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José Luiz Bittencourt e convidados sobre política, cultura e economia

29 out

Projeto de Zé Eliton é sobreviver na política ocupando o espaço de Marconi, que ele acredita – embora não diga publicamente – ter sido carbonizado pelas urnas e pela Operação Cash Delivery

Uma ideia cresceu no cérebro do governador Zé Eliton e pode ser percebida com clareza nas entrevistas e discursos após o péssimo resultado que ele e a base aliada colheram nas urnas do último dia 7 de outubro: sobreviver na política ocupando o espaço que o ex-governador e candidato derrotado ao Senado Marconi Perillo está sendo forçado a deixar de ocupar – em razão da severa punição que recebeu do eleitor goiano e do desgaste possivelmente irrecuperável com as ações policiais que culminaram com a sua prisão, no âmbito da Operação Cash Delivery.

 

Com falas messiânicas, Zé transmite a impressão de que se encarregou da missão de conduzir as hostes governistas, agora desalojadas do poder, pela peregrinação através do deserto atrás da Terra Prometida, ou seja, a volta um dia ao paraíso de cargos e recursos do governo de Goiás. Citando Marconi apenas eventualmente, ele disse, por exemplo, a 158 prefeitos reunidos no Palácio das Esmeraldas nesta segunda-feira(foto) que todos poderão contar com ele, daqui para frente, em qualquer circunstância e para qualquer necessidade, mesmo já tendo deixado o cargo de governador. Prometeu até que, periodicamente, visitará cada um dos municípios administrados por prefeitos amigos.

 

Mais uma vez, Zé deu aulas sobre como fazer oposição ao próximo governo e assumiu-se como responsável pela preservação do tal “legado” do Tempo Novo, o mesmo que, em seis meses de governo-tampão, enterrou com uma campanha pessimamente articulada e que chegou a um desfecho melancólico, em 3º lugar, atrás de Daniel Vilela (aquele candidato que não tinha uma fração da estrutura à disposição do Zé).

 

Em política, tudo o que se diz tem significado. E, no caso de Zé Eliton, mais ainda. A ambição de substituir Marconi no comando dos cacos da outrora poderosa base tucana está cada vez mais evidente no Zé.