Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

07 nov

Coronavírus transforma-se no grande eleitor de Maguito e dá ao candidato do MDB uma competitividade que ele não teria se estivesse nas ruas fazendo campanha

A Covid-19 pode eleger o próximo prefeito de Goiânia. Esse é o cenário que emerge após a publicação das duas últimas pesquisas do Serpes e do Ibope, ambas apontando crescimento do candidato do MDB Maguito Vilela, embora há mais ou menos 15 dias sem fazer campanha, já que acometido pelas agruras do novo coronavírus – inclusive, hoje, internado e intubado em um hospital de primeira linha em São Paulo. O curioso em tudo isso é que Vanderlan Cardoso, do PSD, não caiu e também avança em suas intenções de voto, embora em proporção menor que a do seu adversário.

Com a profusão de pesquisas publicadas em Goiânia, o melhor é se ater aos levantamentos do Serpes, instituto tem uma tradição de seriedade e de acertos em suas avaliações eleitorais. O Serpes, da penúltima rodada para a última, apontou um decréscimo significativo na rejeição de Maguito, que, pela lógica, só tenderia a subir, diante do telhado de vidro do emedebista: ele privatizou a usina de Cachoeira Dourada, em uma operação desastrosa para o patrimônio do governo de Goiás, como senador da República tentou legalizar o jogo do bicho e os caça níqueis no Brasil, foi padrinho de casamento do polêmico empresário Carlos Cachoeira, nunca teve apreço pelo funcionalismo público e, para variar, foi por dois mandatos prefeito de Aparecida, período em que promoveu uma lambança administrativa atestada pelos mais de 50 processos de contas dos seus secretários reprovadas pelo Tribunal de Contas dos Municípios. E isso sem falar que ele responde a quase duas dezenas de processos como réu por atos de improbidade administrativa praticados em Aparecida. Como é que, com tudo isso, e ainda por cima sem o apoio do prefeito Iris Rezende, Maguito teve a rejeição diminuída e aumentou as suas intenções de voto?

É claro que surgiu um sentimento de compaixão na sociedade diante do calvário do candidato do MDB como vítima da Covid. Se estivesse na rua, em campanha, Maguito possivelmente não experimentaria os ganhos que está tendo como paciente em estado grave da nova doença. Seus adversários não podem atacá-lo ou sequer criticá-lo, sob pena de serem considerados impiedosos e desumanos. Mas ele, sim, pode mandar bala nos concorrentes e o está fazendo sem o menor acanhamento em relação a Vanderlan Cardoso, do PSD, o principal deles. A campanha do MDB, como registrou o Jornal Opção, abriu uma “pesada artilharia” contra Vanderlan, que acabou imobilizado ao constatar que, se responder na mesma moeda, pode acabar tendo mais prejuízos do que vantagens.

O padecimento de Maguito distorceu a eleição em Goiânia. Não se sabe nem mesmo se ele, sobrevivendo ao mal que contraiu por descuido e relaxamento nas medidas de prevenção sanitária que deveria ter tomado, terá condições de exercer o cargo de prefeito que, hoje, teoricamente pode ganhar. O jornalista Divino Olávio, em seu blog Notícia Pura, é o que tem feito as análises mais coerentes sobre esse aspecto da atual eleição. As sequelas do forte ataque do novo coronavírus a Maguito são inúmeras e dolorosas, ainda mais em se levando em consideração a idade e a falta de resistência genética que infelizmente tem, lembrando-se que perdeu duas irmãs, igualmente idosos, para a Covid. Tomara que não, mas vida normal, por isso, ele nunca mais vai ter. Como administrará Goiânia com as restrições com as quais passará a conviver daqui para diante?

07 nov

Iris desistiu da reeleição e se aposentou, mas agora diz que está em plenas condições físicas, que não abandonará a política e que vai reabrir seu escritório político para continuar participando de tudo

Na decisão mais equivocada que já tomou em toda a sua incrível trajetória de mais de 60 anos na política, a ponto de se constituir na única liderança pré-golpe de 1964 em atuação no país, o prefeito Iris Rezende desistiu da eleição mais certa da sua vida e optou pela aposentadoria, em um momento em que, afora a idade avançada, ainda exibia e exibe condições físicas invejáveis e vontade de trabalhar diuturnamente sem qualquer restrição de saúde. Tá, não há novidade nenhuma em tudo isso, já do conhecimento geral há mais de 60 dias. O que existe de novo é que Iris, agora, resolveu que não se recolherá ao dolce far niente do seu confortável apartamento no setor Marista, vai reabrir o seu escritório político assim que deixar o Paço Municipal e seguirá fazendo o que sempre fez, ou seja, conversar, articular, dar opinião e, enfim, continuar a meter a colher de pau no caldeirão da política goiana, pelo menos conforme manifestou a intenção.

Ora, se é assim, por que Iris renunciou à reeleição? Se ele próprio está argumentando que não tem nenhum impedimento para as atividades que sempre desenvolveu, vocês, leitoras e leitores, não acham que seria muito melhor e mais conveniente manter o controle do Paço Municipal do que se recolher a um “escritório político” inevitavelmente condenado a se esvaziar, após a euforia dos primeiros dias, diante da ausência de poder ou de expectativas nesse sentido? O motor de Iris é o poder, não a política, o que a sua família não compreendeu ao forçá-lo a adotar um rumo que não foi natural. Seria mais sensato, sem sombra de dúvidas, manter a candidatura, disputar e provavelmente com quase 100% de certeza ganhar mais um mandato para concluir as suas obras e talvez a melhor administração que já fez em toda a sua carreira, em vez de entregar o doce que ainda não está pronto a um sucessor qualquer, ou seja, um pacotão de obras inacabadas.

Bem, quem decidiu não se candidatar e, naquele momento, sair da política, não foi Iris e sim a sua família. Um erro e tanto, já que o oxigênio dele é a política como mecanismo para influir na direção da sociedade e foi daí que retirou a energia para chegar aos oitenta e lá vão mais anos na plenitude dos seus sentidos e habilidades. Em um “escritório político” como o que ele pretende reinstalar, como conselheiro de quem quer que o procure, isso não terá utilidade alguma, fora justificar visitas e alguma prosa saudosista até, em pouco tempo, não haver mais solicitação de agendas. Ainda mais quando quem conhece Iris sabe que o único conselho que ele dá é padrão, ou seja, não se comprometendo e evitando desagradar a quem o ouve, apenas repetindo, como sempre procedeu quando indagado sobre o que alguém deve ou não fazer, que cada um “deve seguir o que o seu coração indicar”.

Esse é Iris. Mas, logo, logo, ao cair no ostracismo, vai deixar de ser.

04 nov

Pesquisas contraditórias embaralham a eleição em Goiânia e Anápolis, mas, a 10 dias das urnas, em meio a campanhas frias, as tendências estão mantidas a favor de Vanderlan e Gomide

Seja em razão das estratégias de cada campanha, que sempre recorrem a pesquisas ajustadas com institutos amigos – e essa é uma prática completamente sem limites no mundo eleitoral de hoje -, seja pela dificuldade natural de apurar intenções de votos em meio a campanhas frias  e distantes do eleitorado, o fato é que predomina no momento um certo clima de “embaralhamento” em Goiânia e Anápolis. Há dúvidas, colocadas por uma profusão de levantamentos contraditórios, sobre o tamanho da distância que separa Vanderlan Cardoso, do PSD, na capital, e Antônio Gomide, do PT, na cidade vizinha, dos seus concorrentes mais próximos e até mesmo se os dois estão mesmo na dianteira, uma vez que, nas duas praças, foram publicadas pesquisas mostrando que não.

Quanto mais próxima a data da eleição, mais dificuldades têm os institutos para investigar as preferências das eleitoras e dos eleitores. O processo de definição do voto enfrenta oscilações diárias, que as mais qualificadas metodologias não são capazes de captar com precisão. Isso pode ser entendido com base em constatações das pesquisas que estão sendo divulgadas sobre Goiânia e Anápolis: em ambas, os candidatos mais rejeitados, ou seja, Maguito Vilela, do MDB, e Roberto Naves, do PP, são os que mostram maior e mais rápido crescimento. Trata-se de uma aparente inconsistência: como é que os nomes mais citados quando a pergunta é “Em quem você não votaria de jeito nenhum?” são justamente os que mais avançam, segundo esse ou aquele instituto?

Uma explicação está em que tanto Maguito quanto Naves começaram a campanha abaixo das suas possibilidades e, portanto, teriam mesmo que subir alguns pontos, porém não o suficiente para vencer seus adversários, que, a propósito, são fortíssimos: Vanderlan, na capital, tem muito mais recall que o emedebista e seu nome representa uma proposta de renovação política, fora do profissionalismo e do carreirismo, já que é empresário bem sucedido em seus negócios; e Gomide, em Anápolis, é simplesmente um ex-prefeito por dois mandatos que deixou o cargo com uma taxa de aprovação de 85% e é quase uma unanimidade na cidade. Tanto um como outro, em princípio, estão muito melhor posicionados que os demais concorrentes.

Sim, leitoras e leitores: política e eleições têm lógica e só raramente destoam, o que só ocorre diante da atuação de condições favoráveis pré-existentes, o que, na pandemia em curso, parece não existir nos dois principais colégios eleitorais do Estado, não nos casos de Maguito e Naves. Não é fácil para um legítimo representante do velho estamento, como Maguito, vencer em Goiânia, cidade com a qual nunca teve a menor identidade – aliás, nenhuma, não é exagero concluir, e menos ainda para um fenômeno pontual como Roberto Naves ganhar em Anápolis depois de fazer uma gestão sem marcas e com tão poucas realizações que as promessas que faz no seu programa de televisão são uma autodenúncia da sua inoperância.

02 nov

3ª pesquisa Serpes/O Popular: Vanderlan e Maguito oscilam dentro da margem de erro, mas o cenário continua o mesmo, com vitória para o candidato do PSD, inclusive na simulação de 2º turno

Saiu a 3ª rodada da pesquisa Serpes/O Popular(print acima), o mais abalizado levantamento de intenções de votos disponível em eleições em Goiás, rotineiramente usado como padrão e referência pelo universo envolvido com as campanhas e pelo público em geral. O candidato do PSD Vanderlan  Cardoso segue na liderança, com 24,5%, tendo oscilado negativamente 2,3 pontos (estava com 26,3%) dentro da margem de erro, que é de 4 pontos para mais ou para menos. Da mesma forma, o candidato do MDB pontuou 21,5%, um acréscimo de 4,2 pontos, praticamente também dentro da margem de erro, já que tinha 17,3% na pesquisa passada. Tudo isso, pelo menos teoricamente, sugere um empate técnico entre ambos.

Os demais índices de importância seguem como estavam: Maguito e Adriana Accorsi, do PT, são os mais rejeitados, bem à frente dos demais candidatos. E, o mais decisivo, Vanderlan confirmou sua vantagem na simulação de 2º turno, quando venceria Maguito com quase 10 pontos de dianteira. Para o comitê coordenador da campanha do MDB, não há dúvidas de que a pesquisa é um balde de água fria na cabeça, já que se esperava uma virada, segundo eles, indicada por institutos próximos do emedebismo, como o Ibope, o Diagnóstico e o Fortiori, que vinham colocando Maguito em 1º lugar com margem expressiva sobre Vanderlan.

O chamado “efeito facada” buscado pelo marketing de Maguito, isto é, a tentativa de capitalizar politicamente o martírio do candidato depois de atacado pelo novo coronavírus e hoje intubado em um hospital de primeira linha em São Paulo, parece não ter acontecido, já que os dados levantados em campo pelo Serpes o foram na quarta e na quinta últimas, quando Maguito já havia sido transferido via UTI aérea para a capital paulista e não mostraram a tal “virada”. Efeito facada é a reprodução da situação que beneficiou eleitoralmente o então candidato Jair Bolsonaro, em 2018, depois de ser ferido em Juiz de Fora e praticamente chegar ao dia da votação sob intensos cuidados médicos e risco de vida, o que provavelmente ajudou na sua eleição até mesmo pela intensa e maior exposição que ganhou em todos os canais de mídia. É fato que, sim, o emedebista mostra uma curva de subida no gráfico das 3 pesquisas publicadas por O Popular, mas, ao contrário das expectativas do MDB, ainda sem alcançar numericamente Vanderlan e, pior ainda, sem mostrar esse mesmo avanço na simulação de 2º turno. Por ora, a Covid-19 não rendeu votos para Maguito.

30 out

Campanha do MDB continua no ataque a Vanderlan e tenta transformar infecção de Maguito pelo novo coronavírus em “facada” para garantir ganhos eleitorais e virar o jogo

Em meio a pesquisas controversas, mas com institutos de credibilidade indiscutível como o Serpes e o Grupom apontando Vanderlan Cardoso do PSD, na frente, e ainda por cima vencendo por boa margem nas simulações de 2º turno, o MDB enxergou uma oportunidade no acometimento do seu candidato Maguito Vilela pelo novo coronavírus. Uma, não. Duas. A primeira foi aproveitar o clima de solidariedade que se formou a favor da recuperação de Maguito, com os adversários suspendendo cordialmente ataques e críticas, e partir para intensificar a artilharia contra pelo menos um oponente, aliás o principal, Vanderlan. E a segunda é o esforço para capitalizar o momento dramático vivido pelo candidato para tentar crescer, transformando o sentimento de empatia e compaixão das eleitoras e dos eleitores em intenções de votos e pontos nas pesquisas.

Quanto ao primeiro item, eticamente trata-se de uma atitude deplorável. Quase que jogo sujo, uma das especialidades históricas do MDB em eleições em Goiás. Consultados, membros da campanha lavam as mãos e informam que a estratégia foi definida pelo marqueteiro Jorcelino Braga. Ele seria o culpado por manter o combate pesado a Vanderlan, valendo-se das próprias boas intenções do representante do PSD ao dar talvez ingenuamente um tempo nas possíveis arremetidas que poderia lançar contra Maguito – e munição existe de sobra, desde erros administrativos sérios cometidos no passado, como a privatização da usina de Cachoeira Dourada e posterior desperdício dos recursos arrecadados, até as quase duas dezenas de processo por improbidade a que o emedebista responde na Justiça após denunciado pelo Ministério Público Estadual.

Vale lembrar: corroborando o ponto de vista de que a campanha de Maguito está se excedendo, a Justiça Eleitoral foi acionada e, como esperado, proibiu a continuidade da veiculação dos ataques rasteiros a Vanderlan, pelo menos no rádio e na televisão, pior ainda com a utilização de trucagens e outras trapaças. E o Jornal Opção foi atrás de um cientista político, o professor da UFG Guilherme Carvalho, que interpretou corretamente a “eleitoralização” da doença de Maguito: “Claro que por trás das ações, existem motivos solidários. Mas sabemos que também existe um cálculo político incumbido. Os estrategistas já estão sabendo se utilizar desse momento, no entanto, ainda é preciso ganhar mais abrangência para fazer com que o tempo em que o Maguito está fora das ruas possa ser convertido em uma estratégia vencedora”, esclareceu ele.

Ou seja: para o MDB, vale tudo para ganhar a eleição em Goiânia. Até criar uma versão própria para a facada que Jair Bolsonaro levou em Juiz de Fora na campanha de 2018.

29 out

O mau exemplo de Maguito: contaminação foi resultado de falta de cuidados sanitários, ainda mais diante da idade e da provável fragilidade genética para enfrentar a Covid-19

As fotos acima, apenas duas, atestam o mau exemplo que o candidato do MDB a prefeito de Goiânia Maguito Vilela deu ao se descuidar, apesar dos seus quase 72 anos e portanto se classificando como integrante do grupo de risco, ainda mais diante dos antecedentes de duas irmãs também idosas que não resistiram ao novo coronavírus, das medidas de prevenção sanitária que deveria ter adotado para desenvolver as atividades da sua campanha – o que o levou a ser infectado e a passar agora por um momento difícil, que pode ser classificado como de luta pela sobrevivência.

As redes sociais de Maguito parecem ter sido peneiradas de última hora, com a retirada das imagens anteriormente postadas, que mostravam o candidato à vontade, reunindo-se com pessoas, a curta distância, sem máscara protetora e mesmo falando ao microfone também sem defesa para a boca e o nariz. Além disso, o emedebista fez uso incorreto de equipamentos, como a máscara de acrílico  que semicobre o rosto, mas, segundo especialistas, só dá segurança em caso de uso concomitante da máscara de tecido. Maguito recorreu a esse artifício para desfilar pelos bairros em apinhadas carrocerias de pequenos caminhões e camionetes com o objetivo teórico de facilitar a sua identificação pelos eventuais transeuntes e populares nas ruas e calçadas (observem que junto a ele há outra pessoa cometendo o mesmo erro, além de uma outra, logo atrás, tocando a máscara com a mão, o que também não é recomendado).

Na outra foto, os equívocos se repetem. Maguito corta o cabelo em um local de alto potencial de contaminação, ou seja, um salão de barbeiro, o tradicional New Star, na Praça Tamandaré. O conhecido Ruimar Ferreira, que o atende, deixa o nariz de fora da máscara e respira sobre o candidato, que, além disso, tem nas mãos uma foto ou um pedaço de papel, possivelmente entregue pelo cabeleireiro. Tudo errado. Ou erradíssimo. Alguém com as condições físicas preliminares como as dele jamais deveria se expor tanto assim. E tanto que o resultado não poderia ser outro, como não foi: ele contraiu o vírus e, apesar das notas otimistas e das declarações infelizes do seu médico e do seu filho Daniel Vilela, passa por um momento difícil internado em uma UTI em São Paulo.

Com Maguito doente, formou-se em torno dele uma corrente de solidariedade que uniu aliados e adversários, quase que santificando a sua figura e o seu comportamento, muito embora a campanha do MDB tenha incorrido em um delito ético grave: enquanto os programas de Vanderlan Cardoso, do PSD, no rádio e na televisão, suspenderam as críticas, que já eram poucas, ao concorrente, a campanha emedebista continuou no ataque, veiculando peças de desconstrução contra Vanderlan. É como, em uma comparação futebolística ao gosto do desportista Maguito, um time que se aproveita da bola colocada para fora pela equipe oponente para permitir atendimento médico a um dos seus jogadores caídos em campo, cobra a lateral e se vale da gentileza para rapidamente tentar marcar um gol. Moralmente, é inaceitável.

Enquanto isso, continuam inconfiáveis as notas do MDB, as informações repassadas pelo médico particular e genro, dr. Marcelo Rabahi e as declarações de Daniel Vilela sobre as condições de saúde do paciente ilustre. É um espetáculo deprimente o que estão a protagonizar. Segundo o que dizem, desde o início, Maguito sempre está bem, estável, movimentando-se, alimentando-se e tudo o mais, o que contradiz a escalada de piora a que ele foi arrastado, a ponto, hoje, de ninguém saber exatamente qual o seu estado verdadeiro. Mas, pelo menos, não é por sua culpa, mesmo porque não tem se tem detalhes sobre o impacto emocional que sofre. E ainda mais quando é nítido o esforço da campanha para capitalizar a doença, mais ou menos como Jair Bolsonaro transformou em trunfo a facada de Juiz de Fora. Quem está falando e agindo por Maguito o está fazendo muito mal.

27 out

Caso Maguito repete a falta de transparência que ajudou a matar Tancredo Naves, no passado, e mostra que esconder a verdadeira condição de saúde dos políticos é uma regra ainda seguida

Leitoras e leitores: não se enganem com os comunicados oficiais e as notícias passadas pela assessoria de imprensa do candidato do MDB a prefeito de Goiânia Maguito Vilela. Ele se encontra em um quadro delicado ou grave de saúde, talvez gravíssimo, acometido pela Covid-19, para a qual geneticamente tem baixa resistência (duas irmãs morreram vítimas da doença, uma mais nova e outra mais velha), muito embora seus boletins médicos insistam em que “está bem” e que “não apresenta complicações”, enquanto fica pior a cada dia.

Depois de contrair o novo coronavírus, ignorando essas premissas, primeiro Maguito ficou em casa por precaução, “para evitar transmitir o vírus”. Depois, foi internado em um quarto comum de hospital também por “medida de precaução”, embora apresentando um “estado de saúde muito bom”. Em seguida, foi para a UTI, mais uma vez “por precaução”, onde se constatou que estava com os pulmões comprometidos, o que evidencia a sua falta de capacidade física para enfrentar a Covid-19. Cumulando tudo isso, passou-se a cogitar de uma transferência emergencial para oHospital Albert Einstein, em São Paulo, via UTI aérea, operação repleta de perigos, pasmem leitoras e leitoras, “por precaução”, sempre de acordo com os ridículos comunicados oficiais da campanha do MDB. E provavelmente prejudicado por uma depressão, ou seja, tomado pelo medo de morrer, diante de todos os seus antecedentes, o que não ajuda em uma recuperação.

Desde o início, está tudo errado. A sequência de desacertos é longa. Um homem com quase 72 anos de idade, ou seja, integrante do grupo de alto risco, não deveria ter sido exposto a contatos com apoiadores, reuniões, carreatas e uma intensa agenda de eventos, como aconteceu com Maguito e, pior, sem requisitos sanitários extremos. Aliás, a candidatura, neste momento de pandemia, pode ter sido uma loucura, conforme o autor dessas mal traçadas considerou na época em que foi anunciada. E ele continuou dando mau exemplo ao brincar com a sorte. Por exemplo, usando máscaras parciais de acrílico, teoricamente para facilitar o reconhecimento do seu rosto pelas plateias e pelos bairros por onde desfilou em cortejo eleitoral. Mas, segundo especialistas, esse equipamento não protege nem a quem o usa nem as pessoas com quem se tem contato. Como é que alguém da importância de Maguito, um dos dois candidatos com possibilidade de vencer a eleição para prefeito de Goiânia, comete ou é submetido a um descuido dessa magnitude?

Há um preço e ele foi cobrado com a inevitável contaminação. Gente com a idade de Maguito, ainda mais com as suas condições financeiras, que são inigualáveis, deveria ficar em casa e evitar se expor, ao contrário do que ele fez, atrás da eleição para o lugar de Iris Rezende e sem tomar os devidos cuidados. Sim, porque, na maioria das vezes, ou pelo menos em muitas delas, quem contrai a Covid-19 infelizmente relaxou quanto as normas de prevenção. Parece ser o que houve.

O que está em andamento com o candidato do MDB lembra uma das maiores tragédias da política nacional, que foi a morte de Tancredo Neves a poucos dias de assumir a presidência da República, uma história até hoje mal contada, em que a ocultação de informações ajudou a levar o paciente a óbito. É preciso, urgentemente, que a verdade sobre a condição de Maguito seja revelada ou que, pelo menos, alguém com credencial médica diga o que ele está passando, que o impediu até de atender a um telefonema de Iris Rezende. Eleger-se prefeito de Goiânia, a qualquer custo, não vale a pena. Menos ainda ao custo de correr o risco de perder a vida.

26 out

De 13 pesquisas, 9 dão Vanderlan na frente e 4 Maguito em 1º lugar. E as últimas (Real Time Big Data: Vanderlan 11 pontos de vantagem; Diagnóstico: Maguito 5,3 pontos de dianteira) são contraditórias

Se o objetivo era confundir com as pesquisas, em tempo de eleições para prefeito de Goiânia, quem está por trás da manobra, se é que há alguém ou algum grupo, conseguiu. Poucas vezes se viu, em pleitos disputados em Goiás, em qualquer época e lugar, uma barafunda tão grande como a que se observa na capital. Do que foi divulgado até agora, ou seja, 13 pesquisas, 9 dão Vanderlan Cardoso, do PSD, na frente, e 4 apontam Maguito Vilela, do MDB, como o líder. As últimas são as mais contraditórias: enquanto o instituto Real Time Big Data apurou Vanderlan em 1º lugar, com 27% das intenções de voto e 11 pontos de dianteira sobre Maguito, este com 17%, o instituto Diagnóstico mostrou uma virada surpreendente do emedebista, que estaria com 30,1% ou 5,4 pontos de distância em relação a Vanderlan, apresentado com 24,8%. Detalhe: com trabalho de campo mais ou menos nos mesmos dias.

Antes de tudo, é preciso relembrar que pesquisas não influenciam as eleitoras e os eleitores. Há, na sociedade, uma desconfiança generalizada face aos números mostrados pelos institutos durante uma campanha. Acredita-se piamente que cada candidato providencia a sua, de um ou modo ou de outro, para vender uma imagem de superioridade. Seja isso real ou não, e parece que é, o fato é que as pesquisas servem mais para mobilizar a militância de cada candidato, seus apoiadores e principalmente seus financiadores, não para atrair votos. Há casos registrados em que às vésperas da campanha um postulante foi mostrado em vantagem e, encerrada a apuração, acabou perdendo. Aconteceu, por exemplo, em 2006, com o próprio Maguito Vilela: a 5 dias do pleito, foi estampada uma manchete em que Maguito,  do então PMDB, vencia Alcides Rodrigues, do PP, mas representante da coligação liderada pelo PSDB, por uma generosa vantagem de 7 pontos (levantamento do instituto Fortiori, publicado pelo jornal Tribuna do Planalto). Abertas as urnas, o resultado foi exatamente o contrário.

Repete-se a história, agora? Como diz o professor Antônio Lorenzo, dono do Serpes, o mais credenciado dos institutos que atuam em Goiás, quando perguntado sobre tendências a favor ou contra candidatos, “pode ser que sim, pode ser que não”. Que o MDB tem tradição quanto a manipulação de pesquisas, é verdade, mas não se trata do único partido com gosto para esse tipo de malfeito. O que existe é uma praga, estimulada pelo desespero de políticos para vencer e por empresas que não se importam com a construção da sua fé pública e negociam seus resultados. A aposta é que, no Brasil e talvez especialmente em Goiás, o eleitorado tem memória curta.

Um imposição, sempre, é levar em consideração os índices revelados por institutos com tradição de acertos e que alinham seus dados dentro da margem de erro. É seguro. O Serpes e o Grupom, até o momento, são os únicos enquadrados nessa regra, que não beneficia nem mesmo o Ibope, aquele que terceiriza a coleta de campo em Goiás exatamente para um parceiro que, em suas próprias pesquisas, tem apontado para uma disparada de Maguito. É difícil observar razões objetivos para um salto dessa magnitude, ainda mais quando se trata de um candidato que teve a sua campanha classificada até pela coluna Giro, em O Popular, como “morna”. Vamos aguardar, portanto, pelos próximos trabalhos desses dois institutos de peso reconhecido.

Atualização: Tão logo esta nota foi publicada, saiu uma nova rodada da pesquisa do instituto Real Time Big Data, da Rede Recorde. Pelos novos números, Vanderlan Cardoso continua na liderança, com 29%, contra 20% de Maguito Vilela, ambos oscilando dentro da margem de erro que, no caso, é de 4 pontos para mais ou para menos.

24 out

Excesso de Iris na campanha de Maguito, além de vender imagem fake de apoio, prejudica o MDB ao reviver o desgaste de 40 anos de rodízio Iris-Maguito não como continuidade e sim como continuísmo

Já são quase 40 anos desde que, em 1982, Iris Rezende venceu a primeira eleição para governador de Goiás a partir da redemocratização do país, iniciando um ciclo interminável de presença – seja no poder, seja fora dele – no palco principal da política estadual. Nesse período, Iris se revezou com Maguito ora como governador e senador ora como candidato majoritário em praticamente todos os pleitos e agora, como se vê, também na hipótese de um passar para o outro o cargo de prefeito de Goiânia.

É tempo demais. Que pode levar as eleitoras e os eleitores da capital a concluir que um pouco de renovação seria melhor que a perpetuação do círculo vicioso construído em benefício eterno das duas maiores figuras do emedebismo goiano, verdadeiros fósseis vivos de uma era que já passou no resto do país. Daqui para ali, a vitória pode justamente por isso cair no colo de Vanderlan Cardoso, ajudado pela campanha talvez equivocada que Maguito está fazendo, ao relembrar décadas e décadas de mãos e braços dados com Iris e a rotatividade perenizada em favor dos dois. Isso mesmo: quem sabe, em vez de mais do mesmo, seria mais positivo para a administração de Goiânia uma alternância capaz de trazer as mesmas vantagens que o governador Ronaldo Caiado trouxe para Goiás ao ser eleito em um processo de ruptura após quase 20 anos de poder do PSDB?

Basta assistir aos programas do MDB na televisão e acompanhar as redes sociais de Maguito para constatar que ele faz questão de se colocar como um prolongamento de Iris, embora este tenha se recusado a lhe dar apoiado e anunciado que sequer comparecerá às urnas para depositar um voto em favor do seu dito companheiro. Ou seja: é o candidato quem nega a si próprio qualquer vezo de independência e faz questão de realçar a sua sujeição perante o velho cacique do seu partido, chamando a atenção das goianienses e dos goianienses para a proposta de continuísmo que acredita ser a melhor para a capital. Sim, continuísmo, porque a gestão do Paço Municipal será, com Maguito, a mesma de Iris, sem Iris. Lá estará a maioria dos auxiliares que hoje trabalham para Iris. Os paulos ortegáis e os agenores marianos. O eleitorado, a partir dessas premissas, pode escolher um caminho novo e não a trilha batida das últimas quatro décadas, optando por um caminho que está estreitamente ligado a um conceito de continuidade, porém com sangue novo, conforme explicado a seguir.

De um modo geral, todos os postulantes que se comportam com seriedade na presente corrida pela prefeitura de Goiânia estão comprometidos – e não poderia ser de outra forma – em dar prosseguimento à gestão de Iris. Ninguém é besta para achar que esse é um direito de Maguito e que apenas ele concluiria as obras e manteria de pé os programas hoje em execução sob o comando do prefeito. Mais ainda: vale até dizer que “continuidade” é um aspecto menor dentro do conjunto de propostas de cada candidato porque é algo que automaticamente vai acontecer, para evitar prejuízos para a cidade. O novo significado da palavra, no pós-Iris, terá a ver com estabilidade administrativa. No momento, é uma jogada de Maguito para tapar o buraco aberto na sua campanha pela ausência de uma manifestação do atual prefeito.

Quanto mais Maguito fala em Iris e em continuidade, mais perde pontos. As pesquisas mostram que ele, Iris, é um líder que influencia votos em Goiânia, mas é claro que isso tem a ver com uma posição clara sua a favor deste ou daquele concorrente, qualquer que seja. Uma declaração. Um gesto. Um vídeo nas redes sociais e na TV. Nada disso existe e o que sobra da tentativa desesperada de burlar o eleitorado com peças de propaganda criando a ilusão de um apoio que Maguito não recebeu pode ser a sua caracterização como alguém que não se firma nas pernas que possui e precisa de muletas, expondo o cansaço de quase meio século de dupla dinâmica Iris-Maguito e Maguito-Iris, eu e ele, ele e eu. Para as urnas, pode ser a oportunidade de experimentar um prato diferente.

23 out

Um partido que passou 20 anos no poder e chegou a ser o mais importante de Goiás, o PSDB, agora tem um candidato a prefeito de Goiânia que crava de 0% a 1% nas pesquisas. O que aconteceu?

Todos sabem ou deveriam saber que o deputado estadual Talles Barreto é o candidato do PSDB a prefeito de Goiânia. E, igualmente, que o partido mandou em Goiás durante 20 anos, período em que chegou a ser a mais importante sigla da política estadual. Em alguns momentos, beirou a unanimidade, com o então governador por 4 mandatos Marconi Perillo alçado à condição de semideus e protagonista de tudo de média importância para cima que acontecia naquela época na sociedade e na economia.

Nas eleições de 2018, o PSDB enfrentou um revés de grandes proporções. Seus candidatos foram massacrados nas urnas: o próprio Marconi ficou em 5º lugar para o Senado, um único deputado federal foi eleito e apenas 6 ganharam para a Assembleia, dos quais dois já se transferiram para outras legendas. Zé Eliton, o candidato a governador, embora no cargo, amargou a 3ª colocação. Da noite para o dia, os tucanos goianos foram evaporados, com alguns poucos sobreviventes, dentre eles… Talles Barreto, que se elegeu e agora despontou como um dos 16 concorrentes à prefeitura de Goiânia.

Goiânia, como se sabe, sempre resistiu a Marconi e aos seus aliados. Com exceção da primeira eleição, em 1998, quando o jovem promissor derrotou a lenda Iris Rezende, o PSDB nunca mais ganhou na capital. Sistematicamente, as goianienses e os goianienses passaram a preferir os nomes da oposição em qualquer pleito majoritário. No entanto, ainda assim, caíam votos para o partido e seus representantes. Marconi, em 2018, teve 52 mil votos. Zé Eliton, 62 mil, ou seja, em torno de 10%. O próprio Talles, lembrando: para deputado estadual, faturou 3.500 votos – que agora, como candidato a prefeito, a considerar os insignificantes resultados apontados pela maioria das pesquisas, aparentemente estão desaparecendo.

Talles pontua 0,3% no Serpes. No Ibope, 0%. No Grupom, 0,7%. Em outros institutos menos cotados, não passa de 1%. Eleitoralmente, trata-se de uma miséria, normal e aceitável no caso de candidatos desconhecidos que se apresentam por agremiações piores ainda. Mas não quando se trata do outrora poderoso PSDB e do seu parlamentar mais ativo. Mesmo com todos os escândalos que enfrentaram, a exemplo de Goiás, os tucanos estão, por exemplo, em 1º lugar nas pesquisas em São Paulo, com Bruno Covas. Mas aqui o que está se aproximando é o maior desastre eleitoral que já acometeu um partido em toda a história política estadual.

Índices de 0% a 1% nas pesquisas, em Goiânia, correspondem a no máximo 6 mil votos, isso no maior colégio sufragante dentre os 246 municípios goianos. É uma soma, quanto mais baixa, que pode acabar enterrando a carreira de Talles, em vez de produzir o recall que ele provavelmente imaginou recolher com a candidatura, mesmo sem chances de vitória, mas com a possibilidade de um desempenho razoável em 15 de novembro. No passado, há deputados que fizeram o mesmo e em seguida foram tragados pelas consequências de uma humilhante derrota em Goiânia. Como também vai se sair mal, irremediavelmente, na eleição em curso, resta ao deputado resolver o desafio de sobreviver à hecatombe que recairá sobre a sua cabeça. A cruz que ele carrega, ainda que voluntariamente, é pesada e só em pequena parte é da sua responsabilidade. Os tucanos que o abandonaram, inclusive o ex-governador Marconi Perillo, é que são os culpados.

23 out

Legado de Iris é extraordinário, mas deixa também problemas gravíssimos para Goiânia e um deles é o enorme déficit de vagas nos CMEIs, em prejuízo das mulheres trabalhadoras

“No caso dos Centros Municipais de Educação Infantil, que são de responsabilidade das prefeituras, existia em Goiânia um déficit do ensino infantil, mas nós vamos zerar esse déficit até o final do nosso trabalho e dar continuidade a essa construção de escolas para o ensino fundamental”. A frase é do prefeito Iris Rezende e foi dita em meados de 2019. Mais de um ano depois, são palavras que devem pesar como um fardo nas suas costas, por um motivo muito simples: ele não cumpriu, diga-se de passagem demonstrando uma absoluta coerência com a sua trajetória de homem público que nunca deu importância para ações sociais e sempre privilegiou a construção de obras físicas.

Não é um mal em si. Porém, a falta de vagas em unidades municipais de Educação Infantil para que as mães trabalhadoras abriguem com segurança e qualidade seus filhos enquanto dão expediente profissional é dramática em Goiânia. De certa forma, representa uma afronta aos direitos humanos, em especial das mulheres. No atual mandato, Iris entregou 11 CMEIs, uma ninharia perto das necessidades dessa faixa da população: hoje, estima-se que no mínimo 6 mil crianças estão fora do sistema. Alguns candidatos a prefeito falam em 8 mil. O jornal O Popular pesquisou e encontrou um número bem maior: considerando-se os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC) 2019 do IBGE, a carência atual seria de 15 mil vagas.

Em meio a esses dados contraditórios, uma certeza: para resolver o problema, caberia à prefeitura construir entre 50 a 100 CMEIs. Isso é impossível. Não há recursos para tanto, ainda mais com o comprometimento do caixa com o pagamento das empreiteiras contratadas para levantar viadutos, reconstruir asfalto e outros projetos em que, bem ao gosto do prefeito, o ferro e o cimento são preponderantes. Como consequência, não há nada mais urgente e mais decisivo, em Goiânia, do que o enfrentamento ao déficit de vagas da Educação Infantil, mas, pelo menos da forma como a administração municipal foi conduzida nos últimos quatro anos, essa é uma prioridade que está longe de ser assumida.

Da boca para fora, alguns candidatos a prefeito falam em zerar o déficit, caso, por exemplo, do emedebista Maguito Vilela. Como prefeito de Aparecida, durante 8 anos, ele deixou para o seu sucessor uma estrutura improvisada de CMEIs conveniados com entidades filantrópicas, que foi ampliada por Gustavo Mendanha, enquanto ambos investiam o dinheiro na prefeitura na construção de um prédio faraônico para abrigar o gabinete do prefeito. O resultado é que hoje o buraco em Aparecida é proporcionalmente maior que o de Goiânia. Nem lá nem cá o desafio de atender no mínimo a 50% das crianças com idade até 3 anos até 2024, estabelecido pelo Plano Nacional de Educação, será vencido tão cedo. Não há tempo e nem muito menos fontes de financiamento, em especial quando os políticos estão preocupados com metas cuja realização possa garantir mais visibilidade. Com os CMEIs, isso não acontece.

22 out

Nova pesquisa Ibope é ainda mais estranha que a anterior: Maguito, em pouco mais de 2 semanas, teria crescido 8 pontos e agora está em empate técnico com Vanderlan (mas em 1º lugar). É preciso desconfiar

Saiu nesta quarta, 21 de outubro, mais uma rodada da pesquisa Ibope/TV Anhanguera e, tal qual a anterior, divulgada em 3 de outubro, os resultados são para lá de estranhos. O candidato do MDB Maguito Vilela, segundo o levantamento, teria crescido 8 pontos e agora está na liderança, com 1 ponto à frente do candidato do MDB Vanderlan Cardoso: o primeiro agora estaria com 28% e o segundo com 27%, enquanto, pouco mais de duas semanas atrás, na pesquisa anterior do mesmo Ibope, estavam com 20% (Maguito) e 21% (Vanderlan). Isso quer dizer que o empate técnico foi mantido, porém com Maguito assumindo a ponta pela mesma diferença que beneficiava Vanderlan.

É uma mudança aparentemente mínima, em termos aritméticos, só contextualmente drástica, sem fatores objetivos capazes de a justificar. Assim como na pesquisa passada, nesta os índices deduzidos pelo Ibope também divergem de todos os demais institutos em que se pode acreditar (no quesito credibilidade o Serpes e o Grupom são insuperáveis), a menos que Goiânia tenha sido tomada por um clima de entusiasmo pela candidatura de Maguito, o que parece difícil, senão impossível diante das promessas genéricas e do discurso morno que faz pelos seus meios de propaganda e dos desgastes que cercam o seu nome, além do ambiente frio de campanha. É preciso desconfiar. Ainda mais quando o Ibope informa sobre uma redução espetacular da rejeição a Maguito, que estava em 23% conforme os dados de dias atrás e agora caiu surpreendentemente para 16%, lembrando que esse é um item que, na média geral das pesquisas, só costuma subir ou, quando oscila para baixo, o que é raro, desce apenas pouquíssimas casas.

O Ibope tem uma tradição de desacertos e envolvimento com situações suspeitas em Goiás. Pela sua própria marca, já teria perdido em Goiás a consideração que ainda reveste as suas pesquisas, sustentadas, hoje, pelo fato de que elas são produzidas, nesse caso, sob encomenda da Rede Globo, que dá divulgação nacional para todas elas. As afiliadas estaduais também são obrigadas a contratar e pagar o instituto, como acontece agora com a TV Anhanguera – que ainda deve veicular pelo menos mais duas pesquisas da mesma grife até a data da eleição, pelo menos. Uma dúvida que permanece sem esclarecimento: quem executa a coleta de dados para o instituto, em Goiás? Essa operação, como se sabe, é terceirizada pelo Ibope, que nunca revela a quem entrega o trabalho de ouvir os entrevistados, no campo. Seria importantíssimo conhecer esse detalhe, dado que o MDB, mas não só, sempre foi expert em manipulação de pesquisas e conta com profissionaiss pesos-pesados nessa especialidade.

Ainda que os números do Serpes e do Grupom não se alinhem com o Ibope, nem mesmo dentro da margem de erro, um reconhecimento é necessário: Maguito tem aparentado alguma tendência de crescimento, embora Vanderlan também. O que causou espanto foi a rapidez e o volume desse movimento de alta do emedebista, a ponto de superar o representante do PSD, igualmente avançando, conforme o Ibope. Os dois saltaram, realidade que deve ser desanuviada pelas próximas pesquisas do Serpes e do Grupom, previstas para os próximos 10 dias. Será a hora de dissipar o cheiro de podre que está no ar.

21 out

Encheu-se de coragem e veio: Marconi aparece em evento de Talles Barreto, ensaia autocrítica, mas faz discurso mostrando que ainda não encontrou o rumo perdido com a surra nas urnas de 2018

O ex-governador Marconi Perillo mostrou coragem, embora pouca, já que o evento de promoção da candidatura de Talles Barreto a prefeito de Goiânia, pelo PSDB, em que ele foi a estrela, ocorreu em ambiente controlado, e reapareceu na cena política com um discurso em que até ensaiou uma ligeira autocrítica (“Na vida a gente não só acerta, também erra e pagamos pelos erros”, chegou a dizer), mas, no final das contas, mostrou que ainda não  reencontrou o rumo perdido em 2018, quando foi implacavelmente massacrado pelas urnas que o colocaram em 5º lugar na eleição para o Senado.

A impressão que ficou é que o tucano-mor de Goiás não sabia qual  a mensagem a transmitir no seu discurso, fraquíssimo. Não conseguiu nem mesmo fazer um único elogio a Talles Barreto, cuja candidatura engoliu (preferia se aliar ao MDB e apoiar Maguito Vilela) e com quem nunca manteve boas relações. O vice-versa, no caso, é válido: Talles, após o desastre eleitoral de 2018, transformou-se no maior crítico de Marconi, a quem atribuiu a culpa integral pelo veredito eleitoral e de quem falou “cobras e lagartos”, sugerindo mesmo uma aposentadoria e consequente abertura de espaço para uma renovação dentro do PSDB, claro, com ele como a grande esperança de renovação do partido.

Em 20 anos de poder, o uso do cachimbo entornou a boca do ex-governador. Cercado de bajuladores e acostumado a não ter as suas opiniões e decisões contestadas, ainda que levemente, ele apegou-se ao status de semideus da política em Goiás, de certa forma justificadamente – já que venceu 4 eleições sucessivas para o governo do Estado. Tudo isso, no entanto, virou pó da noite para o dia, depois de uma sucessão interminável de escândalos de corrupção, que horrorizaram as eleitoras e os eleitores goianos, talvez para sempre. Mas ele nunca aceitou essa nova realidade.

Notas plantadas nos jornais chegaram a sugerir que o comparecimento de Marconi ao evento de Talles Barreto corresponderia a um “teste de receptividade” para a volta de uma das maiores lideranças políticas que Goiás já conheceu. O jornal O Popular foi ao ponto de dizer que a presença de Marconi teria potencial para alavancar a campanha tucana na capital. É piada, leitoras e leitores. E piada grande. Primeiro, porque  o candidato do PSDB a prefeito marca entre 0,3 a 1% nas pesquisas e assim deve chegar a 15 de novembro, como consequência da ojeriza que o seu partido conquistou em Goiânia, aliás justamente. Depois, porque qualquer ligação com o ex-governador, diante dos desgastes da sua imagem, só traz prejuízos. Talles, pelo andar da carruagem, deverá ter entre 2 a 2,5 mil votos, uma ninharia no universo eleitoral de quase milhão de eleitores da capital. E ainda será muito.

20 out

Aparição de Marconi em evento de campanha de Talles Barreto (0,3% nas pesquisas) não é “teste de receptividade” porque o ambiente é controlado e nem de longe espelha o eleitorado de Goiânia

O PSDB – ou o que restou do partido depois do naufrágio nas urnas de 2018 – vai tentar reunir os cacos na noite desta terça-feira para receber e ouvir o ex-governador Marconi Perillo a propósito da campanha ou do calvário do deputado estadual Talles Barreto, pretendente tucano à prefeitura de Goiânia que crava um índice chué na pesquisa Serpes/O Popular, de apenas 0,3 das intenções de voto. Esse número corresponde a menos de 2,5 mil votos no universo eleitoral da capital e simboliza com força a decadência do partido que mandou com mão de ferro na política de Goiás por 20 anos, até ser destronado e jogado na lona pelos próprios erros e uma sucessão inacreditável de escândalos de corrupção envolvendo as suas principais figuras.

É claro que portavozes apaixonados de Marconi, dentre os pouquíssimos que ainda existem, apressaram-se em plantar nos jornais versões de que a aparição do ex-governador seria um “teste de receptividade” do seu nome em Goiânia e o início da sua ressurreição política. Se a preocupação for com esses dois quesitos, o tucano-mor não precisa ir ao encontro dos seus prosélitos: 1) o seu nome não é benquisto e assim continua entre as goianienses e os goianienses, tanto que conseguiu entre elas e eles apenas 5o e poucos mil votos na eleição passada para o Senado, menos de dois anos atrás, ficando em 6º lugar e perdendo até para o desconhecido Agenor Mariano, do MDB e 2) retornar do mundo dos mortos da política ainda é e provavelmente será para sempre uma impossibilidade quase absoluta para Marconi, diante da amplitude dos desgastes profundos que acabaram com o seu nome e o empurraram para a condição de réu em mais de 40 processos cíveis por improbidade e pelo quatro na esfera penal, bastando uma condenação em duas instâncias, em qualquer um deles, para ser banido das eleições por oito anos.

Se tiver mesmo coragem para aparecer em público, mesmo em se tratando de um ambiente 99,9% controlado pelo PSDB e seus minguados cabos eleitorais, Marconi não estará produzindo nenhum resultado a não ser aumentar a deterioração do que sobrou da sua liderança, que vem como consequência de ser lembrado, e transferir parte dessa erosão para o candidato Talles Barreto – o mesmo que após a derrota de 2018 chegou a propor uma autocrítica do partido e uma renovação do seu comando, que não veio. Talles não tem nada a perder, ou mais o que perder, já que não tem chances em Goiânia – nem mesmo de experimentar um crescimento pequeno e se beneficiar de qualquer recall para os futuros passos da sua carreira. Não é sua culpa, apesar da imagem fria e distante que passa como candidato. A responsabilidade maior é do partido que representa. O PSDB goiano ficou preso em algum lugar de um passado que ninguém quer de volta. E, de resto, um bom “teste de receptividade” seria Marconi dar uma volta no Flamboyant ou ir à rua 44 para comprar uma camisa. Fora daí, é tapeação.

20 out

Candidatos infestam os bairros em carreatas improdutivas, que perturbam eleitoras e eleitores com um falatório surreal. Vanderlan, que fez isso no passado e viu que não funciona, não entrou na onda

Começou devagar, mas agora se intensificou: diariamente, à manhã e à tarde, dezenas de candidatos a prefeito e a vereador, em Goiânia, percorrem as ruas dos bairros de Goiânia com um falatório em que misturam propostas, críticas, ataques aos adversários e sobretudo muita auto-exaltação. É uma chateação para os moradores e trabalhadores, obrigados a aturar a barulheira muitas vezes incompreensível, que ainda é reforçada por locutores e apresentadores de feira especializados em gritaria contratados pelas campanhas.

São as carreatas ou minicarreatas, transformadas no principal instrumento quase presencial para o proselitismo na presente temporada eleitoral. Imagens são colhidas e imediatamente postadas no Stories do Instagram e em outras redes sociais menos concorridas. Nessa hora, pode ser que o efeito seja o contrário: o que se vê são candidatos desfilando à distância, do alto, empoleirados em carrocerias de caminhões e camionetes de todos os tamanhos, bradando para calçadas geralmente vazias e tentando forçar a valiosa resposta aos acenos de mão. Que quase nunca acontece. É fácil conferir nos vídeos disponibilizados pelos próprios políticos.

A política mudou, em um novo século que já se aproxima do seu primeiro quarto. Mas, seus atores, parece que não. Com os tempos modernos e com a contribuição da pandemia covídica, ninguém sabe com exatidão o que fazer para ganhar votos. Ainda se acredita e muito no poder de convencimento de mecanismos do passado, descontextualizados da realidade das eleitoras e eleitores de hoje. É o que se vê por aí. É também o que está nos programas do horário eleitoral gratuito, a maioria repetindo fórmulas pré-fabricadas e claramente superadas, com a produção de pequenos shows de imagens embalados por baladas românticas em vez de conversa séria do candidato com a audiência. É ridículo.

A título de exemplo, assistam (acima) ao vídeo postado pelo próprio candidato do MDB Maguito Vilela, em que ele aparece circulando por ruas vazias, casas fechadas e calçadas sem gente em um bairro de Goiânia, na semana passada, lembrando a campanha derrotada do PSDB em 2018, que chegava a promover 40 carreatas em um único dia pelo Estado afora. Compulsando as redes sociais do emedebista, confirma-se que ele adotou com força a estratégia. Tem sido assim, com Maguito, para todo lado. Digam vocês mesmos, amigas e amigos: é perda de tempo ou ajuda a definir uma eleição? Em eleições passadas, o candidato do PSD Vanderlan Cardoso usou e abusou desse, digamos assim, “recurso”, vendo de perto o pouco ou nenhum resultado que traz. Nesta campanha, pelo menos até agora, preferiu se concentrar em uma agenda intensa de reuniões e encontros com formadores de opinião, tipo associações profissionais, igrejas e coletivos os mais variados possíveis. Como se mantém isolado na liderança das pesquisas em que se pode acreditar, está dando certo.