Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt e convidados sobre política, cultura e economia

11 out

Derrota total do PSDB e prisão de Marconi, somando-se a Daniel Vilela sem mandato e presidindo um MDB dividido, garantem a Caiado o governo com a oposição mais fraca da história de Goiás

Ronaldo Caiado vai iniciar em 1º de janeiro próximo o governo que terá a mais fraca e débil oposição de todos os tempos em Goiás, além de fragilizada também pela falta de credibilidade.

 

As urnas foram cruéis com os adversários de Caiado: 1) o PSDB , além de sofrer uma derrota total, nas eleições majoritária e proporcionais, ainda viu o seu principal líder e aglutinador Marconi Perillo ser abatido por uma prisão preventiva decretada pela Justiça Federal, sob a acusação de liderar uma organização criminosa especializada em arrecadar propinas e 2) como vai ficar sem o seu mandato de deputado federal, a outra alternativa oposicionista, Daniel Vilela, retornará à planície e só terá como trunfo a presidência de um partido, o MDB, mas dividido em duas alas, uma sob o seu comando político e outra abertamente ligada ao governador eleito.

 

Não vai ficar ninguém de pé oriundo do antigo grupo tucano que liderou a política em Goiás por 20 anos. O destino de Marconi, o principal deles, é incerto, mas profundamente afetado pelos eventos policiais em que está envolvido, correndo o risco de se transformar até em uma espécie de Sérgio Cabral do cerrado. Daniel Vilela, que ensaia se firmar como oposição a Caiado, ainda nem tomou essa decisão, mas, de qualquer forma, será prejudicado pelo encerramento da sua trajetória na Câmara Federal, perdendo a tribuna e a visibilidade.

 

Para o governo Caiado, politicamente falando, tudo indica que o céu será de brigadeiro e o mar de rosas.

11 out

Em levantamento sobre o resultado da eleição, O Popular mostra que o vexame eleitoral de Marconi foi monumental: ele só ganhou em 2 cidades, uma delas Palmeiras

O fiasco do ex-governador e candidato derrotado ao Senado Marconi Perillo na eleição do último domingo foi monumental: ele só saiu à frente em duas cidades, uma delas Palmeiras, onde nasceu, onde teve apenas 1.200 votos a mais que o 2º colocado, Vanderlan Cardoso. Em Pirenópolis, onde é proprietário rural, Marconi perdeu para Jorge Kajuru, que o superou por quase 300 votos.

 

No resto dos municípios, Vanderlan Cardoso e Jorge Kajuru se alternaram na liderança. Vanderlan venceu em 111 e Kajuru em 119. Lúcia Vânia ficou em 1ºlugar em apenas 10. Wilder Morais conseguiu ganhar em oito cidades.

11 out

Deixar Marconi comparecer ao interrogatório na Polícia Federal sem levar um habeas-corpus preventivo no bolso foi “barbeiragem” da defesa de Marconi, que custa uma fortuna

O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay(foto), que atua na defesa do ex-governador e candidato derrotado ao Senado Marconi Perillo, é um dos mais caros do país. Para que se tenha uma ideia, ele representou os irmãos Friboi, Joesley e Wesley, quando também foram presos, e cobrou R$ 20 milhões de reais, mais R$ 80 milhões caso tivesse sucesso na libertação dos dois – o que não conseguiu a curto prazo, na época.

 

Por isso, imaginando-se que um preço tão elevado implicaria em qualidade profissional correspondente, nos meios jurídicos do Estado ninguém entendeu como ele permitiu que o seu cliente comparecesse a um depoimento na Polícia Federal sem levar no bolso um habeas-corpus preventivo – quando já se sabia que tanto o Ministério Público Federal quanto a Justiça Federal consideravam válidos, para a detenção de Marconi, os mesmos fundamentos que justificaram a prisão de Jayme Rincón.

 

Kakay provavelmente pecou por excesso de confiança. Achou que, como já tinha obtido dois mandados de libertação no Tribunal Federal Regional da 1º Região, a favor de Jayme Rincón e de um outro empresário detido na Operação Cash Delivery, emitidos por dois desembargadores diferentes, esses precedentes se imporiam e o Ministério Público Federal não solicitaria à Justiça Federal a medida preventiva contra o ex-governador. Não foi o que aconteceu.

 

Tipo extravagante, que mora em Paris, toca piano e gosta de vinhos caros, Kakay é de família com laços em Goiás, através do irmão Marcos de Almeida Castro, que foi presidente da Saneago no governo Henrique Santillo. Marconi nunca revelou quanto está pagando a ele.

10 out

Globonews destaca comemoração popular pela prisão de Marconi, na calçada da Polícia Federal, como repetição do caso Sérgio Cabral no Rio de Janeiro

Em sua cobertura sobre a prisão do ex-governador Marconi Perillo, a Globonews mostrou cenas de populares comemorando na calçada da Polícia Federal, em Goiânia. Tinha até gente dançando.

 

Segundo a comentarista Cristiane Lobo, Marconi está reeditando em Goiás o que aconteceu com Sérgio Cabral no Rio de Janeiro.

10 out

Confirmado: prisão preventiva de Marconi foi decretada em razão de novas provas, inclusive informações fornecidas por Jayme Rincón

Está confirmado: o ex-governador e candidato derrotado ao Senado teve a sua prisão preventiva decretada em função de novas provas reunidas pelas investigações da Operação Cash Delivery.

 

Uma delas é o depoimento prestado pelo ex-presidente da Agetop Jayme Rincón, que confirmou o recebimento das propinas. Não estão disponíveis ainda maiores informações.

10 out

Prisão preventiva para Marconi indica que surgiram novas provas nas investigações da Operação Cash Delivery, que não são apenas as que fundamentaram o caso de Jayme Rincón

A decretação da prisão preventiva do ex-governador e candidato derrotado ao Senado Marconi Perillo aponta para a provável descoberta de novas provas pela Operação Cash Delivery, que investiga o pagamento de propinas a ele pela Odebrecht.

 

Caso fossem considerados apenas os mesmos fundamentos que levaram à prisão de Jayme Rincón, ex-tesoureiro de campanha de Marconi, não se justificaria o decreto de preventiva – uma vez que Jayme foi solto por habeas-corpus concedido pelo Tribunal Federal de Recursos da 1ª Região, que considerou não ser necessária a sua privação de liberdade para o curso das investigações.

10 out

Faltam informações sobre a prisão de Marconi pela Polícia Federal, mas já se sabe que é em caráter preventivo, isto é, sem prazo definido

A Policia Federal prendeu nesta tarde o ex-governador Marconi Perillo, durante seu depoimento na investigação sobre as propinas que a Odebrecht teria pago a ele através do seu ex-tesoureiro de campanha Jayme Rincón.

 

Não há maiores informações, por enquanto. Só uma: a prisão é preventiva, isto é, não tem nada para acabar.

10 out

Apoio de Caiado a Bolsonaro é consentâneo com o seu perfil anti-PT, casa-se com a maioria do eleitorado goiano e mostra rapidez e coragem para a tomada de decisões

O governador eleito Ronaldo Caiado anunciou que, agora no 2º turno da eleição presidencial, vai apoiar o candidato Jair Bolsonaro, que disputa com Fernando Haddad, do PT.

 

É o primeiro ato de importância de Caiado logo após vencer a eleição e mostra que ele é fiel ao seu perfil de político ativamente anti-PT, está sintonizado com a maioria do eleitorado goiano (que preferiu maciçamente Bolsonaro no 1º turno) e é rápido e afirmativo para tomar decisões, o que também combina com a sua personalidade e biografia.

 

Caiado está indo bem.

10 out

Mesmo derrotado como político mais rejeitado da história de Goiás, Marconi (e seus seguidores) não fazem autocrítica e insistem no discurso do passado, à espera de reconhecimento que não virá no futuro

Nunca um grande líder da política em Goiás recebeu um veredito tão duro das urnas, em qualquer época, quanto Marconi Perillo no último domingo, nem Iris Rezende, por exemplo, em 1998 – quando também perdeu, mas por pouco para o mesmo Marconi que hoje sai estraçalhado da eleição em que colheu uma derrota total, dele e dos seus aliados.

 

Agora, já começou um lenga-lenga condizente com o discurso de passado que os tucanos – sob a liderança de Marconi – desfraldaram durante a campanha: se o eleitor goiano não reconheceu o que o ex-governador fez em seus 20 anos de poder, o tal “legado”, a história haverá de fazê-lo.

 

À ingratidão dos goianos se anteporá o galardão que a posteridade conferirá a Marconi, esperam ele mesmo e seus aliados.

 

Mas é melhor colocar as barbas de molho. O julgamento da história, quase sempre, costuma ser muito pior que a avaliação da contemporaneidade. À distância, com frieza, os fatos acabam por ser dissecados com mais clareza e lucidez. Veja apenas essa amostra, leitor: o Vapt Vupt, de que os marconistas tanto se orgulham, será visto como o que é realmente, ou seja, uma cópia do Poupa Tempo, criado em São Paulo pelo então governador Mário Covas, esse, sim, um dos melhores administradores estaduais de todos os tempos, que deixou os pilares para a estabilidade financeira paulista, até hoje incontestável – enquanto Goiás, do ponto de vista fiscal, não passa de um caco, conforme o governo Ronaldo Caiado mostrará logo nos seus primeiros dias. E assim será com tudo o que foi feito nas últimas duas décadas, aliás com o dinheiro do povo e com os seus administradores recebendo salários régios.

 

Portanto, se as coisas estão ruins hoje para Marconi e seus devotos, amanhã poderão estar muito piores.

09 out

Tensão com o depoimento de Marconi nesta quarta, às 15 horas, faz a Polícia Federal adotar esquema especial de segurança em sua sede em Goiânia

O ex-governador e candidato derrotado ao Senado Marconi Perillo vai depor nesta quarta-feira, às 15 horas, no inquérito que apura as propinas que a Odebrecht teria destinado a ele, através do seu ex-tesoureiro de campanha Jayme  Rincón. Ele será recebido, devidamente acompanhado pelo seu advogado Kakay, no prédio da Polícia Federal, em frente ao campo do Goiás. Providências especiais estão sendo adotadas para resguardar a segurança do ex-governador e para controlar o fluxo de jornalistas, equipes de televisão e curiosos que devem se aglomerar no local na hora da oitiva.

 

Não está afastada a hipótese de prisão temporária ou preventiva de Marconi no momento do depoimento.

09 out

Mitos que a eleição derrubou(4): candidato da máquina governista sempre tem 30% dos votos, seja ele quem for, mas… dessa vez, nesse papel, Zé Eliton foi tão ruim que não passou de 13,7%

Uma das regras mais cultivadas da história das eleições em Goiás reza que o candidato apoiado pela máquina governista tem sempre 30% dos votos, no mínimo, em qualquer circunstância, só em razão da sua base de apoio.

 

Dessa vez, não. O representante das forças do governo Zé Eliton teve apenas 13,7%, chegando no final em 3º lugar atrás de Daniel Vilela, que não teve uma fração dos recursos, estrutura e sustentação que estiveram a favor do Zé.

 

A votação do candidato governista foi, digamos assim, pouco superior a de um nanico, tanto que ficou a distância mínima de Kátia Maria, do PT, que alcançou 9,16% nas urnas – em Goiás, o PT é praticamente um partido nanico.

 

Zé foi um fiasco tão grande que desmoralizou até as leis gerais da política.

09 out

Mitos que a eleição derrubou(3): antes da eleição, diziam que Caiado não tinha perfil majoritário, não agregava e, devido ao temperamento, estava fadado a cometer erros fatais, mas não foi isso que aconteceu

Poucas vezes o resultado de uma eleição, em Goiás, desmontou tantos pensamentos preconcebidos e até mesmo preconceitos.

 

Antes da eleição, os adversários de Ronaldo Caiado espalhavam aos quatro ventos que ele não tinha perfil majoritário (só havia vencido pleitos proporcionais, tendo perdido as duas eleições para governador e para presidente que disputou), não seria um político agregador, devido ao histórico de conflitos com outros líderes estaduais, e, principalmente, por ser dotado de um temperamento supostamente explosivo, acabaria cometendo erros durante a campanha e pavimentaria a sua própria derrota.

 

Veio a campanha, a caravana vitoriosa de Caiado passou e seus concorrentes ladraram sem resultado nenhum. Caiado revelou um forte perfil majoritário, jamais visto antes em Goiás (ganhou no 1º turno com praticamente 60% dos votos), conquistou o apoio de partidos e de políticos individuais muito mais que qualquer outro candidato e, o melhor de tudo, comportou-se com esmero, aguentou desaforos nos debates, não retrucou e não incorreu em um único escorregão. Ganhou bonito, com o menor tempo de TV e, importante, sem atacar e sem se posicionar com agressividade contra os concorrentes.

 

Eles, sim, é que não tinha nenhum perfil majoritário ou eleitoral (Zé Eliton), não conseguiram agregar (Daniel Vilela, que reuniu três partidos divididos, especialmente o seu, o MDB) e por último cometeram erros em cascata, notadamente o Zé.

09 out

Mitos que a eleição derrubou(2): maior tempo no horário eleitoral deveria conferir vantagem significativa, mas não foi o que houve em Goiás, já que Zé Eliton, o número um no rádio e TV, ficou em 3º lugar

Um dos maiores mitos das eleições brasileiras caiu por terra, mais uma vez, em Goiás: a crença de que o maior tempo no rádio e na televisão confere automaticamente vantagem significativa a um candidato majoritário.

 

Zé Eliton, representante da coligação do PSDB, comemorou desde o início da campanha os 3:27 que teria no rádio e na TV, quase o triplo do tempo de Ronaldo Caiado, que ficou com apenas 1:19, enquanto Daniel Vilela também conseguiu um bom naco, com 2:18.  Caiado saiu atrás até da petista Kátia Maria, que levou 1:26.

 

Pois bem: o candidato democrata venceu a eleição no 1º turno, com praticamente 60% dos votos. Zé Eliton, o suposto privilegiado em matéria de programas eleitorais, amargou um humilhante 3º lugar. Daniel, o 2º lugar. Kátia Maria, como se sabe, terminou em 4º.

 

Tempo de rádio e televisão, para quem não tem nada a dizer, não serve para muita coisa.

09 out

Habeas-corpus preventivo é a única saída de Marconi, obrigado a partir desta quarta a comparecer à Polícia Federal para dar o seu depoimento sobre as propinas da Odebrecht

A partir desta quarta, o ex-governador e candidato derrotado ao Senado Marconi Perillo perde a imunidade que o impedia de ser preso 15 dias antes e dois dias após as eleições.

 

Marconi será obrigado a comparecer à Polícia Federal, para depor sobre as propinas da Odebrecht que estão sendo investigadas na Operação Cash Delivery. Será uma situação tensa: ele poderá ser preso preventiva ou temporariamente durante esse depoimento (teoricamente também antes ou depois), já que o Ministério Público Federal e a Justiça Federal entenderam, em despachos seguido, que há provas do seu papel de líder de uma organização criminosa especializada em troca suborno por favores governamentais, juntamente com o ex-presidente da Agetop Jayme Rincón.

 

O ex-governador não tem saída: necessita desesperadamente de um habeas-corpus preventivo. Que pode ou não ser concedido pelo Superior Tribunal de Justiça.

09 out

Derrota de Marconi é tão completa e total que outro dos seus arqui-inimigos, Alcides Rodrigues, ressurgiu das cinzas, ganhou para deputado federal e vai ter influência no governo Caiado

Nunca um grande líder da política em Goiás sofreu uma derrota tão avassaladora quanto o ex-governador Marconi Perillo nesta eleição que se encerrou no último domingo.

 

Marconi perdeu, seu candidato a governador, o Zé, perdeu, seus deputados estaduais do peito perderam (Francisco Oliveira e Eliane Pinheiro), seus deputados federais de confiança perderam (exemplo: Giuseppe Vecci), Ronaldo Caiado se elegeu para governador, Jorge Kajuru para senador e… detalhe irritante, seu arqui-inimigo Alcides Rodrigues conquistou um mandato de deputado federal – pela coligação de Ronaldo Caiado, o que lhe dará projeção dentro do novo governo.

 

Pela mesma porta que Marconi sai enxotado, entra Alcides glorificado.

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