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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

15 jun

Caiado diz ao Jornal Opção que fez o “dever de casa”, por isso merecia apoio mais consistente que o plano de socorro aos Estados enviado por Bolsonaro ao Congresso. Mas não é bem assim

Não é segredo que o governador Ronaldo Caiado detestou o plano de socorro aos Estados enviado pelo presidente Jair Bolsonaro ao Congresso. Ao Jornal Opção, Caiado explicou que se julgava merecedor de um apoio maior e mais consistente: “Fizemos nosso dever de casa, mas não tivemos a reciprocidade esperada”, explicou.

 

Só que não é bem assim, leitora e leitor. Caiado não fez o “dever de casa”. Desde que assumiu, nenhuma reforma de importância ou capaz de reduzir a saída de dinheiro do caixa estadual foi implantada em Goiás. Ele apregoou aos quatro ventos ter cortado significativamente cargos e salários, mas a verdade é que, segundo o relatório quadrimestral que o governo é obrigado a publicar no seu portal de transparência, os gastos com a folha subiram 12,34% de janeiro abril. Os excessos da política de incentivos fiscais seguem intocados, drenando a arrecadação de ICMS. Nenhuma privatização ou eliminação de braços improdutivos do Estado foi anunciada. Programas sociais e culturais sem sustentação financeira continuam tal qual foram herdados dos governos passados. E sequer foi apresentado até hoje algum planejamento para que um dia venha a ser alcançado o reequilíbrio entre receitas e despesas.

 

proposta de socorro federal não agradou nem a Caiado nem a qualquer governador porque faz exigências duras para, no final das contas, apenas liberar mais empréstimos e aumentar o endividamento dos Estados. A equipe econômica do presidente Bolsonaro sabe que, todas as vezes que Brasília deu qualquer amparo aos governadores, eles aproveitaram para fazer mais lambança fiscal. E que nenhum deles, nem muito menos Caiado, quer adotar medidas impopulares de cortes de gastos ou restrição de direitos, receosos dos prejuízos que isso traria ao futuro político de cada um. Nesse sentido, os seis primeiros meses de Caiado no governo foram simplesmente um desperdício, já que apenas foi mantido o modelo de assimetria receita/despesa deixado pelas gestões anteriores e não pode ser perpetuado. Continua tudo como dantes no quartel de abrantes.