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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

12 mar

Caiado quer ajuda da Polícia Federal e do Ministério da Justiça para investigar os incentivos fiscais nos últimos 20 anos e já comentou que pode haver aí mais corrupção que o apurado pela Operação Lava Jato

O governador Ronaldo Caiado ainda não sabe como, mas estuda pedir a colaboração da Polícia Federal e do Ministério Justiça, através da sua divisão de rastreamento de crimes financeiros, para investigar em profundidade os incentivos fiscais concedidos nos últimos 20 anos em Goiás.

 

A Assembleia Legislativa está instalando uma CPI com o mesmo objetivo, mas Caiado parece não acreditar que essa averiguação possa proporcionar resultados confiáveis, diante das pressões sobre os deputados que virão da parte dos empresários beneficiados – e todos eles são de grosso calibre monetário. Uma CPI com fins semelhantes, em Mato Grosso, terminou com a troca de acusações de recebimento de propinas entre os seus integrantes, relacionadas com a proteção das empresas envolvidas.

 

Os incentivos fiscais são o item mais delicado e sensível da agenda do novo governo, que se divide entre duas vertentes: uma, comandada pela secretária da Economia Cristiane Schmidt, favorável a uma revisão radical nessas benesses para conquistar o reequilíbrio das finanças estaduais, e outra, sob liderança do secretário da Indústria & Comércio Wilder Morais, que defende abertamente a manutenção do status quo, senão a sua ampliação. O governador, pessoalmente, parece inclinado a algum tipo de alteração nessa política, mas, de qualquer modo, em decorrência da sua natureza, pretende passar um pente fino em todas as isenções de ICMS e demais regalias distribuídas nas últimas duas décadas para localizar irregularidades ou até mesmo eventos criminais – Caiado já comentou que por trás da concessão desenfreada de vantagens tributárias pode haver um escândalo em valor muito maior que os casos de corrupção desvendados pela Operação Lava Jato.