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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

21 maio

Com uma única palavra, Vanderlan, que é senador, mas também empresário, dá a melhor definição até agora para a proposta de Caiado de desviar um terço do FCO para o seu governo gastar: “Absurdo”

Poucas vezes a objetividade, que já um filtro positivo na avaliação de qualquer situação, teve um uso tão adequado como na definição que o senador e também empresário Vanderlan Cardoso deu, em O Popular, para a proposta do governador Ronaldo Caiado de morder um terço dos recursos do Fundo Constitucional do Centro-Oeste, o FCO, e meter no saco sem fundo das despesas do governo de Goiás: “Absurdo”.

 

É é mesmo. O FCO foi criado pela Constituição Federal 1988 com o objetivo de prover recursos a juros baixos para a iniciativa privada, em Estados que se encontram um pouco atrás, em termos de desenvolvimento, daqueles situados na região sul do país. Não só Goiás é beneficiado, mas também o Distrito Federal, Mato Grosso
e Mato Grosso do Sul. Anualmente, são cerca de R$ 3 bilhões disponibilizados só para os empreendedores urbanos e produtores rurais goianos, que recorrem a essa fonte de financiamento intensamente, tanto que o orçamento do FCO costuma se esgotar até meados do segundo semestre.

 

A intenção de Caiado é remover mais ou menos R$ 1 bilhão das finalidades originais do FCO e transferir para o governo do Estado, que aplicará metade em projetos de infraestrutura e metade – vejam que despautério, leitora e leitor – para pagar funcionários e custear a máquina administrativa. É por isso que Vanderlan classificou como “absurdo” o desvio que o governador quer impor aos recursos do fundo, derrubando uma linha de crédito que é importantíssima para a geração de empregos e riquezas, em Goiás, e esterilizando uma pequena fortuna com um tomador que não está na lista definida pela Constituição e, além do mais, tem a tradição de gastar mal, que é o Estado.