Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

13 jul

Estamos sem postar por motivo de férias. Voltaremos dia 22 de julho, segunda-feira

12 jul

Secretária da Educação Fátima Gavioli elogia o trabalho do seu antecessor Thiago Peixoto e diz que ele é “mundialmente”citado em palestras sobre a ação que desenvolveu na pasta

Acredite quem quiser: a secretária estadual da Educação Fátima Gavioli não perde nenhuma oportunidade para elogiar o desempenho de um dos seus antecessores na pasta, o ex-deputado Thiago Peixoto.

 

Ela até exagera, ao garantir que o trabalho do ex-secretário ganhou repercussão mundial, sendo citado em fóruns internacionais de Educação. Há poucos dias, em entrevista ao Jornal Opção, Fátima Gavioli chegou a dizer que “o Thiago é citado em palestras mundialmente sobre a ação dele na Secretaria da Educação do Estado de Goiás”.

 

Pelo sim, pelo não, o fato é que na gestão de Thiago Peixoto o sistema de ensino estadual surpreendentemente escalou os primeiros lugares do IDEB, que é o índice nacional de avaliação de qualidade da educação brasileira em termos de ensino médio e fundamental. Resta saber qual a opinião do governador Ronaldo Caiado sobre… a opinião da sua secretária da Educação.

12 jul

Intervenção no diretório estadual ou reintegração dos dissidentes expulsos, por ordem da presidência nacional do MDB, passou a ser viável depois da carta de Iris repreendendo Daniel Vilela

A carta do prefeito de Goiânia Iris Rezende ao presidente do diretório estadual do MDB Daniel Vilela, defendendo os prefeitos que apoiaram a eleição de Ronaldo Caiado no ano passado (são vários, mas três em especial foram citados na mensagem: Adib Elias, de Catalão; Paulo do Vale, de Rioverde; e Fausto Mariano, de Turvânia), pode levar a presidência nacional do partido a adotar medidas como uma intervenção em Goiás, o que seria algo mais radical, ou a reintegração dos dissidentes expulsos, nessa hipótese uma decisão bem amena, embora igualmente desmoralizante para os dois Vilelas, Daniel e Maguito, que hoje controlam a agremiação em Goiás.

 

Acrescente-se o peso do senador Luiz Carlos do Carmo, que tem falado em deixar o MDB caso não haja uma solução para o imbróglio da expulsão (ou seja: uma reversão). O partido tem a maior bancada no Senado, com 12 cadeiras, mas corre o risco de ver essa superioridade abalada caso o goiano resolva mesmo procurar outro abrigo – descontente com a condução de Daniel Vilela e receoso de que os seus planos para se candidatar à reeleição em 2022 possam ser afetados.

 

Como se sabe, nem Daniel nem Maguito possuem mandato em Brasília, condição que costuma ser fundamental para o controle dos diretórios estaduais de qualquer partido, implicando, inclusive, em aumento da participação nos recursos do milionário fundo partidário. Pior ainda: o MDB goiano não tem nenhum deputado federal. E seu único senador só o é em razão de ter sido suplente de Caiado, que renunciou para assumir o governo do Estado.

 

A carta de Iris tem importância na medida em que abala o prestígio dos dois Vilelas junto à cúpula nacional emedebista e pode reverter um quadro que, até agora, parecia inteiramente favorável à manutenção do atual diretório estadual e à confirmação das expulsões. Tudo indica que foi produzida exatamente para esse fim.

11 jul

Carta a Daniel Vilela, defendendo os dissidentes caiadistas do MDB, é jogada de mestre de Iris – que está coberto de razão ao defender tolerância com as opiniões divergentes

O prefeito de Goiânia Iris Rezende surpreendeu ao enviar uma carta ao presidente do diretório estadual do MDB, Daniel Vilela, defendendo o perdão dos filiados ao partido que apoiaram nas eleições passadas a candidatura de Ronaldo Caiado – entre eles emedebistas emblemáticos como o prefeito de Catalão Adib Elias e o prefeito de Rio Verde Paulo do Vale.

 

Pelo sim, pelo não, foi uma jogada de mestre de Iris. Não só em política, como em qualquer campo da atividade humana, conciliação é sempre melhor do que confrontação. A carta, assim, é uma moção de censura ao gesto de Daniel Vilela, que levou o MDB, em uma decisão sabidamente equivocada, a expulsar Adib, Paulo do Vale e Fausto Mariano (este prefeito de Turvânia) em razão do apoio dado a Caiado no último pleito. Todos eles emedebistas históricos, que carregaram o partido nas costas nos seus piores momentos, mas repentinamente punidos depois de se cansar de perder eleições sucessivas e buscar um projeto viável – a eleição de Caiado, que deu certo – em vez do caminho frágil que seria e efetivamente o foi a candidatura de Daniel Vilela.

 

Atônito com o gesto de Iris, Daniel Vilela reagiu meio que perdido e não achou palavras para explicar a expulsão dos prefeitos, em última análise duramente condenada por Iris – maior liderança emedebista, reconhecida pelo próprio presidente do diretório, mesmo porque, de outra forma, estaria renegando o apoio que recebeu do velho cacique na eleição de 2018.

 

Maguito Vilela, o pai, a presença sinistra por trás das expulsões impetuosamente promovidas pelo filho, demorou a se manifestar. Fingiu que não era com ele e vergonhosamente se disse a favor de reintegrar os dissidentes, desde que eles acatem as ordens imperiais do presidente estadual da sigla. Mas a carta é um passo gigantesco de Iris para deixar bem claro que, embora fora da administração partidária, é ele quem detém a hegemonia dentro do MDB e, mais ainda, que essa ascendência não deve ser testada sob risco de ameaçar o suposto comando de Daniel Vilela – aquele que estava dormindo em berço esplêndido achando-se rei no controle do diretório estadual e de repente foi acordado para a realidade. Uma casa dividida sempre prejudica, em primeiro lugar, o seu chefe.

 

Atualizada em 12 de julho/2019, às 9h10min.

11 jul

Voto emblemático a favor da reforma da previdência que mostraria força de Caiado junto a bancada federal de Goiás era o de Flávia Morais. Mas ela foi contra e acabou enfraquecendo o governador

Dos 17 deputados da bancada federal de Goiás, 14 votaram a favor da reforma da previdência e apenas três disseram não. Era previsível que Rubens Otoni, do PT, e Elias Vaz, do PSB, ficassem contra, alinhando-se ao que se esperava da esquerda na Câmara. Mas não a deputada Flávia Morais, do PDT. Primeiro, ideologicamente, ela está longe de posições radicais. E, segundo, ela integra a base do governador Ronaldo Caiado, de onde seria de se supor que ela estaria no alvo para uma conversa ou de algum tipo de articulação para se definir pela maioria e aprovar a reforma da previdência.

 

Não aconteceu nada disso. Flávia Morais, dessa vez, resolveu acompanhar o fechamento de questão da liderança do PDT, seu partido, que impôs o voto contra. Só que esse instrumento – o fechamento de questão – tem pouca eficácia. Tanto que oito parlamentares pedetistas aprovaram a reforma. E vale lembrar que, no impeachment da presidente Dilma Rousseff, o PDT também fechou questão contra, mas Flávia Morais não obedeceu e se posicionou a favor.

 

Caiado, se realmente estivesse empenhado em dar o seu apoio ao projeto do presidente Jair Bolsonaro, além das meras declarações de intenção, poderia ter atraído o voto da deputada. Mais que todos os 14 que aprovaram a matéria, era ela quem definiria o real empenho do governador, se houvesse. Mas, não. De resto, não há notícia de que Caiado tenha se movimentado para obter votos para a reforma, inclusive, dado ao seu aclamado cacife nacional, ajudando a convencer deputados de outros Estados. Ele não fez nada disso.

11 jul

Governo Caiado vive momento de desorientação, não sabe o que fazer com a liminar do STF que supostamente suspendeu o pagamento da dívida e inacreditavelmente se refugia na “introspecção”

As férias de julho estão sendo terrivelmente cruéis com o governador Ronaldo Caiado. Ele passa por um clara desorientação, sem sequer saber o que fazer com a liminar que ganhou do Supremo Tribunal Federal para supostamente suspender o pagamento da dívida estadual por seis meses, desde que cumpra os requisitos estabelecidos pela Lei Complementar que instituiu o rigoroso Regime de Recuperação Fiscal – a que o governo de Goiás, pela liminar, pode até ter acesso, mas…

 

Mas Caiado e sua equipe econômica (leia-se: a secretária da Economia Cristiane Schmidt) têm dúvidas sobre a conveniência de aderir ou não ao RRF, que implica na retirada da autonomia financeira e administrativa do Estado e de certa forma é humilhante para qualquer governador, especialmente um de personalidade forte como o atual. Ao Jornal Opção, Cristiane Schmidt deu uma entrevista em que não esconde a incerteza que se abateu sobre o governo. “Com prudência, agora não há muito o que declarar. É um momento de introspecção. Posteriormente poderemos dar declarações mais pertinentes sobre o assunto”, disse a economista carioca, retratando com perfeição a insegurança que veio junto com a tal liminar e a consequente falta de rumo da gestão. Em resumo, o que a secretária quis dizer é que não sabe o que dizer.

 

É a primeira vez na história de Goiás que um governo entra em modo de “introspecção”, palavra pouco usual em termos de entes públicos. Na verdade, é fácil entender. Caiado é um político pouco afeito a números que, alçado ao governo de um Estado, subitamente viu-se forçado a adquirir o perfil executivo que nunca teve em mais de 20 anos como parlamentar. Ele é naturalmente inseguro quanto as decisões que precisa tomar, não confia em quase ninguém além dos seus familiares próximos e fez uma aposta errada ao acreditar que teria prestígio e peso nacional suficientes para levar o governo federal a abrir as burras para amparar a sua gestão. Penosamente, perambulou dia e noite pelos gabinetes e corredores de Brasília, mas não conseguiu nada além da liminar do STF, que a Procuradoria Geral do Estado pediu em termos equivocados  e não articulados com os objetivos da secretária Cristiane Schmidt.

 

É notório que a titular da pasta da Economia está em uma situação incômoda, digamos assim, sendo obrigada a discutir com a equipe do seu protetor ministro Paulo Guedes a imposição de uma liminar redigida em termos confusos pelo ministro Gilmar Mendes, que não deixou claro sequer se suspende de fato ou não o pagamento das parcelas da dívida por seis meses. Daí, a “introspecção”, substantivo exótico que a secretária encontrou para amenizar a perda do norte que está deixando o governo aturdido.

11 jul

Bolsonaro fecha rádio federal que existia desde 1923, mas ninguém ouvia. É exemplo que Caiado deveria seguir e extinguir a TBC e a RBC, que não têm audiência e torram dinheiro público à toa

O presidente Jair Bolsonaro determinou a extinção de uma emissora educativa de rádio do governo federal, a rádio MEC, que não era ouvida por ninguém e só servia para desperdiçar dinheiro do contribuinte. No próximo dia 31, as transmissões serão encerradas, depois de uma trajetória que começou gloriosamente nos tempos pioneiros de 1923, mas hoje terminou completamente superada pelos tempos modernos.

 

Taí, leitora e leitor: é um exemplo que o governador Ronaldo Caiado, se quisesse mesmo implantar a mudança que prometeu na campanha eleitoral e que convenceu o eleitor goianos a sufragar maciçamente o seu nome, deveria seguir. O governo de Goiás é dono da Televisão Brasil Central e da Rádio Brasil Central, que atua em duas frequências (AM e FM), com uma característica comum: são veículos com audiência zero e custam caro, muito caro, para funcionar em um mundo onde não têm mais eficácia como projeto de comunicação.

 

Não há o menor sentido, especialmente diante da situação de precariedade financeira do caixa do Estado, em manter estruturas que apenas fazem de conta que estão prestando algum tipo de serviço público. Por que razão o governo de Goiás deve sustentar uma televisão e duas rádios que nada têm a ver com nenhuma política pública ou algum interesse da população? Caiado, se tivesse juízo, devolveria as concessões e colocaria a Agência ABC imediatamente em liquidação, processo demorado e custoso, mas que começaria a gerar diminuir despesas desde o seu primeiro momento até o dia em que viesse a acabar. Isso é parte do “dever de casa” que um governante realmente comprometido com o interesse coletivo seria obrigado a fazer. Mas parece que não é o caso de Caiado.

11 jul

PSDB goiano não aprende nada com os seus erros e toma o mesmo caminho equivocado que levou o PMDB/MDB a perder todas as eleições desde a derrota de 1998 e se limitar hoje a apenas 3 deputados

Não há nada mais parecido com o PSDB que hoje cambaleia em Goiás do que o PMDB/MDB que igualmente foi surpreendido pela derrota de Iris Rezende em 1998, tal qual a de Marconi Perillo no ano passado, ambos os episódios resultados de uma sucessão de erros. No caso do PMDB/MDB, acumulando-se por mais 20 anos de fiascos seguidos nas urnas até chegar à triste condição final de partido quase nanico, com apenas três deputados federais, nenhum federal e pouquíssimos prefeitos (já que o presidente do diretório estadual emedebista Daniel Vilela se deu ao luxo de expulsar figuraças municipais como Adib Elias, de Catalão, e Paulo do Valle, de Rio Verde).

 

Após a espetacular vitória do jovem Marconi Perillo em 1998, o PMDB/MDB recusou qualquer projeto de reciclagem ou reoxigenação política, preferindo se acoitar sob a sombra de um Iris que tinha perdido a boa mão para a política, assim como agora o PSDB também se nega a uma renovação mesmo mínima e se joga nos braços enfraquecidos de Marconi, que é pior que o Iris de duas décadas atrás, já que está muito mais desgastado e sob o fogo de mais de uma dezena de processos judiciais, pelo menos um de natureza criminal – e seríssimo – que pode levá-lo a uma pena de prisão por receber propinas da Odebrecht.

 

Iris conseguiu um milagroso renascimento delimitado a Goiânia, onde ganhou, digamos assim, o perdão parcial do eleitor, o mesmo que continuou rejeitando a sua volta para o governo estadual. Quanto a Marconi, parece difícil que algo semelhante aconteça, mesmo porque ele não possui mais a mínima condição de disputar eleições majoritárias. E, quanto ao seu projeto político, que é um mandato de deputado federal em 2022, as suas asas podem cortadas caso qualquer uma das denúncias a que responde na Justiça produza sentença de 2º grau, o que o proibirá de registrar candidatura pelos oito anos seguintes. É bem possível.

 

Depois de um espasmo em que deu a impressão de que passaria por uma ligeira reorientação, o PSDB de Goiás recuou e cedeu a presidência da legenda para um nome da cozinha de Marconi, o prefeito de Trindade Jânio Darrot – um político raro que em de 10 anos de carreira em mandatos legislativos e em cargos executivos nunca foi alvo do Ministério Público. Mas Jânio, que é a inocência em pessoa, foi colocado no comando da sigla tucana para atender ao esforço de sobrevivência do ex-governador e não para mudar o que quer que seja. Não tem a chama necessária para liderar a oposição obrigatória que o partido deveria fazer ao governador Ronaldo Caiado e jamais dará um passo de importância sem antes telefonar para São Paulo para ouvir a opinião do seu líder maior, que, nas condições de fragilidade em que se encontra, será sempre a de evitar confrontos.

 

O PSDB, portanto, morreu em Goiás, atrelado à morte política de Marconi, decretada pelas urnas e pelos  promotores estaduais e procuradores federais. Algum barulho tem sido feito pelos deputados na Assembleia, como Talles Barreto ou Leda Borges, entusiasmados com o papel oposicionista que assumiram, mas sem o respaldo de mais ninguém. É a mesma história do PMDB/MDB. Não há diferença. Um tinha Iris (e Maguito Vilela), o outro tem Marconi – atravessados no caminho. É questão de tempo até que os dois acabem.

11 jul

Governo Caiado não sabe lidar com as dificuldades que ameaçam o Estado e está falido politicamente, mesmo que os caiadistas apaixonados não aceitem essa avaliação

Helvécio Cardoso

 

O jornalismo de opinião, em Goiás, quando praticado com independência, vira crime de lesa-majestade. Os amigos do rei não toleram reparos. E não admitem, sequer como hipótese, o fracasso ou a falência do atual governo do Estado, ainda que evidências apontem para esta contingência.

 

Querem estabelecer como premissa, sem antecedente necessariamente verdadeiro, que o governo é um sucesso e será um sucesso; que todos amam o rei e que todos, por amor a ele, farão o que ele mandar.

 

Caiadistas reagiram de forma passional a uma análise que fiz aqui. O governo Caiado faliu, politicamente falando? Sim. Reafirmo. Claro, Caiado já pegou  o Estado falido. A economia brasileira, como um todo, está falida, e isto reverbera na economia local. A arrecadação mal paga a folha do funcionalismo. Não há dinheiro para investir. O descalabro é total.

 

Caiado não tem culpa por esta situação. Sua falha é não saber lidar adequadamente com as dificuldades. É certo que ele não tem muitas alternativas, mas as que tem – confira algumas no artigo do economista Mauro Faiad aqui – nem são consideradas.

 

O governo Caiado ainda não mostrou resultados e, a continuar neste ritmo, não vai apresentar. Boas intenções e honestidade pessoal – e o governador é um homem honesto – não rendem votos. Henrique Santillo e Alcides Rodrigues: homens honrados, sérios, também que tiveram governar o Estado em meio a turbulências. Fizeram o que era do seu dever fazer. Mesmo assim, faliram, politicamente.

 

O céu em Goiás está carregado de nuvens negras. Mas o tolos preferem brigar com a realidade a agradecer pelos sábios conselhos.

11 jul

Cantado em prosa e verso, principalmente por ele mesmo, prestígio nacional de Caiado e trânsito em Brasília até hoje não serviram para trazer um centavo para Goiás nem para mais nada

“Usarei o conhecimento e prestígio que tenho junto ao governo federal para resolver os problemas de Goiás”, disse o  Ronaldo Caiado logo após assumir o governo do Estado, no início do ano. Passados seis meses, aliás quase sete, é possível resumir: até agora, esse “conhecimento” e esse “prestígio” não serviram para trazer um centavo ou para render alguma coisa de positivo para os goianos.

 

O que Caiado mostrou é que, de fato, tem conhecimento e sabe transitar em Brasília, pelos corredores do Congresso ou pelos gabinetes da Esplanada do Ministério. É bem recebido por parlamentares e por ministros, até pelo presidente da República. Isso evidencia algum prestígio, é verdade. Mas apenas formalmente (e para posar fotos e vídeos sorridentes que depois aparecem nas redes sociais). Na prática, em termos de conteúdo, de soluções, de respostas e, no final das contas, de recursos para Goiás, Caiado vale tanto quanto qualquer governador que não tem nenhum conhecimento e menos ainda prestígio na capital federal.

 

Acreditar na sua força e influência em Brasília custou caro para o governador goiano. Desde que foi eleito, ele vem se encontrando sucessivamente com o presidente Jair Bolsonaro e com o ministro Paulo Guedes, sempre anunciando, após, medidas que nunca foram efetivadas. Cansativamente, Caiado marcou datas – é hoje, é amanhã, é na semana que vem – para o anúncio de um plano de socorro aos Estados ou o encaminhamento de uma medida provisória autorizando o Estado a meter a mão no FCO. Em todas as vezes, acabou desmoralizado. De tudo, saiu um projeto de lei complementar criando um plano de equilíbrio fiscal para ajudar os governadores que hoje está encalhado na Câmara, sem ter dado um passo desde que foi encaminhado há mais de dois meses. Sobre a prometida mudança no FCO, não se tem notícia. E também uma decisão do Supremo Tribunal Federal, dando alguma chance para que o Estado tenha acesso ao Regime de Recuperação Judicial, que não tem a ver com “conhecimento” ou “prestígio” e sim com questões jurídicas.

 

No momento, a quimera perseguida por Caiado em Brasília é a inclusão dos Estados na reforma da previdência, o que o livraria de desgastes para impor ao funcionalismo estadual restrições para a aposentadoria – já que poderia alegar estar apenas cumprindo uma determinação aprovada pelo Congresso e sancionada pelo presidente. Mas não vai acontecer. Paira no ar excessivamente seco de Brasília a certeza de que os deputados federais e os senadores vão deixar essa encrenca para que os próprios Estados a resolvam, como indicou a primeira votação da reforma, que não mencionou nem Estados nem municípios. Mesmo assim, o governador passou os últimos dois dias internado no plenário da Câmara, dando entrevistas em que afirmava estar articulando a providência e ouvindo, pelo menos de um parlamentar goiano, uma dura sugestão: “Governador, para com isso e vá para Goiás trabalhar para os goianos”. Ele, que avisa com frequência não gostar de conselhos, mais uma vez não ouviu e ficou até o fim, mais uma vez sem conseguir o que queria.

10 jul

Suposto desvio de dinheiro no Ipasgo, que pode chegar a R$ 1 bilhão, é estória mal contada que exige um pronto esclarecimento do governo Caiado

Está cada vez mais estranha a estória de um suposto roubo de dinheiro no Ipasgo, que poderia ascender a fantásticos e inacreditáveis R$ 1 bilhão de reais, alvo de uma operação fora do padrão de eficiência da polícia civil estadual e até hoje sem esclarecimentos sobre quem são os envolvidos, se é que os há, e como aconteceu o desvio.

 

O atual presidente do instituto, médico Sílvio Fernandes, é figura pra lá de polêmica. Mais caiadista que o próprio governador Ronaldo Caiado, a quem acompanha como dirigente do DEM em Goiás há anos e anos, já foi acusado de ser funcionário fantasma e de declarar uma especialidade, a anestesiologia, sobre a qual não teria maiores conhecimentos. Hoje, sua aspiração é ser o vice de Iris Rezende, na possível tentativa de reeleição do velho cacique emedebista no ano que vem. O Ipasgo que ele assumiu é uma espécie de plano de saúde do funcionalismo estadual em uma situação de pleno desequilíbrio financeiro e sem a menor condição de se sustentar. Nas primeiras semanas após a posse de Caiado, o novo presidente anunciou que as dívidas estavam quase todas pagas e que o instituto estava a caminho da normalização. Qual o quê: era só bravata e conversa inconsequente. O Ipasgo, tal como antes, continua na pior e, mais grave ainda, sem um projeto de recuperação.

 

Sílvio Fernandes, no início desta semana, deu uma entrevista sobre as tais irregularidades que teriam sido descobertas. Não conseguiu ir além de mencionar um caso em que 200 exames de sangue foram faturados para um só cliente, em um único dia, ou informar que foram localizados 40 afiliados com mais de 100 anos de idade e algumas crianças como titulares do plano de assistência médica. Tudo coisa irrelevante diante da constatação de que são mais de 600 mil as pessoas atendidas pelo Ipasgo.

 

Para piorar as desconfianças, um delegado de polícia deu entrevista a O Popular falando basicamente em conjecturas e palpitando que, se o caso for mesmo verdadeiro, as somas envolvidas poderão ser muito altas. De concreto, não apontou um único detalhe, não cogitou de suspeitos nem deu qualquer explicação sobre como o esquema funcionaria e para onde foram os recursos afanados. A impressão passada é que o investigador não tinha noção alguma sobre o que está investigando.

 

O governo do Estado precisa se pronunciar urgentemente sobre o que está se passando no Ipasgo, antes que tudo isso se confirme apenas como mais uma trapalhada, e das grandes.

10 jul

Em mais um erro infantil de estratégia, Marconi e o PSDB goiano adiam o momento de fazer oposição a Caiado sob a desculpa de que é preciso dar tempo a ele para mostrar sua forma de administrar

Em política, um erro nunca vem sozinho e geralmente é seguido por outros, às vezes em ritmo acelerado. Foi assim que o PMDB/MDB perdeu a eleição de 1998 e sem seguida mergulhou em uma sucessão de equívocos, perdendo eleições consecutivas durante 20 anos e se transformando, hoje, em um partido perto da condição de nanico, com apenas três deputados estaduais e nenhum federal.

 

O PSDB, que mandou em Goiás nessas mesmas duas décadas, repete agora igual trajetória. Errou ao escolher os candidatos majoritários na eleição do ano passado e errou na estratégia de campanha, que foi toda voltada para cobrar a gratidão do eleitor diante das obras dos governos de Marconi Perillo, o tal “legado” do qual os tucanos de Goiás não conseguem se desapegar e que os arrasta para um fundo de buraco cada vez mais fundo. O resultado foi uma derrota acachapante. Mas o partido continua errando: decidiu, nesta semana, em reuniões orientadas por Marconi e por um subitamente ressurgido Zé Eliton, que ainda não é hora de fazer uma oposição mais efetiva ao governador Ronaldo Caiado, a quem, segundo explicaram o presidente estadual Jânio Darrot e o Zé, é preciso “dar mais prazo para demonstrar a sua forma de administrar ou se posicionar”.

 

Isso, em política, é coisa de criança. Ocorre que Caiado surpreendeu com um governo hesitante e sem rumo, coisa que ninguém esperava. Nunca conseguiu deixar claro que tem um projeto de futuro para Goiás e, em vez de oferecer soluções para os desafios do Estado, se limita a esmolar recursos federais em Brasília, que nunca chegam e provavelmente jamais virão. Politicamente, é tão vulnerável que até hoje não conseguiu aprovar projetos polêmicos na Assembleia, sendo obrigado a retirar alguns, como o que mudava o Passe Livre Estudantil, ou engolir duras derrotas como a eleição de Lissauer Vieira para o comando do Legislativo ou o orçamento impositivo ou a instituição da reeleição para a presidência do Poder. Ou seja: Caiado não precisa de nem mais um dia para comprovar que é um governante fragilizado, a quem, em última análise, seria fácil fazer oposição.

 

Entretanto, essa não é a avaliação de Marconi, Zé e o presidente do PSDB Jânio Darrot. Em vez de aproveitar a oportunidade gerada pela frustração que Caiado provocou, ao não fazer a gestão de mudança prometido na eleição, eles resolveram presentear o governador com mais tempo para ver se consegue mostrar serviço. Em termos de oposição, para a qual, digamos assim, os tucanos foram designados pelas urnas, é uma postura infantil – que, de resto, leva a inevitável conclusão de que os tucanos querem, na verdade, é evitar polêmicas que tragam à tona a ficha corrida dos seus 20 anos de poder. É como, em uma guerra, um exército vencido se dobre ainda mais ao vencedor, deixando de aproveitar uma inesperada chance de reação. Em uma palavra, um equívoco. Mais um de tantos que aprecem não ter fim.

08 jul

Goiás tem alternativas não tributárias para a solução da crise fiscal que o Estado enfrenta, sem necessidade de recorrer a medidas de austeridade que podem comprometer o futuro dos goianos

Mauro Fayad, economista

 

Goiás experimentou, nas últimas décadas, um expressivo crescimento econômico, que só foi possível graças uma agressiva política fiscal. No lado da tributação, destaca-se a política de incentivos. No lado das despesas, gerou-se uma infraestrutura bastante razoável. Porém, o custo desse crescimento foi um permanente e crescente desequilíbrio fiscal. O dilema era inevitável: crescimento x equilíbrio fiscal. No jargão econômico havia um trade-off, um dilema, entre crescer ou manter as finanças “em ordem”. Foi feita, acertadamente, a primeira escolha.

 

Ocorre que desequilíbrios fiscais não são sustentáveis indefinidamente, principalmente nos governos estaduais, que não dispõem dos instrumentos de política econômica, em especial ligados às políticas monetárias, à disposição do governo federal. O nó da questão é que há uma enorme dificuldade tanto do lado da arrecadação como do lado da despesa.

 

Difícil conceber novos impostos, como também reduzir os incentivos fiscais sem que Goiás passe a apresentar desvantagens comparativas frente às outras unidades da Federação, o que, por certo, ocasionaria a debandada de diversas empresas, em especial as ligadas ao setor industrial. Do lado das despesas, as dificuldades não seriam menores.  Estabilidade dos estatutários, vinculações constitucionais e por aí afora tornam os gastos ordinários refratários a qualquer queda.

 

Posto isso e considerando a importância da retomada  dos  investimentos públicos como fonte de interessantes externalidades econômicas, fica patente que as alternativas existentes para a crise fiscal são de natureza não tributárias. Hoje existem instrumentos modernos, como uma Companhia de Ativos voltada à utilização dos Ativos possuídos pela Administração do Estado,  que poderiam ser manobrados como instrumento de captação de recursos junto ao mercado financeiro. Ou o acompanhamento, sistemático e permanente, dos recursos obtidos junto ao governo federal (transferências voluntárias). São apenas alguns de muitas possibilidades.

 

Somada à criação de uma Companhia de Ativos, a implantação de um Centro Gestor de Contratos e PPPs possibilitaria o gerenciamento de ativos para colocá-los em função do desenvolvimento de projetos de infraestrutura por meio de concessões, contrapartidas e garantias para que as PPPs saiam do papel e colaborem para a superação dos problemas de infraestrutura estadual. Esse seria um novo caminho para Goiás.

08 jul

Falência do governo Caiado deixa campo aberto para Daniel Vilela em 2022, com apenas 2 ameaças: a candidatura de Vanderlan, que é politicamente dócil, ou o surgimento de um nome inesperado

Helvécio Cardoso

 

O bloco de apoio ao governador Ronaldo Caiado está rachado. Mas não vai entrar em colapso ainda. Há insatisfeitos com Caiado que, a despeito da insatisfação, não têm pontes para se ligar à oposição em Goiás.

 

Com a falência política do governo, previsível, resta a possibilidade de uma solução doméstica para as eleições de 2022.

 

A solução é o senador Vanderlan Cardoso. Ele é candidatíssimo ao Palácio das Esmeraldas na próxima eleição. Com ou sem o apoio de Caiado.

 

O problema é que Vanderlan não tem índole guerreira. Só irá para a oposição se Caiado resolver disputar a reeleição, ainda que para perder.

 

Se for à disputa sob a bandeira do governismo, Vanderlan corre o risco de ser massacrado por Daniel Vilela, o nome que vai crescer como a alternativa ao que está aí. O chefe emedebista é agressivo, gosta de briga, é abusado. Vanderlan,  com seus modos e bom moço, tendo que suportar o ônus do fracasso governista, entrará derrotado nessa disputa.

 

E aí é que está: o grande adversário de Daniel talvenha ser o inusitado. Não será Caiado nem muito menos Vanderlan. Será algo, ou alguém inesperado, que ainda não apareceu nos radares.

 

O mito do “novo na política” está sempre à espreita. Daniel, que já o encarnou, não cabe mais no figurino.

 

De repente, pode aparecer aí uma figura bizarra, com discurso anti-tudo, prometendo “renovação” e fim das “velhas práticas”. Esse alguém acabará por empolgar o eleitorado frustrado com políticos que não geram resultados, como ocorreu no Rio de Janeiro ou em Minas Geris.

 

De vez em quando,  o eleitor, num surto de inconsequência,  vota no mais simpático, no mais bonitinho, no mais exaltado, no mais excêntrico, apenas para fazer desfeita às  “elites”.

 

O ex-presidente João Goulart, o Jango, dizia nada temer, exceto o “imponderável”. Em termos eleitorais, essa figura é  o inusitado. Seu aparecimento é sempre uma possibilidade e, em resumo, encarna a ameaça que pode fazer frente a Daniel Vilela em 2022.

08 jul

Há pedras no caminho de Daniel Vilela, mas ele larga na pole position para a sucessão estadual de 2022, mesmo comandando um partido sem bases, mas com um decisivo tempo de propaganda no rádio e TV

Helvécio Cardoso

 

O ex-deputado federal Daniel Vilela larga na pole position para a sucessão estadual de 2022. Não quer dizer que, necessariamente, vencerá a corrida.

 

Larga na frente pilotando um calhambeque eleitoral. O MDB de Daniel não tem bases. Não tem prefeitos nem deputados. À exceção do prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha, foram-se todos no cordão da dissidência caiadista puxado por Adib Elias.

 

Pode-se argumentar que, em 1998, Marconi também não tinha prefeitos nem deputados e mesmo assim, derrotou a máquina poderosa do irismo. O argumento apenas prova que prefeitos e deputados são importantes, mas não decisivos. São mera contingência.

 

Para Daniel, o que vale mesmo é que ele retém o controle da sigla. A direção nacional  o prestigiou. Tanto que o bloco dos dissidentes já está procurando outra legenda para brincar seu carnaval. Eles deverão sentar praça do PSD de Vilmar Rocha. Salvo…

 

Ter  controle da sigla significa possuir o tempo de TV e o poder de compor chapas. Para quem acredita mais em marketing do que em política, isso é muita coisa. E, de fato, pode ser decisivo.

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