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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

04 mar

Pedido de intervenção no diretório do MDB, encaminhado pelo senador Luiz Carlos do Carmo, é sério e deve ser atendido exatamente por partir do único emedebista goiano com mandato federal

Uma batalha está sendo travada pelo comando do MDB em Goiás: o campo onde se enfrentam o exército de Daniel e Maguito Vilela e o dos dissidentes caiadistas é o diretório nacional do partido, onde tramita um pedido de intervenção formulado pelo senador Luiz Carlos do Carmo(foto) logo após a expulsão dos prefeitos Adib Elias (Catalão), Paulo do Vale (Rio Verde) e Fausto Mariano (Turvânia).

 

Os Vilelas estão em desvantagem: Luiz Carlos do Carmo é o único emedebista goiano com mandato no Congresso Nacional, o que dá a ele uma força medonha junto à cúpula nacional do partido. De um modo geral, não apenas o MDB, mas todos os partidos costumam levar em grande conta os interesses dos parlamentares federais. Quando há disputa, sempre prevalece a vontade dos detentores de cadeiras em Brasília. Sob a direção de Daniel Vilela, a legenda sofreu uma derrota acachapante nas últimas eleições e só elegeu três deputados estaduais. A bancada federal, que já era pequena (contando apenas com o próprio Daniel e com Pedro Chaves) foi reduzida ao suplente de Ronaldo Caiado que assumiu a sua vaga no Senado, Luiz Carlos do Carmo.

 

Para sobreviver no complicado jogo nacional do poder, o MDB precisa de votos como elemento de barganha tanto na Câmara como no Senado. É aí que entra a importância do novo senador para o partido e é exatamente por saber desse seu trunfo que ele, representando a ala caiadista da sigla em Goiás, assinou o pedido de intervenção. As chances de obter sucesso são quase que totais, na medida em que a cúpula nacional tem interesse na fidelização do seu voto e, de resto, na proximidade com um governador de Estado bem referenciado, como Ronaldo Caiado, que inclusive está abrindo espaços estratégicos dentro da sua administração para os emedebistas que participaram da sua campanha.

 

Não vai ser fácil para Daniel e Maguito: para atender as necessidades da direção nacional do MDB, a dupla não tem nada a oferecer.