Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

21 nov

Baldy, que nunca teve dimensão, se apequena ainda mais com a indicação de um irmão para a Secretaria de Cultura do governo do Estado

É uma péssima notícia a indicação que o ex-ministro, ex-deputado federal e atual secretário de Transportes de São Paulo Alexandre Baldy fez do próprio irmão, Adriano, para a Secretaria Estadual de Cultura, selando uma aproximação do PP com o governador Ronaldo Caiado.

Adriano não tem nenhuma tradição na área. Isso é ruim. Será secretário só porque é irmão do irmão. Alexandre Baldy é um jovem que, privilegiado pelas circunstâncias da vida, mostra que repete o comportamento de todos os velhos viciados que o antecederam: primeiro a família, depois o resto. Para quem tem ambições na política, trata-se de um mau passo. O ex-governador Marconi Perillo pagou caro, por exemplo, por usar todo o seu poder para aproveitar o cunhado Sérgio Cardoso em uma vaga no Tribunal de Contas dos Municípios. Resolveu, talvez, a vida de Sérgio, mas acabou com a sua – como se viu nas planilhas da Justiça Eleitoral logo após as eleições de sete de outubro do ano passado, nas quais a nomeação teve inegável participação.

Baldy está na ordem do dia, em Goiás, menos pelo que pensa e mais pelo poderio financeiro. Sem ideias consistentes, ninguém nunca venceu na política estadual, vide o exemplo de Iris Rezende, Marconi Perillo ou Ronaldo Caiado – diante dos quais, concorda-se ou não, é preciso reconhecer inquestionáveis atributos de liderança. Negociantes e farsantes até aparecem de vez em quando, mas nunca persistem ou prosperam. Nesse particular, as goianas e os goianos são inflexíveis. Podem até se iludir, eventualmente, mas, mais cedo ou mais tarde, fazem justiça nas urnas. E ainda é preciso ver se o governador Ronaldo Caiado vai aceitar essa fatura.

21 nov

Mais um feriado em Goiânia – com todo respeito à Consciência Negra – é um crime contra quem produz e já convive com os prejuízos do excesso de dias parados no Brasil

Onde é que está com a cabeça o presidente da Câmara de Vereadores de Goiânia, Romário Policarpo, ao propor a instituição de mais um feriado em Goiânia – o Dia da Consciência Negra, a ser “comemorado” em 20 de novembro – e apregoar que, para essa finalidade, já conta com o apoio do prefeito Iris Rezende – comprometido, segundo ele, a sancionar a data assim que for aprovada pela Câmara.

Se Romário Policarpo tivesse consciência (sem trocadilho), deveria saber que feriados são prejudiciais para todos, patrões e empregados. Reduzem os negócios e desaceleram a economia, ainda mais em um país que já padece sob um excesso deles, muitos inerentes à visão católica do mundo, como a sexta-feira santa, o dia de corpus christi e a padroeira de Goiânia, em particular. Nada disso tem sentido em um realidade que caminha cada vez mais rápido em direção à racionalidade econômica e de repente é obrigada a fazer pausas para atender a causas que sequer são do conhecimento das maiorias.

A agenda da Consciência Negra é justíssima. Mas não depende, nem um pouco, de feriados e da paralisação das atividades em qualquer lugar que seja, mas de um efetivo reconhecimento das injustiças históricas praticadas contra os negros e de medidas, como as cotas, para a sua superação. Pisou na bola, Romário Policarpo. Se quiser honrar a raça, faça o melhor que puder como político, seja honesto, correto e equilibrado – e isso não inclui instituir o Dia da Consciência Negra. Não dá para acreditar que Iris Rezende vai entrar nessa.

21 nov

Saíram os nomes dos oficiais dos Bombeiros envolvidos na fraude da certificação contra incêndio e pânico. Faltam as empresas, inclusive o shopping center, que pagaram propinas pelo alvará

Em um passo importante quanto a transparência e comprometimento real com o interesse público, o Ministério Público Estadual divulgou os nomes dos seis oficiais do Corpo de Bombeiros  envolvidos na fraude da certificação de segurança contra incêndio e pânico. Ótimo. Não é possível esconder esse tipo de informação, sob qualquer pretexto, mesmo porque parece haver abundância de provas quanto as falcatruas praticadas em um setor que envolve questões de risco de vida para a população.

Mas ainda ficou faltando a revelação das empresas que receberam o documento mediante pagamento de propina e não atendendo as requisitos legais. Isso é sério, leitora e leitor. Se você vai a uma loja ou estabelecimento de qualquer natureza que não cumpre os requisitos de prevenção contra incêndios ou tumultos, está expondo a sua integridade física. Segundo a operação do Ministério Público, centenas de empresas pagaram para receber a certificação, inclusive um shopping center e pelo menos 145 firmas instaladas na região da rua 44, ultramovimentada rotineiramente, ainda mais em época pré-natalina.

Ocultar detalhes em uma situação delicada como essa não corresponde aos deveres de proteção da coletividade do Ministério Público e das demais autoridades envolvidas. No mínimo, é preciso reconhecer ao consumidor o direito de escolher não comprar em locais onde existe perigo real para a sua incolumidade. É o próximo passo e urgente.

20 nov

Polícia Civil e Ministério Público falham com a população ao manter em sigilo nomes dos oficiais, empresários e de quem foi beneficiado com os certificados fraudulentos do Corpo de Bombeiros

Quando há risco de vida para a população, as autoridades têm que ser inflexíveis. Não é o caso da Polícia Civil e do Ministério Público Estadual, que acabam de desvendar um esquema de fraudes na certificação de segurança contra incêndios e pânico, emitida pelo Corpo de Bombeiro a favor de empresas – que podem chegar às centenas – de todo tamanho, inclusive um grande shopping center de Goiânia, mediante propinas em alguns casos de elevado valor.

Os próprios policiais e promotores envolvidos na apuração admitem que se trata de uma das operações investigativas mais importantes dos últimos tempos, diante dos riscos que avaliações falsas sobre a proteção de estabelecimentos contra incêndios e tumultos criam para a população. Existem lojas que foram certificadas mesmo estando localizadas em lugares inacessíveis para o atendimento pelos bombeiros, caso necessário. Estima-se que, diante do volume de documentos expedidos mediante suborno, sem nenhuma consideração técnica, milhares de pessoas estariam correndo risco em Goiânia, em caso de incidentes graves que não poderiam ser socorridos adequadamente.

Com tudo isso, tanto a Polícia Civil quanto o MP cometem um erro perigoso ao não revelar quem são os oficiais da PM envolvidos, quais empresários ajudaram a vender a certificação trapaceada e quais são os beneficiários, inclusive o tal shopping center. Essas informações são de evidente utilidade pública e sua divulgação tem finalidades preventivas, neste momento, contra a hipótese até mesmo de uma tragédia – imaginem, leitora e leitor, se houver uma nova boate Kiss na lista das empresas aprovadas irregularmente pelo Corpo de Bombeiros quanto a segurança dos seus clientes?

E, de resto, o próprio Corpo de Bombeiros, como instituição que costuma aparecer na 1ª colocação em pesquisas de aprovação da sociedade, deveria ser urgentemente separado dessa sujeira que representa uma verdadeira ameaça coletiva. Esconder a verdade, em um episódio de tamanha relevância, é uma irresponsabilidade e uma insensatez.

19 nov

Oposição a Caiado é fraca porque não tem liderança e se resume a crítica superficial e baseada em adjetivos, não em propostas alternativas ou discussão racional sobre os projetos do governo

A oposição ao governador Ronaldo Caiado é a mais fraca que um chefe de Executivo já enfrentou, possivelmente em toda a história recente de Goiás. Nem mesmo Iris Rezende ou Marconi Perillo, em seus dias de fastígio no poder, quando eram tratados como semideuses, contaram com uma situação política tão favorável como a que hoje beneficia Caiado.

Mas esse é um fenômeno fácil de entender. Primeira, falta liderança à oposição. Pelo lado dos partidos de esquerda, tipo PT ou PSB, o que se tem são nomes preocupados com a própria sobrevivência política, como Adriana Accorsi,  Elias Vaz e Antônio Gomide – todos focados na eleição municipal do ano que vem, em que serão candidatos a prefeito (os dois primeiros em Goiânia e o terceiro em Anápolis), em consequência sem tempo e sem vontade para enfrentar o governo do Estado. Quanto ao resto, resume-se ao PSDB, partido que teve um vigor inacreditável nos últimos 20 anos no Estado, crescendo e se fortalecendo sem parar, mas que, com a desastrosa derrota nas urnas no ano passado, virou um trapo, politicamente falando.

Quem deveria falar alto pela oposição seria o ex-governador Marconi Perillo, mas… ele nem em Goiás mora, tendo se transferido para São Paulo para cuidar, como dizem seus amigos, da sua defesa nos mais de 15 processos judiciais a que responde, alguns pesadíssimos. O tucano sequer tem coragem para comparecer aos encontros regionais promovidos pelo presidente estadual ado PSDB Jânio Darrot nos municípios, aliás esvaziados e se assemelhando a cerimônias fúnebres. Marconi não vai. O seu vice durante anos e anos e sucessor tampão por nove meses em 2018, Zé Eliton, também não dá a cara. Há dois meses, deu uma entrevista a O Popular que não teve a menor repercussão, com uma pobreza de conceitos tão flagrante que foi olimpicamente ignorada pelos agentes governistas. Não foi preciso dar resposta.

Há ausência de atores de peso para a oposição, portanto. Deputados como Talles Barreto, Lêda Borges e Gustavo Sebba tentam fazer algum barulho na Assembleia, mas sem repercussão. Não chegam a ser protagonistas menores do embate político, mas também passam longe de ocupar lugares de destaque. Não têm tamanho, ainda, para liderar o combate a Caiado, apesar de se esforçarem.

Sem nomes de expressão nos postos avançados, a oposição ainda padece da carência de conteúdo. A crítica que se faz a Caiado é infantil. Alguns atos do seu governo são classificados como “maldades”. Outros alvo apenas de deboche. Alguém pode achar engraçado, mas isso não constrói. Não há aprofundamento nas avaliações e daí, para além do piadismo de terceira categoria e das fake news, pouca coisa resta. O que rareia é uma análise de fundo, na qual se apresentem propostas e alternativas para o governo – e isso, partindo de quem passou duas décadas no poder, como os tucanos, deveria ser fácil. Só que eles não conseguem, tragados pela preferência que dão ao ataque agressivo e calunioso contra Caiado, esquecendo-se da sua monumental blindagem contra esse tipo de investida – resultado da votação espetacular que recebeu nas urnas de 2018.

19 nov

Incentivos fiscais e folha de pessoal são os gastos públicos mais relevantes de Goiás, no momento, drenando para empresários e funcionalismo toda a renda do Estado. Isso não pode continuar

O Estado de Goiás tem um potencial de receita de quase R$ 40 bilhões anuais, valor muito expressivo, porém incapaz de sustentar as políticas públicas com a qualidade demandada e devida à população nem muito garantir investimentos em infraestrutura econômica e social. Deveria ser mais do que suficiente, porém em torno de R$ 10 bilhões são drenados pelos incentivos fiscais concedidos a 534 grandes empresas, enquanto, do que sobra, 87% vai para pagar a folha do funcionalismo – o que, somando-se aos 12% a destinados a precatórios, a maioria relativa a saldos atrasados reclamados por servidores, deixa uma margem de 1% para aplicações realmente relevantes para a sociedade.

É irreversível, leitora e leitor: isso não pode continuar. Não só em Goiás, como também em outros Estados, quase todos, que também padecem das mesmas vicissitudes e tentam sobreviver sob a agruras do modelo de desequilíbrio entre receita e despesa. E assim também a União. Se funcionou no passado, hoje não é mais possível. Tem que ser contido e, infelizmente, a custas de lágrimas, em parte significativa lágrimas de crocodilo, já que expressando a insatisfação apenas de quem terá privilégios suprimidos ou reduzidos.

Incentivos fiscais e folha de pagamento consumindo a quase totalidade dos recursos do Estado implicam em beneficiar pouco mais de 500 empresários e 130 mil pessoas em detrimento, no caso de Goiás, de sete milhões de goianas e goianos. É uma fórmula falida e também ultrapassada, inviável, mesmo ao custo de se perder uma ou outra indústria e enfrentar greves aqui e acolá. Ambos os gastos são pautados por um descontrole brutal e, isso, sim, é que gera insegurança jurídica. Acabar com esse quadro calamitoso é a missão que o governador Ronaldo Caiado recebeu das urnas do ano passado e da qual não pode fugir, custe o que custar.

16 nov

Lissauer Vieira eleva-se da sua origem como político interiorano para ascender ao papel de presidente que conduz a Assembleia como poder moderador para as decisões cruciais do Estado

É um fenômeno: o presidente da Assembleia Lissauer Vieira saiu de uma atuação apagada, na Legislatura passada, para a condição de maior influenciador do processo político estadual e das decisões que interessam ao conjunto da população, a partir do momento em que ascendeu, com o apoio hoje unânime dos seus pares, ao comando do Parlamento goiano.

Nunca houve, em Goiás, uma presidência legislativa como a de Lissauer Vieira. Em nenhum momento da sua trajetória, houve qualquer dependência de aval do Executivo, geralmente o Poder de maior peso político, para chegar onde chegou. Ele alcançou essa posição graças a um processo espontâneo de busca de maior autonomia para os deputados estaduais, compartilhado pela maioria esmagadora dos seus colegas, inclusive os que se pautam pela submissão absoluta ao Palácio das Esmeraldas. Ao primeiro mandato como chefe da Assembleia, seguiu-se a garantia antecipada para um segundo e o resultado é que Lissauer Vieira estará à testa do Poder até 31 de janeiro de 2013, um mês a mais que o governador Ronaldo Caiado, com o apoio unânime da Casa.

Em todo regime político, há necessidade de elementos de moderação capazes de aparar arestas e conduzir as escolhas finais que impactarão toda a sociedade. No microcosmos de Goiás, esse papel foi assumido pelo presidente da Assembleia, de uma maneira inédita até agora. Em décadas e décadas, coube ao chefe do Legislativo apenas a incumbência de encaminhar os interesses do eventual inquilino do prédio principal da Praça Cívica, nada mais. Foi assim tanto nos governos do PMDB (hoje MDB) quanto nos do PSDB. Mais de uma dezena de políticos se revezou na direção do Parlamento, sem novidades. Lissauer Vieira quebrou essa até então interminável sucessão de mais do mesmo.

É fato que, hoje, a Assembleia evoluiu para uma espécie de poder moderador entre a ação resolutiva do governador Ronaldo Caiado, de fato pressionado pela difícil herança administrativa e financeira que recebeu, e a adequação desse desafio aos proveitos da população e de todos os atores, mesmo corporativos, envolvidos. Interessante: Lissauer Vieira aparece como o ponto de equilíbrio entre as demandas de um e de outro, sem veiculações partidárias ou de facção política. É um avanço para o Legislativo e é um alento observar que praticamente todos os deputados convergem nessa direção. O que temos é uma Assembleia como nunca houve antes e é preciso que essa situação seja definida como marco do qual jamais recuará, em qualquer momento. Essa é a inovação que seu presidente representa, com toda a sua humildade e modéstia. Daqui para a frente, espera-se que nada menos.

14 nov

Maguito responde a processos na Justiça, mas alega que tem “40 anos de vida pública limpa”. Passa da hora de fazer um esclarecimento defintivo sobre isso, mas ele não o faz

Tem sido forte o noticiário, nos últimos dias, sobre a caracterização do ex-governador e ex-prefeito de Aparecida Maguito Vilela como incurso na Lei da Ficha Limpa e, portanto, impossibilitado de registrar candidatura a qualquer cargo eletivo pelos próximos anos. Claro, Maguito, no momento, não é postulante declarado a disputar qualquer pleito, embora cogitado com frequência para a prefeitura de Goiânia – na hipótese remotíssima de Iris Rezende não se interessar pela reeleição.

Deixando de lado o aspecto eleitoral, é preciso que Maguito coloque as coisas em pratos limpos. Ele diz que tem 40 anos de vida pública limpa e que não enfrenta nenhum impedimento quanto a participar de eleições, embora não seja candidato a nada. Os registros do Tribunal de Justiça e do Tribunal de Contas dos Municípios não corroboram essa afirmação. Há denúncias por improbidade em Aparecida e contas impugnadas. Em pelo menos um caso, condenação em 2º Grau, exarada por colegiado de três ou mais juízes, o que configura amplamente caso de aplicação da Lei da Ficha Limpa.

Conversa apenas não resolve. Maguito precisa apresentar certidões e provar que o que está dizendo sobre a sua “vida pública” é verdade, ou seja, que não tem manchas. O ex-governador Marconi Perillo, no seu ranking judicial, responde a apenas uma ou duas ações a mais que o emedebista e tem sido execrado dia e noite por isso, inclusive por Daniel Vilela. Em 2018, o ex-prefeito aparecidense se candidatou a suplente de senador de Vanderlan Cardoso, mas logo retirou o seu nome, alegando a inconveniência do parentesco com o candidato a governador (seu filho), mas ficou claro que ele estava receoso de se submeter a um teste de definição do seu nome como ficha suja ou não.

Se quiser colocar ponto final nessa onda que incomoda e que não acrescenta à sua imagem, Maguito sabe o que fazer. Se não o faz, é porque não pode.

12 nov

Ajuste financeiro e administrativo do Estado é mais importante para o desenvolvimento de Goiás que os incentivos fiscais, estratégia que já deu resultados, está superada e não pode mais continuar como era

A secretária da Economia, a economista carioca Cristiane Schmidt, estava coberta de razão quando disse, no começo do ano, que os incentivos fiscais estavam superados como estratégia de desenvolvimento e que se configuravam como uma ferramenta de aceleração da economia que já tinha dado o que tinha que dar. Em praticamente todos os Estados brasileiros, existe hoje um questionamento sobre mecanismo – cuja importância, é óbvio, foi superada pela necessidade cada vez mais urgente de um ajuste fiscal e administrativo da máquina pública, seja federal ou estadual.

É acintosa, assim, a cantilena do megaempresariado goiano ameaçando com indústrias que estariam prontas para abandonar Goiás, outras que pensavam em vir e não viriam mais e com a hecatombe do corte de empregos caso suas regalias tributárias sofram alguma mudança. Trata-se de um falatório destituído de fundamentos racionais, um esforço perdido para induzir à convicção de que, caso tenham que pagar impostos, como se faz em qualquer parte do mundo, seriam obrigados a fechar as portas. Isso é abusivo e não faz jus ao respeito a que eles mesmos deveriam se atribuir como peças chaves da liderança de classe no Estado.

Está evidente no país que o caminho para o crescimento econômico passa, agora, pelo ajuste fiscal, financeiro e administrativo do Leviatã federal e estadual, com os incentivos fiscais transformando-se em coisa antiga e sem justificativa no presente. É o que, finalmente, o governador Ronaldo Caiado resolveu encarar em Goiás, ao enviar a reforma da previdência dos servidores para a apreciação da Assembleia e ao assumir a venda de 49% das ações da  Saneago (a que fez oposição no passado). São apenas passos iniciais porque, de fato, há muito o que progredir nessa trilha. O modelo de desequilíbrio entre receita e despesa tem que ser superado, com a recuperação da capacidade de investimento do Estado e o enquadramento do funcionalismo em uma estrutura enxuta e sem carga parasitária sobre o Tesouro.

É o que é crucial nos tempos modernos, muito mais que incentivos fiscais – ainda mais como vinha sendo levados em Goiás, onde foram transformados em doações em dinheiro vivo para empresários e outras distorções inaceitáveis. Caiado foi eleito com um cheque em branco nas mãos, dada a sua espetacular votação, para adequar o Estado aos conformes do século 21. Em vez de administrar para meia dúzia de capitalistas milionários ou para 130 mil servidores, governar para todos os mais de sete milhões de goianos.

09 nov

Momento é favorável a Caiado, que não enfrenta qualquer oposição consistente e finalmente abriu uma agenda de reformas à altura de modernizar Goiás e superar a crise fiscal

O Plano Mais Brasil, saudado como uma verdadeira redenção nacional pelo mercado, abre perspectivas para o governador Ronaldo Caiado e a agenda de reformas que, finalmente, resolveu corretamente empreender para tirar Goiás, digamos assim, do estágio colonial em que o Estado ainda vive. Caiado, com a nova previdência dos servidores estaduais e com a futura venda, já autorizada pela Assembleia, de 49% das ações da Saneago, deflagrou um processo de modernização e adequação da máquina governamental sob o seu comando que, definitivamente, está atrasado em pelo menos 10 anos.

Esse é o período de tempo que os governos do PSDB gastaram à toa, sem trazer avanços para Goiás e mantendo o Estado afundado no modelo de desequilíbrio entre receita e despesa que já dava sinais de esgotamento no início da década. O ex-governador Marconi Perillo não enxergou esse cenário, com um projeto de gestão que no máximo repetia os parâmetros dos seus dois primeiros mandatos. Só que não dava mais. O mundo mudava em ritmo acelerado – e foi isso, fora os deslizes pessoais, que levou ao massacre nas urnas em 2019, com o eleitorado goiano elegendo uma proposta conservadora, porém sinalizando ser capaz de buscar de volta os trilhos da racionalidade e da moralidade administrativa.

É isso que Caiado finalmente entendeu. Não se esperam do seu governo obras grandiosas nem muito menos macroestruturantes. Nada disso. Ele foi eleito para simplificar as coisas para a população e tirar o Estado das manchetes policiais. Em termos de políticas públicas, é só isso que deveria fazer: apenas responder aos desafios da Educação, da Saúde e da Segurança, basicamente. Nesta última área, está se saindo melhor do que a encomenda. E, adicionalmente, alisar as rodovias e fazer alguma política social, centrada, e não jogar dinheiro para cima como fizeram os governos passados – inutilmente, já que os dados disponíveis são da maior gravidade, apontando para a existência de 800 mil famílias em situação de vulnerabilidade em Goiás.

O momento inicial do governo Caiado, à procura de um rumo, já foi superado. Muitas premissas já estão plantadas e se desdobrando em resultados positivos, com uma vantagem: cada vez mais, a administração se distancia do que foi a regra cotidiana dos antigos governantes. A agenda é outra. Pena que a oposição não tenha acompanhado e insista em uma estratégia envelhecida, propugnando uma volta ao que já foi e que, se voltasse, não funcionaria de jeito nenhum. É pra frente que se anda e Caiado demorou, mas agora está, enfim, com os seus passos nesse rumo.

08 nov

Novos escândalos de corrupção – e a promessa do delegado geral da Polícia Civil de que vem mais por aí – fulminam as já poucas esperanças de ressurreição de Marconi

Mostrando que, de fato, está atolado até o pescoço na sua defesa diante das quase duas dezenas de ações criminais e cíveis a que responde na Justiça, envolvendo desde o recebimento de propinas até atos de improbidade administrativa, o ex-governador Marconi Perillo esteve em Goiânia para passar quatro horas perante um juiz que faz a instrução de um desses processos (uso de recursos públicos na campanha para o senado em 2006, aliás vitoriosa).

É um pequeno acontecimento, mas que dá a dimensão do calvário enfrentado por Marconi e pelos aliados que ainda restam. Apesar de ter passado pelo constrangimento da audiência judicial sem chamar a atenção de repórteres e fotógrafos, a não ser depois de consumada, o noticiário foi intenso e registrou até uma perspectiva preocupante para o ex-governador: o outro réu na mesma denúncia, o ex-governador Alcides Rodrigues, já foi condenado em separado a 10 anos de prisão, sentença que, no momento, encontra-se em grau de apelação em 2ª instância. Por irresistível analogia, é o que vai acontecer com Marconi.

Tudo isso significa que o caminho para que ele volte um dia ao cenário principal da política estadual ou nacional, posição que já ocupou, continua cada vez obstaculizado. As pesquisas que alavancam a aprovação do governador Ronaldo Caiado, hoje com 67% de viés positivo, índice superior ao que conquistou nas urnas do ano passado, têm uma relação direta com a identificação do tucano com decisões erradas e irregularidades grossas. Ou seja: a imagem de Caiado, já historicamente associada com a moralidade e a intransigência com os malfeitos, é diretamente beneficiada na proporção em que a de Marconi não cessa de crescer como sinônimo de má condução administrativa e tolerância, senão envolvimento, com práticas ilícitas – pelo menos como crê o imaginário popular.

Nas condições sociais e políticas do país, hoje, ninguém volta depois de cair em um abismo tão profundo. A situação de Marconi, como já observado aqui, é muito diferente da de Iris Rezende na quase queda de 1998/1999, da qual, ainda que circunscrito a Goiânia, ressurgiu com força e plenitude. E acrescentem-se os efeitos dos erros de estratégia e de comportamento do tucano mor, que arrastam o seu partido e os sobreviventes para o mesmo buraco em que ele está. Não nenhum projeto, nenhuma proposta de futuro. E, sendo assim, as coisas só vão piorar.

04 nov

Servidores não são nem podem ser bodes expiatórios do Estado, mas as regalias de que desfrutam em detrimento dos 7 milhões de goianos criaram uma casta de privilegiados e são inaceitáveis

Ainda que de forma tímida, por conta até agora de sindicatos como o Sindifisco, que têm bala para gastar (leia-se: dinheiro em caixa), a reação dos servidores públicos contra a reforma da previdência está sendo marcada por um discurso passionalizado e totalmente afastado da racionalidade que deveria ser a marca de um debate tão importante quanto esse para Goiás.

 

Não é possível que toda a estrutura financeira de um Estado seja direcionada para pagar salários e vantagens ao seu funcionalismo. Vejam bem, leitora e leitor: com todas as medidas restritivas que adotou, redução de cargos comissionados e suspensão de concursos e admissões a qualquer título, a despesas do governador Ronaldo Caiado com a folha de pagamento tiveram uma expansão de pouco mais de 12%, de janeiro até agora, por conta do chamado crescimento vegetativo. Isto é: os gastos com pagamento dos salários dos servidores sobem automaticamente, a cada mês, mesmo sem o aumento do seu contingente e sem reajustes, a não ser o acréscimo do pacotão de benefícios que são atribuídos a eles com base em uma visão antiga e superada da carreira.

 

Isso, infelizmente, não tem lugar mais no Brasil, assim como não cabe mais no serviço público a estabilidade sem contrapartida, os vencimentos reforçados pelos penduricalhos que estouram o teto constitucional e, o principal, as aposentadorias sem correspondência com as contribuições feitas ao longo do exercício do cargo. No plano federal, essas situações estão sendo superadas aos poucos, a começar pela recém aprovada reforma da previdência e agora pelo iminente pacote de desmonte da cascata de benesses que turbinam os salários dos servidores da União.

 

Goiás tem sete milhões de habitantes. O Estado carrega nas costas uma folha de 130 mil funcionários, com o número de inativos já superando o de ativos, absorvendo 86% da receita líquida – e que se dane o restante da população. Isso não é correto e não pode continuar. Caiado foi eleito com uma votação recorde, em 1º turno, o que representa uma credencial para empreender as reformas indispensáveis para livrar as goianas e os goianos do modelo administrativo de desequilíbrio entre o que entra e o que sai dos cofres públicos. Ele ganhou das urnas muita gordura para queimar. É seu dever e sua obrigação encarar esse desafio, que traz desgastes e talvez até alguma impopularidade, porém será reconhecido no futuro, e ele o está fazendo. É assim que governantes que querem passar à História agem.

01 nov

Levantamento do governo Caiado aponta 800 mil famílias em situação de vulnerabilidade em Goiás: os programas sociais do Tempo Novo, cantados em prosa e verso, serviram então para quê?

A área social do governo do Estado acaba de divulgar um levantamento que aponta a existência de 800 mil famílias em situação de vulnerabilidade em Goiás. São pessoas, em grande número, que vivem na marginalidade econômica e enfrentam a exclusão social. É grave, gravíssimo. Envergonha a todos. Mas, como é uma coisas dessa acontece depois de 20 anos em que o Tempo Novo do ex-governador Marconi Perillo cantou em prosa e verso a excelência dos seus programas sociais e o fim da miséria e da pobreza aguda no território goiano?

 

Ora, esse elevado contingente de famílias afastadas dos benefícios da civilização, que é, em última, como pode ser definida a vida que levam, é um atestado de que esses programas sociais fracassaram. Não atingiram seus objetivos ou, se o fizeram, chegaram a resultados apenas parciais. Nos governos passados, houve Renda Cidadã, Cheque Moradia, programa de pão e leite, Bolsa Futuro, Bolsa Escola e muito mais, até uma Bolsa Universitária que travestiu a ajuda a universitários carentes em garantia de sobrevivência para as faculdades particulares em Goiás. Tudo isso, pelo que se vê agora, não deu certo. E pesa na consciência pelas fortunas que foram gastas, em dinheiro público, sem consequência real.

 

Desde a sua posse, o governador Ronaldo Caiado tem se mostrado incomodado e até hesitante quanto a mexer com a política social herdada dos seus antecessores. É compreensível. Ele provavelmente não quis cortar nada ou introduzir mudanças drásticas antes de um diagnóstico preciso, que, ao que tudo indica, finalmente chegou. De um modo geral, as coisas foram mantidas como estavam, evitando prejuízos para os beneficiados – embora em um contexto não resolutivo, como indica a descoberta das 800 famílias vulneráveis. Porém, não dá mais. A presença da ex-senadora Lúcia Vânia na Secretaria de Desenvolvimento Social pode ser o marco da necessária reconfiguração dos programas sociais. Diz-se que ela entende do assunto. Já completou um mês no cargo. É tempo suficiente para tomar pé e dizer logo a que veio. Quem precisa, tem pressa, como diz, corretamente, a primeira dama Gracinha Caiado.

29 out

Exclusivo: confira o PowerPoint de 73 páginas que explica a proposta de reforma da previdência do governador Ronaldo Caiado, a primeira dentre os Estados brasileiros

Para detalhar sua visão sobre o problema – grave – da previdência dos funcionários estaduais, herdada das administrações passadas em situação de desequilíbrio, com um déficit mensal de R$ 230 milhões, o governo do Estado preparou um Power Point bastante didático – incluindo também os principais detalhes do projeto que foi encaminhado nesta semana à Assembleia Legislativa.

 

É um documento importante e interessante, na medida em que recupera informações dos últimos 20 anos e resume também, pela primeira vez, a abordagem que Caiado vem fazendo sobre o cenário que encontrou ao assumir e o esforço para superar a crise fiscal e buscar uma alternativa mais segura para o modelo de assintonia entre receita e despesa – que, se funcionou no passado, hoje mostra-se completamente inviabilizado.

 

Confira aqui em primeira mão.

28 out

Política em Goiás está concentrada em Caiado e isso não é bom: falta uma oposição capaz de cumprir o seu dever de apresentar alternativas e críticas bem fundamentadas e isso é ruim

Desde que foi eleito, talvez até um pouco antes, a partir de quando se mostrou como um candidato irresistivelmente destinado a vencer as eleições, o governador Ronaldo Caiado se transformou no centro do noticiário e das articulações políticas – a tal ponto que se tem a impressão de que, fora da sua área de influência, não existe vida em Goiás.

 

O ex-governador Marconi Perillo virou pó. É a primeira vez que isso acontece, ou seja, que um governante recém apeado do poder desaparece do cenário político, que só frequenta a cada nova denúncia de que é alvo. É triste ler que o tucano não tem nada a fazer a não ser gastar o seu tempo cuidando dos processos judiciais a que responde e pior ainda que, depois de duas décadas de fastígio como algo próximo de um semideus, preferiu-se esconder em São Paulo a sequer pisar terras goianas para defender o que mais preza, ou seja, o seu legado, hoje parecido com farinha de terceira categoria.

 

Mas fatos são fatos. Caiado domina 100% das manchetes e governa sem oposição, pelo menos uma em condições de apontar erros ou minimamente sugerir alternativas ou, fora esse papel positivo, apresentar uma crítica baseada em argumentos passíveis de consideração. Isso não é bom para Goiás. O governador não tem culpa e é sabido que entre a sua assessoria mais próxima existem até reclamações quanto ao que deixa de espaço aberto… que os adversários não sabem aproveitar. É uma moleza, um campo aberto que nenhum antecessor seu teve antes e que, com certeza, está na raiz dos 67% de aprovação que obteve na pesquisa do instituto Paraná – mais do que o percentual de votos que ganhou nas urnas de 2018

 

Marconi tem culpa nesse estado de coisas. O cachimbo dos 20 anos de poder entortou a sua boca. Acostumou-se a bajuladores. Acreditou nos elogios fáceis. Teve a fantasia rasgada pelo 5º lugar na eleição para o Senado e pela prisão na Polícia Federal. Perdeu o rumo e nunca mais o reencontrou. Dez entre dez interlocutores que conversaram com ele, ultimamente, registraram a mesma opinião: ele, Marconi, ainda pensa que é o governador e continua em cima do pedestal.

 

Não é bom para nenhum governante não ter uma oposição ativa. Plutarco, no livro “Como Tirar Proveito dos seus inimigos”, escreve nossos adversários são muito mais úteis e trazem muito mais benefícios para o acerto das nossas decisões do que os aliados: “Como me defenderei dos meus inimigos? Ora, tornando-me, eu próprio, virtuoso”. Caiado, como homem público, já o é. Mas preside um governo imenso, com uma estrutura que ele nunca controlará perfeitamente. Precisa da ajuda da oposição. Que segue… omissa.