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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

01 fev

Definição do significado de “conchavo” é fundamental para que se entenda o governo Caiado e para saber se é ou não uma gestão diferente das anteriores, que ele tanto critica

Desde que ganhou a eleição e principalmente depois de empossado, o governador Ronaldo Caiado vem repetindo que acabou a era do “conchavo” em Goiás, que, segundo ele, seria a rotina das administrações passadas. Em especial no caso da extinção das 5 secretarias extraordinárias, Caiado foi muito claro ao dizer que se tratavam de pastas destinadas a abrigar apaniguados políticos, sem utilidade para o Estado, e que isso seria o que mais caracterizou o “conchavo” nos governos de Marconi Perillo e Zé Eliton.

 

O novo governador, querendo ou não, acabou chamando a atenção para os limites dos componentes políticos de todo e qualquer governo. No seu primeiro mês de mandato, ele praticamente não fez “conchavos”, entendendo-se a expressão, como ele fez ao referir-se às secretarias extraordinárias, como sinônimo da nomeação de políticos para cargos na administração. E pagou um preço alto, perdendo o apoio da maioria dos deputados no processo de escolha do novo presidente da Assembleia, praticamente todos reclamando de que não foram ouvidos ou prestigiados com “conchavos” por Caiado.

 

Mas “conchavo” é algo tão pernicioso assim ou, pragmaticamente falando, trata-se de uma necessidade vital para o andamento estável de todo e qualquer governo? E Caiado, ao nomear, por exemplo, um ex-prefeito de Americano do Brasil, cidade localizada na região onde tem fazenda, como vice-presidente da Saneago, apesar de não ter nenhum conhecimento na área de saneamento, fez um “conchavo” ou não? E nas nomeações políticas que já anunciou que fará em fevereiro, atendendo a recomendações de deputados e prefeitos, estará ou não promovendo “conchavos”?

 

Falar demais dá nisso. Não há governo, em parte alguma do mundo, sem “conchavos”. Caiado já os está fazendo e vai obrigatoriamente se afundar com centenas, talvez milhares deles. Tudo o que um governo faz fora da área técnica… é “conchavo” político. Acumulam-se na Secretaria de Governo maços e maços de ofícios de políticos indicando nomes para cargos em praticamente todas as pastas – e claro que nessa onda entram pessoas qualificadas, mas também gente sem a menor capacitação. “Conchavo” é assim mesmo. E Caiado não vai escapar de fazer. Não vai ser fácil e quem sabe será impossível fazer o seu governo diferente dos anteriores.