Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

12 maio

Marconi-Eliton jogam todas as fichas na influência que os prefeitos supostamente possam ter na eleição. Mas esqueceram-se de 1998: com 33 prefeitos, Marconi venceu Iris, que tinha o apoio de 213

Prefeitos são o elo mais fraco do sistema político, em Goiás e em qualquer outro Estado. Em sua maioria são despreparados, medíocres. Somente algumas raríssimas exceções conseguem efetivar boas gestões e obter aprovação popular respeitável. É só pensar, leitor amigo: que prefeito goiano vem obtendo destaque por fazer uma administração diferenciada e realmente produtiva para o seu município?

 

A aposta do governador José Eliton, que não é de hoje, ao investir a qualquer preço (explico na próxima nota) na consolidação de uma ampla base de apoio no interior, é de alto risco. Zé Eliton e Marconi Perillo passaram mais de ano viajando por até 3, 4 ou mais municípios por dia, anunciando recursos milionários e entregando obras, porém isso não teve nenhum reflexo favorável nas pesquisas – que, no final das contas, mostram Marconi em 1º lugar para o Senado, mas modestamente, e Eliton e Daniel Vilela mais ou menos empatados em 2º para o Governo, muito atrás de Ronaldo Caiado, com ínfimos 6 e qualquer coisa por cento cada um, valendo o registro de que Daniel não viajou, não se reuniu, não participou de eventos, não fez nada que minimamente se comparasse à movimentação do então vice-governador.

 

Eles – Marconi e Eliton – parecem ter se esquecido de 1998: enquanto Iris Rezende tinha o apoio de 213 prefeitos, o jovem do Tempo Novo ganhou a eleição com apenas 33 ao seu lado.

12 maio

A estratégia bem sucedida de Demóstenes para conquistar uma vaga na chapa governista: mostrar que é mais útil e confiável que a sempre distante e egocêntrica Lúcia Vânia

O procurador Demóstenes Torres está em campanha ostensiva para conquistar a segunda vaga ao Senado na chapa do governador José Eliton. Mas, perguntarão os leitores, esse lugar não está automaticamente reservado para a senadora Lúcia Vânia, que chegou até a quase ser consagrada publicamente como candidata à reeleição por Eliton e Marconi Perillo e portanto presumidamente titular da segunda vaga?

 

Sim, mas fatos novos surgiram, entre eles a decisão do Supremo Tribunal Federal que revogou a inelegibilidade de Demóstenes. E Demóstenes não é um político qualquer: ágil, o ex-senador saiu imediatamente a campo e tem mostrado notável mobilidade, repetindo quase que diariamente que a segunda vaga ao Senado na chapa governista está em aberto e deve ser preenchida mediante critérios objetivos de qualidade política e eleitoral – pesquisas, consistência, até prévias, que ele não teme – e com o aproveitamento de pelo menos um filtro subjetivo: ele não diz, mas deixa bem claro que o nome a ser ungido teria de ser aquele que se mostrasse mais útil e confiável para o grupo Marconi-Eliton e seu esforço de sobrevivência no poder.

 

Dia e noite, a título de amostra, Demóstenes tem se mostrado onipresente nos eventos da base, desdobrando-se em discursos, declarações, entrevistas, artigos e, enfim, na ampla formulação de uma defesa maiúscula e inteligente do projeto governista. É o que, exatamente, Lúcia Vânia nunca fez nem faz. Ninguém sabe por onde ela anda. Afonso Lopes, do Jornal Opção, a chama de “isolacionista”. Lúcia Vânia, quando aparece, é para dizer que egocentricamente está disposta a ser candidata, caso reconheçam os seus méritos e peçam por favor.

 

É uma diferença de postura, entre Demóstenes e Lúcia, em relação à base governista, simplesmente abismal.