Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

10 jun

Discurso, artigo no DM e entrevistas de Caiado mostram que ele ou não sabe nada sobre o Juntos pelo Araguaia ou maliciosamente acobertou as suas falhas e intenção de beneficiar fazendeiros

O governador Ronaldo Caiado fez um discurso entusiasmado na cerimônia de lançamento do programa Juntos pelo Araguaia, em Aragarças, na semana passada, em seguida publicou um artigo sobre o projeto na edição de sábado, 8 de junho, do Diário da Manhã e ainda deu entrevistas a rádios, televisões e jornais propagandeando o que seria a salvação do rio Araguaia, através da recuperação de áreas degradadas à sua margem e a remoção de 200 mil toneladas de sedimentos que estão caindo dentro do seu curso.

 

Só que, tudo, leitora e leitor, é somente verborragia vazia e sem fundamentação na realidade. Caiado não sabia do que estava falando. De cara, o programa, que custaria R$ 500 milhões para garantir as suas ações, não conta com um tostão furado em termos de fontes de recursos. Desse dinheiro, o Estado de Goiás, que segundo o próprio governador está quebrado, entraria com R$ 200 milhões que simplesmente não existem nem têm onde ser buscados, a ponto da secretária de Meio-Ambiente Andrea Vulcanis ingenuamente especular que poderiam ser obtidos através de doações de embaixadas em Brasília.

 

Na O Popular descobriu que o Juntos pelo Araguaia, na prática, investiria verbas públicas para revitalizar terras que, no passado, foram desmatadas pelos seus próprios donos, os quais, pelo Código Florestal, estão obrigados a promover a sua recuperação. Quer dizer: o programa pagaria com fundos do erário por uma despesa que compete às pessoas físicas e jurídicas que são proprietárias rurais ao longo do rio. O nome disso é aberração, como bem alertou um especialista em meio ambiente da PUC, ouvido pelo jornal.

 

Caiado, nas suas manifestações, não esclareceu nenhum desses pontos polêmicos. O discurso no lançamento do programa foi de exaltação ao agronegócio, que “coloca alimento barato na mesa dos brasileiros”, o que não passa de mito, já que os preços dos produtos do campo são determinados pelo mercado e sobem e descem ao sabor da lei da oferta e procura, como qualquer outra mercadoria. No artigo no Diário da Manhã, chega a ser comovente ver o governador se declarando agoniado com o futuro do rio Araguaia, mas, de novo, sem detalhar de onde surgiria o dinheiro para a sua preservação e nem dos benefícios ocultos para quem desmatou e seria obrigado a fazer a recuperação por conta do seu próprio bolso.  Finalmente, nas entrevistas, a repetição de tudo isso. Dados concretos, nenhum. E nem de longe qualquer esclarecimento sobre a verdadeira finalidade, que é o de beneficiar produtores rurais.

 

Já seria grave se fosse apenas conversa fiada de Caiado. Mas aparenta ser coisa pior. Parece má fé.