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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

21 mar

Prisão de Temer mostra que a Operação Lava Jato, apesar de todos os percalços, está viva e cheia de energia para caçar quem desviou dinheiro público, inclusive em Goiás

Quando se imaginava que a Operação Lava Jato estava em baixa, depois que o Supremo Tribunal Federal desavergonhadamente transferiu para a Justiça Eleitoral as investigações sobre desvios de recursos públicos que envolvem caixa 2 para campanhas, a prisão do ex-presidente Michel Temer na manhã desta quinta-feira reacendeu o ânimo da caça aos corruptos da política brasileira, inclusive em Goiás.

 

O principal enrolado na Lava Jato, aqui, é o ex-governador Marconi Perillo. Em segundo lugar, por ordem de grandeza, vem o ex-presidente da Agetop, o notório Jayme Rincón. Eles são alvos de dois inquéritos criminais no âmbito da operação capitaneada pelos procuradores federais de Curitiba, acusados de receber propinas da Odebrecht supostamente para uso eleitoral. Por isso, advogados dos dois comemoraram a decisão do STF, certos de que a Justiça Eleitoral não tem capacidade para qualquer tipo de apuração penal e que, ali, seria mais fácil achar uma escapatória.

 

Ledo engano. A Lava Jato tem provas de que Jayme Rincón usou parte do dinheiro recebido da Odebrecht para comprar um carro de luxo para o seu filho, que, aliás, também chegou a ser preso. E para outras despesas que, como essa, nada têm a ver com caixa 2, porém são claramente caracterizadas como vantagem pessoal e, portanto, consolidam uma situação de crimes comuns. Marconi compartilha espaço no mesmo balaio, já que foi rastreada a transferência de recursos escusos para empresas de grande porte que atuam em Goiás, que em seguida repassaram os valores, travestidos de doações eleitorais, para o ex-governador. É isso que está sendo apurado em detalhes e que pode levar a uma nova decretação de prisão tanto para Rincón quanto para o ex-governador tucano, a exemplo do que aconteceu com Beto Richa, no Paraná.