Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

19 dez

Indicação de Fátima Gavioli para a Secretaria de Educação é do ministro Rossieli Soares, que chegou ao cargo com apoio do DEM nacional. E ela vem para desmontar o esquema Raquel Teixeira

A professora e ex-secretária de Educação de Rondônia Fátima Gavioli foi indicada ao governador eleito Ronaldo Caiado pelo atual ministro da Educação Rossieli Soares, que, por sua vez, chegou ao cargo por uma articulação do DEM nacional.

 

Rossieli Gomes, antes de ser ministro, foi secretário da Educação do Amazonas, de onde vem o seu relacionamento com Fátima Gavioli – Rondônia é Estado vizinho. Ele foi convidado pelo novo governador de  São Paulo João Dória para chefiar a Secretaria paulista de Educação.

 

Caiado chegou a ter três opções para a Seduce, todos sugeridos por Rossieli – além da professora Gavioli, analisou também os nomes do goiano Raph Gomes, um dos secretários do MEC, vetado rapidamente por ter integrado a estrutura de poder do ex-secretário Thiago Peixoto, do qual foi Superintendente de Inteligência Pedagógica, e da professora Kátia Stocco, secretária de ensino básico do MEC, essa descartada por suas ligações estreitas com a ex-secretária Raquel Teixeira.

 

Caiado quer fazer uma limpeza radical na Seduce, afastando toda a infiltração política residual dos seus ex-titulares. A professora Fátima Gavioli foi escolhida dentro desse viés, embora tenha tido algum contato com o ex-governador Marconi Perillo: no consórcio de governadores do Brasil Central, idealizado por Marconi, do qual Rondônia fazia parte, ela foi escolhida presidente da Câmara de Educação (aliás, derrotando a pretensão de Raquel Teixeira, que queria o posto).

19 dez

Distanciamento entre Caiado e Lincoln Tejota é real e tem a ver com suspeitas de influência no relacionamento das OSs com a Secretaria da Saúde quando Deusdeth Vaz era o superintendente executivo

Está longe de ser imaginário o distanciamento, pós eleição, entre o novo governador Ronaldo Caiado e seu vice, o atual deputado estadual Lincoln Tejota.

 

Lincoln e Caiado quase não se falaram mais depois do pleito. Surgiram intrigas, no entorno caiadista, apontando a atuação de um cunhado do vice-governador, Deusdeth Vaz, que foi superintendente executivo da Secretaria Estadual da Saúde, no delicado relacionamento da pasta com as organizações sociais que administram os hospitais do governo de Goiás, movimentando grandes somas de dinheiro. Circulam informações de que o Ministério Público Estadual desenvolve investigações sigilosas sobre essas ações

 

Deusdeth Vaz foi demitido da superintendência executiva da SES um dia depois do anúncio do nome de Lincoln para a vice-governadoria.

 

Não há nada que provoque mais receio em Caiado do que o envolvimento em denúncias de corrupção, ainda que seja por proximidade pessoal ou política.

19 dez

Solenidade de diplomação começou mais de uma hora atrasada, já teve fala protocolar do presidente do TRE e agora faz o chamamento dos eleitos um a um

Começou mais de uma hora atrasada a cerimônia de diplomação dos eleitos em 7 de outubro último, aberta com uma apresentação do coral do Tribunal de Contas dos Municípios – em cujo auditório ocorre a solenidade.

 

O presidente do Tribunal Regional Eleitoral Carlos Hipólito Escher falou em seguida, com um discurso 100% protocolar.

 

Neste momento, está sendo feita a chamada, um a um, dos eleitos, para a entrega do diploma. Ainda não está confirmada a fala do governador eleito Ronaldo Caiado, mas é de praxe que aconteça, nesse tipo de evento, o discurso da principal autoridade diplomada.

19 dez

Já são dois derrotados nas últimas eleições no secretariado de Caiado: Fátima Gavioli, de Rondônia, na Educação, e Rodnei Miranda, do Espírito Santo, na Segurança

Dentre os nomes, a maioria de fora do Estado, já anunciados pelo governador eleito Ronaldo Caiado para o seu secretariado, dois são de candidatos derrotados nas últimas eleições, em seus respectivos Estados.

 

Uma é a professora Fátima Gavioli, que disputou uma vaga na Assembleia Legislativa de Rondônia, pelo PSB, e perdeu, alcançado metade dos votos necessários para garantir o mandato (apenas 4.300, quando teria que chegar a mais de 8 mil). Ela foi escolhida por Caiado para a Secretaria Estadual da Educação.

 

Outro é o delegado aposentado da Polícia Federal Rodnei Miranda, que se candidatou pelo PRB – partido da Igreja Universal – a deputado federal pelo Espírito Santo, alcançou 42 mil votos, mas também não se elegeu (precisaria no mínimo do dobro). Em Goiás, no governo Caiado, Rodnei comandará a Secretaria de Segurança.

19 dez

Fátima Gavioli, nascida no Paraná, mas com carreira na Educação de Rondônia, tem orgulho de ter começado a trabalhar como doméstica e é obcecada pela implantação da escola de tempo integral

A professora Fátima Gavioli(foto), que o governador eleito Ronaldo Caiado anunciou nesta quarta-feira como sua secretária da Educação, fez carreira profissional na Educação de Rondônia, onde chegou – entre 2014 e 2017 – ao comando da Secretaria Estadual da Educação.

 

Ele gosta de ressaltar que começou a trabalhar como empregada doméstica, mas, graças aos estudos, conseguiu ir muito mais longe. Sua obsessão – no bom sentido – é a implantação da escola de tempo integral, projeto no qual foi bem sucedida em Rondônia.

 

Ela é filiada ao PSB e já foi cogitada como candidata a vice-governadora de Rodônia, mas, na eleição deste ano, disputou uma vaga na Assembleia Legislativa local – não foi eleita, terminando com 4.300 votos, metade do necessário.

19 dez

Começa a cerimônia de diplomação dos eleitos na última eleição. Em declarações na chegada, Caiado anuncia o nome da sua secretária da Educação e a fusão da Sefaz com a Segplan

Com 40 minutos de atraso e em meio a grande desorganização, no auditório do prédio do TCE no setor Jaó, começou a cerimônia de diplomação dos eleitos no último pleito.

 

Na chegada, em uma entrevista coletiva muito tumultuada, o novo governador Ronaldo Caiado anunciou o nome de Fátima Gavioli, ex-secretária de Educação de Rondônia, para a Secretaria Estadual de Educação.

 

Também informou que a Secretaria da Fazenda vai desaparecer, assim como a Secretaria de Planejamento e Gestão, que se transformarão, fundidas, em uma Secretaria Estadual de Economia.

19 dez

Desorganizada, cerimônia do TRE para diplomação dos eleitos, marcada para as 10hs, ainda não começou. Discurso de Caiado é o mais esperado no evento

Ainda não começou a cerimônia promovida pelo Tribunal Regional Eleitoral para a diplomação dos eleitos na última eleição, em Goiás. As vias de acesso ao faraônico prédio do Tribunal de Contas do Estado, que cedeu seu auditório para a solenidade, estão congestionadas.

 

Ronaldo Caiado, a principal atração do evento, acabou de chegar. Seu discurso é o mais esperado. Aguarda-se que adiante definições para a sua gestão, coisa que, desde mais de dois meses atrás, quando foi eleito, vem adiando.

18 dez

Diplomação dos eleitos, nesta quarta, em que será o principal orador, é oportunidade para Caiado deixar de falar generalidades e finalmente apontar para o rumo que o seu governo tomará

Nesta quarta-feira, 19 de dezembro, no auditório do faraônico prédio do Tribunal de Contas do Estado, no setor Jaó, mais uma das extravagâncias do Tempo Novo de Marconi Perillo, ocorrerá a cerimônia de diplomação dos eleitos no último dia 7 de outubro, em Goiás.

 

É uma cerimônia tradicional e sem maior importância, não fosse a oportunidade que sempre é dada ao principal de todos os vencedores do pleito, o próximo governador do Estado, no caso Ronaldo Caiado, para usar a palavra e, se quiser, aproveitar para adiantar definições sobre o que será a sua administração. Isso ganha ainda mais importância diante de dois fatores: 1) Caiado ganhou com votação recorde, no 1º turno, sem deixar claro o que pretende fazer e 2) desde que foi eleito, até agora, não deu nenhuma pista sobre as suas intenções como governador, a não ser reafirmar que fará uma mudança radical, por um lado, e que dedicará prioridade absoluta à questão da regularização fiscal do governo do Estado, por outro.

 

A diplomação, portanto, será a grande chance para que Caiado cumpra o seu dever e antecipe as suas medidas iniciais e plano de gestão, ou seja, tudo que ele, até agora, guarda sob sete chaves – se caracterizando talvez como o único governante do país, ungido pelas urnas deste ano, que ainda não abordou objetivamente os caminhos que a sua gestão tomará, preferindo frases de efeito e declarações de boa vontade.

 

O discurso do novo governador ao receber o merecido diploma gera expectativa. Falta saber se corresponderá.

18 dez

Gesto de Vanderlan, ao recusar auxílio mudança do Senado de R$ 33,7 mil reais, abre o seu mandato com chave de ouro e sinaliza alinhamento com a proposta de moralização radical da política no Brasil

O senador eleito Vanderlan Cardoso encaminhou ofício ao Senado Federal, nesta semana, dispensando o crédito de R$ 33,7 mil reais que seria feito na sua conta, a título de auxílio mudança para Brasília – prerrogativa que a Casa dá a todos os seus membros no início de cada Legislatura. Parece uma bobagem, mas o custo para os cofres públicos será de quase R$ 4 milhões, caso todos os senadores aceitem a mordomia.

 

O nome que melhor define esse auxílio é “excrescência”. A decisão de Vanderlan abre com chave de ouro o seu mandato e sinaliza sua disposição de se alinhar com as propostas de moralização da política, linha de trabalho que não é unanimidade entre os seus colegas da mais alta câmara legislativa do país – mas deveria ser.

 

Entretanto, não é suficiente. Claro, é preciso muito mais. Vanderlan já deu outra pista positiva sobre o que será a sua passagem pelo Senado ao criticar com dureza a solução adotada para a questão dos incentivos fiscais em Goiás, cujas aberrações ele condenou ao se posicionar contra o projeto que, com a condescendência de Ronaldo Caiado, reinstituiu essas regalias e prolongou um buraco fiscal calculado anualmente em R$ 10 bilhões de reais na arrecadação do Estado.

 

Vanderlan começou bem.

18 dez

Para não desaparecer em Goiás, PMDB só tem a opção de consolidar a aliança com Caiado, fazer parte da sua base de apoio na Assembleia, integrar o governo e não se aventurar com Daniel Vilela

O deputado federal em fim de mandato Daniel Vilela é um político de valor, mas ainda longe de se constituir em uma liderança como, por exemplo, o seu pai, Maguito, ou como chegou a ser um dia Marconi Perillo ou ainda como Iris Rezende, que já foi muito, hoje é menos, mas continua sendo algo de importante.

 

Sob o comando de Daniel Vilela, o MDB em Goiás diminuiu de tamanho – tinha 4 deputados na Assembleia, caiu para 3, não elegeu nenhum deputado federal e em termos de eleitorado, despencou de uma média história superior a 30%, mesmo em seus momentos mais amargos, para apenas 17% nas urnas de 2018, com a candidatura do próprio a governador – e agora se vê diante de um desafio bem maior, que é sobreviver em tempos de mudança radical no cenário político estadual.

 

Para disputar o governo, Daniel Vilela contou com um arranjo oportunístico, que trouxe momentaneamente para a sua base de apoio o PP, o PRB e o PHS, aliança que se desfez no ar logo após a apuração, depois de servir apenas para eleger Vanderlan Cardoso senador e viabilizar a reeleição de João Campos como um dos mais votados para a Câmara dos Deputados e postulante à sua presidência. Mais da metade dos emedebistas preferiu fazer campanha para Ronaldo Caiado, com uma justificativa que foi muito bem formulada pelo prefeito de Catalão, Adib Elias, ícone do partido: “Estamos cansados de perder”.

 

Reduzido a tão pouco, do mesmo tamanho que partidos como o PROS e similares, o que resta ao MDB goiano é fugir do isolamento e da ambiguidade proposta por Daniel Vilela, que é ser oposição ao governo Caiado e ao mesmo tempo apoiar também esse governo. Isso não tem sentido por contrariar a essência de qualquer partido político, que é… tomar partido, ter um lado, propor para a sociedade uma visão do mundo e uma linha de ação bem definida. O que o MDB sempre fez, desde os tempos de PMDB, ao contestar e se firmar como oposição ao Tempo Novo, exatamente a bandeira que levou à eleição de Caiado. É uma coisa só, que Daniel Vilela quer dividir em duas.

 

Daniel Vilela está errado ao se propor como oposição a um governo, o novo, que será exatamente o que o seu partido  queria e desenvolverá as premissas que o MDB sempre defendeu em Goiás. Pode apostar, leitor: ele vai ficar falando sozinho.

18 dez

Escolha do próximo presidente da Assembleia, antes tranquila e apontando para a eleição de Álvaro Guimarães, acabou se complicando e agora caminha para um confronto em 1º de fevereiro

Está confirmado o racha dentro da bancada de apoio ao governador eleito Ronaldo Caiado na Assembleia Legislativa, formada por 31 deputados: a escolha do próximo presidente da Casa, antes tranquila e apontando para a eleição do decano Álvaro Guimarães, caminha para ser decidida com um confronto em plenário no dia 1º de fevereiro, data de abertura da nova Legislatura.

 

O grupo de deputados veteranos e novatos insatisfeitos com a situação atual do Poder e que propõe que a Assembleia seja “zerada”, isto é, liberada da influência do ex-governador Marconi Perillo e dos últimos ex-presidentes, chegou a 11 parlamentares – nesta terça-feira, na coluna Giro, em O Popular, eles anunciam ter agregado deputados da oposição e já contar com 20 votos assegurados para o deputado Dr. Antonio, o candidato que será apresentado à presidência.

 

Os dois nomes colocados até agora – Álvaro Guimarães e Dr. Antônio – são do DEM, o que dificulta a intervenção de Caiado no processo. O novo governador já disse repetidas vezes que tem preferência por Álvaro, mas, para não criar melindres dentro da sua bancada de apoio, dificilmente se lançará a uma articulação a favor deste ou daquele candidato, já que ambos são do seu partido.

 

Os 11 deputados estaduais que lideram a “rebelião” contra a imposição de Álvaro Guimarães são: Dr. Antonio, Amauri Ribeiro, Eduardo Prado, Claudio Meirelles, Major Araújo, Chico KGL, Pastor Jeferson, Humberto Teófilo, Iso Moreira., Charles Bento e Vinicius Cirqueira.

17 dez

Preferência maciça por nomes de fora e da sua intimidade, além da forte influência da família, revela que Caiado não tem laços com a sociedade, em Goiás, e precisa construir essa relação

O secretariado do governador eleito Ronaldo Caiado, pelos nomes anunciados até agora e pelos já previstos, terá presença maciça personalidades de fora do Estado e, entre os goianos, de amigos e colaboradores muito íntimos, a exemplo do ex-prefeito Marcos Cabral, além de uma assumida influência de familiares, como a mulher Gracinha, a filha Anna Vitória e o genro Alexandre Hsiung.

 

O que tudo isso significa? Que Caiado não tem laços com a sociedade goiana, depois de construir uma carreira política centrada no Congresso Nacional e quase que inexistente no Estado, a não ser nas eventuais eleições que disputou, quando montava acampamento provisório em Goiás até a abertura das urnas.

 

Ele não conhece quadros e talentos regionais que poderiam compor a sua equipe de auxiliares. Nada sabe do meio acadêmico estadual e nem mesmo do ambiente empresarial, nichos, aliás, sobre os quais alimenta desconfiança profunda a partir da avaliação de que estiveram comprometidos radicalmente com o Tempo Novo de Marconi Perillo – e é verdade que, de ambos, Marconi recebeu apoio extremado até mesmo às vésperas da última eleição, mesmo após ter sido declarado alvo da Operação Cash Delivery, com ações policiais em seus endereços e contra amigos do peito.

 

Em Goiás, Caiado só conhece mesmo a classe política, contra a maioria da qual conquistou o governo do Estado com uma votação recorde e logo no 1º turno. Não há muito o que retirar daí, portanto, para compor uma gestão que se propõe a ser revolucionária, embora, por enquanto, baseada em palavras de ordem genéricas e em um pedido à população para que acredite não por propostas detalhadas, mas como artigo de fé relacionado com a biografia limpa e escorreita do novo governador – o que não é pouco, mas também não é tudo.

 

A relação entre Caiado e, digamos assim, a elite goiana, ainda terá que ser construída.

16 dez

Inclusão de Goiás no Regime de Recuperação Fiscal, programa do governo que facilita a vida de Estados em dificuldades financeiras, apesar da vontade de Caiado, é só uma ilusão

O governador eleito Ronaldo Caiado está tentando convencer a equipe econômica do governo Jair Bolsonaro a incluir Goiás no Regime de Recuperação Fiscal, um programa federal que cria facilidades imensas para Estados em dificuldades financeiras – e que até hoje só contemplou o Rio de Janeiro, comprovadamente afundado em um buraco fiscal de proporções gigantescas.

 

O programa é uma espécie de maná dos céus ao dar a um governo estadual em dificuldades o aval que precisa para impor um ajuste severo. Ao ser admitido, o Estado passa para um regime de absoluto rigor, que deveria ser a praxe das administrações estaduais, tem que reduzir incentivos fiscais, privatizar empresas estatais, fica impedido de contratar pessoal, conceder auxílios e reajustes a servidores além da data-base, realizar concurso público, aprovar planos de carreira, criar cargos com aumento de despesas, conceder novos incentivos fiscais, gastar com publicidade e também celebrar novos convênios para transferência de recursos (a municípios, por exemplo). Ou seja: tudo que um governador entrante gostaria de fazer, mas nunca tem condições políticas, passando, com o RRF, a ter uma desculpa para endurecer o seu fluxo de caixa. Em contrapartida, recebe autorização para contrair empréstimos, fica livre temporariamente do pagamento das parcelas da dívida e ainda se habilita a receber ajuda direta do Tesouro Nacional.

 

Para Caiado, seria mão na roda iniciar a sua gestão dentro de um cenário como esse. O problema é que a situação fiscal do Estado é grave, mas longe de gravíssima. Muito diferente, vale lembrar, do caos em que o Rio de Janeiro estava mergulhado quando teve acesso ao RRF. Lá, os pagamentos da folha de pessoal, por exemplo, chegaram a acumular quatro meses de atraso, coisa que aqui ainda não houve. A folha de novembro está sendo quitada e será concluída até o dia 22. Há Estados, como o Rio Grande do Sul, em situação muito pior e com mais chances de se enquadrar no programa.

 

Conquistar o Regime de Recuperação Fiscal, que motivou inclusive a indicação da economista carioca Cristiane Schmidt para a Secretaria da Fazenda, por indicação do futuro ministro da Fazenda Paulo Guedes, é o sonho de Caiado, mas… não passa de ilusão. Não vai acontecer. Dos três requisitos exigidos, Goiás só se enquadra em dois: 1)  o somatório das despesas com pessoal, juros e amortizações é igual ou maior que 70% da RCL e 2)o valor total de obrigações é superior às disponibilidades de caixa, mas, quanto ao terceiro item, receita corrente líquida anual menor do que a dívida consolidada ao final do último exercício, no caso do governo goiano ainda estamos com uma relação de 0,93, ou seja, a RCL é maior que a dívida consolidada e aí o RRF está descartado. O governo Bolsonaro, que tende a ser rígido na sua administração fiscal, não vai abrir para Goiás uma porteira pela qual, depois, passariam mais de 10 Estados.

16 dez

União de veteranos e novatos igualmente insatisfeitos com a tendência de tudo continuar como dantes na Assembleia, pode levar a reviravolta na eleição de Álvaro Guimarães para a presidência

Tomou proporções incontroláveis o movimento que eclodiu entre os 41 deputados estaduais que vão compor a nova Legislatura da Assembleia, a tomar posse em 1º de fevereiro do ano que vem.

 

O que começou como uma demonstração de insatisfação do deputado Major Araújo, acompanhado inicialmente por quase ninguém, cresceu a ponto de hoje ameaçar a antes tranquila eleição de Álvaro Guimarães para a presidência da Casa, inclusive atropelando a sua declarada condição de candidato in pectore do governador eleito Ronaldo Caiado.

 

Dois fatores estimulam a rebelião. Um, a proposta de “zerar” a Assembleia, isto é, afastar toda a influência do ex-governador Marconi Perillo e dos últimos quatro ou cinco ex-presidentes, que mantêm espaços significativos na estrutura de pessoal do Poder – formada por um número desconhecido de funcionários comissionados ou de livre nomeação, que podem ultrapassar mais de três mil cargos, ninguém sabe ao certo. Outro, o exemplo da Câmara Municipal, onde um grupo de vereadores, embora de partidos e orientações diferentes, se uniu e tomou o seu controle, derrotando o candidato apoiado pelo prefeito Iris Rezende.

 

O mais grave é que esse motim parlamentar surgiu não na oposição, mas dentro da base de apoio de Caiado e já congrega 11 deputados, entre veteranos e novatos, unidos pelo igual desejo de “zerar” a Assembleia e repartir as suas benesses entre os seus próprios integrantes. Há, portanto um perigo real para a eleição de Álvaro Guimarães, já que os governistas insatisfeitos podem se aliar com a oposição, que tem 10 votos, fazendo maioria – 21 votos – para eleger o presidente.

15 dez

Urnas mostraram para a Assembleia que o caminho é renovação, moralização e responsabilidade – o contrário do que a Casa fez nos últimos anos, continua fazendo, mas não pode mais insistir em fazer

O caminho seguido pela Assembleia Legislativa, nos últimos anos, precisa ser mudado, para acompanhar os novos tempos da política no Brasil e principalmente ser coerente com a mensagem embutida no resultado das últimas eleições.

 

Não dá mais para continuar com emendas jabutis, tramitação oculta ou a toque de caixa de matérias importantes, funcionários fantasmas, festival de viagens internacionais e outras práticas que sujaram a ficha do Poder e ainda são utilizadas – vide o exemplo, há poucos dias, da licença prêmio para os juízes, aprovada mediante inserção quase que secreta de uma emenda em projeto de lei que nada tinha a ver com o assunto.

 

O acordo sinalizado para a sustentação da candidatura do deputado Álvaro Guimarães a próximo presidente do Legislativo também vai na contramão do que a sociedade espera. A manutenção de um número excessivo de diretorias, para abrigar ex-deputados, não faz o menor sentido e isso tanto é verdade que um grupo expressivo de parlamentares já se posicionou publicamente contra o prolongamento dessa situação, defendendo a tese, correta, de que é preciso “zerar” a Assembleia a partir do ano que vem, eliminando os feudos e privilégios enquistados dentro da sua estrutura.

 

Candidato detentor da preferência do governador eleito Ronaldo Caiado, que venceu apregoando um processo de mudança em Goiás, Álvaro Guimarães precisa mostrar consciência de que compreende o seu papel histórico, corresponder às expectativas em torno do seu nome e fugir da repetição de comportamentos nocivos que foram a tônica do Parlamento goiano nos últimos anos.

 

O problema é que, até agora, Álvaro não disse nada.

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