Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

04 abr

Executivo, Legislativo e Judiciário, mais o Ministério Público, Defensoria Pública, o TCM e o TCE, não têm outra alternativa na crise senão reduzir os seus salários, com carga de sacrifício maior para quem ganha mais

É inapelável: não existe outra saída para o Executivo, Legislativo e Judiciário, mais o Ministério Público, Defensoria Pública, o Tribunal de Contas do Estado e o dos Municípios, em Goiás, que não a imediata redução dos salários dos seus servidores, de todos os níveis, com carga maior de sacrifício, evidentemente, para quem ganha mais e sem demissões, como forma de atenuar os encargos financeiros do governo de Goiás face a queda de arrecadação provocada pela crise do coronavírus e a inviabilidade de cumprir o compromisso com o pagamento da folha de pessoal tal como vinha levando até aqui (rigorosa pontualidade) o governador Ronaldo Caiado, ao quitar o funcionalismo dentro do mês trabalhado.

Essa decisão é irrenunciável e já está tardando. Não é possível que, em um momento de tamanhã gravidade, não só local, porém nacional e mundial, o corporativismo do setor público queira defender os seus privilégios, às custas do sofrimento da população – a economia que virá com os cortes será obviamente destinada ao atendimento das vítimas da pandemia e, de resto, Caiado já anunciou que a partir de abril a prioridade será pagar quem trabalha na  Saúde e na Segurança, ficando todo o resto para quando houver caixa, sendo pacífico concluir que, durante um bom tempo, não vai haver.

Legalmente, já há condições para a aplicação de um corte salarial para o funcionalismo, com base no regime jurídico de emergência que passou a vigorar no país e está sendo 100% corroborado por decisões do Supremo Tribunal Federal suspendendo a Lei de Responsabilidade Fiscal e outros limitadores legais.

04 abr

37 dias depois de registrado o 1º caso de contaminação pela Covid-19 em Goiás, O Popular não se definiu se é a favor, como aponta a ciência, ou contra a quarentena, como se posiciona a FIEG

Equilibrando-se em cima do muro entre os que defendem a quarentena contra o coronavírus como prioridade necessária para salvar vidas e os que querem o seu fim ou suavização para tentar dar algum fôlego à economia e tentar preservar empregos e renda para a população, O Popular tornou-se o único veículo de comunicação do país, de alguma importância, a não orientar expressamente suas leitoras e seus leitores sobre a melhor resposta para esse falso dilema: não existe a menor dúvida de que é melhor, é conveniente, é correto ficar em casa e deixar para depois quaisquer outras decisões.

Até hoje, sábado, 4 de abril, 37 dias depois que foi registrado em Goiás o primeiro caso de contaminação pela Covid-19, o jornal não deu a sua opinião sobre essa polêmica que não tem nenhum sentido e já foi resolvida pela grande imprensa brasileira, unânime a favor das medidas de restrição à movimentação de pessoas – de resto consenso entre a comunidade científica mundial, mas mesmo assim contestada como gente como o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás – FIEG, o tétrico Sandro Mabel, cujo falatório contra o isolamento social ganhou amplo espaço, só que não mereceu até agora uma única virgulazinha colocada por O Popular.

O jornal, acaciano nos seus editoriais, continua omisso, dentro da teoria furada de que o bom jornalismo deve se limitar a veicular as posições de cada um, contra e a favor, e não se manifestar. Nem em tempos de normalidade isso deveria ser a regra de um portavoz da comunidade com o suposto peso de O Popular, que se propõe ao papel de instituição em Goiás. No emergência do coronavírus, comete assim um equívoco maior ainda e e assume um triste papel de fuga diante das suas responsabilidades.

03 abr

Insensibilidade e omissão de Iris com o coronavírus destoam da média nacional e do que está acontecendo nas capitais, revelando um gestor frio e incapaz de solidariedade

Em plena emergência social e econômica com o avanço do coronavírus em Goiás e, em especial, nas grandes cidades goianas, o que se tem na prefeitura da capital é um administrador frio, quase desumano, incapaz de qualquer ato de solidariedade com as goianienses e goianienses sob pressão da pandemia – além, também, de se omitir quanto a ações concretas para reduzir o impacto da situação de calamidade pública que se abateu sobre todos.

Sim, leitoras e leitores: Iris Rezende lavou as mãos (sem trocadilho), inventou que o Paço Municipal está sob ameaça de um desmoronamento financeiro, depois de passar o último ano apregoando que “a situação fiscal de Goiânia é uma das melhores do país”, e não adotou até hoje nem uma única providência emergencial para apoiar a população – nem mesmo uma campanha de vacinação contra a gripe comum conseguiu fazer normalmente (os postos estão parados, sem sequer uma comunicação adequada à sociedade sobre o que está acontecendo).

Um hospital municipal foi adaptado e disponibilizado para atender aos pacientes da Covid-19, mas sob coordenação da Secretaria estadual de Saúde. Uma call-center foi montado para responder a dúvidas sobre a nova doença. Uma campanha publicitária, tardia, foi lançada para sugerir que todos intensifiquem os cuidados com a higiene pessoa. E só. Tudo isso é muito pouco e muito, mas muito abaixo da capacidade econômica da prefeitura, sim, a que era espetacular até um mês atrás, mas de repente tornou-se difícil e próxima de um colapso. É um comportamento que deslustra o passado de Iris, mesmo porque há tanta sobra de recursos na administração de Goiânia que O Popular denunciou a criminosa aprovação de aquisição em curso de um terreno, pelo Instituto Municipal de Assistência Social, no valor de mais de R$ 7 milhões de reais, nesta semana, engolindo um dinheiro precioso que poderia ir para o combate à pandemia e seus efeitos.

Ou Iris perdeu o controle ou tudo está de acordo com a sua histórica fome por obras e impostos – cujo pagamento ele se recusou a postergar, ao contrário de cidades vizinhas como Aparecida e Trindade ou de outras capitais brasileiras. Também fechou as portas para qualquer ação social, largando as dezenas de milhares de crianças desalojadas do acolhimento dos CMEIs sem a alimentação devida a elas, coisa que, na rede estadual, o governador Ronaldo Caiado resolveu através do pagamento de R$ 5 reais por dia, em dinheiro, para os alunos privados das aulas e da merenda escolar. Não dá conta sequer de proteger os lixeiros que continuam percorrendo as ruas com álcool gel disponibilizado apenas quando batem o ponto de entrada e de saída na Comurg.

Enquanto Goiânia, Goiás, o Brasil e o mundo se mobilizam para deter a progressão mortal do coronavírus e todos os níveis de governo se desdobram para minimizar seus efeitos, Iris, no mundo da lua, visita obras e anuncia com a boca cheia que nenhuma delas vai parar e todas serão inauguradas ainda neste ano. Pode ser. Viaduto não enche barriga. Nem cura. O preço do que Iris está fazendo, ou deixando de fazer, será elevado e será contado em cadáveres, instabilidade social e desespero das famílias que habitam a “cidade protegida por Deus”, como o prefeito irresponsavelmente definiu a cidade que comanda.

03 abr

Enel vai arrancar centenas de milhões de reais das empresas goianas com o faturamento da energia pela média dos últimos 12 meses. Contra isso, a FIEG se acovarda e não fala nada

Autorizada pela Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL, que costuma favorecer as empresas do setor em detrimento dos consumidores, a Enel suspendeu a leitura individual dos medidores e já está enviando aos seus clientes as faturas que trazem valores apurados pela média dos últimos 12 meses – uma malandragem que penaliza financeiramente as empresas goianas, de todos os tamanhos, que paralisaram as suas atividades, e também muitas  contas residenciais (você que trancou a sua casa e foi para a fazenda, por exemplo).

De acordo com a regulamentação da ANEEL, o dinheiro cobrado a mais, quando acontecer (e vai acontecer em larga escala), será compensado posteriormente, quando a a conferência dos relógios revelar que o gasto foi menor. Essa, leitoras e leitores, é uma bandalheira sem precedentes na história da prestação de serviços de fornecimento de energia no país e também em Goiás: no caso das empresas, como a maioria fechou para atender ao decreto do governador Ronaldo Caiado que impôs, corretamente, o isolamento social, o consumo caiu a praticamente zero, mas o pagamento terá que ser feito – pelos valores extraídos da tal média dos 12 meses – como se o regime fosse de normalidade.

Pior, muito pior: a Enel anunciou que implantaria um sistema de autoleitura dos medidores, inicialmente para o início de abril, depois para o dia 15 e finalmente para a segunda quinzena. Podem apostar, todos: é uma jogada calculada, destinada a garantir que pelo menos duas faturas sejam emitidas pela média dos 12 meses passados, assegurando para a companhia italiana uma monumental arrecadação para atravessar a crise do coronavírus às custas do comércio e da indústria de Goiás, que, na prática, estarão “emprestando” recursos , a custo zero, para a Enel, no instante em que enfrentam uma violenta quebra de caixa. Em um mundo em que a tecnologia está ao alcance da palma da mão, falar em prazos longos para implantar qualquer estrutura online ou virtual é um acinte e uma afronta à inteligência das pessoas. E ainda mais quando de se fala de uma multinacional  com capacidade financeira que nem 500 outras corporações têm no mundo.

Esse é o país em que vivemos: um momento que deveria trazer a solidariedade de todos a favor de todos, acaba servindo para que espertos e desonestos se aproveitem para locupletar as burras. E a FIEG ? O que ela fez ou pelo menos falou contra esse abuso, verdadeiro assalto, contra as empresas goianas, pequenas, médias ou grandes? Claro que… nada.

03 abr

Grande empresariado goiano pressiona Caiado para reabrir as atividades econômicas, vai na contramão do resto do setor no país e ameaça a vida deas goianas e goianos

A FIRJAN – Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro está em campanha nas redes sociais pela manutenção do isolamento social, sem exceções para os setores não essenciais do comércio e da indústria. É o contrário do que faz aqui a FIEG – Federação das Indústrias do Estado de Goiás, que pressiona irresponsavelmente o governador Ronaldo Caiado pelo fim da quarentena e liberação geral das atividades econômicas, sob o argumento de que está sendo criado um risco para a sobrevivência dos negócios e dos empregos.

Existe esse risco, sim, é claro, e ele é bem real. Mas infinitamente menor do que a ameaça às vidas de milhares e milhares de goianas e goianos que estariam mais expostos ao coronavírus caso o cotidiano urbano seja retomado. Sobre isso, não resta a menor dúvida. Localidades onde aconteceu algo parecido viram a  incidência da nova doença saltar exponencialmente, com as vítimas fatais se multiplicando. Cadáveres chegam a ser colocados nas calçadas, por falta de serviços funerários, ou retirados através de empilhadeiras ou caminhões do Exércio para cremação em locais remotos.

É isso que a FIEG e o Fórum Empresarial estão postulando em Goiás, com a cobertura obsequiosa do jornal O Popular, aquele, mesmo se considerando o veículo de comunicação mais importante do Estado, não toma posição condizente com essa suposta grandeza e não diz aos seus leitores qual é a atitude correta a tomar – que seria obviamente o cumprimento rigoroso da quarentena, tal como estão fazendo todos os órgãos de comunicação brasileiros de expressão. Derrubado o isolamento social, como querem os líderes classistas, pode colocar a perder inclusive os sacrifícios que a paralisação impôs nos últimos 15 dias a todos. O que os grandes empresários goianos deveriam fazer é acompanhar o exemplo das suas entidades cogêneres de outros cantos do país, como a FIRJAN e a FIESP, esta de São Paulo, que são a favor das medidas de restrição ao contato e aglomeração das pessoas e se movimentam para colocar recursos para apoiar a rede de saúde e a população carente. E o Popular, sair de cima do muro.

02 abr

Presidente da Caixa Federal mentiu sobre redução de juros para parcelamento do cartão de crédito. Pior: IOF, suspenso nesta quarta por decreto de Bolsonaro, continua sendo cobrado

O Brasil, dizem os otimistas, tem jeito, Mas os pessimistas é que estão com a razão. O Brasil é uma bandalheira que nunca dá certo. Há uma semana, o presidente da Caixa Federal, Pedro Duarte Guimarães, promoveu uma reunião com o presidente Jair Bolsonaro para anunciar a redução dos juros para quem quisesse parcelar o saldo do cartão de crédito, dentre outras linhas de financiamento do banco. A partir daquela data, disse ele com todas as letras, passariam a ser cobrados “apenas 2,9% ao mês”, um absurdo ainda, mas uma concessão e tanto em se tratando de… Brasil,

Ele mentiu, leitor. O aplicativo da Caixa Federal para os cartões de crédito oferece, sim, oportunidades de parcelamento das dívidas em até 36 meses, mas a juros escorchantes de 6,7% ao mês(veja print acima, na volta do dia desta quinta, 2 de abril). E continua sendo cobrado o IOF, que Bolsonaro, supostamente, suspendeu por três meses.

A Caixa Federal é uma excrescência, igual a qualquer banco particular. Só o lucro interessa.

02 abr

Grande empresariado goiano está omisso na crise do coronavírus e, com exceção do setor de ácool, deu até agora uma contribuição que é ridícula: a doação de 100 termômetros

Não é exagero, leitora e leitor: a poderosa Federação das Indústrias do Estado de Goiás – FIEG, que congrega os supercapitalistas goianos, aqueles que recebem anualmente incentivos fiscais da ordem de R$ 8 bilhões (a previsão para 2020), doou 100 termômetros para os hospitais estaduais – uma despesa que não chega nem a R$ 1 mil reais, mas, até agora, é a única contribuição que ofereceu ao combate ao coronavírus em Goiás, além de do falatório inconsequente do seu presidente, o ex-deputado federal Sandro Mabel (e se não for verdade, este blog gostaria de ser desmentido).

Em São Paulo, a FIEG de lá vem se saindo à altura do seu compromisso moral neste momento de calamidade. Levantou milhões e milhões de reais para comprar cestas básicas. Empresas como a Gerdau, a Ambev e o hospital Albert Einstein (que é particular) estão dando uma lição ao grande empresariado goiano.  Anunciaram, entre outras ações, a doação de um centro de tratamento da Covid-19 com 100 leitos à Prefeitura de São Paulo. Já entregaram 40 leitos e até o fim de abril estarão prontos os outros 60, para atender pacientes sem recursos. A Gerdau pagou a estrutura do prédio, a Ambev bancará o custo e o Einstein cuidará dos doentes.

Imaginem alguma parecida em Goiás, amigas e amigos deste blog. Não vai acontecer. Empresários de porte em Goiás recusam-se a pagar até pela manutenção dos jardins públicos que ficam em frente aos seus negócios. Acham que fazem à sociedade o favor de gerar empregos, quando, na realidade, só os criam na medida mínima para a garantia de funcionamento dos seus empreendimentos e, como a CPI dos Incentivos Fiscais comprovou, descumprindo as contrapartidas que assumiram ao receber os seus bilionários descontos de ICMS – sim, aquele mesmo tributo que as pequenas e médias empresas são obrigadas a pagar todo mês, mas os gigantes da indústria, jamais. Não é à toa que já se disse, por aí, que em Goiás pagar imposto, pelo menos o estadual, é coisa de pobre.

Há uma exceção. O setor de produção de álcool, desde o início, alinhou-se com o governador Ronaldo Caiado e está se desdobrando em contribuições, sem nenhum retorno financeiro. Já há algumas semanas, 120 mil litros de álcool 70% foram entregues ao governador para atender os hospitais públicos, asilos, presídios e unidades socioeducativas, não sem antes mobilizar fábricas de refrigerantes e cerveja que se adaptaram rapidamente para promover o engarrafamento do produto em unidades de um litro. Além disso, mais 100 mil litros foram doados para municípios, a exemplo de Goianésia, onde o prefeito Renato de Castro recebeu do seu adversário político Otavinho Lage, dono de uma usina, uma remessa de 20 mil litros, sem custo nenhum.

Os usineiros são um exemplo: estão cumprindo o seu dever em Goiás, coordenados pelo Sifaeg do jovem André Rocha. Mas são eles apenas. É bom ressaltar que as produtores goianos não fabricam álcool 70%, que, inclusive, era proibido para comercialização em geral e só foi liberado, diante da emergência sanitária do país (por seis meses). Eles só fazem o etanol e o anidro. Mas se adaptaram com rapidez e estão inclusive pagando por conta própria a fabricantes de embalagens, para fornecer aos órgãos públicos de saúde, além de estabelecer uma relação com a UFG para desenvolver uma nova fórmula para o álcool gel (o atual depende de insumos importados, que estão longe do alcance no momento). Fora eles, o resto do grande empresariado goiano está vergonhosamente com os braços cruzados – aliás, nem tanto, já que precisam ganaciosamente de proteger os seus bolsos.

01 abr

Vejam essa foto, leitora e leitor: ela atesta o alheamento e a insensibilidade de Iris, preocupado com obras enquanto a população padece com a crise e ele nega qualquer solidariedade

A foto acima foi publicada agora há pouco pelo portal online de O Popular. Mostra o prefeito Iris Rezende, em plena emergência provocada pela pandemia do coronavírus, vistoriando obras em Goiânia que nada têm a acrescentar  para o tipo de socorro que a população, especialmente a mais desfavorecida, demanda neste momento de agruras e sofrimento. Não é coincidência que ele apareça solitário na foto, longe de tudo e de todos – como que simbolizando o seu distanciamento deliberado das necessidades coletivas e a imersão em um mundo de fantasia, sem conexão com a realidade das goianienses e dos goianienses.

Até agora, com mais de mês da chegada da nova doença, o que Iris fez? Nada. Nada mesmo. Irresponsavelmente, assegurou que Goiânia “é uma cidade protegida por Deus”, em um instante em que Deus deve ter outras prioridades a atender. Em seguida, mandou seu secretário de Finanças avisar que não se pode fazer nada para aliviar as obrigações tributárias dos contribuintes sejam pessoas físicas sejam pessoas jurídicas da capital. Assinou um inócuo decreto de calamidade pública, instalou uma central telefônica para dar informações sobre o coronavírus e publicou um anúncio mandando a população lavar as mãos para se livrar do contágio. Mas quem lavou as mãos foi ele. Nem um único centavo da prefeitura, que há um mês atrás se gabava da sua “condição fiscal melhor que que a maioria das capitais”, foi comprometido com ações efetivas de combate à Covid-19, sejam sanitárias, sejam econômicas, sejam de apoio social.

Não há nada de concreto ou importante ou significativo que a prefeitura de Iris tenha feito pelos munícipes (que palavra!) até agora. É até interessante notar que ele tem praticamente 60 anos de vida pública sem que tenha sido testado em uma situação de catástrofe social ou econômica. Essa é a sua primeira vez e ele caminha para sair menor do que entrou. Manter o cronograma de obras, em detrimento do fator humano e da solidariedade social, é um caminho errado e até cruel ou característico da falta de compaixão. Viadutos não resolvem nada. Enquanto cidades da Grande Goiânia, como Trindade e Aparecida, já amenizaram as obrigações tributárias das suas cidadãs e cidadãos e adotaram programas para apoiar as faixas mais carentes da população, o Paço Municipal segue fingindo que está tudo bem e deixa todos ao léu.

01 abr

Atenção, leitoras e leitores: quarentena não pode ser suspensa em Goiás e precisa ser prorrogada por mais tempo, sob pena de se perder todo o sacrifício feito até agora

Por todo o mundo, as medidas de isolamento estão sendo prorrogadas em alguns casos até 30 de abril, mas prorrogadas, sempre com base em evidências científicas que não podem ser contrastadas. E não há dúvidas de que é o mesmo que se recomenda para Goiás, onde, teoricamente, a quarentena se encerra na próxima segunda, 6 de abril (na verdade, 4 de abril, que cai em um sábado, segundo o decreto do governador Ronaldo Caiado).

Se as restrições à movimentação de pessoas forem suspensas, a verdade é que todo o sacrifício feito até agora será desperdiçado. A pandemia está longe de ter sido contida em Goiás e segue ameaçando a vida das goianas e dos goianos. O máximo que se pode admitir é que alguns setores, infelizmente pouquíssimos, venham a ser liberados e mesmo assim assumindo-se que haverá risco de estímulo à proliferação da Covid-19.

A quarentena é questão de vida e morte. A recomendação de todas as autoridades e organismos da área de saúde, responsáveis, continua a mesma: não saia de casa.

01 abr

Planos de saúde deveriam ser solidários com os segurados e oferecer descontos e proteção, na crise do coronavírus (leia na coluna de Elio Gaspari, hoje). Mas a Unimed segue omissa

É uma vergonha a completa e absoluta omissão da Unimed, maior plano de saúde em operação em Goiás (há outros, menores, que estão no mesmo caminho). Com a quarentena, foram diminuídas ou até reduzidas a zero as cirurgias eletivas, as consultas de rotina, o atendimento de emergência, os exames laboratoriais e mais toda a gama de serviços médicos que acontece em grande volume em épocas de normalidade – tudo, obviamente, com o objetivo de reduzir as possibilidades de contágio e proliferação do novo coronavírus.

Quer dizer: caíram as despesas que a Unimed cobre e teria a pagar e caíram drasticamente. A sua arrecadação, no entanto, está mantida. Isso significa uma sobra de caixa que pode chegar a centenas de milhões de reais, o que permitiria algum tipo de alívio para os usuários – só que, não, a empresa, que gosta de se apresentar como cooperativa, porém na prática não o é, parece estar aproveitando para fazer rechear suas burras às custas dos seus clientes, embora legalmente e talvez não moralmente e eticamente. Como dito, não é só a Unimed. Todos os demais planos de saúde que funcionam em Goiás estão fazendo o mesmo. E não se diga que é preciso criar mecanismos para prevenir uma alta da demanda por atendimento médico, uma vez que o combate à nova doença foi centralizada nos hospitais públicos, os únicos que contam com os equipamentos necessários para acolher os pacientes.

A título de comparação, leitora e leitor, confiram a coluna do jornalista Elio Gaspari, em O Popular desta quarta, 1º de abril. Ele conta que, nos Estados Unidos, as seguradoras de saúde adotaram um comportamento solidário com os seus beneficiários: “Na semana passada a seguradora Aetna (22 milhões de segurados) anunciou que não
cobraria alguns pagamentos laterais exigidos nos contratos. A iniciativa espalhou-se com a rapidez do vírus, e 78 operadoras anunciaram diversas modalidades de ajuda. David Cordani, CEO da seguradora Cigna (12 milhões de segurados), informou: ‘Nossos clientes com Covid-19 devem se preocupar com a luta contra o vírus e em
prevenir sua propagação. Enquanto eles estiverem focados na recuperação de suas saúdes, terão nossa proteção'”.

É só um exemplo. Em uma situação de calamidade pública, instituições com abragência coletiva deveriam se adequar e responder à altura com as suas responsabilidades sociais.  Infelizmente, para a Unimed e demais planos de saúde , que não têm disponível até hoje uma reles vacina contra a gripe comum, apesar dos tempos de emergência epidemiológica, o coronavírus está se revelando uma grande oportunidade para ganhar dinheiro às custas da sua massa de “beneficiários”. Muito dinheiro.

31 mar

Ações solidárias de Caiado para a população expõem, por comparação, a insensibilidade e a ganância de Iris, do grande empresariado, da Enel, da maioria dos prefeitos e da Unimed

Não há como levantar uma vírgula para o desempenho do governado Ronaldo Caiado diante da pandemia do coronavírus. Suas ações de defesa e proteção das goianas e goianos são amparadas em fundamentos inconstratavelmente científicos, mas ele não está parando por aí: ao contrário, tem se desdobrado com decisões de solidariedade que são da maior importância, neste momento, e o farão credor eterno da gratidão e do reconhecimento de toda a população de Goiás.

Caiado mandou pagar em dinheiro para as crianças da rede estadual de ensino a merenda escolar. Adiou todo o IPVA do 1º semestre. Começa ainda nesta semana a distribuir 500 mil cestas básicas, cuja aquisição ele negociou pessoalmente com o setor supermercadista estadual. Aliviou as obrigações acessórias que os empresários são obrigados a cumprir com a Secretaria da Economia. Organizou a disponibilidade de 1.500 leitos para os pacientes graves de coronavírus. Suspendeu os cortes de fornecimento de água aos inadimplentes da Saneago. E, coroando tudo isso, está repetindo dia e noite que os segmentos sociais mais carentes precisam ser socorridos imediatamente, antes que a fome acabe provocando a quebra da ordem constituída.

É uma atuação modelar. E que, por comparação, denuncia a omissão de quem poderia estar fazendo o mesmo, ainda que dentro das condições de cada um. O caso mais sério é o do prefeito Iris Rezende, que baixou um decreto de calamidade pública e montou uma central de atendimento telefônico a dúvidas sobre o coronavírus – e lavou as mãos. A prefeitura da capital, cuja excelente situação fiscal vinha sendo cantada em prosa e verso, repetinamente passou a falar em dificuldades financeiras e virou as costas para as goianienses e os goianienses. Recusou-se a adiar o pagamento dos impostos municipais. Fechou os CMEIs e não ofereceu nenhuma solução alternativa para a alimentação de milhares de crianças. Não formulou nenhum programa de apoio a quem precisa (Salvador, por exemplo, vai pagar por três meses um auxílio de R$ 270 aos trabalhadores informais da cidade). Nem sequer está protegendo adequadamento os seus esquadrões de recolhimento de lixo, que continuam operando munidos apenas do equipamento tradicional (criminosamente, a Comug alega que disponibiliza álcool em gel para os lixeiros no início e no fim do expediente).

Na contramão da História, Iris segue falando em inauguração de obras, como se viadutos tivessem alguma importância ou servissem a alguma finalidade solidária no presente momento  de emergência. Lamentavelmente, a ganância fiscal da prefeitura de Goiânia se estendeu à maioria dos prefeitos, por esse Goiás afora, que não estão fazendo nada para contribuir com a luta contra o coronavírus e apoiar as suas cidadãs e cidadãos, preocupados apenas em preservar suas receitas. Em vez de cortar despesas, diminuir salários ou outros atos de sacrifício, preferem reclamar, em coro, da decisão de Caiado que adiou o IPVA (a que os municípios têm direito em parte).

Há exceções, é claro, e as principais são Aparecida e Trindade, que tanto repactuaram as datas de quitação dos seus tributos quanto lançaram programas para apoiar a população. Não está no mesmo caminho o grande empresariado, recolhido à defesa dos seus interesses, como sempre, e sem até agora um único gesto de grandeza em Goiás. A FIEG, poderosa representante do baronato industrial goiano, fez uma vaquinha há poucos dias e doou 100 termômetros para a Secretaria estadual da Saúde. Acreditem se quiser, leitoras e leitores: os supercapitalistas que se fartam dos incentivos fiscais estão limitados a essa única atitude de solidariedade com os seus consumidores, até agora. Outro comportamento deplorável foi o da indústria do arroz, que aproveitou a alta da demanda – via formação de estoques pelas famílias – para subir seus preços em mais de 30%, o que fez o pacote de cinco quilos do bilionário arroz Cristal subir de R$ 12 para R$ 16 reais nos supermercados.

Tem coisa pior, infelizmente. Uma delas é a Enel, que foi proibida pelo governo federal de cortar a energia de quem não pagar suas contas por três meses, porém não anunciou uma única medida de alívio por sua própria responsabilidade e até hoje não disponibilizou a anunciada autoleitura, com o claro intuito de ganhar tempo na cobrança da energia elétrica pela média dos últimos 12 meses – o que, obviamente, fará aumentar o faturamento da companhia. A Enel vai devolver o dinheiro depois? Vai. Vai pagar os juros desse “empréstimo compulsório”? Não vai. Por que a empresa italiana não dá a sua demonstração de solidariedade aceitando o menor valor dos tais últimos 12 meses, para acerto posterior da diferença, sem juros ou quaisquer outros encargos?

Vem agora a Unimed, maior plano de saúde em operação em Goiás. Com a quarentena, caíram a zero as cirurgias eletivas, as consultas de rotina, a procura pelos setores de emergência médica, os exames laboratoriais e, enfim, tudo o mais que os seus contratos asseguram aos usuários – só que as contribuições dos segurados continuam nos mesmos valores que eram pagos anteriormente. Isso significa que a empresa acumulará uma sobra de caixa de milhões e milhões de reais, pelo menos enquanto durar a quarentena, ainda mais que está definida a estratégia de tratamento dos pacientes de coronavírus, ao menos os graves, pelos hospitais da rede pública (os únicos que estão aparelhados corretamente para isso). Algum gesto de solidariedade entre os controladores da Unimed, em relação aos seus clientes? Nenhum. E nem sequer uma palavra de apoio ou de esclarecimento. Só o silêncio, como em todos os casos anteriores.

A pandemia do coronavírus trará uma consequência drástica para Goiás: com a exceção honrosa do governador Ronaldo Caiado, os donos do poder (público e privado) no Estado serão expostos como cruéis, impiedosos e, pior do que tudo isso, espertinhos que querem preservar as suas vantagens e ganhar dinheiro com o sofrimento do povo.

30 mar

Omissão da prefeitura de Goiânia na crise do coronavírus não está só na recusa a adiar ou renegociar os impostos municipais, mas também em largar os recolhedores de lixo à própria sorte

Para o prefeito Iris Rezende, as suas responsabilidades quanto a enfrentar a pandemia do coronavírus resume-se a duas platitudes: uma, assegurar às goianienses e aos goianienses que a capital é uma cidade “protegida por Deus” e, outra, assinar decretos inócuos de calamidade pública, que não foram seguidos pela complementação adequada quanto a medidas de prevenção coletiva – e por isso foram questionados pelo Ministério Público Estadual, corretamente, que foi à Justiça exigir que Iris adote soluções emergenciais de higiene e desinfecção em locais públicos e também em ruas e logradouros frequentados por moradores de rura.

Não, leitora e leitor, Iris não está fazendo nada para minimizar os efeitos deletérios da onda que está trazendo a nova doença para Goiânia. Seu secretário de Finanças, Alessandro Melo da Silva, ou mentiu há um mês atrás quando disse entre aspas que a situação fiscal da prefeitura era uma das melhores do país ou está mentindo agora na nota oficial que soltou para jurar que nenhum alívio pode ser concedido aos contribuintes do IPTU e do ISS, por falta absoluta de condições da caixa da municipalidade. Em meio a uma situação social que beira o desespero, o prefeito visita obras para prometer que, sim, todas serão inauguradas até o final do ano, graças a uma disponibilidade de recursos que alcançaria – segundo o mesmo secretário Alessandro Melo da Silva – cerca de R$ 1 bilhão e 400 milhões, guardados nas contas do Paço Municipal.

Afrontosamente, áulicos de Iris, como o seu auxiliar Agenor Mariano, ainda têm a cara lavada de aparecer nos jornais propondo que, justamente em razão da pandemia, o mandato do atual prefeito deveria ser prorrogado por mais dois anos. Ora, pela falta de ação, pela displicência, pela indiferença e pela negligência que a prefeitura está mostrando, talvez fosse o caso até de encurtar o tal mandato. Nem o minimamente básico está sendo feito. Testemunhem vocês próprios, leitoras e leitores: os recolhedores de lixo estão nas ruas manuseando o equipamento mais tóxico que existe em Goiânia, hoje, sem a proteção adequada. Os caminhões e trabalhadores circulam pelas ruas sem dispor sequer  de álcool gel ou qualquer outro desinfentante, a não ser os seus equipamentos tradicionais – que vão se contaminando a cada saco ou volume de rejeitos tocados. É um crime. A Comurg responde informando absurdamente que, na saída e na chegada, há desinfentantes disponíveis para os lixeiros. É caso de polícia, na presente situação de emergência sanitária.

28 mar

Fala de Vanderlan condenando a quarentena está abaixo das suas responsabilidades como senador e mostra desprezo pela vida ao acrescentar que “abaixo de 30 anos, quase não há mortes”

O senador Vanderlan Cardoso, que não tem formação médica – aliás, nem superior, disse a O Popular que “há exageros” nas medidas de restrição à circulação de pessoas em Goiás que foram adotadas pelo governador Ronaldo Caiado. Notem bem, leitoras e leitores: ele não detalhou quais “exageros” seriam esses, mas se alinhou às teses do presidente Jair Bolsonaro, sugerindo, sem dizer as palavras exatas, que pagar um preço em vidas de idosos e doentes seria, para a sociedade, um prejuízo menor que as dificuldades criadas para o pleno desenvolvimento das atividades econômicas e a manutenção da renda de cada um.

Não é papel de um senador da República em um momento como o atual. Além de ser uma opinião totalmente desprovida de amparo científico ou técnico, trata-se de uma manifestação que não deveria partir de alguém que ocupa um cargo de desse calado e, portanto, deveria ter consciência de que tudo o que sai da sua boca, inclusive os espirros, tem alguma importância. Já está patente, pelo mundo afora, que as decisões das autoridades quanto ao isolamento social são o que de melhor pode ser feito para prevenir os efeitos mortais da pandemia. É melhor parar, agora, do que colocar depois as vítimas em caminhões do Exército para serem cremadas em locais distantes. Segundo o senador, “quase não há mortes abaixo dos 30 anos”, o que não é verdade, mas pareceu soar, conforme a cabeça dele, como uma pena capital para quem está acima dessa faixa etária. (Atualização: levantamento do Ministério da Saúde, que acaba de ser divulgado, mostra que mais da metade dos casos graves, no Brasil, são de jovens e adultos com menos de 60 anos).

O mais inacreditável em tudo isso é que Vanderlan telefonou para Caiado para reclamar do que batizou de “medidas exageradas”. Quer dizer: além de não ter oferecido nenhuma contribuição para a luta contra o coronavírus em Goiás, ainda se mexeu para solapar o que vem sendo feito de bem feito pelo governador. Ah, reconheça-se, ele ofereceu salgadinhos, ou seja, comida processada, fabricados pelas suas empresas para ajudar nas cestas básicas que o governo goiano está distribuindo, o que não é nem um pouco recomendável, do ponto de vista nutritivo. Tais quais as suas opiniões.

28 mar

Ineficácia da prefeitura torna-se ameaça aos goianienses: em uma semana de vacinação contra a gripe comum, apenas metade das doses disponíveis foi aplicada. E a campanha parou sábado e domingo

A prefeitura de Goiânia não está em dia com as suas obrigações com a população da capital nestes dias de pandemia mundial. Além de recursar qualquer alteração no calendário de impostos ou qualquer outra medida capaz de proporcionar alívio financeiro aos contribuintes, não está sendo capaz de proceder a obrigações de rotina como a vacinação contra a gripe comum: a campanha foi mal organizada e não corresponde às necessidades que os goianienses estão vivendo.

Tendo recebido do Ministério da Saúde quase 60 mil doses, a prefeitura, em uma semana de trabalho, mal conseguiu aplicar a metade. A única atitude inteligente foi tirar distribuição das vacinas dos centros municipais de saúde, onde as possibilidades de disseminação do coronavírus seriam maiores, e passar para escolas municipais. Fora isso, a campanha é um desastre completo. (Logo no primeiro dia, o governador Ronaldo Caiado foi obrigado a se expor ao correr para o estádio da Serrinha e dissolver uma aglomeração de idosos que aguardavam pela vacina).

No tal drive-thru inventado nos shoppings e no pátio do Detran, não foi disponibilizado acompanhamento nem da Polícia Militar nem da Guarda Municipal para orientar os motoristas que se engavetaram em longas filas, em alguns momentos chegando a quilômetros. Pior: no final do horário de vacinação, aliás calibrado para as 17 horas e portanto cedo demais, veículos que esperaram por uma ou duas horas levaram os portões fechados na cara. Isso é um desrespeito, para não falar prova de desorganização e incompetência.

O prefeito Iris Rezende precisa acordar. Em plena pandemia, foi visitar obras(na foto acima), com sua assessoria distribuindo fotos e releases em que ele aparece sorridente liberando o tráfego na Praça do Cruzeiro (o que é uma imagem simbólica negativa no momento). É um absurdo. Obras não são prioridade neste momento, mas sim ações que tenham a ver com a contenção da nova doença em Goiânia – o que, com eficiência a toda prova, o governador Ronaldo Caiado está fazendo diariamente. Iris está omisso e não empenhou, até agora, um único recurso ou atividade extra da máquina municipal no combate ao coronavírus. A depender dos acontecimentos futuros, isso vai acabar manchando a sua biografia.

28 mar

Argumento de O Popular, de que rompimento de Caiado com Bolsonaro obedeceu a “cálculo político” e que “Caiado já sabia quem era Bolsonaro” não é só infantil, é desonesto também”

O Popular entrou em cruzada para defender a sua tese de que o reposicionamento do governadr Ronaldo Caiado em relação à sua aliança com o presidente Jair Bolsonaro obedeceu a um “cálculo político” e que, pior ainda, Caiado não teria razão porque “já sabia há tempos quem era Bolsonaro” – interpretação que revela a inocência dos jornalistas daquele que supostamente deveria ser o principal veículo de comunicação do Estado, mas não se comporta com a sensatez que está depositada sobre os ombros dos seus profissionais e parece não servir para nada, a não ser desinformar em tempos de emergência social e econômica.

Não houve “cálculo político” nenhum, leitora e leitor. Caiado esteve em uma videoconferência de governadores com o presidente, pela manhã, e nada ouviu sobre as sandices que, à noite, o chefe da Nação foi à televisão, em rede nacional, dizer. Ele, Caiado, ficou perplexo com a fala de Bolsonaro, que contrariou toda a sua formação científica como médico de elevada qualificação acadêmica e longa experiência. Mais ainda ao constatar que o capitão, sem a menor consideração com os governadores, tentou jogar no colo deles a responsabilidade pelas dificuldades óbvias que estão recaindo sobre o andamento das atividades econômicas.

Tudo isso não tem a ver com política, mas com ciência e bom senso. Mas é da maior importância no atual contexto, do país e do Estado. Envolve algo muito mais sério, que O Popular despreza: a defesa da sociedade e a proteção das goianas e dos goianos contra uma pandemia que pode cobrar um preço alto em vidas antes de ser debelada. O jornal outrora mais lido de Goiás hesita entre apoiar as medidas de contenção à circulação de pessoas ou defender a retomada das atividades. Não tem opinião sobre esse debate que é o mais importante do país, hoje. É omisso (todos os grandes jornais do país já se definiram a favor da quarentena). Nem O Popular nem Bolsonaro entenderam o xis da questão: se, com a movimentação de pessoas liberadas, a nova doença se espalhar, não haverá distinções entre jovens e idosos quando o sistema de saúde for sobrecarregado, como aconteceu na Itália, e não conseguir atender a demanda. Isso não envolve nenhum “cálculo político” e foi a única avaliação que orientou Caiado nas suas decisões quanto ao isolamento social e em relação ao presidente. Se houver alguma aritmética aí, o caso é de salvar ou não seres humanos, de todas as idades, já, e resolver depois os desafios da economia. É essa a única conta que o governador está fazendo porque, no final das contas, é a única que importa.

O outro argumento dos jornalistas de O Popular é que Caiado “já sabia há tempos quem era Bolsonaro”. Esse foi o título que eles puseram no podcast que distribuíram pelo email dos assinantes, claro reflexo do remorso que atingiu a sua equipe com as imbecilidades publicadas antes, quando tentaram depreciar as decisões de um governador que está se mostrando muito maior do que qualquer outro no país e não só pelas suas decisões institucionais, como também pela coragem pessoal demonstrada a cada dia. Ao vender a imagem de que Caiado está movido por interesses quanto ao seu futuro político, o resultado alcançado por O Popular, cuja equipe desdenha de todo e qualquer governante, menos Iris Rezende, é solapar a credibilidade das duras decisões adotadas em Goiás. É um jogo dissimulado. Porém, mesmo assim, não pode ser escondido, já que, no final das contas, tudo tem que ser colocado no papel. E aí a verdade é escancarada até para quem não sabe ler os pingos nos iis.