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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

11 jan

Governo Caiado só tem 2 semanas, tempo pequeno demais para resolver a carga de problemas graves que recebeu, mas também já passa da hora de sinalizar um rumo mais concreto e medidas mais consistentes

É pouco, muito pouco o tempo que o governo Ronaldo Caiado já contabilizou – menos de duas semanas – e, portanto, carece de sentido uma cobrança mais dura sobre providências e soluções para resolver o fardo de problemas graves que a nova gestão herdou.

 

Se isso é verdade, também o é a constatação de que não existe um calendário para que o governo, aliás qualquer governo, venha a deslanchar e mostrar ou pelo menos começar a mostrar como vai superar os obstáculos encontrados e apresentar resultados. Dá para afirmar que isso deve ocorrer o mais cedo possível. O quanto antes. Se possível  a partir do 1º dia de mandato.

 

Caiado, como todo mundo, tem as suas características. E uma delas, pelo menos, não bate com o cargo que ocupa, o de chefe do Poder Executivo: ele não tem pressa. E orgulha-se disso, como repetiu incessantemente no período entre a sua consagração nas urnas e a posse, que praticamente desperdiçou, em vez de aproveitar para dar início antecipado ao seu governo – o excesso de cargos no 2º e 3º escalões sem ocupação até hoje é uma das consequências danosas dessa postura verdadeiramente ímpar entre todos os governantes eleitos nas última eleição.

 

No poder, Caiado continua sem nenhum senso de urgência e parece não ter se livrado dos hábitos adquiridos nos seus mandatos parlamentares, falando, falando, mas com uma baixa taxa de resolução real. Para aguardar visitas e opiniões de técnicos do governo federal, atrasou o relógio da administração estadual e simplesmente não tem data para nada, nem para completar a equipe nem para pagar salários atrasados nem muito menos para colocar em marcha seus projetos e planos, dos quais até agora se sabe quase nada.

 

As duas semanas de governo que estão prestes a se completar, de fato, não dão margem a uma cobrança mais incisiva. Mas também não servem de álibi para a inação ou o atraso na busca de saídas para o descalabro financeiro e administrativo do Estado. Estão faltando sinais.