Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

08 jun

Posição que surpreendeu na rejeição das contas de Marconi e Zé Eliton pelo TCE não foi o impedimento de Edson Ferrari ou a suspeição de Carla Santillo, mas sim o voto de desempate de Celmar Rech

Com o cenário se desanuviando, depois da surpresa da rejeição pelo Tribunal de Contas do Estado das contas de 2018 dos ex-governadores Marconi Perillo e Zé Eliton, começa a ficar claro que não foi a posição do conselheiro Edson Ferrari, ao se declarar impedido para votar, ou a da conselheira Carla Santillo (ela arguiu a própria suspeição para avaliar o balanço), que causaram espanto, mas, verdadeiramente, o voto de desempate proferido pelo conselheiro Celmar Rech endossando a reprovação.

 

Celmar Rech(foto acima) é o atual presidente do TCE, depois de ter sido nomeado para a corte por Marconi, em 2011, dentro da cota técnica – havia ocupado a função de auditor eventualmente atuando como conselheiro substituto. Marconi tinha outras opções dentro dos quadros da instituição, mas acabou se decidindo depois de um encontro reservado que o levou à convicção de que estava investindo em mais um aliado dentro do Tribunal. E assim foi por muito tempo. Na aprovação das contas de 2017, por exemplo, quando as mesmas irregularidades alegadas para a rejeição das de 2018 já estavam presentes, Celmar Rech foi um leão. Ele chegou a dar entrevistas tentando justificar a falta de cumprimento das vinculações constitucionais para a Saúde e para a Educação, criando um tese inusitada: com a futura quitação dos “restos a pagar”, a rubrica seria atendida e portanto não haveria o que penalizar. Mais adiante, quando Zé Eliton assumiu o governo, também se desdobrou em elogios, digamos assim, um pouco além da liturgia do seu cargo, classificando Zé como “republicano” e administrador público cônscio das suas responsabilidades.

 

Pois bem: com dois votos contra a integridade das contas de 2018 (Sebastião Tejota e Saulo Mesquita) e dois voto a favor (Helder Valim e Kennedy Trindade), a bomba caiu no colo do presidente, obrigado assim a proceder ao desempate. E ele inverteu o voto que deu quanto as contas de 2017, apontando desta vez o dedo polegar para baixo. Pelo apertado placar de 3 a 2, o balanço foi declarado inaceitável. Isso, com apenas 12 questionamentos, quando o de 2017 tinha muito mais e mesmo assim foi referendado por Celmar Rech: cinco ressalvas, 29 determinações e 18 recomendações. Foi ele, dessa forma, quem assumiu a responsabilidade pela derrubada das contas de 2018, empurrando Marconi e Zé Eliton para a beira do precipício.