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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

11 jul

Governo Caiado vive momento de desorientação, não sabe o que fazer com a liminar do STF que supostamente suspendeu o pagamento da dívida e inacreditavelmente se refugia na “introspecção”

As férias de julho estão sendo terrivelmente cruéis com o governador Ronaldo Caiado. Ele passa por um clara desorientação, sem sequer saber o que fazer com a liminar que ganhou do Supremo Tribunal Federal para supostamente suspender o pagamento da dívida estadual por seis meses, desde que cumpra os requisitos estabelecidos pela Lei Complementar que instituiu o rigoroso Regime de Recuperação Fiscal – a que o governo de Goiás, pela liminar, pode até ter acesso, mas…

 

Mas Caiado e sua equipe econômica (leia-se: a secretária da Economia Cristiane Schmidt) têm dúvidas sobre a conveniência de aderir ou não ao RRF, que implica na retirada da autonomia financeira e administrativa do Estado e de certa forma é humilhante para qualquer governador, especialmente um de personalidade forte como o atual. Ao Jornal Opção, Cristiane Schmidt deu uma entrevista em que não esconde a incerteza que se abateu sobre o governo. “Com prudência, agora não há muito o que declarar. É um momento de introspecção. Posteriormente poderemos dar declarações mais pertinentes sobre o assunto”, disse a economista carioca, retratando com perfeição a insegurança que veio junto com a tal liminar e a consequente falta de rumo da gestão. Em resumo, o que a secretária quis dizer é que não sabe o que dizer.

 

É a primeira vez na história de Goiás que um governo entra em modo de “introspecção”, palavra pouco usual em termos de entes públicos. Na verdade, é fácil entender. Caiado é um político pouco afeito a números que, alçado ao governo de um Estado, subitamente viu-se forçado a adquirir o perfil executivo que nunca teve em mais de 20 anos como parlamentar. Ele é naturalmente inseguro quanto as decisões que precisa tomar, não confia em quase ninguém além dos seus familiares próximos e fez uma aposta errada ao acreditar que teria prestígio e peso nacional suficientes para levar o governo federal a abrir as burras para amparar a sua gestão. Penosamente, perambulou dia e noite pelos gabinetes e corredores de Brasília, mas não conseguiu nada além da liminar do STF, que a Procuradoria Geral do Estado pediu em termos equivocados  e não articulados com os objetivos da secretária Cristiane Schmidt.

 

É notório que a titular da pasta da Economia está em uma situação incômoda, digamos assim, sendo obrigada a discutir com a equipe do seu protetor ministro Paulo Guedes a imposição de uma liminar redigida em termos confusos pelo ministro Gilmar Mendes, que não deixou claro sequer se suspende de fato ou não o pagamento das parcelas da dívida por seis meses. Daí, a “introspecção”, substantivo exótico que a secretária encontrou para amenizar a perda do norte que está deixando o governo aturdido.