Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

20 mar

Só dois deputados – Amauri Ribeiro e Humberto Teófilo – fazem a defesa do governo Caiado (e fraca). Nem o líder Bruno Peixoto se mexe. É prenúncio de problemas quando houver matérias importantes

Sessões da Assembleia Legislativa, mesmo transmitidas ao vivo pela TV Assembleia (mais um ralo para o desperdício do dinheiro público, já que ninguém assiste), geralmente não atraem qualquer interesse e somente em raras ocasiões, quando O Popular publica alguma coisa sobre o que aconteceu em plenário, provocam alguma repercussão. Fora daí, em matéria de repercussão, é igual a zero. Mas, por outro lado, trata-se de um espaço cuja utilização serve para que se avalie a força da situação e da oposição. E, por esse ângulo, o governo de Ronaldo Caiado está mal no plenário da Assembleia, onde é fustigado a cada sessão sem que quase nenhum deputado se interesse em fazer a sua defesa.

 

Apenas dois parlamentares – Amauri Ribeiro e Delegado Humberto Teófilo – se atrevem a rebater críticas e a falar em favor do Palácio das Esmeraldas. Infelizmente, são dois neófitos, sem experiência legislativa e sem muita capacidade de expressão. São políticos que carregam uma certa dose de exotismo, ou seja, permitem-se a extravagâncias que acabam comprometendo o que dizem – e o que dizem não o dizem com muita clareza.

 

Tudo bem que Caiado não ser defendido nos debates da Assembleia tenha pouca ou nenhuma importância. Rotineiramente, os deputados que vão à tribuna produzem horas e horas de gravações e transcrições taquigráficas, das quais pouco se aproveita, fora a anotação nos “anais” do Poder Legislativo, que não tem utilidade nem mesmo como registro para posterior verificação dos historiadores. Seria cruel definir esse material como lixo. Mas, creiam leitora e leitor, passa perto disso.

 

Pelo sim, pelo não, bater no governo Caiado tem sido o esporte predileto de seis ou sete deputados oposicionistas nas tardes de terça, quarta e quinta, dias das sessões legislativas ordinárias. É uma festa. O líder do governo Bruno Peixoto não se incomoda. Aliás, dá sinais de que está amofinado no cargo e ansioso para pular fora. Ele é um gentleman que não abandona jamais um nível alto de verbalização quando vai até a tribuna ou pede apartes. O problema é que um governo, qualquer um, só pode ser sustentado em debates parlamentares mediante uma bem calibrada agressividade oral ou um denso conteúdo qualitativo. É assim que se espanta a oposição. Amauri Ribeiro ou Delegado Humberto Teófilo não têm nem um nem outro. Caberia a eles o pedido que Jesus fez ao Pai, quando crucificado na cruz: “Perdoai-os porque eles não sabem o que fazem”.

 

A orfandade de Caiado no plenário da Assembleia pode, na verdade, ser a antecipação dos obstáculos que ele vai enfrentar quando submeter alguma matéria de importância à aprovação dos nobres deputados estaduais.