Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

19 maio

Nos últimos anos, governo de Goiás teve 4 logos e 8 slogans. Agora, mais um: Zé Eliton lança marca nova, com mote que promete “avançar sem parar”. Isso desperdiça dinheiro público e precisa acabar

O governo de Goiás teve tantos símbolos e slogans nos últimos anos que é quase impossível determinar qual deles está valendo e qual o seu significado. Em um momento, “Goiás cresce, você também”. Em outro, “inovação que cuida das pessoas”, logo substituído por “Goiás, Estado inovador” e assim por diante.

 

Pelo menos 4 marcas gráficas e 8 legendas foram utilizadas. A última, baseada nos arcos olímpicos, acabou lembrando uma inconveniente, para o momento, algema.

 

Agora, está no ar a nova marca adotada pelo governador Zé Eliton, que pretende assinalar o seu mandato-tampão com a proposta abstrata de “avançar sem parar”. Há quem critique a utilização de palavras de carga negativa em frases publicitárias, a exemplo de “parar”, um contraponto desnecessário a ser colocada adiante de um bordão que pretende uma ideia de movimento – “avançar”.

 

Tudo isso, na verdade, custa dinheiro e representa um desperdício, já que o correto seria seguir a solução adotada pelo governo e a prefeitura de São Paulo: as 2 administrações usam apenas o escudo oficial do Estado e da cidade, exatamente para evitar gastos necessários a cada troca de gestão. Qualquer outra variação é rigorosamente proibida.

19 maio

No rame-rame do governo, presidindo eventos, lançando obras e distribuindo recursos, diante das claques da base aliada, Zé Eliton não vai decolar nas pesquisas

Ele jamais vai admitir em público. Ao contrário, vai dizer como já disse que está preocupado com a administração do Estado, que é responsável e que não perderá um único minuto com qualquer outra questão.

 

Porém, a realidade que oprime como um fardo pesadíssimo as costas de Zé Eliton é a necessidade de subir nas pesquisas. E ele sabe disso. É fundamental para a estabilidade da candidatura alcançar números melhores do que os 9,8% conquistados na última pesquisa do Grupom ou, pior ainda, os minguados 6,7% registrados no levantamento do Serpes.

 

O problema é que o rame-rame administrativo em que o governador se meteu é insuficiente para faturar saltos nos índices. Na verdade, desde os tempos de vice, pelo menos desde o segundo mandato, iniciado em 2015, o ritual diário de Zé Eliton é o mesmo que ele continua seguindo como inquilino do Palácio das Esmeraldas: concede audiências, preside eventos, lança obras e distribui recursos, sempre aplaudido por claques e fotos alegres nas redes sociais. Trata-se de um padrão politicamente formal e por isso mesmo medíocre, que dá vitrine, mas não rende pontos nas pesquisas, como ficou provado até agora.

 

É preciso algo novo.

19 maio

Disputa entre Demóstenes e Lúcia Vânia pela segunda vaga deixa Zé Eliton em situação difícil: “É um conflito que vai enfraquecê-lo mais do que já está”, aposta Helvécio Cardoso no Diário da Manhã

Boa a análise do jornalista Helvécio Cardoso sobre a disputa sangrenta entre Lúcia Vânia (que ela não admite) e Demóstenes Torres pela segunda vaga ao Senado na chapa governista.

 

Helvécio Cardoso culpa o PTB por estar armando uma crise profunda, que coloca o governador e candidato Zé Eliton em situação difícil “e pode enfraquecê-lo mais do que já está”.

 

Ele lembra que Lúcia Vânia considera-se dona da vaga. Se não a quiserem, tem onde se abrigar. “Não precisa de ninguém na base governista. Eles é que precisam dela”, assinala, corretamente.

 

Helvécio Cardoso lembra ainda que a senadora também tem seu calcanhar de Aquiles. “Num encontro de militantes, semana passada, Jovair Arantes afirmou que na chapa não pode ter gente que dá piti em palácio. Ele não disse o nome de Lúcia Vânia. Precisava?”.

 

Nâo, não precisava.

19 maio

Pressão do PTB sobre Lúcia Vânia continua: Jovair Arantes insiste em critérios para preencher a segunda vaga ao Senado na chapa governista e diz que “quem tem mandato não tem direito adquirido”

A panela de pressão em que se transformou o processo de escolha do titular da segunda vaga ao Senado, na chapa governista, está fervendo em níveis perigosamente altos.

 

Por um lado, Demóstenes Torres, o desafiante, prossegue em incessante atividade de contato com as bases nos municípios, atraindo também apoio ostensivo do deputado federal (não sei se suplente, no momento) Sandes Júnior e do líder do Governo na Assembleia, Chiquinho de Oliveira, e dezenas de prefeitos.

 

Por outro, o deputado federal Jovair Arantes, cabeça coroada do PTB nacional, continua disparando frases duras contra a senadora Lúcia Vânia, que se considera dona da vaga, sem necessidade de disputar. Jovair, na coluna Giro, em O Popular deste sábado, exige a definição de critérios para a escolha do candidato e fulmina: “Não existe direito adquirido para quem tem mandato. Isso é antidemocrático”.

 

Pode escrever, leitor: esse conflito não vai terminar bem para a base governista.

19 maio

OAB-GO elege lista sêxtupla para a escolha do desembargador que será nomeado pelo quinto constitucional no Tribunal de Justiça. Veja os nomes

O Conselho Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO) elegeu na noite desta sexta-feira (18/05) a lista com seis nomes que vão disputar vaga destinada à advocacia para ocupar um cargo de desembargador no Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJ-GO), a chamada Lista Sêxtupla.

São eles: Alexandre de Morais Kafuri, Antonia de Lourdes Batista Chaveiro Martins, Augusto César Rocha Ventura, Ezequiel Morais Silva, Guilherme Gutemberg Isac Pinto e Luiz Inácio Medeiros Barbosa,

A OAB-GO tem agora cinco dias para remeter ao TJ-GO a lista sêxtupla, acompanhada dos currículos dos candidatos escolhidos. Conforme o rito previsto pela Constituição Estadual, o Tribunal escolherá três nomes (lista tríplice). Caberá ao governador José Eliton, por fim, escolher o nome do novo desembargador que vai ocupar a vaga destinada à advocacia.

 

 

18 maio

Encontro de Vilmar e Caiado aconteceu no final de abril, em São Paulo, sob as bênçãos de Kassab – que, antes, rezou o mantra: “Para onde Vilmar for, o PSD de Goiás irá também”

É mais séria do que se imagina a articulação do ex-deputado Vilmar Rocha para levar o PSD a integrar a coligação do senador Ronaldo Caiado.

 

No final de abril, os dois deram uma de Trump e Kim Jong-un e tiveram uma conferência de paz em São Paulo, logo após Vilmar se encontrar com o ministro Gilberto Kassab para ouvir do chefão do partido a garantia de que, para onde ele pender, o PSD de Goiás irá inteiro.

 

O arranjo final da chapa teria a transferência do senador Wilder Morais para a vice, com Vilmar em uma vaga para o Senado. O sonho dourado que permeou a conversa é a escalação de Lúcia Vânia na outra vaga, como consequência da situação de atrito que ela está vivendo na base diante da concorrência de Demóstenes Torres e da agressividade do PTB.

18 maio

Má performance de Zé Eliton nas pesquisas e liderança precária de Marconi esvaziam a autoridade necessária para aparar arestas e resolver sobre a segunda vaga ao Senado na chapa governista

Tem razão o jornalista Helvécio Cardoso quando conclui, no Diário da Manhã desta sexta, que a falta de desempenho satisfatório nas pesquisas tem prejudicado tanto o governador Zé Eliton quanto o ex Marconi Perillo.

 

Sem índices afirmativos, não há como nenhum dos dois ostentar a autoridade necessária para aparar arestas e encaminhar soluções para desafios em face das próximas eleições, tais como o preenchimento da segunda vaga ao Senado, alvo de litígio entre Lúcia Vânia e Demóstenes Torres.

 

Problemão: Helvécio Cardoso acha que Lúcia Vânia não vai fazer o menor esforço para conquistar a tal segunda vaga. Ou Zé Eliton-Marconi garantem o lugar a ela ou… um abraço para quem fica.

 

O PMDB e Caiado a esperam de braços abertos.

18 maio

Wilder, mesmo sem densidade eleitoral, acabou contribuindo para o fortalecimento da chapa de Caiado, ao acrescentar estrutura e capilaridade

De densidade eleitoral perto de zero, o senador Wilder Morais, não obstante, acabou por acrescentar consistência ao projeto oposicionista de Ronaldo Caiado.

 

Milionário, a primeira e óbvia constatação é que Wilder significa de alguma forma a ampliação da estrutura de campanha de Caiado.

 

Em segundo lugar, trata-se de um senador da República – mandato que sortudamente lhe caiu no colo há mais de 7 anos. É um título que pesa em qualquer situação.

 

Em terceiro, se foi e é uma lâmpada apagada no Senado, Wilder ganhou um brilho estadual trabalhando como uma formiguinha para destinar recursos a quase todos os 246 municípios goianos. Parece exagero, mas o fato é que ele conseguiu. Isso dá capilaridade e conhecimento das bases em todo o Estado.

 

Por último, sua adesão a Caiado representou um golpe, politicamente falando, no sistema governista. Em eleições, tudo que um candidato tira dos adversários conta pontos para ele.

18 maio

Candidato a governador não deveria fazer críticas infundadas só porque é de oposição: Caiado diz que OSs da saúde não têm transparência quanto aos gastos. Dá uma olhadinha na internet, senador…

No Diário da Manhã desta sexta, o senador Ronaldo Caiado faz as suas críticas habituais à política de saúde do Estado – notícia absolutamente corriqueira em que se tratando de um candidato de oposição ao governo.

 

Mas causa estranheza Caiado incluir, nos seus ataques, uma espécie de denúncia, no sentido de que os gastos das Organizações Sociais que administram os hospitais do Estado não têm transparência nenhuma.

 

Têm, sim, senador. Basta consultar os sites de cada OS na internet e verificar que contratos, pagamentos, despesas, folha de pessoal, fornecedores, tudo enfim que diz respeito a aspectos financeiros da gestão dos hospitais estaduais está cansativa e pormenorizadamente lá, através de um volume de informações talvez até exagerado pelo excesso de minúcias – mas atendendo às determinações da Controladoria Geral do Estado.

 

Pode faltar qualquer outra coisa – e acredito que não, parecendo a mim que os hospitais estão funcionando exemplarmente –, mas jamais transparência. Ou o senador e sua assessoria não sabem navegar na internet?

18 maio

Governo Zé Eliton poderia ter comemorado, com méritos, os 49,9% de expectativas de boa gestão, apurados pelo Grupom/DM, mas preferiu distorcer a verdade ao tentar transformar esse índice em aprovação

O governo Zé Eliton recebeu uma boa informação da pesquisa Grupom/Diário da Manhã publicada no início desta semana: um índice de 49,9% de expectativas no sentido de que o novo governador FARÁ uma gestão boa e ótima.

 

Não seria possível esperar número melhor. O dado mostra que Zé Eliton assumiu exibindo doses elevadas de credibilidade, além de se beneficiar de uma boa e ótima aprovação, ainda segundo o Grupom, do recém-encerrado Governo Marconi Perillo. São 43,8% de aprovação (soma dos índices ótimo e bom) – avaliação medida com objetividade pela pesquisa.

 

Em vez de comemorar esse resultado fantástico, o governo preferiu investir na deturpação do resultado da pesquisa e apregoou com força ter recebido uma aprovação de 49,9% – que não corresponde ao que o Grupom escrutinou.

 

Nesta sexta mesmo, está o deputado Thales Barreto a exaltar, no Diário da Manhã, “a aprovação de 49,9% dos goianos ao governo Zé Eliton”.

 

Não, deputado: 49,9% dos goianos, segundo o Grupom, acreditam que Zé Eliton FARÁ um bom e ótimo governo, nada mais. Ao distorcer a pesquisa, o oficialismo conseguiu transformar em fato negativo o que deveria ter sido uma informação alvissareira.

18 maio

Corrida pela segunda vaga ao Senado: Lúcia Vânia reaparece e vai a 2 municípios. Demóstenes segue à jato e no mesmo período visita 9

A senadora Lúcia Vânia reapareceu para prestigiar 2 municípios, Luziânia e Santo Antonio do Descoberto, participando de eventos em torno do governador Zé Eliton.

 

No mesmo período, além de marcar presença nas mesmas festividades em Luziania e Santo Antonio, Demóstenes Torres foi a mais 7 cidades: Trindade, Abadia, Varjão, Cromínia, Professor Jamil, Aragoiânia e Pontalina.

18 maio

Viagem de 20 dias de Marconi ao exterior, a 4 meses da eleição, deixa a base governista à deriva, ameaçada por problemas sérios que demandam articulação e solução urgente

Parece fora de hora a viagem de 20 dias do ex-governador Marconi Perillo à Asia, a apenas pouco mais de 4 meses das eleições.

 

Marconi é a única liderança do seu sistema político que tem autoridade para articular e buscar soluções para problemas graves como a disputa entre Lúcia Vânia e Demóstenes Torres pela segunda vaga ao Senado e o posicionamento da chapa de candidatos a deputado estadual – questões sérias que podem ter reflexo no resultado do pleito.

 

Só que o ex-governador sumiu.

18 maio

Base governista está assentada sobre um barril de pólvora: composição da chapa majoritária, segunda vaga ao Senado, formação da chapa para deputado estadual, tudo isso tem potencial explosivo

Com vistas às próximas eleições, a base governista está assentada sobre um verdadeiro barril de pólvora, com pelo menos 3 estopins acesos: a composição da chapa majoritária, especialmente a disputa pela segunda vaga ao Senado, e a formação da chapa proporcional visando a Assembleia Legislativa.

 

Unanimidade, só as candidaturas do governador Zé Eliton à reeleição e do ex Marconi Perillo ao Senado. O restante é quase que totalmente crítico. Não há a menor previsão sobre quem ocupará a vaga de vice (cargo que, estranhamente, parece não despertar interesse, por enquanto). Lúcia Vânia, pelo PSB, e Demóstenes Torres, pelo PTB, se enfrentam pela segunda vaga senatorial. Quem for excluído pode até levar um partido de peso para fora da coligação governista, carregando preciosos segundos de tempo de propaganda eleitoral gratuita na televisão (em cada um dos dois blocos diários de 9 minutos destinados à campanha ao governo, PSB e PTB têm aproximadamente 30 segundos cada, fora as pílulas espargidas pela programação). Isso sem falar em uma consequência política ainda mais séria: o enfraquecimento da candidatura de Zé Eliton.

 

Não há, no horizonte, qualquer hipótese para que se resolva esse drama.

 

A questão da chapa proporcional para a Assembleia também é complicada. O PSDB tem 12 candidatos a deputado estadual com potencial de eleição (isso caso se confirme a volta do presidente da Assembleia José Vitti ao páreo). Isoladamente, o partido elegeria no máximo 6, porém coligado com outras legendas poderia fazer mais. O problema é que nenhuma outra sigla quer servir de escada para levar parlamentares estaduais tucanos ao topo, sacrificando seus próprios postulantes.

 

A chapa de candidatos a deputados federais tem uma situação mais tranquila. Uma coligação (chapão), com candidatos de todos os partidos da base, beneficia igualmente a todos.

 

17 maio

Iris desce à quase insignificância política, mesmo administrando o 2º maior orçamento do Estado, e à triste condição de cabo eleitoral de dona Iris

Já reparou, leitor? Quem é que quer saber o que Iris Rezende pensa ou está fazendo em termos do processo político estadual?

 

No clímax da sua vida pública, ocupando uma prefeitura resistente a qualquer esforço de boa gestão, o velho cacique vive a maior parte do tempo sumido do noticiário, sem ser procurado pelos principais atores da política em Goiás.

 

Já se disse que, no Paço Municipal, Iris se assemelha a um tubarão preso em um aquário para peixinhos dourados.

 

Parte do tempo, passa tentando resolver sem conseguir os principais problemas da capital. O resto, como dedicado cabo eleitoral, concentra-se na construção da candidatura de dona Iris Araújo à Câmara Federal – também cercada pelo desânimo.

17 maio

“Recorde histórico”, avalia o deputado Mané de Oliveira sobre os supostos 49,9% de aprovação de Zé Eliton na pesquisa Grupom/DM. Só pode ser ironia

Ingenuidade ou ironia?

 

O deputado Mané de Oliveira, que é do PSDB, avaliou como “recorde histórico” os 49,9% de aprovação que o governador Zé Eliton comemorou ter alcançado, mas não alcançou na pesquisa Grupom-Diário da Manhã publicada na última terça-feira. Um índice desses em apenas 30 dias, ou um pouco mais, não é para qualquer um, acrescentou o deputado.

 

E não é mesmo.

 

Esse índice não tem nada a ver com uma possível aprovação do atual governo porque o Grupom simplesmente não mensurou a aprovação do atual governo. Só perguntou aos seus entrevistados se acreditam que Zé Eliton, empossado há poucas semanas, pode vir a fazer uma boa gestão. A essa questão, 49,9% responderam que acreditam que sim, que fará uma administração boa ou ótima. Veja bem, leitor: não disseram que o governo de Zé Éliton É bom ou ótimo; disseram que acham que SERÁ, manifestando uma mera expectativa – provavelmente reverberando a boa e ótima aprovação de 43,8% que o governo Marconi Perillo obteve na mesma pesquisa.

 

Pegaram a resposta, esqueceram a pergunta do Grupom, e estão promovendo um carnaval.