Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

16 nov

Eleitos com votações maiores que a soma de todos os adversários, Adib Elias, em Catalão, e Paulo do Vale, em Rio Verde, emergem como as maiores lideranças do interior do Estado

Adib Elias, em Catalão, e Paulo do Vale, em Rio Verde, emergem das eleições deste último domingo como as maiores lideranças políticas do interior do Estado. Expulsos do MDB por terem recusado apoio a Daniel Vilela em 2018 e se perfilado ao lado do governador Ronaldo Caiado, eles deram uma resposta maiúscula ao ato de retaliação que sofreram e contribuíram para emagrecer ainda mais o antigo partido de ambos nos seus municípios. Suas vitórias foram arrasadoras, com votações maiores que a soma dos sufrágios dos adversários, cada um.

Jogados na rua pela dupla dirigente emedebista Maguito Vilela-Daniel, Adib Elias foi para o Podemos e Paulo do Vale para o DEM. Quase que imediatamente, o MDB definhou nesses dois colégios eleitorais de importância capital em Goiás. O resultado: em Catalão, conseguiu eleger dois vereadores. Em Rio Verde, igualmente dois. Já as coligações de ambos os prefeitos passaram de 10 vereadores em cada cidade.

Não é exagero afirmar que Adib e Vale praticamente não terão oposição para os novos mandatos que iniciarão. Só que há uma diferença entre eles. O prefeito reeleito de Catalão tem ambições políticas estaduais, mirando em uma candidatura a vice-governador, na chapa de Caiado, ou até mesmo a senador – e adquiriu cacife para tornar sustentáveis ambos os projetos. Já o prefeito reeleito de Rio Verde passa longe de planos de grandeza estadual e deve permanecer nos limites do seu município, como fez neste 1º mandato. É o jeito dele e é assim que ele vai se portar, mas de qualquer forma transformando-se em peça da maior importância no jogo de xadrez da sucessão governamental de 2022.

16 nov

Em uma antecipação do que pode acontecer no Estado em 2022, Goianésia derrota a chapa MDB-PSDB articulada por Daniel Vilela-Otavinho Lage e elege prefeito do DEM

A inusitada chapa articulada pelo presidente estadual do MDB Daniel Vilela em Goianésia, com o advogado Pedro Gonçalves, representante do MDB, para prefeito, e o delegado Marco Antônio, pelo PSDB, como vice, acabou derrotada nas urnas – em uma espécie de aviso premonitório para o que pode ocorrer caso esses dois partidos venham a se juntar, como se prenuncia, para disputar o governo de Goiás em 2022. Venceu o candidato do DEM, com o curioso e indecifrável nome de Leozão do Renatão(foto acima), lançado pelo prefeito Renato de Castro – esse mais uma vítima dos Vilelas no MDB ao ter a candidatura à reeleição impedida como vingança pelo apoio que deu ao governador Ronaldo Caiado em 2028.

Daniel Vilela esteve pessoalmente em Goianésia, para fechar com Otavinho Lage a composição da chapa tucano-emedebista, ideia infeliz que foi festejada, na época, como uma manobra inteligente para criar dificuldades para a reeleição de Caiado daqui a dois anos, caso estadualizada. A sensação inicial foi a de que a jogada estava fadada ao sucesso, até mesmo pelo seu efeito surpresa. Fora o MDB e o PSDB, Goianésia não tem partidos políticos de expressão, menos ainda o DEM. Mas não foi o que aconteceu. Dois fatores se combinaram para enterrar a aliança entre esses dois tradicionais adversários: 1) a rejeição do eleitorado local a um acordo de conveniência entre dois antigos inimigos, ambos com o carimbo de “velha política” na testa e 2) a força do prefeito Renato de Castro, na verdade o grande vencedor da disputa e daqui a dois anos deputado estadual eleito.

16 nov

Nunca se saberá até que ponto a doença de Maguito influiu nas urnas do 1º turno em Goiânia, mas… influiu. E tanto que distorceu o cenário eleitoral e não deixou que nenhum instituto acertasse o resultado

O candidato do MDB Maguito Vilela venceu o 1º turno em Goiânia com uma diferença sobre o 2º colocado, Vanderlan Cardoso, do PSD, que não foi prevista por nenhum dos institutos que divulgaram pesquisas de intenção de votos durante o 1º turno – quando os dois oscilaram na dianteira, mas se mantiveram pelo menos na reta final em situação de empate técnico. Não há dúvidas, por isso, de que a infecção de Maguito pelo novo coronavírus e a via-crucis hospitalar que passou a viver despertou a compaixão das eleitoras e dos eleitores, além de ter permitido, através da trégua que recebeu dos adversários, que a campanha do MDB atacasse impiedosamente Vanderlan durante pelo menos três semanas de programas diários no horário da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão, sem revide.

Quer os apoiadores do emedebista gostem ou não, o fato é que a Covid-19 foi o grande cabo eleitoral do 1º turno na capital. E há uma tese interessante sobre isso: Maguito, internado, deixou de aparecer na sua própria campanha e com isso reduziu o seu desgaste. São muitos os que acreditam que, em condições normais de visibilidade, ele permaneceria nos percentuais elevados de rejeição que ostentou no começo da corrida pelo Paço Municipal e até ganharia alguns pontos negativos. Mas, ao contrário, esses índices que caíram drasticamente a partir da intensificação do noticiário sobre a sua doença. Essa ocorrência é incomum porque a rejeição é um sentimento cristalizado, que só aumenta e nunca diminui, como podem atestar os demais postulantes à prefeitura de Goiânia, todos chegando ao dia da votação com índices maiores de ojeriza do que tinham no começo do processo eleitoral.

13 nov

Profusão de pesquisas, inclusive e lamentavelmente com o aval de O Popular, empurra as eleições municipais goianas para o surrealismo

Virou bagunça. Ou lambança. Ou anarquia. O fato é que Goiás provavelmente passa a deter o título de Estado que mais tem institutos de pesquisa em atividade, oferecendo, em cada cidade, levantamentos os mais absurdos e incongruentes possíveis. Não se preocupe, você, que é candidato a prefeito. Se está atrás em qualquer pesquisa publicada, providencie a sua própria, porque… institutos não faltam.

E com a colaboração de O Popular, o meio de comunicação mais importante do Estado. Por alguns trocados, é possível publicar no jornal qualquer pesquisa, exigindo-se apenas que tenha sido registrada no Tribunal Regional Eleitoral – para o quê basta um ofício e uma cópia do questionário. É uma piada. Cada candidato paga pelos índices conforme o seu interesse, estampa em O Popular e reproduz no seu município, nas redes sociais e onde mais for possível, sempre incluindo a logo e consequentemente o aval, como já dito, do mais destacado órgão de imprensa estadual.

Somente em um dia, 13 de novembro, uma aziaga sexta-feira, O Popular publicou dezenas de pesquisas, assinadas por institutos dos quais ninguém nunca ouviu falar. Vejam só, leitoras e leitores: Podium, AR7, Marques Assessoria, IPCM, EBRAP, IGOP, Imprensa, Contatos, Destake e mais alguns conhecidos por estrepolias em outras eleições, como o Directa (que anunciou a vitória de José Eliton em 2018) e o Diagnóstico. E está aí o escândalo do IPOP, que massificou a manipulação das pesquisas e acabou nas garras da Polícia Civil. Há em tudo isso um exagero. E ninguém pode ser punido porque, em última análise, alegar-se-ia que os resultados apontados são o retrato de um momento, que, divergindo do veredito das urnas, teoricamente podme ser justificados como uma mudança de última hora do eleitorado. É surreal.

É uma farra que precisa, mas não vai ter fim. Felizmente, está comprovado que, para a população, pesquisas não têm a menor influência. O conceito disseminado é que cada candidato ou partido providencia as suas e vamos em frente. O voto não tem nada a ver com essa zorra que só desmerece os candidatos que a ela recorrem.

13 nov

Compaixão por Maguito distorce o cenário eleitoral e deve ter consequências em uma eventual gestão: se eleito, ele pode não ter condições físicas plenas e entregar o Paço para a tutoria do filho Daniel

Chegou a hora das eleições em Goiânia e uma constatação é inevitável: a disputa foi contaminada pelo novo coronavírus, que atacou o candidato do MDB Maguito Vilela e criou a seu favor uma onda de solidariedade envolvendo até mesmos os seus adversários, que evitaram fazer críticas e atirar pedras no monumental telhado de vidro do emedebista – assim ganhando espaço para crescer atirando à vontade contra o seu principal concorrente, Vanderlan Cardoso, do PSD, e ainda por cima contando com a ajuda, nesse mister um pouco sujo, de aliados disfarçados como Adriana Accorsi, do PT, e Elias Vaz, do PSB.

Ao infectar Maguito, que foi negligente e imprudente quanto a medidas de prevenção sanitária, a Covid-19 acabou interferindo no quadro eleitoral a curto prazo, mas seus efeitos correm o risco de ir muito mais longe. Sabe-se que, em especial em pacientes do grupo de risco, a doença traz sequelas que variam em grau de seriedade, podendo, em muitos casos, comprometer para sempre a condição de saúde das suas vítimas. Na edição do dia 30 de outubro, O Popular ouviu autoridades médicas e concluiu que “comprometimentos pulmonares, neurológicos, cardíacos e  circulatórios são alguns dos danos que o coronavírus (Sars-CoV-2) pode causar em pacientes que enfrentaram a
doença. A ainda mal compreendida, a síndrome pós-Covid afeta os pacientes das mais diversas formas e quase sempre de maneira multissistêmica. O tratamento destes sintomas, mesmo depois de os pacientes já estarem  recuperados da Covid-19 propriamente dita, pode levar meses e especialistas ainda não conseguem avaliar com
absoluta certeza qual a duração de sequelas como, por exemplo, dores musculares, cefaleia, letargia, dificuldade para respirar e perda de olfato e paladar”.

Trata-se de um vírus realmente insidioso. Nem de longe é uma “gripezinha”, leitoras e leitores. Maguito enfrentará um longo caminho pela frente para alcançar a recuperação plena, se é que conseguirá. A mesma vida que tinha antes dificilmente terá novamente, no mínimo obrigado a um acompanhamento e rigoroso permanente para o tratamento do que O Popular chamou, em manchete de 1ª página de “danos pós-Covid”. Tudo isso são fatos e não especulações. É por isso que, se ganhar e terminar no comando do Paço Municipal, é óbvio que já existe uma solução pré-moldada, que será designação do filho Daniel Vilela como tutor da administração municipal.

É inevitável. O orçamento da prefeitura de Goiânia é o 2º maior do Estado e obriga a uma pesada vigilância, a mesma que Maguito não teve em Aparecida em seus dois mandatos e que o levou a responder a quase 20 processos por improbidade administrativa e também a ter mais ou menos 50 secretários com contas rejeitadas pelo Tribunal de Contas dos Municípios. O que aconteceu na cidade vizinha não recomenda nenhum gestor. Daniel Vilela, cuja eleição para deputado federal, em 2014, deveu-se sintomaticamente ao forte impulso inclusive financeiro que recebeu do seu pai então prefeito, é que exercerá na prática as funções de prefeito da capital.

Claro, a eleição ainda não está definida, mesmo porque haverá um disputado 2º turno entre os representantes do MDB e do PSD, quando ambas as campanhas se confrontarão com mais força, prevendo-se que, dessa vez, Vanderlan vai suspender a trégua e reagir aos ataques de Maguito. Munição existe. Vamos acompanhar e ver no que vai dar. E Daniel Vilela, enquanto isso, já deve estar se preparando para os encargos de eminência parda que assumirá com uma eventual vitória paterna.

11 nov

Corrupção na prefeitura de Aparecida, sob a gestão de Gustavo Mendanha, repete o padrão de paroquialismo dos 2 mandatos de Maguito: beneficiar políticos locais para garantir o apoio de todos

Estourou nesta semana a Operação Falso Positivo, com agentes da Polícia Civil invadindo a prefeitura de Aparecida para apurar o superfaturamento de serviços médicos na esfera do Hospital Municipal, envolvendo gente graduada do 1º escalão de secretários do prefeito Gustavo Mendanha. A cobertura dos veículos de imprensa foi intensiva, mesmo porque as descobertas dos investigadores acabaram sendo muito contundentes, como por exemplo, o pagamento de R$ 200 reais por exames que, no mercado, podem ser encontrados por R$ 20 reais, abrindo um rombo superior a R$ 1,5 milhão.

Superfaturamento, portanto. Prática comum e tradicional na administração pública brasileira, mas, no caso de Aparecida, com um detalhe chamando a atenção: o esquema era coordenado pela mulher do secretário de Fazenda de Gustavo Mendanha, um certo André Rosa, e inclui uma Organização Social que ganhou em licitação pública a administração do hospital, mas é suspeitíssima, inclusive pelo volume de processos a que o seu diretor-presidente responde, o que, em se tratando de OSs, em Goiás e no país, infelizmente não representa nenhuma novidade.

Vamos ao que interessa, leitoras e leitores: o escândalo repete um padrão que se tornou comum em Aparecida desde as duas gestões de Maguito Vilela na prefeitura. Explicando: recursos públicos são mobilizados, através de contratos fraudulentos e absolutamente ilegais, para beneficiar políticos locais e garantir apoio maciço para o grupo que domina a gestão municipal. A distribuição desse tipo de favores está na gênese da unanimidade que cerca o atual prefeito e o anterior, localmente. Não à toa, Maguito responde a ações de improbidade administrativa (O Popular informou nesta quarta em nota na coluna Giro que é só uma, mas se enganou, são quase 20, bastando conferir no site do Tribunal de Justiça). Uma delas, talvez a mais chamativa, diz respeito a um contrato de aluguel de um prédio de propriedade do procurador-geral do município na época, Tarcísio Francisco dos Santos, que não podia realizar negócios com o poder público e passou, então, o bem para suas duas filhas. Na condenação que sofreu no TJ-GO, o desembargador-relator reconheceu que a operação foi montada com o intuito de “camuflar” a contratação com o procurador. Muito pior: o imóvel foi alugado, sem licitação, para a instalação de um laboratório municipal, que, no entanto, nunca entrou em funcionamento.

Só que o dinheiro saiu dos cofres da prefeitura e foi para as donas do imóvel, as filhas do procurador. Esse caso é apenas um dentre muitos que constituíram um desalinho administrativo marcante nas gestões de Maguito em Aparecida, que tem quase 50 secretários, da época, com contas reprovadas pelo Tribunal de Contas da União, dentre eles a primeira-dama daquele momento, Carmem Silva (ou Sílvia) Estevão de Oliveira. Essa bagunça não acabou, como, agora, a Operação Falso Positivo deixou claro ao colocar a nu a replicação de um esquema de fraudes que era rotina no passado recente em Aparecida.

No mínimo, há e houve leniência dos gestores municipais de lá diante de irregularidades tão ostensivas quanto, no caso desta semana, a de uma familiar do secretário municipal de Fazenda administrando negócios escusos no Hospital Municipal. Nem Maguito nem Mendanha instalaram um órgão de controle ou de fiscalização interna para a prefeitura nem muito menos um gerenciamento de compliance. As coisas, em Aparecida, caminharam e continuam caminhando frouxas. O resultado é a incidência reiterada de ocorrências à margem da lei, que, ao menos em relação a Maguito, terminam por arrastar seus responsáveis aos tribunais. Isso, se continuar, vai comprometer o futuro dourado com que Mendanha sonha e ainda vai trazer mais dissabores para o seu antecessor.

11 nov

Aliança futura entre MDB e PSDB em Goiás, hoje considerada inevitável, é a união do sujo com o mal lavado e deve ser rejeitada pela população com uma surra nas urnas de 2022

É assunto recorrente em todas as rodas da política em Goiás: em 2022, o MDB e o PSDB deverão estar juntos para apresentar uma chapa ao governo do Estado, da qual, desde já, constariam o tucano Otavinho Lage e o ex-deputado federal Daniel Vilela, muito embora seja cogitada também a inclusão do atual prefeito de Aparecida Gustavo Mendanha, ansioso para se transformar em liderança estadualizada depois da reeleição que facilmente conquistará no próximo domingo, 15 de novembro. Antecipando esse filme triste, já há cidades, na atual eleição municipal, em que a união já se consumou. E, no 2º turno em Goiânia, haverá também um alinhamento, prevê-se.

Os dois partidos têm ambos uma rica ficha corrida, local e nacional. Não há escândalo de corrupção, em Goiás e no Brasil, de 40 anos para cá, em que um e outro não apareçam envolvidos. Lembram-se, leitoras e leitores, do caso Caixego, um roubo de milhões de reais para financiar a campanha fracassada de Iris Rezende em 1998? Já são quase 20 anos, mas uma nódoa dessas ninguém apaga da história a não ser que se passem séculos. O MDB/PMDB mandou em Goiás por 16 anos que foram pródigos na arte de fazer dinheiro público sumir pelo ralo, indústria que continuou ativa nas duas décadas que se seguiram de PSDB no poder e que ainda estão frescas na memória do povo, culminando com a prisão de mais de duas dezenas de auxiliares proeminentes do governo e no final de tudo até do próprio governador Marconi Perillo. Na lista de clientes das propinas da Odebrecht, ora, ora, é claro que eles, dos dois grupos,com todos os seus principais nomes citados pelos executivos da empreiteira que fizeram delação premiada.

Certo, emedebistas e tucanos fizeram muito por Goiás, menos que a obrigação e em grande parte aplicando mal os recursos governamentais e cometendo erros pelos quais as goianas e os goianos pagarão por algum tempo ainda, possivelmente para sempre. É possível que o crescimento alegado do Estado, sob a égide dessas duas siglas, não tenha sido mais do que vegetativo, indo muito pouco além, se é que foi. Há estudos de especialistas sérios apontando nessa direção. Além disso, a destruição e a dilapidação da máquina administrativa nesses anos foi monumental, haja vistas à herança recebida pelo governador Ronaldo Caiado. Na época do MDB, nos governos de Iris e Maguito Vilela, três bancos estaduais foram impunemente estraçalhados (há até livros sobre o assunto), depois de manipulados para produzir fundos de campanha. Maguito torrou a usina de Cachoeira Dourada e ninguém sabe aonde a fortuna de R$ 1 bilhão de dólares arrecadada com a operação foi parar. Marconi não fez por menos e vendeu a Celg, nesse caso por uma ninharia, que igualmente não se consegue explicar como foi gasta. Erros e desmandos se acumularam, em uma lista que chega a centenas e centenas de itens, de pequenos a enormes.

Agora, apesar de eleitoralmente inimigos históricos, MDB e PSDB se propõem a uma conciliação que a população provavelmente vai rejeitar, recusando-se a servir de massa da manobra para que essas duas matilhas de lobos voltem a cuidar as ovelhas. Pelo menos é o que se espera e é o que indica a experiência em outros cantos do país onde adversários se emparceiraram em eleições majoritárias e foram massacrados pelo voto popular. Para compartilhar Goiás, emedebistas e tucanos estão dispostos a superar suas divergências, que nunca tiveram nenhum conteúdo programático ou ideológico e apenas se reportaram e se reportam a diferenças pontuais e superficiais. São farinha do mesmo saco, tanto que um, o PSDB, nasceu de uma costela do MDB. O DNA, portanto, é único. E não combina com o interesse da sociedade goiana.

09 nov

Com o 2º turno definido entre os dois, Vanderlan vai ter que responder ao fogo da campanha de Maguito na mesma moeda e expor o telhado de vidro do adversário

As urnas do próximo domingo, 15 de novembro, deverão definir em Goiânia a realização de um 2º turno entre os candidatos do PSD, Vanderlan Cardoso, e do MDB, Maguito Vilela, mas provavelmente com uma novidade: a campanha de Vanderlan dificilmente permanecerá imobilizada pela corrente de solidariedade gerada pela infecção de Maguito pelo novo coronavírus e mudará a estratégia, partindo para retribuir com a mesma moeda os ataques e agressões que recebeu durante o 1º turno, ou seja, expondo o monumental telhado de vidro do emedebista.

Aproveitando-se da trégua que ganhou dos adversários enquanto padecia e até corria risco de vida depois de pegar a Covid-19, a campanha de Maguito não vacilou e massacrou Vanderlan com críticas ácidas, no que foi acompanhada por candidatos como Adriana Accorsi, do PT, e Elias Vaz, do PSB. Formou-se um complô contra o representante do PSD, que, no entanto, não reagiu, em um comportamento ético sem precedentes em eleições em Goiás ao se recusar a responder ao fogo com mais fogo, ainda mais contra um candidato, Maguito, transformado em paciente grave de uma doença mortal.

Mas, no 2º turno, dificilmente Vanderlan oferecerá a outra face. A sua campanha pode e deve concluir que não será mais o caso de garantir ao seu concorrente a janela de oportunidade para bater impunemente de que ele abusou no 1º turno, a ponto de surgir uma convergência entre analistas e veículos de comunicação de que o jogo jogado pelo MDB foi de absoluta deslealdade, para não dizer sujo. O que vem aí é uma nova eleição, tête-à-tête, quando é até um dever informar as eleitoras e os eleitores sobre quem é, de onde vem e qual a folha corrida de cada candidato. E aí a eleição vai se complicar para Maguito.

Depois de internado para se tratar do novo coronavírus, o emedebista foi celebrado pelos seus áulicos como “guerreiro” (alguém até inventou que ele seria conhecido por essa alcunha em Jataí, sua terra natal), mas a sua trajetória política e pessoal mostra que nunca passou perto disso. De Iris Rezende, que enfrentou a ditadura militar e foi peça decisiva da redemocratização do país, até que poderia ser dito. De Maguito, que estava no partido da ditadura, a Arena, naquele momento, jamais. Ele nunca se meteu em nenhuma luta política nem muito menos defendeu em seus sucessivos mandatos eletivos alguma bandeira social ou capaz de mobilizar a população. Não teve no passado e continua sem ter opinião conhecida sobre qualquer tema polêmico. Ao contrário, tentou legalizar o jogo do bicho e os caça-níqueis no Brasil, quando foi senador, época em que também foi padrinho de casamento do empresário do ramo Carlos Cachoeira. Seus mandatos legislativos foram nulos, meras escadas para progredir na carreira de político profissional Como governador, torrou a usina de Cachoeira Dourada e não é capaz de explicar para onde foi a fortuna arrecadada, quase R$ 1 bilhão de dólares pela cotação da época. Sua gestão, fora a cesta básica que o seu sucessor Marconi Perillo desmoralizou com a introdução pioneira do Cartão Renda Cidadã, só é lembrada pela má imagem que construiu perante o funcionalismo estadual.

Vanderlan, se quiser, tem um arsenal para usar. Os dois mandatos de Maguito em Aparecida encabeçam o estoque de armas. Na Justiça, depois de denúncias oferecidas pelo Ministério Público, tramitam hoje quase 20 ações de improbidade por atos ilegais e irregulares que ele praticou na prefeitura. Sim, Maguito é réu. E não em um, dois, três ou quatro processos, mas muito mais, como se pode apurar no site do Tribunal de Justiça. Além disso, Aparecida, depois dos seus oito anos de administração, foi entregue ao sucessor com milhares de crianças sem creches, dois a cada 10 bairros sem asfalto, uma mixaria de ruas com saneamento básico e taxas de criminalidade que só caíram depois que o governador Ronaldo Caiado assumiu o comando das forças de segurança em Goiás. E essa é só uma pequena amostra, porque, se resolver retribuir à altura, Vanderlan tem muito mais a que recorrer.

Ao replicar com pauladas a consideração dos adversários com o seu estado de saúde, o “guerreiro” brincou com fogo no 1º turno. A conta será cobrada na curta, porém intensa campanha que se avizinha com o início do 2º turno na próxima segunda, 16 de novembro.

07 nov

Coronavírus transforma-se no grande eleitor de Maguito e dá ao candidato do MDB uma competitividade que ele não teria se estivesse nas ruas fazendo campanha

A Covid-19 pode eleger o próximo prefeito de Goiânia. Esse é o cenário que emerge após a publicação das duas últimas pesquisas do Serpes e do Ibope, ambas apontando crescimento do candidato do MDB Maguito Vilela, embora há mais ou menos 15 dias sem fazer campanha, já que acometido pelas agruras do novo coronavírus – inclusive, hoje, internado e intubado em um hospital de primeira linha em São Paulo. O curioso em tudo isso é que Vanderlan Cardoso, do PSD, não caiu e também avança em suas intenções de voto, embora em proporção menor que a do seu adversário.

Com a profusão de pesquisas publicadas em Goiânia, o melhor é se ater aos levantamentos do Serpes, instituto tem uma tradição de seriedade e de acertos em suas avaliações eleitorais. O Serpes, da penúltima rodada para a última, apontou um decréscimo significativo na rejeição de Maguito, que, pela lógica, só tenderia a subir, diante do telhado de vidro do emedebista: ele privatizou a usina de Cachoeira Dourada, em uma operação desastrosa para o patrimônio do governo de Goiás, como senador da República tentou legalizar o jogo do bicho e os caça níqueis no Brasil, foi padrinho de casamento do polêmico empresário Carlos Cachoeira, nunca teve apreço pelo funcionalismo público e, para variar, foi por dois mandatos prefeito de Aparecida, período em que promoveu uma lambança administrativa atestada pelos mais de 50 processos de contas dos seus secretários reprovadas pelo Tribunal de Contas dos Municípios. E isso sem falar que ele responde a quase duas dezenas de processos como réu por atos de improbidade administrativa praticados em Aparecida. Como é que, com tudo isso, e ainda por cima sem o apoio do prefeito Iris Rezende, Maguito teve a rejeição diminuída e aumentou as suas intenções de voto?

É claro que surgiu um sentimento de compaixão na sociedade diante do calvário do candidato do MDB como vítima da Covid. Se estivesse na rua, em campanha, Maguito possivelmente não experimentaria os ganhos que está tendo como paciente em estado grave da nova doença. Seus adversários não podem atacá-lo ou sequer criticá-lo, sob pena de serem considerados impiedosos e desumanos. Mas ele, sim, pode mandar bala nos concorrentes e o está fazendo sem o menor acanhamento em relação a Vanderlan Cardoso, do PSD, o principal deles. A campanha do MDB, como registrou o Jornal Opção, abriu uma “pesada artilharia” contra Vanderlan, que acabou imobilizado ao constatar que, se responder na mesma moeda, pode acabar tendo mais prejuízos do que vantagens.

O padecimento de Maguito distorceu a eleição em Goiânia. Não se sabe nem mesmo se ele, sobrevivendo ao mal que contraiu por descuido e relaxamento nas medidas de prevenção sanitária que deveria ter tomado, terá condições de exercer o cargo de prefeito que, hoje, teoricamente pode ganhar. O jornalista Divino Olávio, em seu blog Notícia Pura, é o que tem feito as análises mais coerentes sobre esse aspecto da atual eleição. As sequelas do forte ataque do novo coronavírus a Maguito são inúmeras e dolorosas, ainda mais em se levando em consideração a idade e a falta de resistência genética que infelizmente tem, lembrando-se que perdeu duas irmãs, igualmente idosos, para a Covid. Tomara que não, mas vida normal, por isso, ele nunca mais vai ter. Como administrará Goiânia com as restrições com as quais passará a conviver daqui para diante?

07 nov

Iris desistiu da reeleição e se aposentou, mas agora diz que está em plenas condições físicas, que não abandonará a política e que vai reabrir seu escritório político para continuar participando de tudo

Na decisão mais equivocada que já tomou em toda a sua incrível trajetória de mais de 60 anos na política, a ponto de se constituir na única liderança pré-golpe de 1964 em atuação no país, o prefeito Iris Rezende desistiu da eleição mais certa da sua vida e optou pela aposentadoria, em um momento em que, afora a idade avançada, ainda exibia e exibe condições físicas invejáveis e vontade de trabalhar diuturnamente sem qualquer restrição de saúde. Tá, não há novidade nenhuma em tudo isso, já do conhecimento geral há mais de 60 dias. O que existe de novo é que Iris, agora, resolveu que não se recolherá ao dolce far niente do seu confortável apartamento no setor Marista, vai reabrir o seu escritório político assim que deixar o Paço Municipal e seguirá fazendo o que sempre fez, ou seja, conversar, articular, dar opinião e, enfim, continuar a meter a colher de pau no caldeirão da política goiana, pelo menos conforme manifestou a intenção.

Ora, se é assim, por que Iris renunciou à reeleição? Se ele próprio está argumentando que não tem nenhum impedimento para as atividades que sempre desenvolveu, vocês, leitoras e leitores, não acham que seria muito melhor e mais conveniente manter o controle do Paço Municipal do que se recolher a um “escritório político” inevitavelmente condenado a se esvaziar, após a euforia dos primeiros dias, diante da ausência de poder ou de expectativas nesse sentido? O motor de Iris é o poder, não a política, o que a sua família não compreendeu ao forçá-lo a adotar um rumo que não foi natural. Seria mais sensato, sem sombra de dúvidas, manter a candidatura, disputar e provavelmente com quase 100% de certeza ganhar mais um mandato para concluir as suas obras e talvez a melhor administração que já fez em toda a sua carreira, em vez de entregar o doce que ainda não está pronto a um sucessor qualquer, ou seja, um pacotão de obras inacabadas.

Bem, quem decidiu não se candidatar e, naquele momento, sair da política, não foi Iris e sim a sua família. Um erro e tanto, já que o oxigênio dele é a política como mecanismo para influir na direção da sociedade e foi daí que retirou a energia para chegar aos oitenta e lá vão mais anos na plenitude dos seus sentidos e habilidades. Em um “escritório político” como o que ele pretende reinstalar, como conselheiro de quem quer que o procure, isso não terá utilidade alguma, fora justificar visitas e alguma prosa saudosista até, em pouco tempo, não haver mais solicitação de agendas. Ainda mais quando quem conhece Iris sabe que o único conselho que ele dá é padrão, ou seja, não se comprometendo e evitando desagradar a quem o ouve, apenas repetindo, como sempre procedeu quando indagado sobre o que alguém deve ou não fazer, que cada um “deve seguir o que o seu coração indicar”.

Esse é Iris. Mas, logo, logo, ao cair no ostracismo, vai deixar de ser.

04 nov

Pesquisas contraditórias embaralham a eleição em Goiânia e Anápolis, mas, a 10 dias das urnas, em meio a campanhas frias, as tendências estão mantidas a favor de Vanderlan e Gomide

Seja em razão das estratégias de cada campanha, que sempre recorrem a pesquisas ajustadas com institutos amigos – e essa é uma prática completamente sem limites no mundo eleitoral de hoje -, seja pela dificuldade natural de apurar intenções de votos em meio a campanhas frias  e distantes do eleitorado, o fato é que predomina no momento um certo clima de “embaralhamento” em Goiânia e Anápolis. Há dúvidas, colocadas por uma profusão de levantamentos contraditórios, sobre o tamanho da distância que separa Vanderlan Cardoso, do PSD, na capital, e Antônio Gomide, do PT, na cidade vizinha, dos seus concorrentes mais próximos e até mesmo se os dois estão mesmo na dianteira, uma vez que, nas duas praças, foram publicadas pesquisas mostrando que não.

Quanto mais próxima a data da eleição, mais dificuldades têm os institutos para investigar as preferências das eleitoras e dos eleitores. O processo de definição do voto enfrenta oscilações diárias, que as mais qualificadas metodologias não são capazes de captar com precisão. Isso pode ser entendido com base em constatações das pesquisas que estão sendo divulgadas sobre Goiânia e Anápolis: em ambas, os candidatos mais rejeitados, ou seja, Maguito Vilela, do MDB, e Roberto Naves, do PP, são os que mostram maior e mais rápido crescimento. Trata-se de uma aparente inconsistência: como é que os nomes mais citados quando a pergunta é “Em quem você não votaria de jeito nenhum?” são justamente os que mais avançam, segundo esse ou aquele instituto?

Uma explicação está em que tanto Maguito quanto Naves começaram a campanha abaixo das suas possibilidades e, portanto, teriam mesmo que subir alguns pontos, porém não o suficiente para vencer seus adversários, que, a propósito, são fortíssimos: Vanderlan, na capital, tem muito mais recall que o emedebista e seu nome representa uma proposta de renovação política, fora do profissionalismo e do carreirismo, já que é empresário bem sucedido em seus negócios; e Gomide, em Anápolis, é simplesmente um ex-prefeito por dois mandatos que deixou o cargo com uma taxa de aprovação de 85% e é quase uma unanimidade na cidade. Tanto um como outro, em princípio, estão muito melhor posicionados que os demais concorrentes.

Sim, leitoras e leitores: política e eleições têm lógica e só raramente destoam, o que só ocorre diante da atuação de condições favoráveis pré-existentes, o que, na pandemia em curso, parece não existir nos dois principais colégios eleitorais do Estado, não nos casos de Maguito e Naves. Não é fácil para um legítimo representante do velho estamento, como Maguito, vencer em Goiânia, cidade com a qual nunca teve a menor identidade – aliás, nenhuma, não é exagero concluir, e menos ainda para um fenômeno pontual como Roberto Naves ganhar em Anápolis depois de fazer uma gestão sem marcas e com tão poucas realizações que as promessas que faz no seu programa de televisão são uma autodenúncia da sua inoperância.

02 nov

3ª pesquisa Serpes/O Popular: Vanderlan e Maguito oscilam dentro da margem de erro, mas o cenário continua o mesmo, com vitória para o candidato do PSD, inclusive na simulação de 2º turno

Saiu a 3ª rodada da pesquisa Serpes/O Popular(print acima), o mais abalizado levantamento de intenções de votos disponível em eleições em Goiás, rotineiramente usado como padrão e referência pelo universo envolvido com as campanhas e pelo público em geral. O candidato do PSD Vanderlan  Cardoso segue na liderança, com 24,5%, tendo oscilado negativamente 2,3 pontos (estava com 26,3%) dentro da margem de erro, que é de 4 pontos para mais ou para menos. Da mesma forma, o candidato do MDB pontuou 21,5%, um acréscimo de 4,2 pontos, praticamente também dentro da margem de erro, já que tinha 17,3% na pesquisa passada. Tudo isso, pelo menos teoricamente, sugere um empate técnico entre ambos.

Os demais índices de importância seguem como estavam: Maguito e Adriana Accorsi, do PT, são os mais rejeitados, bem à frente dos demais candidatos. E, o mais decisivo, Vanderlan confirmou sua vantagem na simulação de 2º turno, quando venceria Maguito com quase 10 pontos de dianteira. Para o comitê coordenador da campanha do MDB, não há dúvidas de que a pesquisa é um balde de água fria na cabeça, já que se esperava uma virada, segundo eles, indicada por institutos próximos do emedebismo, como o Ibope, o Diagnóstico e o Fortiori, que vinham colocando Maguito em 1º lugar com margem expressiva sobre Vanderlan.

O chamado “efeito facada” buscado pelo marketing de Maguito, isto é, a tentativa de capitalizar politicamente o martírio do candidato depois de atacado pelo novo coronavírus e hoje intubado em um hospital de primeira linha em São Paulo, parece não ter acontecido, já que os dados levantados em campo pelo Serpes o foram na quarta e na quinta últimas, quando Maguito já havia sido transferido via UTI aérea para a capital paulista e não mostraram a tal “virada”. Efeito facada é a reprodução da situação que beneficiou eleitoralmente o então candidato Jair Bolsonaro, em 2018, depois de ser ferido em Juiz de Fora e praticamente chegar ao dia da votação sob intensos cuidados médicos e risco de vida, o que provavelmente ajudou na sua eleição até mesmo pela intensa e maior exposição que ganhou em todos os canais de mídia. É fato que, sim, o emedebista mostra uma curva de subida no gráfico das 3 pesquisas publicadas por O Popular, mas, ao contrário das expectativas do MDB, ainda sem alcançar numericamente Vanderlan e, pior ainda, sem mostrar esse mesmo avanço na simulação de 2º turno. Por ora, a Covid-19 não rendeu votos para Maguito.

30 out

Campanha do MDB continua no ataque a Vanderlan e tenta transformar infecção de Maguito pelo novo coronavírus em “facada” para garantir ganhos eleitorais e virar o jogo

Em meio a pesquisas controversas, mas com institutos de credibilidade indiscutível como o Serpes e o Grupom apontando Vanderlan Cardoso do PSD, na frente, e ainda por cima vencendo por boa margem nas simulações de 2º turno, o MDB enxergou uma oportunidade no acometimento do seu candidato Maguito Vilela pelo novo coronavírus. Uma, não. Duas. A primeira foi aproveitar o clima de solidariedade que se formou a favor da recuperação de Maguito, com os adversários suspendendo cordialmente ataques e críticas, e partir para intensificar a artilharia contra pelo menos um oponente, aliás o principal, Vanderlan. E a segunda é o esforço para capitalizar o momento dramático vivido pelo candidato para tentar crescer, transformando o sentimento de empatia e compaixão das eleitoras e dos eleitores em intenções de votos e pontos nas pesquisas.

Quanto ao primeiro item, eticamente trata-se de uma atitude deplorável. Quase que jogo sujo, uma das especialidades históricas do MDB em eleições em Goiás. Consultados, membros da campanha lavam as mãos e informam que a estratégia foi definida pelo marqueteiro Jorcelino Braga. Ele seria o culpado por manter o combate pesado a Vanderlan, valendo-se das próprias boas intenções do representante do PSD ao dar talvez ingenuamente um tempo nas possíveis arremetidas que poderia lançar contra Maguito – e munição existe de sobra, desde erros administrativos sérios cometidos no passado, como a privatização da usina de Cachoeira Dourada e posterior desperdício dos recursos arrecadados, até as quase duas dezenas de processo por improbidade a que o emedebista responde na Justiça após denunciado pelo Ministério Público Estadual.

Vale lembrar: corroborando o ponto de vista de que a campanha de Maguito está se excedendo, a Justiça Eleitoral foi acionada e, como esperado, proibiu a continuidade da veiculação dos ataques rasteiros a Vanderlan, pelo menos no rádio e na televisão, pior ainda com a utilização de trucagens e outras trapaças. E o Jornal Opção foi atrás de um cientista político, o professor da UFG Guilherme Carvalho, que interpretou corretamente a “eleitoralização” da doença de Maguito: “Claro que por trás das ações, existem motivos solidários. Mas sabemos que também existe um cálculo político incumbido. Os estrategistas já estão sabendo se utilizar desse momento, no entanto, ainda é preciso ganhar mais abrangência para fazer com que o tempo em que o Maguito está fora das ruas possa ser convertido em uma estratégia vencedora”, esclareceu ele.

Ou seja: para o MDB, vale tudo para ganhar a eleição em Goiânia. Até criar uma versão própria para a facada que Jair Bolsonaro levou em Juiz de Fora na campanha de 2018.

29 out

O mau exemplo de Maguito: contaminação foi resultado de falta de cuidados sanitários, ainda mais diante da idade e da provável fragilidade genética para enfrentar a Covid-19

As fotos acima, apenas duas, atestam o mau exemplo que o candidato do MDB a prefeito de Goiânia Maguito Vilela deu ao se descuidar, apesar dos seus quase 72 anos e portanto se classificando como integrante do grupo de risco, ainda mais diante dos antecedentes de duas irmãs também idosas que não resistiram ao novo coronavírus, das medidas de prevenção sanitária que deveria ter adotado para desenvolver as atividades da sua campanha – o que o levou a ser infectado e a passar agora por um momento difícil, que pode ser classificado como de luta pela sobrevivência.

As redes sociais de Maguito parecem ter sido peneiradas de última hora, com a retirada das imagens anteriormente postadas, que mostravam o candidato à vontade, reunindo-se com pessoas, a curta distância, sem máscara protetora e mesmo falando ao microfone também sem defesa para a boca e o nariz. Além disso, o emedebista fez uso incorreto de equipamentos, como a máscara de acrílico  que semicobre o rosto, mas, segundo especialistas, só dá segurança em caso de uso concomitante da máscara de tecido. Maguito recorreu a esse artifício para desfilar pelos bairros em apinhadas carrocerias de pequenos caminhões e camionetes com o objetivo teórico de facilitar a sua identificação pelos eventuais transeuntes e populares nas ruas e calçadas (observem que junto a ele há outra pessoa cometendo o mesmo erro, além de uma outra, logo atrás, tocando a máscara com a mão, o que também não é recomendado).

Na outra foto, os equívocos se repetem. Maguito corta o cabelo em um local de alto potencial de contaminação, ou seja, um salão de barbeiro, o tradicional New Star, na Praça Tamandaré. O conhecido Ruimar Ferreira, que o atende, deixa o nariz de fora da máscara e respira sobre o candidato, que, além disso, tem nas mãos uma foto ou um pedaço de papel, possivelmente entregue pelo cabeleireiro. Tudo errado. Ou erradíssimo. Alguém com as condições físicas preliminares como as dele jamais deveria se expor tanto assim. E tanto que o resultado não poderia ser outro, como não foi: ele contraiu o vírus e, apesar das notas otimistas e das declarações infelizes do seu médico e do seu filho Daniel Vilela, passa por um momento difícil internado em uma UTI em São Paulo.

Com Maguito doente, formou-se em torno dele uma corrente de solidariedade que uniu aliados e adversários, quase que santificando a sua figura e o seu comportamento, muito embora a campanha do MDB tenha incorrido em um delito ético grave: enquanto os programas de Vanderlan Cardoso, do PSD, no rádio e na televisão, suspenderam as críticas, que já eram poucas, ao concorrente, a campanha emedebista continuou no ataque, veiculando peças de desconstrução contra Vanderlan. É como, em uma comparação futebolística ao gosto do desportista Maguito, um time que se aproveita da bola colocada para fora pela equipe oponente para permitir atendimento médico a um dos seus jogadores caídos em campo, cobra a lateral e se vale da gentileza para rapidamente tentar marcar um gol. Moralmente, é inaceitável.

Enquanto isso, continuam inconfiáveis as notas do MDB, as informações repassadas pelo médico particular e genro, dr. Marcelo Rabahi e as declarações de Daniel Vilela sobre as condições de saúde do paciente ilustre. É um espetáculo deprimente o que estão a protagonizar. Segundo o que dizem, desde o início, Maguito sempre está bem, estável, movimentando-se, alimentando-se e tudo o mais, o que contradiz a escalada de piora a que ele foi arrastado, a ponto, hoje, de ninguém saber exatamente qual o seu estado verdadeiro. Mas, pelo menos, não é por sua culpa, mesmo porque não tem se tem detalhes sobre o impacto emocional que sofre. E ainda mais quando é nítido o esforço da campanha para capitalizar a doença, mais ou menos como Jair Bolsonaro transformou em trunfo a facada de Juiz de Fora. Quem está falando e agindo por Maguito o está fazendo muito mal.

27 out

Caso Maguito repete a falta de transparência que ajudou a matar Tancredo Naves, no passado, e mostra que esconder a verdadeira condição de saúde dos políticos é uma regra ainda seguida

Leitoras e leitores: não se enganem com os comunicados oficiais e as notícias passadas pela assessoria de imprensa do candidato do MDB a prefeito de Goiânia Maguito Vilela. Ele se encontra em um quadro delicado ou grave de saúde, talvez gravíssimo, acometido pela Covid-19, para a qual geneticamente tem baixa resistência (duas irmãs morreram vítimas da doença, uma mais nova e outra mais velha), muito embora seus boletins médicos insistam em que “está bem” e que “não apresenta complicações”, enquanto fica pior a cada dia.

Depois de contrair o novo coronavírus, ignorando essas premissas, primeiro Maguito ficou em casa por precaução, “para evitar transmitir o vírus”. Depois, foi internado em um quarto comum de hospital também por “medida de precaução”, embora apresentando um “estado de saúde muito bom”. Em seguida, foi para a UTI, mais uma vez “por precaução”, onde se constatou que estava com os pulmões comprometidos, o que evidencia a sua falta de capacidade física para enfrentar a Covid-19. Cumulando tudo isso, passou-se a cogitar de uma transferência emergencial para oHospital Albert Einstein, em São Paulo, via UTI aérea, operação repleta de perigos, pasmem leitoras e leitoras, “por precaução”, sempre de acordo com os ridículos comunicados oficiais da campanha do MDB. E provavelmente prejudicado por uma depressão, ou seja, tomado pelo medo de morrer, diante de todos os seus antecedentes, o que não ajuda em uma recuperação.

Desde o início, está tudo errado. A sequência de desacertos é longa. Um homem com quase 72 anos de idade, ou seja, integrante do grupo de alto risco, não deveria ter sido exposto a contatos com apoiadores, reuniões, carreatas e uma intensa agenda de eventos, como aconteceu com Maguito e, pior, sem requisitos sanitários extremos. Aliás, a candidatura, neste momento de pandemia, pode ter sido uma loucura, conforme o autor dessas mal traçadas considerou na época em que foi anunciada. E ele continuou dando mau exemplo ao brincar com a sorte. Por exemplo, usando máscaras parciais de acrílico, teoricamente para facilitar o reconhecimento do seu rosto pelas plateias e pelos bairros por onde desfilou em cortejo eleitoral. Mas, segundo especialistas, esse equipamento não protege nem a quem o usa nem as pessoas com quem se tem contato. Como é que alguém da importância de Maguito, um dos dois candidatos com possibilidade de vencer a eleição para prefeito de Goiânia, comete ou é submetido a um descuido dessa magnitude?

Há um preço e ele foi cobrado com a inevitável contaminação. Gente com a idade de Maguito, ainda mais com as suas condições financeiras, que são inigualáveis, deveria ficar em casa e evitar se expor, ao contrário do que ele fez, atrás da eleição para o lugar de Iris Rezende e sem tomar os devidos cuidados. Sim, porque, na maioria das vezes, ou pelo menos em muitas delas, quem contrai a Covid-19 infelizmente relaxou quanto as normas de prevenção. Parece ser o que houve.

O que está em andamento com o candidato do MDB lembra uma das maiores tragédias da política nacional, que foi a morte de Tancredo Neves a poucos dias de assumir a presidência da República, uma história até hoje mal contada, em que a ocultação de informações ajudou a levar o paciente a óbito. É preciso, urgentemente, que a verdade sobre a condição de Maguito seja revelada ou que, pelo menos, alguém com credencial médica diga o que ele está passando, que o impediu até de atender a um telefonema de Iris Rezende. Eleger-se prefeito de Goiânia, a qualquer custo, não vale a pena. Menos ainda ao custo de correr o risco de perder a vida.