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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

08 jul

Falência do governo Caiado deixa campo aberto para Daniel Vilela em 2022, com apenas 2 ameaças: a candidatura de Vanderlan, que é politicamente dócil, ou o surgimento de um nome inesperado

Helvécio Cardoso

 

O bloco de apoio ao governador Ronaldo Caiado está rachado. Mas não vai entrar em colapso ainda. Há insatisfeitos com Caiado que, a despeito da insatisfação, não têm pontes para se ligar à oposição em Goiás.

 

Com a falência política do governo, previsível, resta a possibilidade de uma solução doméstica para as eleições de 2022.

 

A solução é o senador Vanderlan Cardoso. Ele é candidatíssimo ao Palácio das Esmeraldas na próxima eleição. Com ou sem o apoio de Caiado.

 

O problema é que Vanderlan não tem índole guerreira. Só irá para a oposição se Caiado resolver disputar a reeleição, ainda que para perder.

 

Se for à disputa sob a bandeira do governismo, Vanderlan corre o risco de ser massacrado por Daniel Vilela, o nome que vai crescer como a alternativa ao que está aí. O chefe emedebista é agressivo, gosta de briga, é abusado. Vanderlan,  com seus modos e bom moço, tendo que suportar o ônus do fracasso governista, entrará derrotado nessa disputa.

 

E aí é que está: o grande adversário de Daniel talvenha ser o inusitado. Não será Caiado nem muito menos Vanderlan. Será algo, ou alguém inesperado, que ainda não apareceu nos radares.

 

O mito do “novo na política” está sempre à espreita. Daniel, que já o encarnou, não cabe mais no figurino.

 

De repente, pode aparecer aí uma figura bizarra, com discurso anti-tudo, prometendo “renovação” e fim das “velhas práticas”. Esse alguém acabará por empolgar o eleitorado frustrado com políticos que não geram resultados, como ocorreu no Rio de Janeiro ou em Minas Geris.

 

De vez em quando,  o eleitor, num surto de inconsequência,  vota no mais simpático, no mais bonitinho, no mais exaltado, no mais excêntrico, apenas para fazer desfeita às  “elites”.

 

O ex-presidente João Goulart, o Jango, dizia nada temer, exceto o “imponderável”. Em termos eleitorais, essa figura é  o inusitado. Seu aparecimento é sempre uma possibilidade e, em resumo, encarna a ameaça que pode fazer frente a Daniel Vilela em 2022.