Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

25 jan

Jeito duro e até “desrespeitoso” de Caiado com 2 deputados do PSDB e um do PSD (mas aliado dos tucanos), diminuiu o apoio a Álvaro Guimarães para presidente da Assembleia e pode até derrotá-lo

A falta de papas na língua do governador Ronaldo Caiado, uma das suas mais fortes características pelos seus 30 anos de seguidos mandatos parlamentares, durante a reunião com deputados estaduais, na Sala Solon Amaral da Assembleia Legislativa, acabou provocando um forte abalo na base de apoio que tenta viabilizar a eleição de Álvaro Guimarães para a presidência do Legislativo – aliás, como nome de confiança de Caiado e fiador da sua governabilidade.

 

Ao visitar a Assembleia, sem nenhuma necessidade, para repetir seus argumentos sobre a crise fiscal do Estado e a responsabilidade dos governos anteriores na sua geração, Caiado deixou de lado a cordialidade e rebateu com ironia e termos agressivos as perguntas e colocações de Talles Barreto e Hélio de Sousa, ambos do PSDB, e de Lucas Calil, do PSD, mas aliado dos tucanos. Não vale a pena repetir aqui o que o novo governador disse, mas não se pode fugir à conclusão de que foi de inabilidade a toda prova, já que estava visitando a Casa e, como autoridade maior do Estado, não deveria ter troçado dos deputados – um dos quais acusou zombeteiramente de ter dificuldades para “desmamar” depois que o seu grupo foi derrotado nas eleições.

 

A bancada do PSDB, sozinha, tem seis votos. A do PSD, dois. Pronto: são números que, na matemática da escolha do novo presidente, têm indiscutível peso decisório. Esses votos, até a desastrosa visita de Caiado, era todos, menos um (o de Leda Borges, do PSDB) de Álvaro Guimarães. Agora, podem não ser mais e acabar engrossando o movimento de rebeldia contra a candidatura de Álvaro, que não convenceu os deputados sobre a disposição de verdadeiramente “zerar” a Assembleia, isto é, afastar as influências do ex-governador Marconi Perillo e de ex-presidentes que até hoje controlam diretorias, contratos e a nomeação de fatias generosas dos funcionários comissionados.

 

Em política, a imprudência geralmente cobra um preço alto. O escorregão diplomático de Caiado resultou em prejuízos para a articulação do seu candidato do peito, Álvaro Guimarães, que agora vislumbra a perda de um apoio já conquistado, o da bancada do PSDB e seus aliados do PSD. Um telefonema do governador aos deputados que ele ridicularizou, dizendo-se arrependido e que foi movido pelo calor do debate, poderia até ter amenizado ou solucionado a questão. Mas isso Caiado só faria se deixasse de ser Caiado – o que, para o seu sucesso no enfrentamento dos desafios do Executivo, talvez seja necessário em alguma medida.