Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

12 abr

Fim de foto oficial de governante nas paredes das repartições é mudança histórica. Falta proibir a propaganda institucional e definir o brasão, e não logos que mudam a cada 4 anos, como marca do Estado

Terminou em Goiás a era das fotografias oficiais de governantes que eram emolduradas e penduradas nas paredes das repartições públicas. Por decreto, Ronaldo Caiado proibiu o costume, ultrapassado e considerando-o como o que realmente é: um deplorável culto à personalidade, quando as exigências constitucionais e éticas apontam o rumo da impessoalidade para as gestões governamentais.

 

Ponto para Caiado, portanto. Já houve quem mandasse distribuir não só a sua, mas a foto oficial também da primeira-dama. Agora, acabou. É preciso ter desapego para abrir mão de um mecanismo de promoção a custo zero – para o governador, não para o contribuinte -, que garante em locais de grande movimento (como o Vapt Vupt) uma espécie de marketing permanente. Quanto aos efeitos pecuniários, é óbvio que, para um Estado declarado em situação de calamidade financeira, o significado é limitado. Economiza, mas não muita coisa. Prevalece o valor simbólico.

 

É por isso que há necessidade de que sobrevenham as medidas necessárias para complementar essa bela decisão. Duas saltam aos olhos: a proibição de toda e qualquer publicidade institucional, resguardando-se as verbas do governo com divulgação apenas para fins educativos, informativos ou comunitários. Uma campanha de vacinação, por exemplo. Ou um comunicado repentinamente indispensável para orientar a população em momento de crise. Só isso e mais nada. Eugênio Bucci, que tem bons livros sobre ética e imprensa, garante que simplesmente não existe propaganda oficial sem finalidades políticas subjacentes. No final das contas, o objetivo é privilegiar a imagem de quem está no poder – leia mais aqui.

 

O orçamento do governo Caiado para comunicação é uma fábula superior a R$ 100 milhões anuais, só na administração direta. Acrescentem-se as despesas com os salários de um exército de jornalistas, somando-se a eles motoristas, veículos, combustíveis, passagens,e diárias e sabe-se lá o que mais. E mais as estruturas das duas rádios RBC e a TBC. O total é uma fortuna que se perde mensalmente pelo ralo. O decreto inicial de corte de gastos aplicou uma navalhada de 20% nas mídias pagas, quando poderia ter chegado muito mais longe, com a vedação dos anúncios promocionais e a permissão exclusiva para campanhas efetivamente de interesse da sociedade.

 

A outra ação que daria sequência a esse conjunto moralizador seria cessar a troca insana de logomarcas a cada quatro anos ou mesmo em períodos menores, como ocorria nos governos de Marconi Perillo, implicando em um custo elevado quanto a papeis, atualização de sites e fachadas e demais utilizações visuais. Não tem sentido. Contraditoriamente, o próprio Caiado já criou e oficializou uma marca para a sua administração, com o objetivo de fazer exatamente o que se recusa quando fulmina as fotos oficiais: a personalização e a identificação do seu mandato. Já é hora de avançar e fazer em Goiás o que o governo de São Paulo já fez há mais de 20 anos, ao adotar o brasão oficial como única referência da iconografia do Estado.