Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

21 jan

Conselho Deliberativo que os empresários querem obrigar o governo a implantar no novo programa de incentivos fiscais, o ProGoiás, corresponde a designar a raposa para cuidar do galinheiro

O governo do Estado enfrenta, no momento, uma queda de braço com os grandes empresários instalados em Goiás, representados por entidades classistas como a Fieg ou a Adial, em torno da necessidade de reformulação da política de incentivos fiscais – que doou bilhões a um grupo seleto de industriais através de descontos e isenções de ICMS que não existem em nenhuma outra parte do Brasil.

Perseverante, e duro, diga-se de passagem, o governador Ronaldo Caiado tem conseguido vitórias significativas nesse campo, com a ajuda da CPI dos Incentivos Fiscais, na Assembleia, responsável pelo trabalho de desmitificar a conversa fiada da geração de empregos e de estímulo ao desenvolvimento econômico que deveria ser, mas não acontece na prática, a justificativa para a distribuição de privilégios tributários nos últimos 20 anos. Caiado conseguiu romper o elo histórico que ligava governo e empresariado. Melhor: quebrou a vinculação que subordinava o poder estadual aos interesses de uma classe formada por apenas 534 grandes empresas, mas que, juntas, retêm em seus cofres anualmente em torno de R$ 8 a 10 bilhões de reais que deveriam recolher aos cofres estaduais, a título de tributos que todo o restante dos agentes econômicos paga, porém não eles.

Ressalte-se que se trata de gente despreparada e sem compromisso com o conjunto da população. Fieg e Adial, em mais de um ano de debate sobre os incentivos fiscais, nunca conseguiram alinhar um único argumento consistente a favor da manutenção das regalias tributárias que os governos de Marconi Perillo distribuiram a torto e a direito em Goiás. Protagonizaram, na verdade,um grande vexame, recorrendo a mentiras e a dados que não correspondem à realidade, desmentidos inclusive cientificamente, como se viu no caso dos estudos do Instituto Mauro Borges, nos quais de provou que não existe correção entre incentivos fiscais, empregos e crescimento da economia goiana.

Pois bem: malandramente, o que querem agora os nossos capitães de indústria, depois de perder todas as batalhas em que se empenharam em 2019? Que o novo programa de incentivos fiscais, proposto pelo governador Ronaldo Caiado, o ProGoiás, que organiza a bagunça herdada das gestões anteriores na área fiscal, inclua um “conselho deliberativo” para decidir sobre a concessão dos benefícios, no qual os seus prepostos ocupem uma parcela majoritária das cadeiras. Só que isso, leitora e leitor, na sabedoria popular, é o mesmo que designar à raposa a administração do galinheiro.

Este blog afirma e prova: no caso dos fracassados e falidos Produzir e Fomentar, esquemas corrompidos de incentivos fiscais que Caiado herdou dos seus antecessores, multiplicaram-se as irregularidades praticadas pelos seus “conselhos deliberativos”, nos quais se assentavam representantes do empresariado, gerando denúncias por improbidade do Ministério Público Estadual em busca do ressarcimento dos prejuízos causados por concessões ilegais de benesses quanto ao ICMS, autorizada pelas Comissões Executivas de ambos os programas – nas quais estavam listados indicados de entidades classistas, como é o caso do réu Edward Portilho, representante da Adial em um “conselho deliberativo” do Produzir que participou da liberação de vantagens para uma gráfica, em detrimento dos cofres públicos e afrontando a lei.

Não, o governo Caiado não pode concordar com a prorrogação desse tipo de abuso. Ética e moralmente, empresários não devem participar dos processos de concessão de incentivos fiscais, dos quais são beneficiários – e a razão é essa mesma: como um favorecido pode opinar a respeito das vantagens que vai ou não levar? Não tem sentido. Trata-se de um assunto que só responde a critérios técnicos, legais e nada mais. Está passando da hora de ensinar aos capitalistas goianos que pagar impostos é um dever que eles devem cumprir e não uma injustiça ou um sacrifício impostos a eles. Quem não concordar, que se mude de Goiás.

20 jan

Coreografia tucana: Jânio Darrot recebe Marconi às 19hs em seu apartamento no setor Bueno para ouvir que terá autonomia como presidente do partido e responder que aceita continuar

O prefeito de Trindade e presidente estadual do PSDB Jânio Darrot recebe o ex-governador Marconi Perilo em seu apartamento no setor Bueno logo mais às 19hs, quando, em resumo, ouvirá que terá autonomia no comando do partido e responderá que, sim, aceitar permanecer na função.

Essa é a expectativa entre os quadros tucanos de maior peso, muito embora representando, para Jânio Darrot, uma jogada de alto risco, caso permaneça na presidência do partido, já que o voluntarismo e o estilo de Marconi, ao longo dos seus 20 anos de poder, deixam claro que o ex-governador não é de ficar à beira da estrada vendo a caravana passar.

Jânio Darrot anunciou que se afastaria da direção estadual do PSDB depois de ser desautorizado em articulações que desenvolveu por conta própria para a definição de candidaturas nos municípios. A difícil situação financeira do partido, que está com os repasses do fundo partidário suspensos por irregularidades cometidas na época em que Giuseppe Vecci ocupou a presidência, também influenciou na decisão.

19 jan

Segredo da reeleição certa de Iris é simples: goianiense não quer invencionices, mas a certeza de que a rotina de uma cidade limpa e com crescimento organizado está garantida

Mais de 20 pré-candidatos a prefeito de Goiânia, com exceção de Iris Rezende e Vanderlan Cardoso, estão em uma corrida desesperada por espaços na mídia, repetindo as mais estapafúrdias  invencionices a título de seus supostos projetos e abusando da palavra modernidade – que a maioria deles não sabe o que significa, mas imagina que é o que o eleitor deseja, embora não consiga dizer como nem explicar o por quê. Acontece que, ao contrário de toda essa perda de tempo e balbúrdia política sem sentido, está cada vez mais evidente que a expectativa dos moradores da capital parece ser simplesmente pela garantia da rotina de uma cidade limpa, bem administrada e com o seu crescimento organizado  – exatamente como ocorre sob Iris no Paço Municipal.

Já se disse neste blog que o panorama da próxima eleição em Goiânia pode ser definido como o velho cacique peemedebista de um lado e um deserto de nomes e ideias de outro. Nem mesmo Vanderlan, talvez a candidatura de maior penetração entre a população depois de Iris, consegue preencher esse vazio. O senador está prestes a fechar o 1º ano do seu mandato na mais alta Câmara Legislativa do país e tem pouco a apresentar na sua prestação de contas – o que só não o prejudica mais eleitoralmente porque cidadãs e cidadãos não têm noção do que é o Senado e para que serve, daí não existir maiores cobranças sobre o desempenho de Vanderlan e o que faz ou deixa de fazer em Brasília.

A hora é mesmo de Iris, que desenvolve com tranquilidade e amadurecimento a melhor administração da sua vida. Somados todos os seus pretensos adversários, não se extrai uma única ideia interessante ou de algum modo valiosa para o maior centro urbano do Estado. Infelizmente, só bobagens, que revelam a cabeça oca de todos os pré-postulantes e sua monumental falta de imaginação e ausência de preparo, sem exceções. E não se esqueçam de que Iris ainda tem oito ou nove meses na prefeitura, tempo que ele vai multiplicar com o dinamismo que passou a imprimir à sua gestão de pouco mais de um ano para cá. Cada dia, face ao volume de obras e às soluções que não param de chegar para os desafios do dia a dia dos goianienses, vale por três ou quatro.

Que Iris se reeleja, pelo bem de todos em Goiânia.

14 jan

Juiz que cassou liminar obtida por Cláudio Meirelles (que imprudentemente suspendia decisões da Assembleia) é exemplo que mostra a lucidez que às vezes falta ao Judiciário brasileiro

Foi uma bela decisão. Daqueles que fazem reacender a crença no Poder Judiciário brasileiro como um instrumento da Democracia, do Estado de Direito e da cidadania, capaz de projetar em suas decisões não apenas o império das leis, mas também o bem comum e os interesses da coletividade. Ao revogar a liminar concedida por um colega a pedido do deputado Cláudio Meirelles, que suspendia a vigência de leis da maior importância para Goiás aprovadas pela Assembleia em razão de um detalhe insignificante, qual seja a falta de assinatura do próprio parlamentar (1º secretário do Legislativo), o juiz Maurício Porfírio Rosa(foto acima) honrou as suas funções judicantes e deu uma lição para o Brasil.

O despacho do dr. Maurício Porfírio Rosa é de uma objetividade como poucas vezes se viu, a começar pelo reconhecimento de que não cabe à Justiça ficar interferindo em decisões soberanas dos deputados estaduais, que constituem um Poder autônomo. É verdade. Como é que juízes de 1ª instância podem se arvorar em censores das resoluções superiores de um Poder Constitucional? Não tem cabimento. E ainda mais, ressaltou o juiz, tendo como justificativa “a ausência de uma assinatura que não gera nenhum prejuízo para o autógrafo de lei, tratando-se de procedimento meramente formal previsto no Regimento Interno da Casa”.

A liminar revogada suspendia a aprovação das matérias relacionadas ao Fundo de Proteção Social do Estado de Goiás (Protege) e as mudanças nos Estatutos do Servidor e do Magistério, todas diretamente relacionadas com a busca da estabilidade fiscal do Estado e ao fim da sua crise financeira, o que quer dizer: objetivos não do governador Ronaldo Caiado ou da maioria dos parlamentares, mas de todos os sete milhões de goianas e goianos. Elas foram obtidas pelo deputado Cláudio Meirelles, não para colaborar com a sociedade, mas para atender à ganância de empresários, à perpetuação dos privilégios do funcionalismo e à sua vontade de fazer oposição a qualquer preço a Caiado.

Graças a um juiz consciente do seu compromisso de fazer cumprir a lei e sábio na fundamentação das suas resoluções, as leis mais importantes da história recente de Goiás estão a um passo de se transformar em realidade (ainda falta uma liminar, essa de um sindicato de servidores, a ser cassada). Um brinde, respeitoso, ao dr. Maurício Porfírio Rosa.

11 jan

Superedição de fim-de-semana de O Popular é um fiasco que apenas antecipa a sua morte precoce e mostra que os seus profissionais são incapazes para fazer um jornal à altura de Goiás

Neste sábado, 11 de janeiro, circulou mais uma superedição de O Popular, nome faustoso que o supostamente veículo de comunicação mais importante do Estado arrumou para disfarçar a humilhante decisão de não mais circular aos domingos, por resultar apenas em prejuízos e sem nenhuma compensação empresarial. Quem leu percebeu que não existe nada de “super” e que a edição é mais uma da triste rotina de decadência que o jornal da família Câmara vem cumprindo há anos, deixando de evidenciar capacidade de reação e de estar à altura de Goiás. O que foi entregue ao público não pode ser definido com outra palavra senão… uma porcaria, que se reporta até a notícias sobre previsões futurológicas, algo sem o menor cabimento e totalmente desprovido de seriedade.

A desculpa de que a imprensa em papel está morrendo, vítima da internet e das redes sociais, não é válida para O Popular. Vejam, leitora e leitor, o exemplo da Folha de S. Paulo, que evolui sem parar e mostra vigor para sobreviver em um mundo dominado pela velocidade dos meios midiáticos online. A Folha de S, Paulo vem aumentando o seu espaço e prestígio junto à opinião pública, tanto fortalecendo o seu conteúdo como inovando quanto aos seus aspectos formais. Exatamente o contrário do que acontece com O Popular e, de resto, com os seus congêneres Diário da Manhã e O Hoje, que não passam de simulacros ou modelos vencidos de jornalismo em formato impresso.

Mas a culpa por esse estado de coisas, se, em grande parte, tem a ver com a ausência de visão dos donos desses veículos, é também dos jornalistas que os produzem. Inventou-se em Goiás um modelo de noticiário diário que despreza o feecback intelectual e se limita à construção de um texto nem sempre claro e quase sempre pobre. O Popular foi mais longe ainda: adotou a omissão como regra, escondida atrás de uma neutralidade que não vale um tostão furado. Isso ficou claro quando, durante dois meses, o projeto de reforma da previdência dos funcionários estaduais tramitou na Assembleia como um dos movimentos mais importantes da história administrativa e econômica do Estado, sem que o jornal pelo menos minimamente manifestasse o seu ponto de vista – tudo isso com a conivência da redação de O Popular, que não foi orientada para evitar se posicionar pelos escalões superiores da empresa, se escafedendo infelizmente por conta própria. Isso está claro.

Que a imprensa em papel vai morrer um dia, não muito distante, é algo óbvio. Mas, em Goiás, isso está ocorrendo de forma prematura. A ridícula superedição de fim de semana O Popular é a maior evidência desse óbito anunciado.

10 jan

Jânio Darrot, que é um homem de bem, nunca deveria ter aceitado a presidência estadual do PSDB, para a qual foi chamado por Marconi para fazer o papel de fantoche de uma verdadeira “máfia”

Deu no que deu e não poderia dar em outra: o mega empresário e prefeito de Trindade Jânio Darrot acabou desistindo da presidência estadual do PSDB, função a que foi guindado – como registrou este blog logo quando ele foi anunciado e vocês, leitora e leitor, podem conferir aquiaqui – por obra e graça do ex-governador Marconi Perillo. Não há a menor dúvida de que o tucano-mor de Goiás pensou estar designando para o seu partido um homem da sua estrita confiança, que não ofereceria nenhum risco para o rigoroso controle de que não abre mão de exercer sobre a legenda, inteiramente subordinada aos seus interesses pessoais, entre os quais manter as portas fechadas a qualquer tipo de reciclagem ou renovação.

Deu boró. E deu porque Jânio Darrot é um homem de bem, decente e honesto e jamais se encaixaria no papel de marionete à frente de uma verdadeira “máfia”, que é a realidade do PSDB hoje em Goiás, pelo menos quanto a panelinha que controla a sigla, sob a liderança de Marconi. Jânio Darrot demorou seis meses para descobrir que estava sendo usado, que não era presidente de fato e que as decisões que contavam estavam sendo tomadas pelo ex-governador, na surdina, sem sequer a deferência de contar a ele, antes. Se aceitasse, o prefeito de Trindade não passaria de uma minhoca política ou partidária, a serviço de um grupo que perdeu a sintonia com os interesses das goianas e dos goianos e tem hoje uma folha policial/judicial que é exemplo, negativo, para o Brasil.

Jânio Darrot é um ponto fora da curva do PSDB estadual. Tem um currículo parecido com o do governador Ronaldo Caiado: nunca foi envolvido em escândalos, mesmo prestes a completar dois mandatos como prefeito de Trindade sem jamais ter sido questionado quanto a qualquer ato administrativo. A única nódoa na sua biografia é o fato de ser filiado a uma legenda que, ele está aprendendo a duras penas, assemelha-se mais a uma “cosa nostra” estadual. É o caso de repetir o conselho do então deputado Roberto Jefferson ao ministro da Casa Civil José Dirceu: “Sai daí, Zé”. Ou seja: “Sai daí, Jânio. Você não é um deles”.

Jânio Darrot, saiu, mas, por enquanto, só da presidência. Deveria sair do partido.

09 jan

Iris é candidato, nunca deixou de ser, e sua presença na eleição pode ser definida como ele e todo o seu peso de um lado e um deserto de nomes e ideias de outro

Depois de um vaivém em que momentaneamente confundiu a mídia política com a ilusão de que não seria candidato à reeleição, o prefeito Iris Rezende recolocou as coisas no lugar e o fez como tem feito em todos os pleitos que disputou até hoje: não tem nenhuma pretensão pessoal, mas, como a sua vida é dedicada a servir ao povo, não poderá se furtar a uma nova convocação para manter Goiânia nos trilhos em que ele mesmo colocou a administração da cidade. Em resumo, como notou o editor Euler Belém, do Jornal Opção, o único que soube interpretar as declarações do velho cacique emedebista, “Iris é mais candidato do que nunca”.

E essa é uma constatação ruim para a legião de políticos, de inúmeros partidos, a maioria de baixo calado, que resolveu se apresentar como alternativa para a prefeitura da capital. Virou brincadeira: qualquer um se acha no direito de lançar a sua postulação, gente sem eira nem beira como Major Araújo, Romário Policarpo, Virmondes Cruvinel, Rafael Gouveia, Alexandre Magalhães, Eduardo Prado e mais alguns que deveriam se bastar por já ter chegado onde chegaram, mas não têm nenhum pejo para se apresentar como possibilidade para o lugar de Iris. Só o Diário da Manhã, em uma reportagem nesta quinta, 9 de dezembro, cita 14 desses infelizes, cuja soma política e técnica, caso possível, não alcançaria sequer 10% do potencial embutido na recandidatura, benéfica e indispensável para Goiânia, de Iris. Anotem aí: política é um campo de atividade onde a seriedade é indispensável, mas nenhum desses pré-candidatos está mostrando a mínima noção dessa verdade.

Iris, como se sabe, faz da atual a melhor administração da sua vida. E também da vida das e dos goianienses. Dá arrepios e até vontade de chorar a cogitação de que ele poderia, devido à idade, que não faz nenhuma diferença, não concorrer e abrir espaço para um desses doidivanas. Sim, é o que são, com suas propostas de cidade digital, obras planejadas, mais programas sociais e um amontoado de invencionices a mais (tem até um fazendo media training para a campanha), todas denotando nada mais que pobreza de imaginação diante do acerto e da força da gestão ora em andamento no Paço Municipal, algo que nunca se viu antes. Podem descansar, leitoras e leitores: Iris é candidato. Melhor ainda: será prefeito de Goiânia por mais quatro anos.

08 jan

Sem convicções, a não ser gozar do mandato para proveito pessoal e da família, deputado Humberto Teófilo quis fazer média com o funcionalismo que não representa e pagou o preço da desmoralização

O deputado estadual “delegado” Humberto Teófilo faz hoje em Goiás o triste papel de cachorro que caiu do caminhão de mudança e não sabe que rumo tomar. Perdido, esforça-se para justificar e dar grandeza aos votos que proferiu na Assembleia contra os projetos reformistas do governador Ronaldo Caiado que alteraram as regras da previdência dos servidores e dos estatutos do funcionalismo e do magistério, colocando fim a privilégios históricos e abrindo caminho para a superação da crise fiscal do Estado – com prejuízos para pequenos segmentos, mas benefícios para o imenso contingente de sete milhões de goianas e goianos.

É deplorável, na política, quando alguém tenta representar um papel no qual não cabe. Humberto Teófilo foi eleito acidentalmente, sem bases representativas, e provavelmente não voltará à Assembleia depois do pleito de 2022. Trabalhando como delegado de polícia em Inhumas, polarizou fortemente com os políticos locais, como o ex-deputado José Essado, e o deputado Lucas Calil, atraindo 10 mil votosao pegar carona no fenômeno Jair Bolsonaro – disputou pelo PSL, na época o partido do atual presidente – e com isso garantindo um mandato em que nem ele mesmo acreditava. Na Assembleia, é assim mesmo: toda legislatura inclui parlamentares guindados graças a fenômenos momentâneos e localizados, como é o caso desse deputado, que se extinguem no exercício de apenas um mandato.

Mas, ao votar contra as reformas, ele cometeu o equívoco de achar que poderia tapear o governador Ronaldo Caiado, fazendo média com o funcionalismo – do qual está longe de seralgum tipo de liderança – e posar de mocinho para a mídia, o que o levou a fazer discursos desconexos (não sabe se expressar bem) com apelo a palavras e frases radicais. Só que levou um susto: Caiado reagiu com uma firmeza que os seus antecessores nunca exibiram, exonerando todos os aliados que Humberto Teófilo havia fisiologicamente indicado para o governo, entre os quais, descobriu-se, havia até um irmão, nomeado para uma cargo de direção na Secretaria de Esportes & Lazer. Sim, leitora e leitor, ele usou o mandato para privilegiar seus parentes, desmentindo as alegações dele próprio de que seria um representante da “nova política” (marketing que o ajudou a se eleger).

Sem saber como reagir, o delegado acabou remetido para um limbo: está hoje rejeitado tanto pela base governista como pela oposição, que, nas palavras do deputado tucano Talles Barreto, comparou a sua autenticidade política e ideológica a uma nota de R$ 3 reais – metáfora de um acerto como poucas vezes se viu antes. Malandramente, dá declarações dizendo-se admirador de Caiado e disposto a continuar votando a favor do governo, na esperança de reabrir as portas que levam às páginas do Diário Oficial. Não percebe, por falta de conteúdo intelectual para isso, que está apenas prolongando o vexame que protagonizou ao assumir posições para as quais não tinha preparo para defender ou sustentar. Pode apostar, leitor: se Caiado quiser, basta estalar os dedos e Humberto Teófilo estará onde receber ordens para estar.

05 jan

Primeiro domingo de 2020 marca o fim do jornal diário em Goiás – em papel – e antecipa para breve a sua extinção definitiva

Este domingo, 5 de janeiro, é o primeiro depois de décadas em que nenhum jornal diário estará circulando em Goiás: O Popular cedeu aos tempos e resolveu acompanhar o Diário da Manhã e O Hoje na ideia esdrúxula de fazer uma edição aos sábados que também vale para o dia seguinte, ou seja, uma edição de fim de semana.

Se as notícias publicadas hoje já o são envelhecidas, já que foram exaustivamente divulgadas pelos meios online ontem, imaginem o que vai acontecer com o que O Popular chama desesperadamente de superedição de domingo, a ser fechada na sexta…

Trata-se de um malabarismo nem um pouco convincente, mas infelizmente inevitável na tentativa de baixar custos e driblar a baixa tiragem. Com isso, os três jornais de importância do Estado passam a ser oferecidos às leitoras e aos leitores durante seis a cada sete dias, deixando, formalmente, a condição de diários. É cansativo repetir que há uma crise mundial a destruir, aos poucos, a imprensa em papel, motivada pelo crescimento da internet e agravada com a chegada das redes sociais – fatores que comprometeram o futuro dos veículos tradicionais de comunicação com letras impressas. E podem apostar: quem sobrou não vai durar muito tempo.

Assim caminha a humanidade.

04 jan

“Cientistas políticos” ouvidos por O Popular propõem submissão do Estado a empresários e servidores e dizem que, para deslanchar como governador, Caiado precisa deixar de ser Caiado

A jornalista Fabiana Pulcineli tem uma antiga obsessão por governantes que deixaram o poder e são alvo da indispensável revisão histórica sobre o que fizeram, especialmente quanto aos erros. Foi assim que ela condenou Marconi Perillo quando assumiu o poder após a gestão de Alcides Rodrigues e passou meses e meses falando mal do seu antecessor. O que ela dizia de Marconi é o mesmo que fala agora sobre o governador Ronaldo Caiado, a quem acusa de se preocupar excessivamente com o passado e a quem nega o direito de expor a situação de calamidade financeira e administrativa que herdou – o que seria revanchismo, palavra que a dona repórter não usa, mas conceitua sem a menor hesitação.

Sendo apaixonada pela hipótese, que expôs com clareza em uma “palestra” há poucos dias no escritório do advogado Dyogo Crosara, Fabiana Pulcineli foi atrás dos fundamentos que poderiam justificá-la: arrebanhou dois “cientistas políticos”, Robert Inácio, da UFG, e Itami Campos, da UniEvangélica, para fornecder argumentos à tese de que Caiado deveria parar de criticar as administrações anteriores e se concentrar em “deslanchar” o seu governo. O resultado foi uma matéria ridícula na edição de estreia de O Popular que, aos sábados, valerá também para os domingos – mais um passo largo rumo ao inevitável fim do jornalismo em papel em Goiás.

A primeira pergunta que se faz, ao começar a ler os despautérios alinhados no texto, é simples: por que denunciar a corrupção e os graves equívocos dos governos que se foram seria um erro ou uma atitude a abandonar? Por quê? Ao contrário, mais correto é dizer que se trata de uma obrigação e de um dever de qualquer governante. Ou Fabiana Pulcineli e seus especialistas estariam postulando que Caiado varra o lixo para debaixo do tapete, cometendo, assim, um grave crime de responsabilidade ou então escondendo a verdade da população? Será que esse conselho é válido também para o Tribunal de Contas do Estado e para o Ministério Público? Ou para a Polícia Civil também?

Não tem cabimento. Onde essa jornalista e esses professores estão com a cabeça? E um jornal, tido como o mais importante do Estado, que assume em manchete essa besteira? Mas tem mais. Essa trinca – veículo, repórter e “cientistas políticos” – propõe ainda que Caiado deixe de lado o que minimizam como “acusações” e se preocupe em fazer o seu governo “deslanchar”. Isso depois que o governador venceu ações no Supremo Tribunal Federal aliviando a difícil situação financeira que encontrou ao assumir, aprovou reformas que nunca antes foram tentadas em Goiás, colocou um ponto final no mandonismo dos grandes empresários sobre o governo, viabilizou privatizações, extinguiu privilégios e, como demonstra outra jornalista Cileide Alves, em seu artigo na mesma edição de O Popular, alcançou conquistas importantíssimas para a população na área de segurança. Como assim, “deslanchar”?

Por fim, quem lê o estapafúrdio cartapácio de Fabiana Pulcineli e os conselhos dos seus acadêmicos só pode chegar a uma conclusão: Caiado, se quiser ser um bom governador, precisa deixar imediatamente… de ser Caiado. Deveria renunciars às suas convicções, “ouvir” os maiores capitães da indústria em Goiás e o funcionalismo – e é de se duvidar que queiram abrir mão de um mínimo que seja das regalias de que desfrutavam -, engolir calado tudo de errado e absurdo que foi imposto a ele quando assumiu o governo de Goiás e, de cabeça baixa, seguir em frente carregando silenciosamente nas costas o pesado fardo que recebeu. Não fazer o que está fazendo, ou seja, fixar a marca anticorrupção que é a sua companhia por uma vida inteira e, na frente administrativa, procurar o fim do modelo de desequilíbrio entre receita e despesa dos últimos 20 anos, enfrentando os interesses corporativistas e de minorias não comprometidas com o conjunto da sociedade. Isso não é possível. Não ouça, governador, os palpites destrambelhados de Fabianha Pulcineli e dos supostos “cientistas políticos” que ela arrumou para sustentar o equívoco em que ela acredita, cuja única consequência seria a destruição do Estado.

03 jan

Assinatura de Cláudio Meirelles é filigrana sem importância que não deveria se sobrepor à decisão de um Poder e está dando margem a interferência indevida, infelizmente legal, de juízes no Legislativo

Algumas distorções do sistema jurídico em vigor no Brasil permitem que um juiz de 1ª instância tenha autoridade equivalente a dos Poderes da República, caso, há poucos dias, do magistrado federal que suspendeu a decisão do presidente da República de retirar os radares das rodovias e agora, em Goiás, dos que estão concedendo liminares suspendendo decisões soberanas da Assembleia Legislativa quanto aos projetos reformistas que foram aprovados no último mês de dezembro.

Não faz sentido. No mínimo, esse tipo de interferência deveria ser da competência exclusiva dos tribunais superiores e, possivelmente, somente por parte de colegiados, jamais juízes isoladamente. E o pior, no caso goiano, é que se sustentando em firulas que só dizem respeito ao regulamento interno da Assembleia e não poderiam em hipótese alguma se sobrepor à decisão colegiada dos seus membros.

Mas é a lei que dá essa autoridade aos quatro representantes do Judiciário estadual que, até agora, se arvoraram  na capacidade de atrapalhar os deputados a legislar conforme o direito atribuído a eles pela Constituição Estadual. Dois foram desautorizados com rapidez, depois de suspender a tramitação da PEC da previdência do funcionalismo através de liminares que acabaram imediatamente cassadas (palavra que O Popular em um mau exemplo insiste em escrever com cê cedilha, ou seja, “caçadas”), uma pelo Tribunal de Justiça e outra pelo Supremo Tribunal Federal. Restaram mais duas, aguardando recurso da Assembleia e do governo do Estado para que, corretamente, venham a ser analisadas em 2º ou 3º graus e provavelmente derrubadas pela caneta amadurecida dos desembargadores e ministros.

Fora o funcionalismo e a oposição, há uma espécie de unanimidade quanto a conveniência das reformas da previdência e dos estatutos do funcionalismo e do magistério, que cortam privilégios antigos, adequam  a legislação estadual às mudanças que foram feitas no arcabouço jurídico federal e trazem uma economia indispensável para o fim do modelo do desequilíbrio entre receita e despesa em Goiás. São temas de interesse coletivo e não de setores específicos – como sindicatos agarrados ao corporativismo cada vez mais fora de moda no país, ou políticos que divergem mais pessoal do que politicamente do governador Ronaldo Caiado, como o deputado Cláudio Meirelles, cuja assinatura tornou-se momentaneamente assunto preferencial das manchetes jornalísticas.

Tal qual as liminares dos juízes que se intrometem nas resoluções do Legislativo, como é que pode o jamegão de um único parlamentar se tornar mais valioso que os votos da maioria dos seus colegas? Não há nexo nisso, por inclusive atropelar a aptidão institucional do presidente do Poder. A manobra que não tem outra finalidade senão atrasar o calendário das imprescindíveis reformas estaduais, que todo mundo sabe que virão de qualquer forma, mais cedo ou mais tarde, apesar dos eventuais prejuízos que o tempo perdido trará para o Estado em benefício do grande empresariado (o que poderá ocorrer em relação ao projeto que manteve contra a vontade dessa gente a alíquota de 15% para o Protege e que, a prevalecer a tese judicial de Cláudio Meirelles, recuaria para 10%).

Nada disso atende ao bem comum. Mas é assim que se caminha, com tropeções e alguma demora, às vezes, porém no final das contas para a frente, no rumo de uma vida e uma sociedade melhor. Em Goiás e no Brasil.

02 jan

Com exceção de Jânio Darrot, ninguém defende Marconi: onde estão Zé Eliton, Vecci, José Carlos Siqueira, Raquel Teixeira, Leonardo Vilela ou Jaime Rincón? E tantos beneficiários dos seus governos?

O ano novo começou com o prefeito de Trindade e presidente estadual do PSDB Jânio Darrot premiado com um espaço privilegiado na página 2 de O Popular, na edição de 1º de janeiro, que aproveita para defender o ex-governador Marconi Perillo e sua política de incentivos fiscais. É meio esdrúxulo, mas quem conhece os desígnios editoriais do jornal da família Câmara sabe que são cada vez mais inexplicáveis as suas pautas depois que portentos intelectuais como João Unes ou Cileide Alves deixaram a sua editoria geral.

Anotem aí, leitora e leitor: se Jânio Darrot estivesse advogando a favor do governador Ronaldo Caiado, o seu artigo jamais teria sido publicado. Justiça se faça: da mesma forma, se fosse na época em que Marconi chefiava o governo, também não o seria. O Popular tem uma relação distorcida com o poder, cujas verbas publicitárias adora, mas oferecendo em troca uma isenção caolha e torta, que os seus pobres jornalistas – aguardando cada um a demissão que pode sobreviver a qualquer momento – identificam como liberdade de expressão.

Não importa. O Popular está agonizando, assim como toda a imprensa em papel em Goiás e no mundo. Diminuiu de tamanho e agora humilhou-se com a supressão da edição dominical, seu antigo carro chefe. Mas vamos ao que importa: o artigo de Jânio Darrot, sem sentido, demonstra o quão equivocados continuam a viver os tucanos estaduais. Os poucos que restaram na ativa acham que podem salvaguardar o que foram as gestões de Marconi com palavras de ordem e chavões vazios. É um erro que só agrava a imagem cada vez mais deteriorada que se está construindo do passado recente em Goiás. Ninguém conseguirá jamais justificar as administrações do PSDB com argumentos políticos de segunda linha, que só enfatizam as oportunidades perdidas nos últimos 20 anos. São indispensáveis números, dados e raciocínios, que, no entanto, não aparecem.

Marconi poderia deter a desconstrução do que imagina ser o seu legado se tivesse ao seu lado vozes gabaritadas para postular tecnicamente a possível excelência, ao menos parcial, dos seus governos. Mas não as há. Os tecnocratas que se fartaram com os cargos mais importantes de Goiás, durante duas décadas, não se atrevem agora a retribuir as benesses recebidas com a coragem de interceder pelo chefe que tratavam como um semideus. Não abrem a boca. Onde está, por exemplo, Giuseppe Vecci, que teve tudo, até um mandato de deputado federal sem pé nem cabeça, doado por Marconi, que ele não foi capaz de honrar, concluindo-o com uma soma zero a favor de Goiás? Cadê José Carlos Siqueira, que passou arrogantemente por todas, sim, simplesmente por todas as funções de influência da era tucana? Cadê José Eliton, agraciado com a chance desperdiçada de disputar uma eleição como representante da máquina de governo? Ou a professora Raquel Teixeira? Ou João Furtado? Ou o multidisciplinar Leonardo Vilela? Ou Jayme Rincón, que só se preocupa com a extinta Agetop e não menciona o nome de Marconi e até o critica? Por onde andam todos eles? E muitos outros? Por que, enfim, não têm nada a dizer em defesa do seu ex-líder e de tudo o que foi feito no regime recentemente encerrado?

Jânio Darrot prega solitário no deserto tentando salvar o que imagina a era de ouro do desenvolvimento estadual. Embora ingenuamente, é um exemplo de lealdade e fidelidade, que a legião de beneficiados por Marconi ignora solenemente, como se não tivesse nada a ver com os equívocos que levaram à pesada herança recebida pelo governador Ronaldo Caiado. É essa a lição pessoal e política que ficou dos anos tucanos em Goiás: ninguém deve nada a ninguém, com exceção de Jânio Darrot. Marconi está sozinho. Ele que se dane.

30 dez

Políticos precisam entender que a adoção de apelidos, marcas comerciais, diminutivos e nomes de guerra podem até ajudar nas urnas, mas implicam quase sempre em perda irreversível de credibilidade

O momento histórico em Goiás registra uma inflação de nomes de políticos que aproveitaram apelidos, marcas comerciais e diminutivos para facilitar a conquista de votos nas urnas, mas pagando por isso um preço caro: a perda de credibilidade, que talvez tenha a ver com a demonstração de oportunismo e de alguma superficialidade ou falsidade quanto a prática de cada um em favor da sociedade ou mesmo das suas bases eleitorais.

Para começar, há o caso dos “delegados”: delegado Valdir, delegada Adriana Accorsi, delegado Humberto Teófilo e delegado Eduardo Prado. “Delegado” é uma atribuição profissional incompatível com um mandato parlamentar. Se alguém exerceu esse cargo e foi eleito deputado, caso desses quatro, a designação perde o sentido, na medida em que revela a tentativa de levar para o debate legislativo um cargo que pode ter ajudado a conquistar a simpatia dos eleitores, mas não implica em qualquer credenciamento especial ou qualificação a mais. É como, ascendendo ao mandato de deputado, haja preferência pelo status anterior. No fundo, um exibicionismo vazio, que transmite somente uma falta de identidade política e ideológica, caso também dos que são oriundos das fileiras militares e optam por transformar patentes em reputação, como o faz o deputado “major” Araújo.

Depois, vêm as marcas comerciais. Algumas passaram à história política do Estado: José Elias Imóveis, Edson Automóveis, Sandro Mabel e Jânio Darrot são péssimos exemplos de negócios projetados para um campo onde o que deveria prevalecer são os interesses da sociedade e não motes publicitários relacionados a transações imobiliárias, garagens de carros, bolachas ou calças jeans. É deplorável. Lembra a penca de vereadores e em alguns casos até de prefeitos que são eleitos depois de trabalhar como motoristas de ambulâncias municipais, incorporando o cargo, fulano da ambulância ou beltrano da saúde. Tudo isso mostra uma mentalidade atrasada e arcaica, assumida por deputados até atuantes como Chico KGL e Glaustin da Fokus, infelizmente autodesvalorizados ao se resumir a slogans associados a redes supermercadistas – o que você acha, leitora e leitor, de um supermercado com mandato na Assembleia Legislativa ou no Congresso Nacional?

Na sequência vêm os diminutivos, entre os quais o ex-vereador e ex-deputado Chiquinho Oliveira é a principal lembrança. Onde foi parar? Com um nome desses, em lugar nenhum. Pior foi o empresário Marcos Palmerston, que associou um “inho” a uma marca comercial e terminou obrigado a encerrar precocemente a sua carreira política, que ele imaginou abrilhantar como Marquinhos do Privê (um erro grave, ao se associar a uma das mais conhecidas boates de Goiânia, embora referência ao Grupo Privê, de Caldas Novas). Do mesmo jeito, como é que um ex-vereador e atual deputado estadual conhecido como “Virmondinho” Cruvinel pode se candidatar com alguma chance a prefeito de Goiânia? Não pode e não vai a lugar nenhum, já que assume no próprio nome uma insignificância e uma  redução das suas próprias possibilidades. Quem quer um “Virmondinho” como gestor da sua cidade?

Políticos vencedores levam o patrimônio que receberam no batismo a sério. Iris Rezende, Ronaldo Caiado, Lissauer Vieira e até mesmo, por que não?, Marconi Perillo, hoje vivendo um calvário depois de 20 anos tratado como um semideus em Goiás. Há exceções? Sim, as há. Maguito Vilela é uma delas, cognome herdado de uma fracassada carreira futebolística, onde o apelido Magrito escorregou para Maguito e acabou incorporado à certidão de nascimento, ou, em termos nacionais, Lula, outra situação rara que deu certo. Mas não adianta: um Zé Carapô (alcunha difícil de se entender) ou um Wilde Cambão (idem) nunca irão longe na política. Esse tipo de artíficio serve para bases localizadas, apequena quem lança mão dele e não se comunica com a globalidade da sociedade.

28 dez

Incentivos fiscais de Marconi correspondiam a pagar empresas para produzir em Goiás, muitas vezes em dinheiro vivo – criando uma insustentável estrutura de privilégios tributários que desviou bilhões

A política de incentivos fiscais dos últimos 20 anos em Goiás desviou bilhões de reais dos cofres estaduais (o Ministério Público estima em R$ 250 bilhões) sob a desculpa de acelerar o desenvolvimento regional e gerar empregos para as goianas e goianos. Estudos científicos que estão aparecendo agora, como o divulgado pelo Instituto Mauro Borges (a propósito, criado pelo ex-governador Marconi Perillo), demonstram que não houve nada disso, que não há correlação entre a distribuição a torto e a direito de descontos e isenções de ICMS e o crescimento industrial do Estado e menos ainda com a evolução da massa salarial ou a oferta de mais empregos.

Em suma, o que parece ter havido é um grande desperdício de recursos que seriam fundamentais para o caixa do governo, com a finalidade de custear e ampliar as políticas públicas de interesse da população. Com o seu, o meu, o nosso dinheiro, leitora e leitor, grandes empresas receberam para produzir em Goiás, auferindo lucros que não teriam em qualquer outra parte não só do país, como do mundo inteiro. Marconi, que chegou a doar R$ 500 milhões para apenas 10 grupos empresariais, através do nefando mecanismo do crédito moeda, felizmente extinto pelo governador Ronaldo Caiado (ao sancionar lei de iniciativa do relator da CPI dos Incentivos Fiscais, Humberto Aidar), elevou a um grau extremo o que dizia ser atração de investimentos, mas que na verdade não passou de mero favorecimento a capitalistas bilionários a um custo estratosférico para o Estado.

A Macroplan, consultoria contratada nos governos do PSDB, deixou cristalino em um dos seus relatórios que Goiás cresceu mais nos governos do PMDB, entre 1983 e 1998, que nas gestões tucanas que se seguiram. Os incentivos fiscais, portanto, não servem hoje nem para sustentar o suposto “legado” que Marconi teria deixado depois de anos e anos de poder, que não se refletiu em avanços significativos nos índices econômicos e sociais e representam uma herança pesada – maldita talvez seja a adjetivação correta – transmitida ao governador Ronaldo Caiado. Houve uma nítida irresponsabilidade na condução da política econômica interna, mas é preciso reconhecer que a sociedade também, nesse período, estava anestesiada e não suscitou uma única voz para questionar o que se fazia.

Mas a verdade, se tarda, nunca falha. São 534 as grandes empresas favorecidas por benesses descabeladas no recolhimento de ICMS. Muitas, até agora, auferindo lucros para manufaturar suas mercadorias em Goiás (“Temos indústrias que literalmente são pagas para existir em Goiás”, denunciou o deputado Humberto Aidar). Ganharam, como denunciou o senador Vanderlan Cardoso, figura insuspeita já que também um dos maiores empreendedores do Estado, vendendo créditos tributários mais do que com as suas linhas de produção. Tudo o que aconteceu se aproxima de uma farsa. Que os grandes empresários, agora, tentam defender alegando se tratar de um movimento pela preservação dos empregos para as goianas e os goianos. Que a leitora e o leitor desculpem a expressão pesada, mas isso não passa de uma canalhice.

28 dez

Vexame: deputados governistas que votaram contra as reformas alegaram ser defensores do funcionalismo, mas usaram o mandato para distribuir cargos para a parentada e até as próprias mães

O fim de ano trouxe para a política estadual uma revelação espetacular, porém triste: sob a alegação de defender os interesses do funcionalismo público, quatro deputados governistas votaram contra as reformas propostas pelo Palácio das Esmeraldas e aprovadas pela Assembleia, mas na verdade usaram seus mandatos para direcionar cargos com salários polpudos aos seus parentes e, muito pior ainda, nomear até as próprias mães para os postos de maiores vencimentos,

É um vexame como nunca se viu antes. Karlos Cabral, Virmondes Cruvinel e os delegados Humberto Teófilo e Eduardo Prado estão expostos nas manchetes negativas da mídia exatamente porque, escondendo-se atrás da máscara de guardiões dos servidores estaduais, mexiam os pauzinhos nos bastidores para preservar a renda familiar de cada um. Só que não funcionou bem: por pressão da totalidade dos deputados da sua base, o governador Ronaldo Caiado exonerou os indicados pelos parlamentares infiéis. Entre eles, irmãos de Karlos Cabral e Humberto Teófilo e, pasmem, leitora e leitor, as mães de Virmondes Cruvinel e Eduardo Prado.

O que impressiona é que todos são políticos jovens, que frequentemente recorrem ao bordão da “nova política” nas suas manifestações tanto da tribuna da Assembleia quanto falando à imprensa. Pela própria idade e como nomes de renovação, não poderiam jamais trair seus eleitores como o fizeram, mostrando, no dia a dia dos subterrâneos do poder que alcançaram, que não passam de exemplares piorados da “velha política”, trocando favores ou votos por cargos e, no passo seguinte, reservando as melhores benesses para os seus, irmãos cuidando de irmãos e filhos cuidando de mães, porém com dinheiro do contribuinte.

Tudo por tudo, esses quatro deputados saíram-se muito mal: primeiro, porque ficaram contra um pacote de reformas que é essencial para o futuro do Estado, ao cortar regalias que tornam trabalhadores desiguais, ao garantir regalias para os que servem ao Estado em detrimento daqueles da iniciativa privada. Excrescências como o quinquênio ou a licença prêmio, do ponto de vista dessa turma, permaneceriam eternas, pois seriam “direitos” ou “conquistas”, não exceções inaceitáveis. Depois, em razão da pronta reação firme e dura do governador, terminaram carimbados perante a opinião pública como fisiológicos de baixo calão – com o agravante de que a oposição a Caiado na Assembleia aproveitou para tripudiar e anunciar que não tem interesse em receber qualquer um deles, especialmente porque não passariam de “bajuladores que apenas querem manter suas nomeações de 1º grau”.

São notas de R$ 3 reais, chegou a ironizar o deputado Talles Barreto, líder do PSDB.