Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

11 jan

Leilão de 2 carros de luxo da governadoria merece aplausos, só que é pouco diante do excesso de mordomias do Estado e precisa ser complementado por medidas ainda mais radicais de economia real

Uma microdecisão do governador Ronaldo Caiado, determinando o leilão de 2 carros de luxo do Palácio das Esmeraldas que anteriormente atendiam a Marconi Perillo e sua mulher Valéria e depois a Zé Eliton e sua esposa Fabrina, está no campo das raras ações adotadas até agora pela nova gestão que merecem elogios. Se for o ato inaugural de um processo de redução ou supressão de mordomias como gigantesca a frota estadual de carros de representação, a maioria alugados, melhor ainda.

 

O valor a ser arrecadado será ínfimo, no máximo R$ 300 mil reais, já que os 2 veículos são modelos antigos da marca Hyundai (Equus VS 460, o sedã mais luxuoso da montadora), mas ainda assim o leilão é interessante, só faltando agora ser seguido por medidas de economia detalhadas e além do decreto genérico que Caiado assinou – no qual determina a todos os setores da administração uma série de providências para combater o desperdício, mas, como se sabe, imprecisas e abstratas. O decreto é uma espécie de reedição de outros assinados ao longo dos governos que se sucederam nas últimas décadas, não quantifica metas nem fornece qualquer informação sobre o quê e quanto será poupado. É mais, digamos assim, uma declaração de intenção ou, no máximo, uma orientação difusa.

 

O governo de Goiás tem muita gordura para ser eliminada, caso a intenção do governante seja mesmo a de promover uma revolução na gestão do Estado. Há, por exemplo, muitos órgãos com estrutura completa e despesas elevadas, sem nenhuma utilidade para os goianos, como a Goiasgás, a Goiás Telecom, a Agência Brasil Central (com um canal de televisão sem audiência e duas emissoras de rádio sem importância), a Goiás Parcerias e até mesmo um desnecessário e caro Escritório de Representação em Brasília (existe outro em São Paulo, mantido pela Codego, esta, aliás, outra estrutura passível de liquidação). Órgãos assim, sem retorno para a sociedade, arrastam milhões de reais pelo ralo e deveriam ser alvo de qualquer governo que se propusesse a uma mudança radical e, por que não?, modernizante da máquina pública em Goiás.