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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

08 jun

Entenda porque Edson Ferrari e Carla Santillo, que jamais estariam ao TCE sem a mão de Marconi, não votaram na avaliação das contas de 2018 e ajudaram na rejeição que agora ameaça o futuro do padrinho

Recebida com perplexidade, a princípio, a posição dos conselheiros do Tribunal de Contas do Estado Edson Ferrari e Carla Santillo ao se abster na apreciação das contas de 2018 dos ex-governadores Marconi Perillo e Zé Eliton e assim ajudar a definir o placar de 3 a 2 a favor da rejeição, tem total justificativa e pode ser claramente entendida a partir dos antecedentes pessoais dos dois e do próprio conteúdo – eivado de irregularidades gritantes – do balanço rejeitado. Mas não há mistério algum. Ao contrário, é fácil entender porque eles se recusaram a participar da votação, Ferrari alegando impedimento e Carla arguindo a sua própria suspeição.

 

Vamos aos fatos. Desde a apreciação das contas de 2015 que Edson Ferrari se nega a dar a sua opinião e alega impossibilidade legal de votar: ele é processado pelo Ministério Público, que postula a sua destituição do cargo por favorecer, em situações seguidas no TCE, o então governador Marconi Perillo. Um juiz de 1ª instância chegou a acatar esses argumentos, decretando a destituição de Ferrari, revogada, depois, por um despacho provisório do presidente do Tribunal de Justiça – em uma ação que está em andamento. Ao ser confrontado com as contas de 2018, em que Marconi é parte interessada, ele, para se salvaguardar, corretamente optou por repetir a sua conduta nos julgamentos anteriores, ainda mais diante da constatação das mesmas irregularidades de sempre nas contas.

 

Edson Ferrari preferiu se preservar a se arriscar a dar novos argumentos que poderiam contribuir com a investida do Ministério Público contra a sua permanência no TCE. E essa atitude de auto-salvação acabou influindo na decisão da conselheira Carla Santillo ao arguir a própria suspeição, o que também não foi nenhuma novidade. No julgamento das contas de 2017, ela igualmente se afastou sob o fundamento de que tem proximidade com Marconi e que isso a tornaria incapaz de ser imparcial. Carla Santillo procurou evitar a possibilidade de incorrer na mesma motivação que levou o MP a questionar a continuidade de Edson Ferrari no TCE.

 

Os dois conselheiros devem, de fato, a Marconi a conquista de uma prebenda que é reservada a poucos mortais e garante uma vida de tranquilidade e realização tanto pessoal quanto financeira. Na média das expectativas, era de se esperar que enfrentassem suas agruras pessoais para ficar ao lado do grande benfeitor que erigiu cada um ao olimpo em que se encontram. Mas não foi assim. Por um lado, pesaram as inconsistências das contas. Por outro, o direito à sobrevivência individual. Em outras palavras, rei morto, embora nem tanto rei posto.