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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

10 jan

Ações emergenciais articuladas por Caiado – aval de prefeitos a servidores para comprar fiado no comércio e ajuda de Brasília para recuperar rodovias – revelam ingenuidade espantosa e eficácia zero

É um pouco difícil acreditar que o governador Ronaldo Caiado, só nesta quinta-feira, 10 de janeiro, anunciou três ações emergenciais que revelam uma visão ingênua do mundo e, principalmente, da administração pública.

 

Em Jataí, Caiado disse que vai pedir a todos os prefeitos que avalizem os servidores estaduais para que comprem fiado em supermercados e farmácias, pelo menos até que se encontre uma solução para o pagamento de dezembro, ao qual, descobriu-se agora, se junta também em aberto o 13º salário dos funcionários que têm data de nascimento nesse mês.

 

Outra medida do mesmo naipe, digamos assim, é também um pedido, dessa vez ao governo federal, para ajudar na recuperação de estradas necessárias ao escoamento da safra. Caiado chegou a anunciar que viria de Brasília uma equipe de técnicos para orientar os trabalhos, quando, antes, já tinha dito que uma equipe de engenheiros da Agetop estava disponível para o mesmo fim. Logo depois, corrigiu as suas declarações e esclareceu que solicitou ao Ministério dos Transportes a execução de reparos nas rodovias federais que passam por Goiás, algumas em grau severo de deterioração. No final das contas, segundo o governador, quem ficaria com a responsabilidade de consertar as estradas seriam as prefeituras, com uma espécie de “apoio moral” dos governos estadual e federal.

 

Da mesma forma, pode ser definida uma terceira “decisão” inovadora de Caiado, o leilão de dois carros de luxo do Palácio das Esmeraldas – com previsão de alcançar R$ 600 mil reais – para investir o dinheiro no Hospital Materno Infantil, que se encontra atolado em um rombo de R$ 38 milhões.

 

Tudo isso causa algum espanto, principalmente porque são medidas que não têm nada de concreto e nem sequer podem ser consideradas como paliativas porque não darão em absolutamente nada, a não ser quanto aos danos que causarão na imagem do governador.