Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

28 maio

Mortes por confronto com a polícia dobraram entre 2018 e 2019, segundo “denúncia” de O Popular, mas é provável que decorram da maior efetividade da política de segurança pública de Caiado, só isso

Em mais um prestimoso serviço de desinformação aos seus leitores, O Popular noticiou em tom denúncia a elevação do número de mortes em confrontos policiais, em Goiás, de 2018 para 2019, quando passaram de 424 para 825, dado que colocou o Estado em 2º lugar no ranking nacional de letalidade policial proporcionalmente ao seu número de habitantes. Parece muito e o jornal explora o veio de modo irresponsável, sugerindo, pelo tom da matéria da repórter Thalys Alcântara, que estariam ocorrendo excessos e desrespeito aos direitos humanos por parte das forças de segurança comandadas pelo governador Ronaldo Caiado.

Pelo princípio filosófico e pré-científico da navalha de Ockham, diante de várias explicações para um problema, a mais simples tende a ser a mais correta. Essa é uma ferramenta, leitoras e leitores, que sempre funciona muito bem. E que se aplica com precisão à matéria – especulativa – de O Popular, jornal que é tido como o mais importante de Goiás, porém muitas vezes se comportando abaixo desse compromisso moral e ético com o seu universo ledor. Pois bem: e se o quantitativo de óbitos em intervenções policiais subiu apenas porque as investigações e apurações, bem como a reação de delegados, agentes e PMs a ocorrências de violência contra as cidadãs e cidadãos e danos ao seu patrimônio, passaram a ser muito mais efetivas do que no passado?

É uma constatação básica: Caiado endureceu, e merece parabéns por isso, a política de segurança pública e o fez a partir de uma diretriz simplificada de fortalecimento e apoio aos seus executores. Repetidamente, o governador tem dito que a única limitação para a repressão contra a criminalidade é a lei, abandonando a frouxidão que foi a característica do setor nas gestões do passado, incapazes de articular a proteção da população contra o avanço da bandidagem. Isso é inegável e significa que ninguém que está na ponta de lança do aparelho policial será abandonado à sua própria sorte. Deu resultados: ora, bolas, qualquer um é capaz de reconhecer que Polícia Civil e Polícia Militar, hoje, são mais muito, mas muito mais afirmativas no cumprimento da missão de garantir a proteção de todos contra a violação por poucos do direito de viver em paz e em tranquilidade. Há agora mais competência e mais proatividade nos freios para os infratores das leis penais do que em qualquer dos tempos recentes.

Portanto, pode ser essa a explicação para o aumento de perecimento de marginais em momentos onde o protagonismo policial e o recurso à força são necessários para evitar males maiores e garantir o esclarecimento de situações delituosas. Só isso. O Popular, maldosamente, deixa no ar que estaria havendo excessos, embora sem apresentar fatos capazes de demonstrar os houve aqui ou ali. Não faz também correlação entre as mortes e a redução das estatísticas criminais. Ninguém, nem a polícia, é perfeito e erros podem ser cometidos, porém nenhum tem sido visto além da pouca incidência ou passível de dúvidas maiores. Os esquadrões de segurança desvendam crimes, prendem e em alguns casos chegam a matar, só que é exatamente para isso, dentro dos limites legais, como frisou o governador, que eles existem, como instrumentos protetivos da sociedade.

16 maio

Programa “FIEG Mais Solidária” alega ter doado 100 toneladas de alimentos e insumos a famílias carentes: provavelmente não é verdade, mas, se for, é uma mixaria que envergonha o grande empresariado

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás – FIEG, o impagável Sandro Mabel, deitou falação em uma entrevista à rádio Sagres, onde pontificou sobre assuntos médicos e científicos (“O coronavírus veio para ficar. Não tem esse negócio de que nós vamos ficar livres do corona, não. O coronavírus vai pegar 70% das pessoas. De 60% a 80%, uma média de 70%, todas as pessoas vão pegar”, foi uma das suas declarações estapafúrdias), investiu mais uma vez contra o isolamento social como medida de prevenção contra a pandemia e se gabou de liderar um programa, denominado “FIEG Mais Solidária”, que já teria doado 100 toneladas de alimentos e insumos à população carente do Estado.

Este blog tem acompanhado com atenção o, digamos assim, índice de generosidade dos grandes empresários e milionários que habitam Goiás. E pode afirmar que… é baixíssimo. Não há solidariedade com as goianas e goianos mais humildes entre os favorecidos pela sorte no estado, a não ser quanto a raríssimas e honrosas exceções. Nessa hora, é indispensável uma comparação com os incentivos fiscais, que nas últimas décadas têm repassado entre R$ 8 e 12 bilhões anuais para as 534 maiores empresas aqui instaladas – e pelo menos uma ínfima parte dessa montanha de dinheiro elas deveriam retornar para a população, em especial na situação de calamidade pública trazida pela peste, só que se recusam a fazê-lo.

As 100 toneladas de alimentos e insumos (tipo máscaras e termômetros) arrotadas por Sandro Mabel não passam de uma piada de mau gosto. Para começo de conversa, provavelmente não se trata de um número verdadeiro, vez que os releases distribuídos pela própria FIEG fazem referência, no total, a 7 cargas levadas de camionete a entidades filantrópicas, cada uma em torno de 500 quilos. Presumindo-se que se trata de uma instituição que representa os capitães de indústrias de Goiás e que, portanto, seria uma entidade séria e responsável, vamos admitir que, sim, as tais 100 toneladas são reais. Isso significa, convertendo-se esse quantitativo em cestas básicas, para efeito de raciocínio, teríamos no máximo 2 a 2,5 mil delas, que qualquer um compraria na rede atacadista pr R$ 100 a 150 mil reais – dinheiro de troco quando estamos nos referindo a uma associação classista que se arvora a falar em nome de 30% do PIB estadual.

Isso deveria envergonhar Sandro Mabel, se a tivesse na cara, como se costuma dizer. Não é nada perto da capacidade econômica dos supercapitalistas que a FIEG representa e que, de resto, vivem de parasitar o caixa do governo do Estado, que esvaziam com as suas milionárias isenções e descontos de ICMS – algo perto da criminalidade comum, conforme deixou em pratos limpos o relatório da CPI dos Incentivos Fiscais da Assembleia Legislativa, cujo resumo pode ser lido aqui e comprova que existe um certo gangsterismo na usufruição à vontade e sem qualquer monitoramento das mais absurdas e descabeladas benesses tributárias em vigor em Goiás, em troca de muito pouco em matéria de empregos e geração de renda.

Cantor sertanejo e influencer digital (Gusttavo Lima e Rafa Kalimann) mostraram mais compaixão com os esquecidos da fortuna em Goiás que os nossos milionários, alguns bilionários até, e empresários de alto coturno, ao fazer doações expressivas para socorrer quem mais precisa neste instante de emergência. Perto deles, a poderosa FIEG, inteira, não vale um tostão furado na moeda da solidariedade.

14 maio

Nau dos insensatos, pilotada pela ganância do empresariado e demagogia eleitoreira dos prefeitos, com o apoio de um grupo ingênuo de pesquisadores da UFG, arrasta Goiás para a cova

Está se produzindo, por conta de lideranças empresariais irresponsáveis e do espírito de levar vantagem eleitoral a qualquer preço de prefeitos de cidades importantes, contando com a ajuda de um grupo ingênuo de pesquisadores da UFG, as condições perfeitas para que Goiás e sua população venham a ser arrastados para o buraco de uma cova – ou milhares delas – nos cemitérios que são o destino de parte das vítimas do coronavírus.

Chefes de instituições classistas de peso como a Federação das Indústrias do Estado de Goiás – FIEG, Sandro Mabel, ou a Associação Comercial e Indústrial do Estado de Goiás – ACIEG, Rubens Fileti, associaram-se a prefeitos de municípios populosos como Roberto Naves, de Anápolis, e Gustavo Mendanha, de Aparecida, para pressionar o governador Ronaldo Caiado e forçar um relaxamento ainda maior da quarentena sanitária imposta, mas pouco cumprida pelas goianas e pelos goianos. Para reforçar a tripulação dessa nau dos insensatos, ainda apareceram professores da UFG que passaram a apregoar a falta de necessidade de um novo decreto para reforçar o isolamento social, bastando apenas, segundo alegam infantilmente, exigir que se cumpra o anterior, atualmente em vigor, que não colou e não está sendo observado em parte alguma do Estado.

O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta avisou nesta quarta, 13 de maio, que o surto da Covid-17 no Brasil está apenas no começo e que dias piores, bem piores, vêm vindo aí. Acrescentou que o tempo e a história mostrarão quem tem razão quanto ao que deve ser feito. Em Goiás, são nítidos os sinais de que a pandemia está se acelerando, produzindo um número maior de pacientes e mortos a cada dia. Dentro de uma visão bolsonarista de preservação da economia em detrimento das vidas, Mabel, Fileti, Naves e Mendanha sustentam com unhas e dentes a extinção das medidas de restrição à circulação de pessoas – que, por critérios técnicos e científicos, precisam é ser endurecidas urgentemente.

O que eles estão defendendo, sem base alguma, é a prática de um crime que seria expresso nas filas de caixões que inevitavelmente acabariam se formando à saída dos hospitais com a explosão nos números da nova doença no Estado. Nos jornais desta quinta, enfileiram-se declarações de todos eles que vão muito além da irresponsabilidade e beiram a incidência em uma gama de artigos do Código Penal. A situação em Goiás, o pior Estado em matéria de cumprimento do distanciamento entre as cidadãs e os cidadãos, é de adoção imediata de um lockdown e não de seguir os palpites sem nexo de grandes empresários que querem continuar ganhando dinheiro às custas do sofrimento do povo e de prefeitos oportunisticamente de olho na reeleição. Essa gente precisa calar a boca ou então, se a abrir, usá-la para propugnar pelo bem comum e pelo interesse coletivo, acatando os princípios humanitários que definem a civilização moderna e que pressupõem que todos, sem exceção, têm direito a proteção da sua saúde e que isso não está abaixo das coisas e do dinheiro.

11 maio

URGENTE: Isolamento em Goiás está abaixo do mínimo aceitável e não há dúvidas de que é necessário o reendurecimento das medidas de restrição à circulação de pessoas e até o lockdown

Está configurado que o isolamento social em Goiás está abaixo do mínimo aceitável e que, em consequência, é urgente e inescapável um reendurecimento das medidas de restrição à circulação e aglomeração das goianas e dos goianos, sob pena de se assistir a uma explosão dos casos de coronavírus e, pior ainda, a uma uma escalada dos índices de letalidade da nova doença no Estado.

Infelizmente, está provado que a população, em sua maioria, tem pouca preocupação com a propagação da peste e está se expondo ao contágio voltando quase que livremente às ruas e às atividades que permitem contato e estimulam a proliferação do vírus assassino. Não estamos bem: os levantamentos quanto a rigidez do confinamento indicam Goiás em último lugar, dentre todas as unidades da Federação, em termos de isolamento social. Isso quer dizer que é praticamente igual aos tempos de normalidade o fluxo das cidadãs e cidadãos, que pouco se ligam, aparentemente, para os riscos da Covid-19.

Tudo indica que o governador Ronaldo Caiado deverá agir, nas próximas horas, para novamente radicalizar a quarentena em Goiás, sob pena de assistirmos a uma evolução descontrolada do número de contaminados. Caiado sempre descartou o lockdown, ou seja, o fechamento total do comércio e de qualquer movimentação afim, mas parece que essa é uma opção que passou a ser considerada.

10 maio

Oposição precipita-se ao enxergar como queda de aprovação a redução da popularidade de Caiado nas redes sociais, que tem mais a ver com críticas de fora do Estado ao rompimento com Bolsonaro

Deputados de oposição na Assembleia, como Major Araújo e os delegados Humberto Teófilo e Eduardo Prado, comemoram em suas redes sociais uma manchete porca de O Popular, que atribuiu ao governador, segundo a consultoria Quest, uma queda de popularidade nas redes sociais – expressa, segundo o levantamento, em uma redução de postagens positivas a partir do irrompimento do vírus assassino em Goiás e do instante em que Caiado, corretamente, distanciou-se com o presidente Jair Bolsonaro basicamente por não concordar com a sua orientação quanto ao isolamento social para diminuir a propagação do novo coronavírus.

Estão todos enganados. E misturando alhos com bugalhos. Primeiro, porque popularidade digital é uma coisa, quando aprovação ou reprovação de governo pela sociedade é outra. E depois levando em consideração que Caiado é um político de repercussão nacional e suas redes sociais são acompanhadas somente em parte por goianas e goianos e em outra parte, não pequena, por seguidores de todo o país. O Popular não prestou esses esclarecimentos na matéria que publicou e, admitindo-se o que dificilmente seria verdade, ou seja, que a oposição ao governador embarcou ingenuamente na teoria de que a sua aceitação diminuiu, foram todos induzidos a um erro monumental.

Não há pesquisas promovidas por institutos sérios, no momento, sobre a qualificação do governo do Estado, dentro dos tradicionais critérios de ruim, péssimo, regular, bom e ótimo. Um dos motivos é que esse tipo de levantamento, em termos estaduais, custa caro. Nem mesmo a maior empresa de comunicação do Estado, o Grupo Jaime Câmara, que banca O Popular, se dispõe a abrir as burras para contratar o seu tradicional instituto fornecedor de diagnósticos sociais e políticos, o Serpes, e colocar em pratos limpos, mais de dois meses depois da chegada a pandemia a Goiás, o que a população pensa das ações comandadas por Caiado.

Lembrando mais uma vez: redes sociais são passíveis de manipulação e não têm nada a ver com correntes solidificadas de opinião pública. Caiado afastou-se de Bolsonaro e automaticamente passou a alvo da milícia online do bolsonarismo raiz, cuja atuação envergonha as brasileiras e os brasileiros de bem. Esse tipo de gente, que o levantamento da consultoria Quest publicado por O Popular não especificou, é que rompeu com o governador goiano e passou a atacá-lo nos canais da internet. A maioria é de fora de Goiás. A tal “queda de popularidade”, apontada pelo jornal, se é que existe, não tem nada a ver com as medidas que foram adotadas por Caiado para combater a peste, mas sim com a pobreza ideológica que é a característica dos jagunços e o exército de robôs que atuam cegamente a favor do capitão e suas ideias genocidas.

Ao contrário do que dizem Major Araújo, Humberto Teófilo e Eduardo Prado, se há um governador que honrou depois de eleito os seus compromissos de campanha, este é o atual inquilino do Palácio das Esmeraldas, no sentido inverso ao do presidente Jair Bolsonaro, hoje protagonista de um dos maiores estelionatos eleitorais da triste história da Terra de Santa Cruz. O autor dessas mal traçadas tem alguma experiência com a avaliação do trabalho de governantes e de políticos em geral e está à vontade para afirmar que Caiado, provavelmente, tem mais a somar do que a diminuir com os dividendos da sua atuação liderando o Estado contra a crise da mortífera Convid-19. Mas é preciso admitir que isso só será esclarecido com uma pesquisa de espectro amplo e não com conjecturas geradas a partir de análises do Twitter, Instagram, Facebook e outras malhas sociais. Nossos deputados oposicionistas quebraram a cara.

09 maio

Iris passa a sinalizar que não será candidato, mas não porque não quer e sim porque foi tomado pelo medo da repercussão negativa do fracasso do seu cronograma de obras para este ano

Como fez em todo o seu mais de meio século de carreira política, o prefeito de Goiânia Iris Rezende mais uma vez investiu no samba de uma nota só de uma gestão exclusivamente baseada em obras de infraestrutura – e, navegando em águas tranquilas a partir da suposta recuperação fiscal do município, imaginou que a sua reeleição para mais um mandato seria como atravessar um mar de rosas e também uma exigência da maioria das goianienses e dos goianienses. Tudo muito, mas muito fácil, até que…

…até que a realidade mostrou que tudo, na atual passagem de Iris pela prefeitura, havia sido superestimado. Por um lado, chegou a pandemia do coronavírus, trazendo um quadro de dificuldades que, mesmo do alto da sua experiência gerencial, Iris não esperava e ao qual simplesmente não soube como reagir. Por outro lado, a administração de um extenso e ousado leque de obras mostrou-se muito mais complicada e custosa do que se previa, a ponto de, hoje, ser pacífico que mais de 50% dos viadutos, do asfalto novo ou recuperado e das construções não mais será entregue nos prazos anunciados, ainda que as eleições venham a ser adiadas. Essa é a verdadeira razão da amargura que ostensivamente passou a ser exibida pelo prefeito e tem permeado, para um bom entendendor, todas as suas declarações recentes.

A peste jogou por terra a fantasia de uma prefeitura reorganizada financeiramente e em ótima situação quanto ao seu caixa, que Iris e seus auxiliares apregoavam aos quatro ventos até o primeiro paciente da Covid-19 ser internado  em Goiânia. De um dia para o outro, todos, tanto o prefeito quanto a sua equipe, passaram a falar em um cenário de finanças complicadas e perto do colapso, motivo, aliás, alegado pelo Paço Municipal para não investir um centavo em qualquer proposta ou ideia de apoio à população, mesmo a carente, a não ser algumas barracas e cobertores para os sem teto que vivem nas ruas e ainda assim obedecendo a uma decisão judicial. As mais de 100 mil crianças matriculadas nos CMEIs e centros educativos foram largadas sem merenda escolar desde o dia em que as unidades foram fechadas para obedecer à quarentena, mal atendidas por um arremedo de programa emergencial que recolheu sobras de alimentos já adquiridos e estocados nas escolas e recorreu aos pífios recursos de um fundo federal para montar kits fajutos que estão sendo entregues às famílias dos alunos a passo de cágado. Um vexame.

Para piorar, Iris entrou na Justiça para suspender o pagamento das parcelas de financiamentos contraídos junto a Caixa Federal e ganhou seis meses de prazo. Aparentemente, uma boa notícia. Só que isso implicou na suspensão dos repasses referentes celebrado empréstimo de R$ 780 milhões, obtido junto à mesma instituição, que foi dividido em seis repasses trimestrais, dos quais só um entrou. Em um zás-trás, o dinheiro que garantiria a folga para gastar com as dezenas de obras em andamento simplesmente desapareceu. Isso, somado à queda da arrecadação provocada pela redução das atividades econômicas e a inadimplência que sobreveio, e ainda considerando-se as adversidades que as empreiteiras passaram a enfrentar, indo desde a aquisição de insumos e contratação de máquinas até a mobilidade dos seus operários, acabou tornando inevitável o atraso, e grande, do calendário inicialmente estabelecido, ou seja: neste ano, muito do que foi prometido não será concluído.

Politicamente falando, Iris levou um tiro no coração. Sua retórica tornou-se vazia, desconectada do mundo real, o que torna impressionante a imagem de isolamento retratada em uma foto distribuída pela sua própria assessoria de comunicação, sozinho, cabisbaixo, caminhando ao longo de um trecho de rua com a pavimentação em reforma, porém sem ninguém trabalhando ou qualquer serviço sendo executado(veja acima). É quase um adeus. Ou a despedida de um modelo de homem público que se tornou fora de moda, ainda mais diante da incapacidade demonstrada diante da calamidade pública da nova doença. Ainda mais com a emergência do coronavírus. Abandonar a candidatura à reeleição, assim, não é um ato voluntário e, sim, uma imposição. Iris está saindo não porque quer, porém por estar sendo constrangido e obrigado a abrir essa porta e se despedir, para evitar o desastre de uma derrota nas urnas a esta altura da sua biografia.

08 maio

Maguito dá como favas contadas que Iris não disputará a reeleição e já está até elaborando um plano de governo para Goiânia

O ex-prefeito de Aparecida e ex-tudo em Goiás Maguito Vilela não admite, não assume e não fala sobre o assunto, mas dá como favas contadas que o prefeito Iris Rezende não disputará a reeleição e, como consequência, será ele o candidato do MDB e do velho cacique emedebista à prefeitura de Goiânia.

Um político como Maguito precisa ser entendido como ele exatamente é. Antes de mais nada, não é dado a qualquer tipo de confronto e por isso mesmo é chamado com frequência de dissimulado. Isso quer dizer que, quando pretende chegar a um objetivo, procura a dar a impressão de que não. Quer desesperadamente ser candidato a prefeito de Goiânia, por exemplo, só que nunca assume jamais essa vontade. Como o chinês que se senta à porta de casa para esperar a passagem do cortejo fúnebre dos seus inimigos, Maguito não faz nada para contrariar Iris e aguarda silenciosamente o anúncio da desistência do prefeito.

Mesmo assim, não dorme no ponto. No seu escritório próximo à avenida Rio Verde, em Goiânia, perto da divisa com Aparecida, o seu braço direito Carlos Eduardo de Paula Rodrigues, ex-secretário de Finanças ao longo dos seus anos como prefeito de Aparecida, reúne grupos de colaboradores para produzir uma proposta de governo para a capital. E também, de certa forma, buscando uma estratégia de campanha, que terá a ver com a crise do coronavírus e de alguma forma ressuscitará o que foi o forte do mandato de Maguito como governador do Estado, quando, digamos assim, a única obra visível foi a distribuição de cestas básicas para a população carente. Em uma campanha que tende a se dar sob o signo da pandemia devastadora, essa, incrivelmente, poderá ser a bandeira do candidato que se imagina substituto de Iris.

Para os planos de Maguito, o único problema é… Iris, alguém em que não se pode confiar de jeito nenhum em matéria de projetos eleitorais. Sabe-se hoje que o prefeito, até há pouco convencido da facilidade da sua reeleição, passou a alimentar uma forte insegurança, em razão da falência do cronograma das dezenas de obras que toca em Goiânia e não tem uma face humana e solidária. Sim, uma grande parte, ao contrário do que foi prometido, não será entregue até a eleição, criando um foco de desgastes para um administrador que só se baseia em viaduto, asfalto e construções – o tipo da prioridade que, em tempos de emergência social, econômica e sanitária trazida pela peste, caiu em matéria de importância. Anotem aí, leitoras e leitores, Iris, até a eleição, não conseguirá inaugurar nem a metade das obras que prometeu. É por ter consciência dessa impossibilidade que ele balança, hoje, sobre a sua recandidatura, e abre caminho a Maguito.

08 maio

Depois que as suas sugestões foram aceitas, grande empresariado passa a elogiar o ProGoiás, o que é um mau sinal: muitas vezes, o que é bom para eles, quase sempre é ruim para o povo

Quando o governador Ronaldo Caiado apresentou o seu programa de incentivos fiscais, no ano passado, denominado ProGoiás e destinado a corrigir e substituir a balbúrdia legal em que a utilização de descontos ou isenções de ICMS mergulhou nas últimas décadas para supostamente estimular o desenvolvimento econômico do Estado, a chiadeira do grande empresariado foi geral. Em resumo, a se acreditar na palavra dos dirigentes de entidades classistas como a FIEG e a ADIAL, a proposta do governador poderia ser definida como “o maior passo atrás na história do desenvolvimento de Goiás”, conforme se manifestaram textualmente os representantes das indústrias de grande porte instaladas em território goiano.

Mas aí veio a crise do coronavírus, que, a propósito, expôs ainda mais a voracidade por lucros e ganhos a qualquer custo da esmagadora maioria das 534 empresas gigantes do Estado, justamente as que são beneficiadas pela generosa e destrambelhada política de incentivos fiscais que transformou o pagamento de ICMS, em Goiás, em coisa de pobre, ou seja, obrigação apenas dos micros, pequenos e médios empreendedores. Como se sabe, entre R$ 8 a 12 bilhões, por ano, ficam retidos nos bolsos dos supercapitalistas goianos, por conta de instrumentos distorcidos como Fomentar, Produzir e outros que hoje ninguém sabe explicar direito como funcionam, além da falta de fiscalização e de monitoramento das contrapartidas prometidas – e que, como demonstrou com fartura de provas a CPI dos Incentivos Fiscais da Assembleia Legislativo, nunca passaram de miragem.

Voltando ao início do 2º parágrafo: a crise do coronavírus e chegou e trouxe uma nova realidade para economia, em meio a um pandemônio  provocado pela omissão e falta de rumo do governo federal, apesar dos esforços do governador para tentar minimizar o caos introduzido pela pandemia no país e em Goiás. Caiado, que sonhava com um  justíssimo endurecimento fiscal, nada mais que uma normalização das relações entre o Estado e seus contribuintes de porte avantajado, de modo a que fossem levado a dar alguma contribuição ou devolver um pouco da montanha de recursos públicos que engoliram nos últimos 40 anos (nas gestões do MDB e do PSDB) e continuam engolindo. Nada mais legítimo e necessário. Só que, infelizmente, não deu. Ou ficou para uma próxima ocasião.

Perdeu o sentido a criação ou mesmo manutenção de qualquer tipo de restrição ou ônus para a atividade produtiva, em qualquer parte do mundo. A ordem, agora, é facilitar, contemporizar, estimular, ajudar, socorrer, mesmo contrariando as teorias econômicas tradicionais ou, no caso de Goiás, ao custo de atender com a continuidade dos seus privilégios o setor industrial que fagocita os cofres públicos sob a justificativa de criar renda e gerar empregos para as goianas e os goianos. E o governador, pressionado por essa emergência nunca vista antes, acabou cedendo, corretamente, na certeza de que, se era conveniente até o final do ano passado, uma revisão da farra dos incentivos fiscais seria inoportuna agora e deveria ficar para o futuro.

Tecnicamente, o que foi dito é que as sugestões dos grandes empresários foram aceitas, em nome do bom senso recomendado pelo instante de calamidade social e econômica. Verdade. De “maior passo atrás na história do desenvolvimento em Goi9ás”, o ProGoiás passou a ser cantando em prosa em verso pelos mesmos líderes classistas como “um passo à frente das iniciativas que vão ajudar na retomada da economia no pós-pandemia”, nas palavras textuais de um certo senhor chamado Edward Portilho e apelidado ingloriamente de Chequinho, dirigente da ADIAL, o mesmo que meses atrás vociferava contra o mesmo programa que repentinamente passou da condição de promotor das trevas para o mundo dos negócios milionários em Goiás para a de luzes a iluminar a vida dos seus afortunados integrantes.

E o que motivou essa mudança de posição? Simples: o pesadelo do PIB industrial goiano é a contribuição que são obrigados a pagar mensalmente ao fundo estadual de combate à pobreza, o mal afamado – entre a nossa elite econômica – PROTEGE, hoje em 15% dos benefícios tributários de que usufruem. Como esses são enormes, aquele acaba alcançando um valor significativo, o que explica a sua demonização. Caiado, com alterações no texto original do ProGoiás, resolveu baixar a alíquota para 10% e ainda ofereceu uma redução anual, até chegar a 6%, mimo que calou qualquer ímpeto reclamatório, além do atendimento a uma das reivindicações mais caras à FIEG e à ADIAL: a formação de um conselho consultivo com cadeiras cedidas a indicados das entidades de classe, onde a concessão ou qualquer outra decisão sobre incentivos fiscais será discutida e, principalmente, levada ao prévio conhecimento dos interessados – o que, para muita gente, asxsemelha-se a entregar o galinheiro aos cuidados da raposa.

Anotem aí, amigas e amigas que penosamente chegaram até esta linha: quando os donos do dinheiro comemoram alguma decisão de governo, essa é ruim para o povo. Se o ProGoiás é bom para eles… cuidado. O que gostariam, de preferência, é não pagar nada a título de impostos, o que quase conseguem com os incentivos fiscais de que se empanturram. Só fazem porque são forçados e não vão um milímetro à frente, como prova a ausência de solidariedade evidenciada em tempos de pandemia, com o registro, até agora, de parcas e honrosas exceções em matéria de doações aos desfavorecidos do tecido social em Goiás.

04 maio

Rafa Kalimann dá lição à egoísta e insensível elite política de Goiás ao doar o prêmio de R$ 150 mil que recebeu do Big Brother para o combate ao coronavírus

Enquanto a elite econômica de Goiás continua omissa e se escondendo atrás dos seus privilégios, como os escandalosos incentivos fiscais no valor entre R$ 8 e 12 bilhões por ano que as 534 maiores empresas estaduais recebem, uma menina simples e até despretensiosa, a blogueira e influencer digital Rafa Kalimann, cresceu como exemplo ao resolver doar o prêmio em dinheiro que recebeu do Big Brother Brasil ao se classificar em 2º lugar na maratona do reality show.

São R$ 150 mil reais, quase nada diante das fortunas que os nossos supercapitalistas faturam e acumulam a cada ano, somente com o ICMS que deixam de pagar sob a desculpa de que estão produzindo riquezas e gerando empregos, farsa que a CPI dos Incentivos Fiscais da Assembleia Legislativa já expôs com números e dados incontestáveis. Quase nada diante do tamanho da emergência social e econômica que desabou sobre todos, mas muito, muito mesmo quando registramos as costas viradas para a população desfavorecida que os donos do dinheiro assumiram em Goiás, recusando-se a um mínimo de solidariedade quando a pandemia desceu no Estado e se desdobrou em restrições para a economia que estão e vão continuar prejudicando a todos, mas especialmente os segmentos desprotegidos das goianas e dos goianos.

A FIEG, órgão maior do baronato industrial do Estado, teve a desfaçatez de anunciar com espalhafato a doação de 100 termômetros para os hospitais públicos. 100 termômetros! E ainda propagandeou uma campanha de arrecadação de alimentos, que não chegou a dois ou três mil quilos de produtos, para repasse a entidades filantrópicas, mercadoria que não completa a carga de um caminhãozinho como os que a CAOA monta em Anápolis – aliás em uma fábrica cujo terreno e edificação foi inteiramente doada pelos contribuintes goianos (detalhe que é significativo porque a empresa também não abriu os cofres para a generosidade com o próximo).

Há honrosas exceções, aqui e ali. Os três maiores grupos de comunicação estaduais – Jaime Câmara, Record e Serradouda – enviaram toneladas de cestas básicas para a OVG, o que merece elogios, mas tem peso insuficiente para desmentir a conclusão de que os mais ricos, em Goiás, são insensíveis, gananciosos e egoístas. Na live-aberração dos cantores sertanejos Eduardo Costa e Leonardo, assistida em alguns momentos por 4 milhões de pessoas, chamou a atenção o valor ridículo das doações, em dinheiro ou alimentos, arrecadadas: pouco mais de R$ 300 mil, apesar dos apelos que os dois destrambelhados faziam a cada minuto, tentando estimular a boa vontade do empresariado, inclusive seus patrocinadores, que ainda pagaram o mico de ver suas marcas associadas a um desatino. Não houve resposta. Ninguém de Goiás deu um centavo sequer. O pouco que entrou veio de outros Estados.

Coube a Rafa Kalimann o gesto que adquiriu grandeza e, ao mesmo tempo, desnudou o entorpecimento social dos grandes detentores do capital em Goiás. Ela não é milionária nem remediadamente abastada. Só que provou ser uma pessoa comprometida com o seu tempo e a busca de soluções para centenas de milhares de goianas e goianos que não usufruem da boa sorte da fortuna, muito mais que os capitães de indústria que tistemente habitam o nosso Estado. A ela,  a pequena Rafa Kalimann, leitoras e leitores, vamos parabenizar, elogiar, tirar o chapéu e reconhecer: eis aí um ser humano que nos faz ter orgulho da humanidade.

01 maio

Ajuda federal para combater o coronavírus é ridícula – e, no caso de Goiás, omissão dos nossos 3 senadores prejudica o Estado e mostra que não temos representantes à altura em Brasília

As leitoras e os leitores sabem que, confrontada com uma pergunta sobre o que fazem ou para que servem os três representantes de Goiás no Senado, 99,9% da população responderá dizendo que não sabe e não tem a menor noção. Na situação de emergência sanitária, social e econômica que se seguiu á chegada do novo coronavírus, pior ainda. Jorge Kajuru, Luiz do Carmo e Vanderlan Cardoso deveriam se preocupar com a falta de conhecimento das goianas e goianos sobre o seu trabalho e procurar prestar algum tipo de contas às eleitoras e aos eleitores que doaram a eles as cadeiras que ocupam na mais alta Câmara Legislativa, mas o xis da questão é que… os três também não sabem o que fazem lá.

O Senado Federal é o sonho de consumo de todos os políticos brasileiros e, no final das contas, uma láurea reservada a pouquíssimos. O que se ignora é que é o mandato popular de maior dificuldade para o seu exercício. Não é fácil ser senador e, pelo menos quanto a Goiás, a maioria dos que o foram passaram por lá em brancas nuvens, exatamente por não entender o sentido e a mecânica da delegação senatorial. São raríssimos os que deixaram algum legado – e entre as exceções estão Henrique Santillo, pelo seu lastro intelectual, e Ronaldo Caiado, face à sua enorme experiência como congressista, ambos coincidentemente com mandatos de apenas 4 anos, já que renunciaram na metade para disputar e ganhar o governo do Estado.

A tríade atual é uma das mais fracas da história. De Kajuru, não se pode exigir mais que o comedimento que assumiu de certo tempo para cá, conscientizando-se, finalmente, de que o palco que ganhou não é lugar para truanices e que, diante das responsabilidades que foram jogadas sobre as suas costas, não poderia se prestar ao papel de rei momo da política nacional. Aquietou-se e isso já está bom, por livrar Goiás momentaneamente do vexame das suas costumeiras patuscadas. O seguinte é Luiz Carlos do Carmo, provavelmente boa pessoa, mas sem condição nenhuma de ser mais que um vereador de interior que, de repente, ganha acidentalmente um assento no plenário parlamentar mais distinto do país, para o qual sequer foi eleito – culpa, em parte, de quem, Ronaldo Caiado, o escolheu para a uma suplência para a qual sequer tinha qualificação para assenhorear-se.

O último da trinca é o empresário Vanderlan Cardoso, que se imagina equivocadamente ser o mais preparado. Não é. Mede-se a capacidade e a excelência de um detentor de mandato legislativo pelos resultados que produz e pelo que significa no contexto da sociedade da qual é uma espécie de procurador. Essa é a única régua possível e, por ela, Vanderlan é tão ineficiente quanto Kajuru e Luiz do Carmo, mesmo porque todos carregam a mesma característica comum: são figuras individuais momentaneamente circulando pela política, sem a imprescindívelo organicidade que faz os grandes líderes da história. Nenhum rendeu nada de positivo até agora, a não ser bobagens como a destinação de emendas orçamentárias para entidades e municípios – como se fossem despachantes de luxo dos prefeitos na capital federal, estratégia, aliás, que liquidou o mandato da ex-senador Lúcia Vânia ao torná-lo irrelevante diante dos verdadeiros desafios e demandas do povo de Goiás.

A consequência disso tudo é que o Estado não tem defensores adequados em Brasília (vamos deixar para depois uma avaliação sobre o trabalho dos 17 deputados federais, que também é fraco). O Senado, nesses dias de pandemia, está decidindo sobre a ajuda federal aos governadores e prefeitos, crucial em tempos de queda de receita tributária, por um lado, e aumento das despesas com a Saúde, por outro. Até agora, o que se produziu é um projeto que prejudica Goiás, que, pelo texto a caminho de ser aprovado, sob o silêncio obsequioso de Kajuru, Carmo e Vanderlan, terá direito a uma ninharia, algo abaixo de R$ 1 bilhão, graças a critérios injustos que estão sendo impostos por senadores mais articulados a favor das suas regiões de origem (São Paulo, Minas e Rio ficarão com quase 40% dos recursos).

Menos dinheiro para combater a peste e manter os serviços públicos essenciais. Esse é o preço que as goianas e os goianos vão pagar pela fragilidade dos seus representantes no Senado e pela moleza com que eles exercem seus mandatos. Caiado está esperneando, mas, sozinho, provavelmente não vai chegar a lugar nenhum, apesar do seu peso político peculiar, muito maior que o da tróica senatorial goiana. Vamos perder e não será pouco.

24 abr

Investigação aberta pelo Supremo Tribunal Federal sobre manifestações antidemocráticas pode chegar a um deputado federal goiano e acabar em tragédia política

A investigação aberta pelo Supremo Tribunal Federal, atendendo a pedido da Procuradoria Geral da República, sobre as manifestações pela volta do regime militar e do AI-5, que culminaram com um discurso do presidente Jair Bolsonaro a uma multidão em frente ao QG do Exército em Brasília, subiu para a primeira ordem de grandeza entre as preocupações da classe política e ameaça com desdobramento imprevisíveis – que podem beirar ou configurar uma tragédia, pelo menos para os envolvidos ou os que estiveram por trás do movimento.

O inquérito do STF corre sob sigilo de Justiça. Há notícias sobre o comprometimento de deputados federais com as manifestações. Inicialmente, falou-se em três. Depois, em 11. Em, finalmente, o total subiu para 25, exatamente o número de parlamentares que assinou uma esperta nota de repúdio, ao lado do deputado federal Eduardo Bolsonaro, negando qualquer participação, mas defendendo os atos como expressão da liberdade de pensamento, assegurada pela Constituição.

Há um deputado federal goiano nesse balaio. É o major Vítor Hugo, que a falta de nexo da articulação política do bolsonarismo transformou em líder do governo na Câmara Federal, mesmo sem possuir condições intelectuais ou experiência parlamentar para a função, o que acabou o transformando em figura exótica e sem respeito ou importância dentro do Congresso. O major tem o hábito de macaquear tudo o que o presidente diz e faz. Da mesma forma, é submisso aos dois filhos de Bolsonaro que atuam em Brasília, o senador Flávio e o deputado Eduardo. Todos enrolados com a divulgação de fake news, em apuração por uma CPI, e suspeitos de incentivar, de uma forma ou de outra, talvez mais de outra (financiamento) as manifestações saudosistas, porém declaradamente ilegais. Não à toa, Vitor Hugo assinou a nota preventiva dos 25 deputados federais que claramente tentaram colocar uma vacina diante dos dissabores prenunciados no horizonte, o que também está sendo visto como uma espécie de antecipação de culpa.

Cassações de mandato ou mesmo um impeachment podem vir como consequência das investigações em curso na Suprema Corte. Seria o preço a ser cobrado pela irresponsabilidade e falta de rumo que tomou conta do poder central e o bando de despreparados, Major Vitor Hugo incluso, que o cerca. Brasília, tudo isso e mais ainda com a demissão do ministro Sérgio Moro, entrou em ebulição.

24 abr

MDB completará 40 anos com os mesmos candidatos – Iris e Maguito – se repetindo nas eleições mais importantes em Goiás (e a única renovação foi o filho de um deles, Daniel Vilela)

Desde que Iris Rezende se elegeu governador pela 1ª vez, em 1982, o MDB vem se alternando entre apenas dois nomes nas eleições para governador do Estado, o dele próprio e o de Maguito Vilela, com a exceção de Henrique Santillo, eleito em 1986, e a “renovação” dentro de um desses clãs representada por Daniel Vilela, filho de Maguito, na disputa de 2018.

É um caso raro em termos de Brasil e possivelmente o único, que agora estende a sua abrangência para as eleições para prefeito de Goiânia, que, neste ano, terão ou Iris ou Maguito mais uma vez representando o MDB, configurando assim uma das agremiações partidárias, em termos estaduais, mais fechadas de toda a história política do país.

O MDB, hoje, em Goiás, deixou de ser um partido para se transformar em um condomínio familiar. Na prática, é controlado com mão de ferro pelos dois Vilelas, que já mostraram do que são capazes ao expulsar prefeitos de expressão como Adib Elias, de Catalão, e Paulo do Vale, de Rio Verde, que não acompanharam Daniel Vilela na temerária candidatura a governador no pleito passado. Há anos e anos que não surge uma liderança nova ou sequer um arremedo disso nos quadros emedebistas. Com todos os canais de oxigenação bloqueadas, por um acordo tácito, que evita um confronto prejudicial aos dois lados, eles, Maguito e Daniel, não interferem com os interesses de Iris, que, se quiser, será o nome emedebista, mais uma vez, para a próxima eleição em Goiânia. Se não quiser, Maguito está pronto -e indisfarçavelmente ansioso – para ocupar o seu lugar. Fora isso, qualquer um que colocar a cabeça de fora em busca de espaço, dentro da sigla, é imediatamente degolado.

O outro nome para o que se instalou há décadas com o MDB estadual é coronelismo. A legenda tristemente virou um partido de coronéis – jovens e velhos.

23 abr

Falta de ética nas denúncias com base em provas e argumentos distorcidos deveria envergonhar deputados que tentam minar o trabalho de Caiado no enfrentamento ao coronavírus

Aproveitando que as redes sociais, como já disse o escrito Umberto Eco, são a oportunidade para que os tolos e os imbecis tenham voz, alguns deputados estaduais de oposição têm feito denúncias irresponsáveis, antiéticas e baseadas em provas e argumentos distorcidos contra o governo do Estado – mostrando um tipo de comportamento que deveria envergonhar quem o escolhe e assim renega o mandato obtido nas urnas para representar com seriedade e responsabilidade os seus eleitores.

É o caso de Major Araújo, Alysson Lima, Humberto Teófilo e Eduardo Prado, os quatro do submundo da política em Goiás. O primeiro, Major Araújo, inculpou a Secretaria estadual de Saúde por comprar máscaras descartáveis a preços superfaturados, com base em um reles anúncio de internet onde o produto era oferecido a custo baixo, porém sem disponibilidade de estoque. Alysson Lima é aquele que acusou o governador de vetar um projeto que proibia o corte de serviços de água, luz e telefone em Goiás, matéria ostensivamente inconstitucional e, de resto, já resolvida com um acordo de cavalheiros entre o governo do Estado e as concessionárias que oferecem esses serviços: ninguém, em Goiás, enquanto durar a pandemia, sofrerá qualquer tipo de interrupção no fornecimento, mesmo não pagando as faturas mensais. Mesmo assim, o Alysson Lima quis fazer média sugerindo que Caiado seria contra o alívio aos consumidores.

Voltando ao Major Araújo: segundo ele, em plena situação de calamidade sanitária, social e econômica, a Codego estaria comprando um carro de luxo, algo absolutamente incompatível com a condição de emergência que as goianas e os goianos estão vivendo. Sim, seria tudo isso… se fosse verdade. Major Araújo destacou no edital de compra, suposta prova da sua denúncia, apenas o trecho que se refere a uma pickup cabine dupla, nada mais, o que aparentaria um injustificável excesso da administração. Só que omitiu, por malandragem, e isso partindo de alguém que tem sobre os ombros o peso de ser oficial da PM, o que vinha a seguir, ou seja, a caracterização do veículo com escadas, caixas de ferramenta e outros instrumentos apropiados para os serviços de manutenção de equipamentos públicos nos distritos industriais onde está destinado a trabalhar.

Vamos aos dois últimos: os tenebrosos Humberto Teófilo e Eduardo Prado, inventores da oposição fisiológica na Assembleia, ou seja, aqueles parlamentares que defendiam o Executivo com unhas e dentes, mas mudaram-se para o lado contrário ao perder cargos e interesses que beneficiavam apaniguados e, pior ainda, parentes como o irmão de um e a mãe de outro. Ambos se valem de uma linguagem debochada para atacar o governador, absolutamente incompatível com a dignidade ou o decoro exigidos pelo mandato legislativo, um deles – Humberto Teófilo – também se prestando ao carnavalesco papel de circular com uma espiga de milho de isopor para tristemente  reclamar dos seus interesses não atendidos.

Goiás não merece esse tipo de oposição. Sim, temos que admitir que o oposicionismo sempre inclui algum tipo de leviandade e, mais ainda, é irrecorrivelmente necessário em todo e qualquer sistema político, funcionando como freio e contrapeso para o poder. Mas são precisos ideias, que os quatro não têm, não o que malucamente – o adjetivo é esse mesmo – fazem, em última análise desmoralizando a classe política que eles mesmo integram.

23 abr

Relaxamento da quarentena, que não foi o objetivo do novo decreto de Caiado, pode elevar casos e mortes por coronavírus em Goiás e comprometer todo o trabalho de prevenção feito até agora

O isolamento social, que, segundo cientistas do mundo inteiro, é o principal caminho para conter a propagação mortal do novo coronavírus, não é mais o mesmo em Goiás. Depois do último decreto do governador Ronaldo Caiado, que flexibilizou a quarentena sem flexibilizar, isto é, manteve a maioria das atividades econômicas suspensas – transferindo para prefeitos e para a própria população a responsabilidade de voltar ou não a encher as ruas de gente, o que se vê é o que está na 1ª página de O Popular nesta quinta, 23 de abril, em uma foto em tamanho gigante: irresponsavelmente, pelo Estado afora, prefeitos estão liberando não só o comércio, mas setores de alto risco, como academias e até mesmo shoppings centers, na prática permitindo livremente todas e quaisquer aglomerações.

Mas o momento ideal ainda não havia chegado. O sistema público de Saúde avançou muito, em Goiânia e nos municípios, mas não está plenamente preparado para uma explosão de pacientes. Aparecida e Trindade, por exemplo, que são cidades superpovoadas, já voltaram à vida como era antes da chegada da pandemia, por decisão de Gustavo Mendanha e Jânio Darrot. É uma loucura. Inconscientes, seus moradores e empresários correram para reiniciar o seu cotidiano, o que, podem anotar, leitoras e leitores, vai cobrar um preço alto em vidas – e não vai demorar.

Uma matéria de O Popular, há poucos dias, uma das raras a ter alguma serventia na atual crise sanitária, mostrou com dados concretos que as restrições à circulação de pessoas deveriam ser mantidas por mais algum tempo, por medida de segurança contra a Covid-19. Goiás, até agora, vinha se destacando como um dos Estados com maior controle e menor incidência da nova doença. Até agora. Caiado, reconheça-se, lutou como um leão para esticar ao máximo o necessário distanciamento entre todos, neste momento de calamidade sanitária. Colheu desgastes, mas bem menores que o que de positivo incorporou à sua biografia como médico e político que pensa realmente no bem estar da coletividade. Mas não tinha mais como manter a quarentena, pelo menos a radical que seria indispensável, e corretamente transferiu – ou compartilhou – a obrigação não só para os prefeitos, como também para cada goiana e cada goiano, em geral.

Infelizmente, o que está sendo feito com o que seria um dever e um encargo vai nos custar caro.

21 abr

Com raríssimas exceções, elite econômica de Goiás está de costas viradas para os segmentos da população que necessitam de ajuda e não é capaz de abrir os cofres para a solidariedade

A elite econômica de Goiás é uma das piores do Brasil. Enquanto em outros Estados registram-se exemplos de doações que realmente representam um reforço para o enfrentamento do coronavírus, especialmente no que diz respeito a amparar os segmentos mais desassistidos da população, o que se tem estadualmente são números que deveriam envergonhar o grande empresariado, os agropecuaristas de maior porte e, enfim, os donos da maioria fatia do PIB goiano.

Não há nada de impactante produzido até agora pelo que poderia ser chamado de inexistente generosidade dos supercapitalistas que ganham dinheiro em Goiás, quase todos beneficiados, nas últimas décadas, por drásticas reduções dos impostos que deveriam recolher aos cofres do governo do Estado por conta da farra dos incentivos fiscais – que foi desnudada pelo relatório de uma CPI da Assembleia Legislativa encerrada há pouco. A cada ano – e foram muitos – entre R$ 8 e 12 bilhões em recursos públicos ficaram retidos no caixa de 534 grandes empresas instaladas em território goiano, uma conta que o Ministério Público Estadual estimou de maneira conservadora em R$ 250 bilhões de reais.

Nem uma ínfima parte disso está sendo agora devolvida para as faixas desabastadas da população, em um momento de premência. A FIEG, que representa a nata desses milionários e até bilionários, tem feito alarde para propagandear a ridícula doação de 1.500 quilos de alimentos a instituições de caridade. Isso, leitora e leitor, é o mesmo que nada. Não é nem a gota que Madre Teresa de Calcutá disse que tornaria o oceano maior. Na verdade, está claro que não passa de uma demonstração de egoísmo e insensibilidade, em um momento em que a humanidade – e a sua parcela fixada em Goiás – enfrenta uma tragédia jamais vista antes.

Como está dito no título desta nota, há exceções, infelizmente raríssimas. Empresas gigantes de comunicação, como o Grupo Jaime Câmara, a TV Serradourada e a Rede Record, enviaram caminhões com toneladas de cestas básicas para a OVG repassar aos pobres. O setor usineiro está ajudando continuamente com álcool em gel grátis para os hospitais públicos e prefeituras. Laticínios já doaram mais de 200 mil litros de leite ou mais. O Grupo Novo Mundo deu 500 colchões para as unidades estaduais e municipais de Saúde. E mais alguns, como os R$ 500 mil em dinheiro doados por uma indústria dirigida por Sandro Scodro, filho do presidente da FIEG Sandro Mabel. Só que, no final das contas, somando-se tudo, é coisa para ser relacionada em uma folha de papel. Infelizmente, uma ninharia perto do que a situação de emergência sanitária, social e econômica está a exigir.

Grande empresário, em Goiás, acha que faz o favor de gerar empregos e que isso é suficiente, esquecendo-se de que está apenas aparelhando a sua produção. Recusa-se a se responsabilizar pelos custos do jardim público à frente do seu negócio. E não abre mão do dinheiro público, sob o disfarce já desmascarado dos incentivos fiscais. É o que temos, amigas e amigos. A elite econômica estadual é uma lástima e está se comportando pior do que nunca diante da crise do coronavírus.