Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

29 mar

Caiado renomeou na Saneago um assessor de alto escalão que já tinha sido preso e agora o foi novamente, envolvido em desvios de milhões de reais. O governador está devendo desculpas aos goianos

Tudo o que precisa de explicações e justificativas… não serve. Nesta sexta-feira, na esteira de mais um escândalo da maior gravidade, envolvendo o desvio de valores milionários na Saneago, nos governos passados, a estatal foi forçada a se manifestar para esclarecer a permanência, nos seus quadros, de um assessor de alto escalão envolvido até o pescoço em transações irregulares, tanto que, antes da posse da Ronaldo Caiado, já havia sido preso e pelo mesmo motivo que agora o levou de retorno às grades.

 

Trata-se de Robson Salazar, peça-chave das investigações da Operação Decantação, que desbaratou uma rede de agiotagem, pagamentos superfaturados, lavagem de dinheiro e mais uma miríade de crimes financeiros na esfera da Saneago – na época dos governos de Marconi Perillo e Zé Eliton. Mas não só: segundo o Ministério Público Federal, a mesma quadrilha continuava agindo sob o manto da atual gestão. Vejam bem, leitora e leitor: a palavra atual foi usada pelo MPF e diz respeito, sim, ao governo de Ronaldo Caiado, o mesmo que diariamente repete diariamente aos goianos o mantra do “podem confiar em mim, a corrupção acabou em Goiás”.

 

O que as investigações descobriram? Chocante: que Robson Salazar, alto funcionário da Saneago preso na 1º fase da Operação Decantação, foi reconduzido pelo governo Caiado às mesmas funções onde privilegiou o esquema de desvio de dinheiro encabeçado pelo ex-chefe de gabinete do então governador Marconi Perillo – Luiz Alberto de Oliveira, o Bambu. A desculpa pela renomeação é velha conhecida de todos: “Eu não sabia”, mandou dizer o presidente da empresa, Ricardo Soavinski, importado por Caiado do Paraná, que por sua vez importou outro manda-chuva para a Saneago, Paulo Rogério Battiston, suposto responsável pela readmissão de Robson Salazar – atitude que, a se tratar de um governo sério e realmente comprometido com o combate à corrupção, deveria levar à sua imediata e sumária demissão. Eles buscaram Robson Salazar de volta, o que autorizou o MPF a afirmar, com todas as letras, que o esquema criminoso continua em ação dentro da empresa – em pleno governo do moralizador Caiado.

 

A blindagem moral de qualquer gestor público não é rompida apenas por grandes explosões, mas também através de pequenos furos, que vão se somando até romper o dique. Caiado nomeou um réu em quatro processos por improbidade administrativa para a Agehab. Indicou para o Conselho Estadual de Educação um ex-dirigente do DEM que, em dezembro, foi condenado a mais de sete anos de prisão por corrupção. E agora, verifica-se que colocou na Saneago um investigado que acaba de ser alvo da sua segunda prisão pelos malfeitos cometidos. Há mais por aí. E não adianta explicar ou justificar. Tudo o que precisa de muita explicação ou justificativas, não serve. Melhor pedir desculpas aos goianos.

29 mar

Que Estado é esse? Goiás bate recorde nacional de de apreensão de malas de dinheiro, sinal de que a capa da revista Carta Capital, no início da abril de 2012, estava correta: “O crime domina Goiás”

No início de abril de 2012, a revista Carta Capital publicou uma ampla reportagem sobre influências criminosas no governo de Goiás, com destaque na capa sob a manchete: “O crime domina Goiás”. A matéria referia-se a peripécias do empresário Carlos Cachoeira, do então senador Demóstenes Torres e do próprio governador, na época, Marconi Perillo, que reagiu, indignado, com um processo contra a publicação.

 

Passados exatamente seis anos, o que se pode concluir é que a Carta Capital foi modesta na sua visão sobre o que estava acontecendo em Goiás. O Estado tornou-se palco de uma série de escândalos envolvendo a administração estadual. Investigações policiais levaram à prisão de eminências palacianas como o ex-presidente da Agetop Jaime Rincón, o ex-presidente da Codego, Júlio Vaz, o então presidente da Saneago José Taveira e uma infinidade de funcionários do governo – e até daquele que está no topo da cadeia alimentar do Tempo Novo, Marconi, que também foi parar no xilindró e só saiu graças a uma liminar do Superior Tribunal de Justiça. Malas e mochilas de dinheiro começaram a aparecer em uma sucessão de notícias impactantes para os goianos, que, aliás, parece não ter fim: nesta semana mais duas foram apreendidas pela Polícia Federal em poder nada mais nada menos que do ex-chefe de gabinete do ex-governador tucano, Luiz Alberto de Oliveira, no desdobramento das apurações sobre um rolo de proporções milionárias na Saneago que tem até as digitais do ex-vice e ex-governador tampão Zé Eliton.

 

Que Estado é esse? O que fizeram com Goiás? A esta altura, já somos líderes nacionais no ranking da corrupção. Só perdemos para os R$ 51 milhões em dinheiro vivo encontrados pela polícia em um apartamento em Salvador do ex-vice-presidente da Caixa Federal Geddel Vieira Lima. Como se sabe, também em malas. Provavelmente, o Rio de Janeiro de Sérgio Cabral também está à nossa frente, mas é só. Somos uma vergonha nacional.

28 mar

Caiado não apoiou Bolsonaro no 1º turno, nunca foi amigo dele e agora apareceu no Palácio do Planalto para dar conselhos que não segue, em Goiás, na base do “faça o que eu falo, não o que eu faço”

O governador Ronaldo Caiado tem se esforçado, desde que foi eleito, há seis meses, para vender uma imagem de proximidade com o presidente Jair Bolsonaro – que, na verdade, é inexistente. Caiado, apesar de sucessivos mandatos na Câmara Federal ao mesmo tempo que Bolsonaro, nunca manteve qualquer amizade com ele e tanto que, no 1º turno, fez campanha para governador sem se definir por nenhum candidato na eleição presidencial. Somente no 2º turno, que começou com a fatura praticamente liquidada, trazendo o capitão quase 20 pontos à frente do seu adversário Fernando Haddad, é que o DEM de Goiás e seu líder máximo se posicionaram a favor de quem já se tinha a certeza de que ganharia a eleição

 

Governadores, como se sabe, fazem o possível para se aproximar do presidente da República, seja quem for ou de qual partido for. Marconi Perillo, por exemplo, teve excelente convivência com Dilma Rousseff, festejada como nunca em suas passagens pelo Estado. Por trás, está a necessidade de obter simpatia para eventuais ajudas federais. É o caso do atual governador goiano, que, uma dia após ser eleito, já saiu a campo atrás de apoio financeiro de Brasília – que até hoje não saiu e só por um milagre sairá algum dia.

 

Sob o manto da tal amizade com o presidente, Caiado esteve no Palácio do Planalto, nesta semana, para uma audiência em que, segundo se noticiou, levou conselhos e orientações. Dois deles, uma sugestão para que Bolsonaro intensifique viagens pelo país afora, para se aproximar dos cidadãos, e outra para que abra espaço em sua agenda para receber congressistas, o próprio governador não segue em Goiás. É fato: Caiado não recebe deputados, não telefona, não responde mensagens de WhatsApp e não se interessa, enfim, por qualquer tipo de diálogo com os membros da Assembleia e da bancada federal. Isso compete ao secretário de Governo Ernesto Roller, que se esforça, mas não consegue suprir o vácuo aberto – os parlamentares, ciosos da sua importância, querem a atenção de Caiado e não de seus prepostos. O resultado é que o governo, aos completar três meses, ainda não tem uma base de apoio confiável no Legislativo goiano, a exemplo de Bolsonaro no Congresso Nacional.

 

Quanto a viagens, Caiado até que tem uma agenda, não muito intensa, nos municípios. Mas, atenção: ele vai preferencialmente  a cidades administradas por prefeitos do DEM, como Santa Terezinha ou Ouro Verde, que não têm nenhuma expressão econômica ou populacional. Depois de vencer nas urnas, o governador nunca mais pisou em Luziânia, Aparecida ou Anápolis, que estão entre os 10 maiores municípios do Estado, administradas por prefeitos que não o apoiaram. Mas esteve em Catalão por duas vezes, para prestigiar o prefeito emedebista Adib Elias, um dos baluartes da sua eleição.

 

Os conselhos de Caiado a Bolsonaro foram, assim, na base do “faça o que eu falo, não o que eu faço”. Caiado, apesar da sua história política, faz a gestão do Estado como tal qual o presidente faz a do país: longe dos políticos e perto da família e de figuras estranhas aos processos de poder regional e nacional.

27 mar

Indicações de Caiado para o Conselho Estadual de Educação contrariam a Constituição e, desmentindo o que ele diz no ofício à Assembleia, são nomes sem experiência no magistério estadual

Em absoluto desrespeito ao que reza a Constituição do Estado de Goiás, em seu artigo 160, sobre a composição do Conselho Estadual de Educação (onde, diz o texto, só podem ter assento educadores de comprovada contribuição para o ensino), o governador Ronaldo Caiado mandou para Assembleia Legislativa uma leva de seis nomes absolutamente incompatíveis com as exigências legais, morais (no caso de um deles) e de capacitação técnica para o cargo de conselheiro do principal órgão normativo, consultivo e fiscalizador do Sistema Estadual de Ensino.

 

No ofício em que encaminha os nomes, o próprio Caiado ressalta, em meio a uma série de erros de grafia e de redação, que se tratam de “representantes da Secretaria Estadual de Educação, escolhidos dentre educadores com experiência na área da educação básica do magistério público estadual”. Não é verdade. Nenhum dos seis escolhidos exerce ou exerceu, em algum momento das suas trajetórias profissionais, qualquer função, mesmo irrelevante, como professor ou coordenador em alguma das 1.150 escolas mantidas pelo Estado. Estão lá uma professora e pedagoga com experiência exclusiva em escolas particulares, uma advogada (Mayra Ramos Caiado, por sinal prima do governador), um consultor especializado em telecomunicações e militante da igreja católica, um marqueteiro profissional, um prefeito (Jaime Ricardo, de Ouro Verde, que é do DEM, partido do governador) e, o mais grave, um professor universitário que, como vereador também do DEM, em Crixás, foi condenado em dezembro último a mais de 7 anos de prisão, por crime de peculato(veja nota anterior).

 

Ao contrário do que afirma o governador no documento que encaminhou à Assembleia, que tem o poder de analisar e em seguida aprovar ou rejeitar os indicados, nenhum dos seis pode minimamente ser considerado como “representantes da Secretaria Estadual de Educação, escolhidos dentre dentre educadores com experiência na área da educação básica do magistério público estadual”. Isso pode ser verificado com clareza nos currículos anexados ao ofício assinado pelo governador, nos quais não se encontra uma linha evidenciando conhecimento ou experiência com atividades de ensino na rede estadual e, mais grave, em qualquer outro nível de educação fundamental, com exceção da professora e pedagoga que veio da rede privada (Guaraci Silva Gidrão, que curiosamente teve uma irmã, Mariana Gidrão, nomeada por Caiado para chefe de gabinete da reitoria da UEG; Guaraci é também coordenadora da Faculdade Delta, que contratou a secretária de Educação Fátima Gavioli para ministrar aulas em cursos de pós-graduação). Além disso, um dos nomes para o qual o Palácio das Esmeraldas pede a aprovação da Assembleia é o do especialista em marketing eleitoral Leopoldo Veiga Jardim, filiado ao PSDB e assessor de comunicação dos governos tucanos, sem passagem por salas de aula.

 

Não tem sentido. Ou passaram informações equivocadas para Caiado ou ele então está comprometido com um dos mais graves deslizes do seu governo, até agora, seja por negligência, seja por imprudência ou, infelizmente, não sendo o caso de descartar, por má fé mesmo.

27 mar

Caiado indica ex-vereador e ex-presidente do DEM de Crixás, condenado a 7 anos de cadeia, para vaga no Conselho Estadual de Educação, onde deveriam sentar-se apenas educadores de ficha limpa

O governador Ronaldo Caiado encaminhou à Assembleia Legislativa, no último dia 22, a indicação do ex-vereador e ex-presidente do DEM de Crixás Willian Xavier Machado para uma vaga no Conselho Estadual de Educação, órgão máximo da formulação e avaliação das políticas de ensino em Goiás – lugar onde somente deveriam ter assento notáveis com especialização na área educacional e reputação ilibada. Exatamente por isso, a decisão de Caiado é chocante: William Xavier Machado foi condenado em dezembro último a sete anos, cinco meses e 12 dias de reclusão, por crime de peculato, isto é, desvio de recursos públicos quando exerceu mandato na Câmara de Vereadores crixaense.

 

Caiado, como se sabe, tem fazenda em Crixás, cidade que conhece como a palma da mão e onde, inclusive, mantém o seu domicílio eleitoral. É público que, desde a sua posse, vem sendo desenvolvido uma operação destinada a abrigar no governo do Estado todo o pessoal que compõe a estrutura do DEM – não custa repetir: o partido do governador. Há até um dirigente estadual do partido, Luis Rates, entronizado em uma superintendência de nome esotérico, a de Assuntos Interinstitucionais, encarregado de coletar os nomes que carregam a legenda nas costas, no interior, e providenciar as nomeações. Fica difícil, muito difícil acreditar que a situação penal do candidato a conselheiro do CEE não seja de conhecimento do Palácio das Esmeraldas.

 

Não se sabe exatamente como e por quais motivos o demista de Crixás, que, a propósito, tem como única ligação com a Educação o fato de ser professor universitário, chegou a ser selecionado para compor o Conselho Estadual de Educação, que paga aos seus membros jetom de R$ 300 reais por reunião, até um limite de 23 sessões por mês. Ele não é o primeiro enrolado com a Justiça a ser prestigiado por Caiado, embora seja o caso mais grave até agora. Antes, para a Agehab, foi indicado o ex-prefeito de Bela Vista Eurípedes do Carmo, réu em quatro processos de improbidade administrativa, um deles relacionado com desvios na construção de casas populares.

27 mar

Prudentemente, Caiado, mesmo convidado, não aparece na “vistoria” da obra do novo prédio da Assembleia, um monumental desperdício de mais de R$ 100 milhões de reais que vem vindo aí

Apesar de convidado oficialmente pelo presidente Lissauer Vieira e ter a sua presença fartamente anunciada no site da Assembleia Legislativa, o governador Ronaldo Caiado não compareceu ao convescote armado para os deputados e seus convidados com a finalidade de comemorar o reinício da construção da nova sede do Poder, um prédio de quatro andares que vai torrar mais de R$ 100 milhões em recursos estaduais nos próximos três ou quatro anos. E isso se não houver atrasos ou os tradicionais aditivos que são característica inseparável das obras públicas em Goiás, que algumas vezes acabam até dobrando o valor dos gastos.

 

A Assembleia funciona muito bem no edifício da Alameda dos Buritis, aliás uma invasão das muitas que distorceram o planejamento urbanístico de Goiânia (até os procuradores e promotores estaduais ocuparam irregularmente uma praça no setor Bueno para instalar a sede da sua associação funcional). O novo palácio parlamentar é um desperdício. E ainda mais em um momento em que o governo do Estado apregoa dia e noite uma situação de calamidade financeira. É um investimento, defendeu-se Lissauer Vieira ao discursar durante a vistoria? Sim, mas não em qualquer política de interesse da população. Investimento no conforto dos deputados. É bom anotar que não há nenhuma outra Assembleia, em qualquer parte do país, tocando qualquer coisa parecida. Os Estados estão em crise financeira e não seria oportuno.

 

Caiado agiu com prudência ao não dar as caras para prestigiar uma iniciativa que vai contra o seu discurso e o compromisso que o levou a ser eleito com votação recorde e em 1º turno. Em palavras simples e diretas, trata-se de uma afronta que a sociedade, se fosse consultado em um plebiscito, rejeitaria por maioria absoluta. Se o governador aparecesse por lá, estaria endossando uma verdadeira loucura.

27 mar

Secretária Cristiane Schmidt pode ter razão: política de incentivos fiscais já deu o que tinha de dar, tanto que novos empregos em Goiás só são gerados pelo setor de serviços, não pela indústria

É natural que titulares da área fazendária de qualquer governo estadual tenham ojeriza por qualquer situação ou mecanismo que resulte em diminuição da arrecadação. Eles são, regra geral, donos de um perfil conhecido como fiscalista, ou seja, priorizam a entrada do dinheiro dos impostos acima de qualquer visão desenvolvimentista ou mesmo social. A atual secretária da Economia (novo nome da pasta da Fazenda), a economista carioca Cristiane Schmidt, não é exceção. Ela só pensa em coletar tributos, a exemplo de todos os seus antecessores no cargo, porém com uma diferença: ninguém, como ela, já teve na Sefaz um a postura tão radical contra os incentivos fiscais que hoje, mais do que nunca, estão no centro da discussão sobre o futuro de Goiás.

 

Já deram o que tinha de dar. São estratégia antiga e superada, que não trouxe os resultados esperados. E, no cenário atual, não são mais sustentáveis. Em resumo, essas frases curtas resumem o que a dra. Schmidt tem a dizer sobre os incentivos fiscais. E isso não foi dito por aí. Ela foi até a Federação das Indústrias do Estado de Goiás, a poderosa Fieg, e repetiu uma a uma nas barbas dos maiores empresários do Estado, que chegaram à beira de um ataque de nervos, mas não foram capazes de retrucar à altura. E o pior vem a seguir: a secretária garantiu que tanto a política da distribuição indiscriminada de isenções de ICMS está obsoleta que hoje a geração de novos empregos em Goiás está concentrada no setor de serviços, complementado pela agropecuária e pelo comércio. A indústria, mesmo com os seus benefícios tributários milionários, tornou-se incapaz de ofertar mais vagas de trabalho para os goianos.

 

A secretária da Economia parece ter razão. Nesta semana, saíram os últimos números sobre o ranking do emprego em Goiás, segundo o  Ministério do Trabalho. Goiás foi o 7º Estado brasileiro que mais criou empregos formais no último mês de fevereiro. Foram abertas 5.997 novas vagas no Estado. Bingo: o setor de serviços ofertou 4.022 dessas vagas. Somadas aos empregos da agropecuária e do comércio, o total sobe para 5.601. A indústria, coitada, só conseguiu acrescentar ridículas 418 novas vagas.

 

É isso que incomoda os empresários beneficiados pelos incentivos fiscais. Eles foram concedidos com base em projetos que prometiam a geração e a manutenção de empregos, o que jamais passou por qualquer fiscalização ou comprovação. E esse é o ponto nevrálgico do raciocínio da secretária Cristiane Schmidt. Sem nenhum estímulo que não a concorrência pura e simples, o setor de serviços disparou como maior gerador de vagas de trabalho. Qual o sentido de se manter os privilégios para um grupo pequeno de grandes empresas que lucram sem devolver para o Estado os empregos que prometeram criar?

27 mar

Orçamento impositivo é o primeiro teste para a suposta base de apoio de Caiado na Assembleia e podem apostar: será outra derrota acachapante para o governo, tal qual a da eleição do presidente

O governador Ronaldo Caiado está a caminho de mais uma revés acachapante na Assembléia, depois de perder – foi massacrado – a eleição para presidente do Poder, quando os deputados elegeram Lissauer Vieira e fulminaram a candidatura de Álvaro Guimarães, o escolhido do Palácio das Esmeraldas. Agora, será a votação do projeto que impõe mudanças no chamado orçamento impositivo, ou seja, a prerrogativa do Legislativo para apresentar emendas orçamentárias que o governo do Estado fica obrigado a pagar, a cada ano.

 

Caiado, pessoalmente, não dá a mínima para a Assembleia. Ele é capaz de gastar grande parte do seu tempo com superficialidades como a reforma da Praça Cívica ou a gravação do hino de Goiás, porém não desperdiça um minuto adulando deputados ou negociando apoio. É nítida a impressão de que o governador se considera um personagem maior, dado o brilho da sua carreira no Congresso Nacional e a sua projeção nacional, o que justificaria a recusa em se envolver com que consideraria como picuinhas ou questiúnculas da convivência diária com os detentores de cadeiras no Legislativo estadual. Isso seria muito pequeno para alguém tão grande.

 

Essa postura custou uma derrota maiúscula, quando, pela primeira vez em mais de 40 anos, a Assembleia elegeu um presidente passando por cima dos interesses do Executivo – Lissauer Vieira, produto de uma articulação que uniu a maioria dos deputados em um projeto de autonomia e independência do Poder. A partir daí, passou-se a falar quase que diariamente na necessidade de formatação de uma base parlamentar de apoio para o novo governo, vantagens como cotas de R$ 30 mil em nomeações e indicações para diretorias foram oferecidas e o secretário de Governo Ernesto Roller designado interlocutor oficial, no lugar de Caiado, com a Assembleia.

 

A pergunta é: essas providências resultaram na organização da tal base governista? Por enquanto, ninguém sabe. No Legislativo, toda maioria precisa ser testada. Aguardava-se que o Palácio das Esmeraldas encaminhasse algum projeto de importância ou com conteúdo de polêmica, para avaliação. Mas, enquanto isso não acontece, surgiu a oportunidade para uma prova dos nove: a ampliação do orçamento impositivo para 1,2%, sua retirada dos restos pagar (que dava ao governo poder para protelar o pagamento) e a permissão para que 30% das emendas orçamentárias dos deputados sejam destinadas a entidades filantrópicas. Essa matéria, iniciativa do deputado Talles Barreto, da oposição, está na boca do forno, ou seja, pronta para ser votada. Se for aprovada, configurará uma fiasco formidável para Caiado. Desde que foi eleito, ele sempre foi contra o orçamento impositivo, que de alguma forma interfere na estratégia de gastos do Executivo, e acabou obrigado a engolir um percentual de 0,5% a favor dos deputados. Nos próximos dias, vai ser pior.

26 mar

Hino de Goiás, que Caiado decretou obrigatório nas escolas estaduais, é de difícil compreensão, parece chorinho ou frevo e exalta a malandragem do Anhanguera, para muitos um exterminador de índios

“Eles eram bárbaros e sanguinários. Matavam velhos e crianças e escravizavam por dinheiro. À força, conquistaram o Brasil, que, sem os bandeirantes, terminaria em São Paulo. Os grandes perdedores foram os índios. Nas tribos atacadas, não ficava palha sobre palha. Muitos territórios viraram desertos humanos, ocupados, depois, por súditos portugueses”.

 

É assim que os modernos livros de história descrevem os bandeirantes. Um deles, Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera, ficou imortalizado na história de Goiás como nenhum outro dos seus pares no resto do país, com direito a estátua na principal praça da capital e seu nome espalhado por obras públicas e estabelecimentos comerciais. E ainda ganhou o direito de protagonizar o hino oficial do Estado, com os seus feitos exaltados em versos que, agora, por decreto do governador Ronaldo Caiado, os 450 a 500 mil alunos das 1.150 escolas da rede estadual estão infelizmente obrigados a decorar.

 

Hinos nacionais ou estaduais são peças musicais de louvação que correspondem a um momento histórico. No mais das vezes, tornam-se ultrapassados pela evolução da sociedade e a atualização dos seus paradigmas. Na sua primeira versão, que durou quase 100 anos, o de Goiás apresentava o Anhanguera como um herói “audacioso” e “atrevido”. Em 2001, o então governador Marconi Perillo resolveu revogá-lo, substituindo-o por um novinho em folha, que amenizou o papel do Diabo Velho – já naquela época começando a ser questionado diante do seu verdadeiro papel predatório nas origens do Estado. Mesmo assim, ele continuou merecendo alguns versos na nova interpretação, porém mostrado como um desbravador malicioso, que fundou Goiás a partir de um lance de malandragem e aí não mais matou ou exterminou, mas enganou os índios goyases para abrir espaço para a “civilização”.

 

O decreto de Caiado é um equívoco sem tamanho. A pretexto de estimular a cidadania, obriga os estudantes a ouvir uma vez por semana o tal hino, senão a também cantá-lo, entoando sua letra quase incompreensível e pontuando seu ritmo de chorinho ou frevo, composição do maestro Joaquim Jayme, já falecido, em um momento de pouca inspiração. Não há mensagem alguma. Uma gravação novinha em folha foi encomendada, com o governador em pessoa no meio do coral de jovens escolhidos para a récita(vejam acima, leitora e leitor, parece até um quadro de Tarsila do Amaral). Uma cópia será remetida a cada escola estadual, onde deverá ser reproduzida no mínimo uma vez por semana. Farão bem os diretores e professores se ignorarem o decreto, livrando suas classes de um sacrifício sem sentido nos dias de hoje. Cidadania se cria com conscientização e não com repetição obrigatória de frases ininteligíveis.

26 mar

Surgiu uma possibilidade de socorro do governo federal aos Estados, mas não se sabe como nem quando. A moeda de troco seriam votos para a reforma da previdência, que Caiado, a propósito, não tem

Os governadores deram ontem um aperto no ministro da Economia Paulo Guedes, em reunião em Brasília, atrás de amparo financeira do governo federal. Guedes falou por três horas, admitiu estudar um plano para dar apoio aos Estados, porém não definiu nem quando nem como. Falou somente em hipóteses, como a liberação de empréstimos que funcionariam como adiantamento para futuras privatizações de ativos estaduais.

 

Há um cheiro de conversa mole no ar. Repassar recursos extraordinários aos Estados sempre foi uma prática que acabou resultando em prejuízos para o país. Por natureza, as unidades federativas gastam mal e perseveram no mau hábito de desperdiçar preciosos recursos públicos. O governo federal, nessa área, é obrigado a pisar em ovos, para não comprometer sua estabilidade fiscal, que já é precária diante de rombos como o da previdência. Aliás, o ministro Guedes flerta com os governadores exatamente para não espantar e possivelmente atrair votos para a reforma da dita cuja, em xeque no Congresso, fingindo um interesse em ajudar que não é real: a regra, nas últimas décadas, foi a do endurecimento com os Estados, que mesmo submetidos a um regime de dieta radical não conseguiram emagrecer.

 

É fato que, politicamente, a contrapartida dos governadores para a ajuda que poderia sair de Brasília seriam votos para aprovar a matéria, hoje em situação delicada devido as trapalhadas da família do presidente Jair Bolsonaro e do próprio. Nesse particular, a situação não é boa para goiano Ronaldo Caiado, um dos que mais estende o chapéu esperando ouvir o tilintar das moedas do Tesouro Nacional. Caiado não tem votos para dar em retribuição. Ninguém da bancada federal – 3 senadores e 17 deputados – tem motivos para acompanhar alguma possível orientação sua a respeito da previdência. Quem sabe, um, o senador Luiz Carlos do Carmo, que assumiu na vaga de Caiado e conseguiu emplacar o irmão em um cargo importante no governo de Goiás, a presidência da Agehab. Fora daí, não há mais ninguém comprometido com o governador – que, desde que foi eleito, nunca chamou a um ou a outro para uma conversa ou o conjunto dos parlamentares para um encontro e não atendeu nenhum deles.

25 mar

Pedro Wilson, ex-deputado, ex-prefeito e suposto defensor dos direitos humanos, está devendo desculpas pelo apoio ao assassino Cesare Battisti, que agora enfim confessou seus 4 homicídios

Pode um cristão, defensor ferrenho dos direitos humanos que chegou até, como deputado, a presidir a Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal, dar apoio e solidariedade incondicional a um assassino que matou quatro homens e deixou uma criança paraplégica, a tiros de revólver?

 

Pode?

 

Leitora e leitor: esse é o caso de Pedro Wilson Guimarães, católico até o último fio de cabelo, e suas relações espúrias com Cesare Battisti, o terrorista italiano que passou 40 anos foragido e finalmente foi capturado pela polícia italiana, depois de passar uma boa parte da sua vida acobertado no Brasil pelo presidente Lula e pelos petistas, que, a exemplo de Pedro Wilson, acreditaram na sua inocência e o abraçaram como um perseguido político – que ele mesmo, agora, em confissão espontânea, reconheceu ter sido um engodo inventado para conseguir acolhimento em terras brasileiras

 

Em 28 de fevereiro de 2004, uma comissão de deputados federais liderada por Pedro Wilson visitou Battisti na penitenciária da Papuda(prestem atenção na foto e no sorriso largo de PW), onde ele aguardava detido os favores que acabaram vindo dos governos petistas para salvaguardar sua impunidade. Pedro Wilson, então presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, foi quem liderou o grupo. Vejam a foto: o religioso e humanista Pedro Wilson se esforça para empalmar as mãos sujas de sangue do assassino. Notícias da época deram conta de que até as beijou, mas pode ser exagero ou deturpação. O que importa é que ele foi lá para dar uma força a Battisti, isso numa época em que o dolo e a natureza cruel dos crimes que cometeu já eram patentes e só a cegueira da esquerda brasileira impedia que fossem vistos.

 

A confissão, agora, só confirma o que sempre se soube e nunca foi novidade. Battisti reconheceu que mentiu sobre a sua inocência para assegurar o apoio de Lula e dos petistas, a exemplo de Pedro Wilson – católico, cristão, defensor dos direitos humanos, como se pode concluir, de araque.

 

Goiás e o Brasil aguardam pelo pedido de desculpas de Pedro Wilson. Battisti já pediu as suas às famílias das vítimas.

25 mar

Caiado tem muitas similaridades com Bolsonaro: ausência de base parlamentar, influência da família, predomínio da comunicação via redes sociais, distância da classe política e deserto de propostas

O governador Ronaldo Caiado e o presidente Jair Bolsonaro são produtos da mesma eleição em que tanto os goianos quanto os brasileiros escolheram uma mudança radical em relação ao que existia, votaram contra a corrupção e manifestaram o desejo de ver os recursos públicos melhor aplicados ou gerenciados.

 

Mas as similaridades entre os dois não estão só nas origens comuns. Com três meses de governo, ambos exibem, por exemplo, o mesmo desinteresse em construir uma base parlamentar sólida, Caiado na Assembleia Legislativa e Bolsonaro no Congresso Nacional. Nenhum deles conversa ou recebe parlamentares. Não articulam qualquer base legislativa para garantir a governabilidade. Em sentido contrário, é evidente a influência que as respectivas famílias exercem sobre eles. Bolsonaro é moldado pelos três filhos. Caiado, pela mulher Gracinha, pela primeira filha Anna Vitória e pelo genro Alexandre Hsiung. No caso do presidente, a intromissão familiar é ostensiva. Quanto a Caiado, mais discreta, mas nem por isso menos significativa.

 

Não é só. A predileção pelas redes sociais é uma característica tanto de um como de outro. Caiado e Bolsonaro acreditam em comunicação direta com o eleitorado, têm centenas de milhares de seguidores e postam o dia todo. Nada contra: essa é a realidade do mundo moderno. O ponto a considerar é que a supremacia desse canal, as mídias sociais, esvazia perigosamente a interlocução que precisa ser feita com a sociedade pelo seu sentido convencional. Nem Caiado nem Bolsonaro são de conversar muito com as instituições, políticas ou não: o que precisam dizer, dizem através do Instagram ou do Twitter. Isso abre um vácuo…

 

…que, na prática, resulta em um formidável isolamento em relação à classe política. Bolsonaro encheu o seu governo de militares. Caiado lotou o seu secretariado com gente de fora de Goiás. O recado é claro: os políticos, nacionais e estaduais, nada têm a contribuir com a administração. Ou até atrapalham. Que fiquem para lá e eles dois, para cá. Mas, ao virar a página da política, restaria para a dupla, cada um em seu quadrado, mostrar serviço fazendo governos que ocupariam os espaços com ideias e propostas consistentes para o país e o Estado. Não é o que está acontecendo. O que Bolsonaro pretende para o Brasil além da reforma da previdência? E quais são os projetos de Caiado, excluído o discurso diário de calamidade pública e de necessidade de reequilibrar financeiramente o Estado?

 

São muito parecidos. O que pode levar ao prognóstico que igualmente poderão se dar mal.

25 mar

Eleição de Lissauer Vieira para a presidência diminuiu o tamanho da Assembleia, que deixou de ser um Poder monolítico e se fragmentou, além de ser tratado como desimportante pelo Executivo

A Assembleia Legislativa diminuiu de tamanho com a eleição de Lissauer Vieira(foto) para a sua presidência. O Poder, hoje, perdeu a relevância como protagonista da política estadual  e já está completando dois meses, na atual Legislatura, sem mostrar qualquer peso estratégico para o Estado. Pior: o Executivo não dá nenhuma importância para a Assembleia, tanto que não teve pejo em deixar vazar que está montando a sua base de apoio parlamentar comprando deputados com cotas de R$ 30 mil em nomeações e não mediante uma fundamentação em ideias e propostas para Goiás.

 

Lissauer Vieira, venhamos e convenhamos, é um presidente fraco. Foi eleito não em função de uma articulação, mas através de um processo miúdo típico dos vereadores de Goiânia: primeiro, em uma tentativa de reação diante da suposta interferência do governador Ronaldo Caiado, que lançou um candidato, Álvaro Guimarães, para o comando do Legislativo, mas – é preciso dizer a verdade – não moveu uma palha para isso e, portanto, não caracterizou ingerência alguma, e, segundo, através de métodos eleitorais infantis e desmoralizantes, como o confinamento de 33 parlamentares em uma chácara em Anápolis, para garantir que não fossem alcançados por influências externas e mantivessem a palavra – procedimento típico das escolhas dos últimos presidentes da Câmara Municipal.

 

Com presidentes como Jardel Sebba, Helder Valin ou até mesmo Zé Vitti, a Assembleia tinha representação e uma liderança que falava pelo Legislativo. Institucionalmente, se era preciso encaminhar algum assunto junto aos deputados, seja de interesse do governo, seja do interesse da sociedade, era através deles que tudo começava. Agora, não. Um exemplo foi a rejeição da emenda orçamentária que destinava mais recursos ao Ministério Público Estadual. O procurador-chefe Ailton Vechi, ingenuamente,  procurou Lissauer Vieira e o líder do governo Bruno Peixoto, concluindo que o assunto estava resolvido. Surpresa: no plenário, a emenda foi rejeitada (por vingança do deputado Cláudio Meirelles, que se considera perseguido pela instituição) e deixou o MPE em dificuldades quanto aos recursos de que necessita para atravessar 2019. A conversa com Lissauer Vieira e Bruno Peixoto não serviu para nada. Vechi deveria ter dialogado com os deputados um a um: isoladamente, cada qual, no atual momento de fragmentação do Poder, é a Assembleia.

 

O governador Ronaldo Caiado, de sua parte, age como se a Assembleia não existisse e parece que não está errado. Lissauer Vieira desapareceu. E as duas CPIs que foram imprudentemente instaladas, a da Celg-Enel e a dos incentivos fiscais, sem que os deputados tenham o menor conhecimento sobre os dois assuntos, com ridículos 90 dias cada uma para completar as investigações, reforçam ainda mais a impressão de que o Poder está sem rumo.

25 mar

Caiado quer subtrair 30% do FCO e repassar ao governo, para aplicar em infraestrutura. Isso não é bom porque reduz a maior fonte de dinheiro a custo baixo que financia investimentos privados em Goiás

Quem imaginava que o governador Ronaldo Caiado, pela sua longa militância em um partido de filosofia liberal (o PFL e depois o DEM) e até pelas suas próprias posições contra o excesso de intervenção do Estado na economia, jamais poderia esperar ouvir o que ele anunciou no último fim de semana(veja o vídeo acima) : vai reunir os governadores do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal para acertar, com eles, a reserva de 30% das verbas do Fundo Constitucional do Centro-Oeste – FCO para que os governos estaduais apliquem em obras de infraestrutura. Ou seja: tirar ainda mais da sociedade e entregar à voracidade do Estado, exatamente o contrário do que preconiza o ideário do PFL-DEM e do próprio governador.

 

O FCO é praticamente a única fonte de financiamento a custo baixo disponível, em Goiás, para que empresários de todos os tamanhos viabilizem os seus investimentos, com rapidez e sem burocracia, diretamente nas agências do Banco do Brasil, Sicoob e Goiásfomento. E é muito dinheiro: no ano passado, foram R$ 2,4 bilhões de reais, enquanto que, em 2019, esse valor pode ultrapassar R$R 3 bilhões. Detalhe: Goiás é o único Estado que consegue alocar integralmente toda a sua parcela do FCO. Os outros beneficiados sempre devolvem parte dos recursos a que têm direito. E, detalhe do detalhe, essa sobra é direcionada para quem demanda  mais, no caso… Goiás.

 

Pois Caiado quer meter a mão em um terço dessa bolada, o que pode chegar a mais de R$ bilhão, que seriam retirados dos negócios privados em Goiás, aqueles que verdadeiramente geram empregos, renda e tocam a economia, para jogar no caixa do pior gestor de ativos financeiros que existe no país, o setor público. Tudo bem que a desculpa é o direcionamento para obras de infraestrutura, o que ameniza, mas não elimina a desconfiança sobre o retorno dos fundos do FCO que seriam desviados da sua finalidade original. E de resto, seria mais um empréstimo para se somar à formidável dívida do governo de Goiás, que hoje passa de R$ 20 bilhões, com uma desvantagem: pelo menos de acordo com a regra atual, o que sai do FCO deve retornar com carência de um ano e meio e em seguida pagamentos mensais pelo período máximo de cinco anos. Esse, definitivamente, não é um perfil adequado para levantar dinheiro para enfiar, por exemplo, na construção de rodovias, que oferecem maturação econômica a longuíssimo prazo.

 

Mas o que importa é que Caiado quer subtrair do setor privado uma fonte de custeio que é fundamental para a sua expansão em Goiás e já se incorporou ao planejamento dos empreendedores goianos. Isso não é bom. Não resolve do lado do governo e só piora as coisas para a sociedade. Se o governador tiver juízo, desistirá da ideia. Se não, a solução é a mobilização dos interessados e mesmo da classe política, bancada federal principalmente, para barrar a tempo essa fatalidade.

23 mar

Tem alguma coisa errada: Caiado perde tempo com irrelevâncias como inaugurar cobertura de quadra de esportes e incubadora de hospital, deixando sem resposta os grandes desafios do Estado

As fotos distribuídas pela assessoria de imprensa mostram uma profusão de sorrisos. Cercando Ronaldo Caiado, todos, inclusive o próprio, riem largamente. É a rotina da agenda do novo governo de Goiás, inaugurando supostas obras e distribuindo benefícios. Parece o melhor dos mundos. Mas tem ar de coisa já vista. O retrato de um passado que deveria ter ido, mas não foi embora.

 

A exemplo da foto acima, são dezenas de compromissos que Caiado segue cumprindo, a cada dia, na verdade perdendo tempo com irrelevâncias que vão no sentido contrário ao que se espera de alguém que foi eleito com a maioria esmagadora dos votos dos goianos – prometendo transformação social e econômica. Em vez de uma mudança efetiva e real, o que se tem é a repetição do mesmo de sempre. Em vez de Caiado, poderia ser Zé Eliton, porque, de fato, há um cheiro de continuidade no ar, com algumas pioras. Na foto, o governador aparece inaugurando a cobertura de uma quadra de esportes em Águas Lindas, uma edificação sem nenhum significado além da sombra que irá proporcionar a algumas centenas de estudantes e olhe lá. Não tem sentido sair de Goiânia, deixar de lado o cuidado com os desafios genuínos que aguardam a intervenção da maior autoridade do Estado e perder tempo com um telhado micro que nem sequer foi o atual governo que fez.

 

Ainda que caracterizasse uma exceção na agenda governamental, ainda assim seria uma extravagância. Mas Caiado já chegou a inaugurar uma incubadora do Hospital Materno-Infantil e a comandar uma reunião para comunicar que, no carnaval, o número de bêbados presos diminuiu em relação ao ano passado. São superfluidades levadas exageradamente a sério, enquanto o Estado continua, por exemplo, aguardando uma solução para o desvario da política vigente de incentivos fiscais, que drena a arrecadação de ICMS e inviabiliza financeiramente o governo goiano. Mudanças aí, sim, poderiam mostrar vontade política para cumprir o que foi prometido na campanha e está resumido em uma única palavra: mudança.

 

Em vez disso, Caiado prefere gastar seu tempo com inutilidades.

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