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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

24 maio

Implantada por Caiado, maior malha de controle interno jamais vista nos governos do passado não foi capaz de detectar funcionários envolvidos com corrupção – só flagrados graças à polícia e ao MP

Implantada pelo governador Ronaldo Caiado, mesmo com superposições e evidentes excessos, a maior malha de controle interno jamais implantada antes em qualquer governo da história de Goiás não foi capaz de detectar a presença de funcionários que vinham praticando desvios em órgãos como a Saneago, a Secretaria de Educação e a Secretaria de Economia – que só foram descobertos graças a ação das polícias civil e federal e do Ministério Público Federal.

 

Caiado fortaleceu a Controladoria Geral do Estado, criou um programa de compliance em todas as secretarias e demais braços do governo, colocou procuradores da PGE por toda parte, com poderes de vida e morte sobre qualquer processo que diga respeito a despesas, e instalou pelo menos três comissões de avaliação, formada por servidores de carreira das Secretarias da Economia e da Administração, para examinar e autorizar ou negar gastos. Além disso, trouxe a maioria dos seus auxiliares de importância de fora, evitando entregar cargos importantes para goianos e assim facilitando o seu monitoramento sobre o que fazem. O objetivo é claro: tornar difícil, mas muito difícil, que alguém, dentro do governo de Goiás, venha a roubar. E, assim, preservar a biografia limpa – até aqui – do governador.

 

Os casos de corrupção flagrados neste ano ocorreram nas administrações anteriores e, teoricamente, isentam Caiado de qualquer culpa. Mas… Como sempre tem um mas, os funcionários responsáveis, pelo menos nos casos da Secretaria de Educação e da Saneago, foram mantidos onde estavam por livre decisão do atual governo. O rigoroso controle interno montado por Caiado não foi capaz sequer de avaliar a inconveniência de nomear assessores que, há pouco mais de um ano, chegaram a ser presos, como ocorreu na Saneago. A estatal – dirigida por um estranho importado do Paraná – recontratou funcionários detidos em operações policiais quando Marconi Perillo estava no governo do Estado. Em resumo: os filtros do governador não funcionaram, como atestam mais dois exemplos: 1) a indicação para o Conselho Estadual de Educação de um professor condenado à prisão por desviar recursos públicos 2) a designação do cantor Chitãozinho como “embaixador do Araguaia”, quando ele responde a processo por desmatar ilegalmente áreas verdes em sua fazenda.

 

Em todos esses episódios, Caiado tem as suas digitais – mesmo porque são situações em que a simples e básica utilização do Google seria suficiente para localizar detalhes da ficha corrida dos nomes acolhidos e avalizados pelo governo. Em matéria de combate à corrupção, é preciso ser intransigente e não fazer concessões, ensinou o próprio durante a sua longa carreira política. Só que ele mesmo não está seguindo a lição.

 

Leia mais sobre a presença de funcionários envolvidos com corrupção no governo Caiado.