Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

13 mar

Governo de Caiado não começou com a força que se imaginava, cometeu uma coleção de erros e hesita em tomar as decisões necessárias. A sorte é que a oposição também está sem rumo e igualmente fraca

Não adianta tapar o sol com a peneira; o governador Ronaldo Caiado quebrou as expectativas sobre um início de mandato arrasador, quando cumpriria uma agenda 100% positiva de reorganização do Estado e definição de novos rumos para o desenvolvimento de Goiás, e acabou tragado por um desempenho pouco mais que medíocre ou no máximo rotineiro, envolvido o tempo todo com um debate estéril sobre os salários do funcionalismo e agora consumindo o seu tempo procurando soluções paliativas para a buraqueira que, com as chuvas, tomou conta das rodovias estaduais.

 

Não era o que se esperava de quem saiu das urnas com uma vitória histórica, no 1º turno, com mais de 60% dos votos. Caiado não conseguiu esconder as suas dificuldades com os desafios administrativos, mostrou-se um governante que fala muito, muito mesmo, mas não dialoga com a sociedade e até hoje – quase seis meses depois de eleito e completando três meses de governo – não colocou nas mesas as suas propostas e muito menos as soluções que são urgentes para diminuir as despesas, aumentar a arrecadação e conduzir Goiás ao reequilíbrio financeiro.

 

A sorte de Caiado é que a oposição também patina e ainda não exibiu qualquer capacidade para  cumprir o dever e a obrigação de se contrapor de forma inteligente ao governo. O grupo que mandou no Estado nos últimos 20 anos esfacelou-se com uma rapidez inusitada após a derrota eleitoral e hoje, dos seus escombros, restam pouquíssimas e tímidas vozes, incapazes de críticas consistentes. Para piorar as coisas, o líder natural da nova oposição, ou seja, o ex-governador Marconi Perillo, cometeu o grave equívoco de mudar-se para São Paulo e passar a fazer política pelo telefone (e WhatsApp). É induvidável que Marconi acreditou que Caiado, em seus passos iniciais, decolaria como um foguete, aumentando ainda mais a aprovação que ganhou no pleito e que, daí, seria estratégico mergulhar e ceder todos os espaços ao novo governador, à espera de um momento mais oportuno. Crasso engano: o governo enredou-se em miudezas com rapidez, caminhou e caminha a passo de cágado, só trouxe mudanças no discurso e com isso abriu um vácuo que deveria ser, porém não foi ocupado pela oposição nem aproveitado por Marconi para fazer a sua defesa.

 

É uma situação nunca vista antes em Goiás: governo e oposição fracos.