Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

06 maio

Ao impor Jânio Darrot como novo presidente do PSDB, Marconi comete mais um equívoco grave, impede a renovação do partido e compromete o futuro dos tucanos de Goiás

Uma boa pessoa, mas no lugar errado e, mais ainda, na hora errada. É como pode ser definido o novo presidente estadual do PSDB, o prefeito de Trindade Jânio Darrot, nome que o ex-governador Marconi Perillo atravessou na garganta do partido em Goiás para matar no berço qualquer tentativa de renovação e assegurar o seu controle direto – mesmo na situação de fragilidade política em que se encontra, a legenda conta com um caixa mensal de R$ 300 mil reais, dinheiro que pode ser gasto à vontade com viagens, assessores, advogados, eventos e até aviões e helicópteros.

 

Empresário bem sucedido e prefeito, Jânio Darrot não precisa da estrutura do PSDB para atender aos seus interesses. Todo esse aparato, portanto, ficará à disposição de Marconi, que o usará para custear a sua sobrevivência política e enfrentar o cerco judicial de que é alvo. Na verdade, o tucano-mor de Goiás apenas repete a estratégia desastrosa de Iris Rezende quando foi apeado do poder em 1998 e, mesmo com o então PMDB em frangalhos, nunca permitiu a sua reoxigenação e o manteve sob mão de ferro – o que ajudou a construir 20 anos de derrotas consecutivas nas urnas, com exceção de três mandatos como prefeito de Goiânia que Iris conquistou para ele mesmo e de nada serviram para o partido.

 

Para enfiar Jânio Darrot goela abaixo do PSDB goiano, Marconi só precisou de algumas ligações diretamente de São Paulo, onde está morando. Alguns poucos que chegaram a falar em refundação, em autocrítica, em definir um perfil oposicionista, enfiaram rapidamente a viola no saco e dobraram os joelhos. O prefeito de Trindade foi aclamado, com um discurso em que exaltou as realizações dos governos do Tempo Novo, o que não só agrada, mas é exigência  do ex-governador (a tal defesa dolegado, mote que, repetido dia e noite na última campanha, deu a Marconi o 5º lugar na disputa pelas duas vagas senatoriais). O novo presidente, assim, mostrou qual será a sua estratégia no cargo: não só olhar para trás, mas também andar para trás.

04 maio

Caiado dá um passo atrás e reduz a influência da primeira-dama Gracinha na área política, que vinha mais atrapalhando do que ajudando o andamento do governo e a relação com a classe política

O governador Ronaldo Caiado decidiu – e comunicou a alguns interlocutores de importância – reduzir a influência da primeira-dama Gracinha na área política, que vinha mais atrapalhando que ajudando a articulação política do governo, maiormente os esforços para a constituição de uma base de apoio na Assembleia até hoje não formatada, o que coloca no plano da incerteza a aprovação de projetos fundamentais como a segunda parte da reforma administrativa, já entregue ao Legislativo para apreciação.

 

Mulher de governador interferindo, por exemplo, nas relações com os deputados, é o mesmo que usar gasolina para tentar apagar incêndios. Raramente dá certo e cria situações incômodas, que o bom senso manda que sejam evitadas para o bem de todos e notadamente no caso de um homem de vida austera como Caiado. No Brasil, o histórico de primeiras-damas se metendo na política corresponde aos Estados do nordeste, não por acaso a região mais atrasada do país. Em Goiás, não há registro, pelo menos nos últimos 50 ou 60 anos, de nada parecido com a atuação da atual primeira-dama em todas as frentes do governo. Nem mesmo dona Iris, que inclusive se lançou na política e chegou a se eleger deputada federal, foi tão longe quanto dona Gracinha (que, a propósito, parece também aspirar a uma carreira própria e também disputar eleições).

 

Ela assumiu, por exemplo, as delicadas funções de recebimento e filtragem das indicações de políticos, principalmente deputados, para cargos no governo. Trata-se de um terreno pantanoso e delicado, ainda mais quando a primeira-dama defende a “nova política”, isto é, que o governador, tendo sido eleito em um processo de mudança, não enverede pelo mesmo caminho fisiológico que torrou o prestígio dos seus antecessores e acabou condenado pelos goianos nas urnas. Além disso, é uma espécie de “segunda” voz da gestão, diante da qual o secretariado e demais envolvidos se quedam indefesos e, de vez em quando, em choque com as ordens do próprio chefe do Executivo.

 

Caiado resolveu afastar Gracinha mais para preservar a sua família e menos para melhorar a articulação política do governo. É que ele tem ojeriza especial por críticas ou colocações, de políticos ou na mídia em geral, que citam parentes próximos seus em qualquer circunstância, caso do deputado Alysson Lima, do PRB, que bateu o bumbo sobre um evento festivo no Palácio das Esmeraldas promovido pelas filhas do governador e pediu a abertura de uma investigação sobre as despesas a respeito. “Esse está na lista de desafetos de Caiado para sempre” disse a este blog um amigo dos dois.

03 maio

Faça o que eu falo, não o que eu faço: deputado do chapéu criticou parentes em cargos na Assembleia, mas indicou o próprio irmão para uma diretoria da Codego (e Caiado já nomeou)

O deputado estadual Amauri Ribeiro, aquele da polêmica do chapéu, que, a propósito, ele venceu, sendo autorizado a se apresentar no plenário da Assembleia ostentado o seu precioso acessório, transformou-se rapidamente em típico exemplo de político moralista… quando se trata dos outros. Ele indicou e o governador Ronaldo Caiado nomeou o seu irmão Alexandre Ribeiro para a diretoria financeira da Codego, órgão que, se a nova gestão tivesse juízo, já teria extinguido para fechar mais um ralo por onde se esvai o dinheiro público em Goiás.

 

Amauri Ribeiro, antes de tomar posse, teve os seus 15 minutos de glória ao conceder entrevistas denunciando o descalabro administrativo e financeiro dentro da Assembleia, onde, segundo suas palavras textuais, “a maioria dos cargos são de indicações de governadores, deputados e outros políticos. Compõem o quadro de funcionários da Assembleia Legislativa: filhos e primos de ex-governadores; irmãos de vereadores e ex-deputados; filhos e irmãos de deputados; e, irmãos de ministros. Todos nomeados com remuneração de até R$ 20 mil”. Na época, ele prometeu que confirmaria sua denúncia com documentos assim que assumisse e levaria um dossiê ao Ministério Público, para as devidas providências.

 

Com menos de dois meses investido no mandato, o deputado mudou hipocritamente de ideia. Encostou a barriga no balcão de negócios aberto por Caiado para negociar cargos por apoio na Assembleia e tratou de indicar entre os beneficiados o próprio irmão.

03 maio

Reforma administrativa de Caiado, em uma primeira análise, tem roupagem essencialmente jurídica e parece não economizar tanto quanto está sendo anunciado

Já dentro do oitavo mês desde que foi eleito, o governador Ronaldo Caiado finalmente deu à luz a sua reforma administrativa, um projeto caudaloso com mais de duas centenas de páginas que ele entregou nesta quinta, 2 de maio, à Assembleia Legislativa – onde já recebeu, em menos de uma hora de tramitação, um primeiro parecer favorável, na Comissão de Constituição e Justiça (o que mostra que os deputados da atual Legislatura seguem repetindo os maus hábitos das antigas).

 

Apelidada de “segunda parte”, a reforma administrativa que chegou aos parlamentares tem um foco muito forte na reorganização jurídica do Estado, até aqui determinada por um cipoal de leis – tanto que o projeto revoga quase três dezenas delas, de uma tacada só, já que se sobrepunham, às vezes se repetiam ou, mesmo, estavam em contradição umas com as outras. É um passo importante essa racionalização, embora, na prática, restrito a uma exagerada preocupação com a forma e não com o conteúdo. É fácil entender o porquê: no governo Caiado, a Procuradoria Geral do Estado cresceu em poder e hoje controla com mão de ferro todos as secretarias e órgãos, mantendo em cada uma, no mínimo, um representante que dá a palavra final sobre qualquer ato ou decisão. Isso, no final das contas, resulta em uma visão essencialmente jurídica dos processos governamentais, que pode ser identificada com clareza na segunda parte da reforma administrativa.

 

Caiado havia prometido cortes, que acabaram limitados ao quantitativo de cargos, ainda a conferir, porque o governador tem por costume ser exageradamente otimista com os valores que frequentemente anuncia estar economizando, sem maiores comprovações. Na primeira etapa da reforma, o Palácio das Esmeraldas comemorou uma redução de despesas que, em poucos dias, viu-se que era ilusória e não passava de R$ 10 mil reais por mês e mesmo assim número que tem que ser avaliado com alguma benevolência. No novo projeto, não houve extinção ou liquidação de setores do governo que geram gastos, mas não correspondem a nenhum tipo de finalidade pública, como a Goiásgás, a Celg Telecom, a Agência Brasil Central e muitas outras estruturas que sobrevivem apenas para ajudar a drenar o precioso dinheiro dos goianos, daí a impressão de que o governador foi moderado e sem ousadia no que chamou de redesenho da máquina administrativa em Goiás.

 

De pronto, é possível afirmar – e as críticas e o exame profundo que será feito nos próximos dias sobre o projeto vão confirmar ou não – que é fantasiosa a economia de R$ 400 milhões, até o fim do seu mandato, propagandeada pelo próprio Caiado nas primeiras entrevistas sobre a reforma. Ele errou nas contas na primeira parte e pode estar errando de novo, na segunda. Aliás, enquanto ele fala em R$ 400 milhões, a sua equipe cita algo em torno de R$ 480 milhões. As divergências, como se vê, vêm do berço.

03 maio

Paulo Beringhs volta a comentar e a analisar a política em Goiás. Veja o vídeo de apresentação

O apresentador Paulo Beringhs sempre se notabilizou pela língua ferina e originalidade das análises e abordagens que faz sobre a política em Goiás. No ano passado, ele postou vídeos curtos, quase que diários, comentando o andamento da campanha eleitoral e, depois, os resultados. Neste ano, esteve afastado até agora, mas já está de volta com uma nova rodada, que começa no próximo dia 13 de maio.

 

Veja o primeiro vídeo, em que ele anuncia e dá detalhes sobre a série, que vai se chamar “A Minha Opinião”, que será postada em parte também aqui neste blog.

02 maio

Adesão a Caiado de jovens deputados eleitos ao lado de Marconi surpreende e mostra que a velha política sobrevive independentemente da idade dos seus protagonistas

Eleitos ao lado do ex-governador Marconi Perillo e depois de iniciar a carreira apoiando entusiasticamente os governos do PSDB, os deputados estaduais Diego Sorgatto (PSDB), de 28 anos; Virmondes Cruvinel, (Cidadania, ex-PPS), de 39 anos; e Thiago Albernaz (ex-PSDB, atual Solidariedade), também de 28 anos, (fotos acima nesta ordem), confirmam que a presença de jovens na política nem sempre tem compromisso com a renovação e muitas vezes se pauta pelas velhas práticas do fisiologismo: eles aderiram ao governador Ronaldo Caiado em troca de vantagens oferecidas pelo “balcão de negócios” instalado pelo Palácio das Esmeraldas para conseguir votos na Assembleia (um exemplo: Virmondes Cruvinel indicou e Caiado nomeou sua mãe Rose para a chefia de gabinete da Emater).

 

Fosse um processo de ideias e propostas, ninguém diria nada. Possivelmente, os três seriam até aplaudidos. Nem toda adesão embute um componente de questionamento moral e, embora raramente, pode ter a ver com o interesse público e um eventual redirecionamento a favor das forças que fazem a história avançar. Não é o caso. Diego, Virmondes e Thiago (este deve ter feito o avô Nion Albernaz se revirar no túmulo) pularam para as hostes caiadistas apenas para se beneficiar de cargos e nomeações – nenhum deles, até agora, deu qualquer palavra para explicar a mudança de posição e, pior, em tão pouco tempo.

 

Adesões, como se sabe, pegam mal para quem adere e igualmente a quem se adere. Caiado, apesar dos seus quase 70 anos (que completará em 29 de setembro próximo), se diz um defensor da “nova política” e, é preciso reconhecer, teve uma carreira de pouco toma-lá-dá-cá e menos ainda jamais trocou suas convicções por qualquer benesse, mas também nunca foi uma virgem imaculada transitando pelo bordel da política. Tanto que, investido pela primeiras vez em funções executivas, não hesitou e mandar seus articuladores oferecerem a deputados cotas de R$ 30 mil em nomeações e direito a indicações de diretores e superintendentes, inclusive com liberdade para apontar parentes – item em que ele mesmo se tornou um exemplo, designando Caiados a granel para a sua equipe de auxiliares, inclusive marido e mulher (caso de Aderbal, diretor da Agetop, e sua esposa Adriana, superintendente da OVG, ambos… Caiados).

 

Mas a verdade é que governo algum sobrevive sem a “velha política”. Nem os que são eleitos contra. Sobre familiares no governo Caiado, leia mais aqui.

02 maio

Acordo que aprovou o orçamento impositivo é derrota para Caiado e meia vitória para a oposição (e o bloco independente): por insegurança, ninguém quis testar a sua força no plenário

Governo e oposição (mais o bloco independente) chegaram a um acordo na Assembleia e aprovaram uma nova configuração para o orçamento impositivo, que prevê a obrigatoriedade do pagamento das emendas apresentadas pelos deputados ao Orçamento Geral do Estado. Nenhum dos lados tinha convicção sobre a sua força no plenário, todos cederam alguma coisa e, no final das contas, ficou estabelecido que o percentual reservado aos parlamentares será de 0,7% em 2020, exclusivamente nas rubricas da Saúde e da Educação; de 0,9% em 2021, sendo 70% para Saúde e Educação e os 30% restantes a livre escolha: e de 1,2% em 2022, divididos da mesma forma.

 

Além disso, as emendas foram retiradas da coluna de “restos a pagar”, lugar onde estavam e que permitiria ao Executivo pagar ou não. Ou então escolher quais pagar. No novo projeto, elas terão que ser quitadas automaticamente. E, em 2022, ano eleitoral, isso terá que acontecer até julho, dando aos deputados que se candidatarem à reeleição a chance de colher resultados positivos antes da data do pleito. Cá entre nós, é motivo de festa, principalmente para os oposicionistas

 

Sim, ficou bom para todos, na Assembleia, embora não como a oposição e o bloco independente desejavam. Mesmo assim, uma meia vitória. Para a base governista, sobrou um gosto ruim. Em qualquer Parlamento do mundo, toda vez que as forças da situação são obrigadas a engolir  alguma solução, trata-se de uma derrota. A ordem era rejeitar o projeto, mas parece que faltou confiança para levar a decisão para o voto. O acordo impôs um desgaste ao Palácio das Esmeraldas, que mais uma vez não conseguiu o que queria no Legislativo, mas não um tropicão ostensivo e acachapante como quando Lissauer Vieira foi eleito para a presidência garganta abaixo de Caiado. E deu algum tempo para que articuladores como o secretário de Governo Ernesto Roller continuem tentando formatar a margem de segurança necessária para que questões importantes como a segunda parte da reforma administrativa sejam submetidas à Assembleia.

02 maio

Falência do Hospital Materno-Infantil, que visitou uma dezena de vezes, e assassinato de professor em Valparaíso, mostram a Caiado que é hora de menos discurso e mais ação

Com o início do oitavo mês desde que foi eleito, a 7 de outubro do ano passado, o governador Ronaldo Caiado está sob o impacto de dois fatos tão tristes quanto desgastantes, que, a rigor, não são da sua total responsabilidade direta, mas de alguma forma dizem respeito às suas obrigações para com a sociedade: o fechamento do Hospital Materno-Infantil, em Goiânia, e o assassinato de um professor, dentro de uma escola, em Valparaíso, no Entorno de Brasília.

 

São situações que têm pouco a ver com política e muito com a presença do governo na vida dos cidadãos goianos, garantindo o atendimento à saúde e a segurança, deveres mínimos de qualquer governo. Mas, vá lá, admita-se que parte tem a ver com os erros e as omissões dos governos passados. Parte. Não há como isentar a atual gestão – ainda mais quando Caiado desde a posse, fez questão de visitar várias vezes o Hospital Materno-Infantil, leiloar carros de luxo do Palácio das Esmeraldas para repassar os recursos ao estabelecimento e até achar tempo para inaugurar uma incubadora. O governador também esteve em Valparaíso, no mês passado, cidade que fica em uma região notoriamente marcada pelo descontrole da violência e falta de ação efetiva das forças policiais, principalmente em operações de repressão. Nem no caso do HMI nem no da criminalidade, no Entorno e no resto de Goiás, foram adotadas providências fortes e convincentes o suficiente para evitar tragédias, valendo registrar que, há um mês, morreu uma criança de cinco anos nos corredores do hospital, sob o silêncio e falta de reação da Secretaria de Saúde.

 

O escritor Paulo Coelho é um místico que acredita que a vida envia sinais e que devemos nos esforçar para entendê-los e atuar de acordo. Acredite nisso quem quiser. Caiado, que fala demais e desenvolve dia a noite a teoria de um Estado mergulhado em calamidade financeira e administrativa, além de passar muito, mas muito tempo mesmo em Brasília, andando pelo Senado e visitando autoridades do governo federal atrás de uma ajuda que ainda não veio nem se sabe quando virá, se é que virá, recebeu os seus sinais através do fechamento do HMI e da morte desnecessária do professor – e não é preciso doses de misticismo para acreditar neles. São sinais claros. Está passando da hora de dar passos à frente na gestão, diminuir um pouco o discurso e oferecer para a sociedade o cardápio que foi prometido na campanha: mudança.

30 abr

Com Jânio Darrot na presidência, PSDB goiano abre mão de se renovar e se propõe a ser mais do mesmo, continuar na rabeira de Marconi e fugir do debate sobre o futuro de Goiás

Depois de 20 anos como o mais importante partido político de Goiás, o PSDB terminou dando com os burros n’água: tomou uma tunda sem precedentes na última eleição e foi reduzido a pouco mais que pó de traque, mas, com a eleição agora do prefeito de Trindade Jânio Darrot para a sua presidência, mostra que não aprendeu a lição e se propõe a andar para trás, longe de se esforçar pela reconciliação com o eleitorado goiano e menos ainda disposto a qualquer tipo de discussão sobre o futuro de Goiás.

 

Jânio Darrot no comando mostra que o partido preferiu sucumbir ao controle do ex-governador Marconi Perillo e à defesa do seu suposto legado, uma ilusão que, já nas urnas do ano passado, mostrou ser deletéria e catastrófica. Tanto que as entrevistas que ele, Jânio, está dando e os releases que distribui apenas repetem mantras superados do falecido Tempo Novo, como a afirmação de que “Marconi revolucionou Goiás com as suas obras”, “Marconi fez o melhor governo da história”, “Marconi é o maior político da história de Goiás, “O PSDB tem uma história bonita” e outras bobagens que não dizem nada aos goianos que observam o governo de Ronaldo Caiado e se preocupam com os temas que ele, Caiado, coloca na mídia como consequência da nova realidade que ele representa para o Estado.

 

É simples: com Jânio Darrot, os tucanos fogem do debate que realmente interessa e que passa pelas propostas para o futuro de Goiás, assunto sobre o qual, depois de 20 anos de poder, até teriam credencial para dar palpites. Em vez disso, a escolha é puramente o culto à personalidade Marconi e a celebração do passado.

30 abr

Massacrado nas urnas, PSDB goiano segue em marcha à ré, recusa qualquer autocrítica e vai eleger Jânio Darrot como presidente para fugir da renovação e preservar a influência de Marconi

Um partido que elegeu apenas um deputado federal, somente seis estaduais e viu os seus candidatos majoritários – Marconi Perillo e Zé Eliton – humilhados por uma surra histórica nas urnas, teria obrigatoriamente que se propor um processo de reoxigenação, discutindo os erros do passado e procurando se reposicionar para tentar recuperar a confiança dos eleitores e verdadeiramente discutir rumos para Goiás. Esse deveria ser o PSDB goiano, que na próxima sexta-feira, dia 3, no auditório Costa Lima da Assembleia Legislativa, das 8hs ao meio dia, vai eleger o seu novo comando regional, que, de novo, não tem nada.

 

Jânio Darrot, prefeito de Trindade, será eleito para a presidência dos tucanos estaduais. Ele é o nome que o ex-governador Marconi Perillo escolheu, com a missão de preservar os seus interesses e garantir que a estrutura do partido e a cota de R$ 300 mil mensais que recebe do fundo partidário continuem a seu serviço. Marconi, acossado por um cerco judicial pesado, com mais de uma dezena de denúncias por improbidade e pelo menos um inquérito criminal por recebimento de propinas, não quer saber de nenhuma renovação e menos ainda não aceita ficar relegado a segundo plano em uma eventual refundação do partido – passo que seria correto, mas que não virá.

 

O PSDB deixou de ter inteligência em Goiás há muito tempo. Não aconteceu por acaso a dura derrota que o partido colheu nas últimas eleições. Foram erros e mais erros, a começar pelo lançamento de um candidato a governador sem nenhum apelo eleitoral, Zé Eliton, com uma vice, Raquel Teixeira, idem. Nem um nem outro tinham qualquer apelo político, a não ser se prestar ao papel de extensão de Marconi, mesma função que Jânio Darrot está aceitando agora. É mais um equívoco e caminho para novas e futuras derrotas.

30 abr

A pergunta que ninguém sabe responder e O Popular faz de novo nesta terça: por que Caiado, parlamentar experiente como poucos, não consegue formar uma base na Assembleia?

O governador Ronaldo Caiado caminha para mais uma derrota de impacto na Assembleia Legislativa. O primeiro revés, como se sabe, foi a eleição de Lissauer Vieira para a presidência do Poder, atropelando o candidato do Palácio das Esmeraldas (Álvaro Peixoto). O próximo vem aí: será a aprovação da ampliação do orçamento impositivo para 1,2%, com obrigatoriedade de pagamento para as emendas dos deputados – valor de R$ 7,5 milhões para cada um – até o mês de julho de cada ano. Caiado não quer isso de jeito nenhum, mas vai ter que engolir.

 

Há pelo menos 50 anos que não se registra um governador sem o respaldo da Assembleia. O último foi Otávio Lage, na década de 60. É difícil entender como é que Caiado, que foi deputado e senador durante mais de 20 anos e tem experiência parlamentar profunda, não consegue o que todo e qualquer governo tem como rotina, que é a garantia de aprovação dos seus projetos no Legislativo. Uma das regras fundamentais do poder é que não se brinca com fogo, sob risco de se queimar e virar cinzas. Largar os deputados para lá é colocar em risco a governabilidade é pior, é caminhar à beira do abismo.

 

Mas por que Caiado não consegue formatar a sua base de apoio na Assembleia. São muitas as respostas. O próprio presidente  da Casa, Lissauer Vieira, avalia que tem gente demais atrapalhando as articulações. E citou um: o secretário de Desenvolvimento Social, ex-prefeito de Santa Terezinha e caiadista histórico Marcos Cabral, cuja função não tem nada a ver com palpitar em política. Outro fator apontado por Lissauer Vieira é que o governador apontou o seu secretário de governo Ernesto Roller como seu negociador com os deputados, mas não dá a ele a credencial e a força necessárias. Assim, não funciona. O chefão da Assembleia ainda citou a fraqueza do líder do governo, Bruno Peixoto, que acerta soluções com os colegas, mas também não as vê concretizadas.

 

À boca pequena, comenta-se que a primeira dama Gracinha também tem interferido. Mulher de governador se metendo na política é veneno puro. Dizem que ela não só gosta, mas tem o sonho de se candidatar algum dia e estaria construindo o seu projeto. O problema é que a interlocução com Gracinha deixa os deputados arrepiados, já que têm o receio, fundado, de que ela leve reclamações ou se queixe de um ou de outro ao marido. É preciso pisar em ovos no relacionamento com a dita cuja. Consta ainda que a primeira-dama & família estariam pressionando Caiado para não ceder à “velha política” e evitar fazer concessões fisiológicas a quem quer que seja, mesmo porque há o compromisso com a “mudança” prometida na campanha e que, certamente, foi fundamental na sua eleição.

 

Foi certamente por isso que o deputado Humberto Aidar mandou um duro recado ao Palácio das Esmeraldas, ao afirmar, em declarações publicadas pelos jornais, que Caiado precisa mostrar quem manda no governo. É claro que está se referindo a Gracinha e ao seu rigoroso controle sobre as nomeações e demais decisões de importância, que ela tem nas mãos através do secretário da Casa Civil Anderson Máximo, aquele que não dá um passo sem antes pegar na barra da saia da primeira-dama.

 

Pelo sim, pelo não, a classe política estadual se acostumou a um governador, nos últimos 20 anos, que sabia mexer o doce em matéria de angaria apoio e simpatia. Marconi Perillo fez e desfez, sem jamais tropeçar em obstáculos na Assembleia. Caiado está com a sua gestão semiparalisada, sem condições de avançar com questões importantes, como a segunda parte da reforma administrativa, para a aprovação legislativa. Está travado e não consegue de avançar com o seu projeto de governo, que ninguém sabe ainda qual é.

29 abr

Orçamento impositivo de 1,2%, que a Assembleia vai aprovar nos próximos dias contra a vontade de Caiado, garantirá R$ 7,5 milhões em emendas a cada deputado e pagamento obrigatório até julho

É muito maior do que o governador Ronaldo Caiado imagina a derrota que ele vai colher nos próximos dias no plenário da Assembleia, quando os deputados estaduais aprovarão a ampliação do orçamento impositivo para 1,2%: é que, além de garantir um limite anual de R$ 7,5 milhões (valor de acordo com a peça orçamentária atual) em emendas para cada um dos 41 parlamentares, o pagamento passará a ser obrigatório e automático até o mês de julho de cada ano. Outro detalhe que importa é que essas emendas serão retiradas  da rubrica de “restos a pagar”, o que elimina a hipótese de que o governo venha a selecionar as que devem pagas e as que não – todas serão, como o nome diz, impositivas.

 

No total, essa nova despesa vai ultrapassar mais de R$ 300 milhões anuais, o que, na visão do Palácio das Esmeraldas, compromete a política de rigor fiscal que Caiado deseja implantar, mas não conseguiu ainda exatamente porque não tem respaldo na Assembleia para viabilizar as alterações de que necessita na estrutura administrativa e financeira do Estado. O pior de tudo é que o governo não conseguiu montar uma base de apoio legislativa e está fragilizado entre os deputados: o orçamento impositivo só não foi aprovado na semana passada porque, na iminência de ir à apreciação, foi contido por um desesperado  e incomum pedido de vistas do deputado Bruno Peixoto, que recorreu ao artifício apenas para tentar ganhar tempo.

 

Mas Bruno Peixoto é obrigado a devolver o projeto até o início da sessão desta terça-feira, 30 abril, se houver (quarta é o Dia do Trabalho e costuma não haver quorum em véspera de feriados). Existindo número suficiente de deputados, o orçamento impositivo vai ser inapelavelmente aprovado na Comissão de Constituição e Justiça e depois em plenário, em primeira votação. Será mais um tropeção de proporções monumentais para Caiado na Assembleia.

29 abr

Lissauer Vieira enxerga Caiado por trás da denúncia que o Ministério Público fez contra ele em Rio Verde, acatada pela Justiça, e age nos bastidores da Assembleia contra o governo

Desceu a nível zero o relacionamento entre o presidente da Assembleia Legislativa Lissauer Vieira e o governador Ronaldo Caiado, por conta de uma denúncia do Ministério Público contra Lissauer por improbidade, no caso de uma emenda orçamentária do deputado que foi aplicada em um show sertanejo em Rio Verde. A denúncia originou um processo que acabou bloqueando mais de R$ 1,2 milhões do deputado, depois que o Tribunal de Justiça reformou a decisão de juiz local que não concedeu a indisponibilidade de bens.

 

Para o presidente da Assembleia, Caiado andou mexendo os pauzinhos para forçar a tramitação da ação, através da sua filha Anna Vitória – que sabidamente foi a responsável pela nomeação do novo procurador-geral de Justiça Ailton Vechi e tem acesso ao MP e ao TJ. As sanções requeridas pelo promotor de Rio Verde e restabelecidas pelos desembardores terima a ver com o desejo de retaliar Lissauer Vieira, depois da sua vitória na disputa pela presidência da Assembleia, passando por cima dos interesses do Palácio das Esmeraldas (que queria Álvaro Guimarães no posto).

 

Amigos e assessores próximos contam que o parlamentar rioverdense está magoadíssimo com o governador e também se prepara para dar o troco, atuando para aprovara emenda que aumenta para 1,2% o orçamento impositivo, limite que o governo do Estado simplesmente não aceita de jeito nenhum. Segundo o Jornal Opção, Lissauer Vieira já comunicou ao secretário de Governo Ernesto Roller que o orçamento impositivo será aprovado nos próximos dias pela Assembleia – mesmo contrariando o Palácio das Esmeraldas, que quer a rejeição do projeto. Será mais uma derrota política de peso para Caiado.

 

Leia mais aqui.

27 abr

Governo e aliados comemoram pesquisa que, na verdade, é péssima para Caiado e mostra que ele passa por um processo de desgaste e só tem, hoje, a aprovação de um terço dos goianos

É muita ingenuidade: aliados do governador Ronaldo Caiado comemoram nas redes sociais a pesquisa do instituto Paraná, divulgada pelo Jornal Opção e em seguida pelo site Mais Goiás, supostamente mostrando uma aprovação de mais de 59% para o novo governo. Um exemplo foi o líder de Caiado na Assembleia, Bruno Peixoto, que chegou a parabenizar o governador pelo bom desempenho.

 

Não é bem assim. A pesquisa, na verdade, é muito preocupante para o Palácio das Esmeraldas. Mostra que Caiado tem apenas 36% de ótimo e bom e já chega a 25,7% na soma dos quesitos ruim e péssimo. Regular são 35,5%, mas quem é que deseja um governo apenas regular? Como a soma desses itens deve incluir os que se recusaram a opinar, ou seja, 2,9%, foi corrigido (pelos detalhes publicados pelo Mais Goiás) um erro da matéria do Jornal Opção, onde os números totalizaram 97,2%, enquanto o correto é 100,1% (o instituto explicou que o 0,1% refere-se ao seu sistema de arredondamento dos índices e deve ser desprezado).

 

36% de aprovação, perto de se iniciar o oitavo mês de Caiado desde que foi eleito, a 7 de outubro do ano passado, é um resultado que deveria levar o governo a levantar as suas antenas. A festa com a pesquisa se baseou no percentual de 59,9% que o governador alcançou nas respostas a uma pergunta que não serve para aferir a receptividade de governos ou governantes e que se resume apenas a uma indagação sobre aprovação ou desaprovação. Ninguém leva esse quesito a sério. Todos vocês, leitoras e leitores, viram as pesquisas sobre o presidente Jair Bolsonaro e sabem que ele tem 37% de ótimo e bom e que, portanto, a sua popularidade está em xeque e caiu muito desde a eleição. A exemplo de Caiado, quando a pergunta foi “aprova ou desaprova?”, Bolsonaro também conseguiu seus 57% e nem assim a imprensa nacional concluiu que o seu governo vai bem. Prevaleceu a soma do ótimo e bom como veredito real sobre a sua gestão.

 

Caiado, desde a eleição até agora, perdeu quase a metade do apoio que tinha entre os goianos. Essa é a conclusão que deve ser tirada da pesquisa do instituto Paraná. Fora daí, achar que o novo governo tem a aprovação de 59,9% da população, praticamente o mesmo resultado das urnas, é pura ilusão.

27 abr

Três fatores inviabilizam a formatação de uma base confiável para Caiado na Assembleia: a falta de poder de Ernesto Roller, a arrogância dos secretários de fora e a caderneta da primeira-dama Gracinha

É bem possível que o governador Ronaldo Caiado já tenha tomado ou esteja perto de tomar uma decisão inusitada: vai tocar a sua gestão sem apresentar projetos de importância à Assembleia Legislativa, onde, hoje, não tem a certeza de que consegue aprovar qualquer coisa, dado o clima hostil entre o Palácio das Esmeraldas e os deputados estaduais.

 

É quase impossível governar assim. Mas Caiado parece não ter opção. Do que ele fez até agora para conquistar o apoio do Legislativo, nada deu certo. Nem mesmo apelar para o apetite fisiológico dos parlamentares, oferecendo cotas de R$ 30 mil em nomeações e direito a indicação de duas diretorias ou superintendências. Muitos aceitaram, inclusive gente da oposição, como os deputados Diego Sorgatto, do PSDB, ou Virmondes Cruvinel, ex-PPS e atual Cidadania, e Tiago Albernaz, do Solidariedade, esses dois últimos antigamente ligadíssimos ao ex-governador Marconi Perillo. Mesmo assim, o destino de eventuais matérias de importância que venham a ser submetidas à Assembleia continua incerto, obrigado o governo a adiar temas estratégicos como a segunda parte da reforma administrativa.

 

Três fatores atravancam a formatação de uma base de apoio legislativo a Caiado. O primeiro é a falta de poder do secretário de Governo Ernesto Roller, encarregado das negociações com os deputados. Roller não tem poder de decisão e precisa, a cada passo, submeter seus acertos a apreciação superior, no caso a primeira-dama Gracinha, encarregada informal de receber, avaliar e tornar realidade, quando achar que deve, as indicações recebidas. Além disso, o secretário padece de uma crise de relacionamento com o deputado Iso Moreira, com quem disputa penetração no nordeste goiano. Iso e Roller são adversários figadais, que não trocam nem um cumprimento educado. E, para azar do secretário, Iso é hoje o mais eficiente conspirador dos bastidores da Assembleia, tanto que foi nomeado líder do recém-criado bloco independente, que pretende se comportar nem como governista nem como oposicionista, mas exatamente como o nome indica, ou seja, de modo autônomo, o que é um mau sinal para o governo.

 

O segundo obstáculo para o advento da tal base na Assembleia é o desprezo que os secretários que vieram de fora, a maioria no governo Caiado, dedicam aos deputados. Uns, por falta de experiência e conhecimento da política estadual. Outros, por arrogância mesmo. Amontoam-se casos em que nomes recomendados pelos parlamentares foram nomeados, porém em seguida rechaçados – o que, por exemplo, aconteceu na Saneago, onde o presidente Ricardo Soavinski recusou-se a dar posse a indicados de deputados (e até do governador – leia mais aqui), ou na Secretaria de Comunicação, que teve um irmão do deputado Humberto Aidar aboletado para uma superintendência, mas depois colocado para fora pela titular da pasta Valéria Torres.

 

A primeira-dama Gracinha Caiado e a sua inseparável caderneta, onde registra cuidadosamente cada sugestão não só dos deputados, como também dos políticos em geral, é o terceiro ponto a emperrar a definição de uma maioria pró-Caiado na Assembleia. Ela anota, mas não dá garantia de que haverá uma solução e só avança com o que acha válido para o governo e para o marido. Muitos deputados estranham que a primeira-dama tenha essa função e menos ainda se sentem à vontade para apresentar as suas listas – que Gracinha, por sua vez, também não recebe sem um olhar de quem acredita que essa é uma prática da “velha política” que precisa ser varrida do Estado. Ao delegar responsabilidades políticas para a própria mulher, Caiado impôs a si próprio um risco elevado. Além de expô-la, esqueceu-se que ela é, digamos assim, uma figura reverencial, pelos seus laços matrimoniais, que a revestem de uma aura virtuosa e sagrada. Quem ousaria reclamar ou incomodá-la para discutir pleitos não atendidos ou picuinhas municipais e se arriscar a tomar uma reprimenda de caráter pessoal do governador?

 

Tudo isso somado, deu no inevitável. O governo Caiado está totalmente fragilizado na Assembleia. Começa assim, perdendo votações e levando tropeções de maior ou menor tamanho. Mas onde termina é que mora o perigo.

Página 3 de 12712345...102030...Última »