Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt e convidados sobre política, cultura e economia

09 out

Tensão com o depoimento de Marconi nesta quarta, às 15 horas, faz a Polícia Federal adotar esquema especial de segurança em sua sede em Goiânia

O ex-governador e candidato derrotado ao Senado Marconi Perillo vai depor nesta quarta-feira, às 15 horas, no inquérito que apura as propinas que a Odebrecht teria destinado a ele, através do seu ex-tesoureiro de campanha Jayme  Rincón. Ele será recebido, devidamente acompanhado pelo seu advogado Kakay, no prédio da Polícia Federal, em frente ao campo do Goiás. Providências especiais estão sendo adotadas para resguardar a segurança do ex-governador e para controlar o fluxo de jornalistas, equipes de televisão e curiosos que devem se aglomerar no local na hora da oitiva.

 

Não está afastada a hipótese de prisão temporária ou preventiva de Marconi no momento do depoimento.

09 out

Mitos que a eleição derrubou(4): candidato da máquina governista sempre tem 30% dos votos, seja ele quem for, mas… dessa vez, nesse papel, Zé Eliton foi tão ruim que não passou de 13,7%

Uma das regras mais cultivadas da história das eleições em Goiás reza que o candidato apoiado pela máquina governista tem sempre 30% dos votos, no mínimo, em qualquer circunstância, só em razão da sua base de apoio.

 

Dessa vez, não. O representante das forças do governo Zé Eliton teve apenas 13,7%, chegando no final em 3º lugar atrás de Daniel Vilela, que não teve uma fração dos recursos, estrutura e sustentação que estiveram a favor do Zé.

 

A votação do candidato governista foi, digamos assim, pouco superior a de um nanico, tanto que ficou a distância mínima de Kátia Maria, do PT, que alcançou 9,16% nas urnas – em Goiás, o PT é praticamente um partido nanico.

 

Zé foi um fiasco tão grande que desmoralizou até as leis gerais da política.

09 out

Mitos que a eleição derrubou(3): antes da eleição, diziam que Caiado não tinha perfil majoritário, não agregava e, devido ao temperamento, estava fadado a cometer erros fatais, mas não foi isso que aconteceu

Poucas vezes o resultado de uma eleição, em Goiás, desmontou tantos pensamentos preconcebidos e até mesmo preconceitos.

 

Antes da eleição, os adversários de Ronaldo Caiado espalhavam aos quatro ventos que ele não tinha perfil majoritário (só havia vencido pleitos proporcionais, tendo perdido as duas eleições para governador e para presidente que disputou), não seria um político agregador, devido ao histórico de conflitos com outros líderes estaduais, e, principalmente, por ser dotado de um temperamento supostamente explosivo, acabaria cometendo erros durante a campanha e pavimentaria a sua própria derrota.

 

Veio a campanha, a caravana vitoriosa de Caiado passou e seus concorrentes ladraram sem resultado nenhum. Caiado revelou um forte perfil majoritário, jamais visto antes em Goiás (ganhou no 1º turno com praticamente 60% dos votos), conquistou o apoio de partidos e de políticos individuais muito mais que qualquer outro candidato e, o melhor de tudo, comportou-se com esmero, aguentou desaforos nos debates, não retrucou e não incorreu em um único escorregão. Ganhou bonito, com o menor tempo de TV e, importante, sem atacar e sem se posicionar com agressividade contra os concorrentes.

 

Eles, sim, é que não tinha nenhum perfil majoritário ou eleitoral (Zé Eliton), não conseguiram agregar (Daniel Vilela, que reuniu três partidos divididos, especialmente o seu, o MDB) e por último cometeram erros em cascata, notadamente o Zé.

09 out

Mitos que a eleição derrubou(2): maior tempo no horário eleitoral deveria conferir vantagem significativa, mas não foi o que houve em Goiás, já que Zé Eliton, o número um no rádio e TV, ficou em 3º lugar

Um dos maiores mitos das eleições brasileiras caiu por terra, mais uma vez, em Goiás: a crença de que o maior tempo no rádio e na televisão confere automaticamente vantagem significativa a um candidato majoritário.

 

Zé Eliton, representante da coligação do PSDB, comemorou desde o início da campanha os 3:27 que teria no rádio e na TV, quase o triplo do tempo de Ronaldo Caiado, que ficou com apenas 1:19, enquanto Daniel Vilela também conseguiu um bom naco, com 2:18.  Caiado saiu atrás até da petista Kátia Maria, que levou 1:26.

 

Pois bem: o candidato democrata venceu a eleição no 1º turno, com praticamente 60% dos votos. Zé Eliton, o suposto privilegiado em matéria de programas eleitorais, amargou um humilhante 3º lugar. Daniel, o 2º lugar. Kátia Maria, como se sabe, terminou em 4º.

 

Tempo de rádio e televisão, para quem não tem nada a dizer, não serve para muita coisa.

09 out

Habeas-corpus preventivo é a única saída de Marconi, obrigado a partir desta quarta a comparecer à Polícia Federal para dar o seu depoimento sobre as propinas da Odebrecht

A partir desta quarta, o ex-governador e candidato derrotado ao Senado Marconi Perillo perde a imunidade que o impedia de ser preso 15 dias antes e dois dias após as eleições.

 

Marconi será obrigado a comparecer à Polícia Federal, para depor sobre as propinas da Odebrecht que estão sendo investigadas na Operação Cash Delivery. Será uma situação tensa: ele poderá ser preso preventiva ou temporariamente durante esse depoimento (teoricamente também antes ou depois), já que o Ministério Público Federal e a Justiça Federal entenderam, em despachos seguido, que há provas do seu papel de líder de uma organização criminosa especializada em troca suborno por favores governamentais, juntamente com o ex-presidente da Agetop Jayme Rincón.

 

O ex-governador não tem saída: necessita desesperadamente de um habeas-corpus preventivo. Que pode ou não ser concedido pelo Superior Tribunal de Justiça.

09 out

Derrota de Marconi é tão completa e total que outro dos seus arqui-inimigos, Alcides Rodrigues, ressurgiu das cinzas, ganhou para deputado federal e vai ter influência no governo Caiado

Nunca um grande líder da política em Goiás sofreu uma derrota tão avassaladora quanto o ex-governador Marconi Perillo nesta eleição que se encerrou no último domingo.

 

Marconi perdeu, seu candidato a governador, o Zé, perdeu, seus deputados estaduais do peito perderam (Francisco Oliveira e Eliane Pinheiro), seus deputados federais de confiança perderam (exemplo: Giuseppe Vecci), Ronaldo Caiado se elegeu para governador, Jorge Kajuru para senador e… detalhe irritante, seu arqui-inimigo Alcides Rodrigues conquistou um mandato de deputado federal – pela coligação de Ronaldo Caiado, o que lhe dará projeção dentro do novo governo.

 

Pela mesma porta que Marconi sai enxotado, entra Alcides glorificado.

08 out

Mitos que a eleição derrubou(1): exército de quase 200 prefeitos, que a base governista apresentava como sua maior arma, foi um traque que não acrescentou um décimo de ponto a Zé Eliton

O tão alardeado apoio de quase 200 prefeitos, que Zé Eliton e Marconi Perillo cantaram em prosa e verso durante a toda a fracassada campanha dos dois, não passou de um ilusão que se desfez em fumaça assim que as urnas se abriram na noite no último domingo.

 

Prefeitos são o elo mais fraco da cadeia política do Estado. Em sua maioria, são mal avaliados pelas suas comunidades, decepcionaram as expectativas que criaram na eleição, nomeiam a família, administram pessimamente e só cuidam dos próprios interesses. Em troca de verbas ou mesmo de promessas de, vendem a alma ao diabo. E isso não é novidade – Marconi, pelo menos, deveria se lembrar de que, em 1998, derrotou Iris Rezende com o apoio de apenas 33 deles. O todo-poderoso cacique peemedebista tinha 213 ao seu lado e perdeu.

 

Uma campanha ancorada no apoio de 200 prefeitos, que tinha nesse exército a sua principal arma, jamais daria certo, como não deu, com um custo altíssimo para Marconi e Zé, que precisavam de canhões para vencer um adversário de estatura como Ronaldo Caiado, mas só contaram com um traque.

08 out

Onda de hipocrisia: vencidos em Goiás vão ao Instagram para agradecer Deus, a família, os amigos e os votos que tiveram, insuficientes, mas ninguém faz autocrítica sobre as causas da derrota

O Instagram foi tomado nesta segunda-feira por uma onda de candidatos derrotados nas eleições de domingo, em Goiás, todos justificando hipocritamente da melhor forma o fiasco, mas nenhum se atrevendo a uma autocrítica sobre as verdadeiras causas do fracasso.

 

Estão lá desde o ex-governador Marconi Perillo até deputados estaduais e federais como Fábio Souza, Francisco Oliveira, Eliane Pinheiro, Giuseppe Vecci (esse extrapolou, ao afirmar que “não conseguimos nos eleger, mas fizemos uma campanha vitoriosa”, dá para entender, leitor?), Kátia Maria, Mané de Oliveira e até o 1º suplente derrotado de Lúcia Vânia, o presidente da Assembleia Zé Vitti. Todos trabalharam com a máxima honestidade, pensando somente nos interesses dos goianos, mas infelizmente faltaram alguns votos e aí a festa acabou etc e tal. Fábio Souza anunciou que se afasta da vida política e vai se dedicar à sua igreja evangélica. Mané de Oliveira também largou a política.

 

Nenhum, mas nenhum mesmo, foi capaz de um comentário consequente sobre a carta de demissão que receberam nas urnas. Algo que servisse para uma reflexão séria ou que deixasse uma contribuição para os leitores do Instagram.

 

Nada. E Deus ainda ficou com a responsabilidade de ter derrubado tanta gente.

08 out

Futuro de Marconi na política depende dos processos judiciais e do que fará, se for possível fazer alguma coisa, para reverter a imensa rejeição que adquiriu entre os goianos

A espada da democracia é o voto. E ela, neste domingo da eleição, cortou o pescoço do ex-governador e candidato ao Senado Marconi Perillo.

 

Não foi uma derrota qualquer. Marconi foi duramente passado  na lâmina pelos goianos – só faltou comemoração nas ruas. Não é que a maioria dos votos para o Senado foi conquistada por Vanderlan Cardoso e Jorge Kajuru. Grande parte desses votos foi para Vanderlan e principalmente para Kajuru como instrumento para tirar o ex-governador do jogo político. Contra Marconi, o voto foi para eles.

 

As últimas pesquisas antes da eleição mostraram que a rejeição ao tucano fundador do Tempo Novo, que já era grande, acima de 40%, havia explodido e ultrapassara os 50%. Ou seja: inacreditavelmente, metade dos eleitores de Goiás citaram o nome de Marconi ao responder à pergunta: “Em que você não vota de jeito nenhum para o Senado?”. É tóxico.

 

Continuar na política com uma rejeição desse tamanho é simplesmente impossível. É a primeira barreira que Marconi terá que superar, se quiser algum futuro. E pelo que ele mostrou na sua malsucedida campanha, ele não sabe o que fazer para diminuí-la. O outro obstáculos serão os processos judiciais, como o da Operação Cash Delivery. Aí pode complicar – e muito.

08 out

Rapidez com que Zé Eliton propôs abrir o governo para uma equipe de transição de Caiado desperta suspeitas de que está sendo montada uma armadilha para o futuro governo

A abertura do governo do Estado ao trabalho de uma equipe de transição indicada pelo governador eleito Ronaldo Caiado pode embutir uma armadilha, e perigosa, para a futura gestão estadual.

 

Foi surpreendente a rapidez de Zé Eliton: na mesma noite em que o TRE anunciou o resultado oficial da eleição, ele convocou uma entrevista coletiva e informou ter telefonado a Caiado, para os cumprimentos protocolares de praxe, e também para solicitar a ele o encaminhamento de uma equipe de transição, que seria bem recebida no intuito de levantar informações úteis fundamentar as ações iniciais do novo governo.

 

Aparentemente, um gesto de respeito aos valores republicanos e muita educação cívica. Mas… pode ser que nem tanto. Transições de uma administração para outra costumam ser complexas e envolvem aspectos delicados da guerra política. São usadas, por exemplo, como argumento de defesa quando os novos gestores, já empossados, se deparam com problemas graves  e até irregularidades, que eles, teoricamente, já teriam conhecido durante o rito de passagem. Qualquer acusação ou denúncia passariam, assim, a ser pura manipulação. Por isso, há casos em que governos que estão entrando se recusam a enviar equipes de transição, para evitar que depois venham a ser maliciosamente usadas na defesa da herança maldita deixada.

 

É recomendável que Caiado, do alto da sua notável experiência e, por que não?, sabedoria política, tome o máximo de cuidado com essa estória de “transição”. Com esse pessoal, escolado por 20 anos de poder, não se brinca.

08 out

Apesar do choro dos tucanos, institutos de credibilidade – como Serpes, Grupom, Ibope e Diagnóstico – acertaram os resultados da eleição, alinhados dentro da margem de erro

A temporada eleitoral que se encerrou neste domingo teve, pelo menos em Goiás, um bom acompanhamento das expectativas, durante a campanha, a cargo dos institutos de pesquisa que atuaram na aferição das tendências do eleitorado – e é claro que estamos falando dos institutos de credibilidade.

 

Assim, para ficar nos quatro mais importantes – Serpes, Grupom, Ibope e Diagnóstico -, tivemos bons levantamentos, que correram alinhados entre si, dentro da margem de erro, e acabaram antecipando com clareza o rumo que a eleição tomaria no momento da decisão final nas urnas eletrônicas. Esses institutos, com diferenças numéricas aceitáveis dentro das regras metodológicas das pesquisas, prenunciaram o resultado, ou seja, Ronaldo Caiado no 1º turno e Zé e Daniel a uma distância grande, mas praticamente emparelhados.

 

Dos três principais candidatos, só um brigou com as pesquisas – Zé Eliton, inconformado com o que, apurados os votos, foi ainda pior: o seu empate técnico com Daniel Vilela, em 2º lugar, que se metamorfoseou nos boletins do TRE para uma queda ainda maior e a sua classificação enfim em 3º lugar. Que fique a lição: candidato ou campanha que combate pesquisa, é porque está perdendo e aí o cenário fica mais negativo – essa é a mensagem que chega ao eleitor e ela não é construtiva.

08 out

Maior vexame da eleição, pesquisas do Directa apresentaram Zé Eliton com 26% das intenções de voto e foram usadas pelos tucanos para iludir a militância com a “virada” que nunca houve

Vai ficar para a história: não houve maior vexame, nesta eleição, que as pesquisas do instituto Directa, contratadas pela campanha tucana através da rádio Jovem Pan (de Marcus Vinicius Queiroz, um dos publicitários que trabalhou para a coligação do PSDB), que chegaram a trazer Zé Eliton com mais de 26% das intenções de voto.

 

Se fossem verdadeiras, as pesquisas do Directa teriam identificado um dos maiores fenômenos eleitorais do Brasil, quiçá do planeta. Mesmo assim, os levantamentos foram utilizados pela campanha tucana para iludir a militância e sustentar o mote da “virada”, ou seja, a reação que nunca houve de Zé Eliton – que, na verdade, não só estava estacionado na faixa dos 10%, como acabou caindo na reta final para o 3º lugar.

 

“Vira virou”, como cantou em coro a militância do Zé, houve, sim, mas na corrida pelas duas vagas ao Senado, com os dois líderes iniciais, Marconi Perillo e Lúcia Vânia, despencando para o 4º e o 5º lugar, enquanto Vanderlan Cardoso e Jorge Kajuru ascendiam para a vitória.

08 out

No pós-urnas, Caiado foi grande ao propor a pacificação da política estadual, Zé Eliton o burocrata de sempre, preocupado com a transição, e Daniel Vilela o ressentido, ao continuar atacando

Anunciados os resultados das urnas, os três principais candidatos ao governo do Estado tiveram comportamentos e posturas completamente diferentes.

 

Ronaldo Caiado saiu-se muito bem, apresentando uma proposta geral de pacificação da política estadual, evitando colocar o pé do vencedor sobre o peito dos vencidos e mais uma vez reafirmando a tremenda autoridade moral que, mais que qualquer outro atributo, contribuiu decisivamente para a sua vitória e será, como sempre repete, o motor das mudanças a serem introduzidas no governo do Estado.

 

Zé Eliton foi Zé Eliton. Não passou recibo para a humilhação do 3º lugar, pouco para quem representou a poderosa máquina governista, teve o apoio de quase 200 prefeitos e desfrutou do maior tempo de televisão. Fez um pronunciamento insosso, como sempre, e quis se apresentar como o estadista que não é nem nunca será ao abrir as portas do governo para uma equipe de transição, caso Caiado queira – Caiado quer, mas não tem pressa.

 

Por fim, Daniel Vilela, o autor da segunda maior façanha desta eleição (depois que Caiado ganhou no 1º turno) , ao superar o candidato governista e se classificar em 2º lugar sem contar com quase nenhuma estrutura ou base política e partidária. Postulante mais agressivo em suas colocações, durante a campanha, continuou na ofensiva, parabenizando meio que friamente Caiado pelo triunfo, mas ainda aproveitando para disparar as últimas críticas, reafirmando que o democrata não apresentou propostas e que, assim, teria chegado na frente em função de fatores como “a política nacional” ou “porque a população não cobrou projetos”. Um pingo é letra: o emedebista, na verdade, apenas mostrou ressentimento pela derrota.

08 out

Votação de Marconi foi pífia: 416.613 votos ou 7,55% do total, correspondente a um quarto do que Vanderlan ou Kajuru tiveram individualmente

O ex-governador e candidato derrotado ao Senado Marconi Perillo precisa mergulhar em uma reflexão profunda e abandonar o seu complexo de superioridade – evidente, mais uma vez, na carta-testamento que ele distribuiu depois de oficializado o resultado das urnas, em que, da primeira à última linha, enaltece a si mesmo.

 

Politicamente, os goianos aproveitaram o domingo de eleições para reduzir Marconi a pó de traque, dando a ele apenas 416.613 votos ou pífios 7,55% do total, enquanto consagraram Vanderlan Cardoso e Jorge Kajuru com quatro vezes mais para cada um, na faixa de um milhão e meio de votos para um e para outro.

 

Isso não acontece por acaso nem pode ser atribuído apenas à Operação Cash Delivery, em que a Polícia Federal, a poucos dias da eleição, vasculhou casas do ex-governador e prendeu seu ex-tesoureiro de campanha Jayme Rincón. Mesmo antes da ação da Polícia Federal, Marconi já beirava os 50% de rejeição, taxa que ele superou às vésperas do pleito.

 

Fazer política do alto de um pedestal foi o erro de Marconi.

08 out

Em carta-testamento logo após a derrota, maior do que se esperava, Marconi continua falando de passado (“meu legado”), não faz autocrítica nem reconhece ter cometido erros

Na noite de domingo, logo após confirmada a sua derrota – em termos piores do que se esperava, já que ficou em 5º lugar – o ex-governador e candidato ao Senado Marconi Perillo distribuiu uma nota oficial comentando a sua queda.

 

Foi uma espécie de carta-testamento, em que ele, como fez durante toda a campanha, falou de passado, do tal “legado” que teria deixado para os goianos e a história – “um marco sem precedentes de realizações, de transformações, de transparência e de honestidade”, exagera. Fez alguns agradecimentos e sugeriu que vai se afastar da política, pelo menos por um bom tempo, para se dedicar “à minha família, à minha saúde, aos meus amigos e ao meu primeiro neto, que em breve virá ao mundo”. Não mostrou nenhuma autocrítica nem admitiu ter cometido qualquer erro.

 

Marconi, definitivamente, deixou de ser Marconi. Vai ser muito difícil voltar.

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