Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt e convidados sobre política, cultura e economia

19 maio

Pressão do PTB sobre Lúcia Vânia continua: Jovair Arantes insiste em critérios para preencher a segunda vaga ao Senado na chapa governista e diz que “quem tem mandato não tem direito adquirido”

A panela de pressão em que se transformou o processo de escolha do titular da segunda vaga ao Senado, na chapa governista, está fervendo em níveis perigosamente altos.

 

Por um lado, Demóstenes Torres, o desafiante, prossegue em incessante atividade de contato com as bases nos municípios, atraindo também apoio ostensivo do deputado federal (não sei se suplente, no momento) Sandes Júnior e do líder do Governo na Assembleia, Chiquinho de Oliveira, e dezenas de prefeitos.

 

Por outro, o deputado federal Jovair Arantes, cabeça coroada do PTB nacional, continua disparando frases duras contra a senadora Lúcia Vânia, que se considera dona da vaga, sem necessidade de disputar. Jovair, na coluna Giro, em O Popular deste sábado, exige a definição de critérios para a escolha do candidato e fulmina: “Não existe direito adquirido para quem tem mandato. Isso é antidemocrático”.

 

Pode escrever, leitor: esse conflito não vai terminar bem para a base governista.

19 maio

OAB-GO elege lista sêxtupla para a escolha do desembargador que será nomeado pelo quinto constitucional no Tribunal de Justiça. Veja os nomes

O Conselho Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO) elegeu na noite desta sexta-feira (18/05) a lista com seis nomes que vão disputar vaga destinada à advocacia para ocupar um cargo de desembargador no Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJ-GO), a chamada Lista Sêxtupla.

São eles: Alexandre de Morais Kafuri, Antonia de Lourdes Batista Chaveiro Martins, Augusto César Rocha Ventura, Ezequiel Morais Silva, Guilherme Gutemberg Isac Pinto e Luiz Inácio Medeiros Barbosa,

A OAB-GO tem agora cinco dias para remeter ao TJ-GO a lista sêxtupla, acompanhada dos currículos dos candidatos escolhidos. Conforme o rito previsto pela Constituição Estadual, o Tribunal escolherá três nomes (lista tríplice). Caberá ao governador José Eliton, por fim, escolher o nome do novo desembargador que vai ocupar a vaga destinada à advocacia.

 

 

18 maio

Encontro de Vilmar e Caiado aconteceu no final de abril, em São Paulo, sob as bênçãos de Kassab – que, antes, rezou o mantra: “Para onde Vilmar for, o PSD de Goiás irá também”

É mais séria do que se imagina a articulação do ex-deputado Vilmar Rocha para levar o PSD a integrar a coligação do senador Ronaldo Caiado.

 

No final de abril, os dois deram uma de Trump e Kim Jong-un e tiveram uma conferência de paz em São Paulo, logo após Vilmar se encontrar com o ministro Gilberto Kassab para ouvir do chefão do partido a garantia de que, para onde ele pender, o PSD de Goiás irá inteiro.

 

O arranjo final da chapa teria a transferência do senador Wilder Morais para a vice, com Vilmar em uma vaga para o Senado. O sonho dourado que permeou a conversa é a escalação de Lúcia Vânia na outra vaga, como consequência da situação de atrito que ela está vivendo na base diante da concorrência de Demóstenes Torres e da agressividade do PTB.

18 maio

Má performance de Zé Eliton nas pesquisas e liderança precária de Marconi esvaziam a autoridade necessária para aparar arestas e resolver sobre a segunda vaga ao Senado na chapa governista

Tem razão o jornalista Helvécio Cardoso quando conclui, no Diário da Manhã desta sexta, que a falta de desempenho satisfatório nas pesquisas tem prejudicado tanto o governador Zé Eliton quanto o ex Marconi Perillo.

 

Sem índices afirmativos, não há como nenhum dos dois ostentar a autoridade necessária para aparar arestas e encaminhar soluções para desafios em face das próximas eleições, tais como o preenchimento da segunda vaga ao Senado, alvo de litígio entre Lúcia Vânia e Demóstenes Torres.

 

Problemão: Helvécio Cardoso acha que Lúcia Vânia não vai fazer o menor esforço para conquistar a tal segunda vaga. Ou Zé Eliton-Marconi garantem o lugar a ela ou… um abraço para quem fica.

 

O PMDB e Caiado a esperam de braços abertos.

18 maio

Wilder, mesmo sem densidade eleitoral, acabou contribuindo para o fortalecimento da chapa de Caiado, ao acrescentar estrutura e capilaridade

De densidade eleitoral perto de zero, o senador Wilder Morais, não obstante, acabou por acrescentar consistência ao projeto oposicionista de Ronaldo Caiado.

 

Milionário, a primeira e óbvia constatação é que Wilder significa de alguma forma a ampliação da estrutura de campanha de Caiado.

 

Em segundo lugar, trata-se de um senador da República – mandato que sortudamente lhe caiu no colo há mais de 7 anos. É um título que pesa em qualquer situação.

 

Em terceiro, se foi e é uma lâmpada apagada no Senado, Wilder ganhou um brilho estadual trabalhando como uma formiguinha para destinar recursos a quase todos os 246 municípios goianos. Parece exagero, mas o fato é que ele conseguiu. Isso dá capilaridade e conhecimento das bases em todo o Estado.

 

Por último, sua adesão a Caiado representou um golpe, politicamente falando, no sistema governista. Em eleições, tudo que um candidato tira dos adversários conta pontos para ele.

18 maio

Candidato a governador não deveria fazer críticas infundadas só porque é de oposição: Caiado diz que OSs da saúde não têm transparência quanto aos gastos. Dá uma olhadinha na internet, senador…

No Diário da Manhã desta sexta, o senador Ronaldo Caiado faz as suas críticas habituais à política de saúde do Estado – notícia absolutamente corriqueira em que se tratando de um candidato de oposição ao governo.

 

Mas causa estranheza Caiado incluir, nos seus ataques, uma espécie de denúncia, no sentido de que os gastos das Organizações Sociais que administram os hospitais do Estado não têm transparência nenhuma.

 

Têm, sim, senador. Basta consultar os sites de cada OS na internet e verificar que contratos, pagamentos, despesas, folha de pessoal, fornecedores, tudo enfim que diz respeito a aspectos financeiros da gestão dos hospitais estaduais está cansativa e pormenorizadamente lá, através de um volume de informações talvez até exagerado pelo excesso de minúcias – mas atendendo às determinações da Controladoria Geral do Estado.

 

Pode faltar qualquer outra coisa – e acredito que não, parecendo a mim que os hospitais estão funcionando exemplarmente –, mas jamais transparência. Ou o senador e sua assessoria não sabem navegar na internet?

18 maio

Governo Zé Eliton poderia ter comemorado, com méritos, os 49,9% de expectativas de boa gestão, apurados pelo Grupom/DM, mas preferiu distorcer a verdade ao tentar transformar esse índice em aprovação

O governo Zé Eliton recebeu uma boa informação da pesquisa Grupom/Diário da Manhã publicada no início desta semana: um índice de 49,9% de expectativas no sentido de que o novo governador FARÁ uma gestão boa e ótima.

 

Não seria possível esperar número melhor. O dado mostra que Zé Eliton assumiu exibindo doses elevadas de credibilidade, além de se beneficiar de uma boa e ótima aprovação, ainda segundo o Grupom, do recém-encerrado Governo Marconi Perillo. São 43,8% de aprovação (soma dos índices ótimo e bom) – avaliação medida com objetividade pela pesquisa.

 

Em vez de comemorar esse resultado fantástico, o governo preferiu investir na deturpação do resultado da pesquisa e apregoou com força ter recebido uma aprovação de 49,9% – que não corresponde ao que o Grupom escrutinou.

 

Nesta sexta mesmo, está o deputado Thales Barreto a exaltar, no Diário da Manhã, “a aprovação de 49,9% dos goianos ao governo Zé Eliton”.

 

Não, deputado: 49,9% dos goianos, segundo o Grupom, acreditam que Zé Eliton FARÁ um bom e ótimo governo, nada mais. Ao distorcer a pesquisa, o oficialismo conseguiu transformar em fato negativo o que deveria ter sido uma informação alvissareira.

18 maio

Corrida pela segunda vaga ao Senado: Lúcia Vânia reaparece e vai a 2 municípios. Demóstenes segue à jato e no mesmo período visita 9

A senadora Lúcia Vânia reapareceu para prestigiar 2 municípios, Luziânia e Santo Antonio do Descoberto, participando de eventos em torno do governador Zé Eliton.

 

No mesmo período, além de marcar presença nas mesmas festividades em Luziania e Santo Antonio, Demóstenes Torres foi a mais 7 cidades: Trindade, Abadia, Varjão, Cromínia, Professor Jamil, Aragoiânia e Pontalina.

18 maio

Viagem de 20 dias de Marconi ao exterior, a 4 meses da eleição, deixa a base governista à deriva, ameaçada por problemas sérios que demandam articulação e solução urgente

Parece fora de hora a viagem de 20 dias do ex-governador Marconi Perillo à Asia, a apenas pouco mais de 4 meses das eleições.

 

Marconi é a única liderança do seu sistema político que tem autoridade para articular e buscar soluções para problemas graves como a disputa entre Lúcia Vânia e Demóstenes Torres pela segunda vaga ao Senado e o posicionamento da chapa de candidatos a deputado estadual – questões sérias que podem ter reflexo no resultado do pleito.

 

Só que o ex-governador sumiu.

18 maio

Base governista está assentada sobre um barril de pólvora: composição da chapa majoritária, segunda vaga ao Senado, formação da chapa para deputado estadual, tudo isso tem potencial explosivo

Com vistas às próximas eleições, a base governista está assentada sobre um verdadeiro barril de pólvora, com pelo menos 3 estopins acesos: a composição da chapa majoritária, especialmente a disputa pela segunda vaga ao Senado, e a formação da chapa proporcional visando a Assembleia Legislativa.

 

Unanimidade, só as candidaturas do governador Zé Eliton à reeleição e do ex Marconi Perillo ao Senado. O restante é quase que totalmente crítico. Não há a menor previsão sobre quem ocupará a vaga de vice (cargo que, estranhamente, parece não despertar interesse, por enquanto). Lúcia Vânia, pelo PSB, e Demóstenes Torres, pelo PTB, se enfrentam pela segunda vaga senatorial. Quem for excluído pode até levar um partido de peso para fora da coligação governista, carregando preciosos segundos de tempo de propaganda eleitoral gratuita na televisão (em cada um dos dois blocos diários de 9 minutos destinados à campanha ao governo, PSB e PTB têm aproximadamente 30 segundos cada, fora as pílulas espargidas pela programação). Isso sem falar em uma consequência política ainda mais séria: o enfraquecimento da candidatura de Zé Eliton.

 

Não há, no horizonte, qualquer hipótese para que se resolva esse drama.

 

A questão da chapa proporcional para a Assembleia também é complicada. O PSDB tem 12 candidatos a deputado estadual com potencial de eleição (isso caso se confirme a volta do presidente da Assembleia José Vitti ao páreo). Isoladamente, o partido elegeria no máximo 6, porém coligado com outras legendas poderia fazer mais. O problema é que nenhuma outra sigla quer servir de escada para levar parlamentares estaduais tucanos ao topo, sacrificando seus próprios postulantes.

 

A chapa de candidatos a deputados federais tem uma situação mais tranquila. Uma coligação (chapão), com candidatos de todos os partidos da base, beneficia igualmente a todos.

 

17 maio

Iris desce à quase insignificância política, mesmo administrando o 2º maior orçamento do Estado, e à triste condição de cabo eleitoral de dona Iris

Já reparou, leitor? Quem é que quer saber o que Iris Rezende pensa ou está fazendo em termos do processo político estadual?

 

No clímax da sua vida pública, ocupando uma prefeitura resistente a qualquer esforço de boa gestão, o velho cacique vive a maior parte do tempo sumido do noticiário, sem ser procurado pelos principais atores da política em Goiás.

 

Já se disse que, no Paço Municipal, Iris se assemelha a um tubarão preso em um aquário para peixinhos dourados.

 

Parte do tempo, passa tentando resolver sem conseguir os principais problemas da capital. O resto, como dedicado cabo eleitoral, concentra-se na construção da candidatura de dona Iris Araújo à Câmara Federal – também cercada pelo desânimo.

17 maio

“Recorde histórico”, avalia o deputado Mané de Oliveira sobre os supostos 49,9% de aprovação de Zé Eliton na pesquisa Grupom/DM. Só pode ser ironia

Ingenuidade ou ironia?

 

O deputado Mané de Oliveira, que é do PSDB, avaliou como “recorde histórico” os 49,9% de aprovação que o governador Zé Eliton comemorou ter alcançado, mas não alcançou na pesquisa Grupom-Diário da Manhã publicada na última terça-feira. Um índice desses em apenas 30 dias, ou um pouco mais, não é para qualquer um, acrescentou o deputado.

 

E não é mesmo.

 

Esse índice não tem nada a ver com uma possível aprovação do atual governo porque o Grupom simplesmente não mensurou a aprovação do atual governo. Só perguntou aos seus entrevistados se acreditam que Zé Eliton, empossado há poucas semanas, pode vir a fazer uma boa gestão. A essa questão, 49,9% responderam que acreditam que sim, que fará uma administração boa ou ótima. Veja bem, leitor: não disseram que o governo de Zé Éliton É bom ou ótimo; disseram que acham que SERÁ, manifestando uma mera expectativa – provavelmente reverberando a boa e ótima aprovação de 43,8% que o governo Marconi Perillo obteve na mesma pesquisa.

 

Pegaram a resposta, esqueceram a pergunta do Grupom, e estão promovendo um carnaval.

17 maio

No Instagram, Marconi corta Demóstenes de foto em Luziânia. Pode ter sido acidental, mas em política as coisas nunca acontecem por acaso e sempre têm algum significado

Um evento recente em Luziânia reuniu o governador Zé Eliton, o ex-governador Marconi Perillo e mais uma plêiade de políticos importantes, como o procurador Demóstenes Torres, candidato a senador pelo poderoso PTB; o ministro Alexandre Baldy e o deputado federal Thiago Peixoto.

 

É claro que todos aproveitaram para postar fotos em seus perfis sociais, verdadeira mania da classe política. O detalhe é que, em uma pose com todos abraçados, Demóstenes, que está em uma ponta, aparece garboso em todas as fotos, menos na que foi publicada na página do ex-governador Marconi Perillo no Instagram.(Veja, por exemplo, a comparação acima entre as fotos publicadas nos perfis de Marconi e de Thiago Peixoto).

 

Pode não ser nada de mais. Mas pode ter também significado. Políticamente, Marconi passa por um dilema: está espremido entre os nomes de Lúcia Vânia e de Demóstenes Torres para a segunda vaga ao Senado na chapa governista – a primeira, obviamente, é dele e ninguém discute. Mas a outra é pura nitroglicerina, para usar um chavão.

 

Qualquer que seja o escolhido, sobrarão destroços.

 

17 maio

Em meio ao festival de comemorações por um índice de aprovação que não houve, professor da UFG chama à realidade: “Se Zé Eliton tivesse mesmo esse índice de 49,9%, as intenções de voto nele seriam maiores que 9,8%”

O Diário da Manhã desta quinta traz um festival de comemorações, a começar pelo próprio Zé Eliton, a propósito do suposto índice de aprovação de 49,9% de bom e ótimo que o governador atual teria alcançado na pesquisa Grupom/DM recém-publicada.

 

Já mostrei aqui que essa aprovação não foi apurada pela pesquisa. O Grupom não perguntou sobre o que seus entrevistados acham do desempenho do governador ou do seu governo. O que o instituto fez foi indagar sobre a expectativa da população sobre o Governo José Eliton, quando, aí sim, 49,9% (soma dos índices de bom e ótimo) responderam acreditar que ele FARÁ uma boa gestão.

 

Isso está longe de ser aprovação, não passando de mera esperança. O próprio Diário da Manhã entrevistou alguns acadêmicos sobre a pesquisa e colheu uma gota de bom senso por parte do professor de Ciências Sociais Carlos Ugo Santander, da UFG: “Se José Eliton tivesse mesmo esse índice de aprovação, as intenções de voto no tucano seriam maiores”. (No título desta nota, acrescentei por minha conta os números do Grupom, para melhor esclarecimento aos leitores).

 

Não é preciso dizer mais nada. De fato, leitor amigo, é difícil explicar como é que um governador-candidato, com 49,9% de aprovação, só aparece com 9,8% de intenções de voto. Ou melhor, é fácil explicar: essa aprovação nunca houve. O que a pesquisa Grupom apurou foi uma simples visão para o futuro.

17 maio

Aprovação do Governo Marconi, de 43,8% na pesquisa Grupom/Diário da Manhã, essa, sim, é real e provavelmente se refletiu na expectativa de que o seu vice Zé Eliton fará uma boa gestão

A questão que o Instituto Grupom apresentou aos seus 861 entrevistados, em 41 municípios, sobre a aprovação do Governo Marconi Perillo, recém-encerrado, foi bem diferente da que foi feita em relação ao Governo José Eliton, na pesquisa publicada nesta semana pelo Diário da Manhã.

 

Sobre Marconi,  o Grupom perguntou diretamente sobre a qualidade da gestão dele. E 43,8% responderam que foi boa e ótima, um índice respeitável, quase o dobro do que Marconi obteve no último levantamento realizado pelo Serpes e publicado em O Popular – embora, por uma questão de metodologia, não seja aconselhável comparar linearmente pesquisas realizadas por institutos diferentes.

 

Já a propósito de Zé Eliton, a pergunta do Grupom foi no sentido de estabelecer expectativas sobre a qualidade do governo que ele FARÁ.

 

Por isso, não tem sentido comemorar destrambelhadamente meras expectativas, como fazem nesta quinta-feira o próprio governador atual quanto seu grupo mais próximo, transformando o índice de 49,9% de bom e ótimo quanto ao que pode vir no futuro em uma aprovação para o presente. Mais ainda: se existe a esperança de que Zé Eliton FARÁ um bom e ótimo governo, esse sentimento, por enquanto, só pode ser entendido e explicado como consequência direta da boa e ótima avaliação obtida por Marconi. É o que deveria estar sendo comemorado.

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