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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

20 ago

Na troca de insultos com Marconi, Caiado gaba-se de ser “transparente”. Não, governador. Não é não. E se já foi, no seu passado como deputado e senador, deixou de ser quando assumiu o governo

Na infeliz troca de insultos com o ex-governador Marconi Perillo, em andamento pelas páginas do jornal O Popular, o governador Ronaldo Caiado aproveitou para se gabar de ser “transparente” – característica que pode ter tido no seu passado de deputado federal e senador, mas que perdeu em grande parte ao assumir o governo do Estado.

 

Caiado fala demais e não tem a humildade como um das suas virtudes. A transparência que alega não deveria ser autoproclamada por ele, porém, antes, reconhecida pelas goianos e goianos que ele governa. Ele dizer que é tem pouca importância, quando o que vale é ser espontaneamente avaliado como uma autoridade e um político que de fato “transparente”.

 

Vamos começar pela parte institucional. O governo Caiado não tem o menor apreço pela transparência. Seus sites de informações públicas são deploráveis. Vergonhosos. Caiado importou do Rio um coestaduano, seu parente, que estava ganhando dinheiro com uma respeitada empresa de tecnologia da informação. Esperava-se que, com a aquisição, houvesse um passo à frente na prestação de contas sistemática que o governo deve à sociedade, um serviço que depende umbilicalmente dos modernos procedimentos de internet. Passados oito meses, não deu em nada. O especialista, secretário de Desenvolvimento & Inovação Adriano Rocha Lima, está é cuidando das reclamações contra a Enel, da futura privatização da Metrobus e da edição da feira Campus Party em Goiânia (a propósito: se divulgação até agora de quanto vai custar para o governo), que vai fazer a festa para os gamers goianos. Em matéria de melhorar a comunicação com a população, Adriano Rocha Lima não se interessou.

 

Toda a ineficiente estrutura online de transparência que Caiado herdou foi mantida ou, em alguns casos, como no da Secretaria de Segurança, piorada. É coisa que um governo sério e bem intencionado resolveria em dois meses, quanto mais nos oito que praticamente já transcorreram – e, assim, foram perdidos. Há alguma luz nos dados fornecidos pelos sistemas operados pela Secretaria da Economia, de resto os mesmos dos governos passados, sem nenhum avanço ou aperfeiçoamento e mesmo assim com falhas gritantes, como ocorre no caso das informações sobre os incentivos fiscais, inexistentes. E vale registrar: fora da área institucional, o governo Caiado é rápido na divulgação de qualquer fato que represente escorregões ou irregularidades nas gestões anteriores, mas lento e geralmente omisso quando aos seus descaminhos – estando aí para quem duvidar o exemplo do acontecido na Codego, neste ano, que foi abafado e varrido para debaixo do tapete. Que houve corrupção lá, originária do atual governo, houve. Mas tudo foi escondido.

 

Sigamos. Todo governante, como Caiado, tem a obrigação de ser transparente não apenas quanto a sua administração, ponto em que ele está falhando clamorosamente, mas também relação aos seus atos individuais e vida pessoal. E aí o que está ocorrendo em Goiás é de se lamentar. Notem-se as especulações sobre o estado de saúde do governador, que caiu de cama, mas justificou tratar-se de uma febre – quando não é necessário ser formado em medicina, como Caiado, para saber que febre é sintoma e não doença. Além disso, uma sombra cinzenta paira sobre o Palácio das Esmeraldas, representada pela influência oculta às vezes, nem tanto outras, da primeira dama, da primeira filha e do primeiro genro nos negócios governamentais, sem falar na plêiade de Caiados esparramados pela administração, um deles, aliás, tendo se demitido de um cargo de chefia na Goinfra (o primo Aderbal) na semana passada sem que qualquer explicação tenha sido dada. Por que o governador mantém silêncio sobre tudo isso?

 

Se transparência for questão de diploma, Caiado está reprovado.