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José Luiz Bittencourt e convidados sobre política, cultura e economia

12 dez

Assembleia hesita sobre aprovação do nome de Raquel Teixeira para o Conselho Estadual de Educação, onde ela quer montar um núcleo de resistência ao governo Caiado

Continua dormindo nos escaninhos da Assembleia o pedido de autorização para que o governador Zé Eliton proceda à nomeação da ex-secretária de Educação e candidata derrotada a vice-governador Raquel Teixeira para uma vaga no Conselho Estadual de Educação. Igualmente, aguarda aprovação dos deputados idêntica solicitação para que o ex-chefe de gabinete de Zé Eliton, o radialista Charlle Antônio, seja entronizado conselheiro da Agência Goiana de Regulação, com o que, antes do fim do governo, também pode ser nomeado seu presidente.

 

Ambas os nomes representam, no fundo, uma espécie de imposição ao governador eleito Ronaldo Caiado, que seria obrigado a engolir adversários políticos em postos estratégicos da sua administração. O caso de Raquel Teixeira, contudo, é muito grave. Ela acredita que tem nos professores estaduais uma forte base política – embora o seu acréscimo à chapa de Zé Eliton aparentemente nada tenha somado. E tem a estrutura da Secretaria de Educação toda infiltrada – portanto, com grandes interesses a defender, entre os quais a preservação do “legado” do Ideb, quer dizer, evitar que as boas colocações de Goiás no ranking nacional dos ensino fundamental e médio sejam desmontadas pelas acusações de fraudes que levaram a essa suposta avaliação positiva.

 

O atual Conselho Estadual de Educação, formado por 24 membros, é fortemente influenciado por Raquel Teixeira, que conduziu a maioria das nomeações dos seus integrantes(veja o quadro acima, elaborado para este blog por um dos integrantes do CEE). Sua jurisdição vai muito além da rede estadual de ensino, abrangendo também as redes municipais, as escolas particulares e faculdades. Uma vez lá dentro, a ex-secretária não teria dificuldades em se eleger para a presidência e a partir daí criar um bunker de resistência às políticas de Caiado para a Educação.

 

Convenientemente, nem Zé Eliton nem Raquel Teixeira comentaram publicamente a indicação dela para o CEE, que foi encaminhada há dois meses para a Assembleia sem sequer ser noticiada na imprensa. O assunto está sendo tratado com discrição máxima, para evitar reações e provavelmente não teria chamado atenção se não tivesse havido a superveniência da indicação de Charlle Antonio para a AGR. É um jogo pesado, de amplos desdobramentos no futuro. Que Caiado precisa jogar.