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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

30 jul

Corrupção na Codego é originária do governo Caiado, conivente na medida em que tenta varrer a sujeira para debaixo do tapete para proteger o deputado Álvaro Guimarães e aliados do DEM

São sérias as falcatruas que levaram o governador Ronaldo Caiado a demitir sumariamente, sem qualquer explicação pública, o presidente e dois diretores da Codego – sintomaticamente a mesma estatal que esteve no foco de um caso policial gravíssimo no apagar das luzes do governo passado, quando o seu então presidente chegou até a ser preso.

 

Nenhuma palavra foi dada até agora por Caiado. É óbvio que, pela primeira vez desde que ele tomou posse, surgiu um foco de corrupção inteiramente originário da atual gestão, o pior dos pesadelos para o governador. Dirigentes que ele nomeou – e isso de certa forma implica em algum aval – se envolveram em operações suspeitas de alienação de áreas em distritos industriais e promoveram uma farra de admissão de funcionários, a propósito, via decretos assinados diretamente pelo chefe do Executivo. Isso é o que se sabe por enquanto. Pode haver mais.

 

Seria exagero afirmar que Caiado tem responsabilidade direta no que ocorreu na Codego – cujos detalhes não são conhecidos e o Palácio das Esmeraldas insiste em ocultar. Mas há, sim, uma espécie de conivência. Quem indicou Valderi Borges para a presidência da companhia foi o deputado Álvaro Guimarães, aliado de primeiríssima hora a ponto de chegar a candidato do peito a presidente da Assembleia, derrotado no final das contas. Não é Valderi Borges quem está sendo preservado com o manto de silêncio lançado sobre as irregularidades na Codego, é Álvaro Guimarães, aliás beneficiado entre outros privilégios com a inclusão de um filho – que não trabalhava – na folha de pagamento da estatal.

 

E também não é só o deputado. Os dois diretores afastados foram indicados, um, Cesmar Moura, pelo ex-senador e atual secretário de Indústria & Comércio Wilder Morais, e outro, Carlos César Savastano Toledo, oriundo do DEM de Anápolis, onde, a propósito, enrolou-se com irregularidades financeiras ignoradas por Caiado ao assinar a sua designação para o cargo, apesar de sobejamente noticiadas. Tudo, digamos assim, gente da cozinha caiadista.

 

São esses antecedentes que claramente induziram o governador a se empenhar para abafar o escândalo, evitando atingir a honorabilidade de aliados e ainda tentar salvar a aura imaculada da sua administração, já pontilhada pelos escorregões na Saneago e na Secretaria da Educação. No fundo, trata-se de uma manipulação e de uma repetição do comportamento que Caiado tanto criticou e critica nos governos passados. É a mesma falta de transparência e a mesma cumplicidade com os prosélitos. Um filme já visto, enfim. Que, segundo a promessa de campanha, não entraria mais em cartaz em Goiás.