Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

13 maio

Lúcia Vânia diz a O Popular que só será candidata “se o povo quiser” e que “as pesquisas mostram que o povo quer”. As mesmas pesquisas que dizem igualmente que “o povo também quer” Demóstenes

Enquanto Demóstenes Torres vara o Estado em campanha pela segunda vaga ao Senado na chapa governista, Lúcia Vânia diz neste domingo a O Popular que não é candidata, que não tem tempo para a política e que só disputará a reeleição “se o povo quiser”.

 

Segundo ela, “o povo quer” porque o nome dela aparece bem nas pesquisas. Problema: o nome de Demóstenes Torres também se sai muito bem nas pesquisas, próximo dos índices de Lúcia Vânia, o que, pelo critério da senadora, significaria que “o povo também quer” a candidatura de Demóstenes – na base governista, só existe uma vaga disponível para o Senado.

 

O argumento de Lúcia Vânia parece coisa de Iris Rezende. Lembra o antiquado discurso do velho cacique: deve tudo ao povo, sendo que, convocado por esse mesmo povo, não poderia se omitir nunca e por isso sempre é candidato ao cargo do momento.

 

A entrevista da senadora a O Popular é um primor de pesporrência. “Não estou disputando nada com ninguém”, esnoba, ao ser perguntada sobre a fatídica segunda vaga ao Senado na chapa governista. “Quem me colocou como candidata foram as pesquisas”, acrescenta, esquecendo-se, mais uma vez de que, pelo mesmo raciocínio, essas mesmas pesquisas também colocam Demóstenes como candidato.

13 maio

Caiado quer mudar… e avançar. Zé Eliton quer continuar… e avançar. E Daniel Vilela, o que pretende para o futuro de Goiás? Até agora ele não conseguiu deixar claro

Dois dos principais candidatos ao governo de Goiás já formularam com clareza quais serão os seus temas de campanha: Ronaldo Caiado repete sempre que quer mudar o que está aí e avançar. Zé Eliton, por sua vez, está preso ao conceito de continuar o que está aí, porém avançar sem parar.

 

Falta Daniel Vilela, que revela um discurso ainda evasivo, sem um foco objetivo sobre o que deseja apresentar ao eleitor em termos de intenções – inclusive de forma resumida, como conseguiram Caiado e Eliton, embora ambos favorecidos pela configuração das posições que hoje ocupam.

 

Provavelmente, o jovem filho de Maguito também gostaria de “mudar e avançar”. Mas, para ele, esse enunciado não é automático. Afinal, estão no seu colo os 16 anos consecutivos de poder do MDB e principalmente a herança política do seu pai, que é forte, embora pouco inovadora e muito convencional.

 

Daniel tem que dizer, com palavras claras, o que pretende para Goiás e o que o diferencia dos outros 2 candidatos. Até agora, não conseguiu

13 maio

Busca a qualquer preço pelo apoio do maior número possível de prefeitos levou Marconi-Eliton a pulverizar a capacidade de investimento do Estado em obras sem importância como o recapeamento de asfalto urbano

Nos últimos meses, Marconi Perillo e Zé Eliton buscaram conquistar e motivar o maior número possível de prefeitos, possivelmente enxergando nessa estratégia um caminho para a vitória na próxima eleição.

 

Como consequência, a capacidade de investimento do Estado foi esvaziada através da fragmentação de preciosos recursos em obras sem retorno econômico e interesse muito restrito. O exemplo maior é a prioridade absoluta que foi dada para a recuperação de asfalto urbano em dezenas e dezenas de cidades, o tipo de obra que agrada a qualquer prefeito.

 

Bom para quem mora nas ruas beneficiadas, mas péssimo para a sociedade como um todo, pela falta de retorno.

 

O preço a pagar é alto. Mais de um bilhão de reais foi espargido pelos municípios sem contribuir para a geração de um ambiente de crescimento da economia, que, em última análise, é o que provoca avanços para a população.

 

Micro-obras nos municípios deveriam ser custeadas pelos cofres das suas respectivas prefeituras – em geral, no caso de Goiás, falidas e mal administradas. Quando o Estado assume essa responsabilidade, todos perdemos.

13 maio

Afonso Lopes, no Jornal Opção, pergunta: é melhor começar na frente ou correr atrás durante uma campanha? E dá a resposta: quem lidera as pesquisas sempre leva vantagem

Em seu comentário semanal no Jornal Opção, o veterano Afonso Lopes conclui que é sem dúvidas melhor para qualquer candidato começar uma campanha eleitoral na liderança das pesquisas.

 

Ele enumera 3 vantagens:

 

1 – “Estrategicamente, iniciar as campanhas eleitorais liderando as pesquisas é muito melhor do que começar atrás. A liderança tende, por si só, a chamar mais a atenção, e isso numa campanha é sempre muito importante”.

 

2 – “Quem lidera as pesquisas tem perspectiva de poder de forma natural e encontra mais facilidades para trabalhar sob esse clima bem mais ameno do que concorrentes que começam sem tanto apelo popular”.

 

3 – “Maior facilidade de gerar fatos e conquistar apoios”.

 

Mas, por último, Afonso Lopes faz o alerta inevitável: “Sair na dianteira é melhor, sem dúvida, mas isso não é garantia de que o jogo será mais fácil”.

13 maio

Apoio de Iris não agregou força e conteúdo à candidatura de Daniel Vilela porque foi fruto de barganha (a entrega dos colégios de Aparecida e Jataí para viabilizar eleição de dona Iris) e não de convicção

A declaração de apoio da maior figura do MDB à candidatura de Daniel Vilela a governador não acrescentou força e conteúdo à postulação do filho de Maguito de Vilela.

 

É fácil entender o motivo: Iris somente o fez a título de barganha, com a dupla Daniel-Maguito retribuindo com a entrega a dona Iris Araújo os colégios de Aparecida e Jataí, que têm sob controle, na tentativa de viabilizar a eleição dela para deputada federal.

 

O velho cacique não agiu por convicção ou por estratégia política. Por isso, além de anunciar fria e protocolarmente que está com Daniel para governador, nada mais fez, não chamou ninguém para conversar, pouco acrescentando ou colaborando com os objetivos perseguidos pelos Vilelas. Faltou um mínimo de entusiasmo, o que deixou no ar a suspeita de que, no fundo do coração, Iris prefere mesmo Ronaldo Caiado.

 

Foi negócio, pura e simplesmente. Isso, em política, geralmente não funciona.

13 maio

Apesar de todas as evidências de que é adversário forte e poderoso, a partir dos seus mais de 40% nas pesquisas, concorrentes subestimam Caiado e não têm nenhuma estratégia para fazer frente a ele

Ronaldo Caiado tem mais de 40% nas pesquisas para governador. Conseguiu o apoio de uma rede política imbricada nos municípios, a partir da dissidência que surgiu a seu favor no MDB. No interior, prefeitos das maiores cidades estão com ele. Com a adesão do senador Wilder Morais, um homem indubitavelmente muito rico e disposto a gastar na política, reforçou a sua estrutura material de campanha. É de Anápolis, um dos grandes colégios eleitorais do Estado, que pode se inclinar maciçamente a seu favor. E ainda é beneficiado pelo tradicional sentimento oposicionista do eleitorado de Goiânia, o maior do Estado.

 

Com tudo isso, é um candidato fraco? Sim, respondem cabeças apaixonadas da base governista e até mesmo luas pretas do governador José Eliton e do ex-governador Marconi Perillo. O mito em que eles acreditam reza que Caiado seria um político radical, que não agrega e que, portanto, está fadado a tropeçar nas próprias pernas, em uma imaginada sequência de erros que viria a cometer daqui até a eleição.

 

Trata-se de uma visão infantil da política que, para piorar, dá a Caiado mais uma vantagem: a de ser subestimado pelos seus adversários e, daí, encontrar mais espaço livre para se movimentar, já que não está a ser combatido com eficiência e se depara com uma avenida sem obstáculos aberta à sua frente.

 

Por último, observem o comportamento do senador do campo: ele está comedido, mostra-se conciliador, vive sorridente e só é duro quando promete promover uma mudança radical no Estado caso venha a ganhar as eleições. Corretamente, ajustou-se e tornou-se uma espécie de Caiado “paz & amor”. E isso só fortalece a sua candidatura.

12 maio

Pesquisa do Grupom sobre as próximas eleições sai nesta segunda, dia 14, com exclusividade no Diário da Manhã

Confirmado: o Diário da Manhã desta segunda, dia 14, publica a nova pesquisa do Grupom sobre as próximas eleições. Com exclusividade.

12 maio

Marconi-Eliton jogam todas as fichas na influência que os prefeitos supostamente possam ter na eleição. Mas esqueceram-se de 1998: com 33 prefeitos, Marconi venceu Iris, que tinha o apoio de 213

Prefeitos são o elo mais fraco do sistema político, em Goiás e em qualquer outro Estado. Em sua maioria são despreparados, medíocres. Somente algumas raríssimas exceções conseguem efetivar boas gestões e obter aprovação popular respeitável. É só pensar, leitor amigo: que prefeito goiano vem obtendo destaque por fazer uma administração diferenciada e realmente produtiva para o seu município?

 

A aposta do governador José Eliton, que não é de hoje, ao investir a qualquer preço (explico na próxima nota) na consolidação de uma ampla base de apoio no interior, é de alto risco. Zé Eliton e Marconi Perillo passaram mais de ano viajando por até 3, 4 ou mais municípios por dia, anunciando recursos milionários e entregando obras, porém isso não teve nenhum reflexo favorável nas pesquisas – que, no final das contas, mostram Marconi em 1º lugar para o Senado, mas modestamente, e Eliton e Daniel Vilela mais ou menos empatados em 2º para o Governo, muito atrás de Ronaldo Caiado, com ínfimos 6 e qualquer coisa por cento cada um, valendo o registro de que Daniel não viajou, não se reuniu, não participou de eventos, não fez nada que minimamente se comparasse à movimentação do então vice-governador.

 

Eles – Marconi e Eliton – parecem ter se esquecido de 1998: enquanto Iris Rezende tinha o apoio de 213 prefeitos, o jovem do Tempo Novo ganhou a eleição com apenas 33 ao seu lado.

12 maio

A estratégia bem sucedida de Demóstenes para conquistar uma vaga na chapa governista: mostrar que é mais útil e confiável que a sempre distante e egocêntrica Lúcia Vânia

O procurador Demóstenes Torres está em campanha ostensiva para conquistar a segunda vaga ao Senado na chapa do governador José Eliton. Mas, perguntarão os leitores, esse lugar não está automaticamente reservado para a senadora Lúcia Vânia, que chegou até a quase ser consagrada publicamente como candidata à reeleição por Eliton e Marconi Perillo e portanto presumidamente titular da segunda vaga?

 

Sim, mas fatos novos surgiram, entre eles a decisão do Supremo Tribunal Federal que revogou a inelegibilidade de Demóstenes. E Demóstenes não é um político qualquer: ágil, o ex-senador saiu imediatamente a campo e tem mostrado notável mobilidade, repetindo quase que diariamente que a segunda vaga ao Senado na chapa governista está em aberto e deve ser preenchida mediante critérios objetivos de qualidade política e eleitoral – pesquisas, consistência, até prévias, que ele não teme – e com o aproveitamento de pelo menos um filtro subjetivo: ele não diz, mas deixa bem claro que o nome a ser ungido teria de ser aquele que se mostrasse mais útil e confiável para o grupo Marconi-Eliton e seu esforço de sobrevivência no poder.

 

Dia e noite, a título de amostra, Demóstenes tem se mostrado onipresente nos eventos da base, desdobrando-se em discursos, declarações, entrevistas, artigos e, enfim, na ampla formulação de uma defesa maiúscula e inteligente do projeto governista. É o que, exatamente, Lúcia Vânia nunca fez nem faz. Ninguém sabe por onde ela anda. Afonso Lopes, do Jornal Opção, a chama de “isolacionista”. Lúcia Vânia, quando aparece, é para dizer que egocentricamente está disposta a ser candidata, caso reconheçam os seus méritos e peçam por favor.

 

É uma diferença de postura, entre Demóstenes e Lúcia, em relação à base governista, simplesmente abismal.