Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt e convidados sobre política, cultura e economia

05 dez

Acordo entre Caiado e empresários, para solucionar a questão dos incentivos fiscais, não está claro para a sociedade, embora já concretizado em projeto aprovado às pressas e sem debate pela Assembleia

O noticiário dos jornais diários, especialmente O Popular, desta quarta-feira, 5 de dezembro, não deixa claro os termos em que foi fechado o acordo entre o governador eleito Ronaldo Caiado e as entidades representativas do empresariado, especialmente a Adial, sobre a questão dos incentivos fiscais em Goiás.

 

As matérias fazem uma enorme confusão entre benefícios fiscais e outros instrumentos utilizados, nos últimos anos, para diminuir a arrecadação do Estado. São misturados no mesmo caldeirão os incentivos propriamente ditos, o crédito outorgado e um programa de receita, o Protege, cujos recursos são destinados especificamente à área social.

 

Soa estranho que o empresariado, que sempre defendeu suas vantagens com unhas e dentes, tenha chegado a um acordo com Caiado depois de apenas duas reuniões, uma na segunda e outra na terça. Nas reportagens publicadas, não há esclarecimentos sobre o que foi discutido e qual o consenso adotado, de maneira clara.

 

Há um cheiro de recuo no ar. É provável que Caiado tenha sentido o peso das ameaças de setores produtivos que chegaram a falar em uma debandada em massa de empresas para outros Estados, em caso de cortes nos incentivos. Estão faltando informações e isso não é bom para Goiás.

05 dez

Vilmar Rocha reaparece: “Eu sabia que Zé Eliton não seria eleito. E, se fosse eleito, não daria conta do recado. Falta a ele uma série de atributos e qualificações para liderar o Estado”

Em uma entrevista em vídeo ao jornal O Hoje, de 22 minutos, falando aos jornalistas Rubens Salomão e Lucas de Godoy , o ex-deputado federal e presidente estadual do PSD Vilmar Rocha reafirmou todas as críticas que fez ao governador Zé Eliton, antes da eleição e garantiu: “”Eu sabia que ele não seria eleito. E, se fosse eleito, não daria conta do recado. Falta a ele uma série de atributos e qualificações para liderar o Estado”, disse.

 

Mais de ano antes da eleição, Vilmar Rocha já dizia aos quatro ventos que o Tempo Novo estava esgotado e que Zé seria o pior candidato que poderia ser lançado para tentar dar continuidade ao projeto político do grupo liderado por Marconi Perillo. Agora, ele sugere que os tucanos façam autocrítica e procurem se reaproximar da população. “Quando eu dizia que o Zé Eliton não tinha perfil para governar Goiás, eles retrucavam45 que eu estava atendendo a interesses pessoais. Negativo. Era uma visão racional e eu estava certo. Hoje todos reconhecem isso”.

 

Vilmar Rocha afirmou ainda que “Zé Eliton é passado, é página virada. Nós temos de torcer para que as coisas dêem certo, tanto em Goiás como em termos nacionais. Acho que Ronaldo Caiado tem chances de acertar, desde que se lembre de que ninguém governa sozinho. É fundamental montar uma boa equipe, escolher com cuidado, porque vai depender da competência e do compromisso desse grupo com o Estado para que o governo corra bem. No que eu puder, eu vou contribuir, eu vou ajudar, recuperei o meu diálogo com ele durante a campanha, vou ajudar, mas sem participar do governo”.

04 dez

Calote do programa Goiás na Frente, de Marconi e Zé Eliton, deixa em dificuldades prefeitos que acreditaram nesse engodo e licitaram obras esperando receber os repasses que nunca virão

Lançado em meio a um festival de propaganda e prevendo em torno de R$ 9 bilhões de investimentos nas cidades goianas, o programa Goiás na Frente acabou se transformando no tormento da maioria dos prefeitos que acreditaram nesse que pode ser definido como o maior engodo eleitoreiro da história de Goiás.

 

Em novembro de 2017, o então vice-governador Zé Eliton apresentou pomposamente o projeto de orçamento para 2018, ano eleitoral, prevendo nada mais nada menos que a fábula de R$ 6.434.029.116,44 para o Goiás na Frente gastar na tentativa de viabilizar a sua natimorta candidatura ao governo. Eufóricos, áulicos palacianos chegaram a dizer aos jornais que o programa estava provocando insônia na oposição e debocharam de Ronaldo Caiado, que, segundo eles, estaria perdendo o sono com o que seria “o maior plano de investimentos regionais em curso no Brasil”, uma autêntica “agenda de cidadania”, nas palavras empoladas e megalomaníacas do próprio Zé.

 

Qual o quê…! 2018 veio e apenas R$ 130 milhões foram repassados aos municípios, com orientação aos prefeitos para que eles próprios licitassem os projetos do seu interesse – e muitos acreditaram e o fizeram, para, agora, com a extinção sumária do Goiás na Frente, se depararem com as obras paradas e dívidas a pagar. Prefeituras antes desfrutando de sólida situação financeira, repentinamente, entraram no vermelho e agora correm o risco de sequer conseguir quitar o 13º dos seus funcionários. Há poucos dias, um levantamento da AGM apontou 300 obras iniciadas e não concluídas, por conta do programa, com os empreiteiros pressionando para receber de qualquer maneira.

 

O pior de tudo: o Goiás na Frente não rendeu nada Marconi Perillo e Zé Eliton, vítimas de derrotas acachapantes nas urnas. Caiado, governador eleito, dorme o sono dos justos. O sacrifício dos prefeitos foi em vão, mas levou junto a credibilidade do governador findante e do ex, que ainda podem ser responsabilizados criminalmente. O Goiás na Frente, no fim de tudo, deu para trás.

04 dez

Solução final para a questão dos incentivos sinalizará sobre a disposição de Caiado em cumprir o que prometeu na campanha, ou seja, uma mudança radical para corrigir os rumos do Estado

É bem mais séria do que se imagina a atual polêmica em torno da manutenção ou aplicação de algum redutor nos incentivos fiscais que privilegiam 600 empresas hoje em Goiás, que praticamente não contribuem com a receita estadual e têm esses benefícios esticados até a eternidade.

 

Estima-se que essa renúncia fiscal alcance no mínimo R$ 9 bilhões de reais por ano, mas o valor pode ser muito superior e ultrapassar o dobro. A falta de transparência domina o tema e nem a Secretaria da Fazenda nem os coletivos empresariais contribuem para estabelecer a verdade.

 

Caiado ganhou a eleição determinado a promover uma mudança radical para corrigir o descalabro administrativo em que o governo de Goiás foi atirado pelas políticas equivocadas do Tempo Novo de Marconi Perillo. O resultado é esse que está aí: o Estado não tem dinheiro sequer para honrar a sua folha de pessoal. A mudança foi aprovada maciçamente pelo eleitorado, que ainda por cima mostrou ter pressa, escolhendo o novo governador logo no 1º turno.

 

Não há, em nenhuma das outras pendências que estão na mão de Caiado, para solução, nada igual em valor e importância quanto os incentivos fiscais. Antes, o governador, entendendo o problema, mostrava-se disposto a aplicar um corte e chegou até a comunicar essa decisão às associações representativas dos empresários. Mas aí vieram as pressões e as ameaças, especialmente a superveniência de uma suposta onda de transferência de indústrias para fora de Goiás, caso haja alterações nos benefícios tributários. Um projeto de lei sobre o assunto que está na Assembleia, orientado diretamente pelo governador eleito, impondo cortes, será agora retirado, conforme ele próprio anunciou após se encontrar com líderes do setor industrial goiano. No lugar, uma nova proposta será apresentada.

 

É essa proposta que dirá se Caiado terá peito ou não para enfrentar – como prometeu aos goianos – os desarranjos e consertar o desastre em que o Estado de Goiás se transformou nas últimas duas décadas.

04 dez

Passo atrás de Caiado, ao abrir mão do substitutivo sobre incentivos fiscais na Assembleia e prometer elaborar um novo projeto, mostra receio de enfrentar e reduzir os privilégios do empresariado

Traz preocupação o recuo do governador eleito Ronaldo Caiado, após reunião com representantes das 600 empresas privilegiadas por incentivos fiscais em Goiás, quando anunciou que vai abrir mão do substitutivo em tramitação na Assembleia Legislativa que colocaria algum freio na distribuição sem critérios de incentivos fiscais que ocorreu nos últimos 20 anos – praticamente perpetuando uma renúncia fiscal estimada hoje entre R$ 9 e 18 bilhões de reais por ano.

 

Não há Estado capaz de funcionar a contento jogando pelo ralo uma receita desse tamanho. Caiado vinha no caminho certo: pediu  um projeto de lei ao governador Zé Eliton e foi atendido, com normas sobre os incentivos,  trocado legalmente por um substitutivo na Assembleia onde se introduziram cortes expressivos que levariam essas 600 empresas a recolher pelo menos parte do ICMS que devem. As associações, especialmente a Adial, se mexeram e colocaram pressão, basicamente alegando que muitas das empresas “prejudicadas” deixariam Goiás em busca de melhores condições de competitividade em outros Estados. Esse argumento de “medo” é o mesmo sacado sempre que, de alguma forma, os incentivos fiscais foram questionados.

 

Caiado voltou atrás sem saber o que vai fazer – o prazo para alterações na legislação tributária, para que tenham validade no ano fiscal de 2019, vence em 31 de dezembro. Hoje, a base da arrecadação estadual está toda concentrada em telecomunicações, energia e combustíveis. A 600 empresas beneficiadas pelos incentivos representam o grosso da industrialização de Goiás, mas, na prática, não pagam ICMS.

04 dez

Em Goiás, incentivos fiscais distribuídos sem critérios inviabilizaram o Estado, sem contrapartida dos empresários. Veja o caso da CAOA, que gera apenas 1.414 empregos diretos em troca do perdão do ICMS

A CAOA Chery, que tem uma montadora de carros e minicaminhões em Anápolis, é uma das empresas mais beneficiadas pelos excessos da política de incentivos fiscais distribuídos sem critério pelos governos do Tempo Novo.

 

Para vir para Goiás, a então CAOA (o Chery foi incorporado neste ano) ganhou o terreno e os galpões onde funciona, construídos pela Celg, através de uma operação de compensação de ICMS futuro articulada pelo governador da época, Marconi Perillo. A isso acrescentaram-se benefícios fiscais praticamente eternos, além de uma série de outras vantagens que, em resumo, significam que a empresa foi praticamente liberada de pagar os impostos estaduais.

 

Em troca, uma série de obrigações foi imposta à CAOA – e, de resto, a toda e qualquer empresa beneficiada por incentivos fiscais em Goiás, hoje mais ou menos 600. Mas nunca houve fiscalização quanto ao cumprimento dessas metas. Na semana passada, o presidente da CAOA, o médico Carlos Alberto Oliveira Andrade(foto acima com Marconi, em sua casa em São Paulo), ameaçou deixar o Estado se houver qualquer cortes nos seus privilégios tributários. “200 mil empregos deixarão de existir”, disse ele a O Popular. Só que isso não bate com a realidade. A Secretaria da Fazenda levantou, em auditoria, que a empresa gera apenas 1.414 empregos diretos. Quanto aos indiretos, não há como precisar. Mas não são muitos: tudo o que a empresa usa para montar seus veículos vem de outros Estados e do exterior.

 

Conclusão: a CAOA embolsou uma fortuna em Goiás, ganhando de presente uma fábrica e deixando de pagar o ICMS, oferecendo como retorno uma retórica, o de que existe uma indústria automobilística em Goiás. Nada mais.

04 dez

Distribuição de incentivos fiscais a torto e a direito, sem critério, que foi a regra dos governos Marconi, “não resultou em benefícios para a sociedade”, diz economista a O Popular

Aos poucos, a versão de que o Tempo Novo  do ex-governador Marconi Perillo e seus seguidores foi um período virtuoso para o Estado de Goiás vai sendo desmontada e jogada no chão.

 

Agora, o que está em discussão é a política de incentivos fiscais, que foram distribuídos a torto e a direito nos últimos 20 anos, “sem benefícios para a sociedade”, segundo a visão do economista Adriano Paranahyba, em entrevista a O Popular.

 

Leia: “O economista Adriano Paranaíba avalia que a política atual (de incentivos fiscais) traz pouco benefício social diante do volume concedido e que isso é feito por muito tempo. ‘A política industrial de Goiás é a mesma da década de 1980. Incentivos e construção de distrito agroindustrial. A economia é a mesma da década de 1980?'”, pergunta Adriano Paranahyba.

 

Claro que não é. Mecanismos estáticos de estímulo ao desenvolvimento, como a perpetuação dos incentivos fiscais, são retrógrados, portanto. A propalada modernização do Estado, que teria ocorrida nas últimas duas décadas, não seria, assim, uma verdade. As distorções são muitas e se acumularam, transformando-se em desafio para o novo governador, Ronaldo Caiado.

03 dez

Excluídos e derrotados em Goiás encontram um porto seguro no governo de São Paulo, dentro do projeto político de João Dória, que é se fortalecer para disputar a presidência em 2022

O governador eleito de São Paulo João Dória transformou-se em porto seguro para os derrotados nas últimas eleições e excluídos das benesses do poder em Goiás, a começar pelo ex-governador Marconi Perillo e pelo atual ministro das Cidades Alexandre Baldy.

 

Marconi foi abrigado por Dória em uma consultoria improvisada na Companhia Siderúrgica Nacional, embora nada saiba do setor e seja considerado, nos bastidores de Brasília, como um político tóxico em razão do seu envolvimento em falcatruas investigadas pela Operação Lava Jato. Mas, pelo sim, pelo não, oferece uma vantagem: tem o controle do que restou do PSDB em Goiás e pode ajudar em um eventual projeto de poder federal. O dono da CSN é Benjamin Steinbruch, chegado a Dória, que por sua vez é chegado a Marconi desde quando  recebia vultosos patrocínios do governo de Goiás para uma revista ligada ao LIDE, seu antigo projeto promocional de autoridades e políticos.

 

Já Baldy chegou a Dória através do seu padrinho Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, que é do DEM e, portanto, integra o Centrão: Maia trabalha para se reeleger, embora sem perspectivas de sucesso, por enquanto, mas de qualquer forma representa um apoio considerável ao novo governador de São Paulo. Além de Maia, Baldy teve também recomendação de caciques do PP, outra legenda do malfadado, porém importante Centrão. O ministro goiano tentou uma vaga no governo de Jair Bolsonaro, mas deu com os burros n’água. Baldy foi também frequentador do LIDE.

 

Há notícias de que tanto Marconi quanto Baldy estão encaminhando a Dória nomes de assessores e apaniguados, para que assumam empregos no governo paulista, alguns com lotação em Brasília, onde há uma considerável representação administrativa da gestão de São Paulo.

03 dez

Escritórios de advocacia mais gabaritados do Estado já estão prontos para a batalha jurídica em torno da manutenção dos incentivos fiscais, com base na teoria do direito adquirido

Enquanto negociam politicamente com o governador Ronaldo Caiado, a maioria das 600 empresas beneficiadas por incentivos fiscais em Goiás já está preparada para levar a questão para os tribunais, através dos escritórios de advocacia mais qualificados do Estado – como por exemplo os de Miguel Cançado, Flávio Rodovalho ou Eduardo Jacobson, todos especializados em Direito Tributário e com tradição de sucesso na defesa dos seus clientes.

 

A tese que será processualmente defendida é simples: essas 600 empresas se instalaram em Goiás com base em “contratos” assinados com o governo do Estado, mediante os quais se comprometeram a efetuar investimentos em troca de concessões fiscais com data e prazo de validade (entre 15 e 25 anos). Sendo assim, qualquer mudança representaria uma agressão a um direito adquirido ou, em outros termos, a uma quebra contratual sem nenhuma justificativa.

 

No início do quarto governo de Marconi Perillo, quando a economista Ana Carla Abrão Costa assumiu a Secretaria da Fazenda, ela determinou a redução ou suspensão dos benefícios fiscais de 60 empresas que, supostamente, não estariam cumprindo suas obrigações de gerar empregos ou realizar investimentos. Levada a questão a juízo, a maioria das decisões foi favorável aos empresários, que tiveram os seus incentivos mantidos por decisões liminares de 1ª instância. Os processos não tiveram seguimento porque a Sefaz, por determinação do então governador Marconi Perillo, acabou recuando nos cortes.

03 dez

Empresariado vai apresentar plano de “modulação” dos incentivos fiscais a Caiado, ou seja, de cortes variáveis e específicos para cada indústria e por apenas 6 meses, retornando depois ao que já existe

A proposta para os incentivos fiscais que o empresariado apresentará ao governador eleito Ronaldo Caiado ou a seus representantes, nesta segunda-feira, prevê uma modulação dos cortes de acordo com cada setor industrial, por um período de apenas 6 meses, retornando depois tudo ao normal, ou seja, à situação que as 600 empresas tributariamente privilegiadas desfrutam hoje.

 

Em princípio, a proposta não atende ao que deseja o novo governador, que considera exagerados os incentivos e mesmo prejudiciais ao conjunto da sociedade goiana, pelo valor elevado da renúncia fiscal atualmente configurada, em valores calculados equivalentes a duas vezes a receita anual do Estado. Caiado e sua equipe vêm falando em um corte linear de 50%, que pode ser rebaixado para 30%, com ligeiras adaptações conforme a área de atividade beneficiada.

 

O documento que será entregue pela Adial, associação das empresas que mais recebem incentivos fiscais, não vai além da redução de 15%, em um ou outro caso, não chegando, na média, a um corte médio nas vantagens tributárias em vigor no momento – essa seria a tal “modulação”, ou seja, adequação a cada perfil industrial.

03 dez

Rombo que cairá no colo de Caiado supera R$ 4 bilhões de reais e vai transformar em pó o chamado “legado” do Tempo Novo, que será lembrado pelo descontrole financeiro e administrativo do Estado

O que Marconi Perillo e Zé Eliton viviam repetindo na última campanha eleitoral – a defesa do chamado “legado” do Tempo Novo, ou seja, das realizações dos últimos 20 anos de governo – vai ser convertido em uma herança maldita a partir de 1º de janeiro no colo de Ronaldo Caiado: um rombo financeiro que, por baixo, está estimado em R$ 4 bilhões de reais. O número foi apurado pela própria equipe caiadista de transição, com base em dados repassados extraoficialmente por técnicos da Secretaria da Fazenda.

 

Marconi e Zé imaginavam que seriam lembrados pela História como responsáveis por realizações como o Vapt Vupt, a Renda Cidadã, a Bolsa Universitária, o Cheque Moradia e outras novidades introduzidas nas duas décadas passadas no imaginário da sociedade goiana. Mas, não. O que vai saltar a vista será um dos maiores descalabros financeiros e administrativos poucas vezes vistos em outros Estados, comprometendo qualquer coisa que se tenha feito de positivo, a exemplo da Bolsa Universitária, que está atrasada há 9 meses e acumula uma dívida de R$ 60 milhões de reais, impagáveis no curto prazo.

 

Não será um governo que será entregue a Caiado, mas uma verdadeira bomba, que exigirá medidas duras e precisas na sua abordagem. Se Caiado errar, se vacilar  ou se, temendo um eventual surto de impopularidade, resolver adotar soluções paliativas, estará construindo um desastre ainda maior que, aí sim, será atribuído à sua responsabilidade, talvez até exonerando os verdadeiros culpados. É nesse sentido que o silêncio do novo governador, desde que foi eleito até hoje, preocupa e muito, ao denotar que ele pode ter um nível de consciência da situação muito abaixo do que seria a realidade do Estado – ou do horror que vai receber.

03 dez

Futuro da indústria automotiva em Goiás é incerto, mas não só pelo corte nos incentivos fiscais: o Estado também ficou fora da MP que esticou as vantagens tributárias federais para o setor até 2025

A indústria automotiva instalada em Goiás – Mitsubishi, Suzuki, Caoa Chery e John Deere, basicamente – enfrenta um momento de incerteza com o anunciado corte dos incentivos fiscais concedidos pelo Estado – decisão da qual o governador Ronaldo Caiado não vai recuar, faltando apenas a definição dos percentuais que serão aplicados – e também com a a aprovação da Medida Provisória do novo programa de apoio tributário aos fabricantes de automóveis e máquinas agrícolas, o Rota 2030, do qual Goiás foi excluído.

 

A perda de parte dos incentivos estaduais e da totalidade dos federais vai impactar as montadoras hoje em atividade em Anápolis e Catalão. Pelo menos uma, a Caoa Chery, já anunciou que, uma vez suspensos ou reduzidos os incentivos estaduais, além de confirmada a perda dos federais, pretende se mudar imediatamente para São Paulo, na tentativa de recuperar a competitividade, conforme alega o seu dono, o médico Carlos Alberto Oliveira Andrade.

 

A fuga dessas fábricas para fora do Estado tem potencial para desestabilizar politicamente a gestão do governador eleito Ronaldo Caiado, ainda que não seja sua a responsabilidade pelas agruras que elas com certeza vão enfrentar. O que valerá é a imagem ou a mensagem simbólica que esses fatos passarão aos goianos: Caiado assume, a indústria automobilística que hoje orgulha o Estado vai embora. De quem será a culpa? Dele e de mais ninguém.

03 dez

Com pouco ou nenhum esforço, Caiado já tem maioria de 31 deputados na Assembleia Legislativa, mas ainda pode crescer um pouco mais e chegar a 33, número inédito na história de Goiás

Não custou muito esforço – nem pessoal nem político – para o governador eleito Ronaldo Caiado chegar a uma maioria de 31 deputados na Assembleia Legislativa. Esse número, poucas vezes visto na história de Goiás, foi alcançado quase que espontaneamente e pode ainda crescer para 33, sem falar nos parlamentares que eventualmente poderão votar a favor e manterão diálogo com o Palácio das Esmeraldas – como Talles Barreto ou Hélio do Sousa, que são do PSDB, mas jamais se atirariam a uma oposição radical em razão do perfil moderado e equilibrado que sempre exibiram.

 

Uma base legislativa formada por 31 a 33 deputados dará a Caiado total autonomia para empreender reformas drásticas e principalmente os cortes radicais que hoje são demandados para ao menos remediar a superestrutura administrativa deixada por Marconi Perillo e Zé Eliton, na verdade um caos fiscal e burocrático em que a falta de recursos é complicada pela superposição de órgãos, em alguns casos, e a inutilidade e ineficácia de outros, na maioria dos casos. Há situações de verdadeira anarquia e sucateamento, como, por exemplo, a Secretaria Estadual de Desenvolvimento, sem dúvida o maior fiasco da gestão que ora melancolicamente se encerra.

03 dez

Falta de transparência – nas informações do Estado e do empresariado – é a marca da polêmica sobre os incentivos fiscais, que vão ganhar um corte no governo Caiado, mas ainda não se sabe de quanto

A polêmica sobre os incentivos fiscais que beneficiam cerca de 600 empresas instaladas em solo goiano tem uma característica marcante: a falta de transparência. Há obscuridade e confusão tanto nas informações prestadas pelo poder concedente, o Estado, quanto no que dizem em sua defesa as entidades representativas das fatias empresariado privilegiadas por essas isenções tributárias.

 

O que se sabe de certo é que, no governo de Ronaldo Caiado, haverá um corte nesses incentivos. Como e em que percentuais, ainda não se chegou a um consenso. Se dependesse exclusivamente da Adial ou da Fieg, que articulam as chamadas classes produtoras do Estado, seria um número próximo de zero – ou zero mesmo, como sempre conseguiram impor nas tentativas que os governos passados fizeram para reduzir esses benefícios. Porém, em uma reunião antes de viajar para Londres, Caiado deixou os empresários em pânico ao afirmar que deseja uma diminuição de 50%. O presidente da Adial, Otávinho Lage, chegou a dizer que saiu “atordoado” do encontro com o governador eleito.

 

Compete a Caiado colocar essa questão em pratos limpos para o conhecimento da sociedade, mostrando – depois que assumir, já que não tem acesso ao banco de dados da Secretaria da Fazenda, uma verdadeira caixa preta – quanto custam os incentivos fiscais para o Estado e qual a sua regularidade. Que, suspeita-se, é precária.

03 dez

Acordo para a eleição de Álvaro Guimarães para a presidência da Assembleia avança e dá a vice para Rubens Marques, que foi eleito pelo PROS do vice-governador Lincoln Tejota

Avançou nos últimos dias o acordão que deve servir de suporte para a confirmação de Álvaro Guimarães como o próximo presidente da Assembleia Legislativa, a partir de 1º de fevereiro do ano que vem. A vice-presidência, posição estratégica do ponto de vista da garantia de governabilidade ao Poder Executivo, será ocupada pelo deputado Rubens Marques(foto) do PROS do vice-governador Lincoln Tejota.

 

Eleito com quase 30 mil votos, Rubens Marques foi vice-presidente da Saneago e tem posição clara contra a privatização ou mesmo a venda de ações da estatal. Ele sempre foi crítico das operações que puseram fora a usina de Cachoeira Dourada e a Celg e até mesmo o Banco do Estado de Goiás. Para a vice-presidência da Assembleia, não houve resistências ao seu nome.

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