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José Luiz Bittencourt e convidados sobre política, cultura e economia

10 jan

Convênios com o Sistema S e aposta em pequenas empresas para modernizar e diversificar a economia são propostas equivocadas do governo Caiado – que não vão passar do plano das intenções

Nem o governador Ronaldo Caiado, desde a campanha, passando pelo período entre a vitória nas urnas e a posse e chegando até esta quinta-feira, 10º dia do seu mandato, nem muito menos o seu secretariado – ainda incompleto – foram ou têm sido explícitos sobre suas propostas, linhas de ação ou rumos para a gestão que está se iniciando.

 

Mas houve duas exceções: 1) Caiado sempre disse e repetiu que vai buscar convênios com o Sistema S – integrado por 9 instituições que oferecem que oferecem ensino profissional e lazer a trabalhadores, dentre as quais as principais são o Sesc, o Sesi, o Senai, o Senac e o Sebrae e 2) seu secretário de Desenvolvimento e Inovação, o primo Adriano Rocha Lima, também tem reafirmado, desde suas primeiras entrevistas após ser anunciado, que vai investir nas pequenas empresas – as startups – para que elas liderem o processo de modernização e diversificação da base produtiva goiana.

 

Tanto em um caso como em outro, são ideias equivocadas. Em inúmeras ocasiões, o governo de Goiás tentou formar parcerias com o Sistema S, mas recuou devido ao alto custo, pelo menos três vezes maior que a oferta direta de cursos de qualificação nos seus Institutos Tecnológicos, que formam a Rede Itego. Mais: o Sistema S, mesmo cobrando preços astronômicos, é especializado em ministrar formação profissional inicial, mas resiste a disponibilizar cursos técnicos de aprofundamento – essa a verdadeira carência do mercado de trabalho em Goiás. Caiado, se quiser melhorar a produtividade do trabalhador goiano, deveria priorizar o investimento nos institutos tecnológicos, que, hoje, são mais de 20, mas funcionando em caráter precário.

 

No caso das startups, a proposta do novo titular da SEDI, caso bem sucedida, teria o efeito de revolucionar as teorias econômicas, já que em nenhuma parte do mundo, até hoje, coube às pequenas empresas o papel de definidoras de uma nova base produtiva. Essa função é sempre dos grandes empreendedores, trabalhando com P & D, ou seja, pesquisa e desenvolvimento, área em que Goiás, de fato, ainda é incipiente.

 

Enfim, são dois projetos do novo governo que, provavelmente, não passarão do campo das boas intenções.