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José Luiz Bittencourt e convidados sobre política, cultura e economia

10 jan

Polêmica com a folha de dezembro foi um erro porque o desgaste não caiu em Zé Eliton ou Marconi e sim no próprio Caiado, sob suspeita de tentar piorar a imagem de Goiás junto ao governo federal

O governador Ronaldo Caiado cometeu um erro cavalar ao investir no imbroglio em torno da folha de dezembro do funcionalismo público, aparentemente com a intenção de ampliar os desgastes dos seus antecessores Zé Eliton e Marconi Perillo e também tentando piorar a imagem de Goiás junto ao governo federal, com o objetivo de forçar a inclusão do Estado no Regime de Recuperação Fiscal. Isso porque outra explicação não é verossímil.

 

A questão da folha de dezembro não atingiu Zé Eliton e Marconi: não há como nenhum dos dois se desgastar mais do que já estão, ambos no fundo do poço. E não vai acrescentar nada diante das autoridades fiscais de Brasília, já que o RRF é um programa de difícil e custoso acesso, baseado exclusivamente em critérios técnicos – que, segundo especialistas, Goiás não atende por estar longe, por exemplo, da situação de caos em que se encontrava o Rio de Janeiro quando ganhou a regalia, configurando-se como o único Estado a ser beneficiado até hoje.

 

Resultado: a credibilidade de Caiado, que ele mesmo define como o seu maior e mais forte atributo político e pessoal, acabou sendo atingida. Em que proporções, só uma pesquisa dirá. Mas a unanimidade das reações negativas, especialmente nas redes sociais, confirma que o prejuízo é grande. Ninguém parece acreditar que a folha de dezembro não pode ser empenhada e que, somente por isso, não pode ser paga, ainda mais quando se trata de despesa continuada, prevista como rotina na legislação orçamentária – e, de resto, até poderia ser quitada sem empenho, dado ao seu caráter de verba indispensável para a sobrevivência de milhares de famílias, sem que ninguém venha a ser punido por isso.

 

Fica difícil aceitar os argumentos do governador de que não pode pagar sem cometer um crime e, ao mesmo tempo, faça o anúncio de que o mês de janeiro começará a ser pago (para 80% dos funcionários) já no dia 25 de janeiro, data que em Jataí, nesta quinta-feira, Caiado antecipou para o dia 20 – quando provavelmente o Estado continuará sem orçamento para 2019, que depende de tramitação e aprovação pela Assembleia e em seguida de sanção e aprovação, o que nunca ocorre à jato. E atenção: se não ainda não há esse orçamento, é porque o próprio Caiado solicitou à Assembleia que ele não fosse votado.