Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

11 jan

Governo Caiado só tem 2 semanas, tempo pequeno demais para resolver a carga de problemas graves que recebeu, mas também já passa da hora de sinalizar um rumo mais concreto e medidas mais consistentes

É pouco, muito pouco o tempo que o governo Ronaldo Caiado já contabilizou – menos de duas semanas – e, portanto, carece de sentido uma cobrança mais dura sobre providências e soluções para resolver o fardo de problemas graves que a nova gestão herdou.

 

Se isso é verdade, também o é a constatação de que não existe um calendário para que o governo, aliás qualquer governo, venha a deslanchar e mostrar ou pelo menos começar a mostrar como vai superar os obstáculos encontrados e apresentar resultados. Dá para afirmar que isso deve ocorrer o mais cedo possível. O quanto antes. Se possível  a partir do 1º dia de mandato.

 

Caiado, como todo mundo, tem as suas características. E uma delas, pelo menos, não bate com o cargo que ocupa, o de chefe do Poder Executivo: ele não tem pressa. E orgulha-se disso, como repetiu incessantemente no período entre a sua consagração nas urnas e a posse, que praticamente desperdiçou, em vez de aproveitar para dar início antecipado ao seu governo – o excesso de cargos no 2º e 3º escalões sem ocupação até hoje é uma das consequências danosas dessa postura verdadeiramente ímpar entre todos os governantes eleitos nas última eleição.

 

No poder, Caiado continua sem nenhum senso de urgência e parece não ter se livrado dos hábitos adquiridos nos seus mandatos parlamentares, falando, falando, mas com uma baixa taxa de resolução real. Para aguardar visitas e opiniões de técnicos do governo federal, atrasou o relógio da administração estadual e simplesmente não tem data para nada, nem para completar a equipe nem para pagar salários atrasados nem muito menos para colocar em marcha seus projetos e planos, dos quais até agora se sabe quase nada.

 

As duas semanas de governo que estão prestes a se completar, de fato, não dão margem a uma cobrança mais incisiva. Mas também não servem de álibi para a inação ou o atraso na busca de saídas para o descalabro financeiro e administrativo do Estado. Estão faltando sinais.

11 jan

Leilão de 2 carros de luxo da governadoria merece aplausos, só que é pouco diante do excesso de mordomias do Estado e precisa ser complementado por medidas ainda mais radicais de economia real

Uma microdecisão do governador Ronaldo Caiado, determinando o leilão de 2 carros de luxo do Palácio das Esmeraldas que anteriormente atendiam a Marconi Perillo e sua mulher Valéria e depois a Zé Eliton e sua esposa Fabrina, está no campo das raras ações adotadas até agora pela nova gestão que merecem elogios. Se for o ato inaugural de um processo de redução ou supressão de mordomias como gigantesca a frota estadual de carros de representação, a maioria alugados, melhor ainda.

 

O valor a ser arrecadado será ínfimo, no máximo R$ 300 mil reais, já que os 2 veículos são modelos antigos da marca Hyundai (Equus VS 460, o sedã mais luxuoso da montadora), mas ainda assim o leilão é interessante, só faltando agora ser seguido por medidas de economia detalhadas e além do decreto genérico que Caiado assinou – no qual determina a todos os setores da administração uma série de providências para combater o desperdício, mas, como se sabe, imprecisas e abstratas. O decreto é uma espécie de reedição de outros assinados ao longo dos governos que se sucederam nas últimas décadas, não quantifica metas nem fornece qualquer informação sobre o quê e quanto será poupado. É mais, digamos assim, uma declaração de intenção ou, no máximo, uma orientação difusa.

 

O governo de Goiás tem muita gordura para ser eliminada, caso a intenção do governante seja mesmo a de promover uma revolução na gestão do Estado. Há, por exemplo, muitos órgãos com estrutura completa e despesas elevadas, sem nenhuma utilidade para os goianos, como a Goiasgás, a Goiás Telecom, a Agência Brasil Central (com um canal de televisão sem audiência e duas emissoras de rádio sem importância), a Goiás Parcerias e até mesmo um desnecessário e caro Escritório de Representação em Brasília (existe outro em São Paulo, mantido pela Codego, esta, aliás, outra estrutura passível de liquidação). Órgãos assim, sem retorno para a sociedade, arrastam milhões de reais pelo ralo e deveriam ser alvo de qualquer governo que se propusesse a uma mudança radical e, por que não?, modernizante da máquina pública em Goiás.

11 jan

Argumento de Caiado para não pagar integralmente a folha e o 13º de dezembro, o de que não pode fazer o empenho, não convence e sugere manipulação para forçar um clima de caos no Estado

Definitivamente, o argumento de Ronaldo Caiado para não pagar a totalidade da folha de dezembro do funcionalismo – o de que não pode fazer o empenho retroativo – não convenceu nem os servidores nem a sociedade nem talvez os próprios seguidores imediatos e apaixonados do novo governador.

 

Uma garimpagem nas redes sociais, em especial nos perfis do próprio Caiado, mostra que o imbroglio da folha de dezembro abalou a sua credibilidade e popularidade, mais ainda depois de anunciada a decisão de começar a quitar a folha de janeiro a partir do dia 25 vindouro – o que, evidentemente, será feito lançando-se mão de grande parte dos recursos que deveriam ser destinados para o pagamento de dezembro.

 

Como deseja incluir Goiás no Regime de Recuperação Fiscal, programa do governo federal que oferece vantagens a Estados em dificuldades financeiras, é natural a suspeita de que a protelação da folha de dezembro faça parte de um concerto para superdimensionar a crise fiscal do governo goiano. No Rio de Janeiro, única unidade da Federação até hoje incorporada ao RRF, o atraso de vários meses nos salários do funcionalismo foi decisivo para convencer Brasília a conceder o benefício.

 

Ora, se Caiado vai pagar janeiro até o dia 30 para todos os servidores, a conclusão óbvia é que esse mesmo dinheiro poderia usado para completar o que falta de dezembro. O que sobrasse poderia ser usado para liquidar  os vencimentos menores do próprio mês de janeiro até o dia 30; o restante seria finalizado em 10 de fevereiro, valendo-se da arrecadação de 1º até esse dia, como foi feito nos últimos anos.

 

Falta de empenho é desculpa que não cola. Vários especialistas em matéria fiscal já deram entrevista, inclusive ex-secretários da Fazenda, afirmando que o ato é meramente burocrático e pode ser feito rapidamente, independentemente da existência de orçamento para 2019 (cujo adiamento foi outro erro de Caiado) ou do fato de a despesa ser inerente ao ano passado, já que é continuada. Soa ridículo alegar que haveria crime – algo que o governador poderia resolver com uma visita ao Tribunal de Contas do Estado e ao Ministério Público, selando um acordo em benefício de todos.

 

Caiado foi mal assessorado – tanto do ponto de vista político como jurídico – ao transformar a folha de dezembro em cavalo de batalha. O único prejudicado é… ele.

10 jan

A bobagem e equívoco de Caiado ao tentar transferir o ônus do atraso da folha de dezembro para o comércio tem simbolismo negativo, que é o setor privado mais uma vez pagar por mazelas do governo

Ingenuidade para uns, infantilidade para outros, ou a a soma dessas duas avaliações para todos, o pedido que o governador Ronaldo Caiado fez nesta quinta-feira em Jataí, para que os prefeitos avalizem os servidores estaduais para que comprem fiado em farmácias e supermercados, a título de compensação pela indefinição sobre a data de pagamento da folha de dezembro, traz embutido um simbolismo negativo – ao mais uma vez tentar jogar sobre as costas do setor privado o ônus pelas mazelas governamentais.

 

As mercadorias que estão à venda nas prateleiras das farmácias e supermercados não chegaram ali gratuitamente. Tiveram o seu preço, ao qual, para a operação do negócio, devem ser acrescentados impostos, folha de pagamento de pessoal, encargos trabalhistas e mais uma infinidade de custos, aliás em parte forçados pelo governo do Estado, que cobra por exemplo o DIFAL, um diferencial tributário que não é unanimidade em todos os Estados e sobre o qual Caiado nunca disse uma palavra. Ao contrário, como membro de um partido defensor da ideologia liberal e, portanto, da não interferência do Estado, o DEM, e também apesar de uma trajetória como parlamentar nacional identificado com as causas do livre mercado, acabou veiculando uma declaração esdrúxula, fruto de puro improviso, apelando a que empresários vendam suas mercadorias sem garantia nenhuma (como é que juridicamente prefeitos poderiam avalizar compras a prazo?) e sem data para pagamento. Além do mais, quem é que não sabe que farmácias e supermercados e de resto todo estabelecimento comercial não vendem a não ser à vista ou via cartão de crédito?

 

Caiado precisa acordar. Tudo que um governador diz tem importância, significado e repercussão. Não bastasse a falta de efetividade do que propôs, pois não há autorização legal para que prefeitos “avalizem” compras no comércio das suas cidades, o que piora as coisas é concluir que o governador de Goiás foi mais do que simplório ao acreditar que um problema de milhões de reais – a folha de dezembro do funcionalismo – poderia ser resolvido ou atenuado com a imposição de mais sacrifícios ao comércio, se é que seria possível que tal maluquice acontecesse.

10 jan

Polêmica com a folha de dezembro foi um erro porque o desgaste não caiu em Zé Eliton ou Marconi e sim no próprio Caiado, sob suspeita de tentar piorar a imagem de Goiás junto ao governo federal

O governador Ronaldo Caiado cometeu um erro cavalar ao investir no imbroglio em torno da folha de dezembro do funcionalismo público, aparentemente com a intenção de ampliar os desgastes dos seus antecessores Zé Eliton e Marconi Perillo e também tentando piorar a imagem de Goiás junto ao governo federal, com o objetivo de forçar a inclusão do Estado no Regime de Recuperação Fiscal. Isso porque outra explicação não é verossímil.

 

A questão da folha de dezembro não atingiu Zé Eliton e Marconi: não há como nenhum dos dois se desgastar mais do que já estão, ambos no fundo do poço. E não vai acrescentar nada diante das autoridades fiscais de Brasília, já que o RRF é um programa de difícil e custoso acesso, baseado exclusivamente em critérios técnicos – que, segundo especialistas, Goiás não atende por estar longe, por exemplo, da situação de caos em que se encontrava o Rio de Janeiro quando ganhou a regalia, configurando-se como o único Estado a ser beneficiado até hoje.

 

Resultado: a credibilidade de Caiado, que ele mesmo define como o seu maior e mais forte atributo político e pessoal, acabou sendo atingida. Em que proporções, só uma pesquisa dirá. Mas a unanimidade das reações negativas, especialmente nas redes sociais, confirma que o prejuízo é grande. Ninguém parece acreditar que a folha de dezembro não pode ser empenhada e que, somente por isso, não pode ser paga, ainda mais quando se trata de despesa continuada, prevista como rotina na legislação orçamentária – e, de resto, até poderia ser quitada sem empenho, dado ao seu caráter de verba indispensável para a sobrevivência de milhares de famílias, sem que ninguém venha a ser punido por isso.

 

Fica difícil aceitar os argumentos do governador de que não pode pagar sem cometer um crime e, ao mesmo tempo, faça o anúncio de que o mês de janeiro começará a ser pago (para 80% dos funcionários) já no dia 25 de janeiro, data que em Jataí, nesta quinta-feira, Caiado antecipou para o dia 20 – quando provavelmente o Estado continuará sem orçamento para 2019, que depende de tramitação e aprovação pela Assembleia e em seguida de sanção e aprovação, o que nunca ocorre à jato. E atenção: se não ainda não há esse orçamento, é porque o próprio Caiado solicitou à Assembleia que ele não fosse votado.

 

10 jan

Ações emergenciais articuladas por Caiado – aval de prefeitos a servidores para comprar fiado no comércio e ajuda de Brasília para recuperar rodovias – revelam ingenuidade espantosa e eficácia zero

É um pouco difícil acreditar que o governador Ronaldo Caiado, só nesta quinta-feira, 10 de janeiro, anunciou três ações emergenciais que revelam uma visão ingênua do mundo e, principalmente, da administração pública.

 

Em Jataí, Caiado disse que vai pedir a todos os prefeitos que avalizem os servidores estaduais para que comprem fiado em supermercados e farmácias, pelo menos até que se encontre uma solução para o pagamento de dezembro, ao qual, descobriu-se agora, se junta também em aberto o 13º salário dos funcionários que têm data de nascimento nesse mês.

 

Outra medida do mesmo naipe, digamos assim, é também um pedido, dessa vez ao governo federal, para ajudar na recuperação de estradas necessárias ao escoamento da safra. Caiado chegou a anunciar que viria de Brasília uma equipe de técnicos para orientar os trabalhos, quando, antes, já tinha dito que uma equipe de engenheiros da Agetop estava disponível para o mesmo fim. Logo depois, corrigiu as suas declarações e esclareceu que solicitou ao Ministério dos Transportes a execução de reparos nas rodovias federais que passam por Goiás, algumas em grau severo de deterioração. No final das contas, segundo o governador, quem ficaria com a responsabilidade de consertar as estradas seriam as prefeituras, com uma espécie de “apoio moral” dos governos estadual e federal.

 

Da mesma forma, pode ser definida uma terceira “decisão” inovadora de Caiado, o leilão de dois carros de luxo do Palácio das Esmeraldas – com previsão de alcançar R$ 600 mil reais – para investir o dinheiro no Hospital Materno Infantil, que se encontra atolado em um rombo de R$ 38 milhões.

 

Tudo isso causa algum espanto, principalmente porque são medidas que não têm nada de concreto e nem sequer podem ser consideradas como paliativas porque não darão em absolutamente nada, a não ser quanto aos danos que causarão na imagem do governador.

10 jan

Governo Caiado continua incompleto em quase 70% da sua estrutura, mostra acefalia e ameaça complicar a vida dos goianos com a paralisação da Juceg e a demissão dos funcionários do Vapt Vupt

Ao completar 10 dias, o governo de Ronaldo Caiado Caiado ainda está incompleto em quase 70% da sua estrutura, ou seja, com a maioria dos cargos do 2º e 3º escalões ainda sem preenchimento – situação que foi agravada por um decreto genérico de demissão de comissionados, que praticamente paralisou a Junta Comercial do Estado e exonerou todos os atendentes do Vapt Vupt, a agência de prestação de serviços federais, estaduais e municipais que é uma área da administração estadual funciona bem, com elevada aprovação popular. As equipes do Vapt Vupt, no momento, estão trabalhando sem nenhum vínculo empregatício.

 

Caiado, desde que ganhou a eleição, sempre repetiu que não tem pressa em tomar as decisões que precisam ser tomadas. E, depois de assumir a governadoria, continua sem mostrar qualquer celeridade. Ele colocou o Estado em marcha lenta no aguardo da visita de uma comissão de técnicos do governo federal, que virá a Goiás para avaliar a sua situação fiscal e verificar se existem condições para a sua inclusão no Regime de Recuperação Fiscal e, a partir daí, com direito a usufruir de benesses como a suspensão do pagamento das parcelas da dívida por 3 anos. Se der certo, o novo governo deverá andar, mas… se não der ou se demorar (segundo O Popular, a avaliação para inclusão no RRF demora até 6 meses) aí as coisas vão se complicar.

 

O RRF transformou-se em obsessão para Caiado. Até hoje, desde que o programa foi criado, somente um Estado foi habilitado, o Rio de Janeiro, que chegou a um descalabro financeiro e administrativo muito, mas muito pior do que qualquer outra unidade da Federação. A a avaliação de especialistas é que Goiás não se enquadra – mesmo com a crise em torno da folha de dezembro, que muitos acreditam estar sendo fabricada para reforçar o cenário negativo que levaria ao RRF.

 

Goste ou não das críticas e responda, como tem feito, argumentando que tem pouco tempo de mandato e por isso não pode ser cobrado, o fato é que Caiado está indo devagar demais diante dos problemas acumulados e das expectativas que criou.

10 jan

Convênios com o Sistema S e aposta em pequenas empresas para modernizar e diversificar a economia são propostas equivocadas do governo Caiado – que não vão passar do plano das intenções

Nem o governador Ronaldo Caiado, desde a campanha, passando pelo período entre a vitória nas urnas e a posse e chegando até esta quinta-feira, 10º dia do seu mandato, nem muito menos o seu secretariado – ainda incompleto – foram ou têm sido explícitos sobre suas propostas, linhas de ação ou rumos para a gestão que está se iniciando.

 

Mas houve duas exceções: 1) Caiado sempre disse e repetiu que vai buscar convênios com o Sistema S – integrado por 9 instituições que oferecem que oferecem ensino profissional e lazer a trabalhadores, dentre as quais as principais são o Sesc, o Sesi, o Senai, o Senac e o Sebrae e 2) seu secretário de Desenvolvimento e Inovação, o primo Adriano Rocha Lima, também tem reafirmado, desde suas primeiras entrevistas após ser anunciado, que vai investir nas pequenas empresas – as startups – para que elas liderem o processo de modernização e diversificação da base produtiva goiana.

 

Tanto em um caso como em outro, são ideias equivocadas. Em inúmeras ocasiões, o governo de Goiás tentou formar parcerias com o Sistema S, mas recuou devido ao alto custo, pelo menos três vezes maior que a oferta direta de cursos de qualificação nos seus Institutos Tecnológicos, que formam a Rede Itego. Mais: o Sistema S, mesmo cobrando preços astronômicos, é especializado em ministrar formação profissional inicial, mas resiste a disponibilizar cursos técnicos de aprofundamento – essa a verdadeira carência do mercado de trabalho em Goiás. Caiado, se quiser melhorar a produtividade do trabalhador goiano, deveria priorizar o investimento nos institutos tecnológicos, que, hoje, são mais de 20, mas funcionando em caráter precário.

 

No caso das startups, a proposta do novo titular da SEDI, caso bem sucedida, teria o efeito de revolucionar as teorias econômicas, já que em nenhuma parte do mundo, até hoje, coube às pequenas empresas o papel de definidoras de uma nova base produtiva. Essa função é sempre dos grandes empreendedores, trabalhando com P & D, ou seja, pesquisa e desenvolvimento, área em que Goiás, de fato, ainda é incipiente.

 

Enfim, são dois projetos do novo governo que, provavelmente, não passarão do campo das boas intenções.

09 jan

Investigação policial derruba o nome de Marconi para próximo presidente do PSDB, que será escolhido em maio e será definido por João Dória e Geraldo Alckmin (amigos do tucano goiano)

O próximo presidente nacional do PSDB será eleito em maio próximo e será definido em sintonia entre o governador de São Paulo João Dória e o ex Geraldo Alckmin. Ambos são amigos do peito do ex-governador Marconi Perillo(foto acima, dos velhos e bons tempos) e não hesitariam em indicar o seu nome para o posto, mas estão com as mãos amarradas diante das investigações policiais sobre o tucano goiano.

 

É só um exemplo dos prejuízos que Marconi está sofrendo por ter se transformado em alvo de uma sequência de operações policiais – no mínimo cinco, a Monte Carlo, a Lava Jato, a Decantação, a Cash Delivery e a Compadrio, sendo que nessas duas últimas ele foi apontado como “chefe de uma quadrilha especializada em desviar recursos públicos”.

 

Tudo isso inviabilizou o nome do ex-governador de Goiás não só em Goiás, mas para qualquer vôo nacional – e pode, inclusive, comprometer a consultoria que está prestando à Companhia Siderúrgica Nacional, ajeitada por João Dória. Se houver novos desdobramentos para essas ações policiais, envolvendo Marconi, ele dificilmente terá o seuj vínculo com a CSN mantido, já que a companhia obedece a rígidas normas de governança em razão das ações que tem negociadas no pregão da Bolsa de Valores de São Paulo.

 

Marconi está morando em São Paulo. Não se afastou da política, no entanto, nem de Goiás. Quando vem a Goiânia, monta uma agenda de conversas no seu escritório no setor Sul, chamando políticos de confiança e falando em estruturar uma oposição sólida e aguerrida ao governador Ronaldo Caiado. Até agora, não tem colhido nenhum resultado.

09 jan

Plano B dos deputados rebeldes, que querem “zerar a Assembleia, é lançar a candidatura de um parlamentar do PROS e derrotar Álvaro Guimarães, que eles vêem comprometido com a “velha política”

Melhorou e muito a cotação da candidatura de Álvaro Guimarães para a presidência da Assembleia, com o acordo que ele fez para garantir os seis votos da futura bancada do PROS (Rubens Marques, Cairo Salim e Vinícius Cirqueira, já no partido, e Rafael Gouveia e Wagner Neto, que vão se filiar, juntamente com Karlos Cabral, integrado ao bloco, mas ainda sem saber se vai deixar o PDT), mas daí a concluir que a parada está resolvida vai uma distância muito grande.

 

E especialmente diante do plano B dos deputados que defendem uma limpeza geral no Poder, que, segundo eles, deve ser “zerado” com a eliminação das influências do ex-governador Marconi Perillo e dos últimos ex-presidentes, que ainda deteriam o controle de contratos, de diretorias e da nomeação de fatias de funcionários comissionados. Esse discurso tem alto poder de convencimento, já que implicaria na redistribuição dessas regalias entre os próprios 41 deputados que compõem a Assembleia, e representa uma ameaça muito forte para a candidatura de Álvaro Guimarães.

 

O plano B é a retirada da candidatura do Dr. Antônio e o lançamento de um nome escolhido dentre os seis parlamentares da bancada potencial do PROS. Isso traria os votos do grupo, que se somariam aos 16 já articulados e levaria a uma maioria de 22 votos, suficiente para definir a fatura – infelizmente com a derrota de Álvaro Guimarães. Um problema – e grave – a resolver é a preferência do governador Ronaldo Caiado por Álvaro, que ele tem assumido ostensivamente em detrimento de uma posição de distanciamento dos assuntos internos do Legislativo, aparentemente a mais aconselhável a qualquer chefe de Executivo.

 

Há uma tendência – a favor de Álvaro Guimarães, mas não uma certeza de que ele está com o caminho livre até a presidência da Assembleia.

09 jan

Dependência de uma solução milagrosa vinda do governo federal, esperança de Caiado e da secretária Cristiane Schmidt, pode comprometer ou no mínimo atrasar o início do novo governo

O governador Ronaldo Caiado depositou todas as esperanças de fazer uma boa gestão na hipótese de uma solução milagrosa que viria de alguma forma do governo federal – através, não tem como ser diferente, do aporte de recursos financeiros, especialmente através da inclusão do Estado no Regime de Recuperação Fiscal, que não coloca dinheiro diretamente, mas alivia obrigações como o pagamento das parcelas das dívidas (no RRF, elas são suspensas por três anos).

 

Se tivesse consultado um dos mais experientes e traquejados administradores de Goiás, que é o prefeito de Goiânia Iris Rezende, Caiado ouviria um conselho: não programe nada na sua administração que não dependa exclusivamente dos seus meios e recursos. Em outras palavras: não conte com nada de fora ou extraordinário. Faça o planejamento e a execução do seu governo confiado apenas no que pode ser realizado por conta própria e deixe qualquer coisa além disso como uma espécie de lambujem, nada mais.

 

É uma opinião que expressa sabedoria, ainda mais vindo de onde vem. Mas Caiado segue imprudentemente em direção oposta. Não há razões políticas para que o seu governo receba de Brasília tratamento privilegiado, já que o novo governador só deu apoio a Jair Bolsonaro no 2º turno, quando a sua eleição era praticamente certa. No 1º turno, Caiado não pediu votos para o capitão. Além disso, a orientação doutrinária do ministro da Economia Paulo Guedes é liberal, ou seja, contra favorecimentos estatais e totalmente restritivos quanto a gastos – menos ainda para cobrir rombos de Estados de pouca importância no cenário nacional.

 

Se o governo federal fechar a portas para Caiado, a sua gestão perde o discurso e fica no ar. No mínimo, vai começar lá para março ou abril, desperdiçando um tempo preciso para os goianos.

09 jan

Medidas iniciais de Caiado, além de poucas, são desconexas, tímidas e não vão gerar qualquer economia significativa ou levar a uma racionalização do governo do Estado

Para quem esperava uma arrancada capaz de realmente sinalizar a “mudança” prometida na campanha, as medidas iniciais do governo de Ronaldo Caiado – já no seu nono dia – podem ser classificadas como desconexas, tímidas e incapazes de gerar uma economia significativa ou mesmo um avanço na racionalização operacional do governo do Estado.

 

Caiado tem reclamado da cobrança por ações mais efetivas e passou a se defender com o pouco tempo de mandato, uma semana e meia, conforme suas declarações na live que promoveu no início da noite desta terça-feira, 8 de janeiro, no Facebook – em que se esforçou para vender a imagem de uma entrevista ou conversa sem censura e totalmente livre, apesar das perguntas amigáveis formuladas ou escolhidas a dedo entre os questionamentos postados pelos seguidores nos comentários ou até elogiosas, comprometendo a credibilidade da entrevista.

 

Foram assinados dois decretos, um demitindo todos os funcionários comissionados (foram abertas algumas exceções nominais, que precisam ser explicadas) e outro determinando providências para a redução de despesas, seguindo o padrão de todos os governos anteriores. Fora isso, parte da equipe de auxiliares continua em aberto, enquanto o governador se debate com o imbroglio da folha de pagamento de dezembro, que ainda não tem nenhuma solução à vista. Até agora, é a isso que se resume a gestão.

 

É indiscutível que o novo governador está no comando há muito pouco tempo e que não é possível esperar muito de um prazo tão pequeno quanto esse. Mas… parece que a agenda implantada tem sido excessivamente negativa. Isso vai contra o discurso de confiança que Caiado desfiou na campanha, continuou desde a vitória nas urnas até a posse e segue mais vivo do que nunca, conforme se viu na tal live no Facebook. Goiás está sendo reduzido a um amontoado de problemas. E o que está sendo encaminhado, até agora, é insuficiente para economizar despesas – o decreto de redução de gastos é genérico e não planilha matematicamente o quanto será diminuído, dando a impressão de não passar de uma manifestação de boas intenções. Menos ainda foi dado qualquer passo ou emitido algum direcionamento no sentido da adoção de soluções para melhorar ou no mínimo racionalizar o funcionamento do Estado.

 

Que o novo governo precisa começar, precisa.

08 jan

Entrando na 2º semana sem nada de concreto, a não ser um decreto padrão de corte de despesas, está claro que Caiado e equipe, salvo raras exceções, vão aprender a governar… governando

Goiás nunca viu antes um governo como o de Ronaldo Caiado, que venceu a eleição em 1º turno com um resultado espetacular, mas desde a abertura das urnas nunca mais apresentou nenhuma definição ou proposta que não a repetição genérica das promessas de campanha – tipo “vamos resolver isso” ou “os goianos podem confiar que saberemos o que fazer”.

 

Mais de uma semana depois de assumir, além de medidas convencionais como um decreto padrão de corte de despesas e outro para demitir todos os funcionários comissionados, Caiado não produziu nada de novo e passa até a imagem de que não sabe exatamente o que fazer – escorado na espera por uma missão do Tesouro Nacional que virá a Goiás lá pelo dia 21 de janeiro para avaliar a possibilidade de concessão de vantagens e privilégios que facilitariam a superação da inegável crise fiscal em que o Estado foi mergulhado pelos governos do Tempo Novo.

 

Com isso, está tudo paralisado. Nem orçamento para 2019 há: pela primeira vez na história, não se sabe nem quando será votado, o que contribui para engessar ainda mais os passos inaugurais da nova gestão. Nem o quadro de auxiliares foi completado e segue com amplos espaços vazios, como a presidência e diretorias da Agehab, por exemplo. É o início de governo mais esquisito de todos os tempos.

 

Muitas vezes, o que parece ser é exatamente o que é e não um equívoco ou uma ilusão. Caiado e sua equipe sinalizam pouca ou nenhuma experiência de gestão pública, com raríssimas exceções, dentre as quais o destaque é o traquejado secretário de Segurança Rodnei Miranda, que já ocupou o mesmo cargo em outros Estados e chegou até a ser prefeito, portanto dotado de conhecimento sobre como funciona o setor estatal e por isso mesmo o colaborador do governador que mais avançou até agora, enquanto o restante da equipe mal dá sinal de vida.

 

A sensação que se tem é que o novo governo vai aprender a governar… governando.

08 jan

Manutenção dos convênios do Goiás na Frente está sendo avaliada pelo governo Caiado, mas é medida sem sentido porque o correto é o fim da velha e ineficaz política de repasse de dinheiro aos municípios

Falta sentido à decisão do governador Ronaldo Caiado de avaliar  a hipótese de manutenção dos convênios que o programa Goiás na Frente deixou em aberto com inúmeras prefeituras – entre elas, sintomaticamente, a de Formosa, cujo titular, Ernesto Roller, renunciou para assumir a Secretaria de Governo.

 

O Goiás na Frente, nem é preciso dizer, não passou de um programa essencialmente eleitoreiro, destinado amealhar apoio para a candidatura do então vice e posteriormente governador Zé Eliton. Alimentado pelo dinheiro que entrou com a privatização da Celg, representou uma pulverização de recursos semelhante à que marcou o dinheiro da venda da usina de Cachoeira Dourada e não trouxe nada de positivo para o Estado. A experiência foi tão infeliz quanto desastrosa, não rendendo votos para Zé Eliton (que terminou a eleição em um humilhante 3º lugar) e muito menos atendendo a demandas importantes dos municípios, já que a maioria dos prefeitos optou por gastar o que recebeu em obras de recapeamento do asfalto de ruas das suas cidades.

 

Fundos públicos não podem ser gastos assim, sem planejamento e, ainda piormente, levando as prefeituras a transferir ao Estado responsabilidades mínimas – como a manutenção da pavimentação – que são suas. Trata-se de uma prática da velha política, que além de tudo é ineficaz e não gera benefícios para o grosso da população. Algo que Caiado, ao se eleger prometendo mudança, deveria encarar de frente e riscar em definitivo da lista de atribuições do governo estadual, mesmo porque nem ganhos eleitorais produz , como demonstrado na eleição passada.

 

Mudança tem que ser para valer.

07 jan

Destucanização dá para trás na Secretaria de Educação: influência de Marconi e principalmente Raquel Teixeira segue viva com nomes da gestão passada aproveitados na equipe de Fátima Gavioli

O maior potencial de crise, dentro do secretariado montado pelo governador Ronaldo Caiado, está na professora Fátima Gavioli, “importada” de Rondônia para a Secretaria de Educação.

 

Antes da posse, ela visitou a pasta e pediu que todos os superintendentes e coordenadores entregassem o seu pedido de demissão no dia 1º de janeiro – medida apropriada para a destucanização da Seduce, como, de resto, é intenção de Caiado em toda estrutura administrativa do Estado. Ato contínuo, no dia 2, o governador, no 1º dia de expediente normal, assinou um decreto exonerando não só os titulares desses cargos, mas também todos os comissionados lotados na Seduce, assim como no resto da administração. Estranhamente, abriu exceção para a Superintendente de Inclusão, Márcia Rocha de Souza Antunes, mantida mesmo diante das suas ligações ostensivas com Raquel Teixeira e com o ex-prefeito de Catalão Jardel Sebba (ela fez campanha para o filho dele, deputado Gustavo Sebba, reeleito). Outro nome continuado por Fátima Gavioli que causou espanto foi Maurício Roriz, que também foi superintendente na gestão passada e chegou a trabalhar como assessor e atuou na campanha do deputado Talles Barreto, um dos poucos do PSDB que foi reeleito.

 

Além disso, houve alguma surpresa em ver em uma das superintendências, a partir de agora, o presidente de um partido político, o professor Manoel Barbosa, do Podemos.

 

Márcia Rocha de Souza Antunes é presença dominante junto à nova secretária. A decisão de cortar drasticamente ou reduzir a zero o quantitativo de professores de apoio, que acompanham os alunos especiais na rede estadual, foi obviamente manipulada por ela, que continuou cuidando da área de Inclusão – coincidentemente a primeira na qual Fátima Gavioli agiu, já anunciando a medida no dia 3, antes mesmo de tomar pé da integralidade da Seduce.

 

Não se sabe se a titular da Educação poderia agir de maneira diferente: sendo de fora de Goiás, não conhece quase ninguém aqui. Como poderia montar a sua equipe de trabalho

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