Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

19 jun

Caiado está completando 6 meses de governo e 10 meses, desde que foi eleito, sem fazer a mudança prometida e mantendo o modelo de desequilíbrio entre receita e despesa dos seus antecessores

Uma recente pesquisa qualitativa realizada pelo instituto Fortiori, de credibilidade indiscutível, por encomenda de uma associação de empresários, apurou que existe frustração entre os goianos diante do andamento do governo Ronaldo Caiado. É fácil entender o motivo: o novo governador foi eleito, em sete de outubro do ano passado, há quase 10 meses, portanto, com base em um discurso muito forte de mudança e completa no próximo dia 1º de julho seis meses de mandato sem encarar de frente as reformas necessárias e mantendo intacto o modelo de desequilíbrio entre receita e despesa que foi a marca das administrações estaduais anteriores.

 

Até agora, o governo Caiado tem como ponto alto a busca de soluções paliativas para a crise fiscal em Goiás através de novos empréstimos para cobrir temporariamente o rombo de caixa e suprir recursos para o pagamento da folha de pessoal e das despesas de custeio. Apesar de nada ter conseguido ainda de concreto, o governador passou grande parte dos seus primeiros seis meses perambulando pelos gabinetes de Brasília, atrás de soluções como o aval da União para operações de financiamento ou a substração de 30% dos recursos do FCO para aplicação em obras públicas no Estado. Fora isso, não houve nada mais de importância em termos da atuação de Caiado, nem mesmo as duas reformas administrativas que ele intentou, porém sem efeitos práticos em termos de economia ou de racionalização do Estado e muito concentradas em aspectos jurídicos como a nomenclatura de cargos ou a hierarquização de repartições.

 

A mudança que foi o tema da campanha vitoriosa do novo governador implicaria em reformas que afastassem a utilização político-partidária dos recursos do Estado, melhorassem a oferta de serviços governamentais e promovessem o seu reequilíbrio financeiro. Nada disso aconteceu. Os “conchavos” seguem às mancheias, com a farta distribuição de empregos a aliados, em troca de respaldo na Assembleia ou para cimentar alianças favoráveis ao governo. Não houve nenhum avanço extraordinário ou diferenciado quanto a qualidade ou intensidade daquilo que a secretária de Economia Cristiane Schmidt chama de “fazer políticas públicas”. E, na essência e forma, o paradigma da assimetria entre receita e despesa segue intocável. Como é totalmente insustentável, caminha para um inevitável colapso – mais dia, menos dia – a menos que haja uma reação. Que, nos primeiros seis meses de Caiado, não foi sequer sinalizada.