Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

08 dez

Auditoria na folha de pagamento: Caiado segue o script de todos os governos, que responsabilizam o funcionalismo pelas mazelas da administração. Mas, por esse caminho, o Estado não será ajustado

Nenhum governo, em qualquer parte do mundo, conseguiu promover um ajuste capaz de levar ao equilíbrio financeiro apenas promovendo cortes de despesas e principalmente através de medidas restritivas quanto ao funcionalismo público.

 

Claro, tudo isso faz parte dos planos de estabilização das gestões, principalmente as que se iniciam, mas passa longe do que verdadeiramente produz resultados, que é o aumento da arrecadação. Despesas públicas, em geral, são cristalizadas e só podem ser reduzidas em percentuais mínimos , já que a maioria dos gastos são obrigatórios e cresce política vegetativamente o tempo todo.

 

Porém, trata-se de um discurso que funciona e impressiona a sociedade. E é o que o governador eleito Ronaldo Caiado está fazendo: demorou, mas finalmente, como todo governante prestes a assumir o poder, anunciou que vai atacar na área do funcionalismo. Neste sábado, através da coluna Giro, em O Popular, avisou que fará uma auditoria na folha de pessoal e repetiu o discurso já visto antes na boca de todos os seus antecessores, que nunca resultou em nada de positivo para qualquer administração do passado: vai ver o que está passando da conta quanto aos servidores estaduais e cortar. No final das contas, não sairá daí mais do que zero vírgula qualquer coisa por cento de economia, número insignificante diante do gigantismo do Estado.

 

Como disse o senador eleito Vanderlan Cardoso, que está se revelando um político perspicaz e profundo conhecedor da máquina pública estadual, “o problema de Goiás não são os servidores públicos, mas sim as empresas VIP que não pagam ICMS, sob a alegação de que geram emprego e que isso é suficiente para justificar seus privilégios”. Esse deveria ser o foco da auditoria de Caiado, não a barnabezada estadual. Mas é um caminho que o novo governador já abriu mão de percorrer.

08 dez

Personalidade peculiar de Caiado, que tem preocupação obsessiva com a sua biografia, leva à conclusão de que será um governador pouco ousado e, ao contrário do prometido, incapaz de mudanças reais

Não esperem, leitoras e leitores, que o governador eleito Ronaldo Caiado cumpra na sua gestão o principal compromisso que formulou na campanha, o de promover uma mudança profunda no Estado que receberá a partir de 1 de janeiro.

 

Não são as palavras que falam por um homem público, mas os seus atos concretos. A retórica de Caiado foi de que haveria algo de novo no seu governo, mas os gestos iniciais que já tomou por conta da sua administração – a concordância com a anistia às dívidas de ICMS e com a reinstituição dos incentivos fiscais, ambas as medidas favorecendo maus pagadores e privilegiando ainda mais um grupo VIP de empresas – indicam que o caminho a seguir será de manutenção do chamado status quo.

 

Nunca a personalidade peculiar de um governante terá tido tanta influência na administração como vai ser no caso de Caiado. Inovações e mudanças de rumo significam risco e isso é algo que ele, obsessivamente cioso da sua biografia e até limitado por ela, não vai assumir.

 

Caiado nunca foi envolvido em malfeitos e menos ainda em confusões ou sequer mal-entendidos, favorecido pelo rigor com que conduziu a sua solitária vida parlamentar, longe de grupos ou qualquer tipo de associações. Mas isso aconteceu no Legislativo. Agora, pela primeira vez no Executivo, vai se deparar com uma realidade que exige posicionamento ou tomada de partido a cada embate, com os inevitáveis desgastes e insatisfações de quem for prejudicado pelas suas decisões. A unanimidade que foi como deputado federal e senador não existirá mais.

 

As suas primeiras resoluções mostraram titubeio e receio de contrariar setores poderosos, que têm capacidade para disparar contra a sua imagem, como as entidades que representam as 600 empresas incentivadas que operam em Goiás. Deixou passar também uma permissão, pela primeira vez na história da Secretaria da Fazenda, para que impostos atrasados sejam quitados com títulos podres de crédito outorgado em vez de obrigatoriamente em dinheiro. São atitudes que antecipam a pouca capacidade de enfrentamento que o seu governo terá diante dos desafios mais fortes e estressantes. E apontam para uma escassa disposição para mudanças que possam causar polêmicas barulhentas.

08 dez

Refis e reinstituição dos incentivos fiscais, jogando bilhões do ICMS pelo ralo, sinalizam negativamente sobre governo Caiado, que dobrou os joelhos para um grupo VIP de empresas privilegiadas em Goiás

Eleito – e os goianos tiveram pressa em fazê-lo, decidindo a parada no 1º turno – para promover as mudanças necessárias e consertar o descalabro administrativo e financeiro em que o Tempo Novo mergulhou o governo de Goiás, Ronaldo Caiado foi testado em suas intenções por duas vezes nas últimas semanas e acabou reprovado.

 

Mesmo antes de assumir, Caiado foi chamado para decidir sobre mais uma anistia a devedores do ICMS (e, portanto, você que pagou seus impostos em dia fez um mau negócio)  e sobre a reinstituição dos incentivos fiscais que hoje beneficiam escandalosamente um grupo VIP de empresas instaladas em solo goiano. Apesar de inicialmente demonstrar disposição para adotar medidas duras de correção de rumos, que poderiam, inclusive, garantir a estabilidade da sua gestão, o novo governador marchou de recuo em recuo e acabou concordando com o que queriam os empresários, que mais uma vez impuseram a sua vontade aos interesses maiores da sociedade.

 

O Refis é uma das leis mais nocivas já aprovadas pela Assembleia. Além de premiar quem não pagou o ICMS com descontos milionários, admitiu, pela primeira vez, a utilização de títulos de crédito outorgado na quitação dos impostos atrasados. Com isso, o que vai entrar nos cofres do Estado são papeis podres – como os define um profundo conhecedor do assunto, o empresário e senador eleito Vanderlan Cardoso – e não dinheiro.

 

O caso da reinstituição dos incentivos fiscais é pior ainda. A nova lei, que recebeu a concordância de Caiado, mantém quase que intacta a renúncia fiscal de aproximadamente R$ 10 bilhões por ano e dá sobrevida a uma elite empresarial que, além de não pagar ICMS, ainda fatura vendendo títulos de crédito outorgado (vantagem que recebem na proporção da matéria prima adquirida) a devedores de impostos para que possam pagar seus débitos com a Secretaria da Fazenda. Em troca, inventou-se a lorota de que, em 2019, único ano em que as modificações, mesmo pequenas, prevalecerão, voltando em seguida tudo ao que é hoje, haveria um aporte adicional de R$ 1 bilhão à arrecadação estadual, número que, além de irrisório (corresponde a meio mês de receita de ICMS), não foi comprovado.

 

A sinalização para o governo Caiado, assim, não poderia ser mais ruim. A nova gestão vai estrear de joelhos dobrados para a parcela mais privilegiada do empresariado do Estado, depois de criar a expectativa de que seria capaz de impor mudanças – mesmo contrariando interesses de pessoas ou grupos. Vê-se agora que isso não vai acontecer.

07 dez

Candidatura de Álvaro Guimarães a presidente da Assembleia, que navegava em mar de rosas, entra em turbulência com a promessa de entregar diretorias importantes a deputados derrotados ligados a Marconi

Surgiram obstáculos para a até então tranquila candidatura do deputado Álvaro Guimarães a presidente da Assembleia – a começar pela reação negativa, dentro do círculo mais reservado do governador Ronaldo Caiado, à promessa de entregar de diretorias legislativas importantes a deputados derrotados próximos do ex-governador Marconi Perillo.

 

Um dos compromissos que teria sido firmado por Álvaro – e, se for verdade, inexplicável – seria o de nome Francisco Oliveira(foto acima, com Álvaro Guimarães), atual líder do governo, sem mandato a partir do início do ano que vem, para a diretoria geral, cargo que acumula poderes administrativos imensos, só perde em importância para o próprio presidente e se configura como uma espécie de 42º deputado estadual, abrindo uma fresta para a manutenção da influência de Marconi dentro da Casa.

 

Disputas com base em colégios eleitorais reduzidos, caso da presidência da Assembléia, com apenas 41 votos, são às vezes mais difíceis que aquelas que acontecem em bases ampliadas. Daqui para ali, esvaziam-se vitórias tidas como certas, especialmente através de movimentações de última hora. Álvaro Guimarães é favorito, mas cometeu um erro no nascedouro da sua postulação: deixou que o seu nome se identificasse com uma interferência indevida de Caiado em assuntos internos do Legislativo. Mas, mesmo assim, seu nome continua forte, mas não à prova de erros.

07 dez

Vanderlan, senador eleito que é empresário há 25 anos e entende do assunto, define a política de incentivos fiscais em Goiás como “repleta de distorções” e, em alguns casos, de “fraudes”

O senador eleito Vanderlan Cardoso, proprietário da Cicopal, grande empresa que atua em Goiás há 25 anos e portanto entende profundamente de política fiscal, considerou tímidas as mudanças introduzidas nos mecanismos de incentivos tributários pelo projeto de lei aprovado pela Assembleia Legislativa nesta semana, com a concordância do governador eleito Ronaldo Caiado.

 

“O ajuste foi pequeno”, disse Vanderlan a este blog. “Foi uma oportunidade perdida”, acrescentou. Em uma posição  que pode ser definida como 100% correta, ele argumenta que “não faz sentido o Estado privilegiar empresas que só geram emprego e renda, mas não pagam ICMS”.

 

As distorções dos incentivos fiscais, que em alguns casos Vanderlan define como “fraudes”, dizem respeito principalmente à questão do crédito outorgado. “Existe um grupo VIP de empresas beneficiadas com incentivos e créditos fiscais que, mesmo sem pagar ICMS, ainda têm um saldo credor de impostos gerado pela aquisição de compra de matéria prima. Há muitas empresas ganhando mais dinheiro vendendo títulos de crédito outorgado (para outras empresas quitarem dívidas com ICMS) do que com seu próprio negócio””, denuncia o senador.

 

Que empresas seriam essas? Não há segredo: elas estão principalmente nos setores automobilístico, de laticínios, atacadista, e de frango, que foram as mais agressivas na conquista de benefícios durante as duas décadas do Tempo Novo do ex-governador Marconi Perillo. Mais grave, diz Vanderlan, é que o Refis aprovado pela Assembleia Legislativa permitiu, pela primeira vez, que dívidas atrasadas de ICMS possam ser quitadas com títulos de crédito outorgado até o limite de 60%, o que significa que, mais uma vez, o que vai entrar no caixa do Estado é papel podre e não dinheiro. É isso que o senador eleito chama da “fraudes”. E a solução, que Caiado não adotou, deveria ser o congelamento desses títulos, para evitar que as empresas privilegiadas por eles, além de não pagar ICMS ou pagar pouco, continuem acumulando créditos.

07 dez

Prisões de Jayme Rincón e Júlio Vaz mostram que a Operação Cash Delivery terá novas etapas, ainda mais com o Ministério Público Federal reafirmando que Marconi é o chefe da quadrilha

A Operação Confraria, desdobramento da Operação Cash Delivery, por sua vez derivada da Operação Lava Jato, vai inevitavelmente passar por novas etapas e complicar em muito a vida do ex-governador Marconi Perillo, que o Ministério Público Federal insiste em denominar como “chefe de uma organização criminosa que atua dentro do governo do Estado”(veja acima a petição do MPF, exibida pela TV Anhanguera).

 

Essa é a expectativa unânime entre advogados criminalistas e jornalistas especializados, que acompanham a investigação com uma certeza: se Marconi, considerado pelo MPF como o líder da quadrilha integrada por Jayme Rincón e Júlio Vaz, não foi preso novamente no caso da Operação Confraria, é porque provas estão sendo acumuladas para que a detenção ocorra em breve e com menos possibilidades de ser aliviada por pedidos de habeas-corpus. Os procuradores federais querem agir com a segurança de não ter os seus atos derrubados com a rapidez mostrada pelo Superior Tribunal de Justiça na sua primeira rodada, quando Marconi, por exemplo, foi liberado da cadeia em menos de 24 horas.

 

Nos primeiros momentos da Operação Confraria, chegou-se a noticiar a prisão de Marconi, que estaria em Búzios, na tal casa de veraneio que tem como proprietários ocultos Rincón e Júlio – que ele, de fato, frequentava nos bons tempos de poder. Mas não era verdade. A casa foi envolvida na ação policial, mas como alvo de sequestro de bem imóvel, para garantir a devolução dos recursos desviados pela OrCrim (dístico com que o MPF resume as organizações criminosas que investiga).

 

Que vêm aí tempos difíceis para o ex-governador tucano, ninguém duvida.

07 dez

Receio de iniciar o seu governo em meio a uma crise, com grandes indústrias ameaçando deixar Goiás, fez Caiado ceder e aceitar a continuidade dos incentivos fiscais praticamente intocados

O projeto de lei aprovado pela Assembleia e também pelo governador eleito Ronaldo Caiado, introduzindo mudanças ínfimas e cosméticas na barafunda dos incentivos fiscais em Goiás, representa uma oportunidade de ouro perdida para que a distribuição a torto e a direito de regalias tributárias tivesse um fim no Estado e deixasse de drenar o caixa da Secretaria da Fazenda.

 

Caiado chegou a ensaiar uma dura e necessária intervenção, ao propor inicialmente um corte de 50% nos incentivos, para em seguida recuar para 30% e, no final das contas, ceder totalmente ao que queriam os empresários beneficiados, que terão um leve aumento da carga tributária durante 12 meses, a partir de abril do ano que vem. Vencido esse prazo, tudo retornará ao que é hoje, ou seja, a uma situação de completo descontrole da arrecadação de ICMS, em que há empresas tão privilegiadas que ganham com as distorções do sistema mais do que com a própria atividade produtiva.

 

Isso porque, em 20 anos de anarquia fiscal (anarquia é a palavra correta para definir no que se transformou a política de incentivos em Goiás) criou-se, entre outras barbaridades, um mercado de créditos podres, os chamados títulos de crédito outorgado que muitas indústrias adquiriram o direito de emitir  em valor proporcional à matéria-prima  adquirida e em seguida transacionar com outras empresas – que, com eles, quitam as suas dívidas de ICMS.

 

Essa é mais uma prova do descalabro em que o Tempo Novo mergulhou Goiás, bastando para isso o exemplo de Mitsubishi, em Catalão, que, em 2010, último ano do governo Alcides Rodrigues, pagou R$ 120 milhões de impostos estaduais por ano, mas já no ano seguinte, com Marconi Perillo no poder, passou a não recolher nada e ainda ganhou o direito de emitir títulos de crédito outorgado no valor das aquisições de insumos, vendidos em seguida para empresas pagadoras de ICMS. A Caoa Chery, em Anápolis, também recebeu o mesmo privilégio.

 

Em vez de acabar com esses absurdos fiscais, não incentivos, Caiado atemorizou-se com chantagens como a do dono da Caoa, Carlos Alberto Oliveira Andrade, que deu entrevista a O Popular ameaçando o novo governo e prometendo deixar o Estado se um centavo das suas vantagens fosse cortado. Antevendo a possibilidade de iniciar a sua gestão em meio a uma crise com a grande indústria instalada em Goiás, o novo governador optou então por um ajuste ínfimo e, de costas para a sociedade e de joelhos para o empresariado, varreu a questão para baixo do tapete.

06 dez

Mudança cosmética nos incentivos fiscais, aprovada por Caiado, foi feita sem estudos técnicos adequados: não passa de palpite o valor (irrisório) de R$ 1 bilhão que seria arrecadado a mais em 2019

Depois de uma polêmica em que, em alguns momentos, sinalizou o advento de uma nova estratégia para o Governo de Goiás na questão dos incentivos fiscais, Ronaldo Caiado subitamente recuou e acabou referendando um acordo que praticamente não muda em nada a atual farra de regalias tributárias para  grandes empresas – algumas das quais, além de não pagar ICMS nenhum, ainda se fartam financeiramente com a emissão de títulos de crédito outorgado relativo a aquisição de matéria prima, que são vendidos no mercado para quem tem dívidas com o fisco estadual.

 

O acordo foi endossado por Caiado sem nenhuma fundamentação técnica, a não ser o afã de agradar os empresários e dobrar os joelhos para a ameaça de fuga de empresas para outros Estados. Do nada, foi tirada uma cifra – R$ 1 bilhão de reais – que entraria nos cofres do Estado no ano que vem, valor que, de resto, é irrisório e representa pouco mais que meio mês de receita de ICMS, que hoje chega a R$ 1,8 bilhão a cada 30 dias.

 

Esse cálculo de R$ 1 bilhão a mais na arrecadação foi apresentado à sociedade pelo próprio Caiado, mas desacompanhado de planilhas ou demonstrações capazes de comprovar que se trata de um valor real. No máximo, é um palpite. Ou, em linguagem popular, um chute.

 

Caiado teve receio de mexer no vespeiro dos incentivos fiscais, que transformou Goiás no paraíso das empresas isentas de contribuir com o ICMS, caso da indústria automobilística instalada em solo estadual, que além de não pagar impostos ainda ganhou o direito de emitir títulos de crédito outorgado (correspondentes à aquisição de matéria prima) para vender a empresas pagadoras de tributos ou com débitos na Secretaria da Fazenda. É uma situação insustentável, que drena a receita estadual, mas vai continuar no novo governo. Quem esperava mudança, frustrou-se.

06 dez

Ministério Público Federal insiste na tese de que Marconi lidera uma organização criminosa, com Jayme Rincón de braço direito, que “continua em plena atividade de coleta de propina”

O procurador Hélio Telho, que atua no Ministério Público Federal, afirma nos pedidos de prisão de Jayme Rincon e Júlio Vaz, detidos nesta quinta-feira pela Operação Confraria, que o ex-governador Marconi Perillo é o líder de uma organização criminosa que atua dentro do governo do Estado – que “continua em plena atividade de coleta de propina e lavagem de dinheiro, não se limitando apenas à Odebrecht, mas a outras fontes de recursos ilícitos, envolvendo além da Agetop, também a Codego e a Saneago”.

 

Telho apresenta conexões entre o esquema integrado por Júlio Vaz, presidente da Codego, e o pilotado por Jayme Rincón, que recebia em seu apartamento em São Paulo pacotes de dinheiro vivo enviados pela Odebrecht para Marconi. Em dias de entregas, há registros de contatos telefônicos entre Júlio Vaz e o diretor da Codego Márcio Gomes Borges com Jayme Rincón e também com os dois policiais militares que atuavam no transporte dos valores.

06 dez

Só acontece em Goiás: Refis de Zé Eliton, já aprovado pela Assembleia com a concordância de Caiado, contém disparates que beneficiam maus pagadores e penalizam empresa que quita ICMS em dia

O projeto que anistia multas e juros e refinancia dívidas atrasadas de ICMS, enviado pelo governador Zé Eliton à Assembleia, já aprovado inclusive com o apoio do governador eleito Ronaldo Caiado, contém verdadeiros disparates e representa uma forte penalização para as empresas que acertam seus impostos em dia em detrimento dos maus pagadores – que acabaram recompensados pela nova lei.

 

Pior: o projeto foi redigido não para reforçar a arrecadação do Estado (o governador Zé Eliton chegou a fazer a previsão, sem nenhum fundamento, de que seriam obtidos R$ 600 milhões adicionais em receita, ainda neste ano), mas com a clara intenção de dar fôlego extra ao esquema mafioso de transações envolvendo créditos outorgados de ICMS em um espécie de mercado paralelo que foi criado em Goiás, através das aberrações que se escondem atrás da política de incentivos fiscais.

 

O novo Refis permite que dívidas de ICMS sejam quitadas em até 60% do seu valor com créditos outorgados – títulos que empresas beneficiadas pelos incentivos fiscais recebem do governo do Estado no valor correspondente a parte ou total do que é gasto na aquisição de matéria prima. As quatro montadoras de automotivos – Mitsubishi, Suzuki, Caoa Chery, e John Deere – são as que mais desfrutam do poder de emissão desses créditos, mas há dezenas de outras também autorizadas, em valores variáveis, por termos especiais de negociação com a Secretaria da Fazenda, os chamados TAREs. Uma vez disponibilizados, os comprovantes de crédito outorgado podem ser negociados entre as empresas, geralmente com um desconto médio de 60% dos seus valores de face, e servem para pagar seu ICMS.

 

Há empresas em Goiás, autorizadas a emitir títulos de crédito outorgado, faturando hoje mais com esses papeis do que propriamente com as suas operações produtivas, caso em que as quatro montadoras são destaque. Com o novo Refis, nos termos em que foi aprovado, a Secretaria da Fazenda vai receber esses títulos, fazendo desaparecer pelo ralo centenas de milhões de reais que poderiam servir para a reconstrução do Estado.

 

E o que não dá para entender: com a aprovação do governador eleito Ronaldo Caiado. E você, empresário, que pagou seus ICMS, está vendo agora que fez um mau negócio.

06 dez

Preso pela Polícia Federal, casal Márcio-Meire tinha proximidade com Marconi, Zé Eliton e a nata do Tempo Novo. É por isso que a operação policial desta quinta foi batizada de “Confraria”

Uma série de fotos disponíveis em sites noticiosos da internet mostra a proximidade do casal de funcionários públicos Márcio Gomes Borges e Meire Cristina Rodrigues Borges, ele alto executivo da Codego e ela secretária da governadoria (sempre trabalhou com Sérgio Cardoso, cunhado de Marconi Perillo, de quem foi assessora na Secretaria de Articulação Política) com as personalidades de proa do Tempo Novo. O casal foi preso pela Polícia Federal, sob a acusação de integrar uma organização criminosa que desviava e lavava dinheiro roubado da Codego.

 

Há imagens de Márcio e Meire sendo condecorados tanto pelo ex-governador Marconi Perillo quanto pelo atual, Zé Eliton, além de cenas com a ex-primeira dama Valéria Perillo(confira acima) e parlamentares tucanos de destaque, como a deputada estadual derrotada na última eleição, Eliane Pinheiro.

 

Não à toa, a operação da Polícia Federal que prendeu os dois, mais o ex-presidente da Agetop Jayme Rincón e o presidente da Codego Júlio Vaz, foi batizada pelos investigadores de “Confraria”.

06 dez

TV Anhanguera exibe imagens de Jayme Rincón, chegando preso à sede da Polícia Federal, e de Júlio Vaz escondendo o rosto dentro da viatura policial

O noticiário da TV Anhanguera exibiu agora há pouco imagens inéditas do ex-presidente da Agetop Jayme Rincon, chegando sob escolta à sede da Polícia Federal em Goiânia, e do atual presidente da Codego Júlio Vaz (já exonerado pelo governador Zé Eliton) escondendo o rosto no banco traseiro de uma viatura policial.

 

Na TV Record, o Balanço Geral mostra o apresentador Oloares Ferreira comentando a Operação Confraria com fortes críticas ao governador Zé Eliton, a quem acusa de recorrer ao surrado jargão do “eu não sabia de nada”.

06 dez

Casal Márcio-Meire, ele funcionário da Codego, ela assessora da governadoria, tinha gastos e propriedades incompatíveis com a sua renda e chamou a atenção da Polícia Federal

O casal de funcionários públicos Márcio Gomes Borges e Meire Cristina Rodrigues Borges, ele alto executivo da Codego e ela secretária da governadoria (sempre trabalhou com Sérgio Cardoso, cunhado de Marconi Perillo, de quem foi assessora na Secretaria de Articulação Política) mantinha um padrão de vida incompatível com os seus rendimentos – o que chamou a atenção dos investigadores da Polícia Federal e fundamentou o encaminhamento de parte das investigações da Operação Confraria, que prendeu os dois na manhã desta quinta-feira.

 

Carros de luxo, um deles avaliado em 600 mil, e apartamento de R$ 4 milhões de reais, além de gastos com cartões de crédito e viagens foram alvo do inquérito, que apreendeu esses bens de propriedade do casal (sequestrou, no caso do imóveis).

06 dez

Alguma semelhança com o Rio de Janeiro? Operações da Polícia Federal mostram que organizações criminosas agiam livremente dentro dos governos de Marconi e Zé Eliton

As operações da Polícia Federal – Cash Delivery e agora a Confraria – revelam que organizações criminosas agiam livremente dentro dos governos de Marconi Perillo e Zé Eliton, em alguns casos com o envolvimento do próprio governador do Estado – caso de Marconi, que recebia propinas através do ex-presidente da Agetop Jayme Rincón, conforme denúncia do Ministério Público Federal.

 

A exemplo do que acontecia no governo do Rio de Janeiro, hoje maior exemplo de corrupção dentre todos os Estados brasileiros, o que foi flagrado em Goiás parece encadear uma rede delituosa: a partir do rastreamento telefônico dos dois policiais usados por Marconi e Rincón para recolher propinas, foram estabelecidas conexões com irregularidades praticadas no âmbito da Codego, com o envolvimento do seu presidente, Júlio Vaz, para quem os dois policiais também prestavam serviços de transporte de dinheiro vivo.

 

Pior, a Polícia Federal suspeita que, mesmo após a Operação Cash Delivery, as transações ilícitas com recursos públicos continuaram a pleno vapor na esfera da Codego, que atua na área de estímulo a industrialização do Estado.

06 dez

Polícia Federal divulga primeiras fotos de bens apreendidos (jóias, carros de luxo e dinheiro) pela Operação Confraria, que prendeu Jayme Rincón e Júlio Vaz

Saíram as primeiras fotos, divulgadas pela Polícia Federal, mostrando bens apreendidos pela Operação Confraria, desdobramento da Operação Cash Delivery (por sua vez derivada da Operação Lava Jato), que levou para a cadeia, na manhã desta quinta-feira, o ex-presidente da Agetop Jayme Rincón e o atual presidente da Codego Júlio Vaz,

 

Confira. Não se informou, por enquanto, a quem pertencem as joias, carrões (Maserati, BMW e Nissan) e o dinheiro recolhidos pelos agentes da Polícia Federal. Foram apreendidos 14 veículos (incluindo motos e lanchas) e sequestrados apartamentos e casas de veraneio em Búzios, Caldas Novas e Aruanã.

 

A Maserati Spyder é um modelo avaliado em cerca de R$ 1 milhão de reais. É raríssimo no Brasil, pela exclusividade.

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