Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt e convidados sobre política, cultura e economia

22 mar

Candidatura de Daniel Vilela a presidente nacional do MDB tem viabilidade, mas é jogada de alto risco para o filho de Maguito: mais uma derrota e estará colada nele a etiqueta de perdedor

A candidatura do ex-deputado federal e atual presidente do diretório estadual do MDB Daniel Vilela a presidente nacional do partido é viável, quer dizer, não representa um passo maior que as suas pernas e pode, sim, vir a ser bem sucedida, mas também embute um risco terrível, o de, mais uma vez derrotado, colocar no jovem filho de Maguito a pecha de perdedor.

 

Daniel foi um bom deputado federal, ocupou comissões e relatorias de importância na Câmara, tornou-se conhecido em Brasília e, de resto, tem o pai como principal cabo eleitoral, com o seu indiscutível bom trânsito na cúpula nacional emedebista. Maguito, aliás, também  já disputou – e fracassou – a presidência nacional da agremiação. Para o MDB, hoje cansado de guerra e em processo de esvaziamento, sem espaços expressivos no Congresso ou no poder federal, o postulante de Goiás oferece a vantagem de uma cara nova e razoável injeção de sangue fresco para uma possível (e difícil) revitalização política.

 

É um passo ousado, mais que a candidatura a governador, na eleição passada, quando Daniel realizou a façanha de superar o candidato do governo, Zé Eliton, e se classificar em 2º lugar, embora com um número de votos muito pequeno e à distância enorme de Ronaldo Caiado, que venceu com 60% dos votos no 1º turno. Mas… pode dar certo.

22 mar

Duas tolices que atrapalham governos, inclusive o de Caiado: 1) perder tempo com agendas secundárias, tipo inaugurar quadra esportiva, e 2) perseguir quimeras como, por exemplo, VLT em Goiânia

Na ânsia de mostrar serviço e conquistar a aprovação dos governados, toda administração acaba perdendo tempo com agendas sem a menor importância e também desfraldando bandeiras que não passam de quimeras e jamais se tornarão realidade. No caso de Ronaldo Caiado, é notória a sua predileção por compromissos irrelevantes, como, por exemplo, a inauguração de uma cobertura de quadra esportiva ou a solenidade em que, ao lado do secretário de Segurança Rodnei Miranda, comemorou a suposta queda dos índices de crimes violentos no último carnaval. Atividades periféricas como essas têm engrossado a rotina do governador e consumido grande parte do precioso tempo que deveria dedicar à solução dos desafios mais urgentes do Estado, que nem é preciso enumerar aqui.

 

Caiado também atravessa a rua para pisar em cascas de banana plantadas na calçada do outro lado. Nesta semana, foi a São Paulo discutir com empresários chineses a implantação de uma rota de VLT – Veículo Leve sobre Trilhos em Goiânia, ilusão que os governos do Tempo Novo perseguiram inutilmente durante nos últimos 20 anos, sem chegar a nada de concreto, a não ser um enorme dissipação de dinheiro com funcionários, instalações, projetos, viagens e outros desperdícios. Goiânia não está amadurecida para projetos de transporte coletivo como o VLT: a população da cidade representa um mercado de baixo potencial, ou seja, não alcança nem os 3 milhões de habitantes de uma capital como Salvador, onde, sim, um sistema parecido está sendo implantado. Uma prova da inviabilidade econômica de Goiânia é o fiasco financeiro do Eixo Anhanguera: se dependesse das tarifas cobradas para sobreviver, já teria sido fechado há anos. Como é que se implantaria na mesma linha um corredor de VLT, que custa muito mais caro?

 

Nem empresários chineses nem de nacionalidade nenhuma jamais virão para investir seu dinheiro em empreendimentos que não têm garantia de retorno. Isso é básico no capitalismo. Ora, direis, no passado a Odebrecht se interessou em entrar no negócio do VLT em Goiânia. É verdade. Mas nada aconteceu. A Odebrecht queria apenas mais uma mamata, das tantas que em que se envolveu pelo Brasil e mundo afora. Como os cofres do governo goiano estavam vazios, a empreiteira tratou de pular fora.

 

Dá um frio na barriga ver Caiado repetindo, inocentemente, os delírios dos governantes de antanho atrás de holofotes para causar impacto junto à sociedade. Justiça se faça a Iris Rezende, um gestor público que nunca gastou e não gasta o seu tempo com devaneios e obras que só existirão no mundo da ficção. O velho cacique emedebista e seu estilo administrativo realista é um belo exemplo a ser seguido. Está faltando a consciência a Caiado de que foi eleito para fazer uma mudança radical na administração estadual, não para brincar com as expectativas dos goianos.

21 mar

Prisão de Temer mostra que a Operação Lava Jato, apesar de todos os percalços, está viva e cheia de energia para caçar quem desviou dinheiro público, inclusive em Goiás

Quando se imaginava que a Operação Lava Jato estava em baixa, depois que o Supremo Tribunal Federal desavergonhadamente transferiu para a Justiça Eleitoral as investigações sobre desvios de recursos públicos que envolvem caixa 2 para campanhas, a prisão do ex-presidente Michel Temer na manhã desta quinta-feira reacendeu o ânimo da caça aos corruptos da política brasileira, inclusive em Goiás.

 

O principal enrolado na Lava Jato, aqui, é o ex-governador Marconi Perillo. Em segundo lugar, por ordem de grandeza, vem o ex-presidente da Agetop, o notório Jayme Rincón. Eles são alvos de dois inquéritos criminais no âmbito da operação capitaneada pelos procuradores federais de Curitiba, acusados de receber propinas da Odebrecht supostamente para uso eleitoral. Por isso, advogados dos dois comemoraram a decisão do STF, certos de que a Justiça Eleitoral não tem capacidade para qualquer tipo de apuração penal e que, ali, seria mais fácil achar uma escapatória.

 

Ledo engano. A Lava Jato tem provas de que Jayme Rincón usou parte do dinheiro recebido da Odebrecht para comprar um carro de luxo para o seu filho, que, aliás, também chegou a ser preso. E para outras despesas que, como essa, nada têm a ver com caixa 2, porém são claramente caracterizadas como vantagem pessoal e, portanto, consolidam uma situação de crimes comuns. Marconi compartilha espaço no mesmo balaio, já que foi rastreada a transferência de recursos escusos para empresas de grande porte que atuam em Goiás, que em seguida repassaram os valores, travestidos de doações eleitorais, para o ex-governador. É isso que está sendo apurado em detalhes e que pode levar a uma nova decretação de prisão tanto para Rincón quanto para o ex-governador tucano, a exemplo do que aconteceu com Beto Richa, no Paraná.

21 mar

Piada e deboche com os deputados da CPI: ex-diretor da Celg, que foi mantido pela Enel, diz em depoimento que fornecimento de energia elétrica em Goiás é o quarto que mais apresenta melhoras no país

Comprovando o entendimento deste blog de que os deputados que integram a CPI da Assembleia Legislativa sobre a privatização da Celg e as vantagens descabeladas oferecidas à sua nova proprietária, a Enel, um dos diretores da empresa (que foli também anos a fio diretor da Celg), Humberto Eustáquio, apareceu para depor na manhã desta quinta-feira e disse aos membros da comissão que o fornecimento de energia elétrica em Goiás é o quarto que mais apresenta avanços no país.

 

É uma piada. Ou deboche com os parlamentares que integram a CPI, que possuem graduação zero em matéria de conhecimento sobre o objeto que estão investigando sem sequer contratar algum tipo de assessoramento para ajudar a encaminhar o trabalho que deveriam, mas não estão fazendo. Na semana passada, a Agência Nacional de Energia Elétrica divulgou uma avaliação em que a Enel, mais uma vez, aparece em último lugar quanto a qualidade dos serviços que presta. Isso mesmo: a companhia que abiscoitou a Celg em condições que precisam, sim, ser esclarecidas, é hoje a pior distribuidora de energia elétrica do país, com índices piorados em relação ao ano passado, quando também ficou na mesma posição.

 

O que os deputados estaduais que integram a CPI da Celg-Enel precisam é ter humildade para saber que estão pisando em terreno que desconhecem. É isso que dá asas para que alguém se apresente para depor e repita os absurdos que Humberto Eustáquio desfiou, na certeza de que não seria contraditado, como não foi.

 

Em tempo: apesar do depoimento de Humberto Eustáquio ter sido dado entre 9 e 11h30min da manhã, até agora, 12h30min, ainda não foi publicada uma palavra a respeito na parte noticiosa do site da Assembleia Legislativa. O Popular cobriu a reunião e postou a sua cobertura, no site do jornal, ao meio dia, em matéria da repórter Fabiana Pulcineli. A equipe que mantém o portal da Assembleia na internet tem mais de 30 jornalistas. 

21 mar

Privatizações de Caiado, começando pelos abacaxis da Metrobus, Iquego e rodovias, correm o risco de não atrair interessados e ainda comprometer a credibilidade do governo de Goiás

Desde a sua posse que o governador Ronaldo Caiado sinaliza que pode lançar um processo de alienação de ativos estaduais, muito embora não tenha dado ainda nenhum passo concreto nesse sentido, mas sugerindo em declarações esparsas que podem ser vendidas a Metrobus e a Iquego, além de distribuir rodovias através de outorga para a iniciativa privada. Há aí, embutida, uma estratégia que visa agradar a equipe econômica do governo federal, que, se fizer algum dia alguma concessão em termos de socorro financeiro a Goiás, exigirá em troca algum tipo de programa de privatizações.

 

Se vai funcionar ou não, depende. O governo Caiado é naturalmente lento em seu método de decisões, consequência da formação parlamentar do seu chefe maior e do seu centralismo imperial, que amarra a equipe de auxiliares, além do mais até hoje buscando aproximação com a realidade do Estado, já que a maioria veio de fora e nunca antes tinha colocado os pés em território goiano. O gosto do governador por consultorias e pela formação de comissões, comitês e grupos de trabalho para assessorar o Palácio das Esmeraldas nas áreas mais sensíveis também ajuda a retardar o relógio da administração instalada desde 1º de janeiro.

 

O que mais pesa negativamente, no entanto, são os alvos que Caiado vem prognosticando para as primeiras privatizações da sua gestão. Duas estatais, a Metrobus e a Iquego, estão no topo da lista, que traz em seguida seis rodovias estaduais duplicadas, cuja concessão está autorizada em lei assinada em 2018 pelo então governador Marconi Perillo (devidamente aprovada pela Assembleia). São, na verdade, três abacaxis. A Metrobus só consegue rodar no eixo Anhanguera porque recebe subsídios para cobrir a defasagem da sua tarifa, caso contrário já teria falido. A Iquego é um amontoado de máquinas velhas, sem deter hoje um único registro para fabricar medicamentos e só dispondo como atrativo de um prédio de 15 mil metros quadrados, na saída para Trindade, mais nada. Lixo puro, que não pode ser levado a sério como ponto de partida para um programa de venda de ativos capaz de aparentar um mínimo de credibilidade.

 

Sobram as tais rodovias duplicadas. São seis: GO- 010, até o entroncamento da GO-330; GO-020/330, até Catalão; GO-060, até Piranhas; GO-070, até a cidade de Goiás; GO-080, até o entroncamento da BR-153 (cuja duplicação está em execução); e GO- 213, até Morrinhos e Caldas Novas. Algumas, como a que vai até Catalão, apresentam trechos danificados, quase intransitáveis. Todas, sem exceção, demandam investimentos elevados para alcançar uma situação em que despertem algum interesse, a menos que sejam repassadas de graça e ainda com incentivos financeiros.

 

Se esse for o roteiro inicial das privatizações do governo Caiado, podem escrever, leitora e leitor, o cheiro de fracasso é insuportável.

20 mar

Só dois deputados – Amauri Ribeiro e Humberto Teófilo – fazem a defesa do governo Caiado (e fraca). Nem o líder Bruno Peixoto se mexe. É prenúncio de problemas quando houver matérias importantes

Sessões da Assembleia Legislativa, mesmo transmitidas ao vivo pela TV Assembleia (mais um ralo para o desperdício do dinheiro público, já que ninguém assiste), geralmente não atraem qualquer interesse e somente em raras ocasiões, quando O Popular publica alguma coisa sobre o que aconteceu em plenário, provocam alguma repercussão. Fora daí, em matéria de repercussão, é igual a zero. Mas, por outro lado, trata-se de um espaço cuja utilização serve para que se avalie a força da situação e da oposição. E, por esse ângulo, o governo de Ronaldo Caiado está mal no plenário da Assembleia, onde é fustigado a cada sessão sem que quase nenhum deputado se interesse em fazer a sua defesa.

 

Apenas dois parlamentares – Amauri Ribeiro e Delegado Humberto Teófilo – se atrevem a rebater críticas e a falar em favor do Palácio das Esmeraldas. Infelizmente, são dois neófitos, sem experiência legislativa e sem muita capacidade de expressão. São políticos que carregam uma certa dose de exotismo, ou seja, permitem-se a extravagâncias que acabam comprometendo o que dizem – e o que dizem não o dizem com muita clareza.

 

Tudo bem que Caiado não ser defendido nos debates da Assembleia tenha pouca ou nenhuma importância. Rotineiramente, os deputados que vão à tribuna produzem horas e horas de gravações e transcrições taquigráficas, das quais pouco se aproveita, fora a anotação nos “anais” do Poder Legislativo, que não tem utilidade nem mesmo como registro para posterior verificação dos historiadores. Seria cruel definir esse material como lixo. Mas, creiam leitora e leitor, passa perto disso.

 

Pelo sim, pelo não, bater no governo Caiado tem sido o esporte predileto de seis ou sete deputados oposicionistas nas tardes de terça, quarta e quinta, dias das sessões legislativas ordinárias. É uma festa. O líder do governo Bruno Peixoto não se incomoda. Aliás, dá sinais de que está amofinado no cargo e ansioso para pular fora. Ele é um gentleman que não abandona jamais um nível alto de verbalização quando vai até a tribuna ou pede apartes. O problema é que um governo, qualquer um, só pode ser sustentado em debates parlamentares mediante uma bem calibrada agressividade oral ou um denso conteúdo qualitativo. É assim que se espanta a oposição. Amauri Ribeiro ou Delegado Humberto Teófilo não têm nem um nem outro. Caberia a eles o pedido que Jesus fez ao Pai, quando crucificado na cruz: “Perdoai-os porque eles não sabem o que fazem”.

 

A orfandade de Caiado no plenário da Assembleia pode, na verdade, ser a antecipação dos obstáculos que ele vai enfrentar quando submeter alguma matéria de importância à aprovação dos nobres deputados estaduais.

20 mar

Trocar Marconi e Lúcia Vânia por Kajuru e Vanderlan parece ter sido um bom negócio para Goiás ou, no mínimo, garantiu uma renovação salutar na representação de Goiás no Senado

Aos poucos, os novos senadores por Goiás Jorge Kajuru e Vanderlan Cardoso vão se afirmando no palco da política nacional, abrindo espaços que antes, quando, digamos assim, a representação dos goianos na mais alta câmara legislativa do país era pautada por políticos convencionais, como Marconi Perillo e Lúcia Vânia – os dois candidatos derrotados por Kajuru e Vanderlan – simplesmente não existiam.

 

Pela sua formação como empresário, Vanderlan talvez seja o parlamentar mais preparado do Estado para discutir a situação econômica do Estado e formular propostas para avançar no seu desenvolvimento. Ele conhece a fundo o desafio da atração de investimentos e geração de emprego, é crítico da política desenfreada de incentivos fiscais que drena a arrecadação de ICMS e tem uma visão de longo prazo sobre o que precisa ser feito para melhorar a infraestrutura estadual. Como não é político tradicional, dentro do rigor da definição, tem muito mais credibilidade que qualquer outro para atuar em Brasília defendendo os interesses de Goiás, globalmente, e não priorizando seus interesses pessoais, o que seria o caso de Marconi (condicionado pela necessidade de escapar ao cerco judicial de que é alvo), ou exercendo o seu mandato como vereador de alto nível, levando pontes, tratores e ambulâncias para os municípios, como Lúcia Vânia.

 

Kajuru é completamente diferente. Deve-se admitir que, como senador, tornou-se uma grata surpresa. Claramente, o seu potencial estava abafado enquanto preso no aquário da Câmara de Vereadores de Goiânia. Explodiu, positivamente, ao cair na oceânica imensidão oferecida pela amplitude institucional do Senado, onde ganhou espaço para revelar o seu potencial. Ele é um parlamentar diferenciado: sua notável capacidade de expressão recebe amplo espaço na mídia – com respeito e credibilidade. Goiás, com Kajuru, ganhou uma visibilidade inesperada, a exemplo da repercussão das suas declarações sobre o polêmico ministro do STF Gilmar Mendes e suas estrepolias jurídicas e financeiras – faça-se uma pesquisa e se verá que com a concordância da maioria dos brasileiros. Isso é muito bom.

 

Quando começou a campanha do ano passado, a eleição era de Marconi Perillo e Lúcia Vânia. E os dois tanto acreditaram nisso que seus discursos era de pré-agradecimento aos goianos pela vitória antecipada. No final das contas, ganharam Vanderlan por encarnar uma forte renovação e Kajuru como um grito de protesto contra os escândalos que mancharam a reputação de Goiás – ambos inicialmente como tiros no escuro que, agora, se mostram cada vez mais acertados.

19 mar

Socorro financeiro que Caiado espera de Brasília, no final das contas, não vai passar de empréstimo que aumentará a dívida do Estado e será ruim para a imagem que o seu governo deixará para a história

O socorro financeiro que o governador Ronaldo Caiado esmola junto ao governo federal e à espera do atual praticamente paralisou a sua administração, provavelmente não vai sair, mas, se isso vier a acontecer um dia, não passará de um empréstimo do BNDES ou de um aval junto a instituições bancárias privadas, o que, no final das contas, aumentará a dívida do Estado sem retorno direto para o desenvolvimento da economia estadual.

 

Não existem nem forma nem possibilidade alguma para transferência direta de recursos do governo federal para Goiás, sem vinculação específica. Não há como, nem sequer previsão em qualquer tipo de lei, que também não pode ser criada em razão de vedações constitucionais. Se alguma ajuda genérica puder ser dada aos Estados e especialmente a Caiado, ela se configurará em alguma modalidade de financiamento que terá como consequência o aumento da dívida institucional do governo goiano, jogando a atual gestão na vala comum das administrações do passado, responsáveis por alcançar os mais de R$ 20 bilhões que Goiás deve atualmente. E mais: serão os governadores do futuro quem receberão essa herança e serão obrigados ao seu pagamento.

 

Como esse empréstimo deverá ser dimensionado de acordo com o tamanho do rombo do caixa estadual, ele irá basicamente para cobrir despesas correntes, inclusive a folha de pagamento. Não vai sobrar muito para investimentos. Será um dinheiro estéril, sobre o qual serão lançados juros e outros encargos, mas que não terá repercussão na vida das cidadãs e cidadãos. Um desastre, que hoje poderia ser justificado, mas que daqui a anos será cobrado de Caiado como um erro e como a sua contribuição nefasta para deixar o Estado ainda mais encalacrado financeiramente. Mal comparando, será para ele o que a dilapidação da usina de Cachoeira Dourada significa para Maguito Vilela e a Celg para Marconi Perillo.

 

Ao longo da história recente de Goiás, Alcides Rodrigues foi o único governador que não contraiu empréstimos e deixou, ao encerrar o seu mandato, uma dívida menor que a encontrada quando assumiu. É um feito e tanto, pelo qual ele nunca recebeu o merecido reconhecimento. Empréstimos não são solução e, no caso de Caiado, vão encobrir a sua falta de vontade política para cortar no osso e realmente fazer a reforma que o Estado reclama, privatizando, liquidando, passando para a iniciativa privada ou fechando estatais e demais ralos por onde escorrem os preciosos recursos do povo goiano.

18 mar

Insistência de Caiado em forçar um socorro financeiro a Goiás esbarra no desinteresse do governo federal: ajudar Estados em supostas dificuldades não é prioridade da agenda nacional

Há uma sensação no ar, em Goiás e em Brasília: começa a cansar a insistência do governador Ronaldo Caiado em forçar algum tipo de socorro financeiro ao Estado, em um momento em que a agenda nacional tem outras prioridades – e, aliás, da maior relevância: a reforma da previdência, o pacote anticrime do ministro Sérgio Moro, a emenda de desvinculação orçamentária do ministro da Economia Paulo Guedes e até mesmo a pauta conservadora do presidente Jair Bolsonaro na área de costumes.

 

Esses temas congestionam o tráfego dentro do Congresso Nacional e monopolizam as atenções dos ministros, especialmente os da área econômica, entre os quais, provavelmente, deve causar má impressão ver um dos governadores mais reconhecidos do país falando dia e noite em calamidade financeira e hipotéticos pacotes de apoio pecuniário aos Estados. Vejam bem, leitora e leitor: Estados, no plural, e não Estado, no singular. Isso porque o governo federal tem as mãos atadas quando se trata de dar ajuda a um único Estado. Não é assim que funciona. Ou vale para todos ou não sai nada para ninguém. E aí as coisas se complicam. A tradição dos Estados brasileiros é de lambança fiscal e poucos escapam a esse fadário. Goiás não é um deles.

 

Caiado é o único dos governadores brasileiros com discurso cotidiano de Estado quebrado e rombo de caixa. Há Estados em situação muito, mas muito pior, como Rio Grande do Sul e Minas Gerais, que devem ter acesso, logo, logo, ao Regime de Recuperação Fiscal e ao amparo do governo federal. Deles para Goiás, vai uma distância imensa. E, de resto, há governadores que apoiaram Bolsonaro quando ele ainda era uma aposta incerta, ao contrário de Caiado, que só entrou na campanha do capitão no 2º turno e mesmo assim depois que as primeiras pesquisas trouxeram o seu nome 20 pontos à frente de Fernando Haddad, do PT. Digamos assim: politicamente falando, Bolsonaro não tem nenhum motivo para privilegiar Caiado, que aliás tem se esforçado para mostrar fidelidade, como a pressão que tem feito, inutilmente, para que o DEM nacional declare apoio incondicional ao presidente. E ainda há um ponto sensível a prejudicar as relações com Brasília: o governador goiano estimula a circulação do seu nome como alternativa para a sucessão presidencial de 2022, quando, quem sabe, se vier mesmo a ser candidato, estaria enfrentando o próprio Bolsonaro.

 

Ao contrário do esperado, vencer a eleição e assumir o governo goiano não engrandeceu Caiado como esperado. Ele ainda continua como um parlamentar muito maior do que o gestor executivo em que se transformou.

18 mar

Mabel manda mensagem ao blog sobre as palavras “judiar” e “judiação”, diz que não teve intenção de ser preconceituoso e que vai evitá-las de agora em diante

Este blog recebeu do ex-deputado e presidente da Federação das Indústrias de Goiás Sandro Mabel uma mensagem sobre o alerta aqui publicado quanto ao uso dos vocábulos “judiar” e “judiação” repetidas vezes na entrevista que ele concedeu a O Popular e postada em vídeo no site do jornal. Confiram:

“Caro JLB, esta sua observação não cabe em minhas colocações, que passaram longe do sentido antissemita da palavra. ‘Judiação’ é um termo que 80% dos brasileiros usam para expressar uma série de sentimentos de pena. Se alguém olhar nos dicionários contemporâneos, esta palavra recebe inúmeros significados, porém quase nenhum da forma como o blog quis sugerir. Mas é sempre um aprendizado, embora tenha usado a palavra sem a relacionar com a maldosa associação que o blog passou. De qualquer modo, estou sempre à disposição e por favor não deixe de publicar minha resposta. Em todo caso, como o uso da palavra judiação o incomodou, possivelmente deve ter incomodado outras pessoas e assim evitarei usá-la mais vezes, apesar de desde criança usar o termo sem nenhum, nenhum mesmo preconceito. Sandro Mabel”.

18 mar

Críticas, inclusive dos próprios deputados, às CPIs da Celg-Enel e dos Incentivos Fiscais estão erradas: elas só prejudicarão os investimentos em Goiás se forem conduzidas com irresponsabilidade

Uma chuva de críticas está desabando sobre a Assembleia Legislativa, por conta da instalação de duas CPIs que carregam um certo tom de polêmica: a que vai investigar a privatização da Celg e as vantagens oferecidas à Enel, por um lado, e por outro a que se propõe a uma devassa na política dos incentivos fiscais em Goiás nos últimos 20 anos. Até mesmo entre os próprios deputados estaduais há quem reprove ambas as comissões, como, por exemplo, a deputada Leda Borges, do PSDB, que engrossou as reclamações dos empresários de que está sendo criado um clima de insegurança jurídica que prejudica – “podem freiar”, disse a deputada – a atração de investimentos para o território goiano.

 

Mas não é bem assim. CPIs são um instrumento legítimo do Poder Legislativo e a sua simples existência, seja qual for o assunto em averiguação, não implica na existência de irregularidades ou na necessidade de mudanças ou punições. Isso pode até acontecer, mas apenas no final das apurações, que costumam ser demoradas – uma CPI da Assembleia de Mato Grosso para investigar os benefícios fiscais de lá durou dois anos e mesmo assim não chegou a conclusões claras.

 

O que prejudicaria investimentos e afastaria empresas de Goiás seria a condução equivocada dessas CPIs, com os seus integrantes atuando com irresponsabilidade ou aproveitando o palco para correr atrás da luz dos holofotes. Uma demonstração de incompetência nas investigações também seria muito negativa, risco que é grande, já que os membros das duas comissões são completamente despreparados para entender e examinar a fundo temas complexos como a privatização de uma das maiores empresas do país, a Celg, ou a farta distribuição de isenções de ICMS, com base em uma barafunda de leis, decretos, portarias, atos normativos e outros diplomas legais de maior ou menor importância, de difícil compreensão.

 

Nenhum dos objetos das duas CPIs – o caso Celg-Enel e a política de incentivos fiscais – são, digamos assim, para amadores. E é verdade que pode haver reflexos na imagem do Estado se houver uso político ou leviandade nno andamento das trabalhos. Tudo sendo feito com seriedade, com base em documentos e fatos incontestáveis, não há o que temer.

18 mar

Nomeação de parentes, desnecessária e em choque com o seu perfil ético e moral, expôe Caiado na mídia nacional, apontado como governador eleito prometendo mudança, que não cumpriu

Ia acontecer, mais cedo ou mais tarde: a imprensa nacional, no último fim de semana, relacionou o governador Ronaldo Caiado em uma lista de políticos que foram eleitos prometendo mudança, mas, no poder, repetem velhas práticas – como, por exemplo, a nomeação de parentes. A Folha de S. Paulo, mais importante e influente jornal do país, incluiu Caiado numa relação de governadores que privilegiaram parentes para participar da administração, em cargos de destaque. Nominalmente, a Folha citou os dois primos que foram nomeados para a presidência e uma diretoria da Goinfra, ex-Agetop, Ênio e Aderbal Caiado.

 

Como alguém que parece acreditar que as suas palavras têm um poder mágico de convencimento, Caiado foi ouvido na reportagem e saiu com a mesma e já conhecida conversa de sempre: os dois teriam sido escolhidos não pelo parentesco, mas pela comprovada competência. Ocorre que nem nem outro tem qualquer experiência com obras públicas. Se têm alguma aptidão na área, ninguém as conhece. Jamais seriam nomeados, não resta dúvidas, se não compartilhassem o mesmo sangue do governador.

 

Para piorar o que já foi ruim, o Jornal Opção publicou uma objeção à matéria da Folha de S. Paulo: não seriam dois, mas mais de uma dezena os Caiados que receberam cargos governamentais na atual gestão. E apresentou os nomes: “O número de familiares de Caiado no governo de Goiás é bem maior. O governador também nomeou seu primo Jorge Luiz Ramos Caiado Júnior para o gabinete da Casa Civil. Já o primo em segundo grau, Ernesto Roller, ficou com o cargo de secretário de Governo. O atual secretário de Desenvolvimento Econômico, Adriano Rocha Lima, também é primo em segundo grau do governador. Outros nomes ligados a Ronaldo Caiado, em cargos do governo, são o do supervisor da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Ubirajara Ramos Caiado Neto; do assessor técnico da Secretaria de Estado de Governo, Luiz Claudio Ponce Caiado; gerente especial da Secretaria de Desenvolvimento Social, Juliana Ramos Caiado; diretora-geral da Organização das Voluntárias de Goiás, Adryanna Melo Caiado; superintendente de Reintegração Social e Cidadania, Leoni di Ramos Caiado Neto; e o integrante do conselho da Secretaria de Economia, Paulo Henrique Caiado Canedo”.

 

Há outros, inclusive na Assembleia, sugerindo a prática de nepotismo cruzado. Tudo absolutamente desnecessário e em choque com o perfil ético e moral de Caiado.

16 mar

Com os desgastes prematuros que acometem o governo Caiado, Zé Eliton tem mais chances que Marconi de voltar a um lugar de destaque na política, mesmo porque não enfrenta adversidades judiciais

O ex-governador tampão Zé Eliton não pode ser dado como carta fora do baralho da política estadual e tem muito mais chances que o também ex Marconi Perillo de voltar ao jogo, aproveitando o espaço que está se abrindo com os desgastes prematuros que acometem o governador Ronaldo Caiado em suas semanas iniciais de mandato.

 

Em sete anos e meio como vice e mais nove meses como governador, com a candidatura à sua própria sucessão, é incontroverso que Zé Eliton adquiriu um forte recall eleitoral e se transformou em nome conhecido em todos os cantos do Estado. Trata-se de um capital político que não pode ser ignorado e que ele não deveria abandonar – o que pode fazer, já que vem dizendo que considera ter cumprido a sua missão como homem público e que a partir de agora irá se dedicar exclusivamente ao seu escritório de advocacia.

 

Zé pode ressurgir, por exemplo, como candidato a prefeito de Goiânia. Uma pesquisa publicada pelo jornalista Divino Olávio, em sua coluna no jornal Diário Central, traz o ex-vice e ex-governador temporário em segundo lugar, atrás apenas do senador Jorge Kajuru. Com a sua forte e inegável presença na memória popular, o seu nome pode ser competitivo na capital em 2020. Na eleição passada, ele ficou em terceiro lugar em Goiânia, bem melhor sufragado que Marconi (que tinha a vantagem de disputar um pleito onde o eleitor tinha o direito de votar duas vezes para o Senado e mesmo assim ficou em sexto lugar).

 

A vantagem crucial que Zé tem sobre Marconi é uma maior tranquilidade no campo judicial. Os processos a que responde são bem menos agressivos que os do tucano-mor, esse, sim, vivendo um verdadeiro cerco forense e com a imagem afetada pela divulgação quase que diária de novas denúncias ou desdobramentos das que já existem. Há outros problemas, porém. Um deles é a falta de aceitação que Zé tem dentro do PSDB, em razão da sua histórica inaptidão para as articulações políticas miúdas, indispensáveis dentro dos partidos. Os tucanos que restaram da catástrofe eleitoral do ano passado podem não querê-lo de volta.

16 mar

Pela voz de Mabel, presidente da Fieg, empresários beneficiados ameaçam Caiado com a desindustrialização de Goiás caso haja qualquer mudança na política de incentivos fiscais

É muito pesada a entrevista que o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás Sandro Mabel deu a O Popular, disponível em vídeo na íntegra na página do jornal na internet. Mabel discutiu a política de incentivos fiscais em vigor em Goiás e sem meias palavras afirmou, repetidas vezes, que qualquer mudança terá como resposta uma migração de indústrias para outros Estados onde supostamente existiriam condições melhores de lucratividade para os empresários.

 

Segundo o ex-deputado, só com a cogitação de que os incentivos fiscais poderiam ser modificados, já se notam dois efeitos: um, a constatação de que um grande número de indústrias está preventivamente se preparando para deixar Goiás, outro, a desistência de empresários que planejavam vir para o Estado. “Eu mesmo conheço dois que estavam dispostos a se instalar em Goiás, mas, diante do noticiário simplesmente mudaram de ideia e estão procurando outro destino”, disse Mabel.

 

As ameaças do presidente da Fieg são bem pensadas. Caiado não pode correr o risco de mexer no vespeiro das isenções milionárias de ICMS e, no dia seguinte, se deparar com manchetes mostrando máquinas sendo carregadas em caminhões para serem levadas para outros Estados. A dose de coragem para uma atitude como essa teria que ser cavalar. Poderia até se caracterizar como o seu túmulo político, como foi de governadores, como Olívio Dutra, do Rio Grande do Sul, que ousaram contrariar o poderoso lobby do empresariado e suas não menos influentes entidades de classe. Dutra foi simplesmente destruído ao ser identificado com um retrocesso na economia gaúcha.

 

Segundo Mabel, transferir uma indústria de um local para outro é coisa à toa. O mais demorado é o galpão, que pode ser construído à jato, em três ou quatro meses, seja de que tamanho for. Na segunda guerra mundial, Stálin deslocou rapidamente a indústria pesada russa, ameaçada pela invasão alemão, para além dos Montes Urais, a uma distância segura das fronteiras ocidentais. Se foi assim naquela época, imaginem hoje, com equipamento muito mais leve. Goiás, caso Caiado venha a se imiscuir nos incentivos fiscais e caso a ameaça dos empresários seja efetivada, estaria desindustrializado em um prazo de um a dois anos.

15 mar

Recado para o presidente da Fieg Sandro Mabel: autoridade pública, como a sua, não tem o direito de ser incorreta e usar expressões preconceituosas

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás, o ex-deputado Sandro Mabel, deu uma entrevista postada no site do jornal O Popular(print acima) em que faz uma defesa aguerrida dos incentivos fiscais, ameaça o governador Ronaldo Caiado com a desindustrialização do Estado e, no final das contas, se expressa em uma linguagem desarticulada que incomoda quem assiste ao vídeo.

 

Entre outros deslizes, Mabel repete por sete vezes a palavra “judiação”, que parece incorporada aos seus cacoetes verbais. Vejam bem, leitora e leitor, trata-se de um vocábulo que não deveria circular à solta na boca de autoridades públicas, que têm visibilidade e servem de referência para a sociedade. A carga antissemita de “judiar” na acepção de “maltratar, torturar, infligir sofrimentos”, é clara: o termo “judiar” teria nascido com o sentido de “maltratar um judeu”, logo expandido para “maltratar alguém ou algo como se maltrata um judeu”.

 

Provavelmente, Mabel não teve intenção de ofender ninguém. Mas isso não o isenta de responsabilidade. Pagamos tanto pelo conhecemos como pelo que ignoramos.

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