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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

09 jan

Dependência de uma solução milagrosa vinda do governo federal, esperança de Caiado e da secretária Cristiane Schmidt, pode comprometer ou no mínimo atrasar o início do novo governo

O governador Ronaldo Caiado depositou todas as esperanças de fazer uma boa gestão na hipótese de uma solução milagrosa que viria de alguma forma do governo federal – através, não tem como ser diferente, do aporte de recursos financeiros, especialmente através da inclusão do Estado no Regime de Recuperação Fiscal, que não coloca dinheiro diretamente, mas alivia obrigações como o pagamento das parcelas das dívidas (no RRF, elas são suspensas por três anos).

 

Se tivesse consultado um dos mais experientes e traquejados administradores de Goiás, que é o prefeito de Goiânia Iris Rezende, Caiado ouviria um conselho: não programe nada na sua administração que não dependa exclusivamente dos seus meios e recursos. Em outras palavras: não conte com nada de fora ou extraordinário. Faça o planejamento e a execução do seu governo confiado apenas no que pode ser realizado por conta própria e deixe qualquer coisa além disso como uma espécie de lambujem, nada mais.

 

É uma opinião que expressa sabedoria, ainda mais vindo de onde vem. Mas Caiado segue imprudentemente em direção oposta. Não há razões políticas para que o seu governo receba de Brasília tratamento privilegiado, já que o novo governador só deu apoio a Jair Bolsonaro no 2º turno, quando a sua eleição era praticamente certa. No 1º turno, Caiado não pediu votos para o capitão. Além disso, a orientação doutrinária do ministro da Economia Paulo Guedes é liberal, ou seja, contra favorecimentos estatais e totalmente restritivos quanto a gastos – menos ainda para cobrir rombos de Estados de pouca importância no cenário nacional.

 

Se o governo federal fechar a portas para Caiado, a sua gestão perde o discurso e fica no ar. No mínimo, vai começar lá para março ou abril, desperdiçando um tempo preciso para os goianos.