Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt e convidados sobre política, cultura e economia

15 out

Mal se passou uma semana, depois de eleito, e Caiado já abre as portas para os parentes: uma filha irá para a comissão de transição e um primo será candidato a presidente da OAB-GO

Parentes na política são sempre nocivos. Não há meio termo. Entram nos governos sob a alegação de supostas competências técnicas e pessoais, para, no fim, tudo se resumir a um favorecimento familiar descarado. Pela porta pela qual passam, mais tarde, passam outras, digamos assim, concessões, que às vezes se transformam em abusos – tal como aconteceu, por exemplo, no caso da nomeação de Sérgio Cardoso, cunhado de Marconi Perillo, para o Tribunal de Contas dos Municípios, uma imoralidade.

 

Está em evidência, agora, o caso do governador eleito Ronaldo Caiado, que deve levar uma filha para o seu secretariado (ela já estará na comissão de transição, dizem os jornais) e estimula um primo para disputar a presidência da OAB-GO, conforme vídeo que o advogado Alexandre Caiado, suposto candidato, está distribuindo aos amigos, em que é recomendado para o posto por ninguém nada mais nada menos que o governador eleito, que, a propósito, é médico.

 

Nada disso cheira bem. O que vai se caracterizando é a primeira fissura no edifício da autoridade moral que Caiado tanto apregoou.

15 out

Maioria na Assembleia e eleição do novo presidente são favas contadas para Caiado. Problemas, e muito graves, estarão é no governo do Estado, que ele receberá quebrado e com os pagamentos atrasados

O governador eleito Ronaldo Caiado assumirá no próximo dia 1º de janeiro de 2019 com credenciais que seus antecessores raras vezes exibiram: a superioridade política que decorre da sua eleição com  60% dos votos dos goianos, em 1º turno, e a sua autoridade moral, que vem da sua biografia limpa e da coerência com que sempre se portou como homem público.

 

Poucos, antes de Caiado, começaram assim a governar Goiás. E é por isso que a sua governabilidade estará garantida, desde o 1º dia, por uma sólida maioria na Assembleia, que ele está conquistando naturalmente, e pelo respaldo do novo presidente do Legislativo, que também elegerá sem qualquer dificuldade (tudo indicando que será o deputado Álvaro Guimarães, que é do mesmo partido de Caiado, o DEM, foi o primeiro a perfilar ao seu lado e tem tradição e experiência parlamentar suficientes para cumprir a missão).

 

A Assembleia, portanto, não trará nenhuma dor de cabeça para o novo governador. Mas ele não viverá dias tranquilos depois de assumir, já que vai receber a mais nefasta herança administrativa e financeira que um inquilino do Palácio das Esmeraldas jamais recebeu. O Estado está quebrado, não paga há meses seus principais compromissos e já começou a atrasar a folha – parte do pessoal não recebeu até hoje o mês de setembro -, conforme se previa para logo após a passagem da eleição. Sem meias palavras, o que espera o novo governo é terra arrasada.

15 out

Vecci, o presidente do PSDB neste momento de ruína eleitoral, é mais um produto artificial que Marconi tentou impor na política, a exemplo de Raquel Teixeira, Leonardo Vilela e outros. Nunca daria certo

Após a derrota nas urnas que devastou seus quadros, levando de roldão até a sua liderança maior, o ex-governador Marconi Perillo, o PSDB goiano mergulhou na inevitável ressaca – crise – que sempre sobrevém a essas situações.

 

De quem é a culpa pelo fiasco eleitoral? O bode expiatório parece que vai ser o presidente estadual do partido, o deputado federal – também massacrado pelos eleitores na sua tentativa de reeleição – Giuseppe Vecci, um tecnoburocrata antigo do marconismo que o ex-governador fantasiou de político, assim como fez com vários outros nos seus anos de poder total e absoluto. Raquel Teixeira e Leonardo Vilela, por exemplo.

 

Produtos artificiais lançados na política são característica de períodos em que a hegemonia política, nas mãos de poucos, impõe distorções as mais variadas. Isso aconteceu também na época em que o PMDB e Iris Rezende mandavam em Goiás.

 

Vecci não tem culpa nenhuma, a não ser ter perdido o senso crítico e como um cordeirinho seguir as ordens que recebia, buscando, entre elas, aproveitar o máximo para criar condições para preservar o seu mandato na Câmara Federal. Claro que não deu certo e agora deputados estaduais e federais tucanos, vitoriosos poucos, derrotados muitos, culpam Vecci – um economista deslocado no mundo partidário, onde 2 + 2 podem ser igual a 3 ou a 5, nunca a 4.

14 out

Caiado não mostra pressa em indicar representantes para buscar informações no governo, enquanto cresce a desconfiança de que a transição oferecida por Zé Eliton é só uma armadilha

Como não nasceu ontem e tem uma longa estrada rodada na política, o governador eleito Ronaldo Caiado ainda não disse se vai aceitar a “oferta” do governador-tampão Zé Eliton e indicar representantes para participar de uma suposta” comissão de transição” junto com secretários do atual governo.

 

Há suspeitas de que tudo não passa de uma armadilha com o objetivo de criar álibis diante de futuras denúncias ou descobertas sobre problemas graves no interior da administração estadual. Por exemplo: é público e notório que a situação fiscal é a pior possível, já se refletindo em atraso no pagamento do pessoal (parte do funcionalismo ainda não recebeu o mês de setembro, nem mesmo os 40% prometidos para a semana passada). A dívida está com com parcelas vencidas e não quitadas. Programas sociais como a Bolsa Universitária e o Passe Livre Estudantil não recebem repasses há meses. Porém, o governo esconde tudo isso e vai ganhando dia por dia. Por que, gratuitamente, entregaria a verdade para um candidato de oposição que acaba de vencer as eleições e poderia desde já, com base neles, expor a quebradeira a que Marconi Perillo e Zé Eliton levaram o Estado?

 

Além disso, o modelo proposto por Zé Eliton para a “transição” é maroto. Vejam só: apenas dois secretários, Fernando Tibúrcio e José Carlos Siqueira (esse bem experimentado com os números das contas estaduais), representarão o governo junto a quem Caiado indicar, o que significa que será criado um gargalo para o fluxo das informações e, pior ainda, um lento ritual burocrático (também especialidade de Siqueira). Isso não é transição real. Seria se o governador informasse que o governo está aberto e que cabe a Caiado dizer o que precisa, como deseja essas informações e através de qual sistema de trabalho, autorizando a busca de dados junto ao secretariado em geral.

 

Fora daí é jogada.

13 out

Marconi, Rincón e os demais envolvidos nas propinas da Odebrecht saíram da cadeia, mas não esclareceram: de quem são os mais de R$ 1 milhão em dinheiro vivo apreendidos pela Polícia Federal?

Os desembargadores do Tribunal Federal de Recursos da 1ª Região foram condescendentes e liberaram, através de habeas-corpus, todos os detidos em regime de prisão provisória ou preventiva pela Operação Cash Delivery – Marconi Perillo e Jayme Rincón, dentre outros – sob a alegação de que todas as provas já teriam sido colhidas e que a libertação não prejudicaria as investigações.

 

Para dar essa decisão, os desembargadores do TRF1 simplesmente desconsideraram a prova das provas encontrada pela Polícia Federal: mais de R$ 1 milhão de reais em dinheiro vivo, escondidos um pouco na casa de Jayme Rincón e a maior parte na do seu motorista. De quem é esse dinheiro? Marconi respondeu que não faz a menor ideia. Rincón também disse que não sabia. E o motorista, sintomaticamente, ficou em silêncio quando foi perguntado durante o seu depoimento, instruído por um advogado de defesa que apareceu ao seu lado sem que ele o conhecesse ou o tivesse contratado.

 

Para o Ministério Público Federal, que pediu, e para os juízes de 1ª instância da Justiça Federal que decretaram as prisões de todos os envolvidos, os mais de R$ 1 milhão, sem origem, sem dono, sem finalidade, provam que a organização criminosa que arrecadava propinas em troca de favores governamentais, em Goiás, continua ativa. O raciocínio tem lógica. Mas não para os desembargadores do TRF1 (os dois que concederam os habeas-corpus). Uma montanha de dinheiro como essa não aparece do nada. Evidencia, sim, o seguimento da ação delitiva do grupo, caso contrário ou Rincón ou o seu motorista teriam falado sobre a origem, propriedade e finalidade do dinheiro. E isso lembrando que Rincón, ex-tesoureiro de Marconi nas campanhas de 2010 e 2014, para as quais a Odebrecht destinou as propinas, era, até o momento da sua prisão, coordenador-geral da campanha de Zé Eliton ao governo do Estado.

 

Os dois desembargadores que concederam os habeas-corpus em cascata que livraram da prisão os alvos da Operação Cash Delivery foram generosos e… lenientes. Não enxergaram o que estava à vista. E o que estava e continua à vista é o que aparece na foto acima, leitor.

13 out

Erro fundamental da campanha tucana foi exigir voto de gratidão ao que foi feito nos últimos 20 anos. Veja o que Zé, Raquel, Marconi e Lúcia deveriam ter dito no lugar desse discurso de passado

“Nossa principal mensagem aos goianos é de agradecimento. Agradecimento pela chance que nos foi dada para trabalhar pelo nosso Estado nos últimos anos. Fizemos o possível para honrar essa demonstração de confiança, implantando obras e projetos que atenderam as necessidades de toda a população. Cuidamos com atenção e carinho de cada centavo dos recursos que os impostos pagos pela população colocaram nos cofres do Estado. Fazer o melhor era o nosso dever e foi o que procuramos fazer, às vezes cometendo erros, pelos quais nos desculpamos, aprendendo com eles a não errar mais, ampliando e melhorando os nossos acertos. Tudo o que foi feito de bom para Goiás era nossa obrigação fazer, para retribuir a maioria de votos que sempre recebemos. Por isso, somos gratos pela oportunidade que tivemos. Agora, pedimos mais uma vez o seu apoio, não para repetir os governos que você conhece e aprovou, mas para buscar novos caminhos para o crescimento social e o desenvolvimento econômico que trarão dias ainda melhores para a nossa gente. O governo que virá não será como os governos que você viu até agora, isso é passado, quando o que interessa é o futuro. O governo que a sua decisão livre e independente nas urnas produzirá será diferente, moderno, atual, com talentos renovados na sua equipe e ideias avançadas na cabeça. O governo será o que respeitosamente sabemos que os goianos querem e não o que nós queremos, por melhor que seja. Será o seu governo”.

 

Em resumo, este é o discurso que Zé Eliton, Raquel Teixeira, Marconi Perillo e Lúcia Vânia, traduzido em suas próprias palavras, deveriam ter entoado, do começo ao fim da campanha. Provavelmente, não evitaria a derrota, mas ela, com certeza, seria menor e menos humilhante. Em vez disso, passaram o tempo todo falando com arrogância em Vapt Vupt, Bolsa Universitária, Hugol, Cheque Moradia, legado, onda azul, virada etc etc, até ninguém aguentar mais e aí perderam feio. Concorda, leitor amigo?

13 out

Desafio para Caiado não é conquistar maioria na Assembleia, que virá com facilidade, mas mudar as práticas retrógradas e fisiológicas da relação entre governo e deputados – que viraram regra com Marconi

Dezoito dos 41 deputados estaduais eleitos são alinhados com Ronaldo Caiado. Entre os 23 restantes, já se iniciou um movimento espontâneo de adesão ao novo governo, prevendo-se que em breve estará definida uma sólida hegemonia na Assembleia, em torno de 30 votos, para garantir a governabilidade da gestão que se inicia em 1º de janeiro.

 

Por enquanto, conquistar a maioria no Legislativo será coisa simples para Caiado. Governos, qualquer um, exercem forte poder de atração sobre parlamentares, eternamente atrás de facilidades para se reeleger e sobreviver na política. Mas esse não é o ponto principal da relação que, a partir de agora, irá se estabelecer entre o governador e os deputados estaduais eleitos.

 

A questão é outra: Caiado foi eleito sob uma proposta de mudança radical, aliás dentro de um clima eleitoral em que o resultado das urnas varreu os representantes da velha política, os corruptos, os embusteiros, enfim. Ele não pode, assim, reviver as práticas que os governos de Marconi Perillo transformaram em regra na relação entre o Palácio das Esmeraldas e a Assembleia, calcadas no fisiologismo e no desprezo pelas razões de Estado em favor da politicagem barata.

 

Cotas de cargos comissionados e nomeações de apaniguados despreparados para funções técnicas, por exemplo, foram a tônica dominante. Um exemplo é o que Marconi e seu sucessor Zé Eliton fizeram com a Secretaria de Desenvolvimento, que virou valhacouto para a arraia-miúda do PTB e acabou sucateada – apesar dos objetivos de maior importância para Goiás que deveria perseguir. A SED é o produto mais significativo das distorções dos últimos 20 anos no exercício do poder estadual.

 

Esse modelo falido não pode ser mantido por Caiado. Executivo e Legislativo têm que convergir em torno dos interesses da população e deixar de priorizar os interesses miúdos dos deputados estaduais. Quando Marconi foi eleito pela primeira vez, em 1998, ele também representava a mudança e também prometeu trazer um novo modelo de convivência política, mas 20 anos depois estava presidindo uma conexão apodrecida entre governo e parlamentares. A opinião dos goianos sobre essa situação veio expressa no resultado da eleição.

 

Caiado, com o aval de 60% dos goianos, vitorioso em 1º turno, tem a credibilidade e a autoridade que nenhum governador jamais teve para acabar com essa vergonha.

13 out

Maioria pró-Caiado na Assembleia Legislativa está sendo formada com rapidez muito maior que a prevista e ele deve passar de 30 deputados na sua base de apoio, podendo chegar a 35

Antes mesmo de se lançar às articulações para conquistar maioria entre os deputados estaduais eleitos, o novo governador Ronaldo Caiado já está sendo brindado com a adesão espontânea de parlamentares de partidos que teoricamente deveriam perfilar na oposição.

 

A Assembleia tem 41 deputados. Para ter maioria e governabilidade, Caiado precisa, portanto de 21. Deverá passar de 30 e chegar, quem sabe, a até 35.

 

Dois exemplos são fortes. Um dos partidos pretensamente oposicionistas em relação ao novo governo seria o MDB. Mas Bruno Peixoto, um dos seus deputados eleitos, já firmou posição a favor de Caiado. Os outros dois – Paulo Cezar Martins e Humberto Aidar – estão avaliando, o que, na linguagem da política, significa que também se tornarão frequentadores do Palácio das Esmeraldas.

 

O outro partido que obrigatoriamente faria oposição a Caiado seria o PSDB. Obrigatoriamente, vírgula. Uma das suas principais estrelas, Talles Barreto, já disse que não vê sentido em fazer “oposição por oposição”, declarou ser um admirador do novo governador e acrescentou que o resultado das urnas e a expressiva votação de Caiado indicam o rumo que a população deseja, que é o da mudança. Mais um, portanto, que vai fazer o trajeto da Alameda dos Buritis até a Praça Cívica, mesmo sendo tucano.

 

Ter o apoio da Assembleia nunca é difícil para qualquer governador. Mas, para Caiado, vai ser mais fácil do que ele imaginou.

12 out

Derrota acachapante nas urnas e prisão: nunca um grande líder da política em Goiás passou por uma queda tão colossal como essa e é de se perguntar se Marconi conseguirá voltar algum dia para a política

Em mais ou menos 15 dias, o ex-governador Marconi Perillo saiu dos céus e desceu ao inferno. Líder nas pesquisas para o Senado, empatado tecnicamente com Jorge Kajuru e Vanderlan Cardoso, mas ainda à frente, Marconi foi colhido pelas ações policiais da Operação Cash Delivery – que investiga propinas pagas a ele pela Odebrecht – e acabou em 5º lugar nas urnas, sendo recolhido ao cárcere da Polícia Federal três dias depois.

 

Foi uma queda avassaladora. Algo que nunca se viu antes em Goiás e poucas vezes pelo Brasil afora. A reprovação dos goianos ao ex-governador, mesmo antes desses eventos, já estava evidenciada nas pesquisas, em que ele chegou, na reta final, a mais de 50% de citações quando a pergunta era: “Em quem você não votaria de jeito nenhum?”. Tudo isso significa que Marconi já não era mais o que foi um dia e que os seus erros e pecados haviam assumido uma proporção maior que os acertos e virtudes.

 

A agenda policial (para usar uma palavra presente em tudo o que o governador Zé Eliton fala) foi a gota d’água de uma situação que já estava se tornando insustentável: a apresentação e caracterização de Marconi como um líder acima de todos, que deve ser aceito sem nenhuma crítica, uma espécie de semideus, enfim – condição que foi para o ralo com as urnas e as grades.

12 out

Quem quer rezar, reza em qualquer lugar, até dentro de sala trancada. Quem quer ser visto rezando, vai a igreja, tira foto e coloca no Instagram. Nem na desgraça Marconi abre mão do marketing

A ida do ex-governador e candidato derrotado Marconi Perillo à catedral de Goiânia, para rezar, depois de deixar a cadeia da Polícia Federal, é uma jogada de marketing. Marketing religioso.

 

Marconi deixou-se fotografar ajoelhado, confrangido, aparentando um grande sofrimento – o que a prisão, de fato, deve ter trazido para ele, como traria para qualquer um, mas muito mais para quem já foi um semideus. A imagem, de frente e de costas, apareceu minutos depois em um perfil no Instagram, o @sempremarconi, operado pela sua assessoria e criado quando a sua campanha começou a degringolar, com a ascensão de Jorge Kajuru e Vanderlan Cardoso mesmo antes das ações da Polícia Federal na Operação Cash Delivery.

 

Quem quer rezar, reza em silêncio em meio a uma multidão ou sozinho em qualquer lugar. Quem quer ser visto rezando, vai para a igreja, posa para a sua equipe de comunicação e publica a foto nas redes sociais. É esse amor pela propaganda a qualquer preço que ajudou a acabar com Marconi.

11 out

Marconi consegue habeas-corpus e está sendo solto, mas o estrago foi feito e é provável que ele nunca mais volte à política

O ex-governador e candidato derrotado ao Senado Marconi Perillo conseguiu uma ordem de habeas-corpus junto ao Tribunal Federal de Recursos da 1ª Região, em Brasília, e está sendo solto.

 

Mas os estrago foi feito. Marconi está fora da política. Quase certo que para sempre.

11 out

Nomeação de Raquel Teixeira como secretária extraordinária tem o objetivo de segurar a denúncia de que o resultado do IDEB foi manipulado e não corresponde à realidade da Educação em Goiás

Em um ato que não deixa de embutir um certo acinte diante do resultado das urnas, o governador Zé Eliton nomeou a sua companheira de chapa, Raquel Teixeira, como secretária extraordinária – saem dar qualquer explicação ou satisfação sobre as razões dessa decisão.

 

Mas, perguntaria o leitor, qual o motivo dessa esdrúxula nomeação? Seria para assegurar mais três meses de salário para Raquel (a pasta extraordinária atribui R$ 14 mil mensais ao seu titular)? Ou a intenção foi compensar a professora pelo sacrifício de disputar uma eleição que estava perdida desde o início e terminou coma derrota completa da chapa majoritária da coligação do PSDB?

 

Nada disso. O que está por trás da nomeação de Raquel Teixeira é a tentativa de preservar o resultado que Goiás obteve no IDEB, a avaliação do MEC que apontou a Educação goiana, ministrada pelo Estado, como a melhor do país. Esse resultado, cantado em prosa e verso na campanha tucana, foi manipulado e não corresponde ao ensino que é ministrado aos alunos da rede estadual. Para chegar a ele, a então secretária de Educação retirou os alunos do curso noturno do ensino médio e os escalou como estudantes do ensino supletivo, com o que foram exclujídos da avaliação do IDEB (eles são os de menor rendimento e os que mais abandonam o curso, critérios que pesam no IDEB). Além disso, cartilhas com um resumo das principais questões das provas de avaliação foram distribuídas aos professores, obrigados a “treinar” os alunos na sua resolução.

 

Raquel Teixeira foi nomeada para ser colocada junto com a equipe de transição do governador eleito Ronaldo Caiado, se ele indicar uma (há quem, ao seu lado, acredite se tratar de uma armadilha, o aconselhando a não entrar nesse jogo), para tentar salvar um dos maiores embustes já praticados em Goiás. Com um linguajar técnico, em que é especialista, ela pode conseguir embrulhar os representantes da nova gestão e vender um peixe… estragado. O IDEB goiano é uma farsa.

11 out

Rastilho da bomba fiscal está aceso: passada a eleição, governo Zé Eliton não consegue quitar a folha de pagamento e adia parte para o dia 18. É só o começo do desastre financeiro que vem aí

Passada a eleição, aconteceu o que até as pedras portuguesas da Praça Cívica sabiam que aconteceria: o governo do Estado não conseguiu quitar a folha de pagamento do mês de setembro. Parte expressiva, incluindo os servidores dos diversos tribunais e da Secretaria da Fazenda, recebeu apenas uma parcela do salário, ficando o restante para o próximo dia 18.

 

Se a eleição tivesse se encaminhado para o 2º turno, alguém dúvida que não haveria atraso algum?

 

Não é de hoje que a situação financeira do Estado é precária, mas tudo foi feito para o seu encobrimento. O funcionalismo estava recebendo em dia, até agora, só para evitar danos para a candidatura fracassada de Zé Eliton. Tudo o que podia ser adiado, estava sendo. Até programas simbólicos para o Tempo Novo, como a Bolsa Universitária, já não eram pagos desde seis meses atrás, acumulando dívida de R$ 60 milhões e comprometendo a sua permanência no futuro governo.

 

O atraso da folha, agora, significa que o rastilho da bomba fiscal foi aceso. O funcionalismo, os fornecedores, os beneficiários dos programas sociais, todos podem se preparar para o pior. E mais ainda o governador eleito Ronaldo Caiado, que vai receber uma herança de terra arrasada.

11 out

Silêncio de Zé Eliton sobre o drama de Marconi, ainda mais quando o coordenador-geral da campanha do PSDB, Jayme Rincon, foi flagrado com mais de R$ 1 milhão em dinheiro vivo, é deslealdade

O governador Zé Eliton tem se esforçado para ficar longe do rolo que resultou na prisão do ex-governador e candidato derrotado ao Senado Marconi Perillo, mas, antes, capturou também o coordenador-geral da campanha do PSD, e, portanto, da campanha do Zé, o ex-presidente da Agetop Jayme Rincón.

 

Quando Rincón foi levado pela Polícia Federal, Zé Eliton apressou-se a dizer que a sua campanha não estava envolvida na estória. Mas, veja bem, leitor: como é que o seu coordenador-geral é apanhado com uma montanha de dinheiro às vésperas da eleição e ele não tem nada a ver com nada? Por que Zé não mostrou indignação com as estrepolias monetárias do auxiliar a quem entregou a pasta estadual que mais gasta com obras?

 

Muito difícil de acreditar que Rincón agiu sozinho ou por conta própria. E agora, com a prisão de Marconi, por crimes iniciados em 2010 e 2014, campanhas em que Zé estava mergulhado até o pescoço como candidato a vice-governador, as coisas se complicam ainda mais. E novamente vem ele, o Zé, alegando que, como não tem nada a ver, nem sequer se pronunciará sobre o martírio do seu companheiro de chapa e de governo.

 

Isso, em política, tem um nome: deslealdade. Ronaldo Caiado pode falar sobre isso, já que Zé beijava as suas mãos no passado e depois passou a atirar pedras. O governador poderia, por exemplo, dar uma declaração protocolar, dizendo confiar na inocência de Marconi e ter certeza de que ele vai esclarecer as acusações de recebimento de propinas. Ou, como advogado experiente, afirmar que o que sabe do processo em curso contra o tucano-chefe é inconsistente e não justifica medidas extremas. Mas nada disso quis fazer. Transformado em elemento tóxico para quem está nas suas proximidades, o ex-governador que se dane – parece rezar a filosofia de vida do Zé.

11 out

Coincidências do destino: Hélio Telho, o procurador federal que conduz as investigações sobre propinas a Marconi e pediu sua prisão, é o mesmo do caso Caixego que arruinou Iris depois de 1998

Em uma coincidência do destino, o procurador federal Hélio Telho(foto), que conduz as investigações da Operação Cash Delivery, derivada da Lava Jato, sobre propinas pagas ao ex-governador e candidato derrotado ao Senado Marconi Perillo, é o mesmo que em 1999 chefiou o inquérito que desbaratou o desvio de recursos da extinta Caixego para a campanha de Iris Rezende, tendo como ponto máximo a decretação da prisão no irmão de Iris, Otoniel Machado.

 

Juntamente com a derrota para Marconi nas eleições imediatamente anteriores, o caso Caixego jogou no chão a liderança de Iris, que, na eleição seguinte, seria derrotado para o Senado por Demóstenes Torres e Lúcia Vânia, e ajudou a tirar a credibilidade do PMDB, que a partir das apurações comandadas por Hélio Telho nunca mais venceu uma eleição majoritária em Goiás.

 

Hélio Telho não foi bem sucedido na tentativa de punir os responsáveis pelo Caso Caixego. Advogados de Iris e Otoniel conseguiram nos tribunais superiores a anulação do processo, a partir de uma jurisprudência de conveniência antes não existente, que se tornou basilar para as defesas de acusados de casos de corrupção: provas obtidas em uma esfera judicial não podem ser aproveitadas em outra. Ou seja: o caso Caixego começou na Justiça Federal, mas depois foi desclassificado para a Justiça Estadual, o que levou à sua extinção procedimental, sem a condenação de nenhum dos responsáveis.

 

Hoje muito mais experiente, o procurador federal Hélio Telho é considerado como uma sumidade em matéria de investigação de crimes de corrupção. É é ele quem está na cola de Marconi.

Página 3 de 9512345...102030...Última »