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José Luiz Bittencourt e convidados sobre política, cultura e economia

14 mar

Base de Caiado na Assembleia, se existir alguma, é precária e não dá suporte para a aprovação de qualquer matéria minimamente polêmica. Só dois deputados (neófitos) defendem o governador

O governador Ronaldo Caiado está completamente sem cobertura na Assembleia, mesmo depois da informação de que a sua base de apoio contaria com 23 deputados e mais três em negociação. Na verdade, o que se sente no Legislativo é um clima adverso para os interesses do governo – que, hoje, não tem nenhuma condição de levar matérias minimamente polêmicas à apreciação da Casa, a exemplo da segunda parte da reforma administrativa, que o Palácio das Esmeraldas, percebendo que a barra está pesada na Alameda dos Buritis, adiou para abril.

 

Basta acompanhar uma sessão qualquer para deduzir que o Executivo não conta com uma sustentação parlamentar sólida. A oposição aproveita todas as oportunidades para falar mal de Caiado, praticamente sem defesa porque, a seu favor, só abrem a boca os deputados neófitos Amauri Ribeiro e Delegado Humberto Teófilo, os dois ainda incapazes de concatenar um discurso de salvaguarda da nova administração. Não que debates na Assembleia tenham importância ou repercussão. É quase tudo palavrório à toa, mas, se for possível aproveitar alguma coisa para a partir daí avaliar as tendências para futuras votações no plenário, as perspectivas são as piores possíveis.

 

Caiado e a Assembleia, onde ele esteve raras vezes em sua trajetória política (só exerceu mandatos de deputado federal e de senador), parecem não se dar bem. Digamos que ele é um governador que não gosta ou não tem paciência para adular deputados e ouvir suas reivindicações. Mecanicamente, mandou o secretário de Governo Ernesto Roller oferecer cotas de R$ 30 mil reais em nomeações, para angariar alguma simpatia. Roller também colheu listas de indicações para cargos mais graduados. Um pouco disso tem saído. Mas a seco, sem que os nobres parlamentares se sintam valorizados – no máximo, engolidos goela abaixo.

 

A fórmula 23+3 que comporia a base de apoio do governo tem um pouco de ficção e mesmo se fosse real não oferece garantia nenhuma, dada a margem reduzida de maioria. Isso significa que o Palácio das Esmeraldas teria que negociar caso a caso e jamais poderia contar com a aprovação automática de projetos que tenham importância. Aliás, é isso que a Assembleia espera, com se estivesse em uma tocaia: que caia nas suas garras alguma matéria, como por exemplo a segunda parte da reforma administrativa, na qual o governo tenha interesse capital. Só aí é que vamos ver se existe ou não base e a aposta, por enquanto, é que não existe.