Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt e convidados sobre política, cultura e economia

12 fev

Enquanto persegue quimeras como uma milagrosa ajuda do governo federal ou uma decisão do STF para reduzir salários do funcionalismo, Caiado perde tempo precioso para fazer logo um ajuste fiscal

O tempo é uma commodity valiosa que o governador Ronaldo Caiado, com uma carreira política condicionada pela lentidão dos processos legislativos, parece não saber manejar, agora que pela primeira vez na sua vida foi eleito e assumiu um cargo executivo.

 

Já são quase um mês e meio de mandato, sem falar nos três meses desperdiçados em 2018, a partir da sua eleição em 7 de outubro – e nem sequer a equipe de trabalho do governo de Goiás está completa. Longe disso, aliás. Para piorar as coisas, a maioria do secretariado veio de fora, nunca havia pisado antes em terras goianas e gasta os dias e as semanas se desdobrando para conhecer as suas áreas de trabalho e a realidade do Estado. No início de janeiro, o Palácio das Esmeraldas pediu a todos sugestões para reduzir em 20% as despesas das suas pastas e também uma nova configuração para efeito da segunda parte da reforma administrativa, porém muitos ainda não conseguiram entregar a encomenda. Em consequência, as decisões finais foram adiadas para meados de março, quando um projeto deverá ser remetido à Assembleia – e podem apostar, leitora e leitor, que esse prazo não será cumprido.

 

O maior engasgo do novo governo, no entanto, não é esse – e é muito pior. Caiado e estrelas como a secretária de Economia Cristiane Schmidt sonham acordados com soluções miraculosas para a crise fiscal do Estado, adiando a adoção de mediadas que, sendo de competência local, poderiam já ter sido adotadas, como a extinção de órgãos, estudos para concessões e privatizações, suspensão de aumentos salariais (ao contrário, reajustes foram concedidos em janeiro), leilões de pagamento e o ataque à grande ferida que mina a saúde financeira de Goiás: a irresponsável e exagerada política de incentivos fiscais. Tudo isso é para ontem, mas o novo governo prefere aguardar o que nunca virá, ou seja, uma mudança na rígida posição de Brasília contrária à flexibilização das exigências de enquadramento dos Estados no programa de recuperação fiscal ou uma decisão do Supremo Tribunal Federal autorizando a redução dos salários do funcionalismo, o que nunca vai acontecer porque atingiria um dos dogmas jurídicos mais sólidos do país – o direito adquirido.

 

O tempo perdido por Caiado vai custar caro para os goianos. Na prática, ele completa daqui a pouco cinco meses de “mandato”, considerando o prazo decorrido desde que foi eleito e que poderia, a partir o dia seguinte ao do resultado das urnas, para adiantar decisões, montar a equipe, definir propostas e acelerar a busca das saías para a calamidade financeira de Goiás. Em vez de seguir por esse caminho, o novo governador prefere perseguir quimeras.

 

 

 

 

12 fev

Caiado convida Lissauer para almoçar nesta terça-feira e pode iniciar um processo de degelo nas relações do Executivo com a Assembleia

O governador Ronaldo Caiado convidou, por telefone, o novo presidente da Assembleia Lissauer Vieira para almoçar nesta terça-feira, no Palácio das Esmeraldas, às 13 horas.

 

Lissauer Vieira, eleito em razão de uma articulação que ignorou os interesses de Caiado e nem sequer o ouviu, havia dito que só iria ao Palácio caso recebesse um convite. Ele já visitou protocolarmente o Tribunal de Justiça e os Tribunais de Contas e dos Municípios e até a Federação das Indústrias, mas ainda não havia marcado qualquer encontro em relação ao governo do Estado.

 

Pode ser que o almoço seja o início de um processo de degelo nas relações entre o Executivo e o Legislativo, prejudicadas pela eleição de Lissauer Vieira representando um movimento dos deputados estaduais de independência face ao Palácio das Esmeraldas e a reação inicial de insatisfação por parte de Caiado.

11 fev

Tragédia no CT do Flamengo, no Rio, deveria servir de aviso para a eliminação das salas modulares em escolas de Goiás, que também funcionam em contêineres sem sequer um extintor de incêndio

Algumas das escolas da rede estadual – e também algumas municipais de Goiânia – estão funcionando com as chamadas salas modulares, ou seja, espaços de aula improvisados em contêineres, que são revestidos de material inflamável e não possuem equipamentos antifogo e nem mesmo extintores de incêndio(foto acima). São mais de 50 salas, espalhadas pelo Estado, dotadas de paredes termoacústicas, três aparelhos de ar condicionado cada e uma área de 45 metros quadrados, apta a receber até 40 alunos. Elas foram compradas e instaladas pela então secretária estadual de Educação Raquel Teixeira, debaixo de uma saraivada de críticas – que as batizaram de “escolas de lata”.

 

As salas modulares das escolas goianas são iguais às que, no Centro de Treinamento Ninho do Urubu, do Flamengo, pegaram fogo e mataram 10 pessoas, em uma das maiores tragédias dos últimos tempos no Rio de Janeiro. Bastou um curto circuito, uma fagulha, e as chamas se propagaram, destruindo rapidamente os contêineres e provocando a morte de quem estava lá dentro. Em Goiás, uma professora foi eletrocutada ao abrir a porta de uma dessas salas, em um colégio de Águas Lindas, no Entorno de Brasília. Não morreu, mas traz sequelas até hoje, com a mobilidade do braço comprometida.

 

O aviso, que vem do Rio, está dado. Compete à Seduce e à Prefeitura de Goiânia não ignorá-lo.

11 fev

Esforço de Caiado para cortar direitos adquiridos do funcionalismo não vai dar em nada. Se desse, não traria economia significativa porque o caos financeiro do Estado tem a ver é com a renúncia fiscal

O governador Ronaldo Caiado e a secretária da Economia Cristiane Schmidt foram ao Supremo Tribunal Federal, há poucos dias, para pedir que a Corte autorize (em uma Ação Direta de Inconstitucionalidade que está tramitando lá), a redução das horas de trabalho e, consequentemente, dos salários de funcionários públicos efetivos. Na prática, Caiado e Schmidt perderam tempo, vez que o STF não se pauta por influências extraprocessuais e muito menos, no pouco que isso pudesse ter alguma força de sugestão sobre suas sentenças, atende a pedidos “políticos” de governadores de Estado e seus auxiliares.

 

Mas o que importa é o significado do episódio. Caiado e sua equipe parecem acreditar que os servidores do Estado têm alguma coisa a ver com a calamidade financeira que eles encontraram ao assumir o governo. Isso não é verdade. A causa maior do caos fiscal, em Goiás, é a renúncia escandalosa de receita, consequência trágica do excesso de incentivos tributários concedidos a grandes empresas principalmente nos anos do Tempo Novo como também na época das gestões do PMDB. Pagar ICMS, em Goiás, virou coisa de pobre, ou seja, uma cruz que as pequenas e médias empresas são obrigadas a carregar (vejam o caso do indecente Difal, que é cobrado delas afrontando a legislação), enquanto as de grande porte se fartam com vantagens inconcebíveis em relação aos demais Estados da Federação e até diante de um mínimo de bom senso. Há quem diga que, nos mandatos de Marconi Perillo, cerca de R$ 250 bilhões em impostos tenham sido retidos – legalmente, diga-se de passagem, já que os benefícios foram regularmente concedidos – nos cofres das 600 empresas privilegiadas pelas regalias fazendárias.

 

O STF dificilmente dará uma decisão que pela primeira vez na história do país iria afrontar direitos adquiridos, regra que é basilar no Direito público brasileiro e nunca foi atropelada judicialmente. Nem o horário de trabalho nem os salários serão afetados. E, se fossem, mesmo assim só haveria economia de palitos e não algo significativo em termos de redução de despesas, como Caiado e sua secretária da Economia ingenuamente sonham. Os dois argumentam que as despesas com a folha de pessoal extrapolam os limites da Lei de Responsabilidade Fiscal, o que justificaria os cortes. Mas não é bem assim. Se a receita fosse um pouco maior, com incentivos fiscais civilizados e não predatórios como os de Goiás, o percentual de gastos com funcionalismo do governo goiano cairia dramaticamente – quem sabe 40%, quando a LRF prevê 60%.

 

Sobre a necessária correção da política de incentivos fiscais, que verdadeiramente traria o reequilíbrio financeiro do Estado, Caiado não deu, desde que tomou posse, nenhuma definição.

11 fev

Das 40 coordenadorias regionais de Educação, apenas uma, até agora, a de Catalão, foi preenchida pelo governo Caiado, que vive um dilema: atender a indicações políticas ou fazer nomeações técnicas?

Os mais importantes cargos da estrutura da Secretaria estadual de Educação – as 40 coordenadorias regionais de ensino – estão sem preenchimento, com exceção de apenas uma, a de Catalão. Com quase um mês do ano letivo em andamento, a vacância cria problema para a gestão local das 1.150 escolas mantidas pela Seduce e incomoda principalmente os prefeitos, a quem os diretores dos colégios estão recorrendo para resolver problemas inerente ao funcionamento das suas unidades.

 

O governador Ronaldo Caiado e a secretária Fátima Gavioli ainda não decidiram que critério seguir para nomear os novos coordenadores regionais: se aceitarão as indicações da classe política ou se basearão em critérios técnicos. Na dúvida, abriu-se um vácuo administrativo na Secretaria estadual de Educação que atrapalha as atividades de ensino. Somente a coordenadoria regional de Goiânia, por exemplo, tem sob sua jurisdição mais escolas e mais alunos que todo o Estado de Rondônia, de onde veio a atual titular da Seduce.

 

Nos governos passados, foi adotada uma solução conciliatória: aceitavam-se indicações políticas, mas os nomes passavam por uma avaliação pela Fundação Dom Cabral e só eram confirmados no cargo se fossem aprovados. Isso foi feito para não desagradar deputados, prefeitos e lideranças, mas, ao mesmo tempo, garantir um mínimo de qualificação profissional para as coordenadorias regionais.

10 fev

Todos os 5 diretores da Assembleia nomeados até agora ocuparam cargos nos governos de Marconi. Jayme Rincón pressiona Lissauer Vieira para que Eliane Pinheiro também seja incluída na lista

Todos os cinco diretores da Assembleia Legislativa nomeados até agora pelo presidente Lissauer Vieira desfrutaram de cargos nos governos de Marconi Perillo: Wesley Borges, diretor-geral, foi da Casa Civil; Marcos Ferreira, diretor administrativo, ocupou vários cargos e foi até coordenador do Vapt Vupt  Hyullei Machado, diretor financeiro, esteve na superintendência financeira da Agehab; Andé Ariza, diretor de planejamento, foi superintendente executivo da Secretaria de Cidadania; e Danin Jr. foi diretor do Grupo Executivo de Comunicação.

 

Uma das bandeiras do movimento de independência dos deputados estaduais que venceu a disputa pela presidência com Lissauer Vieira era exatamente “zerar” a Assembleia, isto é, livrá-la da da influência do ex-governador Marconi Perillo e de ex-presidentes aliados (todos tucanos), que controlavam diretorias, contratos e fatias expressivas dos cargos comissionados. Esse foi o ponto de partida da articulação que acabou derrotando Álvaro Guimarães,  candidato da preferência do governador Ronaldo Caiado, cujo nome sequer foi levado a plenário diante da força do grupo que elegeu Lissauer Vieira com maioria esmagadora de 37 votos.

 

A candidatura de Álvaro Guimarães começou a fazer água quando vazaram compromissos que ele estaria estabelecendo para a nomeação de ex-deputados tucanos para diretorias da Casa. Na época, foram mencionados  Francisco de Oliveira e Eliane Pinheiro, do PSDB, que perderam a eleição. Álvaro desmentiu imediatamente esses acordos, mas a sua postulação já tinha naufragado.

 

Segundo a coluna Giro, em O Popular, Eliane Pinheiro continua cogitada para uma das 13 a 15 diretorias da Assembleia (o número exato ninguém sabe). O principal defensor do nome dela é o ex-presidente da Agetop Jayme Rincón, que tem pressionado com insistentes telefonemas Lissauer Vieira pela nomeação – aliás, superando uma antiga divergência entre os dois, que remonta à eleição municipal de 2016, quando Rincón deu apoio ostensivo a Heuler Cruvinel para prefeito de Rio Verde, cargo que Lissauer também disputava (ele se considerou perseguido pelo então presidente da Agetop).

 

Atualização: no site da Assembleia, consta que o ex-deputado Luiz César Bueno, do PT, foi nomeado para a diretoria parlamentar. São, portanto, seis diretores já constituídos até agora. 

09 fev

Ressaca da eleição de Lissauer Vieira para a presidência da Assembleia traz junto o esboroamento da base de apoio de Caiado e o surgimento de riscos para a sua governabilidade

A Assembleia Legislativa vai voltar a funcionar a partir de 19 de fevereiro próximo (os deputados, claro, vão receber os salários do mês integralmente) dentro de uma configuração política inédita em relação às suas últimas décadas: pela primeira, o governo do Estado não terá uma base de apoio definida para garantir a aprovação das matérias do seu interesse.

 

Esse é o maior e mais perigoso efeito da eleição de Lissauer Vieira para a presidência da Casa, atropelando o candidato da preferência do Palácio das Esmeraldas com uma maioria esmagadora de 37 votos – inicialmente sob a bandeira de “zerar” o Poder, isto é, livrá-lo da influências externas como a do ex-governador Marconi Perillo, mas depois assumidamente como um projeto de oposição rasgada ao novo governo.

 

Caiado cometeu erros infantis depois que venceu a eleição. E continua. Nunca chamou deputados estaduais para conversar. Até hoje, aliás, mesmo depois da cacetada que tomou com a vitória de Lissauer Vieira, não o fez, apesar das seguidas advertências que tem recebido, como, por exemplo, a do seu candidato derrotado a presidente do Legislativo, Álvaro Guimarães, que avisou o governador, publicamente (em nota na coluna Giro, de O Popular) que está passando de hora de montar uma base de apoio consistente entre os deputados estaduais. Na prática, ao condenar repetidamente os “conchavos” dos governos passados (mas fazê-los na surdina), o governador parece tentar deslegitimar as demandas dos parlamentares – que, deveria admitir, são naturais e decorrentes da representatividade que adquiriram ao vencer as eleições.

 

O caldo começou a entornar para Caiado, na Assembleia, quando ele escolheu trazer nomes de fora para compor o seu secretariado, ignorando a classe política estadual. Piorou quando esses “forasteiros” assumiram e lotaram os cargos de importância das suas pastas também com convidados de outros Estados. E azedou de vez quando o governador foi a um debate com os deputados sobre a situação de calamidade financeira em Goiás e destratou alguns deles com ironias e sarcasmos. O troco veio na eleição para a presidência, mas como se sabe que o que está ruim sempre pode degenerar ainda mais, o que vem pela frente tende a ser muito mais grave: é a governabilidade de Caiado que será afetada.

 

Sem base parlamentar formada e estranhamente sem nenhuma articulação para se chegar a uma, o primeiro teste virá com a apreciação da segunda parte da reforma administrativa, prevista para meados de março, possivelmente a decisão mais importante a ser submetida ao Legislativo pelo novo governo nesses passos iniciais. Podem anotar, leitora e leitor: será mais uma derrota.

09 fev

Deputado do chapéu é imprudente com as palavras, irreverente e às vezes incorreto, mas o que está dizendo sobre irregularidades na Assembleia precisa ser ouvido e não punido pelos colegas

Há males que vêm para bem. Um deles, de certa forma, tem o nome de Amauri Ribeiro e foi eleito para uma das 41 cadeiras na Assembleia Legislativa. Nunca foi um homem de atitudes convencionais, é brigão e como político (antes de ser deputado, foi vereador e prefeito de Piracanjuba) envolveu-se em episódios que até o levaram à cadeia, mas nunca por corrupção (desacatou um juiz, que o mandou prender, tudo indica que configurando abuso de poder). No seu novo mandato, que assumiu agora, não poderia ser diferente.

 

O chapelão é uma marca registrada de Amauri Ribeiro e é com ele que venceu suas três eleições. É como a calça ou a camisa, um acessório indispensável no seu caso. Hipocritamente, o regimento da Assembleia proíbe, em plenário, bonés, gorros ou chapéus (ideias, pelo jeito, são permitidas). Não tem sentido. Que influência tem no exercício do mandato parlamentar o fato de uma cabeça estar ou não coberta? O fato é que a discussão está colocada e com um enorme potencial de simbolismo, em uma casa legislativa onde mais do que nunca as práticas de sempre e os costumes de antigamente precisam ser extirpados.

 

Ocorre que Amauri Ribeiro incluiu outros ingredientes na controvérsia do seu chapéu. Desde antes da posse que ele vem criticando o excesso de diretorias e funcionários da Assembleia, além de apontar para a existência de contratos suspeitos, grande parte disso, segundo ele, a serviço dos interesses do grupo do ex-governador Marconi Perillo. E isso, apesar do discurso desfraldado pelo movimento de deputados que se rebelou contra Ronaldo Caiado e elegeu Lissauer Vieira, continua. Ninguém sabe ao certo quantas diretorias há no Poder (seriam entre 13 e 15), mas todos concordam quanto ao seu número excessivo, com salários igualmente idem. E são mais de três mil comissionados, quantitativo que também desperta suspeitas quanto à sua utilidade.

 

O chapéu representa um questionamento para tudo isso. De todos os deputados que tomaram posse na atual Legislatura, Amauri Ribeiro é o único que, rapidamente e do seu próprio jeito, conseguiu justificar a eleição.

09 fev

Politicamente ingênuo e sem experiência parlamentar, deputado Major Vitor Hugo é inviável como líder do governo na Câmara Federal: Bolsonaro não deveria ter convidado e ele, muito menos, aceitado

Tem certas coisas, em política, em que não há margem para improvisações ou invenções. Um bom exemplo é o preenchimento da função de líder de governo no Legislativo, seja federal, estadual ou municipal: o escolhido tem que ter jogo de cintura e principalmente experiência parlamentar, caso contrário…

 

…caso contrário vai dar no que está acontecendo com o deputado Major Vitor Hugo, imprudentemente escolhido pelo presidente Jair Bolsonaro para a missão de representar os interesses do Palácio do Planalto na Câmara Federal. Quando o capitão anunciou a indicação, a surpresa foi grande. O major é deputado de primeira viagem, eleito praticamente sem fazer campanha nas costas do deputado Delegado Waldir, que mais uma vez obteve votação para fazer a sua própria legenda e a de mais um. Não tem traquejo, capacidade de expressão e sequer é capaz de sustentar uma entrevista mostrando conteúdo. Bolsonaro não deveria tê-lo convidado, acrescentando um risco a mais para os projetos que precisa aprovar, e ele, Vitor Hugo, muito menos aceitado.

 

Claro que não vai dar certo. O caso lembra o episódio bíblico do profeta Daniel atirado à cova dos leões. Mas o iluminado deu um jeitinho e conseguiu escapar. Major Vitor Hugo, coitado, vai ser devorado.

08 fev

Caiado diz que a reestruturação do Vapt Vupt é para economizar. Pode ser, mas é também para abrir espaço e atender políticos aliados no interior, principalmente do DEM, ou seja: fazer “conchavos”

Ao contrário do que o governador Ronaldo Caiado afirmou durante a reunião com o seu secretariado no início desta semana, a reestruturação do Vapt Vupt pode, sim até gerar alguma economia, mas há também o objetivo de, mais do que cortar desperdícios, abrir espaços para políticos aliados, principalmente do DEM, em todo o Estado.

 

Na verdade, sob o comando de Luiz Rates, assessor parlamentar de Caiado por mais de 20 anos e agora nomeado desde 3 de janeiro último para a Superintendência de Relações Interinstitucionais (vejam só, leitora e leitor, que nome esdrúxulo), do Gabinete de Assuntos Estratégicos, órgão da governadoria, está sendo executada uma gigantesca operação de contato com as bases municipais do DEM e o recolhimento de informações para a nomeação de seus indicados para todos os cargos estaduais em cada cidade. Esse procedimento está sendo desenvolvido à margem da Secretaria de Governo, cujo titular, Ernesto Roller, deveria ser o responsável pelas relações com a classe política e especialmente os seus integrantes vinculados à campanha vitoriosa de Caiado. Entre os demais partidos que estiveram ao lado do governador na sua jornada eleitoral, a ação de Rates está despertando  tanto inquietação quanto indignação, pela ostensiva preferência atribuída ao DEM em detrimento das demais legendas, como, por exemplo, o MDB.

 

O caso do Vapt Vupt é emblemático. O prefeito de Itapaci, Mário Macaco, que é do PSDB, foi chamado ao gabinete do secretário de Planejamento Pedro Henrique Salles, onde se deparou um grupo de políticos locais que faz oposição a ele e foi comunicado de que o Vapt Vupt local não mais continuará sob a jurisdição da prefeitura, que até agora fornecia o imóvel onde funciona e os 15 servidores do atendimento, e passará a atuar com independência, em um prédio a ser providenciado pelo governo e com pessoal nomeado diretamente por Caiado (o que significa que indicados pelas lideranças que estavam na reunião, a maioria… do DEM). O que corria por conta de Itapaci, vai passar a ser pago pelo Estado. Esse evento, que está gravado, comprova que, se existir a determinação de reduzir as despesas do Vapt Vupt, é prioridade bem menor que premiar a companheirada dos municípios (em outra frente, sabe-se que serão abertas unidades em cidades sem nenhuma demanda, como Santa Terezinha, reduto do secretário de Desenvolvimento Marcos Cabral, obviamente em razão de critérios políticos).

 

É o que o próprio governador condena como “conchavo”, porém está fazendo.

08 fev

“Conchavos” políticos que Caiado condena no passado são os mesmos que ele está fazendo agora e, pior ainda, para os quais modificou a legislação que proibia dirigentes partidários em estatais

O governador Ronaldo Caiado, aquele que assumiu proclamando que a era dos “conchavos” políticos com o aparelhamento de cargos públicos havia se encerrado em Goiás, já está com a corda solta para fazer os seus – chegando ao exagero de modificar uma lei para permitir a nomeação de apadrinhados e aliados em funções importantes do governo, em alguns casos gente sem nenhuma experiência na área onde irão “trabalhar”.

 

No começo desta semana, ao citar a primeira parte da reforma administrativa no balanço do seu primeiro mês de gestão, Caiado disse que havia extinto as cinco secretarias extraordinárias existentes exatamente porque, para ele, só serviam para “conchavos” nos governos passados e não atendiam a nada do interesse dos goianos.

 

Isso significa que, como anunciou o governador, a era dos “conchavos” acabou em Goiás? Não, leitora e leitor. Ao contrário, piorou. Enquanto discursava publicamente contra os “conchavos”, Caiado já tinha assinado, no recôndito do seu gabinete, uma modificação no decreto que regulamentou a aplicação das Lei das Estatais, no Estado, com o objetivo de permitir a nomeação de políticos militantes em cargos importantes em empresas públicas e autarquias estaduais. Com essa alteração, o governador ficou livre para efetivar, por exemplo, o ex-prefeito de Bela Vista Eurípedes José do Carmo para presidir a Agehab (e olha o detalhe: Eurípedes é processado pelo Ministério Público por irregularidades na construção de… casas) e também o presidente do PRTB Denes Pereira para o comando da Iquego (além de nada saber de medicamentos, a não ser tomá-los, eventualmente, Denes esteve na presidência da Comurg, que foi obrigado a deixar exatamente pela proibição legal de ocupação do cargo por dirigentes partidários).

 

Fosse um governador qualquer e nada haveria a dizer, uma vez que governantes são assim mesmo e todo mundo sabe que nenhum sobrevive sem “conchavos”. O problema é que se trata de Caiado. Ele, que vive invocando a sua imensa autoridade moral e aparentemente montou um governo com prioridade para a capacitação técnica dos seus integrantes, acabou repetindo a mesma prática que era rotina nos governos passados. Ou seja: Caiado, que diz ser contra os “conchavos” políticos, também faz os seus, com o agravante de que ousa modificar leis para facilitar a colocação de dirigentes e ex-dirigentes partidários em pastas de importância ou para as quais não têm nenhum preparo profissional. Um outro exemplo foi a tentativa de nomeação de um ex-prefeito de Americano do Brasil, estranho aos assuntos de água e saneamento, para a vice-presidência da Saneago (barrada pelo conselho de administração da empresa com base na proibição imposta pela Lei das Estatais).

 

A jornalista Fabiana Pulcineli definiu na rádio CBN a decisão de Caiado de mexer na regulamentação da Lei das Estatais para poder nomear dirigentes partidários e fazer assim os seus “conchavos” como incoerência. Correto. Mas é muito mais. Incoerência é uma palavra leve para expressar o que, na verdade, é a primeira grande traição do governador aos seus próprios princípios.

07 fev

Derrota na eleição para presidente da Assembleia mostra a erosão do capital político de Caiado que, no 1º mês do seu governo, poderia ter sido usado para um ajuste fiscal duro. Agora, será muito mais difícil

Um dos motes de Ronaldo Caiado, desde que foi eleito governador, há mais de quatro meses, é o de que não tem pressa e que, aos poucos, irá mostrando o que pretende para buscar o reequilíbrio do Estado e trazer a mudança que prometeu e convenceu os goianos a elegê-lo com votação recorde e em 1º turno.

 

Mas Caiado errou feio. Ele deveria, sim, ter tido pressa… e muita. A política tem regras que exigem respeito e ir contra nunca é saudável. Uma delas é que um governante deve aproveitar o capital político que conquista nas urnas e acelerar a adoção das medidas mais duras e impopulares, mas que vão colocar a sua administração em um caminho virtuoso, antes que a marcha do governo comece a trazer os desgastes inevitáveis e venha a diminuir a sua margem de manobra.

 

No caso do novo governador de Goiás, isso é tanto mais grave quanto o tamanho do golpe que levou, ao ser fragorosamente derrotado na eleição para presidente da Assembleia. Caiado foi obrigado a engolir Lissauer Vieira, um deputado com o qual não tem a menor identificação e que representa o encolhimento do necessário respaldo que deveria ter do Legislativo para a sua governabilidade. Para vencer a crise fiscal que trouxe o descalabro financeiro para o Estado, não há como prescindir do apoio da Assembleia – que, antes da eleição que consagrou Lissauer Vieira, era avassalador, mas agora nem tanto.

 

Esse apoio não virá mais com a prontidão com que teria acontecido, por exemplo, durante as sessões extraordinárias do mês de janeiro, quando teria sido brincadeira de criança aprovar medidas duríssimas de ajuste fiscal, como cortes de incentivos fiscais, redução de vantagens do funcionalismo, extinção de órgãos ou uma nova estrutura para o governo. O clima na Alameda dos Buritis mudou. Entre os deputados estaduais, que enxergam com clareza a fragilização política do Palácio das Esmeraldas, já há até uma batalha campal marcada com Caiado, que será a apreciação da segunda parte da reforma administrativa. O governo pode se preparar porque essa matéria vai se transformar em uma espécie de segundo turno da eleição para presidente – e com probabilidades altas de nova derrota.

 

A pressa era aliada de Caiado, mas ele perdeu o bonde.

07 fev

Reprimenda de Lissauer Vieira a Caiado (““Ficar chorando, e reclamando e remoendo o passado não vai resolver”) pressupõe que crimes graves devem ser esquecidos e por isso é inaceitável

O governador Ronaldo Caiado não deveria se preocupar com o que foi feito de errado e mesmo de criminoso pelos governos que o antecederam, passando uma borracha nesse passado sujo, abaixando a cabeça e apenas se limitando a fazer o que for possível para resolver e superar a enxurrada de problemas que recebeu como herança.

 

Essa é a opinião do novo presidente da Assembleia, Lissauer Vieira, repetida em quase uma dezena de entrevistas nos últimos dias(acima, na última, à rádio Bandeirantes), quando aproveita para passar mensagens, conselhos e reprimendas para o governador – a principal delas a frase “Ficar chorando, e reclamando e remoendo o passado não vai resolver”, com a qual Lissauer condena o esforço de Caiado no sentido de esclarecer fatos graves que ocorreram nos últimos anos dentro da administração estadual, envolvendo inclusive enormes somas em dinheiro, e buscar a responsabilização de quem os praticou.

 

Em outras palavras, o que se está propondo é que Caiado varra o lixo para baixo do tapete e esqueça a lista das irregularidades que transformaram Goiás em um Estado em situação de calamidade financeira. Se fizesse isso, o governador simplesmente estaria dividindo a culpa pelas barbaridades com que se defrontou ao assumir o comando administrativo do Estado. Seria conivente. Cúmplice. Estaria escondendo até mesmo delitos. E isso seria inaceitável, pior ainda quando sugerido por um presidente de Poder, no caso o Legislativo. Só seria pior se fosse o presidente do Tribunal de Justiça.

 

Caiado, a propósito, tem sido até moderado diante das falcatruas e outras anomalias que está localizando a cada dia como governador. Chora pouco, reclama pouco e remói o passado pouco. Ela já declarou, por exemplo, que não vai denunciar ninguém à Justiça porque estaria invadindo a competência das autoridades policiais ou do Ministério Público. Mas é o que deveria fazer, como autoridade encarregada de zelar pela aplicação dos recursos do povo goiano. Entre outras coisas, é para isso que foi eleito.

06 fev

Na pressa de prestigiar a primeira-dama Gracinha, presidente da OVG, Bolsa Universitária foi mantida sem qualquer avaliação, dando às faculdades e universidades particulares mais do que elas queriam

Não existe prova maior da surpreendente inexperiência administrativa e da ingenuidade do governador Ronaldo Caiado, em assuntos de gestão, do que a sua decisão de manter sem modificações o programa Bolsa Universitária, ainda por cima prometendo às faculdades e universidades particulares o pagamento ainda neste ano da dívida de R$ 80 milhões herdada dos governos anteriores.

 

Caiado agiu motivado pelo coração, digamos assim, na pressa de prestigiar a primeira-dama Gracinha, presidente da OVG, entidade que toca o Bolsa Universitária equivocadamente como um programa de assistência social, quando deveria ser formulado como uma estratégia de desenvolvimento econômico do Estado. Não tem sentido que milhões e milhões dos recursos gerados pela sociedade sejam dispendidos para formar profissionais em áreas não prioritárias para os goianos e, pior ainda, sem maiores contrapartidas. Isso é benemerência com dinheiro do povo, não política de governo comprometido com o futuro dos cidadãos. E deveria ter um ponto final.

 

Acontece que os proprietários das faculdades e universidades particulares, que podem ter recebido nos mais de 10 anos do Bolsa Universitária, entre R$ 1 bilhão e 1 bilhão e meio de reais, desde a criação do programa, são tão interessados na sua manutenção que estavam dispostos a aceitar um parcelamento dos repasses atrasados por até quatro anos. É possível que, sem o BU, muitas instituições particulares de ensino superior venham a fechar em Goiás. Há, inclusive, a suspeita de que elas inflam o valor das mensalidades, cobrando do governo um preço e do mercado, outro, bem menor.

 

Caiado se precipitou. Sem informações e sem uma auditoria mais do que necessária no programa, anunciou junto com Gracinha logo nos primeiros dias do seu mandato que o BU estava mantido(foto acima, com Jorge Bernardo, presidente do sindicato das faculdades e universidades particulares), com a quitação dos seus débitos ainda neste ano, apesar do estado de calamidade financeira oficializado em decreto e ignorando a disposição dos empresários do setor de aceitar um prazo maior para a quitação do passivo, tamanhas as vantagens que levam com o programa. Entre eles, houve comemoração. Não esperavam tanto.

 

Caiado ainda pode consertar o seu erro, que, mantido, vai impor um prejuízo de grandes proporções para Goiás.

06 fev

“Primeiro mês de Caiado não foi produtivo”, radicaliza Lissauer Vieira, ao pedir “menos choro e mais ação” e acrescentar que “só ficar reclamando do passado já cansou a população”

As entrevistas do novo presidente da Assembleia Lissauer Vieira seguem mostrando uma subida do tom com relação ao governador Ronaldo Caiado, que não queria o seu nome e acabou engolindo uma derrota acachapante com a sua eleição.

 

Nesta quarta, à rádio Bandeirantes, Lissauer Vieira foi objetivo ao avaliar que o “primeiro mês do novo governo não foi produtivo”. Ele acha que há “choro demais e pouca ação” em relação ao Estado que Caiado encontrou ao assumir o governo e que já está passando de hora de uma “atitude positiva” da gestão, procurando apresentar soluções efetivas para os problemas colocados.

 

É visível a segurança do novo presidente nas suas colocações. Ele inclusive avisa que o Palácio das Esmeraldas não deve esperar muito dele, pois, como chefe de um Poder, não tem a obrigação nem o compromisso de facilitar a vida do Executivo nos assuntos de que dependerá da Assembleia. Isso, em linguagem vulgar, é o prenúncio de que Caiado terá obstáculos imensos a superar no trato com os deputados.

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