Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt e convidados sobre política, cultura e economia

22 out

Em vez de reconhecer os erros e fazer a autocrítica que está devendo aos goianos, Marconi insiste no marketing da soberba e manda recado pelo Instagram: se pudesse voltar atrás, faria tudo do mesmo jeito

Embora desaparecido desde que foi libertado do cárcere da Polícia Federal por um habeas-corpus concedido pelos tribunais de Brasília, o ex-governador e candidato derrotado ao Senado Marconi Perillo não desativou a sua estrutura de marketing e, mesmo sem muita intensidade, continua mandando recados pelas redes sociais.

 

Marconi tem se apresentado basicamente como alguém que foi injustiçado, duplamente: pelas autoridades que o prenderam e pelo eleitor goiano, que rejeitou o seu nome nas urnas, empurrando-o para o 5º lugar na disputa pelas duas vagas senatoriais, com detalhes acachapantes, como por exemplo o caso de Anápoilis, seu tradicional reduto eleitoral, onde ficou em 6º lugar, atrás da professora Geli, do PT.

 

Neste início de semana, uma foto de alguém vestindo uma camiseta onde está escrito “Faríamos Tudo de Novo Marconi” sobre um grande número 45 apareceu, desafiadora, em um dos perfis de propaganda do ex-governador tucano no Instagram.  Em sua falta de juízo, o marketing marconista perdeu o bom senso: “faríamos” tudo de novo, até as coisas erradas e as muito erradas? Pelo jeito a resposta é sim.

21 out

Em tentativa débil de defesa, Marconi publica artigo na Folha de S. Paulo deste domingo jurando inocência, mas passando longe dos fatos investigados pela Operação Cash Delivery

O ex-governador e candidato derrotado ao Senado Marconi Perillo publica um artigo neste domingo na Folha de S. Paulo em que jura ser inocente das acusações feitas a ele pela Operação Cash Delivery, investigação derivada da Operação Lava Jato que apura a distribuição de propinas da Odebrecht a políticos brasileiros.

 

Marconi usa a mesma desculpa de todos os que foram flagrados pela Lava Jato a partir do festival de delações premiadas de executivos envolvidos no pagamento das propinas: não há provas materiais, somente a palavra dos colaboradores e, portanto, não pode ser considerado culpado apenas com base nesse tipo de prova testemunhal.

 

O ex-governador tucano ignora que a Operação Cash Delivery não se baseou apenas nas confissões dos delatores, mas foi muito mais longe, inclusive contando com declarações do ex-presidente da Agetop Jayme Rincón de que realmente recebeu em seu apartamento em São Paulo as malas e mochilas de dinheiro vivo enviadas pela construtora – difícil é acreditar que Rincón fez isso por conta própria, acreditando candidamente, segundo disse, que os recursos seriam destinados aos candidatos proporcionais do PSDB e partidos aliados em Goiás.

 

Para azar de Marconi, a revista Veja desta semana traz reportagem informando que um dono de transportadora envolvido no repasse das propinas já deu quatro depoimentos à Polícia Federal fazendo novas revelações sobre o assunto, inclusive no capítulo que trata do caso goiano – esses depoimentos ainda estão mantidos em sigilo, mas significam que as coisas devem piorar para o tucano-chefe que é o alvo principal da Polícia Federal aqui no Estado.

20 out

Marconi e Zé Eliton, para ter uma possibilidade de sobreviver na política, precisam fazer autocrítica, reconhecer os erros, se desculpar e tornar o ar mais leve no que restou do PSDB em Goiás

Passada a eleição, com o PSDB de Goiás e suas principais lideranças, Marconi Perillo e Zé Eliton, massacrados nas urnas, além de desmoralizados – não é o blog que afirma, são os goianos que deram o recado no dia 7 de outubro – pelas investigações da Polícia Federal, simplesmente recolheram-se, Marconi à sua vida privada, depois de profundamente abalado pela prisão, e Zé  ao mister de governar o Estado, dentro do simulacro de gestão que ele preside.

 

Nenhum dos dois teve a humildade de se propor a algum tipo de autocrítica e falar sobre os erros cometidos, que não foram poucos. Erros que levaram à bancarrota um sistema político que foi bem sucedido durante 20 anos e que agora vai deixar ao léu centenas e centenas de seguidores, entre simples apaixonados até aqueles que dependem de empregos públicos para sobreviver.

 

Tudo isso foi atirado abaixo por Marconi e Zé Eliton, em quem uma massa grande de aliados, de grande, médio e pequeno porte, acreditaram cegamente. Esse pessoal ficou chocado com o resultado da eleição, já que acreditaram em quimeras como o “vira virou” ou a “onda azul”  que foram vendidas pelos seus líderes. Agora, merecem alguma satisfação, para ajudar a entender o que houve.

 

O que é que Marconi e Zé têm a dizer para tornar o ar mais leve nas combalidas hostes tucanas?

20 out

Sem Marconi, que não deixou sucessor, futuro da política em Goiás passa em primeiríssimo plano por Caiado e depois por Baldy, Vanderlan e Daniel Vilela. Todo o resto fará apenas figuração, até mesmo Iris

A reconfiguração do palco principal da política em Goiás passa pelo protagonismo fundamental do governador eleito Ronaldo Caiado, que, já se sabe, será pouco incomodado por uma oposição debilitada – e terá à sua sombra as três lideranças que sobreviveram ao tsunami eleitoral que varreu o Estado: o ainda ministro das Cidades Alexandre Baldy, o senador eleito Vanderlan Cardoso e o candidato derrotado do MDB ao governo Daniel Vilela.

 

Baldy fica no processo porque tem estrutura pessoal e a partir daí está construindo passo a passo uma sólida situação política – seu sogro, Marcelo Limírio, é o homem mais rico de Goiás. Vanderlan também tem bom respaldo, já que é um grande empresário, mas, independentemente disso, foi eleito senador em 1º lugar e com a vantagem dessa posição da maior importância tem condições de polarizar o processo político estadual. E Daniel Vilela, porque saiu da eleição derrotado, mas ganhando musculatura por ter superado o candidato governista Zé Eliton e se classificado em 2º lugar, praticamente sozinho e sem recursos.

 

Todos os três – Baldy, Vanderlan e Daniel – têm condições, desde já, para disputar o governo em 2022, sem falar na prefeitura de Goiânia ou de Anápolis ou de Aparecida em 2020. E, fazendo oposição ou não a Caiado, de se firmar como players do debate político na nova realidade que se instalará no Estado a partir de 1º de janeiro. Será um cenário no qual Marconi Perillo, abatido pelas urnas e pelas ações da Polícia Federal, não terá a menor chance. Nem através de um sucessor, que não preparou e não existe no PSDB.

19 out

Começou a lavação de roupa suja: pelo naufrágio total nas urnas, Célio Silveira, um dos poucos sobreviventes, culpa a cúpula tucana, mas em especial Raquel Teixeira, Marconi e Vecci

Mais de 10 dias depois da eleição, os tucanos de Goiás começam a cair em em si e finalmente sinalizam vontade e coragem para lavar a roupa suja. O primeiro a abrir o bico foi o deputado federal Célio Silveira, objetivo ao enumerar uma lista de erros cometidos, segundo ele, pela cúpula do PSDB na montagem da chapa e na estratégia de campanha.

 

Célio Silveira desabafou em entrevista à rádio Sagres, na manhã desta sexta. Confira as principais declarações:

 

“A cúpula do PSDB errou na formação da chapa para a disputa eleitoral de 2018. Errou ao deixar o PP se aliar ao MDB; errou ao perder os deputados João Campos (PRB), que se coligou como MDB; errou ao perder a deputada Flávia Moraes (PDT) para a chapa de Ronaldo Caiado (DEM) e errou ainda em indicar a ex-secretária Raquel Teixeira para ser candidata a vice-governador na chapa de José Éliton”.

 

““Raquel foi uma grande secretária, é uma excelente pessoa. Mas ele não somou nada para a chapa. Ela não trouxe prefeitos, não agregou uma região. O erro foi da cúpula. Os deputados federais e estaduais nunca foram chamados para conversar sobre a formação da chapa. Política a gente faz somando, e não diminuindo aliados”.

 

“O marconismo levou um cartão vermelho na eleição e isso já era perceptível entre quarta-feira (3) até o domingo (7) da eleição. As pessoas recusavam a receber o santinho de nossa chapa majoritária”

 

“O diretório estadual não ajudou os deputados. Vecci foi um péssimo presidente, indicado por Marconi Perillo para presidir o partido. Não foi uma escolha negociada com os tucanos, mas imposta. Foi um erro de Marconi. Acho que Vecci deve renunciar”.

19 out

Zé das Medalhas: Zé Eliton distribui mais 424 condecorações, agora da Ordem do Mérito da Segurança Pública, e aproveita para atribuir uma… a ele mesmo

O governador Zé Eliton já tem um lugar garantido na história administrativa de Goiás pelo volume de medalhas que distribuiu em seus poucos meses de governo (tomou posse em abril último), mas agora extrapolou. A caminho do fim do seu mandato-tampão, acaba de assinar decreto repartindo mais 424 condecorações de uma tal Ordem do Mérito da Segurança Pública “Governador Mauro Borges”. O inusitado em tudo isso é que Zé atribuiu uma delas… a ele mesmo.

 

Criada em 2011 pelo governador Marconi Perillo, um reconhecido aficcionado da política de compartilhamento de medalhas no atacado, essa Ordem do Mérito destina-se a agraciar personalidades que tenham contribuído com a segurança pública em Goiás – medida dúbia em que cabe qualquer um. Inclusive o próprio Zé.

19 out

Para renascer das cinzas em Goiás depois que foi carbonizado pelas urnas (tarefa quase impossível), PSDB precisa ressuscitar seu grande líder Marconi – e para isso parece que só um milagre

O PSDB em Goiás – e de resto o do país também – foi carbonizado pelas urnas, reduzido a um deputado federal e seis estaduais, grupo restrito que terá a sua fidelidade colocada à prova na medida em que o governador eleito Ronaldo Caiado tomar posse e passar naturalmente exercer o poder de sedução política inerente a quem ocupa o Palácio das Esmeraldas com o reforço de uma aprovação esmagadora das urnas e, mais ainda, no 1º turno.

 

Além desse minguado corpo parlamentar, o partido continuará com um quantitativo razoável de prefeitos, em torno de 90, mas esse número tende a decrescer rapidamente – acontecimento normal em todo processo de ruptura entre governo que sai e governo que entra. As bases interioranas tucanas, nessa linha, tenderão a se esboroar com rapidez, mesmo porque passarão a partir de agora se posicionar de olho na sobrevivência diante das próximas eleições municipais.

 

Para não desaparecer ou não se transformar em legenda nanica ou quase, o PSDB goiano, nesses tempos duros que virão, necessitaria de uma grande liderança, um nome acima de todos, capaz de aglutinar o que resta do partido e evitar a sua dispersão, conduzindo-o pela planície escaldante da oposição. É claro que somente Marconi Perillo veste esse figurino. Mas Marconi está ferido de morte: ficou em 5º lugar na disputa pelas duas vagas ao senado (em Goiânia, caiu para o 6º lugar, atrás de Agenor Mariano) e foi tragado pela Operação Lava Jato, através de uma derivação, a Operação Cash Delivery, que o levou inclusive a pernoitar na cadeia.

 

Sem Marconi, enfraquecido politicamente e fragilizado pessoalmente, quem lideraria a reconstrução do PSDB em Goiás, se isso ainda for possível?

18 out

Eleição de Caiado para o governo nem esfriou ainda e ele já recomenda em vídeo um primo, o advogado Alexandre Caiado, como candidato à presidência da OAB-GO, em novembro próximo

Ferve nas redes sociais e no WhatsApp a mais recente notícia sobre a família Caiado: um primo do governador eleito Ronaldo Caiado está sendo lançado como candidato a presidente da Ordem dos Advogados do Brasil-Seção de Goiás, que ocorrerá no próximo dia 30 de novembro. Trata-se de Alexandre Caiado, que já é presidente do Sindicato dos Advogados de Goiás.

 

Um vídeo do próprio Caiado, que não é da carreira jurídica e sim médico,  recomenda a candidatura do parente próximo.

18 out

Ze Eliton chama os deputados do PSDB – eleitos e derrotados – para ensinar como fazer oposição ao governo Caiado, mas não faz autocrítica a respeito da coleção de erros que cometeu na campanha

A reunião do governador-tampão Zé Eliton com os deputados estaduais do PSDB eleitos e derrotados na última eleição foi um acontecimento que merece uma reflexão profunda.

 

Primeiro, pela ousadia do Zé em vestir o figurino de professor e dar uma aula aos parlamentares, alguns boquiabertos, sobre como deve ser a oposição que eles farão ao governador Ronaldo Caiado, algo sobre o que não há consenso algum, por enquanto, entre os seis eleitos – um deles, o veterano Sebastião Caroço, já adiantou o seu entendimento de que essa oposição deve ser “respeitosa, e outro, Talles Barreto, repetiu que não deve ser “oposição por oposição”.

 

Zé Eliton nunca foi oposição na vida. E o que aprendeu nos mais de sete anos que passou ao lado de Marconi Perillo, como vice-governador, mostrou depois que assumiu que esqueceu totalmente. Sua campanha foi do tipo desventuras em série, perdendo aliados, perdendo partidos, perdendo o timing – até perder nas urnas e terminar em um humilhante 3º lugar. Isto é, não tem nada a ensinar, nem mesmo aos mais jovens do grupo tucano na Assembléia, tipo Gustavo Sebba e Diego Sorgatto.

 

O que faltou na reunião? O dr. José Eliton, coveiro do Tempo Novo, deveria ter aproveitado para mostrar que o Zé não foi uma criação marqueteira infeliz e teria alguns rasgos de veracidade se fizesse uma autocrítica humilde sobre os seus erros – e foram muitos – e gigantescas responsabilidades por uma derrota que destruiu as bases tucanas em Goiás. O que foi entregue em suas mãos, ele jogou no lixo, ao se mostrar um candidato sem altura nenhuma para a representação que recebeu. Zé precisaria fazer o que não fez até agora: pedir desculpas aos seus companheiros.

18 out

Não só derrotados, mas massacrados nas urnas, tucanos de Goiás insistem em ignorar o recado dos goianos e fazem reunião com Zé Eliton para combinar atuação em defesa do “legado” dos últimos 20 anos

Através das urnas do 1º turno, os goianos disseram em voz alta que o mundo mudou e que não é mais tolerada a velha ordem política que mandou sem contestação pelos últimos 20 anos no Estado.

 

O recado foi claro: houve coisas boas, sim, mas ruins também e por uma e por outras o caminho daqui para a frente é 100% novo, sob o signo da mudança radical proposta pelo governador eleito Ronaldo Caiado. Os eleitores mostraram que estavam – e provavelmente continuam – interessados no futuro e não no passado que Zé Eliton, Raquel Teixeira, Marconi Perillo e Lúcia Vânia repisaram do começo ao fim da campanha.

 

Pois bem: depois de tudo isso, o que restou do PSDB – um deputado federal e seis estaduais – se reuniu para ouvir uma aula sobre como fazer oposição do governador em fim de mandato tampão Zé Eliton – um tipo de ação política que ele nunca desenvolveu e não deve nem imaginar como é(foto acima). Zé, na sua inocência, mostrando também que não aprendeu a lição das urnas, disse, segundo está em O Popular desta quinta-feira, que todos devem se empenhar a partir do início do ano que vem na defesa do legado do seu governo (sim, você não leu errado, leitor, ele referiu-se ao “seu governo”) e dos governos de Marconi.

 

Estavam na reunião também os deputados estaduais que perderam a eleição e que, portanto, logo estarão ou em casa ou cuidando das suas atividades particulares – se quiserem fazer oposição a Ronaldo Caiado ou defender algum “legado”, por certo não haverá quem queira ouví-los. Quanto aos seis eleitos, é muito pouco provável que se dediquem, no novo Estado que começa a partir de 1º janeiro, a gastar tempo falando de obras e programas do passado. Menos ainda de um governo que não existe, o do Zé.

17 out

Articulação para a eleição de Álvaro Guimarães à presidência da Assembleia, e ele seria o candidato natural ao cargo, começou mal ao configurar imposição de Caiado aos deputados estaduais

Espécie de decano entre os 41 deputados estaduais, com vários mandatos no currículo e uma conduta sempre moderada e equilibrada, o deputado estadual Álvaro Guimarães, reeleito pelo DEM (foi um dos primeiros parlamentares a se alinhar com Ronaldo Caiado), tinha tudo para ser conduzido à presidência da Assembleia Legislativa navegando em um mar de rosas.

 

Mas, diante dos erros de articulação que estão sendo cometidos, inclusive com a participação direta do governador eleito, o que estava previsto para ser fácil e tranquilo pode se transformar em processo difícil e doloroso. O primeiro ponto a ser considerado é que o Legislativo é um Poder independente e isso tem importância litúrgica, não cabendo ao Executivo, teoricamente, interferir para não abalar o pacto institucional nem cutucar suscetibilidades dos deputados. Por isso, Álvaro Guimarães jamais poderia ter sido apresentado como postulante à presidência na condição de candidato oficial do novo governo. Ele, antes, teria que produzir um consenso mínimo entre os colegas. Só após esse passo é que o seu nome deveria ser levado a Caiado para, digamos, assim uma espécie de bênção. As últimas 20 eleições para presidente da Assembléia seguiram esse script, que virou uma espécie de jurisprudência na Casa. É o próprio Poder que encaminha o seu preferido ao conhecimento do Palácio das Esmeraldas e não o contrário.

 

Desprezando esse roteiro, Caiado informou assim que ganhou a eleição que tem compromisso com Álvaro e que ele é, sim, o seu escolhido para a presidência. “Caiadistas afirmam que Álvaro é ponderado e de linha mais conciliadora”, acrescentou a coluna Giro, colocação que desdoura os demais deputados de uma pena só. Ou seja: a impressão passada é que se pretende uma nomeação para a presidência – e aí um clima de discórdia já começa a proliferar, alimentado também pela polêmica em torno da manutenção ou não do orçamento impositivo. Estão fazendo tudo errado.

17 out

Depois dos escândalos e da derrota total nas urnas, o PSDB tornou-se moribundo, em Goiás e no Brasil. Tentar a sua reconstrução é desperdício de tempo, recursos e esforços

Uma avaliação unânime entre os analistas mais conceituados da imprensa nacional é a de que o PSDB chegou ao fim, depois dos escândalos que abalaram o partido (caso Aécio Neves, por exemplo) e da derrota humilhante na eleição presidencial, quando o candidato tucano Geraldo Alckmin saiu das urnas com 5% dos votos.

 

O quadro se reproduziu em Goiás. Aqui também houve escândalos, em série. Somente neste ano o principal nome do PSDB goiano, Marconi Perillo,  teve o seu sigilo telefônico quebrado, as suas casas vasculhadas por equipes da Polícia Federal, foi preso, está com os bens bloqueados para cobrir processos de improbidade administrativa e, a exemplo de Alckmin, beijou a lona quando o resultado da eleição foi anunciado, ficando em 5º lugar na disputa pelas duas vagas ao Senado. Seu candidato a governador, Zé Eliton, amargou o 3º lugar e perdeu no 1º turno, atrás de Daniel Vilela – o candidato do MDB que não contou com uma fração da estrutura, apoio e recursos à disposição do Zé. Adicionalmente, o PSDB elegeu apenas um deputado federal e 6 estaduais (com a derrota daqueles mais identificados com Marconi).

 

Foi um massacre político e eleitoral. Partido nenhum sobrevive a tanto infortúnio. E nem se levanta depois de cair tão fundo. Veja o diagnóstico do filósofo José Arthur Gianotti, nesta semana na Folha de S. Paulo, considerado ideólogo informal do PSDB, que, em 2014, já previa a morte do partido: “O PSDB não se renovou. Suas lideranças envelheceram. Nâo há chances de se recuperar. O que vai voltar, no Brasil, é o centro, mas com outra conformação partidária, não com o PSDB. Esse, acabou”.

16 out

O que Caiado vai fazer está claro nas suas falas: cortar, cortar, cortar. Reduzir os custos que o Estado impõe aos goianos e diminuir o tamanho da máquina. Está correto, porque foi eleito para isso

Muitas vezes, o que um político vai fazer está explícito exatamente no que ele fala – em seus discursos, declarações e entrevistas – e não oferece nenhuma dificuldade de interpretação. É o que ocorre com Ronaldo Caiado, que assume o governo em 1º de janeiro e desperta especulações sobre o que pretende como autoridade estadual número um.

 

Caiado vai cortar. Cortar e cortar mais. Primeiro, porque a sua formação ideológica é liberal em matéria de economia, acreditando pouco em intervencionismo do Estado. Segundo, porque foi eleito… para cortar. Ela nunca escondeu, durante a campanha, a proposta de recolocar Goiás nos trilhos da racionalidade administrativa, com a redução radical dos custos da máquina pública – e tem toda razão porque, hoje, o desperdício é a marca registrada do governo que resultou dos 20 anos de contínuo exercício do poder por Marconi Perillo, quase que uma aberração.

 

Ao visitar Jair Bolsonaro, no Rio, para anunciar engajamento na sua campanha, Caiado deu uma entrevista à saída e não poderia ser mais claro e objetivo sobre as suas intenções a partir do momento em que receber o cetro de governador: “Vou dar exemplo, com o corte substancial das despesas, a fim de não enfiar mais a mão no bolso do contribuinte sem contrapartida”. Quer mais claro que isso, leitor? Então vamos lá: “A população não aceita mais gastos abusivos com a administração pública. É necessário enxugar o custo do Estado”.

 

Enxugar o Estado. É isso que vem aí em Goiás. Finalmente.

16 out

Amigos de Marconi e o próprio agora esperam que a História faça justiça a ele. Não se enganem: a posteridade costuma avaliar os fatos por um viés muito mais duro e negativo do que a contemporaneidade

Amigos fiéis (por enquanto) do ex-governador e candidato derrotado ao Senado Marconi Perillo estão em campanha nas mídias tentando defender o fundador do Tempo Novo com o argumento de que, depois da queda que as urnas e a Operação Cash Delivery trouxeram, caberá à História fazer justiça a Marconi, julgando-o e absolvendo-o.

 

Não se enganem: quando vistos em retrospectiva, lá na frente, os fatos de hoje costumam ser analisados por um crivo frio e bem mais rigoroso, piorando as avaliações do presente. Imagine, leitor, a título de exemplo radical, como os alemães enxergaram positivamente um governante que fez furor nos seus anos de fastígio, mas que logo após, acabou sendo enterrado pela História como um ditador cruel, assim que os detalhes dos seus anos de poder foram revelados pela marcha dos acontecimentos.

 

Há um exagero proposital nesse raciocínio. Mas a essência, a tese que dele emana, é válida. A História não vai mudar episódios como a Operação Cash Delivery ou a nomeação do cunhado Sérgio Cardoso para o Tribunal de Contas dos Municípios. Ao contrário, vai agravá-los, ao fazer uma conexão com o novo Brasil que emergiu das urnas e foi influenciado pela atuação anticorrupção da Operação Lava Jato (da qual a Cash Delivery é derivada).

 

Em plena era da informação, que corre acelerada pela internet, a História começa a ser escrita às vezes meia hora após a ocorrência dos fatos, que envelhecem com igual rapidez. O veredito final para Marconi virá da realidade, dos seus atos concretos e das consequências que geraram – não do mundo de fantasia em que vivem seus seguidores apaixonados e, por enquanto, leais.

16 out

Marconi e Zé Eliton esconderam o quanto puderam, mas a verdade saltou à tona e está na imprensa nacional: Goiás quebrou e não tem dinheiro para pagar as despesas neste fim de ano

Goiás está entre os sete Estados brasileiros em situação fiscal mais difícil, enfrentando um déficit tão grande que o governador Zé Eliton terminará o seu mandato-tampão sem caixa sequer para cobrir as despesas contratadas neste ano, inclusive a folha de pagamento do funcionalismo. O que é mais grave: essa situação é expressamente vedada pela Lei de Responsabilidade Fiscal, o que poderá acarretar sanções para Zé Eliton, inclusive a perda da sua elegibilidade e, como esse crime foi inscrito no Código Penal, pena de um a quatro anos de prisão.

 

Neste início de semana, o economista e consultor Raul Velloso, maior especialista brasileiro em contas públicas, publicou uma avaliação da condição financeira dos Estados, apontando Goiás como o quarto mais encrencado, do ponto de vista do equilíbrio entre receita e despesa. Ele afirma categoricamente que o atual governo não tem recursos para cumprir os compromissos assumidos e será obrigado a deixar para a próxima gestão uma herança bilionária de dívidas, além de expor Zé Eliton às punições legais.

 

Passada a eleição, não é mais segredo que nem a folha de pagamento dos servidores está sendo honrada em dia. O mês de setembro deixou de ser pago a uma parcela expressiva do funcionalismo, o que deve piorar quando outubro vencer. Obras em andamento e programas como a Bolsa Universitária e o Passe Livre Estudantil não recebem transferências há meses e estão com a sua continuidade comprometida. O caos reina na Secretaria da Fazenda.

 

A irresponsabilidade fiscal dos últimos anos vai explodir no colo de Zé Eliton.

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