Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt e convidados sobre política, cultura e economia

08 out

Mitos que a eleição derrubou(1): exército de quase 200 prefeitos, que a base governista apresentava como sua maior arma, foi um traque que não acrescentou um décimo de ponto a Zé Eliton

O tão alardeado apoio de quase 200 prefeitos, que Zé Eliton e Marconi Perillo cantaram em prosa e verso durante a toda a fracassada campanha dos dois, não passou de um ilusão que se desfez em fumaça assim que as urnas se abriram na noite no último domingo.

 

Prefeitos são o elo mais fraco da cadeia política do Estado. Em sua maioria, são mal avaliados pelas suas comunidades, decepcionaram as expectativas que criaram na eleição, nomeiam a família, administram pessimamente e só cuidam dos próprios interesses. Em troca de verbas ou mesmo de promessas de, vendem a alma ao diabo. E isso não é novidade – Marconi, pelo menos, deveria se lembrar de que, em 1998, derrotou Iris Rezende com o apoio de apenas 33 deles. O todo-poderoso cacique peemedebista tinha 213 ao seu lado e perdeu.

 

Uma campanha ancorada no apoio de 200 prefeitos, que tinha nesse exército a sua principal arma, jamais daria certo, como não deu, com um custo altíssimo para Marconi e Zé, que precisavam de canhões para vencer um adversário de estatura como Ronaldo Caiado, mas só contaram com um traque.

08 out

Onda de hipocrisia: vencidos em Goiás vão ao Instagram para agradecer Deus, a família, os amigos e os votos que tiveram, insuficientes, mas ninguém faz autocrítica sobre as causas da derrota

O Instagram foi tomado nesta segunda-feira por uma onda de candidatos derrotados nas eleições de domingo, em Goiás, todos justificando hipocritamente da melhor forma o fiasco, mas nenhum se atrevendo a uma autocrítica sobre as verdadeiras causas do fracasso.

 

Estão lá desde o ex-governador Marconi Perillo até deputados estaduais e federais como Fábio Souza, Francisco Oliveira, Eliane Pinheiro, Giuseppe Vecci (esse extrapolou, ao afirmar que “não conseguimos nos eleger, mas fizemos uma campanha vitoriosa”, dá para entender, leitor?), Kátia Maria, Mané de Oliveira e até o 1º suplente derrotado de Lúcia Vânia, o presidente da Assembleia Zé Vitti. Todos trabalharam com a máxima honestidade, pensando somente nos interesses dos goianos, mas infelizmente faltaram alguns votos e aí a festa acabou etc e tal. Fábio Souza anunciou que se afasta da vida política e vai se dedicar à sua igreja evangélica. Mané de Oliveira também largou a política.

 

Nenhum, mas nenhum mesmo, foi capaz de um comentário consequente sobre a carta de demissão que receberam nas urnas. Algo que servisse para uma reflexão séria ou que deixasse uma contribuição para os leitores do Instagram.

 

Nada. E Deus ainda ficou com a responsabilidade de ter derrubado tanta gente.

08 out

Futuro de Marconi na política depende dos processos judiciais e do que fará, se for possível fazer alguma coisa, para reverter a imensa rejeição que adquiriu entre os goianos

A espada da democracia é o voto. E ela, neste domingo da eleição, cortou o pescoço do ex-governador e candidato ao Senado Marconi Perillo.

 

Não foi uma derrota qualquer. Marconi foi duramente passado  na lâmina pelos goianos – só faltou comemoração nas ruas. Não é que a maioria dos votos para o Senado foi conquistada por Vanderlan Cardoso e Jorge Kajuru. Grande parte desses votos foi para Vanderlan e principalmente para Kajuru como instrumento para tirar o ex-governador do jogo político. Contra Marconi, o voto foi para eles.

 

As últimas pesquisas antes da eleição mostraram que a rejeição ao tucano fundador do Tempo Novo, que já era grande, acima de 40%, havia explodido e ultrapassara os 50%. Ou seja: inacreditavelmente, metade dos eleitores de Goiás citaram o nome de Marconi ao responder à pergunta: “Em que você não vota de jeito nenhum para o Senado?”. É tóxico.

 

Continuar na política com uma rejeição desse tamanho é simplesmente impossível. É a primeira barreira que Marconi terá que superar, se quiser algum futuro. E pelo que ele mostrou na sua malsucedida campanha, ele não sabe o que fazer para diminuí-la. O outro obstáculos serão os processos judiciais, como o da Operação Cash Delivery. Aí pode complicar – e muito.

08 out

Rapidez com que Zé Eliton propôs abrir o governo para uma equipe de transição de Caiado desperta suspeitas de que está sendo montada uma armadilha para o futuro governo

A abertura do governo do Estado ao trabalho de uma equipe de transição indicada pelo governador eleito Ronaldo Caiado pode embutir uma armadilha, e perigosa, para a futura gestão estadual.

 

Foi surpreendente a rapidez de Zé Eliton: na mesma noite em que o TRE anunciou o resultado oficial da eleição, ele convocou uma entrevista coletiva e informou ter telefonado a Caiado, para os cumprimentos protocolares de praxe, e também para solicitar a ele o encaminhamento de uma equipe de transição, que seria bem recebida no intuito de levantar informações úteis fundamentar as ações iniciais do novo governo.

 

Aparentemente, um gesto de respeito aos valores republicanos e muita educação cívica. Mas… pode ser que nem tanto. Transições de uma administração para outra costumam ser complexas e envolvem aspectos delicados da guerra política. São usadas, por exemplo, como argumento de defesa quando os novos gestores, já empossados, se deparam com problemas graves  e até irregularidades, que eles, teoricamente, já teriam conhecido durante o rito de passagem. Qualquer acusação ou denúncia passariam, assim, a ser pura manipulação. Por isso, há casos em que governos que estão entrando se recusam a enviar equipes de transição, para evitar que depois venham a ser maliciosamente usadas na defesa da herança maldita deixada.

 

É recomendável que Caiado, do alto da sua notável experiência e, por que não?, sabedoria política, tome o máximo de cuidado com essa estória de “transição”. Com esse pessoal, escolado por 20 anos de poder, não se brinca.

08 out

Apesar do choro dos tucanos, institutos de credibilidade – como Serpes, Grupom, Ibope e Diagnóstico – acertaram os resultados da eleição, alinhados dentro da margem de erro

A temporada eleitoral que se encerrou neste domingo teve, pelo menos em Goiás, um bom acompanhamento das expectativas, durante a campanha, a cargo dos institutos de pesquisa que atuaram na aferição das tendências do eleitorado – e é claro que estamos falando dos institutos de credibilidade.

 

Assim, para ficar nos quatro mais importantes – Serpes, Grupom, Ibope e Diagnóstico -, tivemos bons levantamentos, que correram alinhados entre si, dentro da margem de erro, e acabaram antecipando com clareza o rumo que a eleição tomaria no momento da decisão final nas urnas eletrônicas. Esses institutos, com diferenças numéricas aceitáveis dentro das regras metodológicas das pesquisas, prenunciaram o resultado, ou seja, Ronaldo Caiado no 1º turno e Zé e Daniel a uma distância grande, mas praticamente emparelhados.

 

Dos três principais candidatos, só um brigou com as pesquisas – Zé Eliton, inconformado com o que, apurados os votos, foi ainda pior: o seu empate técnico com Daniel Vilela, em 2º lugar, que se metamorfoseou nos boletins do TRE para uma queda ainda maior e a sua classificação enfim em 3º lugar. Que fique a lição: candidato ou campanha que combate pesquisa, é porque está perdendo e aí o cenário fica mais negativo – essa é a mensagem que chega ao eleitor e ela não é construtiva.

08 out

Maior vexame da eleição, pesquisas do Directa apresentaram Zé Eliton com 26% das intenções de voto e foram usadas pelos tucanos para iludir a militância com a “virada” que nunca houve

Vai ficar para a história: não houve maior vexame, nesta eleição, que as pesquisas do instituto Directa, contratadas pela campanha tucana através da rádio Jovem Pan (de Marcus Vinicius Queiroz, um dos publicitários que trabalhou para a coligação do PSDB), que chegaram a trazer Zé Eliton com mais de 26% das intenções de voto.

 

Se fossem verdadeiras, as pesquisas do Directa teriam identificado um dos maiores fenômenos eleitorais do Brasil, quiçá do planeta. Mesmo assim, os levantamentos foram utilizados pela campanha tucana para iludir a militância e sustentar o mote da “virada”, ou seja, a reação que nunca houve de Zé Eliton – que, na verdade, não só estava estacionado na faixa dos 10%, como acabou caindo na reta final para o 3º lugar.

 

“Vira virou”, como cantou em coro a militância do Zé, houve, sim, mas na corrida pelas duas vagas ao Senado, com os dois líderes iniciais, Marconi Perillo e Lúcia Vânia, despencando para o 4º e o 5º lugar, enquanto Vanderlan Cardoso e Jorge Kajuru ascendiam para a vitória.

08 out

No pós-urnas, Caiado foi grande ao propor a pacificação da política estadual, Zé Eliton o burocrata de sempre, preocupado com a transição, e Daniel Vilela o ressentido, ao continuar atacando

Anunciados os resultados das urnas, os três principais candidatos ao governo do Estado tiveram comportamentos e posturas completamente diferentes.

 

Ronaldo Caiado saiu-se muito bem, apresentando uma proposta geral de pacificação da política estadual, evitando colocar o pé do vencedor sobre o peito dos vencidos e mais uma vez reafirmando a tremenda autoridade moral que, mais que qualquer outro atributo, contribuiu decisivamente para a sua vitória e será, como sempre repete, o motor das mudanças a serem introduzidas no governo do Estado.

 

Zé Eliton foi Zé Eliton. Não passou recibo para a humilhação do 3º lugar, pouco para quem representou a poderosa máquina governista, teve o apoio de quase 200 prefeitos e desfrutou do maior tempo de televisão. Fez um pronunciamento insosso, como sempre, e quis se apresentar como o estadista que não é nem nunca será ao abrir as portas do governo para uma equipe de transição, caso Caiado queira – Caiado quer, mas não tem pressa.

 

Por fim, Daniel Vilela, o autor da segunda maior façanha desta eleição (depois que Caiado ganhou no 1º turno) , ao superar o candidato governista e se classificar em 2º lugar sem contar com quase nenhuma estrutura ou base política e partidária. Postulante mais agressivo em suas colocações, durante a campanha, continuou na ofensiva, parabenizando meio que friamente Caiado pelo triunfo, mas ainda aproveitando para disparar as últimas críticas, reafirmando que o democrata não apresentou propostas e que, assim, teria chegado na frente em função de fatores como “a política nacional” ou “porque a população não cobrou projetos”. Um pingo é letra: o emedebista, na verdade, apenas mostrou ressentimento pela derrota.

08 out

Votação de Marconi foi pífia: 416.613 votos ou 7,55% do total, correspondente a um quarto do que Vanderlan ou Kajuru tiveram individualmente

O ex-governador e candidato derrotado ao Senado Marconi Perillo precisa mergulhar em uma reflexão profunda e abandonar o seu complexo de superioridade – evidente, mais uma vez, na carta-testamento que ele distribuiu depois de oficializado o resultado das urnas, em que, da primeira à última linha, enaltece a si mesmo.

 

Politicamente, os goianos aproveitaram o domingo de eleições para reduzir Marconi a pó de traque, dando a ele apenas 416.613 votos ou pífios 7,55% do total, enquanto consagraram Vanderlan Cardoso e Jorge Kajuru com quatro vezes mais para cada um, na faixa de um milhão e meio de votos para um e para outro.

 

Isso não acontece por acaso nem pode ser atribuído apenas à Operação Cash Delivery, em que a Polícia Federal, a poucos dias da eleição, vasculhou casas do ex-governador e prendeu seu ex-tesoureiro de campanha Jayme Rincón. Mesmo antes da ação da Polícia Federal, Marconi já beirava os 50% de rejeição, taxa que ele superou às vésperas do pleito.

 

Fazer política do alto de um pedestal foi o erro de Marconi.

08 out

Em carta-testamento logo após a derrota, maior do que se esperava, Marconi continua falando de passado (“meu legado”), não faz autocrítica nem reconhece ter cometido erros

Na noite de domingo, logo após confirmada a sua derrota – em termos piores do que se esperava, já que ficou em 5º lugar – o ex-governador e candidato ao Senado Marconi Perillo distribuiu uma nota oficial comentando a sua queda.

 

Foi uma espécie de carta-testamento, em que ele, como fez durante toda a campanha, falou de passado, do tal “legado” que teria deixado para os goianos e a história – “um marco sem precedentes de realizações, de transformações, de transparência e de honestidade”, exagera. Fez alguns agradecimentos e sugeriu que vai se afastar da política, pelo menos por um bom tempo, para se dedicar “à minha família, à minha saúde, aos meus amigos e ao meu primeiro neto, que em breve virá ao mundo”. Não mostrou nenhuma autocrítica nem admitiu ter cometido qualquer erro.

 

Marconi, definitivamente, deixou de ser Marconi. Vai ser muito difícil voltar.

07 out

Goiás anoitece neste domingo com um quadro político e amanhece nesta segunda-feira com outra realidade – e é provável que bem melhor

Os goianos aproveitaram as urnas deste domingo para fazer uma verdadeira faxina na política estadual.

 

Ronaldo Caiado foi eleito em 1º turno, com votação recorde. Os novos senadores serão Vanderlan Cardoso e Jorge Kajuru. Marconi Perillo e Zé Eliton vão para casa.

 

Haverá uma taxa de renovação elevada também entre os deputados federais e estaduais. Isso é muito bom.

07 out

Urnas punem Marconi com uma das maiores derrotas que um grande líder já teve em Goiás

O ex-governador Marconi Perillo vai terminar a eleição em 5º lugar, com menos de 400 mil votos.

 

É uma punição.

07 out

Com 81% das urnas apuradas, Marconi virá pó e deve terminar em 5º lugar, com votação ínfima

O TRE já apurou 81% das urnas em Goiás e mostra uma tendência irreversível: o ex-governador Marconi Perillo deve terminar a eleição em 5º lugar, com votação ínfima.

 

Virou pó.

07 out

Marconi vence a eleição para o Senado… em Palmeiras, sua terra natal

O ex-governador Marconi Perillo foi o mais votado em Palmeiras, sua terra natal. Ele teve 5.671 votos, à frente de Vanderlan Cardoso, em 2º lugar, com 4.337 votos.

07 out

Caiado vence em Posse, terra natal de Zé Eliton, com 7.007 votos contra 6.047

Ronaldo Caiado venceu a eleição em Posse, terra natal de Zé Eliton. O candidato democrata teve quase mil votos a mais.

07 out

É a maior vitória desde todos os tempos em Goiás: Caiado será eleito com mais de 60% dos votos válidos

Com quase 80% das urnas apuradas, Ronaldo Caiado já está eleito governador de Goiás, com mais de 60% dos votos válidos.

 

Nunca um candidato a governador, em qualquer época, teve tamanha votação.

Página 5 de 95« Primeira...34567...102030...Última »