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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

10 jul

Em mais um erro infantil de estratégia, Marconi e o PSDB goiano adiam o momento de fazer oposição a Caiado sob a desculpa de que é preciso dar tempo a ele para mostrar sua forma de administrar

Em política, um erro nunca vem sozinho e geralmente é seguido por outros, às vezes em ritmo acelerado. Foi assim que o PMDB/MDB perdeu a eleição de 1998 e sem seguida mergulhou em uma sucessão de equívocos, perdendo eleições consecutivas durante 20 anos e se transformando, hoje, em um partido perto da condição de nanico, com apenas três deputados estaduais e nenhum federal.

 

O PSDB, que mandou em Goiás nessas mesmas duas décadas, repete agora igual trajetória. Errou ao escolher os candidatos majoritários na eleição do ano passado e errou na estratégia de campanha, que foi toda voltada para cobrar a gratidão do eleitor diante das obras dos governos de Marconi Perillo, o tal “legado” do qual os tucanos de Goiás não conseguem se desapegar e que os arrasta para um fundo de buraco cada vez mais fundo. O resultado foi uma derrota acachapante. Mas o partido continua errando: decidiu, nesta semana, em reuniões orientadas por Marconi e por um subitamente ressurgido Zé Eliton, que ainda não é hora de fazer uma oposição mais efetiva ao governador Ronaldo Caiado, a quem, segundo explicaram o presidente estadual Jânio Darrot e o Zé, é preciso “dar mais prazo para demonstrar a sua forma de administrar ou se posicionar”.

 

Isso, em política, é coisa de criança. Ocorre que Caiado surpreendeu com um governo hesitante e sem rumo, coisa que ninguém esperava. Nunca conseguiu deixar claro que tem um projeto de futuro para Goiás e, em vez de oferecer soluções para os desafios do Estado, se limita a esmolar recursos federais em Brasília, que nunca chegam e provavelmente jamais virão. Politicamente, é tão vulnerável que até hoje não conseguiu aprovar projetos polêmicos na Assembleia, sendo obrigado a retirar alguns, como o que mudava o Passe Livre Estudantil, ou engolir duras derrotas como a eleição de Lissauer Vieira para o comando do Legislativo ou o orçamento impositivo ou a instituição da reeleição para a presidência do Poder. Ou seja: Caiado não precisa de nem mais um dia para comprovar que é um governante fragilizado, a quem, em última análise, seria fácil fazer oposição.

 

Entretanto, essa não é a avaliação de Marconi, Zé e o presidente do PSDB Jânio Darrot. Em vez de aproveitar a oportunidade gerada pela frustração que Caiado provocou, ao não fazer a gestão de mudança prometido na eleição, eles resolveram presentear o governador com mais tempo para ver se consegue mostrar serviço. Em termos de oposição, para a qual, digamos assim, os tucanos foram designados pelas urnas, é uma postura infantil – que, de resto, leva a inevitável conclusão de que os tucanos querem, na verdade, é evitar polêmicas que tragam à tona a ficha corrida dos seus 20 anos de poder. É como, em uma guerra, um exército vencido se dobre ainda mais ao vencedor, deixando de aproveitar uma inesperada chance de reação. Em uma palavra, um equívoco. Mais um de tantos que aprecem não ter fim.