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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

11 jul

Carta a Daniel Vilela, defendendo os dissidentes caiadistas do MDB, é jogada de mestre de Iris – que está coberto de razão ao defender tolerância com as opiniões divergentes

O prefeito de Goiânia Iris Rezende surpreendeu ao enviar uma carta ao presidente do diretório estadual do MDB, Daniel Vilela, defendendo o perdão dos filiados ao partido que apoiaram nas eleições passadas a candidatura de Ronaldo Caiado – entre eles emedebistas emblemáticos como o prefeito de Catalão Adib Elias e o prefeito de Rio Verde Paulo do Vale.

 

Pelo sim, pelo não, foi uma jogada de mestre de Iris. Não só em política, como em qualquer campo da atividade humana, conciliação é sempre melhor do que confrontação. A carta, assim, é uma moção de censura ao gesto de Daniel Vilela, que levou o MDB, em uma decisão sabidamente equivocada, a expulsar Adib, Paulo do Vale e Fausto Mariano (este prefeito de Turvânia) em razão do apoio dado a Caiado no último pleito. Todos eles emedebistas históricos, que carregaram o partido nas costas nos seus piores momentos, mas repentinamente punidos depois de se cansar de perder eleições sucessivas e buscar um projeto viável – a eleição de Caiado, que deu certo – em vez do caminho frágil que seria e efetivamente o foi a candidatura de Daniel Vilela.

 

Atônito com o gesto de Iris, Daniel Vilela reagiu meio que perdido e não achou palavras para explicar a expulsão dos prefeitos, em última análise duramente condenada por Iris – maior liderança emedebista, reconhecida pelo próprio presidente do diretório, mesmo porque, de outra forma, estaria renegando o apoio que recebeu do velho cacique na eleição de 2018.

 

Maguito Vilela, o pai, a presença sinistra por trás das expulsões impetuosamente promovidas pelo filho, demorou a se manifestar. Fingiu que não era com ele e vergonhosamente se disse a favor de reintegrar os dissidentes, desde que eles acatem as ordens imperiais do presidente estadual da sigla. Mas a carta é um passo gigantesco de Iris para deixar bem claro que, embora fora da administração partidária, é ele quem detém a hegemonia dentro do MDB e, mais ainda, que essa ascendência não deve ser testada sob risco de ameaçar o suposto comando de Daniel Vilela – aquele que estava dormindo em berço esplêndido achando-se rei no controle do diretório estadual e de repente foi acordado para a realidade. Uma casa dividida sempre prejudica, em primeiro lugar, o seu chefe.

 

Atualizada em 12 de julho/2019, às 9h10min.