Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt e convidados sobre política, cultura e economia

03 mar

A verdade, ainda que tardia: Marconi está na origem da articulação que levou Lissauer Vieira à presidência da Assembleia e por isso a sua influência no Poder, em vez de diminuir, fez foi aumentar

A verdade às vezes tarda, mas acaba aparecendo: o ex-governador Marconi Perillo está na origem da articulação que levou Lissauer Vieira à presidência da Assembleia, impondo uma derrota política histórica ao governador Ronaldo Caiado já que foi a primeira vez, em mais de 40 anos, que o Legislativo escolheu o seu comando sem nenhuma influência do Executivo, em Goiás.

 

Dono de um instinto político formidável, Marconi atuou à distância (estava em São Paulo), via telefone, desenvolvendo com deputados como Humberto Aidar, Talles Barreto e Cláudio Meirelles a manobra que transformou a onda criada pelos parlamentares que queriam “zerar” a Assembleia em um movimento de “independência” em relação ao Palácio das Esmeraldas. Ou seja: o que começou como um desejo de “limpar” a Assembleia, afastando o controle que o ex-governador tucano e seus aliados ex-presidentes da Casa , que ainda dominavam diretorias, contratos e centenas de cargos comissionados, terminou sob a bandeira da declaração de autonomia do Poder face a Caiado, na verdade um projeto de submissão do Poder aos interesses do marconismo em decadência em Goiás.

 

Uma manipulação e tanto, na qual caíram deputados experientes como Major Araújo e Iso Moreira (e que, por isso mesmo, estão sendo mimados pelo novo presidente com vantagens que outros parlamentares não estão recebendo, para evitar a criação de encrencas), com as facilidades adicionais que vieram dos seguidos erros cometidos pelo novo governador – que infantilmente chegou até a afrontar deputados em um debate sobre a situação de calamidade financeira do Estado e ficou, por incrível que possa parecer, 100% à margem do processo de definição da presidência do Legislativo.

 

Marconi percebeu primeiro o vácuo que estava se abrindo com a inviabilidade da eleição de Álvaro Guimarães, candidato de Caiado, e a fraqueza do seu adversário Dr. Antônio. Ele viu a importância que o MDB teria no processo e mandou emissários conversar com o presidente do diretório estadual do partido, Daniel Vilela, para apresentar a ideia de eleger um nome supostamente palatável para o Executivo, mas disfarçadamente compromissado com a oposição. Lissauer Vieira, nesse contexto, despontou naturalmente, depois de lançado a candidatura de Humberto Aidar apenas como artimanha diversionista.

 

A trama foi bem sucedida porque, em momento algum, apareceram as digitais do tucano-mor de Goiás no encadeamento das negociações de bastidores na Assembleia. E o que aconteceu? Com Lissauer Vieira na presidência, a Casa está mais do que nunca sob a supervisão do mesmo grupo político de sempre – prova maior foi a ostensiva nomeação de cinco diretores que vieram dos governos do PSDB – e está sendo aos poucos aparelhada para dar suporte ao grupo e permitir a sobrevivência dos seus principais quadros e interesses.

02 mar

Palavra de Caiado, que ele considera bem de família, foi quebrada no caso do compromisso de quitar a folha até o dia 30: não aconteceu em fevereiro e segundo a Sefaz não vai ser cumprido

Este blog já observou que o governador Ronaldo Caiado fala demais, muitas vezes sem pensar – e acaba indo além do que é permitido aos deveres de responsabilidade de uma autoridade de grande presença na sociedade, como a sua.

 

Foi assim que ele, imprudentemente, tentou minimizar os desgastes da decisão de não pagar grande parte da folha de dezembro, alegando firulas técnicas que não convenceram a ninguém e anunciando que no seu governo os salários do funcionalismo seriam quitados até o fim de cada mês. Em janeiro, foram. Em fevereiro, não. Os aposentados ficaram para trás. Malandramente – e a palavra é essa mesma – o que se quis caracterizar é que o compromisso foi cumprido porque os servidores em atividade receberam, atirando-se os inativos a uma nova e inusitada categoria extra folha.

 

Caiado nunca disse que pagaria em dia apenas os que estão trabalhando, enquanto os aposentados ficariam para quando houvesse tempo bom. Ele, portanto, quebrou a sua palavra. Ou quebraram por ele, que assumiu o logro e ainda não justificou ou explicou o que houve. Indo mais fundo, também não seguiu a palavra que deu de que todos os recursos disponíveis iriam para cobrir o que chamou de “salários sagrados” do funcionalismo. Um exemplo é o pagamento que fez aos advogados dativos, que não estão incluídos na folha. Em janeiro, distribuiu benesses a setores do funcionalismo que acrescentaram mais de R$ 60 milhões mensais aos gastos do Estado.

 

Pior de tudo: a secretária Cristiane Schmidt, com a franqueza característica de quem não tem nenhuma experiência política, já avisou que os vencimentos dos aposentados vão continuar sendo postergados e, aliás, por enquanto sem data certa para receber. Não foi o que Caiado proclamou. E é como o seu patrimônio moral vai se erodindo, preço que quem não fala a verdade paga.

02 mar

Novo governo assumiu sem plano para a segurança pública e mesmo 2 meses depois de empossado continua sem ter um: Goiás, em janeiro e fevereiro, registrou 5 homicídios e 10 roubos a casas por dia

Pela segunda vez (a primeira foi no final de janeiro), o governador Ronaldo Caiado e o secretário de Segurança Rodnei Miranda reuniram a imprensa e convidados para “comemorar” uma suposta redução nos índices de criminalidade em Goiás, com base em números que, de antemão, não são confiáveis pois resultam de estatísticas controladas pela própria polícia sem nenhuma auditagem independente e, de resto, mostram que a violência entre os goianos continua exageradamente alta: de 1º de janeiro até hoje, foram cinco homicídios por dia e 10 roubos a residências por dia(acima, manchete de O Popular neste sábado de carnaval), sem falar de outros indicadores igualmente graves – por exemplo, o número de tentativas de assassinato foi igual ao dos casos consumados.

 

Isso confirma que o novo governo assumiu sem um plano de segurança e está atuando na área na base do improviso, dando sequência ao pouco que vinha sendo feito pelas gestões passadas e que, como se sabe, não funcionava, colocando Goiás no topo do ranking nacional de violência, conforme a apuração de instituições não governamentais, como o Ipea e o seu Atlas da Violência, de credibilidade incontestável. Porém, não é preciso ser especialista em assuntos policiais para constatar que nada de inovador foi feito, até agora, nem muito menos proposto pela gestão iniciante.

 

No evento realizado por Caiado e por Rodnei Miranda sobre o hipotético avanço que enxergam nas segurança, os dois falaram em levar Goiás para índices zero de ocorrências criminais. Olhem só, leitora e leitor: índice zero quer dizer nenhum homicídio nenhum roubo nenhum ato de violência. É fantasia ou ilusão que não faz bem a governantes cultivarem. Beira até a irresponsabilidade, já que é um discurso vazio, com palavras de efeito que visam a substituir ações concretas que possam, sim, melhorar a proteção da população. O secretário Rodnei Miranda sabe disso, pois já atuou como secretário de Segurança em Pernambuco, onde deu início às ações do Pacto pela Vida, programa que nos seus momentos iniciais levou a uma drástica redução dos homicídios naquele Estado. Redução, não eliminação.

 

É de algo parecido ao Pacto pela Vida pernambucano que Goiás precisa. Tocar o barco, apenas, nas atividades policiais, sem um planejamento consistente e sem atitudes transformadoras quanto ao aparato de segurança, não levará a qualquer lugar, muito menos ao cumprimento da promessa de Caiado – fundamental para convencer os goianos a votar maciçamente no seu nome – de que no seu governo o Estado reencontraria a paz social.

02 mar

Não existe recuperação fiscal para Goiás apenas cortando despesas ou impondo restrições ao funcionalismo. A única saída para o reequilíbrio financeiro é a mudança na política de incentivos fiscais

É utópica a busca da recuperação fiscal do Estado apenas pelo viés do corte de despesas ou das restrições aos salários do funcionalismo: por um lado, os custos do governo de Goiás já são ínfimos e inclusive prejudicam a prestação de serviços que deve aos cidadãos, enquanto que, por outro, há distorções, sim, que privilegiam determinadas camadas dos servidores públicos, porém, em sua maioria, eles são efetivos e não podem ter os seus salários reduzidos, além de ser inconstitucional mexer com os seus direitos adquiridos.

 

Escrevam aí, leitora e leitor: todo governo que fala em economia nos gastos ou em medidas contra o funcionalismo para melhorar a sua condição financeira está, na verdade, fugindo do verdadeiro foco que deveria ser atacado, que é o aumento da receita. E este só vem com o crescimento geral da economia, que é um problema nacional e não regional, e da estruturação de uma arrecadação tributária justa e condizente com a capacidade do setor produtivo de pagar seus impostos.

 

O problema é que, em Goiás, a principal fonte de recursos para o Estado, que é o ICMS, foi desvirtuada por uma política abusiva de incentivos que vêm sendo concedidos às grandes empresas  desde 1973, quando o então governador biônico Leonino Caiado editou a primeira lei distribuindo regalias tributárias a empreendedores em troca da geração de empregos e renda. Depois vieram os governos do então PMDB e em seguida do PSDB, em uma sequência de décadas em que essas vantagem foram sendo expandidas sem limites, a tal ponto que, hoje, calcula-se – ninguém sabe os números exatos ao certo – que um valor correspondente a R$ 10 bilhões de reais deixa de entrar anualmente no caixa estadual.

 

Desde os seus momentos iniciais, os incentivos fiscais jamais foram tocados, auditados ou modificados, a não ser para as suas frequentes ampliações. A economista Ana Carla Abrão Costa, nos dois anos em que esteve na Secretaria da Fazenda, até que tentou, mas foi obrigada a recuar e deixar tudo como sempre esteve. Cristiane Schmidt, atual titular da Sefaz, está desfiando um discurso parecido e até mais ousado, ao afirmar, por exemplo, que benesses tributárias são uma estratégia superada para estimular a economia e que seus resultados são controversos. Ela foi à cova dos leões, ou seja, visitou a Fieg(veja a foto em que ela aparece cercada pelos vetustos senhores da indústria goiana) e disse lá, de viva voz, que é preciso introduzir mudanças nessa política e que essa é a intenção do governo Caiado. Foi ouvida por uma plateia fria e apreensiva, mas não silenciosa: todos os líderes empresariais que falaram defenderam com unhas e dentes a manutenção dos incentivos, tais como estão hoje.

01 mar

Mais cedo ou mais tarde, é a decisão sobre os incentivos fiscais que vai mostrar a verdeira face do governo Caiado e a sua coragem para fazer a mudança que prometeu para conquistar os votos dos goianos

Vem aí uma batalha que, mais do que qualquer outra frente de ação do governo do Estado, vai revelar a verdadeira face da gestão Ronaldo Caiado e a sua coragem para fazer a mudança que prometeu para conquistar os votos dos goianos e ganhar a eleição em 1º turno, com maioria de mais de 60% dos sufrágios. Trata-se das mudanças que serão introduzidas – ou não – na política de incentivos fiscais, disparadamente a maior caixa de marimbondos da administração pública em Goiás.

 

É o seguinte: cerca de 600 grandes indústrias instaladas em território goiano ou não pagam nada ou recolhem uma mixaria em ICMS aos cofres estaduais. Além disso, desfrutam de vantagens extraordinárias em matéria de créditos tributários, créditos outorgados, TAREs e outros mecanismos que geram papeis que podem ser vendidos no mercado para empresas que não têm as mesmas vantagens. Há casos – conforme denúncia do senador Vanderlan Cardoso, ele próprio dono de uma companhia beneficiada – em que elas ganham mais dinheiro com essas operações do que propriamente com as suas linhas de produção.

 

O nome correto para essa situação seria farra tributária. É unânime a avaliação de que Goiás é o Estado que mais concede regalias fiscais, as mesmas que, no somatório final, contribuem para encolher a arrecadação e garantir a perpetuação da crise financeira que é a rotina de todos os governos nos últimos 30 ou 40 anos, idade da política de incentivos fiscais.

 

Sem mexer com essa encrenca e apenas se limitando a estratégias pontuais para cortar despesas, governo algum jamais levará Goiás a uma situação de equilíbrio fiscal. Se a receita não crescer, com a redução dos privilégios, não haverá nenhuma solução. E isso sem falar na questão da legalidade desses benefícios, assunto controverso que este blog detalhará em uma próxima nota. Nunca houve e nem há controle algum sobre esse setor, onde os empresários fazem o que querem e a Secretaria da Fazenda abaixa a cabeça e subservientemente diz amém.

 

Caiado vai ter coragem para intervir, modificar, moralizar e até mesmo modernizar a política de incentivos fiscais? Este blog duvida.

01 mar

Velha política: Caiado repete os “conchavos” do passado com cota de R$ 30 mil em nomeações aos deputados estaduais que aceitarem compor a base do governo na Assembleia

O governador Ronaldo Caiado resolveu articular uma base de apoio na Assembleia começando pela pior forma possível: a distribuição de cotas de R$ 30 mil em nomeações para cargos comissionados a cada parlamentar disposto a compor a sua estrutura de sustentação no Legislativo.

 

Pessoalmente, Caiado não conversa sobre o assunto com os deputados. A rigor, nem tem contato com eles, a não ser em encontros casuais ou solenidades. O encarregado das negociações é o secretário de Governo Ernesto Roller, em cujo gabinete, no Palácio Pedro Ludovico, está instalado o balcão caiadista do toma-lá-dá-cá. Não foram incluídos, por enquanto, os deputados federais e os senadores – todos, com exceção de Luiz Carlos do Carmo, que indicou um irmão para a presidência da Agehab, ressentidos com a falta de diálogo e o desinteresse do governo do Estado em ouvi-los.

 

A prática de oferecer pacotes de cargos comissionados aos deputados foi rotineira nos governos passados, como parte dos “conchavos” que o novo governador repetidamente condenou desde que foi eleito e chegou até a mencionar, de forma pejorativa, em uma reunião com parlamentares na própria Assembleia. Segundo Caiado, esse tempo teria chegado ao fim em Goiás – ironicamente ele disse entender que, para alguns dos beneficiados, seria difícil “desmamar” (expressão que usou literalmente), dirigindo-se explicitamente ao deputado tucano Talles Barreto, naquela ocasião.

01 mar

Com os cargos estaduais nos municípios, DEM está montando uma superestrutura em Goiás. Partido tem até um superintendente exclusivo para cuidar das suas nomeações

O DEM, que chegou perto da extinção em Goiás por falta de quadros, está ressurgindo das cinzas como principal beneficiário das centenas, talvez milhares de cargos que o governo do Estado tem nos municípios. O partido conta com um superintendente, na esfera da governadoria, exclusivamente dedicado a coordenar as nomeações: é Luís Carlos Rates, que sempre acompanhou Ronaldo Caiado como assessor em seus mandatos parlamentares e também sempre exerceu cargos de direção na seção goiana do partido.

 

Rates atua com força no contato com as lideranças do DEM no interior, recebendo indicações para cargos nas regionais do Detran, Vapt Vupt, coordenadorias da Educação, Ipasgo e em mais uma infinidade de repartições públicas. Esse trabalho tem incomodado os deputados estaduais e federais, além de prefeitos teoricamente da base de Caiado, mas não do DEM, que ainda não foram ouvidos e não emplacaram apadrinhados na estrutura do governo. Onde o partido dos democratas não existe, lideranças de outras legendas estão sendo arregimentadas, em troca de cargos, para engrossar as suas fileiras.

 

No comando de uma superintendência de nome esquisito – a de Assuntos Interinstitucionais -, Luís Carlos Rates esvaziou parte das funções de articulação política que deveria estar nas mãos do secretário de Governo Ernesto Roller, notadamente quanto aos municípios. Ele, é claro, tem muito mais proximidade com Caiado do que Roller, que veio do MDB.

01 mar

Expulsão de Paulo do Vale, Adib Elias e Fausto Mariano: vingança que apequenou os Vilelas e impôs ao MDB uma atitude antidemocrática que o partido nunca teve em Goiás

O MDB, que já foi PMDB depois de ter sido MDB desde quatro décadas atrás, é um partido que cometeu todos os erros possíveis em Goiás, menos um: perseguir, sem justificativa, seus membros, tornando-os objetos de vingança pessoal. Mas essa lacuna acaba de ser preenchida. É como deve ser classificada a expulsão dos prefeitos Paulo do Vale (Rio Verde), Adib Elias (Catalão) e Fausto Mariano (Turvânia), em um processo que motivado pela insatisfação do ex-prefeito de Aparecida Maguito Vilela e do seu filho Daniel(não se engane com os sorrisos amigáveis na foto acima, leitor, a dupla é dura e impiedosa) com o apoio que os três deram ao governador Ronaldo Caiado.

 

Venhamos e convenhamos: apoiar a candidatura de Daniel Vilela ao governo, quando havia uma alternativa segura para derrotar o ex-governador Marconi Perillo e seu grupo que quando veio se mostrou histórica, seria, como foi, suicídio político. O jovem emedebista não tinha nenhum trunfo na mão e só se viabilizou na última hora mediante a intervenção das cúpulas nacionais do PP e do PRB para que as seções estaduais dos dois partidos o apoiassem. Por artificial, a composição não rendeu votos e Daniel teve nas urnas o desempenho mais fraco da história do MDB/PMDB/MDB em Goiás, além de reduzir a sigla a apenas três deputados estaduais e nenhum federal. O 2º lugar que obteve não sugere nenhuma façanha, pelo número reduzido de votos e por ter ultrapassado um candidato – Zé Eliton – abaixo da crítica.

 

É o que, pragmaticamente, Adib Elias resumiu com o seu desabafo: “Estou cansado de perder”. Caso tivessem aceitado a composição com Caiado, é provável que os Vilelas hoje esbanjariam força e poder à frente de um partido que seria quase que integralmente responsável pela vitória eleitoral da oposição frente ao Tempo Novo. Por razões que provavelmente remontam ao ressentimento diante de antigas agressões que foram dirigidas a Maguito, eles não o quiseram. Preferiram o rancor. E arrastaram o MDB para a sua pior derrota eleitoral de todos os tempos em Goiás.

 

Punir opiniões divergentes é sempre condenável. Em qualquer democracia e em ditaduras também. Deixa um gosto ruim. De resto, o MDB comandado pelos Vilelas está repleto de caiadistas. Expulsar a todos configuraria um verdadeiro genocídio político. Tudo isso reforça ainda mais a inconsistência e a iniquidade da decisão tirânica que atingiu os três prefeitos. Suja o currículo de Maguito. E emporcalha o de Daniel.

 

Com a ajuda da dissidência emedebista, Caiado foi eleito – e é quase certeza que o seria até sem ela, porém não se pode descartar a sua importância – e deixou para trás um regime que foi bom para Goiás, mas depois se tornou deletério com e decomposição dos seus últimos anos. Não tem sentido que alguém seja castigado por participar dessa transformação do maior significado para a história do Estado. Quem tentou atrapalhá-la – os Vilelas – é que deveria ser penalizado.

28 fev

Rigor que ajudou na biografia de Caiado some aos poucos: “solidário” com funcionários que não receberam dezembro, abriu mão dos salários de governador, mas antes embolsou R$ 73 mil do Senado

O blog da jornalista Fabiana Pulcineli, em O Popular, tem sido nesta sua nova fase de uma importância fundamental para desmascarar a hipocrisia dos políticos goianos e, de vez em quando, algumas das suas maracutaia.

 

O caso mais recente é a descoberta que ela fez sobre o auxílio-mudança pago pelo Senado a Ronaldo Caiado(acima, em uma foto metafórica sobre o seu momento atual, de autoria da fotógrafa Dida Sampaio, do Estadão), na folha do mês de dezembro, no valor de R$ 33 mil reais. Somando-se todas as vantagens daquele mês, o contracheque de Caiado engordou e subiu para R$ 73 mil. Dezembro, como se sabe, corresponde à folha que, em grande parte, não foi paga pelo governo de Goiás, já sob nova direção, aos servidores públicos, sob alegações de dificuldades financeiras que até hoje não convenceram a ninguém, principalmente as vítimas dessa deliberação de Caiado.

 

O auxílio-mudança é controverso: de um modo geral, é visto como uma imoralidade, tanto que a Justiça Federal proibiu que fosse pago a deputados federais, sentença que, contudo,de que não alcançou o Senado. Mesmo assim, novos senadores como Vanderlan Cardoso e Jorge Kajuru abriram mão do seu recebimento, por considerá-lo incompatível com os bons costumes quanto ao uso de recursos públicos.

 

Graças a essa indecência, Caiado embolsou o necessário para pagar as suas contas e viver com folga financeira por um tempo razoável, principalmente agora que correm por conta do Estado as suas despesas de casa, alimentação e outras urgências a que as pessoas comuns são obrigadas, especialmente os servidores estaduais que levaram pança em dezembro. É claro que essa situação confortável ajudou na decisão de suspender os próprios salários enquanto não for regularizado o que restou da folha de dezembro do funcionalismo. Um ato, vê-se agora, que não representou nenhum sacrifício e por isso pode ser classificado como demagógico e até mesmo duplamente censurável (por fazer marketing com o sofrimento alheio e também pelo que recebeu do Senado).

 

Antigamente, em seus mandatos parlamentares, o novo governador de Goiás não fazia concessões e se pautava por um rigor de aço em matéria de princípios. Mas isso… antigamente.

26 fev

No poder, pela primeira vez em sua vida, Caiado desaperta parafusos da sua armadura moral ao conviver com personagens e considerar uso de laranjas como “coisa boba”

Uma das regras mais consagradas dos manuais de política reza que, no exercício do poder, o mais importante é o pragmatismo, já que não haveria como governar sem fazer concessões e sem flexibilizar convicções.

 

É o que está experimentando, hoje, o governador Ronaldo Caiado. Em apenas dois meses de mandato, acumulam-se evidências de que o seu antigo rigor em matéria de princípios passa, no mínimo, por um realinhamento. Não que tenha sido abandonado. Porém, afrouxou. Vejam, leitora e leitor, que Caiado convive com auxiliares, digamos assim, enrolados, como o secretário de Governo Ernesto Roller, em quem o Ministério Público aponta indícios de envolvimento com irregularidades na prefeitura de Formosa, ou como o presidente da Agehab, Eurípedes José do Carmo, alvo de quatro processos por improbidade administrativa na prefeitura de Bela Vista, um dos quais, significativamente, por desvios… na construção de casas populares. E ainda o seu líder na Assembleia, o deputado Bruno Peixoto, cuja família está no centro de um escândalo na prefeitura de Goiânia.

 

São brechas de médio e pequeno tamanho que vão se abrindo em uma biografia marcada pela intransigência diante de malfeitorias, mesmo quando havia dúvidas sobre culpas e culpados. E vão aparecendo mais. O escândalo dos laranjas do PSL que derrubou um ministro e ameaça outro foi definido por Caiado como “coisa boba”, que não mereceria atenção que recebe da mídia. A intenção, aqui, é óbvia: o governador maneja a sua autoridade para aliviar e adular o governo federal, na vã esperança de criar um clima favorável à ajuda que sonha para superar as dificuldades financeiras do Estado. Tanto que as declarações foram dadas a um site jornalístico nacional.

 

Para usar um termo da predileção de Caiado, alguns dos parafusos antes rigidamente arrochados da sua armadura moral agora parecem desapertados.

26 fev

Caiado foi incisivo ao dizer que seu governo pagaria os salários dentro do mês, mas já em fevereiro esse compromisso vai dar para trás: quitação da folha deve se estender até o dia 10 do mês que vem

O governador Ronaldo Caiado prometeu, inclusive como tentativa de compensação dos prejuízos do funcionalismo com o não pagamento de parte de dezembro, que as folhas referentes à sua gestão seriam quitadas dentro do mês trabalho – o que, realmente, aconteceu em janeiro.

 

Mas em fevereiro não vai dar. O pagamento do mês já começou, mas vai se estender até o dia 10 de março, segundo informações da secretária Cristiana Schmidt, aparentemente contrariando Caiado, só que baseando-se em uma constatação muito simples e objetiva: segundo ela, não há dinheiro no caixa para liquidar todos os salários dos servidores até o último dia de fevereiro.

 

Trata-se de mais um exemplo do distanciamento entre boas intenções e o peso da realidade. O novo governador tem sido pródigo nesse tipo de situação, o que ocorreu com a promessa de extinguir a 3ª classe para os soldados da Polícia Militar. Ele o fez, conforme projeto que enviou à Assembleia, mas os supostos beneficiados não ficaram nem um pouco satisfeitos: de fato, a 3ª classe foi eliminada, passando todos os praças à 2ª classe e não a uma única classe, conforme Caiado sempre disse. Resolveu e não resolveu.

 

Governo é assim mesmo, um espaço onde querer raramente significa poder. Caiado está aprendendo, a duras penas, que deve falar menos. Quando falar, dizer pouco. E, mesmo esse pouco, previamente bem pensado e planejado, sem impulsos momentâneos. É a única forma de reduzir os desgastes gratuitos, como os que o Palácio das Esmeraldas está acumulando sem necessidade. Se o pagamento da folha tivesse sido mantido no prazo anterior, isto é, até o dia 10 do mês subsequente, como parece que vai voltar a ser depois da exceção que aconteceu em janeiro, tudo estaria bem e amém.

25 fev

“Zerar” a Assembleia foi sonho de uma noite de verão: Lissauer Vieira está cada vez mais próximo do passado e longe do grupo de deputados que plantou a ideia da independência

A ideia de “zerar” a Assembleia, isto é, livrá-la da influência do ex-governador Marconi Perillo e dos ex-presidentes seus aliados que controlavam diretorias, contratos e as nomeações de funcionários comissionados, está na origem do movimento vitorioso pela independência da Casa face ao Executivo que levou à eleição de Lissauer Vieira e ao naufrágio da candidatura de Álvaro Guimarães, o candidato do peito do governador Ronaldo Caiado.

 

Quem começou a marola, depois onda, depois tsunami que reuniu uma maioria esmagadora de 37 votos para Lissauer Vieira foram deputados de corte radical como Major Araújo, Amauri Ribeiro ou Delegado Humberto Teófilo, todos contra a manipulação da estrutura da Assembleia a favor de um pequeno grupo posicionado fora da Casa, mas detentor das suas benesses e vantagens políticas e administrativas.

 

O que esses parlamentares deflagraram e chegou ao apogeu com a eleição de Lissauer Vieira acabou dando em nada, agora que o novo presidente vem mostrando a cada dia maior comprometimento com o passado que deveria ser varrido e menor conexão com a proposta de “limpar” a Assembleia. Aos poucos, o status quo ante vai sendo restabelecido, o que pode ser visto na completa ausência de medidas de austeridade e na entrega da maioria das diretorias a nomes diretamente vinculados ao ex-governador Marconi Perillo. Só falta entrar a ex-deputada Eliane Pinheiro, cujo nome é advogado por Marconi e pelo ex-presidente da Agetop Jayme Rincón para uma das diretorias ainda vagas – e, podem apostar, leitora e leitor, a nomeação dela ainda vai sair.

 

Lissauer Vieira enfrenta reclamações entre os colegas por não cumprir o que foi ajustado nos dias que antecederam a sua consagração. Há críticas sobre o seu pulso fraco diante das pressões para manter a Assembleia servindo a interesses extrínsecos. E sua falta de interlocução com o governador Ronaldo Caiado dificulta ainda mais as coisas, pela ausência de um canal confiável entre Legislativo e Executivo (as reivindicações dos deputados diante do governo são imensas), papel que sempre foi do presidente.

 

O que mudou, na Assembleia, mudou para manter o que já existia.

25 fev

Polêmica sobre logomarca e slogan do governo Caiado beira o ridículo. O certo seria usar o brasão do Estado e acabar com gastos inúteis para trocar a marca a cada 4 anos. Isso, sim, seria inovador

O governador Ronaldo Caiado, que se apresenta como o formulador de uma mudança administrativa radical e moralizadora, caiu no canto da sereia dos seus publicitários e resolveu copiar todos os governos passados com a criação de uma logomarca e um slogan para a sua administração.

 

Ledo equívoco. Caiado, que fala dia em noite em reduzir gastos e conter desperdícios, vai torrar uma nota com a introdução da sua marca nos papeis, sistemas online, banners, letreiros e demais interfaces que o governo tem com a sociedade. Sem falar que governos são impessoais e não deveriam ser identificados a não ser como entes públicos atemporais. Caiado vai queimar dinheiro público à toa. O governo mais bem ajustado do Brasil, do ponto de vista financeiro, é o de São Paulo, que há duas décadas usa o  brasão do Estado como símbolo, sem bordão publicitário nenhum, dando um exemplo que Goiás deveria copiar – se aqui as intenções de moralidade e de austeridade fossem um pouco além que a mera discurseira vazia e marqueteira dos governantes.

 

A logomarca do governo Caiado, esteticamente, é um horror, culpa de quem a bolou inspirando-se em uma das piores bandeiras estaduais do país, cópia malfeita do estandarte dos Estados Unidos, com  faixas bicolores e um canto com cinco estrelas  hipoteticamente representando o Cruzeiro do Sul, a menor das constelações penduradas no infinito, que tem o formato de uma cruz, enquanto a da flâmula de Goiás é um quadrado. Além disso, as faixas verde-amarelas, retas na bandeira, foram onduladas em um sobe-e-desce que vende uma impressão negativa de altos e baixos, de ondas e, portanto, de instabilidade. Há elementos visuais em excesso, verdadeira poluição.

 

O slogan – “Somos todos Goiás” – é o tal que gerou um vendaval de críticas despropositadas, já que teria sido usado na campanha derrotada de Daniel Vilela, o que é uma bobagem. Palavras e frases não têm dono nem muito menos direitos autorais, podendo ser manejadas por quem as quiser e como quiser, valendo o contexto. E o de Caiado, segundo ele mesmo explicou, é o de união, integração, inclusão de todos os goianos, coisa que ele, na prática, não levou tão a sério, por exemplo, na composição do seu secretariado, cujo dístico poderia muito bem ser: “Somos todos… de fora de Goiás”.

25 fev

Suposta base de apoio com 23 deputados que Caiado estaria conquistando na Assembleia é pura ilusão: hoje, o governador não pode contar a ferro e fogo nem com os deputados do seu partido, o DEM

É uma quimera a suposição de que o governador Ronaldo Caiado estaria a um passo de conquistar 23 deputados para a sua base de apoio na Assembleia Legislativa, quando, hoje, o que se tem nas relações entre a Casa e o Poder Executivo é uma desarticulação sem precedentes na história política do Estado.

 

Caiado, na verdade, não pode contar nem com os particulares do seu partido, o DEM, caso venha a ser necessária uma prova de fogo. Dos quatro integrantes da bancada do DEM, três – Iso Moreira, Dr. Antônio e Álvaro Guimarães – estão insatisfeitos com o novo governador (Iso e Dr. Antônio com sequelas do processo de escolha do presidente da Assembleia e Álvaro Guimarães irritado com o atraso na promessa de nomeação de indicados seus para a presidência e diretorias da Codego) e um, Chico KGL, aguarda o chamamento que ainda não veio para uma conversa pragmática sobre os seus interesses. Nas demais bancadas, mesmo com o secretário Ernesto Roller negociando com alguns parlamentares uma cota individual de R$ 30 mil em nomeações, campeia o descontentamento com o governo, principalmente pela ausência de conversas diretas com Caiado.

 

O jantar realizado há poucos dias, no Palácio das Esmeraldas, não serviu para diminuir esse distanciamento. O clima foi frio e o comparecimento, baixo: pouco mais que a metade da Assembleia ou 23 a 24 deputados. Caiado foi formal e distante, excessivamente cerimonioso. Politicamente, o resultado não passou de um grande zero. O governo continua sem base parlamentar e o governador, por sua vez, dá a impressão de não está interessado em construir uma.

23 fev

Chegou a hora dos “conchavos”: Caiado abre o balcão do toma-lá-dá-cá e distribui cota de nomeações de R$ 30 mil para atrair deputados para a sua base de apoio na Assembleia

O governador Ronaldo Caiado, através do secretário de Governo Ernesto Roller(foto), está chamando os deputados estaduais interessados em compor a sua base apoio na Assembleia Legislativa mediante um “agrado” inicial de R$ 30 mil reais em cargos comissionados no Executivo.

 

Caiado resistiu o quanto pôde a fundamentar em favores fisiológicos a conquista de respaldo para os seus projetos no parlamento. Além da cota de nomeações, Roller também está ouvindo os parlamentares a respeito das suas pretensões quanto a indicações para espaços administrativos, tipo superintendências, diretorias e coordenadorias nas 17 secretarias e demais órgãos do governo.

 

A operação está sendo desenvolvida com o máximo de cuidado. Nas tratativas com Roller, os deputados são instados a deixar seus telefones celulares na recepção, para evitar os riscos de uma gravação – cuja divulgação seria desastrosa ao comprovar que Caiado também pratica os mesmos “conchavos” que tanto condenou nos seus antecessores e que considera nocivos para a administração pública. Há também a decisão de submeter os nomes encaminhados pelos deputados a um rigoroso pente-fino, para evitar a admissão de pessoas que não tenham a ficha limpa e, portanto, não venham a comprometer o governo.

 

A cota de R$ 30 mil em cargos comissionados oferecida aos parlamentares é a mesma instituída pelos ex-governadores Marconi Perillo e Zé Eliton. As reações iniciais sugerem que o valor está sendo considerado baixo.

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