Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt e convidados sobre política, cultura e economia

12 jan

Vapt Vupt, criado por Marconi e que tem 100% de eficácia na prestação de serviços públicos, teve 95% dos funcionários demitidos por Caiado – e o pior é que continuam trabalhando sem vínculo com o Estado

Através de um decreto genérico, repetição do que todos os governos entrantes fizeram nas últimas décadas, o governador Ronaldo Caiado demitiu 95% dos funcionários do Vapt Vupt, criado pelo ex-governador Marconi Perillo e que até os adversários mais radicais admitem que atua com 100% de eficácia na prestação de serviços públicos para a população.

 

Só mantiveram vínculo com o Estado os 5% de servidores do Vapt Vupt que são efetivos e que estão lá lotados através de mecanismos de disposição burocrática. O resto foi exonerado. Mas, dirão a leitora e o leitor, o Vapt Vupt continua funcionando normalmente. Como assim, a maioria esmagadora dos seus funcionários foi demitida?

 

É que, em mais uma demonstração de lentidão e de falta de conhecimento administrativo, o governo Caiado não ordenou o desligamento real desse pessoal. Foram demitidos, mas a orientação recebida é que continuem a trabalhar – um improviso comprometedor, que pode até ter consequências jurídicas, já que também envolve outras esferas de governo, como, por exemplo, a Polícia Federal, que emite passaportes para os cidadãos goianos através das agências do Vapt Vupt. Quem comparecer a uma agência atrás de qualquer serviço, no momento, será atendido por quem está lá sem ligação com o Estado

 

É uma ilegalidade, portanto, o que está ocorrendo. Servidores sem vínculo com o Estado tocam as agências do Vapt Vupt e ainda vivem um drama pessoal, sem saber se serão reconduzidos ou não. No mínimo, a se acreditar na sua boa fé, Caiado foi mal assessorado ao assinar o decreto de exoneração coletiva que atingiu todos os comissionados do Estado.

12 jan

Expectativa que Caiado gerou com a sua consagradora eleição exige uma resposta, no exercício do poder, perto da perfeição. Mas não é bem o que está acontecendo

Ao ser eleito em 1º turno com uma votação consagradora, Ronaldo Caiado gerou a expectativa de iria fazer um governo de excelência e confirmar, a partir de 1º de janeiro, a implantação de uma mudança profunda na política e na administração do Estado de Goiás.

 

Duas semanas depois da posse, não é bem o que está acontecendo. Há uma crescente inconsistência entre o que Caiado prometeu e o que se vê de concreto no novo governo – e isso incomoda. O excesso de parentes nomeados para cargos importantes, por exemplo. Ainda que não se comprometa a lei do nepotismo (o que precisa ser examinado com mais precisão), Caiado, o vice Lincoln Tejota e o senador substituto Luiz Carlos do Carmo estão com uma batelada de familiares nomeados em cargos importantes. Isso não pega bem e vai contra a anunciada mudança da campanha eleitoral.

 

Dois primos, de sobrenome Caiado, foram nomeados para a presidência e uma diretoria da Agetop. A justificativa é que devem ser vistos como o próprio governador exercendo esses cargos, com a sua seriedade e honestidade. Mas isso é pedir muito. É um argumento absolutamente frágil. Visto de outra maneira, significaria que onde não foram nomeados Caiados não haveria essa seriedade e honestidade?

 

Merece atenção também algumas soluções – que não é exagero chamar de ingênuas – que Caiado deu para problemas como o atraso da folha ou a suposta corrupção na Agetop. Para resolver a vida dos servidores com dezembro em aberto, pediu que prefeitos avalizassem suas compras no comércio, para pagamento posterior. Previsivelmente, virou chacota. E, para a Agetop, anunciou que vai mudar o nome da autarquias, o que lembra a anedota da esposa  infiel cujo marido resolve a situação vendendo o sofá onde a traição acontecia.

 

O que se esperava era mais, muito mais, do que essas bobagens.

12 jan

Terminologia de Caiado, falando em “concordata” do governo e que dispõe de “imunidade” para fazer denúncias sem documentos, é muito estranha e não bate com a realidade jurídica do país

O governador Ronaldo Caiado tem as suas estranhezas e elas estão se acumulando. Não só pediu para que os prefeitos avalizassem os servidores públicos com o salário de dezembro em atraso para que comprassem fiado em farmácias e supermercados, como defendeu veementemente a proposta quando, em entrevista à rádio CBN, a jornalista Fabiana Pulcineli classificou a ideia como “motivo para chacotas”.

 

Que é singular, não há como negar. Mas há outras excentricidades. Uma que chamou a atenção foi o uso da expressão “concordata” tanto pelo novo governador quanto pela secretária da Economia (pasta, aliás, ainda não criada) Cristiane Schmidt em referência a busca de uma saída para a situação financeira do Estado. Ora, qualquer advogado em início de carreira e mesmo pessoas sem formação jurídica sabem que “concordata” nunca foi um mecanismo legal que se aplique a entes do setor público, muito menos… um Estado. Pior, nem existe mais no Brasil.

 

A concordata era prevista em lei até 2005, quando uma reforma aprovada pelo Congresso instituiu no seu lugar a recuperação judicial. Caiado é médico e Cristiane economista, logo aparentemente não teriam obrigação de conhecer terminologia técnica judiciária, mas, como gestores públicos, aí é diferente – ambos não deveriam recorrer a expressões que não correspondem à realidade. Os dois são autoridades públicas. Tudo o que dizem pode causar confusão ou, ao contrário, essa a opção correta, esclarecer situações controversas, .

 

Outra temeridade foi Caiado se arvorar a fazer denúncias de irregularidades na Agetop e na Secretaria do Meio Ambiente, sem comprovação, baseado apenas, segundo disse, em “comentários” de funcionários de ambos os órgãos. Fofoca de corredor de órgão público não é documento. Acusado de leviano pelos tucanos desalojados do poder e obviamente alvos genérico da acusação, respondeu dizendo que, “como chefe do Executivo, tenho imunidade”. Ou seja, acha que pode distribuir imputações penais sem que, necessariamente, possa ser responsabilizado por isso.

 

Só que não é bem assim. Chefes de Executivo, ou seja, prefeitos, governadores e presidente, não têm imunidade, ou seja, permissão para falar o que que quiser, ao contrário de parlamentares no exercício do mandato. Os governadores, no máximo, possuem foro privilegiado para responder processualmente pelos seus atos (no Superior Tribunal de Justiça), mas, imunidade, não: respondem, sim, pela prática de crimes de difamação, injúria e calúnia e podem ser processados, desde 2017, sem necessidade de licença da Assembleia Legislativa. Mais: podem até ser presos, como aconteceu no Rio de Janeiro, com o a detenção cautelar de Pezão.

 

Há um temporada de esquisitices aberta em Goiás.

11 jan

Estratégia de Marconi para tentar sobreviver na política, se conseguir se livrar dos processos judiciais, ficou clara nesta semana: jogar a parte negativa do legado do Tempo Novo no colo de Zé Eliton

O ex-governador Marconi Perillo reapareceu esta semana com uma comprida nota em que defendeu os seus governos e procurou se afastar de qualquer responsabilidade pelo imbroglio da folha de pessoal de dezembro, que o governador Ronaldo Caiado não quer pagar sob a alegação de irregularidades legais (não foi empenhada no total) de responsabilidade da gestão passada.

 

Marconi e Caiado aparentemente convergiram com a mesma visão sobre a folha de dezembro: é problema criado por Zé Eliton. Caiado citou expressamente o nome do ex-governador. Marconi não o mencionou, mas a omissão falou alto porque ele, corretamente, disse que em seus mandatos pagou os salários do funcionalismo em dia (repetindo: é verdade) e conduziu as contas gerais do Estado dentro da normalidade (o que pode não ser 100% real, mas talvez esteja muito próximo desse percentual, tanto que a secretária da Economia Cristiane Schmidt passou recibo e comentou a nota dizendo que até 2017 o ex-governador estaria certo, mas o problema é 2018, ano… de Zé Eliton no governo).

 

Na sua nota, o ex-governador tucano não detalhou, mas deixou no ar que a encrenca administrativa e financeira encontrada por Caiado tem a mesma idade do mandato-tampão de Zé Eliton. Veja bem, leitora e leitor, Marconi não fez essa afirmação diretamente, mas contas embanadas como os pagamentos da Bolsa Universitária, do Transporte Escolar e das organizações sociais que cuidam dos hospitais apareceram e cresceram junto com o Zé empoleirado no Palácio das Esmeraldas. Antes, não. Zé, que nunca mostrou nenhum aptidão administrativa, é que seria o culpado.

 

O que Marconi quis dizer, nas entrelinhas da sua nota, é que foi um gestor público competente e que, se a situação se complicou, isso aconteceu no ano passado – quando ele foi governador apenas de janeiro a março. Entregou a casa arrumada ao Zé e daí para diante a coisa desandou. A fórmula para a redenção, portanto, está na cara. A depender  de como vai se livrar dos processos judiciais em que está envolvido, Marconi pode acabar resgatado, lá na frente, ainda mais se Caiado não se sair bem.

11 jan

Governo Caiado só tem 2 semanas, tempo pequeno demais para resolver a carga de problemas graves que recebeu, mas também já passa da hora de sinalizar um rumo mais concreto e medidas mais consistentes

É pouco, muito pouco o tempo que o governo Ronaldo Caiado já contabilizou – menos de duas semanas – e, portanto, carece de sentido uma cobrança mais dura sobre providências e soluções para resolver o fardo de problemas graves que a nova gestão herdou.

 

Se isso é verdade, também o é a constatação de que não existe um calendário para que o governo, aliás qualquer governo, venha a deslanchar e mostrar ou pelo menos começar a mostrar como vai superar os obstáculos encontrados e apresentar resultados. Dá para afirmar que isso deve ocorrer o mais cedo possível. O quanto antes. Se possível  a partir do 1º dia de mandato.

 

Caiado, como todo mundo, tem as suas características. E uma delas, pelo menos, não bate com o cargo que ocupa, o de chefe do Poder Executivo: ele não tem pressa. E orgulha-se disso, como repetiu incessantemente no período entre a sua consagração nas urnas e a posse, que praticamente desperdiçou, em vez de aproveitar para dar início antecipado ao seu governo – o excesso de cargos no 2º e 3º escalões sem ocupação até hoje é uma das consequências danosas dessa postura verdadeiramente ímpar entre todos os governantes eleitos nas última eleição.

 

No poder, Caiado continua sem nenhum senso de urgência e parece não ter se livrado dos hábitos adquiridos nos seus mandatos parlamentares, falando, falando, mas com uma baixa taxa de resolução real. Para aguardar visitas e opiniões de técnicos do governo federal, atrasou o relógio da administração estadual e simplesmente não tem data para nada, nem para completar a equipe nem para pagar salários atrasados nem muito menos para colocar em marcha seus projetos e planos, dos quais até agora se sabe quase nada.

 

As duas semanas de governo que estão prestes a se completar, de fato, não dão margem a uma cobrança mais incisiva. Mas também não servem de álibi para a inação ou o atraso na busca de saídas para o descalabro financeiro e administrativo do Estado. Estão faltando sinais.

11 jan

Leilão de 2 carros de luxo da governadoria merece aplausos, só que é pouco diante do excesso de mordomias do Estado e precisa ser complementado por medidas ainda mais radicais de economia real

Uma microdecisão do governador Ronaldo Caiado, determinando o leilão de 2 carros de luxo do Palácio das Esmeraldas que anteriormente atendiam a Marconi Perillo e sua mulher Valéria e depois a Zé Eliton e sua esposa Fabrina, está no campo das raras ações adotadas até agora pela nova gestão que merecem elogios. Se for o ato inaugural de um processo de redução ou supressão de mordomias como gigantesca a frota estadual de carros de representação, a maioria alugados, melhor ainda.

 

O valor a ser arrecadado será ínfimo, no máximo R$ 300 mil reais, já que os 2 veículos são modelos antigos da marca Hyundai (Equus VS 460, o sedã mais luxuoso da montadora), mas ainda assim o leilão é interessante, só faltando agora ser seguido por medidas de economia detalhadas e além do decreto genérico que Caiado assinou – no qual determina a todos os setores da administração uma série de providências para combater o desperdício, mas, como se sabe, imprecisas e abstratas. O decreto é uma espécie de reedição de outros assinados ao longo dos governos que se sucederam nas últimas décadas, não quantifica metas nem fornece qualquer informação sobre o quê e quanto será poupado. É mais, digamos assim, uma declaração de intenção ou, no máximo, uma orientação difusa.

 

O governo de Goiás tem muita gordura para ser eliminada, caso a intenção do governante seja mesmo a de promover uma revolução na gestão do Estado. Há, por exemplo, muitos órgãos com estrutura completa e despesas elevadas, sem nenhuma utilidade para os goianos, como a Goiasgás, a Goiás Telecom, a Agência Brasil Central (com um canal de televisão sem audiência e duas emissoras de rádio sem importância), a Goiás Parcerias e até mesmo um desnecessário e caro Escritório de Representação em Brasília (existe outro em São Paulo, mantido pela Codego, esta, aliás, outra estrutura passível de liquidação). Órgãos assim, sem retorno para a sociedade, arrastam milhões de reais pelo ralo e deveriam ser alvo de qualquer governo que se propusesse a uma mudança radical e, por que não?, modernizante da máquina pública em Goiás.

11 jan

Argumento de Caiado para não pagar integralmente a folha e o 13º de dezembro, o de que não pode fazer o empenho, não convence e sugere manipulação para forçar um clima de caos no Estado

Definitivamente, o argumento de Ronaldo Caiado para não pagar a totalidade da folha de dezembro do funcionalismo – o de que não pode fazer o empenho retroativo – não convenceu nem os servidores nem a sociedade nem talvez os próprios seguidores imediatos e apaixonados do novo governador.

 

Uma garimpagem nas redes sociais, em especial nos perfis do próprio Caiado, mostra que o imbroglio da folha de dezembro abalou a sua credibilidade e popularidade, mais ainda depois de anunciada a decisão de começar a quitar a folha de janeiro a partir do dia 25 vindouro – o que, evidentemente, será feito lançando-se mão de grande parte dos recursos que deveriam ser destinados para o pagamento de dezembro.

 

Como deseja incluir Goiás no Regime de Recuperação Fiscal, programa do governo federal que oferece vantagens a Estados em dificuldades financeiras, é natural a suspeita de que a protelação da folha de dezembro faça parte de um concerto para superdimensionar a crise fiscal do governo goiano. No Rio de Janeiro, única unidade da Federação até hoje incorporada ao RRF, o atraso de vários meses nos salários do funcionalismo foi decisivo para convencer Brasília a conceder o benefício.

 

Ora, se Caiado vai pagar janeiro até o dia 30 para todos os servidores, a conclusão óbvia é que esse mesmo dinheiro poderia usado para completar o que falta de dezembro. O que sobrasse poderia ser usado para liquidar  os vencimentos menores do próprio mês de janeiro até o dia 30; o restante seria finalizado em 10 de fevereiro, valendo-se da arrecadação de 1º até esse dia, como foi feito nos últimos anos.

 

Falta de empenho é desculpa que não cola. Vários especialistas em matéria fiscal já deram entrevista, inclusive ex-secretários da Fazenda, afirmando que o ato é meramente burocrático e pode ser feito rapidamente, independentemente da existência de orçamento para 2019 (cujo adiamento foi outro erro de Caiado) ou do fato de a despesa ser inerente ao ano passado, já que é continuada. Soa ridículo alegar que haveria crime – algo que o governador poderia resolver com uma visita ao Tribunal de Contas do Estado e ao Ministério Público, selando um acordo em benefício de todos.

 

Caiado foi mal assessorado – tanto do ponto de vista político como jurídico – ao transformar a folha de dezembro em cavalo de batalha. O único prejudicado é… ele.

10 jan

A bobagem e equívoco de Caiado ao tentar transferir o ônus do atraso da folha de dezembro para o comércio tem simbolismo negativo, que é o setor privado mais uma vez pagar por mazelas do governo

Ingenuidade para uns, infantilidade para outros, ou a a soma dessas duas avaliações para todos, o pedido que o governador Ronaldo Caiado fez nesta quinta-feira em Jataí, para que os prefeitos avalizem os servidores estaduais para que comprem fiado em farmácias e supermercados, a título de compensação pela indefinição sobre a data de pagamento da folha de dezembro, traz embutido um simbolismo negativo – ao mais uma vez tentar jogar sobre as costas do setor privado o ônus pelas mazelas governamentais.

 

As mercadorias que estão à venda nas prateleiras das farmácias e supermercados não chegaram ali gratuitamente. Tiveram o seu preço, ao qual, para a operação do negócio, devem ser acrescentados impostos, folha de pagamento de pessoal, encargos trabalhistas e mais uma infinidade de custos, aliás em parte forçados pelo governo do Estado, que cobra por exemplo o DIFAL, um diferencial tributário que não é unanimidade em todos os Estados e sobre o qual Caiado nunca disse uma palavra. Ao contrário, como membro de um partido defensor da ideologia liberal e, portanto, da não interferência do Estado, o DEM, e também apesar de uma trajetória como parlamentar nacional identificado com as causas do livre mercado, acabou veiculando uma declaração esdrúxula, fruto de puro improviso, apelando a que empresários vendam suas mercadorias sem garantia nenhuma (como é que juridicamente prefeitos poderiam avalizar compras a prazo?) e sem data para pagamento. Além do mais, quem é que não sabe que farmácias e supermercados e de resto todo estabelecimento comercial não vendem a não ser à vista ou via cartão de crédito?

 

Caiado precisa acordar. Tudo que um governador diz tem importância, significado e repercussão. Não bastasse a falta de efetividade do que propôs, pois não há autorização legal para que prefeitos “avalizem” compras no comércio das suas cidades, o que piora as coisas é concluir que o governador de Goiás foi mais do que simplório ao acreditar que um problema de milhões de reais – a folha de dezembro do funcionalismo – poderia ser resolvido ou atenuado com a imposição de mais sacrifícios ao comércio, se é que seria possível que tal maluquice acontecesse.

10 jan

Polêmica com a folha de dezembro foi um erro porque o desgaste não caiu em Zé Eliton ou Marconi e sim no próprio Caiado, sob suspeita de tentar piorar a imagem de Goiás junto ao governo federal

O governador Ronaldo Caiado cometeu um erro cavalar ao investir no imbroglio em torno da folha de dezembro do funcionalismo público, aparentemente com a intenção de ampliar os desgastes dos seus antecessores Zé Eliton e Marconi Perillo e também tentando piorar a imagem de Goiás junto ao governo federal, com o objetivo de forçar a inclusão do Estado no Regime de Recuperação Fiscal. Isso porque outra explicação não é verossímil.

 

A questão da folha de dezembro não atingiu Zé Eliton e Marconi: não há como nenhum dos dois se desgastar mais do que já estão, ambos no fundo do poço. E não vai acrescentar nada diante das autoridades fiscais de Brasília, já que o RRF é um programa de difícil e custoso acesso, baseado exclusivamente em critérios técnicos – que, segundo especialistas, Goiás não atende por estar longe, por exemplo, da situação de caos em que se encontrava o Rio de Janeiro quando ganhou a regalia, configurando-se como o único Estado a ser beneficiado até hoje.

 

Resultado: a credibilidade de Caiado, que ele mesmo define como o seu maior e mais forte atributo político e pessoal, acabou sendo atingida. Em que proporções, só uma pesquisa dirá. Mas a unanimidade das reações negativas, especialmente nas redes sociais, confirma que o prejuízo é grande. Ninguém parece acreditar que a folha de dezembro não pode ser empenhada e que, somente por isso, não pode ser paga, ainda mais quando se trata de despesa continuada, prevista como rotina na legislação orçamentária – e, de resto, até poderia ser quitada sem empenho, dado ao seu caráter de verba indispensável para a sobrevivência de milhares de famílias, sem que ninguém venha a ser punido por isso.

 

Fica difícil aceitar os argumentos do governador de que não pode pagar sem cometer um crime e, ao mesmo tempo, faça o anúncio de que o mês de janeiro começará a ser pago (para 80% dos funcionários) já no dia 25 de janeiro, data que em Jataí, nesta quinta-feira, Caiado antecipou para o dia 20 – quando provavelmente o Estado continuará sem orçamento para 2019, que depende de tramitação e aprovação pela Assembleia e em seguida de sanção e aprovação, o que nunca ocorre à jato. E atenção: se não ainda não há esse orçamento, é porque o próprio Caiado solicitou à Assembleia que ele não fosse votado.

 

10 jan

Ações emergenciais articuladas por Caiado – aval de prefeitos a servidores para comprar fiado no comércio e ajuda de Brasília para recuperar rodovias – revelam ingenuidade espantosa e eficácia zero

É um pouco difícil acreditar que o governador Ronaldo Caiado, só nesta quinta-feira, 10 de janeiro, anunciou três ações emergenciais que revelam uma visão ingênua do mundo e, principalmente, da administração pública.

 

Em Jataí, Caiado disse que vai pedir a todos os prefeitos que avalizem os servidores estaduais para que comprem fiado em supermercados e farmácias, pelo menos até que se encontre uma solução para o pagamento de dezembro, ao qual, descobriu-se agora, se junta também em aberto o 13º salário dos funcionários que têm data de nascimento nesse mês.

 

Outra medida do mesmo naipe, digamos assim, é também um pedido, dessa vez ao governo federal, para ajudar na recuperação de estradas necessárias ao escoamento da safra. Caiado chegou a anunciar que viria de Brasília uma equipe de técnicos para orientar os trabalhos, quando, antes, já tinha dito que uma equipe de engenheiros da Agetop estava disponível para o mesmo fim. Logo depois, corrigiu as suas declarações e esclareceu que solicitou ao Ministério dos Transportes a execução de reparos nas rodovias federais que passam por Goiás, algumas em grau severo de deterioração. No final das contas, segundo o governador, quem ficaria com a responsabilidade de consertar as estradas seriam as prefeituras, com uma espécie de “apoio moral” dos governos estadual e federal.

 

Da mesma forma, pode ser definida uma terceira “decisão” inovadora de Caiado, o leilão de dois carros de luxo do Palácio das Esmeraldas – com previsão de alcançar R$ 600 mil reais – para investir o dinheiro no Hospital Materno Infantil, que se encontra atolado em um rombo de R$ 38 milhões.

 

Tudo isso causa algum espanto, principalmente porque são medidas que não têm nada de concreto e nem sequer podem ser consideradas como paliativas porque não darão em absolutamente nada, a não ser quanto aos danos que causarão na imagem do governador.

10 jan

Governo Caiado continua incompleto em quase 70% da sua estrutura, mostra acefalia e ameaça complicar a vida dos goianos com a paralisação da Juceg e a demissão dos funcionários do Vapt Vupt

Ao completar 10 dias, o governo de Ronaldo Caiado Caiado ainda está incompleto em quase 70% da sua estrutura, ou seja, com a maioria dos cargos do 2º e 3º escalões ainda sem preenchimento – situação que foi agravada por um decreto genérico de demissão de comissionados, que praticamente paralisou a Junta Comercial do Estado e exonerou todos os atendentes do Vapt Vupt, a agência de prestação de serviços federais, estaduais e municipais que é uma área da administração estadual funciona bem, com elevada aprovação popular. As equipes do Vapt Vupt, no momento, estão trabalhando sem nenhum vínculo empregatício.

 

Caiado, desde que ganhou a eleição, sempre repetiu que não tem pressa em tomar as decisões que precisam ser tomadas. E, depois de assumir a governadoria, continua sem mostrar qualquer celeridade. Ele colocou o Estado em marcha lenta no aguardo da visita de uma comissão de técnicos do governo federal, que virá a Goiás para avaliar a sua situação fiscal e verificar se existem condições para a sua inclusão no Regime de Recuperação Fiscal e, a partir daí, com direito a usufruir de benesses como a suspensão do pagamento das parcelas da dívida por 3 anos. Se der certo, o novo governo deverá andar, mas… se não der ou se demorar (segundo O Popular, a avaliação para inclusão no RRF demora até 6 meses) aí as coisas vão se complicar.

 

O RRF transformou-se em obsessão para Caiado. Até hoje, desde que o programa foi criado, somente um Estado foi habilitado, o Rio de Janeiro, que chegou a um descalabro financeiro e administrativo muito, mas muito pior do que qualquer outra unidade da Federação. A a avaliação de especialistas é que Goiás não se enquadra – mesmo com a crise em torno da folha de dezembro, que muitos acreditam estar sendo fabricada para reforçar o cenário negativo que levaria ao RRF.

 

Goste ou não das críticas e responda, como tem feito, argumentando que tem pouco tempo de mandato e por isso não pode ser cobrado, o fato é que Caiado está indo devagar demais diante dos problemas acumulados e das expectativas que criou.

10 jan

Convênios com o Sistema S e aposta em pequenas empresas para modernizar e diversificar a economia são propostas equivocadas do governo Caiado – que não vão passar do plano das intenções

Nem o governador Ronaldo Caiado, desde a campanha, passando pelo período entre a vitória nas urnas e a posse e chegando até esta quinta-feira, 10º dia do seu mandato, nem muito menos o seu secretariado – ainda incompleto – foram ou têm sido explícitos sobre suas propostas, linhas de ação ou rumos para a gestão que está se iniciando.

 

Mas houve duas exceções: 1) Caiado sempre disse e repetiu que vai buscar convênios com o Sistema S – integrado por 9 instituições que oferecem que oferecem ensino profissional e lazer a trabalhadores, dentre as quais as principais são o Sesc, o Sesi, o Senai, o Senac e o Sebrae e 2) seu secretário de Desenvolvimento e Inovação, o primo Adriano Rocha Lima, também tem reafirmado, desde suas primeiras entrevistas após ser anunciado, que vai investir nas pequenas empresas – as startups – para que elas liderem o processo de modernização e diversificação da base produtiva goiana.

 

Tanto em um caso como em outro, são ideias equivocadas. Em inúmeras ocasiões, o governo de Goiás tentou formar parcerias com o Sistema S, mas recuou devido ao alto custo, pelo menos três vezes maior que a oferta direta de cursos de qualificação nos seus Institutos Tecnológicos, que formam a Rede Itego. Mais: o Sistema S, mesmo cobrando preços astronômicos, é especializado em ministrar formação profissional inicial, mas resiste a disponibilizar cursos técnicos de aprofundamento – essa a verdadeira carência do mercado de trabalho em Goiás. Caiado, se quiser melhorar a produtividade do trabalhador goiano, deveria priorizar o investimento nos institutos tecnológicos, que, hoje, são mais de 20, mas funcionando em caráter precário.

 

No caso das startups, a proposta do novo titular da SEDI, caso bem sucedida, teria o efeito de revolucionar as teorias econômicas, já que em nenhuma parte do mundo, até hoje, coube às pequenas empresas o papel de definidoras de uma nova base produtiva. Essa função é sempre dos grandes empreendedores, trabalhando com P & D, ou seja, pesquisa e desenvolvimento, área em que Goiás, de fato, ainda é incipiente.

 

Enfim, são dois projetos do novo governo que, provavelmente, não passarão do campo das boas intenções.

09 jan

Investigação policial derruba o nome de Marconi para próximo presidente do PSDB, que será escolhido em maio e será definido por João Dória e Geraldo Alckmin (amigos do tucano goiano)

O próximo presidente nacional do PSDB será eleito em maio próximo e será definido em sintonia entre o governador de São Paulo João Dória e o ex Geraldo Alckmin. Ambos são amigos do peito do ex-governador Marconi Perillo(foto acima, dos velhos e bons tempos) e não hesitariam em indicar o seu nome para o posto, mas estão com as mãos amarradas diante das investigações policiais sobre o tucano goiano.

 

É só um exemplo dos prejuízos que Marconi está sofrendo por ter se transformado em alvo de uma sequência de operações policiais – no mínimo cinco, a Monte Carlo, a Lava Jato, a Decantação, a Cash Delivery e a Compadrio, sendo que nessas duas últimas ele foi apontado como “chefe de uma quadrilha especializada em desviar recursos públicos”.

 

Tudo isso inviabilizou o nome do ex-governador de Goiás não só em Goiás, mas para qualquer vôo nacional – e pode, inclusive, comprometer a consultoria que está prestando à Companhia Siderúrgica Nacional, ajeitada por João Dória. Se houver novos desdobramentos para essas ações policiais, envolvendo Marconi, ele dificilmente terá o seuj vínculo com a CSN mantido, já que a companhia obedece a rígidas normas de governança em razão das ações que tem negociadas no pregão da Bolsa de Valores de São Paulo.

 

Marconi está morando em São Paulo. Não se afastou da política, no entanto, nem de Goiás. Quando vem a Goiânia, monta uma agenda de conversas no seu escritório no setor Sul, chamando políticos de confiança e falando em estruturar uma oposição sólida e aguerrida ao governador Ronaldo Caiado. Até agora, não tem colhido nenhum resultado.

09 jan

Plano B dos deputados rebeldes, que querem “zerar a Assembleia, é lançar a candidatura de um parlamentar do PROS e derrotar Álvaro Guimarães, que eles vêem comprometido com a “velha política”

Melhorou e muito a cotação da candidatura de Álvaro Guimarães para a presidência da Assembleia, com o acordo que ele fez para garantir os seis votos da futura bancada do PROS (Rubens Marques, Cairo Salim e Vinícius Cirqueira, já no partido, e Rafael Gouveia e Wagner Neto, que vão se filiar, juntamente com Karlos Cabral, integrado ao bloco, mas ainda sem saber se vai deixar o PDT), mas daí a concluir que a parada está resolvida vai uma distância muito grande.

 

E especialmente diante do plano B dos deputados que defendem uma limpeza geral no Poder, que, segundo eles, deve ser “zerado” com a eliminação das influências do ex-governador Marconi Perillo e dos últimos ex-presidentes, que ainda deteriam o controle de contratos, de diretorias e da nomeação de fatias de funcionários comissionados. Esse discurso tem alto poder de convencimento, já que implicaria na redistribuição dessas regalias entre os próprios 41 deputados que compõem a Assembleia, e representa uma ameaça muito forte para a candidatura de Álvaro Guimarães.

 

O plano B é a retirada da candidatura do Dr. Antônio e o lançamento de um nome escolhido dentre os seis parlamentares da bancada potencial do PROS. Isso traria os votos do grupo, que se somariam aos 16 já articulados e levaria a uma maioria de 22 votos, suficiente para definir a fatura – infelizmente com a derrota de Álvaro Guimarães. Um problema – e grave – a resolver é a preferência do governador Ronaldo Caiado por Álvaro, que ele tem assumido ostensivamente em detrimento de uma posição de distanciamento dos assuntos internos do Legislativo, aparentemente a mais aconselhável a qualquer chefe de Executivo.

 

Há uma tendência – a favor de Álvaro Guimarães, mas não uma certeza de que ele está com o caminho livre até a presidência da Assembleia.

09 jan

Dependência de uma solução milagrosa vinda do governo federal, esperança de Caiado e da secretária Cristiane Schmidt, pode comprometer ou no mínimo atrasar o início do novo governo

O governador Ronaldo Caiado depositou todas as esperanças de fazer uma boa gestão na hipótese de uma solução milagrosa que viria de alguma forma do governo federal – através, não tem como ser diferente, do aporte de recursos financeiros, especialmente através da inclusão do Estado no Regime de Recuperação Fiscal, que não coloca dinheiro diretamente, mas alivia obrigações como o pagamento das parcelas das dívidas (no RRF, elas são suspensas por três anos).

 

Se tivesse consultado um dos mais experientes e traquejados administradores de Goiás, que é o prefeito de Goiânia Iris Rezende, Caiado ouviria um conselho: não programe nada na sua administração que não dependa exclusivamente dos seus meios e recursos. Em outras palavras: não conte com nada de fora ou extraordinário. Faça o planejamento e a execução do seu governo confiado apenas no que pode ser realizado por conta própria e deixe qualquer coisa além disso como uma espécie de lambujem, nada mais.

 

É uma opinião que expressa sabedoria, ainda mais vindo de onde vem. Mas Caiado segue imprudentemente em direção oposta. Não há razões políticas para que o seu governo receba de Brasília tratamento privilegiado, já que o novo governador só deu apoio a Jair Bolsonaro no 2º turno, quando a sua eleição era praticamente certa. No 1º turno, Caiado não pediu votos para o capitão. Além disso, a orientação doutrinária do ministro da Economia Paulo Guedes é liberal, ou seja, contra favorecimentos estatais e totalmente restritivos quanto a gastos – menos ainda para cobrir rombos de Estados de pouca importância no cenário nacional.

 

Se o governo federal fechar a portas para Caiado, a sua gestão perde o discurso e fica no ar. No mínimo, vai começar lá para março ou abril, desperdiçando um tempo preciso para os goianos.

Página 2 de 10812345...102030...Última »