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José Luiz Bittencourt e convidados sobre política, cultura e economia

30 out

Caminho escolhido por Caiado, ao entregar a redefinição da estrutura administrativa do Estado a uma consultoria privada, não condiz com o seu discurso de campanha e nem é o mais correto

É de causar preocupação a decisão anunciada pelo governador eleito Ronaldo Caiado de que competirá a uma consultoria privada – a Comunitas – a missão de avaliar a situação do Estado e a partir daí propor uma nova configuração administrativa para a sua gestão.

 

Caiado talvez não saiba, mas, nos últimos, Goiás se transformou no paraíso das consultorias principalmente paulistas, contratadas pelo governador Marconi Perillo a partir de indicações dos então secretários do Planejamento, Thiago Peixoto, e da Fazenda, Ana Carla Abrão Costa (que inclusive abriu as portas para uma da qual o seu ex-marido é sócio, a Tendências Consultoria). Técnicos de fora e por fora da realidade goiana passaram a ditar os rumos da administração estadual, levando a equívocos que agora vão custar caro para o novo governo, como, por exemplo, a obsessão com a elevação da posição do Estado nos rankings nacionais de competitividade – que, ao contrário, resultou em queda na classificação.

 

Na campanha, o discurso de Caiado foi no sentido de que ele seria profundo conhecedor dos problemas do Estado, que teriam solução desde que sob o comando de um governador dotado de “autoridade moral”, intransigente no combate á corrupção e bem intencionado na tomada de decisões. Mas, agora, essa toada mudou: “A consultoria vai me apresentar um novo organograma, em que a estrutura será redimensionada com novos padrões”, disse o governador eleito ao jornal O Popular, aparentemente se desviando, como se vê, dos compromissos que deixou evidenciados antes da eleição.

 

Consultorias não foram mencionadas na campanha.