Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

27 abr

Articulação política do governo Caiado é disfuncional e tem a família como origem das dificuldades de relacionamento com a classe política e especialmente com os deputados estaduais

O governo comandado por um dos políticos mais experimentados da história de Goiás, com uma longa carreira parlamentar, não consegue formatar uma base de apoio na Assembleia Legislativa e por isso está mergulhado em uma semiparalisia, com os seus passos contidos pelo receio de submeter à apreciação dos deputados a segunda parte da reforma administrativa  e vê-la simplesmente derrubada – o que configuraria uma derrota de proporções tão catastrófica quanto foi a eleição de Lissauer Vieira para presidente da Assembleia passando por cima dos interesses do Palácio das Esmeraldas.

 

segunda parte da reforma administrativa é essencial para os necessários e indispensáveis cortes de gastos e para adequar o governo à visão operacional de Caiado e sua equipe. Ela vem sendo adiada sucessivamente porque, por um lado, o governador não sabe exatamente o que pretende, enquanto, por outro, não tem nenhuma garantia de que os deputados estaduais a ratificarão. Mas por que o Executivo, com o poderio da sua máquina de distribuir benesses e até mesmo com o “balcão de negócios” que Caiado abriu para negociar cargos com os parlamentares, não consegue assegurar algo tão trivial como o respaldo da Assembleia, algo que os 10 últimos governadores antecessores do atual conseguiram com facilidade?

 

Para responder a essa questão, é preciso ir a fundo. E se deparar com a influência que a família de Caiado exerce sobre ele, em especial sua mulher Gracinha, a filha Anna Vitória e o genro Alexandre Hsiung. Eles têm uma concepção em comum: acham que o marido, pai e sogro foi eleito para mudar as práticas políticas em Goiás e afastar de vez os costumes envelhecidos que, no passado, ajudaram a gerar escândalos e a desgastar as administrações do PSDB e do antigo PMDB. Gracinha, de todos a que mais sugestiona a conduta do governador, é quem mais defende esse ponto de vista: Caiado tem a missão sagrada de implantar a “nova política” no Estado e por isso deve ser manter puro, à distância e jamais ceder nas negociações fisiológicas mesmo com aqueles que o apoiaram desde o início da sua campanha.

 

Nunca se viu, no governo de Goiás, uma família tão ativa e dominante quanto a de Caiado. Não à toa, isso se expressa nas duas dezenas de nomeações de parentes, que o Palácio das Esmeraldas assumiu sem a menor preocupação com a opinião de quem quer que seja. O jornal O Popular chegou a publicar uma reportagem de uma página sobre a infestação de Caiados na administração e nada. Eles não dera a menor bola. Com a primeira-dama Gracinha no papel de grande mentora da rejeição à política tradicional e com o seu indiscutível poder sobre o seu companheiro, não é de se estranhar que o governo, no pouco que tem de articulação com os deputados, seja tão disfuncional.

26 abr

Pesquisa do instituto Paraná, publicada pelo Jornal Opção, confirma que Caiado perdeu quase metade do capital político que ganhou na eleição e só tem 36% de bom e ótimo

O governador Ronaldo Caiado, que superou a marca dos 60% dos votos na sua eleição, perdeu quase a metade desse capital político, conforme pesquisa do instituto Paraná, divulgada agora há pouco pelo Jornal Opção. O levantamento aponta Caiado com 6,6% de ótimo e  29,4% de bom (somando 36% de aprovação, portanto) , contra 25,7% de ruim e péssimo (a reportagem já apresentou esses quesitos totalizados e não os detalhou separadamente) e 35,5% como regular.

 

A matéria não revela quem encomendou a pesquisa nem traz dados importantes como regiões geográficas, cidades ou faixas da população consultadas. Os números também não batem: a soma de ótimo+bom+regular+ruim+péssimo deveria fechar em 100%, mas chega apenas a 97,2%.

 

O instituto Paraná é de credibilidade mediana, depois que a sua imagem foi afetada na campanha presidencial de 2014, quando divulgou índices apontando para uma vitória confortável de Aécio Neves no 2º turno contra Dilma Rousseff.

 

A pesquisa sobre o desempenho de Caiado tem outros itens, todos favoráveis ao governador. Em um deles, diante da pergunta direta sobre se o entrevistado aprova ou desaprova a atual gestão, 59,9% disseram que sim e 33,5% informaram que não. Com os 6,7 que não quiseram responder, o total foi a 100,1%  – conta também estranha, já que igualmente deveria ter concluído com 100%.

26 abr

PSDB goiano é uma casa em ruínas, empurrada para a periferia. Mesmo assim, há uma disputa pela sua presidência. O segredo? Um cofre cheio de ouro enterrado no quintal

O último pleito transformou o PSDB goiano em pó. O partido, depois da fragorosa derrota nas urnas, quando seus ícones Marconi Perillo e Zé Eliton tomaram uma surra e apenas seis deputados estaduais e um federal conseguiram se eleger, assemelha-se a uma casa velha, em escombros, empurrada para a periferia. Não deveria valer grande coisa, mas, mesmo com as paredes e o telhado ameaçando desabar de vez, há ainda quem se interesse. Dois prefeitos – Jânio Darrot, de Trindade, e Carlão da Fox, de Goianira – estão engalfinhados em uma disputa pela presidência do PSDB estadual.

 

O que justifica essa briga, que envolve forças outrora poderosas, como, por exemplo, o ex-governador Marconi Perillo, que manobra nos bastidores para que o seu candidato do peito, Jânio Darrot, seja entronizado? A resposta, leitor, está no cofre de ouro enterrado no quintal do partido. Trata-se da cota do bilionário fundo partidário, que rende ao diretório de Goiás em torno de R$ 300 mil mensais. E eventualmente mais dinheiro pode vir do diretório nacional. Em tempos de vacas magras, com os tucanos completamente alijados do poder depois da vitória de Ronaldo Caiado, trata-se de uma pequena fortuna.

 

E que pode ser gasta quase que à vontade. Exige-se prestação de contas para a Justiça Eleitoral, mas os critérios são frouxos. Quem ganhar o comando do partido poderá contratar secretárias, assessores, advogados, pagar publicidade, viagens, carros, combustível, alugar aviões, telefones celulares, restaurantes e mais uma infinidade de despesas que no final das contas serão convenientes para a sobrevivência dos líderes tucanos no Estado, em especial Marconi. É por isso que Jânio Darrot, um empresário riquíssimo, que ainda detém a relativamente bem situada prefeitura de Trindade, foi escolhido para presidir o partido. Ele será o eleito, realizando-se, mais uma vez, a vontade soberana de Marconi. Jânio não precisa da estrutura do partido, nem pessoalmente nem para fazer política e por isso é o nome ideal para administrar a valiosa caixa forte partidária. Será apenas um preposto de confiança, com a missão de facilitar as demandas do ex-governador.

26 abr

Acreditem, leitora e leitor: 3 semanas depois de completar 100 dias de governo, Caiado continua prestando contas. Nesta sexta, deu entrevista repetindo pela enésima vez tudo o que já foi dito

Na manhã desta sexta-feira, 26 de abril, o governador Ronaldo Caiado foi à Rádio Brasil Central para uma entrevista com radialistas de todo o Estado. Seria normal, não fosse o tema abordado: a prestação de contas dos 100 dias do novo governo.

 

Acontece que esses 100 dias foram completados há três semanas. Caiado escreveu um artigo em O Popular, promoveu uma solenidade no Palácio Pedro Ludovico, protagonizou uma livre no Facebook, publicou um Power Point e uma dezena de cards nas redes sociais, reuniu 28 deputados estaduais no cineminha do Palácio das Esmeraldas e deu exatamente 13 entrevistas a veículos de comunicação os mais diversos, tudo sobre o mesmo tema, ou seja, a tal prestação de contas.

 

Os 100 dias, portanto, já passam de 120 e parecem não ter fim. Assemelham-se a uma overdose de ufanismo e autoexaltação. No , pouca coisa de relevante foi apresentada, decorrência de um erro grave cometido com a decisão de postegar e posteriormente parcelar o pagamento de dezembro do funcionalismo. Isso abriu uma crise que se tornou dominante nas manchetes da imprensa e acabou se transformando no principal fato dos tais 100 dias, matando no berço a hipótese de uma agenda positiva para o governo. Essa é a verdade.

26 abr

Base de Caiado na Assembleia se esboroa antes mesmo do primeiro teste: como explicar que um governador que passou a vida no Parlamento não consiga respaldo dos deputados para o seu governo?

Mexeu para cá, mexeu para lá e deu em nada. Esse é o resultado de toda a anunciada e desgastante movimentação do governador Ronaldo Caiado na tentativa de formatar uma base de apoio na Assembleia Legislativa, inclusive com notícias públicas e constrangedoras sobre um “balcão de negócios” aberto para comprar o votos de deputados (é bom lembrar que a denúncia foi feita por um aliado de Caiado, o deputado Major Araújo). No final das contas, a tal base simplesmente não existe, deixando o governo estadual acuado contra a parede quanto aos projetos que necessita aprovar para levar adiante a mudança que foi prometida durante a campanha – caso da reforma administrativa, que, perto de se iniciar o oitavo mês desde que o novo governador foi eleito, continua na estaca zero, já que a sua remessa à apreciação da Assembleia traz o risco de uma rejeição.

 

Por enquanto, Caiado continua sem contar com qualquer respaldo parlamentar e isso deixa a sua gestão semiparalisada. O seu temperamento imperial o impede de adular os deputados ou sequer perder algum tempo conversando com eles. Vejam bem, leitora e leitor: Caiado, sobre si próprio, pensa que veio de cima para baixo, ou seja, do cenário nacional para a província. Não tem que perder tempo com picuinhas de deputados, nenhum deles interessado no sucesso do seu governo e unicamente agarrados aos seus interesses pessoais. Não confia neles e eles, por sua vez, também devolvem a desconfiança. Para os 41 membros da Assembleia, pouco importa que o governador tenha sido eleito para o Palácio das Esmeraldas em um inédito 1º turno e com mais de 60% dos votos dos goianos.

 

O presidente Jair Bolsonaro também está penando no relacionamento do governo federal com o Congresso. Caiado, tal como Bolsonaro, tem uma longa carreira parlamentar, mais de 20 anos atuando como deputado e senador. É de se estranhar que ambos enfrentem problemas com o Parlamento, justamente a área em que têm experiência e que conhecem como a palma da mão. No caso de Goiás, é preciso entender a personalidade do governador e o seu sentimento de superioridade e ideia de que é portador de desígnios quase divinos – a missão de reconstruir Goiás – que estaria muito acima de simples e defeituosos mortais como os deputados estaduais.

 

Caiado se esforçou para formatar uma base de apoio na Assembleia. Engoliu a sua própria palavra para abrir o “balcão de negócios” e ofereceu cotas de R$ 30 mil em nomeações, além de diretorias e superintendências, permitindo inclusive que os deputados indicassem parentes para esses cargos. O Diário Oficial não economizou tinta para a farra que se seguiu. O que não dá para entender é que, mesmo assim, o Palácio das Esmeraldas continua sem garantia de aprovação de matérias na Assembleia. Apesar das prebendas, os deputados, aparentemente, não gostaram do jeito como são tratados por um governador que foi parlamentar durante mais de 20 anos consecutivos.

 

Um grupo independente de 14 deputados foi formado, às margens dos interesses do Palácio das Esmeraldas. É uma espécie de “Centrão” estadual, que parece querer dominar as votações na Assembleia. Seu primeiro feito será empurrar goela abaixo do governador o orçamento impositivo de 1,2%, tornando obrigatório e automático o pagamento das emendas aprovadas pela Assembleia. É jogo jogado. Vai se transformar em realidade, logo, logo. E configurar mais uma derrota política para o governo.

25 abr

Perto de iniciar o 8º mês desde que foi eleito, Caiado continua adiando a reforma administrativa. Sinal claro de que tem dúvida sobre o que fazer e também de que ainda não formou base na Assembleia

Daqui a poucos dias o governador Ronaldo Caiado entra no oitavo mês desde que foi eleito, a 7 de outubro do ano passado. É uma eternidade. Mesmo assim, ele segue sem preencher postos importantes da sua administração (a estratégica Goinfra, ex-Agetop, só tem duas diretorias nomeadas) e sem ainda apresentar a segunda parte da sua reforma administrativa, que vai dizer muito do seu projeto de governo e da sua coragem para realmente cortar a fundo para tentar reduzir as despesas e levar o Estado ao reequilíbrio fiscal.

 

Vamos ficar aqui no tema da reforma administrativa. Antes de Caiado começar o mandato, ela já era um tema prioritário, por se constituir no instrumento de definição do modelo de gestão do novo governo e, evidentemente, pela urgência com que deveria ser encarada, logo nos primeiros dias da gestão. Vejam o caso do presidente Jair Bolsonaro, que anunciou a sua antes de assumir e a concretizou logo na semana da sua posse. Caiado prometeu resolver o assunto em fevereiro, assim que a Assembleia iniciasse os trabalhos. Adiou para março. Adiou para abril. E, como o mês está se esgotando, deve agora ficar para maio.

 

O significado de tanta postergação é fácil de deduzir: por um lado, Caiado não sabe exatamente o que fazer e hesita sobre o conteúdo da reforma, enquanto, por outro, não tem também confiança na suposta base de apoio que formou na Assembleia e não pode correr o risco de enviar o projeto e colher uma derrota, que pode vir tanto pela rejeição da matéria quanto pela aprovação de alterações através de emendas dos deputados. Não à toa, ele já admitiu recuar da decisão de incluir no pacote a redução de 20% dos cargos comissionados – que, em vez de serem extintos, ficariam marotamente guardados na gaveta para uma eventual necessidade. É algo típico dos políticos. Ninguém, no poder, quer podar a sua própria capacidade para distribuir benesses e angariar apoio.

 

Uma reforma administrativa está na gênese de todo governo e é o momento em que o governante informa a sociedade sobre o que pretende para o futuro É ela que teoricamente começaria a trazer a mudança que Caiado levantou como bandeira de campanha e ajudou a convencer os goianos a escolher o seu nome nas urnas. Se for um fiasco, ou seja, se não mostrar realmente inovação e economia, vai quebrar as expectativas e ajudar a enterrar a nova gestão.

25 abr

Marconi não aprende com a derrota e insiste em permanecer preso ao que já ficou para trás: ““Nunca devemos deixar de olhar o passado”, é o conselho dele aos candidatos a presidência do PSDB

Pelo menos dois dos candidatos à presidência estadual do PSDB, que terá o seu novo ocupante escolhido no próximo dia 4 de maio, conversaram com o ex-governador Marconi Perillo sobre o futuro do partido em Goiás e ouviram o mesmo conselho, que pode ser resumido em uma única frase: “Nunca devemos deixar de olhar o passado”, conforme contou um dos postulantes, o prefeito de Goianira Carlão da Fox.

 

Foram poucas palavras. Porém, dizem muito sobre a cabeça atual de Marconi. A exemplo do que aconteceu na campanha eleitoral fracassada do ano passado, quando ficou em 5º lugar para o Senado e só ganhou em duas cidades, Palmeiras e Mimoso, o tucano-mor de Goiás prova mais uma vez que não consegue se libertar dos seus bons tempos de governo e continua achando que as obras e realizações do seu período merecem a gratidão dos seus colegas de partido e dos goianos. Esse discurso saudosista foi fundamental para a construção da monumental surra que tomou nas urnas, quando o eleitor só olhou para trás para conferir os malfeitos e preferiu escolher os seus candidatos com as vistas bem assentadas à frente.

 

Marconi fez a campanha sem apresentar propostas para a sua atuação como senador, focando apenas nas suas realizações como governador e quase que exigindo gratidão e reconhecimento pelos seus feitos. Isso, em política, é um erro crasso. O próprio ex-governador ganhou pela primeira vez em 1998 como um candidato absolutamente desconhecido, que, no entanto, foi abraçado pela população no lugar de um adversário com um currículo de obras jamais visto antes (Iris Rezende). Deveria, por isso, saber que voto não é agradecimento e sim um aceno para os dias que virão e daí entenderia porque Ronaldo Caiado ganhou.

 

A razão do conselho aos candidatos à presidência do PSDB estadual é fácil de entender: Marconi quer que o partido se comprometa com a chamada defesa do seu legado, entendendo que os tucanos de Goiás devem gastar o seu tempo enaltecendo as suas administrações e exaltando um suposto significado positivo para o Estado. Paciência. Essa estória de “legado” é pura ilusão. Se o ex-governador não enxerga que falatório é matéria vencida, que o Tempo Novo já era e que “olhar para o passado” só vai aprofundar os desgastes do partido e a dessintonia que o levou ao fiasco eleitoral no ano passado, azar dele.

25 abr

Daniel Vilela errou tragicamente ao não compor com Caiado e levar o MDB ao pior resultado da sua história em Goiás. A conta agora chegou e o preço que ele está pagando é bem mais alto que o imaginado

A candidatura de Daniel Vilela ao governo do Estado, tendo como base um partido rachado e como aliadas legendas que só levaram o apoio pessoal dos seus dirigentes, pode ser definida agora, já perto da marca de oito meses desde a data do pleito, a 7 de outubro do ano passado, como um erro de consequências trágicas para o jovem filho de Maguito Vilela e seus poucos seguidores.

 

Daniel Vilela era estrela em ascensão no Congresso Nacional. Relatou matérias de importância como a reforma trabalhista e chegou até a presidir a Comissão de Constituição e Justiça, a mais destacada da Câmara Federal. Essa sólida carreira parlamentar estava apenas no início e tinha continuidade garantida, já que a reeleição como deputado federal seria um passeio. Isso virou fumaça. Só que os prejuízos não se limitaram a essa simples interrupção de uma trajetória de sucesso.

 

Uma composição com Ronaldo Caiado, desde sempre o candidato destinado a vencer a corrida pela governadoria, teria dado a Daniel Vilela a vice-governadoria e o colocado para brilhar no palco da política estadual, anos-luz à frente de quem ficou com a vaga, o contido e reservado Lincoln Tejota. Ele poderia também ter sido candidato a senador, no lugar de Jorge Kajuru e não se duvida de que seria eleito. Se alguém acha que fazer essas afirmações em retrospectiva parece fácil, sim, é mesmo. Porém, mesmo na época anterior à eleição, também era igualmente seguro prever a vitória de Caiado e dos seus dois senadores, como estão aptos a atestar os leitores das postagens deste blog naquele período.

 

Daniel Vilela preferiu arriscar a candidatura a governador, enquanto pelo menos a metade do MDB (com os seus  cinco principais prefeitos) debandava para o caiadismo. Ganhou o apoio do PP, do PRB e do PHS, contudo,  por imposição dos diretórios nacionais. Resultado: só os dirigentes dessas agremiações se alinharam com ele, não levando nenhum deputado, prefeito, vereador ou qualquer liderança de expressão. Com Caiado monopolizando a atenção do eleitorado como o grande nome da oposição ao Tempo Novo, restou ao emedebista a tentativa de se colocar tanto contra o governo tucano quanto contra o representante do DEM. Obviamente, não colou.

 

Meses depois da derrota, com o menor número de votos da história do MDB em Goiás, com apenas três deputados estaduais eleitos e nem um único federal, Daniel Vilela deve estar começando a se conscientizar do tamanho da sua tragédia pessoal. Raramente aparece no noticiário. Não tem agenda, ou seja, não há aonde ir. Neste ano, tem feito duas ou três postagens por mês nas suas antes movimentadas redes sociais. E só consegue alguma visibilidade quando ataca Caiado, o que até o menos informado dos eleitores enxerga como dor de cotovelo.

 

É de se perguntar, leitora e leitor: para quê serviu a aventura da candidatura sem base a governador? E que diferença teria feito a opção pela composição com Caiado no perfil oposicionista de Daniel Vilela? Foi tudo um equívoco monumental, que agora cai como uma pedra de Sísifo sobre a sua cabeça.

24 abr

Caiado foi para o Fórum de Governadores, em Brasília, esperando o anúncio do plano de socorro financeiro aos Estados, como prometido pelo ministro Paulo Guedes, porém… mais uma vez deu em nada

O governador Ronaldo Caiado é incansável. Quer dizer: ele não se cansa de levar dribles do ministro da Economia Paulo Guedes, que desde a eleição do ano passado vem prometendo a ele um socorro financeiro a Goiás que nunca mostra o menor sinal de que pode vir a acontecer. Nesta semana, mais uma vez, Caiado embarcou esperançoso para Brasília, esperando ouvir o que seria música para os seus ouvidos: o anúncio do Plano de Equilíbrio Financeiro, nome pomposo do programa prometido por Guedes e que consistiria em algum tipo de afrouxamento de regras para que os Estados possam contrair empréstimos ou então receber alguma antecipação por conta de leilões futuros do pré-sal cuja arrecadação, em parte, deverá caber às unidades federativas.

 

Caiado participou de mais um Fórum de Governadores, que tem a serventia de servir de tribuna para a choradeira dos governadores, todos sonhando com apoio financeiro de Brasília, alguns já em situação de desespero – entre esses últimos, Caiado. O goiano já está entrando no oitavo mês desde que foi eleito, repetindo quase todo dia que está na expectativa de um milagre que o governo federal prometeu (Paulo Guedes disse várias vezes a ele que tinha interesse em amparar Goiás), só que nunca deu passo além das palavras. É uma realidade: todas as equipes econômicas de todos os presidentes, de Fernando Henrique Cardoso para cá, têm a maior ojeriza quanto a liberar recursos para os Estados, cientes de que estariam alimentando a gastança e a irresponsabilidade fiscal, já que dinheiro fácil corresponderia ao mesmo que estimular os governadores a não fazer o dever de casa e a não tomar medidas impopulares de contenção de gastos.

 

Paulo Guedes também foi ao convescote. E falou muito, mas não tocou no tal Plano de Equilíbrio Financeiro, deixando a ansiosa plateia embasbacada em um primeiro momento, decepcionada no fim do encontro. Saíram todos frustrados, inclusive Caiado, o mais apaixonado defensor da abertura das burras do governo federal para os Estados. Sem saber o que fazer, restou ao governador bajular o ministro e propagandear apoio à reforma da previdência, que, para ser aprovada pelo Congresso, depende de algo que os chefes dos Executivos estaduais não têm a oferecer: os votos dos deputados e senadores. Isso, aliás, quem repetiu ao presidente Jair Bolsonaro, dias atrás, foi um dos maiores aliados que Caiado teve na sua eleição, o deputado federal José Nelto. Em uma audiência no Palácio do Planalto, Nelto não só garantiu ao capitão que nenhum governador tem força para mobilizar votos dos congressistas e ainda foi mais longe: aconselhou Bolsonaro a não ajudar os governadores, que precisam é mostrar serviço e tomar iniciativas dentro da sua própria esfera de competência para resolver os seus problemas.

23 abr

Se há um prognóstico a ser tirado dos primeiros meses de Caiado, é que o seu governo será rotineiro, contido, de reorganização do Estado e pouco ousado na definição de novas propostas ou rumos

Se continuar no ritmo e estilo que mostrou até aqui, perto de iniciar o quinto mês do seu mandato, o governador Ronaldo Caiado deverá fazer uma gestão dentro de padrões rotineiros, voltado para a reorganização do Estado, incluída aqui uma solução para a crise fiscal e o consequente advento de uma certa racionalidade financeira – até onde for possível em termos de poder público. E o governador que o suceder – ele já disse que não será candidato à reeleição – receberá uma herança benigna e poderá levar Goiás a um novo salto de desenvolvimento.

 

Caiado já mostrou que não é de ousadias ou vôos de águia, mas antes dominado por uma extrema prudência e, em vez dos olhos nos céus, pés muito pregados no chão. Dizem que não confia nem na própria sombra. Suas características pessoais de autossuficiência parecem preencher a ausência de um perfil executivo, próprio de quem passou a vida dando expediente no Congresso Nacional – onde se fala muito e se decide pouco. Disparadamente, ele é o governador de Goiás mais verborrágico da história, a ponto até de se comprometer e de se desgastar sem necessidade pelos seus excessos orais, a exemplo da promessa que fez, para compensar a pança que deu nos servidores quanto ao pagamento de dezembro, de que no seu governo a folha de pessoal seria quitada dentro do mês trabalhado. Não deu certo, tal como avisou a secretária da Economia Cristiane Schmidt, logo que tomou conhecimento da notícia.

 

O pagamento só foi feito dentro do mês em janeiro. Daí em diante, desandou e teve mês em que só foi finalizado depois do dia 10. O assunto, a propósito, tornou-se a rosa dos ventos da administração de Caiado. Folha de pessoal, em Goiás, é tema de qualquer conversa de botequim ou de mesa de almoço de domingo. Isso prejudicou o novo governo e a sua imagem. Fora a questão dos salários, o espaço ocupado foi o das medidas de economia – sempre anunciadas sem comprovação fática – e das denúncias contra os governos passados, pontos que deverão ocupar a agenda do Palácio das Esmeraldas daqui até o último dia de Caiado. Podem apostar, leitora e leitor.

 

O que fez e faz falta, desde a eleição, é a formulação de um projeto de futuro, algo mais consistente, enfim, sobre o que o governador deseja para Goiás, globalmente, além das meras medidas internas de sistematização da máquina administrativa. Mas nem nesse particular, que parece ser o seu forte, Caiado avançou, adiando sucessivamente a dita segunda parte da sua reforma administrativa, depois de uma primeira parte nada alvissareira, que, no final das contas, terminou aumentando o tamanho do governo e expandindo as suas despesas. Está passando da hora de dizer o que pretende para Goiás.

 

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22 abr

O balanço dos 100 dias de Caiado também deveria servir para o dos 100 dias de Marconi Perillo e Zé Eliton na oposição e o resultado é igualmente pífio

Venhamos e convenhamos: o balanço dos primeiros 100 dias do governador Ronaldo Caiado não foi assim algo que pudesse merecer algum destaque ou atenção, não passando de um amontoado de microfatos rotineiros e sem qualquer repercussão na vida dos goianos – os mesmos que elegeram Caiado no 1º turno, com um recorde de mais de 60% dos votos, provavelmente na expectativa de mudanças fundamentais para Goiás, pelo que se vê ainda em espera.

 

Mas… como foram os mesmos primeiros 100 dias na oposição dos dois principais nomes dos governos passados, Marconi Perillo e o seu substituto tampão Zé Eliton? Um fiasco igual ao de Caiado. Marconi escafedeu-se para São Paulo, onde alega trabalhar como consultor da Companhia Siderúrgica Nacional, apesar de não ter nenhuma experiência na área. Nesse período, foi acossado por uma enxurrada de ações judiciais e passou quase todo o tempo emitindo notas em que procurou se defender e se explicar diante dos malfeitos de que foi acusado. Já Zé Eliton simplesmente desapareceu, tendo também direito a um momento sob os holofotes quando foi alvo de uma operação policial destinada a esclarecer propinas que o teriam beneficiado. De resto, chegou a ser cogitado para presidir o PSDB estadual, mas a hipótese foi sumariamente afastada pela ostensiva falta de entusiasmo que provocou.

 

Nem um, Marconi, nem outro, Zé Eliton, têm hoje na política estadual um papel minimamente correspondente aos cargos de importância que exerceram e que os projetaram como figuras de primeira linha do poder em Goiás. Zé menos ainda que Marconi. Nem para entrevistas os dois são procurados. E ambos se recusaram a fazer o que os teria dignificado, ou seja, uma autocrítica sobre os anos de glória, quando é claro que houve acertos, talvez menos que os erros que custaram a massacrante derrota que colheram nas urnas.

22 abr

Destituição de Lúcia Vânia do comando do PSB em Goiás decorre de regra não escrita seguida pelos partidos: cúpulas nacionais só entregam os diretórios nos Estados a quem tem mandato no Congresso

Era mais do que previsível. Simplesmente inevitável. A destituição da ex-senadora Lúcia Vânia do comando estadual do PSB estava destinada a acontecer desde que ela perdeu a reeleição, em 7 de outubro do ano passado, em razão de uma regra não escrita seguida religiosamente por todos os partidos políticos brasileiros de alguma expressão: as cúpulas nacionais só entregam os diretórios nos Estados a quem tem mandato no Congresso Nacional. No caso do PSB, o novo presidente será o recém-eleito deputado federal Elias Vaz.

 

Não adianta espernear. Do ponto de vista dos dirigentes dos diretórios nacionais, nada é mais importante do que o número de cadeiras no Senado e mais especialmente ainda na Câmara. Primeiro, pelo poder de barganha que as bancadas adquirem conforme o seu tamanho nas decisões sobre projetos de importância. Segundo, pelo acesso ao bilionário fundo partidário, que destina dinheiro para as legendas conforme o quantitativo de deputados federais, essa, hoje, a principal preocupação de todas as agremiações.

 

Lúcia Vânia, portanto, assim que foi derrotada, ficou sem utilidade e passou a ser um corpo estranho que fatalmente acabaria rejeitado pelo PSB, partido que se propõe um perfil ideológico, mas, na prática, é fisiológico como qualquer outro – de olho no fluxo de caixa. Quem não tem mandato, assim, não é prioridade do partido. Foi o que aconteceu com Lúcia Vânia. Defenestrada do PSB, ela anuncia que vai para o Cidadania, antigo PPS, partido que, no momento, é dirigido em Goiás pelo seu sobrinho Marcos Abrão. Atenção: Marcos Abrão também dançou na reeleição, junto com a tia. Daí, se algum político com mandato federal se interessar pelo Cidadania goiano, ele será colocado para fora em questão de minutos. A ex-senadora, portanto, está dando mais um passo perigoso.

18 abr

Vaia a Caiado na procissão do Fogaréu, na Cidade de Goiás, é exibida no Jornal Anhanguera e serve de alerta: algo não vai bem no governo que foi eleito em 1º turno e com mais de 60% dos votos dos goianos

O governador Ronaldo Caiado foi vaiado na noite desta quarta-feira, 17 de abril, em um evento não oficial (a Procissão do Fogaréu) na Cidade de Goiás.

 

Populares e turistas presentes entoaram espontaneamente apupos e gritaram “Fora!” para o governador goiano. Testemunhas afirmam que não havia militantes políticos no local.

 

A vaia poderia até ter passado despercebida, mas foi registrada em celulares e o vídeo acabou sendo exibido no Jornal Anhanguera 1ª Edição desta quinta-feira, sem maiores comentários. A TV informou que procurou a assessoria de imprensa do Palácio das Esmeraldas para comentários, mas não foi atendida.

 

Mas está claro: é muito cedo para que um governante que foi eleito em 1º turno e com mais de 60% dos votos dos goianos enfrente desgastes, sinal inequívoco de algo não vai bem com a sua gestão.

18 abr

Eleito para zerar e moralizar a Assembleia, Lissauer Vieira mantém as vantagens do grupo de Marconi Perillo, aumenta os gastos mensais e quer torrar R$ 120 milhões em nova e desnecessária sede

A expectativa de uma mudança das práticas que ajudaram a construir a má imagem da Assembleia Legislativa nos últimos anos, que embalou a eleição de Lissauer Vieira para a presidência, frustrou-se completamente.

 

Quem é que não se lembra dos dias épicos em que os deputados estaduais enfrentaram o governador Ronaldo Caiado, derrotaram o seu candidato in pectore Álvaro Dias e elegeram um presidente inesperado, que representaria a afirmação da independência do Poder Legislativo e o compromisso de fazer uma limpeza – eliminando as vantagens do grupo político do ex-governador Marconi Perillo e se propondo a uma moralização administrativa, reduzindo os milhares de cargos comissionados que servem aos parlamentares e as quase 20 diretorias que nunca tiveram, em sua maioria, outra finalidade que não agasalhar apaniguados? Ou, minimamente, com o objetivo de reconciliar a Assembleia com a opinião pública estadual, depois de anos e anos de divórcio?

 

Pois tudo isso deu em nada. Lissauer Vieira como presidente, provou que é um ótimo e provinciano vereador de Rio Verde. Sua principal realização, até agora, é a transferência da capital do Estado para a maior cidade do Sudoeste goiano, com direito a um vendaval de despesas para custear uma praxe atrasada e detraquê – hoje, perdeu o sentido até mesmo a inútil e sem sentido mudança temporária da capital para a Cidade de Goiás, que ocorre todos os anos no final de julho como uma espécie de manifestação de remorso histórico pela construção de Goiânia.

 

Para piorar, o novo presidente da Assembleia manteve intactos os privilégios do grupo político de Marconi Perillo. Ex-deputados tucanos foram nomeados para diretorias que, na verdade, deveriam ter sido extintas, dada a falta de justificativa para a sua existência. A transparência, já crítica antes, desceu a níveis ainda mais baixos. Com três meses de gestão, não há dados no portal específico no site da Alego. Não satisfeito com o número excessivo de cargos, Lissauer Vieira está implantando uma reforma administrativa, para aumentar ainda o absurdo contingente de servidores comissionados listado na folha de pagamento. E ainda tem a cereja do bolo, representada pelos R$ 120 milhões que serão torrados, nos próximos anos, na construção de uma nova sede para o Legislativo, no Park Lozandes, não se sabe para quê nem por quê – anunciados em uma cerimônia para a qual foi convidado o governador Ronaldo Caiado, que, prudentemente, não apareceu.

 

Lissauer Vieira é um presidente fraco, sem agenda institucional de peso, que gasta o tempo com compromissos miúdos e sem importância. Não tem opinião sobre os principais desafios que Goiás enfrenta. Não é ouvido nem levado a sério pela imprensa e sua comunicação se limita a postagens superficiais nas redes sociais. Ele é a cara de um projeto de renovação que, precocemente, não deu certo.

 

Leia aqui sobre a viagem de Lissauer Vieira e Humberto Aidar aos Estados Unidos, por conta da Assembleia

18 abr

Aumento da passagem de ônibus, às vésperas do feriado (para evitar reações) e sem qualquer contrapartida das empresas, é ato irresponsável que iguala prefeituras e governo do Estado

Nesta sexta-feira santa, data escolhida para aproveitar o feriado prolongado e esvaziar possíveis reações populares, a passagem de ônibus na Grande Goiânia sobe para R$ 4,30 reais, aumento que foi autorizado pelas prefeituras do entorno da capital e pelo governo do Estado, basicamente os entes que detêm a maioria na Câmara Deliberativa do Transporte Coletivo.

 

Um deputado estadual (Alysson Lima) e um vereador (Lucas Kitão) integram a CDTC e cumpriram o seu papel votando contra o reajuste, sob a justificativa – corretíssima – de que ele estaria sendo aplicado sem exigência de nenhuma contrapartida por parte das empresas concessionárias. Isso deveria ser um critério mínimo. Quanto ao resto, foi um vexame. E um show de irresponsabilidade. Um dos representantes do governo do Estado na CDTC, o presidente da importantíssima Agência Goiania de Regulação, Eurípedes Barsanulfo, sequer compareceu. A secretária estadual de Meio-Ambiente, Andréa Vulcanis, outra que tem assento na Câmara em nome do governo do Estado, esteve na reunião, mas para votar a favor do aumento – e saiu sem esclarecer por quê o fez? O prefeito de Aparecida Gustavo Mendanha, também membro e gestor da cidade que tem o segundo maior contingente de passageiros do sistema de transporte coletivo, não apareceu. E, para culminar, o prefeito de Goiânia Iris Rezende fez o que nunca fez antes e participou da sessão, votando pela liberação do aumento.

 

A CDTC aprovou a majoração da passagem sem a menor preocupação em dar uma satisfação para a população que é obrigada a andar de ônibus. A exigência de contrapartidas por parte das empresas, por exemplo, é tradição na maioria das capitais brasileiras. Exemplos recentes foram Natal e Belo Horizonte, cujas tarifas só subiram depois de um severo plano de reciprocidades assumido pelos detentores das concessões, que incluíram até o compromisso de gerar mais empregos e trocar, no caso da capital mineira, 30% da frota por ônibus novos, a curto prazo. Além disso, foram obrigados a vender passagens pela internet, para facilitar a vida dos usuários. Em Natal, as empresas vão cuidar dos pontos e suas respectivas coberturas, livrando a prefeitura desse custo, a título de compensação.

 

Em Goiânia, com a conivência as instituições públicas com cadeira na CDTC, as prefeituras principalmente de Goiânia e de Aparecida e o governo do Estado, que têm o dever de cuidar dos interesses da população, as empresas ganharam o que queriam a custo zero. É uma vergonha.

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