Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

25 maio

Mortes de adolescentes em centro de internação do governo do Estado confirmam o que já se sabia: situação dos presídios goianos é de caos e continua sem nenhum indicativo de solução, mesmo parcial

Um incêndio até agora não explicado matou um número elevado de adolescentes internados em um centro de internação sob responsabilidade do governo do Estado, no Jardim Europa, em Goiânia. É possível que sejam nove vidas perdidas ou um número ainda maior.

 

Não adianta governador, secretário, polícia militar ou sabe-se lá quem tentar justificar com desculpas esfarrapadas: a situação dos presídios goianos é de caos e continua sem nenhum indicativo de solução, mesmo parcial. Outros episódios graves como esse continuarão acontecendo.

 

Para evitar o vexame que o ex-governador Marconi Perillo deu na última crise, quando foi fotografado em uma praia enquanto uma rebelião explodia no Complexo Prisional de Aparecida, com nove mortos, o governador Zé Eliton cancelou sua participação em um inútil fórum de governador em Cuiabá e retornou a Goiânia – mas sem que se saiba até agora que medidas podem ser ou foram tomadas

25 maio

Criação recorde de vagas de trabalho faz de Goiás um “campeão de empregos”? Isso é um mito: o recorde que estamos batendo é de desemprego, com mais de 700 mil goianos sem ocupação formal

Desde os governos de Marconi Perillo que se instalou em Goiás um ritual, a cada mês, trimestre ou quadrimestre, para a comemoração da criação de vagas de trabalho formal, segundo um certo CAGED, cadastro de empregados e desempregados do Ministério do Trabalho.

 

A criação de vagas importa. No entanto, como isso impacta a contagem de desempregados, subocupados, subutilizados e integrantes da força de trabalho potencial? Esses, estavam em 661 mil goianos, segundo o IBGE, no final de 2017 – e vinham crescendo sem parar, o que significa que hoje já passaram de 700 mil pessoas, total recorde. E é estatística do IBGE, que tem muito mais credibilidade que esse dito CAGED, cujos dados estão sempre inflados.

 

Assim, estão, digamos assim, em situação de desemprego  17% da população economicamente ativa, acima de 3,5 milhões de goianos, também no final de 2017.

 

É gente demais. As 8.791 novas  vagas que o governo estadual comemorou em abril não servem nem de refresco e representam uma insignificância. Sobre o desemprego crescente, não se diz nada.

 

É tema para a campanha eleitoral.

25 maio

Substituição do programa Inova Goiás pelo Goiás Mais Competitivo, na verdade uma angustiante corrida atrás de indicadores sugeridos por empresas de consultoria, afeta o crescimento sustentável do Estado

Goiás possui a 9ª maior economia do país em termos de PIB, mas, pelo critério de renda per capita, tem oscilado na última década entre a 11ª e a 12ª posição, figurando abaixo da média nacional.

 

Esse fato mostra que a população goiana se apropria de uma parcela do produto nacional inferior à sua participação. E reflete, entre outros aspectos: 1) a maior concentração das atividades econômicas em setores de menor agregação de valor e densidade tecnológica e 2) uma menor produtividade no Estado, que está relacionada a piores indicadores de qualificação profissional.

 

Por esses motivos, é de causar estranheza o abandono, por parte do governo estadual, das políticas de fomento à inovação tecnológica e qualificação profissional.

 

O sepultamento do Inova Goiás (na verdade, substituído pelo Goiás Mais Competitivo – uma angustiante corrida atrás de indicadores sugeridos por empresas de consultorias) e o acaso com que é tratado a Rede Itego são testemunhos da mais absoluta falta de comprometimento com o crescimento sustentável do Estado, de longo prazo, ancorado no aumento da produtividade do trabalhador goiano.(Mauro Faiad, economista)

25 maio

Culto à personalidade de Marconi, dentro da base governista, impede que a hipótese de derrota na campanha ao Senado seja sequer cogitada. Mas o risco é real: ele pode repetir o malogro de Iris em 2002

As últimas pesquisas expuseram um quadro perigoso para Marconi Perillo, ao apontar para a possibilidade uma derrota na eleição para senador. Certo, ele lidera, mas está  empatado com Lúcia Vânia, que está à frente com folga, por exemplo, na região norte do Estado. E vem por aí uma ruma de candidatos que poderão avançar.

 

A vitória de Marconi vinha sendo dada como fato inexorável. É parte da liturgia do culto à personalidade do chefe tucano. Cogitar a possibilidade de sua derrota soava como a mais impiedosa das heresias. Coisa parecida aconteceu em 2002, quando Iris, tido por todos como imbatível, foi batido pelo estreante Demóstenes Torres.

 

O salto alto é o pior inimigo dos candidatos. Cansei de ver vitoriosos de véspera amanhecendo derrotados no dia seguinte. O que os temponovistas não percebem é que as oposições, hoje, ao contrário de ontem, estão na ofensiva e já vêm batendo duro. Dessa vez, será Marconi que terá que dar explicações. E tanto ele como Zé Eliton terão que explicar lances como a indicação de Sérgio Cardoso para o TCE. Se é que cabe qualquer justificativa.

 

O bombardeio será intenso. A indicação de Sérgio, pelo governador entrante, pegou muito mal. É o tipo de coisa que a sociedade não aceita mais. Nada contra Sérgio, que é um homem de bem, rapaz direito e trabalhador. O problema é que ele é casado com a irmã de Marconi. Mesmo que fosse a maior sumidade mundial em matéria de finanças públicas –  não é -, Sérgio teria contra si  o fato de ser cunhado do governador findante. Nem toda água lustral do mundo poderá limpar tanto ele quanto seus padrinhos dessa mácula política.(Helvécio Cardoso, jornalista)

25 maio

Entre os 3 principais candidatos, segundo Afonso Lopes, no Jornal Opção, Caiado tem o favoritismo “em razão da sua extraordinária capacidade de se espraiar emocionalmente no pensamento geral do eleitor”

Ronaldo Caiado, Zé Eliton e Daniel Vilela, três principais candidatos a governador, têm qualidades pessoais e políticas que não permitem apontar um favorito, mas, inegavelmente, dão favoritismo a Caiado.

 

Mas qual a diferença entre favorito e favoritismo? Segundo Afonso Lopes, no Jornal Opção, favorito é quem tem pela frente uma caminhada tranquila e imperiosa até as urnas, enquanto o favoritismo é a soma de algumas condições favoráveis para vencer, mas não absolutas.

 

O favoritismo, ainda conforme Afonso Lopes, no momento é de Caiado, essencialmente “pela sua extraordinária capacidade de se espraiar emocionalmente no pensamento geral do eleitor”. Com isso, ele pode chegar fácil, fácil à condição de favorito – e pode estar perto, já que cavalga o 1º lugar nas pesquisas (no Grupom, apareceu com 61% dos votos válidos).

 

Em seguida, vem Daniel Vilela, em 2º lugar nas pesquisas. O experimentado comentarista o define como “o mais jovem e bem apessoado dos três candidatos principais. Seu discurso não é confuso, e numa rápida análise é o mais claro e fácil dentre todos”. Trata-se de uma grande vantagem.

 

Em 3º lugar, aparece o governador Zé Eliton, o candidato que, diz Afonso Lopes, tem mais privilégios. “É ele que tem a caneta mais poderosa do poder político estadual e representa o grupo político mais forte de Goiás, a chamada base governista”. Na pesquisa Grupom, metade dos goianos disse acreditar na sua capacidade administrativa.

 

Na partida, os candidatos estão assim. Vamos ver na chegada.

 

25 maio

Urgente: grupo pró-Caiado no MDB suspende encontros com 40 a 50 diretórios e lideranças na casa de Wilder e também em Posse. O motivo é a falta de combustível no interior

Foram suspensos os dois encontros que o grupo pró-Ronaldo Caiado no MDB promoveria neste fim de semana, um com lideranças e diretórios de 40 a 50 municípios na casa do senador Wilder Morais, em Goiânia, nesta sexta, e outro em Posse, terra do governador Zé Eliton, no sábado (na última pesquisa Grupom, Caiado apareceu com 58% das preferências de voto na região, enquanto Zé Eliton ficou com apenas 15%). Em Posse, compareceriam não apenas emedebistas, mas representantes de todos os partidos atraídos até agora para a coligação caiadista.

 

O motivo: falta combustível no interior, devido à greve dos caminhoneiros. Nova data será marcada.

24 maio

Em entrevista, Zé Eliton recorre a desculpas clássicas e surradas para justificar 3º lugar nas pesquisas: 1) tem levantamentos internos com resultados melhores e 2) por ora, os números só mostram conhecimento do nome

Na entrevista à rádio Sagres 730, o governador Zé Eliton recorreu a saídas clássicas e surradas quando foi apertado pelos jornalistas Cileide Alves e Vassil Oliveira com perguntas sobre o seu mau desempenho nas pesquisas (está em 3º lugar, atrás de Ronaldo Caiado e Daniel Vilela).

 

Zé Eliton argumentou que possui levantamentos internos em que aparece em melhor posição, mas não revelou que instituto seria o responsável por esses números “melhores” nem quais são eles.Ora, se tem mesmo, porque não divulga e eleva a moral das tropas governistas, abatidas com os levantamentos do Serpes e do Grupom.

 

Repetindo o bordão de que “existem pesquisas para todos os gostos”, o governador disse também que, na sua opinião, “pesquisas, por enquanto, só mostram o grau de conhecimento dos candidatos entre a população”. Mais, reafirmou acreditar que “a população só vai fazer o seu juízo no momento da eleição, após a campanha”, o que é verdade, mas não explica seu 3º lugar.

 

Nas duas eleições que disputou, para governador, e uma para prefeito de Goiânia, Vanderlan Cardoso passou o tempo repetindo esses chavões e perdeu todas. Em pesquisa alguma jamais saiu na frente, como vivia dizendo.

24 maio

Marconi disse que Lúcia Vânia será candidata na 2º vaga ao Senado na chapa governista. Zé Eliton afirma que não, que os partidos vão escolher o nome na época das convenções. Em quem devemos acreditar?

Zé Eliton diz uma coisa, Marconi outra. Zé Eliton disse a uma emissora de rádio que a base vai se reunir para ‘consensuar’ o nome do candidato à 2ª vaga ao Senado na chapa governista. Já Marconi disse em sua última entrevista como governador, publicada no Diário da Manhã, que a vaga era de Lúcia Vânia.

 

Agora o governador-candidato inclui entre os postulantes até a mulher do ministro Alexandre Baldy ( olha aí, Nerso da Capitinga, a panelinha etá voltando ).

 

Será que Zé Eliton e Marconi não falam mais a mesma língua? Ou será que Zé Eliton resolveu tomar as rédeas da condução política? Será que ele resolveu que os compromissos de Marconi são de Marconi, e não dele, Zé Eliton? Ou será que os rosnados de Jovair o fizeram tremer?

 

Talvez as intrigas palacianas consigam alijar Lúcia Vânia da disputa. Melhor para Caiado, que a espera de braços abertos. Pior para a chapa de Zé Eliton, que periga eleger apenas um senador, Marconi, se é que Marconi será eleito. Os demais postulantes, Demóstenes, Vanderlan, e outros mais não têm a menor condição de se eleger. Lúcia é a única que tem eleição garantida. Mas talvez o governismo queira se dar o luxo de abrir mão dos votos que ela pode trazer para a chapa.

 

Quanto à senhora Baldy – como ela se chama? – ser candidata a senadora, em lugar de Lúcia Vânia, só pode ser piada!(Helvécio Cardoso, jornalista)

 

24 maio

Campanha deve ser feita com conceitos e símbolos, não só com propostas pontuais tipo reformar o Serra Dourada, fazer cirurgias nos hospitais públicos à noite ou pagar salários melhores a professores e policiais

Candidatos ao governo de Goiás, Ronaldo Caiado, Daniel Vilela e Zé Eliton não apresentaram ainda suas ideias para o futuro de Goiás.

 

Expelem, de vez em quando, propostas apenas pontuais, como pagar salários melhores a professores e policiais, reformar o Serra Dourada ou fazer cirurgias nos hospitais públicos à noite. Nada disso garante uma vida melhor para os 7 milhões de goianos.

 

Conceitualmente, os 3 candidatos por enquanto revelam apenas um grande vazio.

 

Veja, leitor (e aprendam, Caiado, Daniel e Eliton), a título de ilustração sobre inteligência de campanha, o que resume a plataforma de Geraldo Alckmin, candidato a presidente, conforme divulgado nesta semana:

 

– Serão três eixos: indignação, solidariedade e esperança.

 

– O da indignação vai explorar o repúdio à corrupção, a percepção de que o Estado é caro e ineficiente e a rejeição ao capitalismo de compadrio.

 

– O da solidariedade, a ideia de que o Brasil não é um país desigual, mas ineficiente.

 

– E o da esperança, a promessa de dobrar a renda dos brasileiros e zerar o déficit primário em dois anos.

 

24 maio

Candidatura Zé Eliton tem falha de articulação no interior, sem prefeitos de expressão e atuantes. Caiado leva vantagem com um eixo muito representativo e até Daniel, com Gustavo Mendanha, está melhor

Na articulação dos municípios para a próxima eleição, a candidatura do governador Zé Eliton está em desvantagem, contando com apenas um prefeito de expressão, porém sem experiência político-eleitoral – Roberto Naves, do PTB de Anápolis, que pode desandar caso o candidato ao Senado pelo partido, Demóstenes Torres, termine fora da chapa governista.

 

Marconi Perillo nunca abriu mão, nas suas campanhas, de uma série de polos de magnetização eleitoral no interior. Zé Gomes, de Itumbiara, sempre foi um dos principais. Levado por uma tragédia, deixou Zé Eliton na mão com o seu sucessor, outro Zé, o Antônio, sem traquejo e politicamente inexperiente.

 

Ronaldo Caiado, estrategicamente falando, está em nítida vantagem. Vejam bem, não estou falando em apoio de maior número de prefeitos, mas em qualidades como liderança e capacidade movimentação, capaz de atrair votos e montar agendas positivas de campanha, além de se situar em cidades geograficamente difusoras. Caiado conta com um eixo formado por Adib Elias, de Catalão; Ernesto Roller, de Formosa; Renato de Castro, de Goianésia; Paulo do Vale, de Rio Verde; e até mesmo Fausto Mariano, de uma pequena cidade, Turvânia, porém extremamente ativo. São eles que estão carregando o MDB do interior para o colo do senador.

 

Daniel Vilela só tem um prefeito de peso, Gustavo Mendanha, com liderança no segundo maior colégio eleitoral do Estado, Aparecida. Além de tudo, fiel até debaixo d’água aos Vilela, a quem deve a eleição.

 

Uma campanha deve ser montada tijolo por tijolo, como se constrói um edifício. Prefeitos são o elo mais fraco do sistema político, mas os melhores e dos municípios mais importantes têm mais músculos e servem mais, até como pilares de uma candidatura a governador.

24 maio

Tudo que um homem público faz deve ser público também. O ex-governador Marconi estaria na Ásia, em uma misteriosa viagem de 20 dias. Por que ele não posta informações e fotos nas suas redes?

O ex-governador Marconi Perillo desapareceu de Goiás, depois de anunciar que estava saindo para uma viagem de 20 dias a países da Ásia, nos quais trataria de temas relacionados com a captação de investimentos para o Estado.

 

Nada mais estranho. Em seus 16 anos de mandato, Marconi passou mais de 220 dias fora do país, chefiando missões comerciais, sempre acompanhado por uma penca de empresários e líderes classistas do setor. Dessa vez, foi sozinho para o exterior.

 

Para complicar ainda mais o enigma, o ex-governador até agora não postou nada nas suas redes sociais, nenhuma informação, nenhuma foto – ao contrário do que sempre fazia em suas viagens pretéritas.

 

Os perfis de Marconi tem apresentado postagens obviamente feitas pela sua equipe, destacando fatos da ordem do dia em Goiás, como a morte do empresário Iberê Monteiro ou a eleição do procurador-geral de Justiça de Goiás, Benedito Torres Neto, para a presidência do Conselho Nacional de Procuradores-gerais.

 

Isso não é normal. Por onde andaria realmente o ex-governador? E fazendo o quê?

24 maio

Mesmo em 3º lugar nas pesquisas, Zé Eliton esnoba adversários e diz que tão cedo não fará campanha. Ele garante que 100% do seu tempo continuará dedicado ao governo

O Diário da Manhã replica nesta quinta declarações do governador Zé Eliton à rádio Sagres 730, garantindo que por ora não vai fazer campanha – é candidato à reeleição –, que 100% do seu tempo continuará dedicado ao governo e que não pretende se meter em tratativas político-eleitorais tão cedo.

 

O governador sofre pressão das melhores cabeças da sua coligação para pelo menos mesclar as suas atividades administrativas com o proselitismo eleitoral e para iniciar tratativas para resolver embaraços como a formação das chapas para deputado estadual e federal. A principal motivação seria tentar conquistar intenções de voto para sair do 3º lugar que ele ocupa nas pesquisas, com Ronaldo Caiado em 1º e Daniel Vilela em 2º.

 

Outro problema grave: o PSDB, partido do governador, tem entre 10 e 12 candidatos competitivos, dos quais no máximo a metade terá chances de eleição caso não venha a ser formado o chamado “chapão”, que agrega um elenco maior de candidatos e permite a conquista de mais cadeiras na Assembleia. Outros partidos da base de Zé Eliton, como o PTB, por exemplo, recusam-se a formar essa frente, para não servir de escada para os candidatos tucanos em prejuízo dos seus próprios nomes. A questão é delicada.

 

Segundo o governador, quem se encarregará de resolver o problema é o ex Marconi Perillo, que está ausente de Goiás em viagem ao exterior com destino ignorado.

23 maio

Lúcia Vânia não é dona da segunda vaga ao Senado na chapa governista. Zé Eliton diz na rádio Sagres 730 que partidos da base vão se reunir e decidir entre os postulantes “na época das convenções”

Após elogiar tanto Lúcia Vânia quanto Demóstenes com adjetivos mais ou menos simétricos, o governador Zé Eliton disse nesta quarta-feira na rádio Sagres 739, em entrevista aos jornalistas Vassil Oliveira e Cileide Alves, que a segunda vaga ao Senado, na chapa governista, será oportunamente “tratada dentro do conjunto de partidos que compõe a nossa base, com a maturidade própria daqueles que querem construir um projeto vitorioso”.

 

Sobre critérios, o governador afirmou que “devemos entender o momento político de cada um, observar a sensibilidade da população, discutindo internamento o projeto, para podermos consensuar a decisão”.

 

(Se o leitor achou esdrúxula a palavra usada pelo governador – consensuar – saiba que ela é estranha, sim, mas existe e significa estabelecer o consenso, o acordo).

 

“Essa decisão será feita a partir de vários elementos que interessam ao conjunto da base e deverá incluir também outros postulantes, como a Luana, mulher do ministro Alexandre Baldy, o presidente do PSD Vilmar Rocha e até mesmo o empresário Vanderlan Cardoso, que apareceu na última pesquisa. Nós vamos discutir com todos e decidir lá no momento das convenções”.

 

Palavra de governador, portanto. Ao contrário do que entende Lúcia Vânia, a segunda vaga ao Senado, como defende o procurar Demóstenes Torres, está em aberto.

23 maio

O que não foi dito sobre a tumultuada escolha da lixta sêxtupla à vaga de desembargador, pelo quinto constitucional: o compromisso de Lúcio Flávio, para se eleger à OAB-GO, era fazer eleição direta. Não cumpriu

O mais importante não foi dito até agora sobre a polêmica e tumultuada escolha da lista sêxtupla de candidatos à vaga de desembargador, pelo quinto constitucional, que foi feita pela Ordem dos Advogados do Brasil-Seção de Goiás, há poucos dias.

 

Para se eleger, em 2015, o atual presidente, Lúcio Flávio, fez compromissos que impressionaram e atraíram o apoio da maioria dos advogados goianos. Talvez o principal tenha sido, conforme texto extraído da sua cartilha de propostas, “a realização de eleições para a composição da lista sêxtupla”, o que em tese abriria uma oportunidade de ouro a todos os profissionais do Estado e não a um grupo seleto administrado pela diretoria da OAB-GO.

 

Muitos candidatos, em eleições de toda natureza, exageram nas promessas, depois esquecidas no armário. Isso no Brasil parece normal. Aqui informo ao leitor que, além de jornalista, sou advogado, inscrito regularmente na OAB-GO. Sei que esse não é um eleitorado qualquer. Há exigências muito maiores e mais severas para se escolher um presidente da Ordem do que em qualquer outro processo submetido às urnas, especialmente… ética.

 

Em vários Estados, as suas respectivas OABs já elegem a lista sêxtupla pelo voto de todos os associados. É o que se espera de uma entidade que sempre esteve à frente das lutas pelo Estado Democrático de Direito. Caso o presidente Lúcio Flávio tivesse cumprido a palavra empenhada, através de uma decisão colegiada simples, a OAB-GO não teria passado pelo constrangimento do vaivém, inclusive com medidas judiciais, que alvoroçou o seu – superado – processo de escolha dos 6 advogados candidatos a desembargador.

23 maio

Noticiário é sempre negativo para qualquer governo. Fatos positivos são raros e imediatamente desmentidos por uma realidade ruim, conforme se vê no caso da prisão dos assassinos da advogada

Em um dia de agenda positiva, a polícia estadual conseguiu a façanha de prender em tempo recorde os 4 criminosos que mataram a advogada Laís Fernanda Araújo Silva, no bairro Alto da Glória, e chocaram os goianos, mas, em outro dia, hoje, vem a notícia desagradável, em manchete de jornal, revelando que a ordem para o crime partiu de dentro das cadeias goianas.

 

Em outras palavras, o que o governo faz de bom agora, liquefaz-se daqui a pouco diante de uma inevitável realidade ruim.

 

A questão dos presídios dominados por facções criminosas, em Goiás, é muito grave e não é atacada a contento pelo governo estadual.

 

É por isso que governar não é o mesmo que fazer campanha: Zé Eliton não vai subir nas pesquisas apenas cuidando da rotina administrativa, enquanto seus adversários estão nas ruas desenvolvendo um animado proselitismo eleitoral.