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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

24 maio

Casa dividida e preferência de José Sarney pelo governador de Brasília Ibaneis Rocha reduzem as chances de Daniel Vilela presidir o MDB nacional

O ex-deputado federal e atual presidente do diretório estadual do MDB Daniel Vilela tem, sim, chances de ser erigido à presidência nacional do partido – ele conta com o apoio da bancada emedebista na Câmara, liderada pelo seu amigo Baleia Rossi, uma das figuras mais sinistras do Centrão que está atazanando a vida do presidente Jair Bolsonaro. Baleia Rossi, aliás, já adiantou o carro na frente dos bois e diz a torto e a direito que Daniel Vilela, como nome de renovação, vai assumir o comando da legenda em substituição a Romero Jucá, que perdeu a eleição para senador em em Roraima e não deve continuar no cargo.

 

Daniel Vilela tem as suas dificuldades. Para começo de conversa, preside um partido que está rachado e que não o apoiou integralmente na eleição passada para governador. Os dissidentes caiadistas estão inclusive pressionando o diretório nacional para que faça uma intervenção em Goiás, colocando como presidente estadual o senador Luiz Carlos do Carmo – que usa como trunfo o seu mandato e ameaça se transferir para outra legenda, caso não seja atendido. Depois, existe uma preferência ostensiva do ex-presidente José Sarney, de peso indiscutível quanto as decisões dentro do MDB, pelo governador de Brasília Ibaneis Rocha, que, tal como Daniel Vilela, também é um quadro da nova política (digamos assim, com alguma licença poética).

 

Tudo isso prova que a decisão, motivada por puro desejo de vingança, de expulsar do MDB três prefeitos (Adib Elias, de Catalão; Paulo do vale, de Rio Verde; e Fausto Mariano, de Turvânia) que apoiaram Ronaldo Caiado na eleição passada foi um erro monumental, que agora afeta o perfil de conciliador e moderado que se exige para quem pretende assumir a liderança de qualquer grupo político. Essa situação agora conspira contra Daniel Vilela.