Mas entre uma Assembleia infiltrada pelo grupo de Marconi e uma outra “zerada”, é claro que ele vai tomar posição.

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