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José Luiz Bittencourt e convidados sobre política, cultura e economia

11 jan

Estratégia de Marconi para tentar sobreviver na política, se conseguir se livrar dos processos judiciais, ficou clara nesta semana: jogar a parte negativa do legado do Tempo Novo no colo de Zé Eliton

O ex-governador Marconi Perillo reapareceu esta semana com uma comprida nota em que defendeu os seus governos e procurou se afastar de qualquer responsabilidade pelo imbroglio da folha de pessoal de dezembro, que o governador Ronaldo Caiado não quer pagar sob a alegação de irregularidades legais (não foi empenhada no total) de responsabilidade da gestão passada.

 

Marconi e Caiado aparentemente convergiram com a mesma visão sobre a folha de dezembro: é problema criado por Zé Eliton. Caiado citou expressamente o nome do ex-governador. Marconi não o mencionou, mas a omissão falou alto porque ele, corretamente, disse que em seus mandatos pagou os salários do funcionalismo em dia (repetindo: é verdade) e conduziu as contas gerais do Estado dentro da normalidade (o que pode não ser 100% real, mas talvez esteja muito próximo desse percentual, tanto que a secretária da Economia Cristiane Schmidt passou recibo e comentou a nota dizendo que até 2017 o ex-governador estaria certo, mas o problema é 2018, ano… de Zé Eliton no governo).

 

Na sua nota, o ex-governador tucano não detalhou, mas deixou no ar que a encrenca administrativa e financeira encontrada por Caiado tem a mesma idade do mandato-tampão de Zé Eliton. Veja bem, leitora e leitor, Marconi não fez essa afirmação diretamente, mas contas embanadas como os pagamentos da Bolsa Universitária, do Transporte Escolar e das organizações sociais que cuidam dos hospitais apareceram e cresceram junto com o Zé empoleirado no Palácio das Esmeraldas. Antes, não. Zé, que nunca mostrou nenhum aptidão administrativa, é que seria o culpado.

 

O que Marconi quis dizer, nas entrelinhas da sua nota, é que foi um gestor público competente e que, se a situação se complicou, isso aconteceu no ano passado – quando ele foi governador apenas de janeiro a março. Entregou a casa arrumada ao Zé e daí para diante a coisa desandou. A fórmula para a redenção, portanto, está na cara. A depender  de como vai se livrar dos processos judiciais em que está envolvido, Marconi pode acabar resgatado, lá na frente, ainda mais se Caiado não se sair bem.